& Moira Bianchi: razão e sensibilidade
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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Lady Susan de Jane Austen - um romance petulante e audacioso

 Olá!

Hoje começo uma série de posts sobre LADY SUSAN.

.

Esse romance epistolar é o meu segundo romance favorito na obra de Jane Austen. Eu gosto do ritmo, da sensação de ouvir segredos, descobrir coisas escondidas de mim. É excitante!

Sem dúvida, Lady Susan é um ponto fora da curva na obra de Austen para quem não conhece a Juvenília. Mas, na verdade, LS encaixa perfeitamente no refinamento do estilo da autora.

Como eu tive a oportunidade de trabalhar na Juvenília, eu pude pesquisar easter eggs e referências que a então Jovenzinha Jane embutiu na produção literária que ela começava a criar, e principalmente, li na íntegra e na ordem que ela deixou seus cadernos numerados. Sugiro que você leia também, no original ou na minha tradução. Por que?

⭐ Primeiro: 

Porque é mimo para fãs de Austen

⭐ Segundo: 

Porque tem várias pistas e esboços de Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma

⭐ Terceiro: 

Porque vai te ajudar a entender melhor os romances de Jane Austen


Te mostro aqui uma linha do tempo das criações de Austen para localização da evolução dela como contadora de histórias. LS está em amarelo.


Então, analisando pela vertente de QUANDO LS foi criada, vemos que Austen usou muito da narrativa exagerada da Juvenília, mas agora refinada - mesmo que ainda muito longe da delícia de "Você é muito generosa para brincar comigo. Se seus sentimentos ainda são os mesmos de abril passado, diga-me imediatamente. Minhas afeições e desejos não mudaram, mas uma palavra sua me silenciará sobre esse assunto para sempre." O&P, cap 16

Uma idéia clara da evolução do estilo de Austen pode ser vista, por exemplo, na leitura dessas 4 obras (seleção minha):

Se lidas em sequência, essas obras mostram que com a maturidade, ela refinou seu estilo. Ela fala de morte em Jack & Alice de maneira jocosa e de forma melancólica em Persuasão.

Mas aqui neste post quero falar de como Lady Susan é uma continuação perfeita da Juvenília. Te explico meu raciocínio:

 4 mulheres para falar da situação feminina 

Em Catherine ou o caramanchão, Austen conta a história de 4 mulheres: Catherine, Sra. Percival (a tia), Sra. Stanley (parente) e Camilla Stanley (parente). Conhecemos Catherine como um garota profunda, leitora voraz e muito preocupada com a situação de vizinhas amigas que tiveram a vida alterada com o falecimento do pai. A tia é mostrada como uma senhora preocupada e rancorosa com a situação da sobrinha solteira e reputação. Sra. Stanley é uma mulher casada e confortável com sua situação social. Camilla é uma garota da mesma idade de Catherine, mas como tem uma família estruturada e rica, é leve e despreocupada.

De início, Catherine nos faz crer que Camilla é fútil, mas depois aprendemos que a visão de Catherine nem sempre reflete a verdade - assim como Elizabeth Bennet e Emma, por exemplo. Depois, com o andamento da trama, Catherine muda conforme ela reage às pessoas à sua volta.

'Catherine' fala de possibilidades na vida social feminina

Em Lady Susan, de novo Austen nos dá 4 mulheres: Lady Susan (a viúva), Frederica (filha da viúva), Sra. Vernon (a cunhada) e Sra. Alicia Johnson (amiga e comparsa de Susan). Aqui somos apresentados a uma viúva impiedosa em suas tentativas de garantir uma vida segura e confortável. Nesta batalha, a filha é um meio - assim como Elizabeth é para Mrs. Bennet. Apesar de querer segurança para a filha, essas mães querem estender esse cobertor sobre elas mesmas.

Frederica então é um peão movida de lado para lado no tabuleiro de interesses. Sra. Vernon é uma mulher segura na vida porque tem pais de fortuna e marido vivo (este é o herdeiro do marido falecido de Susan, o que nos faz entender porque ela acha que tem o direito de tirar vantagem do cunhado). Alicia Johnson já conseguiu assegurar um marido velho e rico e por isso está segura socialmente, mas precisa eventualmente responder ao marido que tem certa aversão ao poder perverso de Susan.

