& Moira Bianchi: casamento
Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Idade de casamento no séc 19: nem tão novinhas assim

Olá,
andei pesquisando bastante sobre a idade que as garotas casavam no século 19 por conta de um tititi em Austen Nation sobre o novo Emma. 
VPukirev,  1862
pic de arthive

Achei uma entrevista da diretora do filme (Autumn de Wilde) com os atores principais Anna Taylor-Joy e Johnny Flyn (Emma e Mr. Knightley) na tour de divulgação do filme. Eles falavam de uma característica do personagem que são os constantes sermões que ele dá em Emma - coisa que acho chatíssimo nele. Chamam de 'mansplaining' e foi isso que gerou uma boa discussão. 

Dentre muitos protestos sobre o uso do termo e se é ou não aplicável ao herói de Austen, uma pessoa comentou isso:


"...no livro Emma tem 21 anos, 
quase uma solteirona para a época. 
Já Mr. Knightley era 16 anos mais velho que ela... "

Achei esquisito, solteirona é algo que nunca liguei a Emma; seria um adjetivo para Charlotte Lucas de Orgulho e Preconceito. Daí, me lembrei de um tanto de referências e pesquisei outras tantas.

Olha só:
Nas obras de Jane Austen
Austen levou umas duas décadas escrevendo suas obras principais que retratam a realidade que ela vivia na época. Como dá para ver no quadro abaixo (que eu fiz compondo com o maravilhoso estudo 'Austen em números' do The Guardian que postei aqui) vemos as idades dos casais ordenadas pela idade das mulheres. De Lydia Bennet a Anne Elliot, vemos que a maioria fica entre 18 e 22 anos em uma época que 21 era a idade legal para uma moça casar SEM O CONSENTIMENTO DOS PAIS. 

Charlotte se considera um peso para sua família, por isso aceita a oferta do chato Mr. Collins - incentiva ele a fazer o pedido, na verdade. 
As irmãs Elliot são mais avançadas na idade (Anne tem 27 e Ms. Elliot tem 30) e por isso a mais velha faz força para encantar o futuro baronete Mr. Elliot.
Emma, como Lizzy e Jane Fairfax, só tinha 20, flor da idade casamenteira. Jane Bennet era um prêmio para qualquer cavalheiro e tinha 22... 
Lydia que fugiu com o boy (eloped) aos 15, abaixo da idade legal de consentimento, teria o casamento anulado já que na Inglaterra, casamentos com/entre menores de 21  era ilegal a menos que contassem com aprovação dos pais. Por isso Mr Darcy pediu ao Sr Gardiner, tio das Bennets, para participar da União dando legitimidade. Uma opção para quem queria casar à revelia dos pais era a Escócia onde a lei permitia casamentos a partir dos 14 e a primeira cidade na fronteira era... Gretna Green!
Observe que quem fugia ou casava sem o consentimento dos pais abria mão de qualquer dote o que fazia desse 'prêmio' um incentivo pros amantes fazerem tudo certinho.
Na Colônia, EUA, a idade de consentimento era menor, mas migrar para lá era coisa de empobrecidos, a viagem custava caro e demorava ao menos 15 dias nos melhores barcos. CUPIDOS EM DEVON vai visitar a América,  falo mais disso depois.

Wiki
EM SHAKESPEARE
A ideia de garotinhas casando vem de longe, da inocência perdida para um amor repentino, mas mesmo na idade média a coisa não era bem assim. Olha essa análise de Shakespeare que achei no Wiki: 'O drama de William Shakespeare coloca a idade de Julieta em apenas quatorze anos;  a ideia de uma mulher se casar em segredo muito cedo teria escandalizado os elisabetanos.  A crença comum na Inglaterra elisabetana era que a maternidade antes dos 16 anos era perigosa;  manuais populares de saúde, bem como observações da vida de casada, levaram os elisabetanos a acreditar que o casamento precoce e sua consumação prejudicavam permanentemente a saúde de uma jovem, seu desenvolvimento físico e mental propiciando o nascimento de filhos doentes ou atrofiados.  Portanto, 18 passou a ser considerada a idade mais precoce razoável para a maternidade e 20 e 30 a idade ideal para mulheres e homens, respectivamente, se casarem.  Shakespeare também poderia ter reduzido a idade de Julieta para demonstrar os perigos do casamento em idade muito jovem;  que o próprio Shakespeare se casou com Anne Hathaway quando tinha apenas 18 anos (muito incomum para um inglês da época) poderia ter algum significado.' 
Faça o que eu digo, não faça o que eu faço 

Veja só mais isso:

Revistas masculinas da primeira metade do século 19 
(que até aparece nos CUPIDOS EM DEVON)
Uma matéria maldosa da revista masculina New Monthly Magazine de 1837 trazia essa tabela de idade feminina listando qualidades casamenteiras para instruir interessados. Vejamos com olhos masculinos do século 19, primeiro ano do reinado de Victoria, então era o último suspiro da era Georgiana.
EB Leighton - signing the register - fim do sec 19

