& Moira Bianchi: agosto 2026

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O Clube de Florence - romance de época (pré) Vitoriana - livro 2 da série Cupidos em Devon

 Olá!

O Clube de Florence está voltando!


A excitante história da busca pelo final feliz da moça renegada pela sociedade por ter entregue sua inocência fora do casamento ganha novas cenas, nova capa e ilustrações! E até, uma lista de músicas para inspirar a jornada de Florence.

Até aqui, Florence teve uma vida difícil.

Depois de mais de uma década presa em sua própria redoma remoendo cicatrizes na alma e no corpo, em companhia de seu irmão Oscar 'Cary' Devon, Florence foi surpreendida pela reviravolta de ser abandonada na amargura. 

Cary preferiu abraçar a vida nova assumindo o amor fulminante que sentia por Pauline Hopkin. Nesta nova vida de recém-casado, Cary não tinha mais espaço para a irmã.

Decidida a ocupar o lugar que Pauline deixou na família Hopkin, Florence se mudou para o aconchego de mãe e irmãos postiços. 

Essa escolha corajosa iniciou uma reação em cadeia que a atingiu em cheio, como maré em dia de tormenta.

Agora ela precisa lidar com inesperados e excitantes desafios, especialmente o proposto pelo melhor leiloeiro de toda Londres, o intrigante e misterioso Richard Richardson.

Summer (1890), Thomas Wilmer

Leia o trecho emocionante que ofertei na Bienal do livro de São Paulo de setembro de 2026.


Aquela dama de sociedade que tinha acabado de virar família do seu patrão era refinada, tinha estudo, cultura clássica e atitude - para a infelicidade de Richard Richardson. 

A mulher bonita de pele tão intocada pelo sol nunca deve ter se ocupado de uma trouxa de roupa na vida, mal deve saber que existe um utensílio chamado vassoura e, com certeza, jamais enfrentou uma tina de água gelada no inverno. Mas ela passou míseros dois dias da viagem estudando os livros de Srtª Pauline – agora sua cunhada, Sra. Devon – e conversando com seu novo concunhado Sr. Hopkin, e todo esse exíguo conhecimento parecia-lhe suficiente para ditar ordens a ele que tinha anos de experiência em leilões.

Que audácia!

Era em momentos assim que Richard Richardson sentia mais forte doer sua inferioridade, prendia os dentes a ponto de marcar sua mandíbula na pele das bochechas, apertava os olhos azuis, as grandes orelhas ficavam vermelhas, mas ele não respondia. Ainda mais para uma dama como aquela, tão bela e arrogante. 

Os leilões eram apinhados delas, várias e elegantes, gordas, magras, altas, baixas, bem-vestidas, exageradas, tristes, felizes; mas como aquela, raramente via. 

Srtª Devon parecia que havia acabado de sair de uma redoma de vidro. Era beleza etérea de rosto oval, olhos cor de mel com brilho mordaz, cabelos castanhos perfeitamente penteados, lábios cheios e sempre apertados – a não ser quando proferiam as mais vis críticas sobre o funcionamento do leilão.

O embate entre ele e a linda dama foi tão tenso que o jovem Sr. Hopkin encurtou a reunião dizendo que, como haviam acabado de chegar da estrada, iriam para casa se refrescar.

— Estaremos na mansão Devon, Richardson. Amanhã pela manhã, mais descansados, vamos trabalhar para organizar todos os detalhes a tempo. 

— Pois não. — Richardson respondeu polidamente. Por dentro, silenciosamente, ensaiou dizer: Mulheres bonitas sempre acham que podem mandar, mas aprenda que, na verdade, seu papel é enfeitar o evento, senhorita. 

Era uma harpia elegante, esbelta e absolutamente nenhuma palavra gentil para Richardson. Para ser sincero, ela não lhe faltou com a cortesia, apenas lhe era indiferente e agia com superioridade.

E para ele, isso era difícil de aturar.


No dia seguinte, com a paciência descansada, ao entrar no salão dos leilões pela porta dos fundos, Richardson parou no meio do depósito ouvindo a linda melodia que enchia seus ouvidos até esquentar o peito, subiu devagar seguindo o canto de uma sereia.

No átrio do salão, encontrou o jovem patrão virando páginas de partitura para a megera tocar com tamanha maestria que Richardson ficou estupefato.

As delicadas mãos de dedos finos corriam pelas teclas do antigo órgão igual a gotas de chuva em folhas novas. Era natural, simples e, no entanto, se assemelhava a um milagre.

