& Moira Bianchi: era vitoriana
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O Clube de Florence - romance de época (pré) Vitoriana - livro 2 da série Cupidos em Devon

 Olá!

O Clube de Florence está voltando!


A excitante história da busca pelo final feliz da moça renegada pela sociedade por ter entregue sua inocência fora do casamento ganha novas cenas, nova capa e ilustrações! E até, uma lista de músicas para inspirar a jornada de Florence.

Até aqui, Florence teve uma vida difícil.

Depois de mais de uma década presa em sua própria redoma remoendo cicatrizes na alma e no corpo, em companhia de seu irmão Oscar 'Cary' Devon, Florence foi surpreendida pela reviravolta de ser abandonada na amargura. 

Cary preferiu abraçar a vida nova assumindo o amor fulminante que sentia por Pauline Hopkin. Nesta nova vida de recém-casado, Cary não tinha mais espaço para a irmã.

Decidida a ocupar o lugar que Pauline deixou na família Hopkin, Florence se mudou para o aconchego de mãe e irmãos postiços. 

Essa escolha corajosa iniciou uma reação em cadeia que a atingiu em cheio, como maré em dia de tormenta.

Agora ela precisa lidar com inesperados e excitantes desafios, especialmente o proposto pelo melhor leiloeiro de toda Londres, o intrigante e misterioso Richard Richardson.

Summer (1890), Thomas Wilmer

Leia o trecho emocionante que ofertei na Bienal do livro de São Paulo de setembro de 2026.


Aquela dama de sociedade que tinha acabado de virar família do seu patrão era refinada, tinha estudo, cultura clássica e atitude - para a infelicidade de Richard Richardson. 

A mulher bonita de pele tão intocada pelo sol nunca deve ter se ocupado de uma trouxa de roupa na vida, mal deve saber que existe um utensílio chamado vassoura e, com certeza, jamais enfrentou uma tina de água gelada no inverno. Mas ela passou míseros dois dias da viagem estudando os livros de Srtª Pauline – agora sua cunhada, Sra. Devon – e conversando com seu novo concunhado Sr. Hopkin, e todo esse exíguo conhecimento parecia-lhe suficiente para ditar ordens a ele que tinha anos de experiência em leilões.

Que audácia!

Era em momentos assim que Richard Richardson sentia mais forte doer sua inferioridade, prendia os dentes a ponto de marcar sua mandíbula na pele das bochechas, apertava os olhos azuis, as grandes orelhas ficavam vermelhas, mas ele não respondia. Ainda mais para uma dama como aquela, tão bela e arrogante. 

Os leilões eram apinhados delas, várias e elegantes, gordas, magras, altas, baixas, bem-vestidas, exageradas, tristes, felizes; mas como aquela, raramente via. 

Srtª Devon parecia que havia acabado de sair de uma redoma de vidro. Era beleza etérea de rosto oval, olhos cor de mel com brilho mordaz, cabelos castanhos perfeitamente penteados, lábios cheios e sempre apertados – a não ser quando proferiam as mais vis críticas sobre o funcionamento do leilão.

O embate entre ele e a linda dama foi tão tenso que o jovem Sr. Hopkin encurtou a reunião dizendo que, como haviam acabado de chegar da estrada, iriam para casa se refrescar.

— Estaremos na mansão Devon, Richardson. Amanhã pela manhã, mais descansados, vamos trabalhar para organizar todos os detalhes a tempo. 

— Pois não. — Richardson respondeu polidamente. Por dentro, silenciosamente, ensaiou dizer: Mulheres bonitas sempre acham que podem mandar, mas aprenda que, na verdade, seu papel é enfeitar o evento, senhorita. 

Era uma harpia elegante, esbelta e absolutamente nenhuma palavra gentil para Richardson. Para ser sincero, ela não lhe faltou com a cortesia, apenas lhe era indiferente e agia com superioridade.

E para ele, isso era difícil de aturar.


No dia seguinte, com a paciência descansada, ao entrar no salão dos leilões pela porta dos fundos, Richardson parou no meio do depósito ouvindo a linda melodia que enchia seus ouvidos até esquentar o peito, subiu devagar seguindo o canto de uma sereia.

No átrio do salão, encontrou o jovem patrão virando páginas de partitura para a megera tocar com tamanha maestria que Richardson ficou estupefato.

As delicadas mãos de dedos finos corriam pelas teclas do antigo órgão igual a gotas de chuva em folhas novas. Era natural, simples e, no entanto, se assemelhava a um milagre.

Ele não tinha cultura musical suficiente para apontar erros, mas só notava uma nota desafinada porque era frequente, sempre que a mão esquerda de dedos ligeiros chegava perto do limite direito do instrumento.

Richardson ficou parado na beirada do hall assistindo por tanto tempo quanto lhe foi permitido, duas ou três músicas. Teria ficado por horas se ela não tivesse parado e o patrão, acusado sua presença.

— Richardson, bom dia! 

— Bom dia, Hopkin. — Ele fez uma reverência. — Srtª Devon. 

Florence meneou a cabeça, coluna ereta e permaneceu muda.

— O que achou do instrumento, Flo? Tem potencial? — Kin voltou-se para Florence sentada no banquinho.

Ela balançou a cabeça de lado a outro devagar. — Sim... Já existem pianos bem mais modernos com dois pedais e seis oitavas, este órgão precisa de afinação... Talvez trocar algumas cordas. Foi negligenciado aqui neste canto, imagino. 

— Srtª Pauline decidiu manter como adorno. — Richardson respondeu. Estaria a megera insinuando que ele não cuidava da casa? 