Enumeração de solteironas

17 anos: fantasia com um casamento por amor, é entusiasmada pelas músicas de Bayley e pela poesia pastoral.
18 anos: bela tez e alto astral, é viciada em arco e flecha, e revistas como 'Comic Annual' (revistas destinada a meninos de histórias em quadrinhos que contam a história por meio de cartuns) e 'Charming Women' (revista feminina que exaltava o consumismo). Disposta a aceitar todos os parceiros que aparecem em um salão de baile, dança 14 quadrilles por noite e rejeita uma proposta por dia. Acredita que um amor e um teto bastam. 
19 anos: Um pouco mais refinada em forma e gosto. O amor e um teto agora precisa ser uma bela casa na cidade.
20 anos: A timidez se foi, a falta de paciência aumentou. Uma fortuna é indispensável.
21 anos: Começa a entender o significado das palavras 'Irmão mais novo'. Ansiosa por adiar o debut de irmã caçula.
22 anos: Suavizada na tez, endurecida no coração. Aperta a cintura e pensa que é possível se casar por posição social.
23 anos: inquieta ao respeitar as regras do Almack (baile famoso). Passos graciosos substituem o passo esfuziante dos dezoito anos. Recusa um pretendente do interior, suspira por uma confortável saleta de visitas e tagarela sobre um colar de diamantes.
24 anos: a era da suprema beleza e superação da vaidade; beleza e elegância em plena floração.
25 anos: Surpresa por ainda estar solteira e começa a contar as conquistas da temporada. Aparece em quadros e charadas.
26 anos: atormenta o pai para passar o inverno em Brighton (como Dora!) e dar alguns jantares. Prefere montar cavalos vistosos do que passear com a mamma.
27 anos: cabelos e ombros afinando bastante. Conta com luncheons para fazer a social. Lê Mrs. Marcet (escritora de livros de ciência), cultiva um jardim de flores e dá opiniões decididas.

A lista continua até a idade de 55 anos, mas aqui achei que bastava ficar no 27. Mimi Mathews lista todos aqui.


O interessante é que a revista elege 
a idade de 24 como ideal na beleza e espíritos.
pinterest - uma noiva Georgiana
(mas fotografia é de meados do sec 19)

Vitorianas não casavam cedo,
nem com primos (na maioria dos casos)
O site History.com fala disso também.  
No final do século XVIII, a idade média do primeiro casamento era de 28 anos para homens e 26 anos para mulheres.  Durante o século 19, a idade média caiu para as mulheres inglesas, mas não abaixo de 22. Os padrões variaram dependendo da classe social e econômica, é claro, com as mulheres da classe trabalhadora tendendo a se casar um pouco mais velhas do que suas contrapartes aristocráticas porque precisavam fazer dinheiro.  Mas a ideia moderna predominante de que todas as mulheres inglesas se casavam antes de deixar a adolescência está bem errada.
Tampouco elas casavam com seus primos.
Casar-se com seu primo em primeiro grau era perfeitamente aceitável no início do século XIX, até na família de Austen teve união assim (inclusive marido casando com irmã da esposa falecida) e a prática certamente oferecia alguns benefícios: era mais provável que a riqueza e a propriedade permanecesse na família, e era mais fácil para uma jovem conhecer e ser cortejada por solteiros de seu círculo social.  Mais tarde, no século 19, o casamento entre primos tornou-se menos comum.  O aumento da mobilidade devido ao crescimento da ferrovia e outras melhorias econômicas generalizadas ampliaram enormemente o escopo de maridos em perspectiva de uma jovem.  Ainda, a era vitoriana viu um aumento na consciência dos defeitos congênitos associados à reprodução entre parentes - mesmo que a classe alta mantivesse suas tradições: Charles Darwin casou-se com sua prima em primeiro lugar, Emma Wedgwood, por exemplo, e a rainha Victoria e o príncipe Albert eram primos em primeiro grau.

Na Colônia - aka Estados Unidos
Achei esse site muito bacana com uma tabela e informação bem relevante. Veja:
wives of joseph smith

Era comum no século XIX que as meninas adolescentes se casassem?
"Desde 1890, o Censo dos EUA coleta informações sobre "Idade média no primeiro casamento" para homens e mulheres. O gráfico é uma compilação do Censo dos EUA desde 1790. 

Em 1840, a "idade média do primeiro casamento" para as mulheres é estimada entre 21 e 22 anos de idade. Em 1950, a "idade média do primeiro casamento" caiu para cerca de 20 anos de idade. Em 2005, a "idade média do primeiro casamento" havia atingido cerca de 25 anos de idade."
wiki commons

Confirma o que eu tenho visto, é a partir dos 21 anos que as mulheres casam. 
Flor da idade é vinte e pouquinhos.