Ele não tinha cultura musical suficiente para apontar erros, mas só notava uma nota desafinada porque era frequente, sempre que a mão esquerda de dedos ligeiros chegava perto do limite direito do instrumento.

Richardson ficou parado na beirada do hall assistindo por tanto tempo quanto lhe foi permitido, duas ou três músicas. Teria ficado por horas se ela não tivesse parado e o patrão, acusado sua presença.

— Richardson, bom dia! 

— Bom dia, Hopkin. — Ele fez uma reverência. — Srtª Devon. 

Florence meneou a cabeça, coluna ereta e permaneceu muda.

— O que achou do instrumento, Flo? Tem potencial? — Kin voltou-se para Florence sentada no banquinho.

Ela balançou a cabeça de lado a outro devagar. — Sim... Já existem pianos bem mais modernos com dois pedais e seis oitavas, este órgão precisa de afinação... Talvez trocar algumas cordas. Foi negligenciado aqui neste canto, imagino. 

— Srtª Pauline decidiu manter como adorno. — Richardson respondeu. Estaria a megera insinuando que ele não cuidava da casa? 

— Ninguém toca este monstro, recebemos como parte de um lote, mas o avaliador disse que renderia pouco. Deve ser por isso, é antigo demais. Certo, Richardson? 

O leiloeiro concordou, dentes presos em irritação. — Na temporada passada, com o conjunto de cravos Kirckman e Shudi. — Ficou satisfeito em notar que a megera se surpreendeu ao ouvi-lo falar dos renomados fabricantes de instrumentos musicais.

— E não venderam junto? — Ela perguntou.

— Depreciaria os outros itens. — Richardson explicou, ela levantou as sobrancelhas. — Não concorda? 

— Não vi os cravos. — Deu de ombros. — Tenho dom para a harpa, piano só aprendi o que era de praxe. Toquei aqui por curiosidade.

Ele pensou na linda megera com uma harpa entre as pernas, tocando o enorme instrumento ainda melhor do que tocou aquele instrumento velho e sua libido respondeu antes de sua mente reagir horrorizada. 

— Acho que vale a pena mandar para reforma, trazer minha harpa, talvez um flautista?... 

— Ah, ótima ideia, Flo! — Kin se recostou no órgão e cruzou os braços no peito. — Seria ótimo entretenimento para o leilão principal da nossa temporada. Richardson? 

— Concordo.

— Nossos lotes, como estão? 

— De boa qualidade, farão volume de vendas. Ainda hoje receberei um cavalheiro que diz ter uma preciosidade para nos oferecer. 

— Ah! — Kin inclinou a cabeça. — Sabemos o que é? 

— Quadro, um... — Richardson checou o bolso do colete, puxou uma caderneta, folheou. — Falero.

Florence se contorceu no banquinho do piano. — Lesley! — Kin olhou para ela com ira, ela abriu mais os olhos. — Posso falar com você em particular?

Prevendo que a megera ia ocupar a atenção de seu patrão como no dia anterior, Richardson achou melhor interferir; negócios eram mais importantes que ataques de coquetice de damas solteiras. — Hopkin, temos assuntos a tratar. — Ele fechou o rosto também. — Aquele assunto que falamos antes de sua viagem precipitada... 

Kin, ainda contrariado por ter sido chamado por seu apelido de infância na frente do austero empregado, rosnou. — Me lembre o que é.

— Um assunto particular.

— Lesley, agora! — Florence insistiu achando que o leiloeiro disputava com ela a  atenção do sobrinho postiço.

Richardson checou o relógio barato preso por uma correntinha na cintura da sua calça. — Logo o cavalheiro do quadro estará aqui, seria bom falarmos antes que ele chegasse, Hopkin. 

— Lesley! 

— Diabo te carregue, Flo! — Kin levantou a voz, ela estremeceu ofendida. — Não me chame de Lesley! Quantas vezes tenho que pedir? — Bateu o pé no chão como um menino de oito anos. — Apelido infernal que me persegue, implorei que Lynn não usasse na frente dos outros, agora, todos me chamam assim! — Resmungou. — Fale logo o que é!

Muito contrariada, ela desviou os olhos para o leiloeiro.

— Ande, diga! Richardson sabe de tudo sobre o negócio, Lynn não te contou? 

Ela contorceu os lábios, mediu palavras, arriscou olhar para o leiloeiro. — Falero é um artista obsceno.

— Como? — Kin fez uma careta.

Ela corou até a raiz dos cabelos. — Ele só retrata mulheres desnudas, bruxas, ninfas, messalinas.