— Ninguém toca este monstro, recebemos como parte de um lote, mas o avaliador disse que renderia pouco. Deve ser por isso, é antigo demais. Certo, Richardson? 

O leiloeiro concordou, dentes presos em irritação. — Na temporada passada, com o conjunto de cravos Kirckman e Shudi. — Ficou satisfeito em notar que a megera se surpreendeu ao ouvi-lo falar dos renomados fabricantes de instrumentos musicais.

— E não venderam junto? — Ela perguntou.

— Depreciaria os outros itens. — Richardson explicou, ela levantou as sobrancelhas. — Não concorda? 

— Não vi os cravos. — Deu de ombros. — Tenho dom para a harpa, piano só aprendi o que era de praxe. Toquei aqui por curiosidade.

Ele pensou na linda megera com uma harpa entre as pernas, tocando o enorme instrumento ainda melhor do que tocou aquele instrumento velho e sua libido respondeu antes de sua mente reagir horrorizada. 

— Acho que vale a pena mandar para reforma, trazer minha harpa, talvez um flautista?... 

— Ah, ótima ideia, Flo! — Kin se recostou no órgão e cruzou os braços no peito. — Seria ótimo entretenimento para o leilão principal da nossa temporada. Richardson? 

— Concordo.

— Nossos lotes, como estão? 

— De boa qualidade, farão volume de vendas. Ainda hoje receberei um cavalheiro que diz ter uma preciosidade para nos oferecer. 

— Ah! — Kin inclinou a cabeça. — Sabemos o que é? 

— Quadro, um... — Richardson checou o bolso do colete, puxou uma caderneta, folheou. — Falero.

Florence se contorceu no banquinho do piano. — Lesley! — Kin olhou para ela com ira, ela abriu mais os olhos. — Posso falar com você em particular?

Prevendo que a megera ia ocupar a atenção de seu patrão como no dia anterior, Richardson achou melhor interferir; negócios eram mais importantes que ataques de coquetice de damas solteiras. — Hopkin, temos assuntos a tratar. — Ele fechou o rosto também. — Aquele assunto que falamos antes de sua viagem precipitada... 

Kin, ainda contrariado por ter sido chamado por seu apelido de infância na frente do austero empregado, rosnou. — Me lembre o que é.

— Um assunto particular.

— Lesley, agora! — Florence insistiu achando que o leiloeiro disputava com ela a  atenção do sobrinho postiço.

Richardson checou o relógio barato preso por uma correntinha na cintura da sua calça. — Logo o cavalheiro do quadro estará aqui, seria bom falarmos antes que ele chegasse, Hopkin. 

— Lesley! 

— Diabo te carregue, Flo! — Kin levantou a voz, ela estremeceu ofendida. — Não me chame de Lesley! Quantas vezes tenho que pedir? — Bateu o pé no chão como um menino de oito anos. — Apelido infernal que me persegue, implorei que Lynn não usasse na frente dos outros, agora, todos me chamam assim! — Resmungou. — Fale logo o que é!

Muito contrariada, ela desviou os olhos para o leiloeiro.

— Ande, diga! Richardson sabe de tudo sobre o negócio, Lynn não te contou? 

Ela contorceu os lábios, mediu palavras, arriscou olhar para o leiloeiro. — Falero é um artista obsceno.

— Como? — Kin fez uma careta.

Ela corou até a raiz dos cabelos. — Ele só retrata mulheres desnudas, bruxas, ninfas, messalinas.

— Como sabe?

— Eu conheço arte. — Florence abaixou a voz. —Esse está despontando na Espanha, ao que parece faz muito sucesso. 

— Mas é de baixa qualidade o que ele produz? Vulgar? Vai depreciar nossa casa? 

— Não!... — Ela piscou várias vezes. — Já vi um esboço que ele fez de uma... Errr... Dama. É belíssima a arte, talento nato. 

— Então quero ver, Richardson. 

— Les... — Florence tentou, mas o olhar de ira do sobrinho a fez engolir o apelido no meio. — Kin?... Sr. Hopkin? 

Ele revirou os olhos, Richardson tossiu para esconder o riso. — Kin está bom, Flo. 

Ela corou ainda mais, sentada olhava para cima, pois os homens continuavam de pé, e como estavam afastados ela virava o rosto de um para o outro sentindo-se profundamente desconfortável. — Não são dignos de ser expostos perante damas... 

— Nem todas as damas são recatadas como você. — O jovem rapaz abriu um meio sorriso caridoso. — Foi a dama que serviu de inspiração quem te mostrou a arte?  

— Não sei em quais condições foi composta a obra, mas, na verdade, recebi de presente. — Florence entrelaçou os dedos, mãos presas no colo.

— Quer vender? — Kin perguntou, Florence sacudiu a cabeça. 

Richardson podia jurar que viu fogo relampejar naqueles olhos cor de mel, ela parecia impaciente.

— O que quero dizer, e você falha em compreender, é que esse pode ser um tipo de quadro que se tem no boudoir, Kin, mas que só se mostra para os mais íntimos. Ninguém de bom tom vai comprar na frente dos outros. 

— Ah!... — O jovem coçou o queixo. — Agora entendi.

Richardson balançou a cabeça. — Senhor, isso leva ao outro assunto. 

Kin franziu a testa ainda coçando o rosto. — Sabe que mal me lembro? Tanta coisa aconteceu desde que saí daqui... Lynn aceitou proposta de casamento de Cary, contraiu núpcias, eu desencavei segredos de família, Flo veio nos ajudar; agora, me preparo para começar os estudos... — Ele sacudiu a cabeça. — Por favor, me refresque a memória. 