⭐ Lady Susan fala da luta feminina pela sobrevivência  

Não sabemos na verdade se Catherine foi o último conto escrito na juventude dela, apenas que é o último que ela incluiu nos cadernos da Juvenília. Mas se acreditarmos que a ordem em que Austen passou a limpo seus escritos juvenis foi a mesma em que ela os criou, a transição de narrativas e assuntos é natural, suave.

A garota Jane tinha todas as possibilidades abertas a ela, observava os destinos de suas parentes e amigas se descortinando à sua volta. A jovem mulher Jane tem noção da corda bamba que era a situação social da mulher nos séculos 18-19.  Já falei disso aqui no blog, leia aqui e aqui entre outros.

Enfim, eu gosto tanto de Lady Susan porque vejo nesta obra pequena e petulante uma audácia em crítica social que Austen parece manter sob controle no restante de sua obra.

Laetitia, Lady Lade, on horseback de G. Stubbs - 1793
.

Veja uma análise curtíssima que achei em Jane Austen, her life in letters - a family record de William Austen-Leigh. Ele era sobrinho-neto de Jane e organizou (muitos anos depois do falecimento dela) um carinhoso livro que detalha sua vida com minúcias cotidianas de sua vida, circunstâncias em que ela escreveu seus romances, e sua morte prematura. Usando as próprias cartas de Jane, este livro ajuda a construir a reputação literária e pessoal de um ícone literário pela visão de seus familiares.

Cito aqui o cap 5:

"Em Memórias, o autor cedeu com relutância às muitas solicitações de incluir Lady Susan em sua segunda edição como uma etapa no desenvolvimento da autora (Jane). Estritamente falando, não é uma história, mas um estudo. Quase não há tentativa de enredo ou agrupamento de personagens; as que existem são mantidas em segundo plano e servem principalmente para realçar a figura completa, altamente acabada e totalmente sinistra que ela (a personagem principal) ocupa na trama, mas que parece, com a conclusão do estudo, desaparece inteiramente da mente de sua criadora. É igualmente notável que uma menina inexperiente tenha tido independência e ousadia suficientes para compor em detalhes uma mulher do tipo de Lady Susan, e que, depois de fazê-lo, a pureza de sua imaginação e a delicadeza de seu gosto a impediram que repetisse o experimento."

Está certo, não é?


Apesar de ter escrito Razão e Sensibilidade em cartas, Austen reescreveu depois e ficamos sem saber o quanto ela mudou já que as irmãs Marianne e Elinor não ficam afastadas e portanto, as cartas deveriam ser de outras pessoas falando delas...

Pela Nossa Senhora do Print, quem resiste à exposição de uma conversa de Whatsapp? Imagino que cartas eram igualmente comprometedoras e por isso Lady Susan seja tão suculenta.

goodreads


Com estes posts eu quero aprender mais da obra e de Jane, te convido a vir comigo nesta jornada que, se tudo der certo, é um embrião para um novo projeto bacana em Austen Nation.

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

Agora me fala, você já leu LS

Gostou da obra ou detestou tanto a personagem que o romance todo é impossível de engolir?

Bjs, e até mais!

M.


Garante seu BOX DE LIVROS DA JUVENÍLIA

antes que esse projeto chegue ao fim!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Idade de casamento no séc 19: nem tão novinhas assim

Olá,
andei pesquisando bastante sobre a idade que as garotas casavam no século 19 por conta de um tititi em Austen Nation sobre o novo Emma. 
VPukirev,  1862
pic de arthive

Achei uma entrevista da diretora do filme (Autumn de Wilde) com os atores principais Anna Taylor-Joy e Johnny Flyn (Emma e Mr. Knightley) na tour de divulgação do filme. Eles falavam de uma característica do personagem que são os constantes sermões que ele dá em Emma - coisa que acho chatíssimo nele. Chamam de 'mansplaining' e foi isso que gerou uma boa discussão. 