— Como sabe?

— Eu conheço arte. — Florence abaixou a voz. —Esse está despontando na Espanha, ao que parece faz muito sucesso. 

— Mas é de baixa qualidade o que ele produz? Vulgar? Vai depreciar nossa casa? 

— Não!... — Ela piscou várias vezes. — Já vi um esboço que ele fez de uma... Errr... Dama. É belíssima a arte, talento nato. 

— Então quero ver, Richardson. 

— Les... — Florence tentou, mas o olhar de ira do sobrinho a fez engolir o apelido no meio. — Kin?... Sr. Hopkin? 

Ele revirou os olhos, Richardson tossiu para esconder o riso. — Kin está bom, Flo. 

Ela corou ainda mais, sentada olhava para cima, pois os homens continuavam de pé, e como estavam afastados ela virava o rosto de um para o outro sentindo-se profundamente desconfortável. — Não são dignos de ser expostos perante damas... 

— Nem todas as damas são recatadas como você. — O jovem rapaz abriu um meio sorriso caridoso. — Foi a dama que serviu de inspiração quem te mostrou a arte?  

— Não sei em quais condições foi composta a obra, mas, na verdade, recebi de presente. — Florence entrelaçou os dedos, mãos presas no colo.

— Quer vender? — Kin perguntou, Florence sacudiu a cabeça. 

Richardson podia jurar que viu fogo relampejar naqueles olhos cor de mel, ela parecia impaciente.

— O que quero dizer, e você falha em compreender, é que esse pode ser um tipo de quadro que se tem no boudoir, Kin, mas que só se mostra para os mais íntimos. Ninguém de bom tom vai comprar na frente dos outros. 

— Ah!... — O jovem coçou o queixo. — Agora entendi.

Richardson balançou a cabeça. — Senhor, isso leva ao outro assunto. 

Kin franziu a testa ainda coçando o rosto. — Sabe que mal me lembro? Tanta coisa aconteceu desde que saí daqui... Lynn aceitou proposta de casamento de Cary, contraiu núpcias, eu desencavei segredos de família, Flo veio nos ajudar; agora, me preparo para começar os estudos... — Ele sacudiu a cabeça. — Por favor, me refresque a memória. 

— Na frente da dama?

— Sim.

Richardson prendeu os dentes por um momento. — Antes não queria que Srtª Pauline estivesse a par desses trâmites...

— Flo é diferente de Lynn. — Kin trocou olhares com ela. — É minha parceira, pode falar. 

— Hopkin?... 

— Fale, homem! 

— Pois bem. O corsário trará o Falero com o carregamento de whiskey que encomendamos.

Kin bateu as mãos uma vez, olhos arregalados. — Me esqueci completamente, homem! Já é hora do recebimento?

— Provavelmente, faz tempo que ele não aparece aqui e, agora, pediu para marcar essa reunião.

— E os vinhos Franceses?

— Semana que vem.

— Bom. — Kin balançou a cabeça devagar. — A tempo de leiloarmos tudo antes do início da temporada. 

— Precisamente. Já tenho quase tudo pronto para deixar a notícia correr nos clubes de cavalheiros.

— Esperem! — Florence mostrou a palma. — É um leilão clandestino? — Os dois homens assumiram expressões vagas nos rostos. — Whiskey é proibido no país. — Ela apertou os olhos. — E esses vinhos, o que têm de especial? 

— Veja bem, Flo...

— Kin, não tente me enrolar. — Florence levantou o longo dedo indicador em riste. — Conto tudo para Lynn e para Cary. Já viu meu irmão contrariado? — O rapaz uniu as sobrancelhas como uma criança. — Então, sabe que é algo a se evitar. 

— Todos consomem whiskey, só não compram livremente. Temos família em Scot, eles aprimoraram uma pequena destilaria até chegar a um produto excelente, pergunte a Cary! — Kin gesticulava com veemência. — Dei a ele uma garrafa de presente de casamento.

— Eu mesmo enviei quando Hopkin me escreveu, senhorita, do nosso estoque reservado para clientes especiais.

— Ele adorou. Cary entende das coisas. 

— E ele sabe que está agindo fora da lei? 

Kin abaixou os ombros. — Não é assim tão ruim... 

— É, sim.

— Contei a ele que tenho umas garrafas enviadas pelos parentes. 

— Mas tem muitas.

— Teremos. — Richardson interveio.

— Por que o corsário?

— Mais seguro vir por mar que por terra.