— Na frente da dama?

— Sim.

Richardson prendeu os dentes por um momento. — Antes não queria que Srtª Pauline estivesse a par desses trâmites...

— Flo é diferente de Lynn. — Kin trocou olhares com ela. — É minha parceira, pode falar. 

— Hopkin?... 

— Fale, homem! 

— Pois bem. O corsário trará o Falero com o carregamento de whiskey que encomendamos.

Kin bateu as mãos uma vez, olhos arregalados. — Me esqueci completamente, homem! Já é hora do recebimento?

— Provavelmente, faz tempo que ele não aparece aqui e, agora, pediu para marcar essa reunião.

— E os vinhos Franceses?

— Semana que vem.

— Bom. — Kin balançou a cabeça devagar. — A tempo de leiloarmos tudo antes do início da temporada. 

— Precisamente. Já tenho quase tudo pronto para deixar a notícia correr nos clubes de cavalheiros.

— Esperem! — Florence mostrou a palma. — É um leilão clandestino? — Os dois homens assumiram expressões vagas nos rostos. — Whiskey é proibido no país. — Ela apertou os olhos. — E esses vinhos, o que têm de especial? 

— Veja bem, Flo...

— Kin, não tente me enrolar. — Florence levantou o longo dedo indicador em riste. — Conto tudo para Lynn e para Cary. Já viu meu irmão contrariado? — O rapaz uniu as sobrancelhas como uma criança. — Então, sabe que é algo a se evitar. 

— Todos consomem whiskey, só não compram livremente. Temos família em Scot, eles aprimoraram uma pequena destilaria até chegar a um produto excelente, pergunte a Cary! — Kin gesticulava com veemência. — Dei a ele uma garrafa de presente de casamento.

— Eu mesmo enviei quando Hopkin me escreveu, senhorita, do nosso estoque reservado para clientes especiais.

— Ele adorou. Cary entende das coisas. 

— E ele sabe que está agindo fora da lei? 

Kin abaixou os ombros. — Não é assim tão ruim... 

— É, sim.

— Contei a ele que tenho umas garrafas enviadas pelos parentes. 

— Mas tem muitas.

— Teremos. — Richardson interveio.

— Por que o corsário?

— Mais seguro vir por mar que por terra.

Ela balançou a cabeça. — E o que ele tem a ver com a pintura obscena? 

O leiloeiro deu de ombros. —Provavelmente ganhou do artista ou da modelo. — Ele disse por perversidade, sabia que a megera ia corar. E ela corou como um morango maduro.

— O importante, Flo, é que esse leilão será especial, só para cavalheiros. — Kin explicou muito empolgado. — Mais tarde à noite, itens especiais, boa comida e bebida, mesa de jogos com um crupier que trabalhou no Fishmonger, será evento de alta classe e dinheiro solto.

— E oferecerá moças? — Florence piscou.

Neste momento, por um lampejo, Richardson julgou ver nos olhos amendoados da megera algo bem mais profundo que uma dama fútil, rica e solteirona, porém, não conseguiu identificar o que – foi rápido demais.

— Claro que não! — Kin respondeu horrorizado. — E pouca bebida será servida, quero vender meus produtos. Bêbados compram e não pagam, quero ter lucro alto.

Florence piscou seguidamente e sacudiu a cabeça. — Desgosto disso. 

— Farei bom dinheiro. — Kin sorriu. — Faremos. — Esticou o braço sobre o ombro do leiloeiro. — Richardson é meu sócio minoritário, o Conde de Brakenbury em maior volume.

Ela juntou as mãos no peito, rosto pálido. — Quando Lynn souber disso!... 

— Não conte!

— Lesley!

— Diabos! — Ele reclamou.

— Isso é coisa de criança, está brincando com fogo, merece ser chamado de Lesley.

— Engana-se, senhorita. — Richardson se intrometeu na discussão que considerava ridícula. — São negócios de cavalheiros sérios, homens de luta, de palavra. Sob a lei, sim, em parte. Mas não há nada de infantilidade aqui.

Florence prendeu os olhos nos dele, o leiloeiro manteve-se firme. — Vejo que estão decididos e minha opinião é irrelevante. — Ela disse secamente. — Entendo que sequer pediram-na, ofereci livremente por impertinência.

— Flo... — Kin suspirou. — São negócios.

— Pois bem. Prometi a Pauline que ajudaria e o farei no que posso. Conheço arte, posso avaliar e separar os lotes para alcançarem maiores lucros. E será só esta minha participação no evento principal.

— Desiste de tocar para encantar os clientes? — Richardson disse antes de perceber que se traía. — Nunca ouvi nada tão belo. 

Florence corou mais uma vez, tão forte que uma gota de suor apareceu em sua testa. — Eu jamais seria capaz de me apresentar em público.

— Devia. — Ele insistiu.

Ela sacudiu a cabeça, levantou-se do banquinho ereta e ofendida. — Se era minha opinião sobre o instrumento que precisava, Kin, já tem. Voltarei para casa. — Alcançou seu bonnet, luvas e bolsinha na mesa lateral.

— Espere, Flo. — O jovem parecia triste. — Combinamos de visitar o depósito e começar a ver as peças.

— Podemos fazer isso em outro dia que não tenha reuniões tão importantes como as de hoje. — Ela fez uma mesura curta. — Bom dia, senhores.

Richardson entendeu que a indireta foi para ele.