Dentre muitos protestos sobre o uso do termo e se é ou não aplicável ao herói de Austen, uma pessoa comentou isso:


"...no livro Emma tem 21 anos, 
quase uma solteirona para a época. 
Já Mr. Knightley era 16 anos mais velho que ela... "

Achei esquisito, solteirona é algo que nunca liguei a Emma; seria um adjetivo para Charlotte Lucas de Orgulho e Preconceito. Daí, me lembrei de um tanto de referências e pesquisei outras tantas.

Olha só:
Nas obras de Jane Austen
Austen levou umas duas décadas escrevendo suas obras principais que retratam a realidade que ela vivia na época. Como dá para ver no quadro abaixo (que eu fiz compondo com o maravilhoso estudo 'Austen em números' do The Guardian que postei aqui) vemos as idades dos casais ordenadas pela idade das mulheres. De Lydia Bennet a Anne Elliot, vemos que a maioria fica entre 18 e 22 anos em uma época que 21 era a idade legal para uma moça casar SEM O CONSENTIMENTO DOS PAIS. 

Charlotte se considera um peso para sua família, por isso aceita a oferta do chato Mr. Collins - incentiva ele a fazer o pedido, na verdade. 
As irmãs Elliot são mais avançadas na idade (Anne tem 27 e Ms. Elliot tem 30) e por isso a mais velha faz força para encantar o futuro baronete Mr. Elliot.
Emma, como Lizzy e Jane Fairfax, só tinha 20, flor da idade casamenteira. Jane Bennet era um prêmio para qualquer cavalheiro e tinha 22... 
Lydia que fugiu com o boy (eloped) aos 15, abaixo da idade legal de consentimento, teria o casamento anulado já que na Inglaterra, casamentos com/entre menores de 21  era ilegal a menos que contassem com aprovação dos pais. Por isso Mr Darcy pediu ao Sr Gardiner, tio das Bennets, para participar da União dando legitimidade. Uma opção para quem queria casar à revelia dos pais era a Escócia onde a lei permitia casamentos a partir dos 14 e a primeira cidade na fronteira era... Gretna Green!
Observe que quem fugia ou casava sem o consentimento dos pais abria mão de qualquer dote o que fazia desse 'prêmio' um incentivo pros amantes fazerem tudo certinho.
Na Colônia, EUA, a idade de consentimento era menor, mas migrar para lá era coisa de empobrecidos, a viagem custava caro e demorava ao menos 15 dias nos melhores barcos. CUPIDOS EM DEVON vai visitar a América,  falo mais disso depois.

Wiki
EM SHAKESPEARE
A ideia de garotinhas casando vem de longe, da inocência perdida para um amor repentino, mas mesmo na idade média a coisa não era bem assim. Olha essa análise de Shakespeare que achei no Wiki: 'O drama de William Shakespeare coloca a idade de Julieta em apenas quatorze anos;  a ideia de uma mulher se casar em segredo muito cedo teria escandalizado os elisabetanos.  A crença comum na Inglaterra elisabetana era que a maternidade antes dos 16 anos era perigosa;  manuais populares de saúde, bem como observações da vida de casada, levaram os elisabetanos a acreditar que o casamento precoce e sua consumação prejudicavam permanentemente a saúde de uma jovem, seu desenvolvimento físico e mental propiciando o nascimento de filhos doentes ou atrofiados.  Portanto, 18 passou a ser considerada a idade mais precoce razoável para a maternidade e 20 e 30 a idade ideal para mulheres e homens, respectivamente, se casarem.  Shakespeare também poderia ter reduzido a idade de Julieta para demonstrar os perigos do casamento em idade muito jovem;  que o próprio Shakespeare se casou com Anne Hathaway quando tinha apenas 18 anos (muito incomum para um inglês da época) poderia ter algum significado.' 
Faça o que eu digo, não faça o que eu faço 

Veja só mais isso:

Revistas masculinas da primeira metade do século 19 
(que até aparece nos CUPIDOS EM DEVON)
Uma matéria maldosa da revista masculina New Monthly Magazine de 1837 trazia essa tabela de idade feminina listando qualidades casamenteiras para instruir interessados. Vejamos com olhos masculinos do século 19, primeiro ano do reinado de Victoria, então era o último suspiro da era Georgiana.
EB Leighton - signing the register - fim do sec 19

Enumeração de solteironas

17 anos: fantasia com um casamento por amor, é entusiasmada pelas músicas de Bayley e pela poesia pastoral.
18 anos: bela tez e alto astral, é viciada em arco e flecha, e revistas como 'Comic Annual' (revistas destinada a meninos de histórias em quadrinhos que contam a história por meio de cartuns) e 'Charming Women' (revista feminina que exaltava o consumismo). Disposta a aceitar todos os parceiros que aparecem em um salão de baile, dança 14 quadrilles por noite e rejeita uma proposta por dia. Acredita que um amor e um teto bastam. 
19 anos: Um pouco mais refinada em forma e gosto. O amor e um teto agora precisa ser uma bela casa na cidade.
20 anos: A timidez se foi, a falta de paciência aumentou. Uma fortuna é indispensável.
21 anos: Começa a entender o significado das palavras 'Irmão mais novo'. Ansiosa por adiar o debut de irmã caçula.
22 anos: Suavizada na tez, endurecida no coração. Aperta a cintura e pensa que é possível se casar por posição social.
23 anos: inquieta ao respeitar as regras do Almack (baile famoso). Passos graciosos substituem o passo esfuziante dos dezoito anos. Recusa um pretendente do interior, suspira por uma confortável saleta de visitas e tagarela sobre um colar de diamantes.
24 anos: a era da suprema beleza e superação da vaidade; beleza e elegância em plena floração.
25 anos: Surpresa por ainda estar solteira e começa a contar as conquistas da temporada. Aparece em quadros e charadas.
26 anos: atormenta o pai para passar o inverno em Brighton (como Dora!) e dar alguns jantares. Prefere montar cavalos vistosos do que passear com a mamma.
27 anos: cabelos e ombros afinando bastante. Conta com luncheons para fazer a social. Lê Mrs. Marcet (escritora de livros de ciência), cultiva um jardim de flores e dá opiniões decididas.

A lista continua até a idade de 55 anos, mas aqui achei que bastava ficar no 27. Mimi Mathews lista todos aqui.


O interessante é que a revista elege 
a idade de 24 como ideal na beleza e espíritos.
pinterest - uma noiva Georgiana
(mas fotografia é de meados do sec 19)

Vitorianas não casavam cedo,
nem com primos (na maioria dos casos)
O site History.com fala disso também.  
No final do século XVIII, a idade média do primeiro casamento era de 28 anos para homens e 26 anos para mulheres.  Durante o século 19, a idade média caiu para as mulheres inglesas, mas não abaixo de 22. Os padrões variaram dependendo da classe social e econômica, é claro, com as mulheres da classe trabalhadora tendendo a se casar um pouco mais velhas do que suas contrapartes aristocráticas porque precisavam fazer dinheiro.  Mas a ideia moderna predominante de que todas as mulheres inglesas se casavam antes de deixar a adolescência está bem errada.
Tampouco elas casavam com seus primos.
Casar-se com seu primo em primeiro grau era perfeitamente aceitável no início do século XIX, até na família de Austen teve união assim (inclusive marido casando com irmã da esposa falecida) e a prática certamente oferecia alguns benefícios: era mais provável que a riqueza e a propriedade permanecesse na família, e era mais fácil para uma jovem conhecer e ser cortejada por solteiros de seu círculo social.  Mais tarde, no século 19, o casamento entre primos tornou-se menos comum.  O aumento da mobilidade devido ao crescimento da ferrovia e outras melhorias econômicas generalizadas ampliaram enormemente o escopo de maridos em perspectiva de uma jovem.  Ainda, a era vitoriana viu um aumento na consciência dos defeitos congênitos associados à reprodução entre parentes - mesmo que a classe alta mantivesse suas tradições: Charles Darwin casou-se com sua prima em primeiro lugar, Emma Wedgwood, por exemplo, e a rainha Victoria e o príncipe Albert eram primos em primeiro grau.