Ela balançou a cabeça. — E o que ele tem a ver com a pintura obscena? 

O leiloeiro deu de ombros. —Provavelmente ganhou do artista ou da modelo. — Ele disse por perversidade, sabia que a megera ia corar. E ela corou como um morango maduro.

— O importante, Flo, é que esse leilão será especial, só para cavalheiros. — Kin explicou muito empolgado. — Mais tarde à noite, itens especiais, boa comida e bebida, mesa de jogos com um crupier que trabalhou no Fishmonger, será evento de alta classe e dinheiro solto.

— E oferecerá moças? — Florence piscou.

Neste momento, por um lampejo, Richardson julgou ver nos olhos amendoados da megera algo bem mais profundo que uma dama fútil, rica e solteirona, porém, não conseguiu identificar o que – foi rápido demais.

— Claro que não! — Kin respondeu horrorizado. — E pouca bebida será servida, quero vender meus produtos. Bêbados compram e não pagam, quero ter lucro alto.

Florence piscou seguidamente e sacudiu a cabeça. — Desgosto disso. 

— Farei bom dinheiro. — Kin sorriu. — Faremos. — Esticou o braço sobre o ombro do leiloeiro. — Richardson é meu sócio minoritário, o Conde de Brakenbury em maior volume.

Ela juntou as mãos no peito, rosto pálido. — Quando Lynn souber disso!... 

— Não conte!

— Lesley!

— Diabos! — Ele reclamou.

— Isso é coisa de criança, está brincando com fogo, merece ser chamado de Lesley.

— Engana-se, senhorita. — Richardson se intrometeu na discussão que considerava ridícula. — São negócios de cavalheiros sérios, homens de luta, de palavra. Sob a lei, sim, em parte. Mas não há nada de infantilidade aqui.

Florence prendeu os olhos nos dele, o leiloeiro manteve-se firme. — Vejo que estão decididos e minha opinião é irrelevante. — Ela disse secamente. — Entendo que sequer pediram-na, ofereci livremente por impertinência.

— Flo... — Kin suspirou. — São negócios.

— Pois bem. Prometi a Pauline que ajudaria e o farei no que posso. Conheço arte, posso avaliar e separar os lotes para alcançarem maiores lucros. E será só esta minha participação no evento principal.

— Desiste de tocar para encantar os clientes? — Richardson disse antes de perceber que se traía. — Nunca ouvi nada tão belo. 

Florence corou mais uma vez, tão forte que uma gota de suor apareceu em sua testa. — Eu jamais seria capaz de me apresentar em público.

— Devia. — Ele insistiu.

Ela sacudiu a cabeça, levantou-se do banquinho ereta e ofendida. — Se era minha opinião sobre o instrumento que precisava, Kin, já tem. Voltarei para casa. — Alcançou seu bonnet, luvas e bolsinha na mesa lateral.

— Espere, Flo. — O jovem parecia triste. — Combinamos de visitar o depósito e começar a ver as peças.

— Podemos fazer isso em outro dia que não tenha reuniões tão importantes como as de hoje. — Ela fez uma mesura curta. — Bom dia, senhores.

Richardson entendeu que a indireta foi para ele.

Florence tinha consciência de que não era amiga de Richardson, eram só pessoas capazes de ter convivência tranquila. Com o passar dos meses, passou a ir à casa de leilões sempre. Naquele dia, Florence passou a tarde toda no escritório e só foi para casa na hora do chá. 

Ao ser servida, ela notou a pequena colher de cabo trabalhado em ourivesaria que a criada lhe trouxe. Pensou no jogo de garfos que deixou de lado no depósito da casa de leilões por não saber como catalogar. Se era um faqueiro, por que todos os talheres não estavam juntos?

Sem perder tempo, ela chamou o cocheiro e voltou à casa de leilões para revirar tudo até encontrar todas as peças e organizar em uma caixa. Tão determinada, passou a mão no xale e sequer considerou chamar sua criada, pois sabia que seria uma visita rápida. Como um jogo de peças pesadas poderia ser ocultado? Claro que encontraria os talheres perdidos rapidamente!

Apesar da temperatura amena, ela se enrolou no xale cobrindo ombros e cabeça e apeou da carruagem assim que o lacaio abriu a porta da cabine. Já escurecia, mas a pouca luz da tarde lhe permitiu entrar pelo hall principal, trancar a porta e descer as escadas até o depósito. Pensava em ir direto à mesa central acender o castiçal grande com a tinder box que ficava na gaveta quando ouviu barulho, alto.

Florence gelou.