Florence tinha consciência de que não era amiga de Richardson, eram só pessoas capazes de ter convivência tranquila. Com o passar dos meses, passou a ir à casa de leilões sempre. Naquele dia, Florence passou a tarde toda no escritório e só foi para casa na hora do chá. 

Ao ser servida, ela notou a pequena colher de cabo trabalhado em ourivesaria que a criada lhe trouxe. Pensou no jogo de garfos que deixou de lado no depósito da casa de leilões por não saber como catalogar. Se era um faqueiro, por que todos os talheres não estavam juntos?

Sem perder tempo, ela chamou o cocheiro e voltou à casa de leilões para revirar tudo até encontrar todas as peças e organizar em uma caixa. Tão determinada, passou a mão no xale e sequer considerou chamar sua criada, pois sabia que seria uma visita rápida. Como um jogo de peças pesadas poderia ser ocultado? Claro que encontraria os talheres perdidos rapidamente!

Apesar da temperatura amena, ela se enrolou no xale cobrindo ombros e cabeça e apeou da carruagem assim que o lacaio abriu a porta da cabine. Já escurecia, mas a pouca luz da tarde lhe permitiu entrar pelo hall principal, trancar a porta e descer as escadas até o depósito. Pensava em ir direto à mesa central acender o castiçal grande com a tinder box que ficava na gaveta quando ouviu barulho, alto.

Florence gelou.

Encostou-se na parede da escada, pensou no que fazer. Deveria voltar correndo para seu cocheiro que a esperava? Por que não pediu que sua criada a acompanhasse? Tantas vezes ela se ofereceu para ajudar...

Era barulho de homens alegres, Florence distinguiu. Muitos. Conversavam animados, xingavam. Provocavam alguém.

Curiosa e apavorada, ela desceu os últimos degraus devagar, apertou o xale em volta do rosto, se esgueirou para trás das estantes do fundo e boquiaberta perdeu a respiração ao ver Richardson levar um soco no peito.

Gritaria se sua voz não tivesse morrido na garganta. Paralisada de medo, ela assistiu o leiloeiro bater no homem de volta, os outros homens formando um círculo em torno deles, todos com o torso desnudo, descalços, suados. As mãos em punho, rosto contorcido em concentração irada, ele atingiu o outro homem com um soco no ombro, os outros em volta aplaudiram e gritaram ordens, incentivos! 

Deveria subir as escadas correndo, pedir ajuda, salvar a vida de Richardson e o negócio de Kin. Mas ela ficou onde estava, mal respirava. Isso também se devia ao fedor de homens suados que ao mesmo tempo era odioso e excitante.

Aos poucos, de olhos arregalados, Florence notou que não era um ataque ou roubo, era luta por esporte! O leiloeiro batia e apanhava na mesma medida, grunhia e gritava, xingava palavras que ela jamais pensou existirem. Sua respiração era alterada, barulhenta, como um animal selvagem lutando pela vida.

Ele era a imagem da... virilidade. Ela, que poucos momentos antes não conseguia respirar, viu-se ofegante, seu corpo aquecido, segurava a estante com força: torcia por Richardson!  

Lutaram em socos e tapas somente onde não havia roupas, ela notou que a nudez servia para determinar onde era permitido atingir, até que o adversário levantou o braço e apontou para o alto. Richardson riu, bateu palmas e a luta simplesmente acabou. 

Os outros homens aplaudiram junto, houve uma breve discussão e outra dupla assumiu o centro da roda para uma nova luta, recomeçando o divertimento. Revezavam-se na atividade com prazer estampado em seus rostos, torciam ora por um, ora por outro, encorajavam golpes mais fortes, mais violentos.

A atmosfera pesada com odor forte e denso ajudava a fazer Florence entrar em uma espécie de torpor, sabia que não deveria estar ali e não conseguia deixar de admirar o espetáculo de masculinidade crua.

Ela somente via aquele segredo por ter ido à casa de leilões inesperadamente, não deveria saber daquilo. Especialmente naquele dia que ele a havia ajudado tanto, sido tão atencioso, organizado os documentos para ela despachar rápido... ah! Ele queria esconder dela que haveria a reunião de homens selvagens!

Quinta-feira – seria toda semana?

Excitada com a possibilidade de que realmente tivesse descoberto uma parte tão eloquente da intimidade de Richardson, Florence o observou enquanto ele torcia pela briga ocorrendo bem em frente a ela. Como ele estava de costas, ela via os músculos flexionando quando ele gesticulava e batia palmas, seu rosto de perfil quando falava com outro homem, as horríveis marcas vermelhas já começando a arroxear nos ombros e costelas. 

Era um homem grande mesmo que menor que Devon, a pose elegante permanecia intacta apesar da falta de vestimentas e dos duros golpes que recebeu, as fortes mãos grandes ela via bem apesar da luz que tremia com os movimentos abruptos dos homens: manchas vermelhas nos punhos denunciavam as feridas criadas no... esporte? Brincadeira?

Como ela nunca notou suas mãos machucadas antes? 

Richardson nunca esteve com olhos roxos ou mancando, a regra de costume deveria ser atingir somente no torso que poderia ser facilmente escondido.

Dentro de Florence havia uma revolução começando: medo a manteve parada atrás da estante assistindo por quase uma hora sem arriscar respirar alto, também fascinação pela figura descabelada, suada e machucada do leiloeiro sisudo. Era absolutamente... Viril!

Robusto. Sensual.