Na Colônia - aka Estados Unidos
Achei esse site muito bacana com uma tabela e informação bem relevante. Veja:
wives of joseph smith

Era comum no século XIX que as meninas adolescentes se casassem?
"Desde 1890, o Censo dos EUA coleta informações sobre "Idade média no primeiro casamento" para homens e mulheres. O gráfico é uma compilação do Censo dos EUA desde 1790. 

Em 1840, a "idade média do primeiro casamento" para as mulheres é estimada entre 21 e 22 anos de idade. Em 1950, a "idade média do primeiro casamento" caiu para cerca de 20 anos de idade. Em 2005, a "idade média do primeiro casamento" havia atingido cerca de 25 anos de idade."
wiki commons

Confirma o que eu tenho visto, é a partir dos 21 anos que as mulheres casam. 
Flor da idade é vinte e pouquinhos.

Na Holanda
Sorte na vida eu achei um paper maravilhoso da Universidade de Groningen entitulado Explicando as idades individuais no primeiro casamento em um mercado rural do século XVIII ! Além desde gráfico ótimo

esse paper tem explicações maravilhosas. Veja (resumido e traduzido por mim. Veja o documento inteiro aqui)
"Economicamente, em circunstâncias anteriores a 1900, o casamento significava uma enorme mudança na vida pessoal. O mais importante era a expectativa dos recém-casados ​​formarem um núcleo familiar. Meninos e meninas solteiros viviam principalmente na casa de pais ou de empregadores (no caso de criados de grandes propriedades). Criados residiam no trabalho, tinham contratos anuais e pequeno risco de desemprego, desde que fizessem seu trabalho de maneira satisfatória. Os salários aumentaram com a idade de funcionários, atingia picos na casa dos vinte anos, possibilitando economizar algum dinheiro. Rapazes e meninas que ficavam em casa poderiam trabalhar no negócio da família (uma fazenda ou loja), o que também fornecia seguro contra a incerteza econômica. Por outro lado, o início de uma nova família envolvida grandes riscos econômicos, mas também oferecia grandes oportunidades . Para o sucesso, era necessário ter recursos para investir e garantir uma posição adequada (fazenda, oficina ou loja). Com sucesso, alguém poderia subir na escada social, o que era quase impossível como um criado solteiro. 
Para alguns grupos sociais (esposas de trabalhadores e artesãos), uma clara desvantagem do casamento era a dificuldade em encontrar trabalho economicamente gratificante, porque não podiam mais trabalhar como criada doméstica. Socialmente, presume-se que a posição de chefes de família independentes tivesse mais prestígio do que a dos criados solteiros, filhos ou filhas. No entanto, é preciso salientar que casar não era um pré-requisito para começar um lar independente. Homens solteiros mais velhos também podiam fazê-lo, para mulheres solteiras mais velhas isso parece ter sido mais raro, mas não completamente incomum. Casar significava independência dos pais ou do empregador. No entanto, especialmente para as mulheres, isso também pode significar perda de independência, devido à norma legal e cultural de obediência ao marido e entregue de suas finanças/rendimentos/dote. As vantagens biológicas, sexuais e emocionais parecem bastante claras, sua importância, no entanto, depende em grande parte das preferências individuais."
a noiva relutante - AToulmouche - 1866

Então, concluo que solteirona era a moça passada dos 26 anos de vida. 
Na série CUPIDOS EM DEVON, as duas primeiras heroínas são solteironas por razões muito diferentes e ainda assim, perversamente similares. Não vou dar spoilers, mas digo que Pauline do livro 1 ECLIPSE DO CORAÇÃO e Florence do livro 2 O CLUBE DE FLORENCE têm 36 e 30 anos respectivamente. Isso faz delas personagens bem interessantes, pois precisam lidar com a pressão social e o medo de se entregar a um amor - sua única chance de quebrar as amarras do preconceito. 
Única? 
não... 
a mais fácil, com certeza
As duas lutam com as armas que têm, Pauline era empreendedora, Florence era guerreira.
Os próximos livros? Ih, nem te conto... Mocinhas mais novinhas, mas viradas nas tretas. Aff!! 