Na Holanda
Sorte na vida eu achei um paper maravilhoso da Universidade de Groningen entitulado Explicando as idades individuais no primeiro casamento em um mercado rural do século XVIII ! Além desde gráfico ótimo

esse paper tem explicações maravilhosas. Veja (resumido e traduzido por mim. Veja o documento inteiro aqui)
"Economicamente, em circunstâncias anteriores a 1900, o casamento significava uma enorme mudança na vida pessoal. O mais importante era a expectativa dos recém-casados ​​formarem um núcleo familiar. Meninos e meninas solteiros viviam principalmente na casa de pais ou de empregadores (no caso de criados de grandes propriedades). Criados residiam no trabalho, tinham contratos anuais e pequeno risco de desemprego, desde que fizessem seu trabalho de maneira satisfatória. Os salários aumentaram com a idade de funcionários, atingia picos na casa dos vinte anos, possibilitando economizar algum dinheiro. Rapazes e meninas que ficavam em casa poderiam trabalhar no negócio da família (uma fazenda ou loja), o que também fornecia seguro contra a incerteza econômica. Por outro lado, o início de uma nova família envolvida grandes riscos econômicos, mas também oferecia grandes oportunidades . Para o sucesso, era necessário ter recursos para investir e garantir uma posição adequada (fazenda, oficina ou loja). Com sucesso, alguém poderia subir na escada social, o que era quase impossível como um criado solteiro. 
Para alguns grupos sociais (esposas de trabalhadores e artesãos), uma clara desvantagem do casamento era a dificuldade em encontrar trabalho economicamente gratificante, porque não podiam mais trabalhar como criada doméstica. Socialmente, presume-se que a posição de chefes de família independentes tivesse mais prestígio do que a dos criados solteiros, filhos ou filhas. No entanto, é preciso salientar que casar não era um pré-requisito para começar um lar independente. Homens solteiros mais velhos também podiam fazê-lo, para mulheres solteiras mais velhas isso parece ter sido mais raro, mas não completamente incomum. Casar significava independência dos pais ou do empregador. No entanto, especialmente para as mulheres, isso também pode significar perda de independência, devido à norma legal e cultural de obediência ao marido e entregue de suas finanças/rendimentos/dote. As vantagens biológicas, sexuais e emocionais parecem bastante claras, sua importância, no entanto, depende em grande parte das preferências individuais."
a noiva relutante - AToulmouche - 1866

Então, concluo que solteirona era a moça passada dos 26 anos de vida. 
Na série CUPIDOS EM DEVON, as duas primeiras heroínas são solteironas por razões muito diferentes e ainda assim, perversamente similares. Não vou dar spoilers, mas digo que Pauline do livro 1 ECLIPSE DO CORAÇÃO e Florence do livro 2 O CLUBE DE FLORENCE têm 36 e 30 anos respectivamente. Isso faz delas personagens bem interessantes, pois precisam lidar com a pressão social e o medo de se entregar a um amor - sua única chance de quebrar as amarras do preconceito. 
Única? 
não... 
a mais fácil, com certeza
As duas lutam com as armas que têm, Pauline era empreendedora, Florence era guerreira.
Os próximos livros? Ih, nem te conto... Mocinhas mais novinhas, mas viradas nas tretas. Aff!! 


Achei um estudo sobre o primeiro quadro que postei aqui, Um casamento desigual de V Purkiev. Acho que vou falar dele, sempre gosto de analisar essa cena.

abs, bjs, até mais

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

sexta-feira, 8 de março de 2019

Feliz dia da Mulher Literária

Olá,
depois de dias fora do ar curtindo o carnaval, volto junto no dia da mulher com uma lista muito curiosa: uma contabilidade de assuntos dos livros publicados em 1905.
Como sabem, estou enfiada na era Vitoriana Inglesa, esse artigo muito interessante já seria do reinado de seu filho Edward - portanto era Eduardiana - mas é do Chicago Tribune, então digamos que, por 4 anos e 1 continente de diferença, ainda estou no tema. Licença poética, posso?
Veja só que muito interessante e porque hoje é ainda mais legal de achar isso no Twitter (undine e newspapers)
fonte:twitter

Tradução 
(livre, minha)
Um resumo de literatura
'Senhor', disse o homem com nariz pontudo e lápis rombudo que se aproximou da mesa do editor de literatura da revista. 'Compilei algumas estatísticas sobre os romances deste outono que não pode deixar de ser interessante.'
'Pegamos nossa lista dos 6 mais vendidos de livrarias e outros meios.' Explicou o editor sem levantar os olhos.
'Mas isso é diferente. Veja, por favor, que eu fiz uma análise cuidadosa e completa da vida, incidentes e mortes de cada romance, e combinei todos os dados em um relatório.'
O visitante mostrou a folha para o editor e indicou a tabela a seguir:
número de livros publicados.........................3.458
número total de esposas negligenciadas*.....1.643
número total de maridos desprezados.............258
esposas enganadas........................................1.001
maridos 'cegos'................................................569
suicídios...........................................................10
assassinatos.....................................................196
pedidos de casamento..................................6.766
pedidos de casamento renovados.................9.543
casamentos no último capítulo.....................5.222
casamentos escondidos...................................855
heróis expulsos.............................................1.337
heroínas que dizem 'Deixe-me, já!'...............2.477
heróis que dizem 'Nunca enquanto esse coração bater no meu peito.'.........1.744
vilões que tiveram o que mereceram...........3.455
sub-vilões que tiveram o mesmo fim...........3.456
mortes.............................................................627
fortunas perdidas (total)............................. USD$ 8,798,543,222,116.99
heranças inesperadas.................................USD$ 2,664,538,942,001.75
pirados..........................................................2.256
outros personagens engraçados....................1.200
'B'goshes' surpresa.............................104.288.362
'Gadzooks' perplexidade...............................8.941
crianças espertas que reunem os pais................75
roubos a banco.................................................555
outros crimes..................................................7933
atos nobres...................................................15.164 

