quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O piano na preparação de moças casamenteiras da Regência

Olá,
Sigo na perseguição da plena educação para tornar-me uma lady a preparação de moçoilas para o matrimônio, de preferência com cavalheiros de posses ou membros da nobresa.
Nesta caminhada, as amigas são de grande ajuda. Fran, fair lady Janeite, ofereceu este artigo tão bacana sobre a importância do piano na educação feminina nos tempos da Regência, época de Jane Austen. E isso abriu uma caixa de Pandora.
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'a lady playing a spinet' de CVHolsoe
pic do Twitter
Me interessei na hora!
Daí, conversamos sobre, pesquisei e... 
A coisa tomou fermento!

O instrumento gera muita discussão bacana, tem muita fonte de pesquisa e tudo acho interessante. 
Então resolvi dividir em 4 posts.
Esse é o 2º que tem o artigo original
O piano na Era da Regência
com meus comentários abaixo.

Neste, conto e mostro tipos de pianos usados na Regência e era Vitoriana e seus antepassados. 
Falo de alguns virtuosos e faço uma breve introdução ao que será discutido.

Ao final, incluo links para os dois outros
O piano e a música para Jane Austen
aqui localizo o instrumento na vida e nas obras da Diva



Vamos ao artigo.
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spirit, GRoux, 1885



Piano na Era da Regência  

O piano 
 O piano era um símbolo proeminente de classe e prosperidade, entre outras coisas, durante os séculos 18 e 19. Símbolos como esse visto em Orgulho e Preconceito de Jane Austen são um aspecto crucial para um romance poderoso. O período de Austen era drasticamente diferente do nosso, no entanto, e isso é importante para entender como o significado de símbolos culturais mudaram ao longo do tempo


Reconhecer como os símbolos mudaram, 
e compreender os significados que costumavam ser associados a eles, 
é crucial para uma interpretação fidedigna do texto. 

É muito importante entender que nos séculos 18 e 19 o comportamento social do piano, como sua importância e significado no presente, diferem grandemente do seu significado simbólico anteriormente. Se forem compreendidos, uma  interpretação do texto não será precisa, e por isso é tão importante pesquisar e descobrir os simbolismos do período da autora, a Era da Regência.  
Piano Classics from the World of Jane Austen
CD disponível na Amazon
Papel de gênero do piano 

 Há uma conexão significativa entre o piano e o sexo feminino. 
Os estudos de piano eram mais comuns para meninas do que meninos naquela época. Como explicado no artigo “Woman in Piano Pedagogy” (em tradução livre Mulheres na pedagogia do piano) por Debra Brubaker Burns, Anita Jackson e Connie Arrau Sturm, o piano era considerado um perfeito passatempo para uma senhora bem-criada no século 19.  
As mulheres eram encorajadas a entreter seus visitantes e familiares com suas performances, mas desencorajadas a procurar carreiras como musicistas, porque isso era considerado “uma profissão muito fatigante para mulheres” como dito pelo editor da revista inglesa de música “World” em 1939. Buscar uma carreira musical não era aprovado, mas uma quantidade crescente de mulheres começou a tocar para ganhar renda e, assim, maior independência. Entre 1852 e 1881, o número de musicistas mulheres triplicou, como explicado em “Woman in Piano Pedagogy”. 
Em O&P, Mary é frequentemente encontrada tocando piano, e ela também é muito independente, assim sua performance é possivelmente uma manifestação social de Austen falando contra os direitos limitados das mulheres. 
Jane Austen Entertains: Music from her own library
mp3 disponíveis na Amazon - dá para ouvir trechinhos

Como dito por Mary Burgan, tocar piano era o indicador de status social assim como um dos feitos da mulher da sociedade refinada. 

Como nós podemos ver, o papel dos pianos mudou drasticamente. Em nossos tempos modernos, o piano não tem correlação com o gênero. Meninos tocam piano, meninas tocam piano; tem o mesmo sentido de um garoto ou garota indo à faculdade. No passado, era algo que só homens faziam. No século 21, é comum para ambos os gêneros frequentar faculdade. 