Achei um estudo sobre o primeiro quadro que postei aqui, Um casamento desigual de V Purkiev. Acho que vou falar dele, sempre gosto de analisar essa cena.

abs, bjs, até mais

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Carnaval com Jane Austen: tiaras!

Olá! 
Unha OK, cabelo OK, leitura OK pro Carnaval?
E a fantasia, Janeite?

Para os bloquinhos, delícia de Carnaval, o must é tiara, plaquinha e saiote por cima do maiô/biquini/short.
Na moda das tiaras de meme, resolvi organizar ideias para nós, fãs da Diva, pularmos Carná no estilo! 
Tudo facinho. Você só vai precisar de um arquinho (ou tiara), EVA glitter (ou comum, ou feltro, ou cartolina, ou papelão pintado), cola, arame e... brilhos, fitas, lantejoulas, e o que mais você quiser usar.
casa beta
Bora?


giphy



giphy


tenor


giphy






giphy
Tutorial completa, bem didática aqui!

São duas opções nesse tutorial, por isso gostei dele.
Você pode fazer de letrinhas soltas OU no arame como os esquemas acima.
ou assim
ou isso
gostou?
Bora dançar e cantar e pular Carnaval?

Se você detesta Carná, mas veio até aqui por curiosidade, tenho companhia para seus dias sem folia!



ou em Português

bj

obs.: fotos das meninas e fundo dos conjuntos são do Freepik

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Sanditon - os personagens da minisérie

olá!
a tão falada minisérie estreiou!

E olha, nem sei o que dizer, 
ainda estou pensando sobre tudo que assisti!

depois de resumir SANDITON listando os personagens com cuidado para usar as (poucas) palavras de Austen, confesso que mesmo esperando a versão do ótimo roteirista Andrew Davies, fiquei bem surpresa com o que ele preparou. 

Achei na revista Hello! online uma prévia dos personagens que nos dá uns pitacos do que virá por aí - e me fez tecer umas teorias maléficas! Buahaha
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Mas vou ficar só no que a revista contou, comparando com Austen.
S'imbora!
eu poderia resistir, mas não consigo! Essa cena...
Ah!... Au mer, allons y!


Leia no original aqui. 'The ultimate Sanditon character guide - from Charlotte Heywood to Sidney Parker' ou sigamos na seleção com comentários. Achei legal porque todos são comparados com personagens de outras obras, então deve ter sido assim que o roteirista fez, uma salada... Disso a gente entende, né non?


Charlotte Heywood


Um cruzamento entre a imaginativa Catherine de Abadia de Northanger e a obstinada Lizzie da Orgulho e Preconceito. Espere que ela seja adorável, sempre a procura de uma risada (ou, como Lizzy é descrita em O&P, "deliciando-se com qualquer coisa ridícula"), mas tem coração de ouro também. Charlotte é uma garota do interior, empolgada e deslumbrada com tudo que Sanditon tem a oferecer. Ela é enérgica e por sua criação simplória, não sofre com as restritas expectativas da sociedade - incluindo as obsessões com dinheiro e casamento - o que faz dela um sopro de ar fresco. Embora originalmente seja uma incógnita, essa adaptação destaca as opiniões e a maneira direta de Charlotte. Ela é uma heroína moderna, pronta para abraçar o novo século.
>> Bem, Austen deixa claro que Charlotte é simples, concordo com a comparação com Catherine Morland. Talvez não fosse tão ingênua. Eu diria Catherine + Fanny Price.