*unappreciated poderia ser 'mal amada', mas me segurei e optei por negligenciada

O que eu vi de tão bacana nessa lista? Conto:
1- Romances são a reinvenção da roda, aparentemente.
Se o narigudo chegou a identificar dados similares/iguais para compilar é porque lhe pareceu mais do mesmo. Na hora me lembrei da primeira resenha de Razão e Sensibilidade, lá em fevereiro de 1812 : 'Os amantes de romances podem ter apenas uma idéia da dificuldade que nós, revisores, temos avaliar a linguagem com a qual devemos dar nosso julgamento sobre esta espécie de escrita. Os inúmeros romances que continuamente se apresentam ao nosso conhecimento, em substância, estilo e tamanho são tão parecidos, que depois de ler as três primeiras páginas, podemos com muito pouca dificuldade não só saber como eles terminarão, mas também dar uma palpite perspicaz sobre os vários incidentes que irão ocorrer, as dificuldades e perigos que devem se acumular, com todos os vexames, constrangimentos, etc. & c. que são tão altamente necessárias para compor um romance da moda.
Não somos inimigos de romances ou escritores novos, mas lamentamos que na multiplicidade deles existam tão poucos dignos de qualquer elogio particular. Um romance gentil e bem escrito é tão agradável quanto uma comédia elegante, da qual tanto diversão quanto instrução podem ser derivadas. 
Ao menos gostaram muito de 'uma dama', maga Jane Austen pq continua assim...
'"Sense and Sensibility" é um entre os poucos que podem reivindicar este elogio justo.'
Isso é só um trecho, a resenha tem 4 páginas.
E, se o escândalo de copy&paste de fevereiro de 2019 (207 anos depois dessa resenha) deixou de food for thought foi como falamos e gostamos de ler la même chose. Foram, sei lá, 10 livros/histórias de amor compostos de trechos de outros livros/histórias de amor que apesar de virem de 40+ fontes diferentes, faziam sentido quando unidas. Bicho, é de pirar esse copy&paste. Gosto de falar nisso, não...

2- Mulheres à beira de um ataque de nervos
Na verdade, foi a primeira coisa que vi. O narigudo identificou que havia 6,5 vezes mais esposas negligenciadas mal amadas que maridos desprezados, quase o dobro de esposas enganadas a mais que maridos passados para trás. Justo hoje, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, é duro ver isso. 
Daí vem a piração de Moira: público majoritário de romances (novels) é feminino > assunto mais popular é o sofrimento feminino > mulheres gostam de ler o sofrimento dazamigas para:
a- fazer catarse
b- se vingar
c- alimentar a esperança de que seu sofrimento tem fim
Image result for housewife
essa série me pirou o cabeção...
pic de telegraph
Me deixa desconfortável expor isso, mas analise e tire suas conclusões.
(quote do twitter)

3- Homens que não aceitam um 'não' como resposta
Em 6.766 pedidos de casamento deve ter havido algum número de 'sim's e choros e beijos, correto. Então como explicar 9.543 insistências? Alguns desses guapos devem ter pedido a lady em casamento várias vezes. Migo, não é não!
radar da noticia
E os românticos 855 casamentos escondidos - elopment - que eu traduzi como 'escondido'-, mas na verdade é o conjunto de atos: fugir+casar sem consentimento+longe de casa.
Ain, que lindeza isso... imagina Lydia Bennet fugindo com Wickham em Orgulho e Preconceito?...
Eita, que roubada! Ele era um encostão jogador bebedor que devia a Deus-e-o-mundo, ela era uma LOKA...
E quanto ao famoso Caso do Sequestro de Shrigley?  A herdeira Ellen Turner tinha só 15 anos .
A também herdeira Augusta Nicholson tinha só 14 quando fugiu com o artista, mas ali é dito que havia amor.
Mas temos muitos casos na literatura de sequestro de noivas, como a Camilla de Frances Burney, isso nunca é legal. Não acho. Huh-huh. 