E na confusão rondando sua mente, em todas as emoções circulando seu corpo, ela só lembrava de sua mamma postiça, Sra. Hopkin, e suas explicações. Sentia acontecer em suas partes exatamente o que ela descreveu.


Bem vinda ao Clube de Florence.

Gostou desse trechinho? Leia o livro todo!

Reserve o seu na pré-venda e garanta os brindes de lançamento.


PRÉ-VENDA LIVRO FÍSICO

Saiba detalhes & curiosidades da série CUPIDOS EM DEVON aqui.

E todas as pesquisas que guiaram a composição deste romance:

Mulheres desonradas

Grandes mulheres do século 19

Estudos da anatomia feminina na Era Vitoriana

Com que idade as moças casavam no século 19

Um Florence de verdade da Era Vitoriana

bj

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Uma carta de luto de Charlotte Bronte

 olá!

Hoje me aconteceu DE NOVO uma coisa deliciosa que GRAÇAS AO BOM DEUS, me acontece sempre:

achar fontes primárias


Te explico o passo-a-passo:

1- Eu estava passeando no Pinterest

2- Achei uma imagem linda de mulheres se ajudando a vestir, pinturas do século 19

3- Salvei no meu painel do próximo volume da série Cupidos em Devon

4- Achei mais uma imagem de mulheres se ajudando, salvei no painel 1855 

5- Mais uma. Salvei também

6- Pensei em fazer um post no Instagram falando do amor de irmãs

7- Comecei a catar quotes das irmãs Brontë

8- Depois parti para Austen

9- Achei um quote que não existia no canon de Austen

10- Descobri que era FAKE QUOTE

11- Fiz um post sobre fake quotes

12- Voltei às Brontë e achei isso!...

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CARTAS DE LUTO DE CHARLOTTE BRONTË

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Ah, que maravilha!

Eu não comemoro o luto da diva, mas o registro preservado

daguerreótipo dito ser de C.B. (não confirmado) - 1855


Scans das cartas originais em papel de luto, uma moda linda e fofa e delicada e polida da era Vitoriana de avisar, logo de cara, que o remetente estava sofrendo. Olha uma delas:

british library


Era assim o papel que Charlotte usou.



Uma folha (talvez o nosso A4) dobrada ao meio fazendo 4 páginas de carta. A 'capa' tinha borda preta sinalizando o luto.

Olha essa da Rainha Victoria (depois do falecimento do príncipe Albert). Tem até o brasão do Castelo de Balmoral, que eles compraram no início do casamento e levaram um tempão reformando.

brifging the unbridgeable


A regrinha valia inclusive nos envelopes, frente e verso.

19th century paper doll blog

Quanto mais grossa a borda, mais profundo era o luto que a pessoa passava.

ephemera society

E as cartas de Charlotte Brontë 

estão disponíveis no maravilhoso site da British Library.

Aqui te trago uma delas, no original e traduzida por mim mesma.



TRADUZIDA

2. Cliff. Scarbro '

4 de junho / 49

meu caro senhor

Mal sei o que disse da última vez que escrevi - estava então febril e exausta - agora estou melhor e - creio - bastante calma.

Você foi informado da morte de minha querida irmã Anne - deixe-me agora acrescentar que ela morreu sem muito resistir - resignada - confiando em Deus - agradecida por ter sido libertada de uma vida de sofrimento - profundamente segura de que uma existência melhor estava diante dela - ela acreditava - ela esperava e declarou sua fé e esperança com seu último suspiro. - O silêncio dela - sua morte cristã não aquietou meu coração como no fim sério, simples e quieto de Emily. Eu deixei Anne ir para Deus e senti que Ele tinha o direito de tê-la, mas mal pude deixar Emily ir - eu a quis segurá-la e a quero de volta agora - Anne, desde sua infância parecia se preparar para uma morte prematura. O espírito de Emily parecia forte o suficiente para carregá-la pelos anos completos - Ambas se foram - e também o pobre Branwell - e papai agora só tem a mim - a mais fraca - a mais decrépita - a menos promissora de seus seis filhos - A tuberculose levou todos os cinco .

Por ora, as cinzas de Anne descansam separadas das outras - enterrei-a aqui em Scarbro' para poupar papai da angústia do retorno e de um terceiro funeral.

Recebo ordens de ficar um pouco à beira-mar - não posso descansar aqui, mas também não posso voltar para casa - Possivelmente não tornarei a escrever logo - não atribuo meu silêncio nem à doença, nem à negligência. Nenhuma carta vai me encontrar em Scarbro' depois do dia 7 e eu não sei qual será meu próximo endereço - irei vagar uma ou duas semanas na costa leste e apenas pararei em lugares solitários e silenciosos - Ninguém precisa ficar ansioso por mim, Pelo que eu sei - Amigos e conhecidos parecem pensar que este é o pior momento de sofrimento - eles estão redondamente enganados - Anne repousa agora - o que foram as longas horas desoladas por sua dor paciente e rápida decadência?

Por que a vida é tão vazia, breve e amarga, não sei - Por que mais jovens e muito melhores do que eu são arrancados dela deixando projetos não realizados, eu não consigo compreender - mas acredito que Deus é sábio - perfeito - misericordioso.

- Ela amava Scarbro' - um sol pacífico dourou sua noite.

Sinceramente,

C Brontë


ORIGINAL

2. Cliff. Scarbro'

June 4th /49

My dear Sir

I hardly know what I said when I wrote last - I was then feverish and exhausted - I am now better and - I believe - quite calm.