Sidney Parker


Sua indiferença e arrogância são de Mr. Darcy de O&P, mas ele é propenso a brincadeiras e provocações como Henry Tilney, da Abadia de Northanger. Prepare-se para desmaiar de amor. Apesar de apenas um breve encontro entre os dois no original de Jane Austen, Sidney foi criado como o par romântico de Charlotte, tendo sido descrito como "muito bonito". Ele é a ovelha negra de sua família, inquieto, imprevisível e de volta a Sanditon com relutância. Sua história de fundo agora inclui um amor perdido e uma riqueza independente do comércio de açúcar. Sidney fica irritado com a tendência de Charlotte de dizer o que pensa, mas é isso que o atrai, no entanto.
>> Sidney não tem falas no cânon, e pelo que se conta, ele não tem nada de Darcy, Brandon, Wentworth ou Knightley. Nadica de nada dos heróis sérios de Austen. Ele é descrito como animado, brincalhão, debochado. Tilney, sim, com certeza. Bingley, talvez. Achei que exageraram nele no primeiro episódio. Lindo, mas virado no Jiraya. Precisava disso, não, fofy. credo!
essa barba por fazer? Pode isso, produção?...

Lady Denham


Lembra a dominadora Lady Catherine de Bourgh de Orgulho e Preconceito, também Mrs. Norris, de Mansfield Park, com sua maldade e apreço pelo dinheiro. Lady Denham é a Grande-Dama de Sanditon. Com dois maridos falecidos, ela conseguiu adquirir título e fortuna. Com vários jovens parentes desejosos de garantir seu favor, ela está cercada de bajulações. Bem desenhada no romance de Jane Austen, Lady Denham é dura-na-queda, antiquada e direta - o que irrita muitos.
>> Concordo, mas ela tem um tanto de fofoqueira. E ainda acho que tem um cheiro de mistério, assassinato, Agatha Christie.


Tom Parker e Mary Parker

A bondade inata de Tom é como a de Bingley, de O&P, enquanto Mary foi transformada de uma Mrs. Allen de Abadia de Northanger para uma carinhosa Lady Russell da Persuasão. Tom Parker é o chefe da família Parker e a força motriz do desenvolvimento do balneário Sanditon. Endinheirado, Tom é propenso a assumir riscos. A paciente esposa Mary apóia o esquema do marido. Ela foi desenvolvida do romance para a âncora da família, em vez de um acessório inútil.
>> Acho que ele tem bastante do cunhado de Lady Susan, Mr. Vernon. De Bingley, não sei. Acho que fizeram a comparação pelo entusiamo. Quanto à esposa, no cânon não há nada que indique que ela seria inútil...


Jovem Stringer


Semelhante a: Sr. Knightley, de Emma, sempre cheio com boas intenções. O capataz de Tom Parker é ambicioso, talentoso e interessado em progredir. Ele é levado pelo comportamento franco de Charlotte e também causa uma impressão nela, apesar dos limites de classe. Isso cria um triângulo amoroso complicado entre ele, Charlotte e Sidney Parker.
>> O cânon só menciona que o ele e o pai têm uma venda de hortifruti... Então, vamos esperar.


Diana Parker e Arthur Parker


Arthur é semelhante em apetite a Sir Walter Elliott, de Persuasão, e Diana é uma jovem Mrs. Bennet. Os irmãos Parker, Diana e Arthur são uma interessante dupla. Vivendo juntos, eles afirmam ser inválidos - embora nenhum deles apresente muitos sintomas. Arthur é fã de comida e bebida. Diana hipocondríaca se preocupa com o irmão, enquanto se ocupa das últimas fofocas de Sanditon.
>> Cortaram Susan, a irmã mais doentinha que faz sangrias, aplicação de sanguessugas e extração de dentes. Vixe! Acho que eles têm muito de Mr Woodhouse de Emma, querido pappa da mimadinha rica. São futriqueiros e bem-humorados, ao que parece, bem-intencionados também. Achei curioso comparar  Diana com Mrs. Bennet... Huh! E discordo de Sir Elliott. O comparativo dele está no baronete mesmo...