4- No final, o bem vence o mal
É o que todo mundo espera de um romance, né? SIM!!!
Outro dia me mostraram um video de Annabel, uma autora de romances suuuper hot que falava - bem irritada - do porque todos os heróis de romance novels serem bem dotados. Na hora achei exagerada, depois dei razão. Realidade a gente tem todo dia, quando a gente abre um livro, nem que seja nesse detalhezinho (hahaha) queremos ver o arco-iris no final do túnel. Então, é bom o heroi ser bem dotado, saber usar as joias da família, ser rico e generoso e as maldades (dele ou do vilão/vilã) serem vingadas!
CAME A LOT or CAMELOT?

5- Quais eram esses livros, afinal de contas?
A Wiki, viva ela!, conta de alguns. O retorno de Sherlock Holmes, A casa da alegria, A invasão do mar, Farol do cabo do mundo, Kipps a história de uma alma simples, Major Barbara, Onde anjos temem ir e outros tantos.
Como está sua lista de leitura? TBR vazia?
Topa incluir esses tantos para conferir o trabalho do homem narigudo?


E quanto a hoje, nosso dia, dia da mulher?
Vamos de promoção, porque livros são para ser lidos!
\/ link direto para compra \/
e me avisa qual deles você quer!
promo até dia 16.03.19
bjs

nota: pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
google-site-verification: googlef278b9e7e9053a1d.html

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O piano na preparação de moças casamenteiras da Regência

Olá,
Sigo na perseguição da plena educação para tornar-me uma lady a preparação de moçoilas para o matrimônio, de preferência com cavalheiros de posses ou membros da nobresa.
Nesta caminhada, as amigas são de grande ajuda. Fran, fair lady Janeite, ofereceu este artigo tão bacana sobre a importância do piano na educação feminina nos tempos da Regência, época de Jane Austen. E isso abriu uma caixa de Pandora.
Image result for piano lady ghost painting
'a lady playing a spinet' de CVHolsoe
pic do Twitter
Me interessei na hora!
Daí, conversamos sobre, pesquisei e... 
A coisa tomou fermento!

O instrumento gera muita discussão bacana, tem muita fonte de pesquisa e tudo acho interessante. 
Então resolvi dividir em 4 posts.
Esse é o 2º que tem o artigo original
O piano na Era da Regência
com meus comentários abaixo.

Neste, conto e mostro tipos de pianos usados na Regência e era Vitoriana e seus antepassados. 
Falo de alguns virtuosos e faço uma breve introdução ao que será discutido.

Ao final, incluo links para os dois outros
O piano e a música para Jane Austen
aqui localizo o instrumento na vida e nas obras da Diva



Vamos ao artigo.
Image result for piano lady ghost painting
spirit, GRoux, 1885



Piano na Era da Regência  

O piano 
 O piano era um símbolo proeminente de classe e prosperidade, entre outras coisas, durante os séculos 18 e 19. Símbolos como esse visto em Orgulho e Preconceito de Jane Austen são um aspecto crucial para um romance poderoso. O período de Austen era drasticamente diferente do nosso, no entanto, e isso é importante para entender como o significado de símbolos culturais mudaram ao longo do tempo. 


Reconhecer como os símbolos mudaram, 
e compreender os significados que costumavam ser associados a eles, 
é crucial para uma interpretação fidedigna do texto. 

É muito importante entender que nos séculos 18 e 19 o comportamento social do piano, como sua importância e significado no presente, diferem grandemente do seu significado simbólico anteriormente. Se forem compreendidos, uma  interpretação do texto não será precisa, e por isso é tão importante pesquisar e descobrir os simbolismos do período da autora, a Era da Regência.  
Piano Classics from the World of Jane Austen
CD disponível na Amazon
Papel de gênero do piano 

 Há uma conexão significativa entre o piano e o sexo feminino. 
Os estudos de piano eram mais comuns para meninas do que meninos naquela época. Como explicado no artigo “Woman in Piano Pedagogy” (em tradução livre Mulheres na pedagogia do piano) por Debra Brubaker Burns, Anita Jackson e Connie Arrau Sturm, o piano era considerado um perfeito passatempo para uma senhora bem-criada no século 19.  
As mulheres eram encorajadas a entreter seus visitantes e familiares com suas performances, mas desencorajadas a procurar carreiras como musicistas, porque isso era considerado “uma profissão muito fatigante para mulheres” como dito pelo editor da revista inglesa de música “World” em 1939. Buscar uma carreira musical não era aprovado, mas uma quantidade crescente de mulheres começou a tocar para ganhar renda e, assim, maior independência. Entre 1852 e 1881, o número de musicistas mulheres triplicou, como explicado em “Woman in Piano Pedagogy”. 
Em O&P, Mary é frequentemente encontrada tocando piano, e ela também é muito independente, assim sua performance é possivelmente uma manifestação social de Austen falando contra os direitos limitados das mulheres. 
Jane Austen Entertains: Music from her own library
mp3 disponíveis na Amazon - dá para ouvir trechinhos

Como dito por Mary Burgan, tocar piano era o indicador de status social assim como um dos feitos da mulher da sociedade refinada. 