You have been informed of my dear sister Anne's death - let me now add that she died without severe struggle - resigned - trusting in God - thankful for release from a suffering life - deeply assured that a better existence lay before her - she believed - she hoped, and declared her belief and hope with her last breath. - Her quiet - Christian death did not rend my heart as Emily's stern, simple, undemonstrative end did - I let Anne go to God and felt He had a right to her I could hardly let Emily go - I wanted to hold her back then - and I want her back hourly now - Anne, from her childhood seemed preparing for an early death. Emily's spirit seemed strong enough to bear her to fulness of years - They are both gone - and so is poor Branwell - and Papa has now me only - the weakest - puniest - least promising of his six children - Consumption has taken the whole five.

For the present Anne's ashes rest apart from the others - I have buried her here at Scarbro' to save Papa the anguish of the return and a third funeral.

I am ordered to remain at the sea-side a while - I cannot rest here but neither can I go home - Possibly I may not write again soon - attribute my silence neither to illness nor negligence. No letters will find me at Scarbro' after the 7th at I do not know what my next address will be - I shall wander a week or two on the east coast and only stop at quiet lonely places - No one need be anxious about me as far as I know - Friends and acquaintance seem to think this the worst time of suffering - they are sorely mistaken - Anne reposes now - what have the long desolate hours of her patient pain and fast decay been ?

Why life is so blank, brief and bitter I do not know - Why younger and far better than I are snatched from it with projects unfulfilled I cannot comprehend - but I believe God is wise - perfect - merciful .

I have heard from Papa - he and the servants knew when they parted from Anne they would see her no more - all try to be resigned - I knew it likewise and I wanted her to die where she would be happiest - She loved Scarbro' - a peaceful sun gilded her evening .

Yours sincerely

C Brontë



Que tal?

Ah, vou mergulhar nas pesquisas para acabar o meu DUQUE que vai sair neste Natal.

bj


Venha aqui para outras pesquisas históricas.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Leituras Coletivas vindo aí!

 Olá, blz?

Ando bem enrolada por aqui, mas sempre me mantenho ligada no mundo literário. Planos são muitos, tempo é que falta para colocar tudo em prática!


Mas, como pedra parada junta limo, continuo rolando!

Nas próximas semanas terei duas LEITURAS COLETIVAS com prêmios, sorteios e muita conversa boa.

SE INSCREVA AGORA MESMO!

UPDATES - OUTT.2022

O PECADO DA DÚVIDA
No lindo Clube de leitura da Bia, via Whatsapp e Facebook

O CONDE SOVINA
No maravilhindo Clube do Leitor Correspondente, via Facebook e Whatsapp



~ CONVITE 1 ~

JULHO. 2021

PRECONCEITO, ORGULHO & CAFÉ

- romance contemporâneo

- inspiração de Orgulho e Preconceito de Jane Austen

- passado no Rio de Janeiro

- cenas bem hot, 18+

- livro stand alone (não faz parte de série) que tem um desdobramento: coleção de epílogos em forma de contos

- links, booktrailer, sinopses e muito mais aqui


compre o livro físico com marcadores e mimos 
pelo Mercado Pago



~ CONVITE 2 ~

O CLUBE DE FLORENCE


- romance de época

- passado na Inglaterra da metade do século 19

- parte da série Cupidos em Devon (livro 2)

- tem uma série própria - Favores aos Richardsons

- cenas hot, 18+

- sinopses, links, detalhes e tal, aqui

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

DATAS: mês de Agosto, mais ou menos

COMO SERÁ FEITO: 

O 'Café' será feito no Facebook pelo querido Clube do Leitor Correspondente. Entre para esse clube lindo!

O 'Florence' será feito no whatsapp.

PREMIAÇÃO & SORTEIOS:

- ao final de cada LC: sorteios de livros meus e de Jane Austen

- marcadores & mimos para todos que publicarem avaliações na Amazon & redes sociais

- mimos especiais para quem incluir a capa do livro na foto do perfil das redes sociais

- sorteio de mimos & marcadores para quem comentar no Facebook e redes sociais


VENHA PARTICIPAR TAMBÉM!

me mande mail que te insiro na brincadeira

moirabianchi@yahoo.com



domingo, 18 de outubro de 2020

Maquiagens, perfumes e outras coisas adoráveis

 Olá, 

o título deste post poderia ser um romance, não é mesmo?

devaneio meu, obra de J Caraud - La toilette, 1858

.

Adoro o assunto, tenho pesquisado bastante sobre cosméticos, o acesso que as mulheres tinham aos produtos e até receitas. Havia muita coisa perigosa, chumbo e arsênico eram ingredientes comuns. Também a cultura de que quanto mais pálida, mais bonita a moça. Tinha quem recomendasse banhos de imersão em solução de arsênico, cobrir o corpo de pó branqueador e até pintar veias nos braços para parecer translúcida.

Moda que fala, né? Nem sempre é bacana, mas sempre é seguida por muitas.

cartoon famoso do sec 18 mostrando o passo-a-passo de maquiagem feminina, pinterest

Note que, para a dama de sociedade, a moda era parecer PÁLIDA; já para as damas mudernas, do teatro ou da vida fácil (tsk, tsk), a moda era colorir a face, parecer saudável, bochechas rosadas.


Quero falar de marcas famosas que ainda existem, ainda são famosas e respeitadas, que evoluíram os métodos segundo a ciência.