Sir Edward Denham e Esther Denham


Henry Crawford de Mansfield Park e Isabella Thorpe da Abadia de Northanger, com os olhos nos respectivos prêmios. E misture com John e Fanny Dashwood de Razão e Sensibilidade, em termos de avareza. Sir Edward e Esther Denham são meio-irmãos bem próximos, muito intencionados em conquistar a fortuna de Lady Denham. Edward é bonito, mal-humorado e decido a arruinar qualquer um que estiver no caminho. A franqueza de Esther parece cáustica e bate de frente com a de Lady Denham - embora atraia a atenção de Lorde Babington.
>> Bem... Não quero dar spoilers do primeiro episódio que foi, bem, assim, sei-lá, uau; mas esses dois parecem que serão ótimos nas maldades! Ele tem muito do pai de Anne Elliott de Persuasão - nobre e falido, e de Frank Churchill de Emma - escroque de quinta, e de Wickham - podrão. A cena dele com Clara poderia ter sido diferente, éca! 
A irmã Esther, êta! Nem sei! Furacão... Nem vou falar mais pq sou a rainha dos spoilers.


Clara Brereton


Fanny Price do Mansfield Park em status, mas Lucy Steele de R&S por natureza, como quem está planejando algo. Clara é outra manipuladora master. À primeira vista submissa e doce, ela é uma péssima parenta de Lady Denham. Tendo lutado até agora, ela está determinada a garantir a fortuna. Ela está pronta para vencer Sir Edward e Esther nos afetos de Lady Denham, por qualquer meio necessário.
>> No cânon, ela é mais apagada que Jane Bennet, é tipo uma Mary até que Sir Edward aparece com sua canalhice e aí ficamos sabendo que ela dá corda para vera té onde ele vai. É falsiane também... Seria uma lutadora com Charlotte Lucas de O&P? Ou esconde o jogo como Harriet de Emma? Enfim, no primeiro episódio, com ele, Sir Edward, ela protagoniza uma cena que achei de mau-gosto. Ainda tô tentando entender o para quê daquilo.


Miss Lambe


Louisa Musgrove de Persuasão, a garota loka de alto astral que se joga na vida. Georgiana Lambe é uma herdeira das Índias Ocidentais e a primeira personagem negra de Jane Austen. Distanciando-se do cânon que a descreve como silenciosa e delicada, Miss Lambe está pronta para falar e causar problemas. Ela também é a tutelada de Sidney, que a trouxe a Sanditon sob o olhar atento de uma governanta. Ela forma uma rápida amizade com Charlotte.
>> No cânon, ela é mestiça o que sugere pele bem mais clara - o que não parece fazer diferença porque o povo fica loko mesmo é com a grana dela... E ela vai para Sanditon com o Seminário onde estuda boas-maneiras. Eu achei curioso que Sidney resistia aos convites do irmão aparece de repente logo depois que as moçoilas desse tal seminário chegam no balneário. Na minissérie, tanto ele quanto ela, Lambe, têm passado nebuloso e estão ligados... Mmm... pensei logo numas teorias maquiavélicas. No primeiro episódio, é dito que ela tem 100mil - uau! Lembra que o mais rico até então era Mr Darcy com 10mil por ano? Seria o valor dele em uma década! Para uma mulher?! E não vou dar mais spoilers. Porque sei me controlar.
Mas, tem gente apostando que ela será um tipo de Jane Fairfax de Emma, aquela que parece boba, mas que muda a história toda... Ai, que curiosidade!


hello!

Essa maquete é tão magnífica!

E só nos resta esperar o desenrolar da trama!

...
Olha tudo que meditei & bloguei sobre SANDITON na TV:
- O manuscrito original e a época de quando foi escrito: aqui
- Resumo do manuscrito original deixado por Austen: aqui
- Resumo dos personagens do manuscrito deixado por Austen: aqui
- O que achei dos primeiros capítulos: aqui
- Podcast CAFÉ COM JANE AUSTEN fala dos primeiros capítulos da minissérie: aqui
- Muitos questionamentos e incongruências: aqui


- Que final foi esse, Sanditon, sua loka? Com link para o PODCAST resenhando tudo: aqui
...

enquanto isso, me siga no Instagram

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vários sonhos de Orgulho e Preconceito, e o mesmo amor!
até,