Como nós podemos ver, o papel dos pianos mudou drasticamente. Em nossos tempos modernos, o piano não tem correlação com o gênero. Meninos tocam piano, meninas tocam piano; tem o mesmo sentido de um garoto ou garota indo à faculdade. No passado, era algo que só homens faziam. No século 21, é comum para ambos os gêneros frequentar faculdade. 


Esse é outro exemplo de como os sentidos e a implementação 
de diferentes coisas na sociedade mudaram com o tempo. 

Agora o piano não tem nenhuma associação que costumava ter; é simplesmente um instrumento, assim como o violoncelo e/ou trompa. Enquanto muitas famílias de classe alta, com frequência, possuíam um grande piano e um lugar em sua larga sala de visitas, o piano era em si, algo desfrutado e praticado por todas as classes.
  
Relevância e Significado do piano na Era da Regência  
 A maior importância do piano era fazer as jovens damas mais atraentes para o casamento, enquanto simultaneamente atuar como um símbolo das posses da família. O piano se tornou um instrumento onipresente nas casas burguesas. Garotas de posses com frequência começavam a tocar piano desde cedo e continuavam a aperfeiçoar suas habilidades até se tornarem mais velhas e mais maduras. Apesar de fazer a mulher mais atrativa para o casamento ser a razão mais importante para tocar piano, havia também outras razões. O piano provia música para todos os membros da família desfrutarem.  
Mulheres eram encorajadas a tocar para convidados e eram entretenimento para os familiares, mas como dito anteriormente não significava buscar carreira profissional. Se uma mulher buscasse uma carreira profissional, isso significaria que ela estava escapando de sua respectiva esfera de existência, que era a da casa e da família.  
O piano era muito importante na Europa como um símbolo de status. Christopher Wagner explica que, “o preço [do piano] no fim do século 18 caiu, mais ainda assim, apenas família de posses, eram quem podiam pagar por eles. Um piano de cauda custava tanto que poderia equivaler um ano de ganhos de um trabalhador habilidoso. O piano era um instrumento de classe, e classe era muito importante na sociedade do século 18 e 19, e então era muito importante para famílias ricas ostentarem um piano.  
Companion
CD disponível na Amazon
Importância do piano, e outros símbolos em Orgulho e Preconceito.  
 Os símbolos no romance de Austen, tais como o 
- piano, 
- cartas, 
- salões de bailes e 
- propriedades rurais com grandes sedes
refletem as engrenagens da cultura do período. 
As cartas da época de Austen carregam um significado bem diferente dos que elas têm agora. No século 21, as cartas não são muito usadas, foram substituídas por inúmeros tipos de dispositivos eletrônicos de comunicação, como os e-mails e mensagens. Na era de Austen a carta era a única forma de comunicação à distância, além do mensageiro pessoal, é claro (o que a maioria das pessoas não tinham), e isso era uma significativa parte da vida e uma arte a ser aprendida. 
Da mesma forma que o piano que é agora mais ou menos apenas um instrumento musical, na época de Austen era um símbolo de posses, classe, habilidades, entretenimento, e credibilidade para uma mulher no departamento do casamento. 
Do mesmo jeito ser uma boa escritora de cartas refletia a sua educação, sua habilidade ao piano era muito importante. Subentendia-se que uma boa tocadora de piano vinha de família com dinheiro que podia adquirir um instrumento, arcar com o custo de aulas e ter tempo livre para estudar já que ela não precisava trabalhar, ou seja, seria um bom partido, item visado no mercado do casamento.  


O piano e Orgulho e Preconceito 

(Frases explicadas) 
Capítulo 29, Lady Catherine interroga Lizzy Bennet.


“Oh! Então, uma hora ou outra, ficaremos feliz em ouvi-la. 
Nosso instrumento é excepcional, provavelmente superior a... 
Você deveria experimentar um dia. – Suas irmãs tocam ou cantam?” 


Nem Lady Catherine nem sua filha Anne tocam piano, mas mesmo assim elas tem um instrumento de qualidade excepcional - lembre-se que isso é símbolo do riqueza e poder delas. 
Lady Catherine deve ter pianos em sua casa para simbolizar sua própria superioridade social e financeira. Mostrar sua riqueza e poder era muito importante na época, e, portanto, era necessário para ela possuir seu próprio instrumento.  


“Por que nem todas aprenderam? Vocês todas deveriam ter aprendido. 
Todas as senhoritas Webb tocam, e o pai delas não tem uma renda tão boa como o de vocês.
Você desenha? ”


É dado a Lady Catherine o status social, e com isso o direito inerente de perguntar a Elizabeth praticamente qualquer coisa que ela quiser. 
Além disso, Lady Catherine sente como se tivesse o conhecimento final em todos os assuntos, o que nem de longe é verdade. 
Lady Catherine se pergunta por que Elizabeth e suas irmãs não tiveram aulas de piano, especialmente quando famílias com até menos fortuna do que os Bennets investiram em suas filhas. Lady Catherine espera que todas as mulheres de relativa renda devam tocar piano, porque é isso é a expectativa social da época.  
Image result for Jane's Hand: The Jane Austen Songbooks
CD e mp3 disponíveis na Amazon - voz e pianoforte - com amostras

Cap 31, Darcy e Lizzy trocam farpas ao piano na frente de Cel. Fitzwilliam.
“Meus dedos”, disse Elizabeth, “não se movem sobre o instrumento da maneira magistral que vejo os de outras mulheres fazerem. 
Eles não têm a mesma força ou rapidez e não produzem a mesma impressão. 
Mas sempre supus ser culpa minha - porque não me dou ao trabalho de praticar. 
Não é que eu não acredite que meus dedos tão capazes quanto de qualquer outra mulher de talento superior.”