BULY, 1803

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Francesa, linda, maravilhosa, vintage, dá-vontade-de-ter-tudo, a Buly mantém o visual antiguinho e produtos prá lá de charmosos como Poudre de fleurs de lavande (pós de flores de lavanda, para exfoliação no banho) e Gomme de chios (o mais antigo chiclete do mundo). Fundada no início do século 19 na Rue Saint-Honoré, ela continua firme e forte até hoje. O site oficial conta: 'Conhecido por seus talentos como destilador, perfumista e cosmético, Jean-Vincent Bully em 1837 inspirou Honoré de Balzac no personagem de César Birotteau, um dos romances de Scènes de la vie Parisienne em A comédia humana. Ao longo da época de ouro da beleza que viu a invenção das primeiras fórmulas na cosmética e na perfumaria moderna, a farmácia consolidou-se como referência.'

PEARS, 1807

art prints on demand

O sabão transparente Pears é uma marca de sabonete produzida e vendida pela primeira vez em 1807 por Andrew Pears, em uma fábrica perto da Oxford Street em Londres, Inglaterra. Foi o primeiro sabonete translúcido do mercado de massa do mundo, eventualmente distribuído mundo afora. A marca adquirida pela Lever Brothers, agora Unilever, em 1917, e os produtos sob a marca Pears são atualmente fabricados na Índia. 

Ainda disponíveis fora do Brasil.

BOURJOIS, 1863

bourjois . com
Começou na França fazendo 'batons' - barras de maquiagem - para o teatro e a 'little round pot blusher' ou latinha de blush que foi marca registrada da empresa. Em 1879 já atingia o grande público. Daí para frente, a marca ganhou força.

E o little round pot ainda está disponível hoje em dia! aqui

GRANADO, 1870

propagandas históricas

Brazuca, bacana e vintage, a Granado é carioca da gema. O site oficial conta a história do fundador. 'Quando adquiriu a botica de Barros Franco, em 1870, José Coxito Granado buscou incrementar o comércio farmacêutico nacional trazendo representações de várias empresas da Europa e cercando-se dos melhores profissionais da área. Em 1899, uma farmácia da rua Primeiro de Março (no centro do Rio de Janeiro) já era uma das mais respeitados da cidade, e José Coxito viu a necessidade de montar um laboratório para atender a pedido de pedidos. Com 15 anos de funcionamento, tornou-se insuficiente novamente. Em 1912, então, Faith adquirido um “grande” predio na rua do Senado, nº 48, para que ali fosse montado um laboratório modelo. O “Laboratorio Chimico-Pharmaceutico de Granado” fé equipado com uma tecnologia mas avançada de sua época, sendo considerado um dos maiores e melhores da América do Sul.' Granado Antisséptica foi a primeira linha de Granado, hoje tem desodorante, talcos para os pés e sabonete facial. 

Disponível até hoje, ainda bem! Aqui.

SHISHEIDO, 1872

site oficial

Começou com a fundação da primeira farmácia ao estilo ocidental em Ginza, região de Tóquio. O site oficial nos conta assim: 'A origem do nome Shiseido vem de um texto chinês clássico, o“ Yi Jing ”(“ Livro das Mutações ”), que diz:“ Elogie as virtudes da grande mãe Terra, que nutre uma nova vida e traz novos valores ”. O nome da empresa expressa uma forma de pensar de “estilo oriental, aprendizado ocidental” que inclui a determinação de criar uma nova cultura, construir um novo negócio baseado na medicina ocidental e um nome inspirado na filosofia oriental. Reunir medicamentos de alta qualidade com essa forma inteiramente nova de administrar uma farmácia foi difícil no início. No entanto, a ideia de produtos de alta qualidade, avançados e autênticos veio a ser entendida, e o nome da Shiseido tornou-se conhecido entre as pessoas e confiável como uma farmácia.' A grande inovação foi o lançamento de pasta dental, fina e delicada que não estragava os dentes como os pós dentifrícios que eram mais ásperos. Até a marinha japonesa gostou porque fazia menos sujeira. 

'A Shiseido entrou no mundo dos cosméticos em 1897 com o lançamento da Eudermine. Embora outros cosméticos no mercado na época usassem nomes japoneses, Eudermine foi feito do grego eu, que significa bom, e derma, que significa pele. Veio em uma bela garrafa de vidro e foi carinhosamente apelidado de “Água Vermelha da Shiseido” por causa da cor viva da loção que lembra o vinho tinto. Embora a fórmula do Eudermine tenha sido aprimorada com avanços científicos e sua embalagem reprojetada inúmeras vezes, é um produto de longa data que ainda é o favorito entre muitas pessoas desde seu lançamento, há mais de cem anos.'

Olha ela aqui.

NIVEA, 1911

daily vanity

Neste ano, dois médicos se uniram para criar o primeiro creme estável à base de óleo em água do mundo que pudesse ser replicado para produção em massa. Sua fórmula foi ajustada minimamente para acompanhar os avanços científicos e permanece praticamente a mesma desde seu início. Ele vinha originalmente em uma lata bege com design floral, mas em 1925, foi alterada para uma lata azul com letras brancas simples - o mesmo design que ainda é uma visão familiar em nossas farmácias hoje!

Sempre bom e sempre útil, ele está aqui.


PHEBO, 1930

cariri das antigas

Brazuca e Paraense, a Phebo ainda é uma referência para nós. O famoso e cheiroso sabonete preto Odor de Rosas de pau-de-rosa, sândalo, cravo da Índia, canela e mais um monte de ingredientes foi o primeiro produto e o mais famoso até hoje. O site oficial diz que ele fez muito sucesso porque o comum na época era o retangular sabonete de coco e o deles foi revolucionário. O Cariri das antigas explica bem, diz que a fábrica se dedicava a produtos de limpeza da pele, dentes, higiene pessoal  e que o 'otto de rosas' foi baseado no famoso PEARS SOAP.  Já 'em 1946, em um passeio pelos Alpes Suíços, Mario Santiago ficou admirado com a beleza local e particularmente atraído pelo perfume de uma florzinha roxa, a Alfazema. A Perfumaria voltaria a inovar com o lançamento da Colônia Seiva de Alfazema. Apesar da flor não ser cultivada no Brasil, devido às condições climáticas, a fragrância tornou-se uma das preferidas entre os brasileiros.'