Encostou-se na parede da escada, pensou no que fazer. Deveria voltar correndo para seu cocheiro que a esperava? Por que não pediu que sua criada a acompanhasse? Tantas vezes ela se ofereceu para ajudar...

Era barulho de homens alegres, Florence distinguiu. Muitos. Conversavam animados, xingavam. Provocavam alguém.

Curiosa e apavorada, ela desceu os últimos degraus devagar, apertou o xale em volta do rosto, se esgueirou para trás das estantes do fundo e boquiaberta perdeu a respiração ao ver Richardson levar um soco no peito.

Gritaria se sua voz não tivesse morrido na garganta. Paralisada de medo, ela assistiu o leiloeiro bater no homem de volta, os outros homens formando um círculo em torno deles, todos com o torso desnudo, descalços, suados. As mãos em punho, rosto contorcido em concentração irada, ele atingiu o outro homem com um soco no ombro, os outros em volta aplaudiram e gritaram ordens, incentivos! 

Deveria subir as escadas correndo, pedir ajuda, salvar a vida de Richardson e o negócio de Kin. Mas ela ficou onde estava, mal respirava. Isso também se devia ao fedor de homens suados que ao mesmo tempo era odioso e excitante.

Aos poucos, de olhos arregalados, Florence notou que não era um ataque ou roubo, era luta por esporte! O leiloeiro batia e apanhava na mesma medida, grunhia e gritava, xingava palavras que ela jamais pensou existirem. Sua respiração era alterada, barulhenta, como um animal selvagem lutando pela vida.

Ele era a imagem da... virilidade. Ela, que poucos momentos antes não conseguia respirar, viu-se ofegante, seu corpo aquecido, segurava a estante com força: torcia por Richardson!  

Lutaram em socos e tapas somente onde não havia roupas, ela notou que a nudez servia para determinar onde era permitido atingir, até que o adversário levantou o braço e apontou para o alto. Richardson riu, bateu palmas e a luta simplesmente acabou. 

Os outros homens aplaudiram junto, houve uma breve discussão e outra dupla assumiu o centro da roda para uma nova luta, recomeçando o divertimento. Revezavam-se na atividade com prazer estampado em seus rostos, torciam ora por um, ora por outro, encorajavam golpes mais fortes, mais violentos.

A atmosfera pesada com odor forte e denso ajudava a fazer Florence entrar em uma espécie de torpor, sabia que não deveria estar ali e não conseguia deixar de admirar o espetáculo de masculinidade crua.

Ela somente via aquele segredo por ter ido à casa de leilões inesperadamente, não deveria saber daquilo. Especialmente naquele dia que ele a havia ajudado tanto, sido tão atencioso, organizado os documentos para ela despachar rápido... ah! Ele queria esconder dela que haveria a reunião de homens selvagens!

Quinta-feira – seria toda semana?

Excitada com a possibilidade de que realmente tivesse descoberto uma parte tão eloquente da intimidade de Richardson, Florence o observou enquanto ele torcia pela briga ocorrendo bem em frente a ela. Como ele estava de costas, ela via os músculos flexionando quando ele gesticulava e batia palmas, seu rosto de perfil quando falava com outro homem, as horríveis marcas vermelhas já começando a arroxear nos ombros e costelas. 

Era um homem grande mesmo que menor que Devon, a pose elegante permanecia intacta apesar da falta de vestimentas e dos duros golpes que recebeu, as fortes mãos grandes ela via bem apesar da luz que tremia com os movimentos abruptos dos homens: manchas vermelhas nos punhos denunciavam as feridas criadas no... esporte? Brincadeira?

Como ela nunca notou suas mãos machucadas antes? 

Richardson nunca esteve com olhos roxos ou mancando, a regra de costume deveria ser atingir somente no torso que poderia ser facilmente escondido.

Dentro de Florence havia uma revolução começando: medo a manteve parada atrás da estante assistindo por quase uma hora sem arriscar respirar alto, também fascinação pela figura descabelada, suada e machucada do leiloeiro sisudo. Era absolutamente... Viril!

Robusto. Sensual.

E na confusão rondando sua mente, em todas as emoções circulando seu corpo, ela só lembrava de sua mamma postiça, Sra. Hopkin, e suas explicações. Sentia acontecer em suas partes exatamente o que ela descreveu.


Bem vinda ao Clube de Florence.

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PRÉ-VENDA LIVRO FÍSICO

Saiba detalhes & curiosidades da série CUPIDOS EM DEVON aqui.

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Mulheres desonradas

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