O instrumento é um facilitador ao casamento, um canal para relacionamentos e flerte. Darcy e Elizabeth estão envolvidos em uma conversa de flerte, enquanto ela está sentada no piano. 
Até esse ponto, Darcy e Elizabeth não tinham sido muito amigáveis um com o outro, mas uma vez que estão instalados próximo ao piano, o flerte segue. Dessa forma, vemos que o piano é uma conexão entre homens e mulheres.
Ele não é mais usado dessa maneira, mas sua natureza atrativa anterior não pode ser negligenciada por que isso desempenha um importante papel no texto.

Piano Favorites of Jane Austin
CD disponível na Amazon

Moira comenta...

Saber que o piano - pianoforte - era importantíssimo para a educação das moças nos faz ver Austen nas entrelinhas. Ela escrevia o que vivia, um espelho de sua sociedade em que projetava anseios, algo de bibliográfico, talvez projeções para o futuro e suas ideias sobre a situação feminina.
Como se sabe, Jane Austen nunca se casou, recusou propostas e até quebrou uma promessa de casamento. Se a princípio ela assinava suas obras como 'A lady' para evitar ser reconhecida com escritora por receio do que faria com sua imagem, depois passou a se resguardar de uma união que lhe traria novas responsabilidades como casa e filhos para continuar escrevendo. (alguns dizem que ela era avessa à fama, mas nem ela nem ninguém tem como saber que será um sucesso logo de cara, né? Depois de R&S e O&P ela FICOU famosa, mas mesmo antes se recusava a usar seu nome. Somente após sua morte, seu irmão favorito - o banqueiro - publicou Northanger com o nome dela.)
Mas, mesmo solteirona, Jane tocava bastante e bem. Assim que fez dinheiro com suas obras e parou de se mudar com a mãe viúva e a outra irmã solteirona, comprou um pianoforte. No final da vida, acordava cedo para tocar antes que a casa ficasse barulhenta. Logo, entendemos que era prendada, foi educada para ser uma dama completa na sociedade.
Image result for regency era piano
pinterest
E não é isso que ela faz com as Bennets? Lhes dava a chance de ser bem cotadas no mercado de casamento, mas cada uma decide seu caminho. As meninas más rechaçam ensinamentos, as boas aprendem conforme seu capricho dita. Pouco importa se vão conseguir bons casamentos, a despeito do desespero da mãe.
Continuando o interrogatório do cap 29, Lady Catherine pergunta...
 "Você desenha?"
"Não, não mesmo."
"O que, nenhuma das irmãs?"
"Nenhuma."
“Isso é muito estranho. Mas suponho que você não teve oportunidade. Sua mãe deveria levá-la à cidade toda primavera para o benefício dos tutores."
“Minha mãe não teria objeção, mas meu pai odeia Londres.”
"Sua preceptora deixou você?"
"Nós nunca tivemos nenhuma preceptora."
“Nenhuma preceptora! Como isso foi possível? Cinco filhas criadas em casa sem uma preceptora! Eu nunca ouvi falar de tal coisa. Sua mãe deve ter sido muito escrava da sua educação."
Elizabeth mal podia deixar de sorrir quando ela lhe assegurou que não tinha sido o caso.
“Então, quem te ensinou? Quem atendeu a você? Sem preceptora, você deve ter sido negligenciada."
“Comparado com algumas famílias, acredito que fomos; mas às que desejaram aprender, nunca faltaram os meios. Sempre fomos encorajadas a ler e tivemos todos os mestres que foram necessários. Aquelas que escolheram ficar ociosas certamente puderam."
“Sim, sem dúvida; mas isso é o que uma preceptora evita, e se eu tivesse conhecido sua mãe, eu a teria aconselhado a contratar uma. Eu sempre digo que nada deve ser conseguido na educação sem instrução constante e regular, e ninguém além de uma governanta pode dar..."

Então, quando o texto diz que Mary retratada ao piano em quase todas as suas cenas, era independente, entendi que se referia a essa passagem: independência para se dedicar ao que mais lhe agradava. Do talento da personagem se fala mal, o pai a ridiculariza no baile de Netherfield em público, as irmãs não suportam ouvi-la. 
Seria Austen nos dizendo ali que Mary era uma dama desejosa de casamento, mas mal cotada no mercado?
E quanto a Jane, a mais bela e recatada, o que se fala de seus talentos musicais? Quase nada...
Já Lizzy admite que toca mal porque não se dedica. Seria essa descrição da personagem tradução para isso?