Deu saudade, o sabonete preto delicioso está aqui.

pinterest

Bacana, né? 

As Vitorianas eram modernas, cuidavam da beleza, faziam depilação e banhos de hidratação. Sempre que entro nesse assunto, me perco descobrindo que elas eram como nós, tão avançadas e vaidosas como podiam ser.

Acho essa pesquisa muito legal!

Até mais,

M.

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e meus arquivos pessoais.




quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Quantos Duques e Condes existiam de verdade?

 Olá, td blz?

Aqui ando na hype do lançamento de um novo projeto, 'LORDS IMPERFEITOS'. Eu e minha bestie Lucy Dib criamos uma série de romances sobre homens nobres perfeitamente estragadinhos.

Historical Hottie: Nathaniel Hawthorne, autor de 'A letra escarlate', 1841 - pic do wiki

Os homens de título são os queridinhos do romance de época, vamos assumir logo. Todo mundo quer ler & sonhar com um Duque, um Conde, até um Baronete quebra o galho. 

Austen gostava muito de Baronetes, tinha em O&P (De Bourg) e Persuasão (Elliot). Até fiz um quadrinho inspirado naqueles lindos-de-morrer do The Guardian - Austen em números. 



Nas obras, Austen menciona poucos nobres, menos ainda como possíveis maridos, talvez porque não convivesse com a nobreza. Tem o anônimo que casa com a irmã de Mr Tilney em Northanger Abbey, e o primo escroque herdeiro do pai de Anne Elliot de Persuasão.

Mas uma rápida pesquisa no Google ou na Amazon, vemos que herói de romance de época quase sempre é um nobre. De preferência Duque. Eu mesma tenho um romance recheado de Duques, um monte!

ebook e brochura


Em All those Dukes, por conta de uma fofoca antiga de família, a heroina - uma cientista dos primórdios da antropometria - precisa listar e visitar todos os duques do reino. O ano era 1855, e eu pesquisei um monte para saber quem e quais eram esses.

No livro entraram com outros nomes, eu sempre faço mudanças porque não faço biografias.

Wellesley, o Duque de Wellington, que empresta o nome a Kin de CUPIDOS EM DEVON era um historical hottie. Huba, huba! pic do wiki

Quando menciono personalidades, como no 'DILEMAS EM LEILÃO' da série CUPIDOS EM DEVON, escrevo e reescrevo mil vezes. Imagina dar falas à Rainha Victoria?!

chezzburger


Kin, o mocinho de Dilemas em Leilão tem títulos de nobreza, recebidos de forma extraordinária, que me levou a meses e meses de pesquisas, infinitas discussões com amigas sapientes da nobreza do século 19.

Mas vamos aqui ao que interessa.

QUANTOS DUQUES EXISITAM NA ERA REGENCIAL?

&

QUANTOS CONDES EXISTIAM NA ERA VITORIANA?

Por que Condes e Duques, e porque nessas datas?

É a nossa série LORDS IMPERFEITOS! Em cada romance há um nobre (cheio de defeitos) e Lucy gosta de ficar na era de Jane Austen - a Regencial (primeiras décadas do século 19), já eu sou vidrada (por enquanto) no ano de 1855.

A maravilhinda Geri Walton já fez uma pesquisa de responsa sobre os duques na era Regencial, listados por idade casamenteira, quantos eram solteiros, quantos eram amigados, estavam em ménage e etc. Um mimo de post!

Pessoalmente, adoro saber quem & quantos poderiam estar disponíveis no ano que eu loco minhas histórias, mas para o que eu quero comentar, basta o número geral: 

31 DUQUES em 1815

Bastante, não é mesmo? 

Esses guapos tinham filhos, herdeiros, primos olho-grande, etc, etc. Três dezenas de possibilidades. O 'Duque de Shropshire' do 'O DUQUE MUQUIRANA' se passa na era Regencial e por isso, ele é um piteuzinho mal-humorado, solteiro e órfão, que faria 32. Falei que ele é gato?

169 CONDES em 1853

Uma galera!

Nesse grupo enorme, certo que tinham vários em idade casadoira, portadores de grande fortuna em busca de uma esposa. E falidos também... 'O CONDE SOVINA' se passa em 1855, o que faz do 'Conde de Itsdale' o nobre nº 170  - solteiro, avesso a casamento, mão fechada, bem-humorado e guapo.

Você imaginava que havia tantos?

Imagina todas essas famílias endinheiradas, cheias de poder, frequentando a corte, ditando ordens... Seria mais ou menos como ter centenas e centenas de deputados e senadores? Devia ser brabo viver nesses dias...

Interessa saber certinho quais eram solteiros? De certo que não eram os 612 duques que achei na Amazon... 



O que nos interessa mesmo é ler esses homens maravilhosos e suas agruras conquistando a mocinha acanhada, né?

Termino com a primeira imagem do Duque e do Visconde da nova série da Netflix baseada na série de Julia Quinn que sai no dia de Natal.

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Ho, ho, ho!


Até mais,

M.

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