Trocando em miúdos:
boa pianista > moça apta a bom casamento

Termino com Emma 
Capítulo 10, um comprido bate-papo com Harriet
"Eu me pergunto, senhorita Woodhouse (Emma), se você não deveria ser casada ou se casar! Tão encantadora como você é!”
Emma riu e respondeu: “Meu charme, Harriet, não é suficiente para me induzir a casar; preciso encontrar outras pessoas encantadoras - pelo menos uma pessoa. E não só apenas, não vou me casar no momento, mas tenho muito pouca intenção de casar.”
“Ah! mas não posso acreditar."
“Preciso reconhecer alguém muito superior a qualquer um que já tenha visto para ser tentada; o Sr. Elton, você sabe, (recordando-se) está fora de questão: e eu não desejo encontrar tal pessoa. Eu preferiria não ser tentada. Eu não posso realmente mudar para melhor. Se me casar, devo esperar que me arrependa."
"Minha nossa! - é tão estranho ouvir uma mulher falar assim!"
“Não tenho nenhum dos habituais incentivos das mulheres para se casarem. Se eu me apaixonasse, de fato seria uma coisa diferente! Mas nunca me apaixonei; não é meu caminho nem minha natureza; e eu acho que nunca vou. E, sem amor, tenho certeza de que deveria ser uma tola para mudar uma situação como a minha. Fortuna eu não quero; emprego eu não quero; conseqüência eu não quero: eu acredito que poucas mulheres casadas tem tanto poder na casa do marido como tenho de Hartfield; e nunca, nunca poderia esperar ser tão amada e importante; então sempre primeiro e sempre certo nos olhos de qualquer homem, como eu estou no meu pai. ”
"Então, para ser uma solteirona afinal, como a srta. Bates!
“Essa é uma imagem tão formidável quanto você poderia me apresentar, Harriet; e se eu pensasse que eu deveria ser como a srta. Bates! Tão boba - tão satisfeita - tão sorridente - tão prosaica - tão indistinguível e desatenciosa - e tão apta a contar tudo quanto se relaciona a todos a meu respeito, eu me casaria amanhã. Mas entre nós, estou convencida de que nunca pode haver qualquer semelhança, a não ser quando se é solteira."
“Mas ainda assim, você será uma solteirona! E isso é tão terrível!"
"Não importa, Harriet, não serei uma pobre solteirona; e é só a pobreza que torna o celibato desprezível para público generoso! Uma mulher solteira, com uma renda muito estreita, deve ser uma solteirona ridícula e desagradável! (...) uma renda muito estreita tem uma tendência a contrair a mente e azedar o temperamento. (...)”

Nessa obra, Jane Austen usa o pianoforte como pista de grande segredo se desenrolando nos bastidores que passa desapercebido para quem ignora o valor e o simbolismo do instrumento nesta época. 
É um tipo de coisa que a autora não precisa explicar, 
pois para ela é valor intrínseco.

Se Emma não quer casar e Jane Fairfax é sobrinha de solteirona sem fortuna que precisa casar para se manter, é natural que a melhor pianista seja... Jane!
Veja:
Capítulo 8, na casa dos Cole, a Sra. Cole comenta
Sempre me magoou muito que Jane Fairfax, 
que toca tão deliciosamente, não tivesse um instrumento.

Capítulo 9,
A outra circunstância de arrependimento (de Emma em ter ido à casa dos Cole na noite anterior) também se relacionava com Jane Fairfax; e lá ela não tinha dúvidas. Ela sincera e inequivocamente lamentava a inferioridade de seu próprio tocar e cantar. Ela ficou muito entristecida pela ociosidade de sua infância - e sentou-se e praticou vigorosamente uma hora e meia.
Ela foi então interrompida pela chegada de Harriet; e se o elogio de Harriet pudesse satisfazê-la, ela poderia ter sido consolada.
“Oh! se eu pudesse tocar tão bem quanto você e a senhorita Fairfax!
“Não nos classifique juntas, Harriet. Meu talento não é maior que o dela, como uma lâmpada para o sol. ”
“Oh! querida, das duas, eu acho que você toca o melhor. Eu acho que você toca tão bem quanto ela. Tenho certeza de que preferia ouvir você. Todos ontem à noite comentaram o quão bem você tocou."

Amigas são para essas coisas, né, Harriet!... Se Emma toca melhor, como pode tocar tão bem quanto? Huh?
E perceba, Emma se arrepende de sua ociosidade em sua própria educação como as Bennets de O&P. Lizzy - que desdenha de  propostas de casamento - fala que poderia ensaiar mais. 


No próximo artigo vamos mergulhar no magnífico Broadwood de Emma, Anne Elliot presa ao piano em Persuasão e a educação das moças de Mansfield Park.

piano practice, 1924, GG Kilburne

Tradução e generosa parceria de Fran, da excelente página Adaptações de Jane Austen. 
Tradução das obras de Jane Austen são minhas, livres.