Esse é outro exemplo de como os sentidos e a implementação 
de diferentes coisas na sociedade mudaram com o tempo. 

Agora o piano não tem nenhuma associação que costumava ter; é simplesmente um instrumento, assim como o violoncelo e/ou trompa. Enquanto muitas famílias de classe alta, com frequência, possuíam um grande piano e um lugar em sua larga sala de visitas, o piano era em si, algo desfrutado e praticado por todas as classes.
  
Relevância e Significado do piano na Era da Regência  
 A maior importância do piano era fazer as jovens damas mais atraentes para o casamento, enquanto simultaneamente atuar como um símbolo das posses da família. O piano se tornou um instrumento onipresente nas casas burguesas. Garotas de posses com frequência começavam a tocar piano desde cedo e continuavam a aperfeiçoar suas habilidades até se tornarem mais velhas e mais maduras. Apesar de fazer a mulher mais atrativa para o casamento ser a razão mais importante para tocar piano, havia também outras razões. O piano provia música para todos os membros da família desfrutarem.  
Mulheres eram encorajadas a tocar para convidados e eram entretenimento para os familiares, mas como dito anteriormente não significava buscar carreira profissional. Se uma mulher buscasse uma carreira profissional, isso significaria que ela estava escapando de sua respectiva esfera de existência, que era a da casa e da família.  
O piano era muito importante na Europa como um símbolo de status. Christopher Wagner explica que, “o preço [do piano] no fim do século 18 caiu, mais ainda assim, apenas família de posses, eram quem podiam pagar por eles. Um piano de cauda custava tanto que poderia equivaler um ano de ganhos de um trabalhador habilidoso. O piano era um instrumento de classe, e classe era muito importante na sociedade do século 18 e 19, e então era muito importante para famílias ricas ostentarem um piano.  
Companion
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Importância do piano, e outros símbolos em Orgulho e Preconceito.  
 Os símbolos no romance de Austen, tais como o 
- piano, 
- cartas, 
- salões de bailes e 
- propriedades rurais com grandes sedes
refletem as engrenagens da cultura do período. 
As cartas da época de Austen carregam um significado bem diferente dos que elas têm agora. No século 21, as cartas não são muito usadas, foram substituídas por inúmeros tipos de dispositivos eletrônicos de comunicação, como os e-mails e mensagens. Na era de Austen a carta era a única forma de comunicação à distância, além do mensageiro pessoal, é claro (o que a maioria das pessoas não tinham), e isso era uma significativa parte da vida e uma arte a ser aprendida. 
Da mesma forma que o piano que é agora mais ou menos apenas um instrumento musical, na época de Austen era um símbolo de posses, classe, habilidades, entretenimento, e credibilidade para uma mulher no departamento do casamento. 
Do mesmo jeito ser uma boa escritora de cartas refletia a sua educação, sua habilidade ao piano era muito importante. Subentendia-se que uma boa tocadora de piano vinha de família com dinheiro que podia adquirir um instrumento, arcar com o custo de aulas e ter tempo livre para estudar já que ela não precisava trabalhar, ou seja, seria um bom partido, item visado no mercado do casamento.  


O piano e Orgulho e Preconceito 

(Frases explicadas) 
Capítulo 29, Lady Catherine interroga Lizzy Bennet.


“Oh! Então, uma hora ou outra, ficaremos feliz em ouvi-la. 
Nosso instrumento é excepcional, provavelmente superior a... 
Você deveria experimentar um dia. – Suas irmãs tocam ou cantam?” 


Nem Lady Catherine nem sua filha Anne tocam piano, mas mesmo assim elas tem um instrumento de qualidade excepcional - lembre-se que isso é símbolo do riqueza e poder delas. 
Lady Catherine deve ter pianos em sua casa para simbolizar sua própria superioridade social e financeira. Mostrar sua riqueza e poder era muito importante na época, e, portanto, era necessário para ela possuir seu próprio instrumento.  


“Por que nem todas aprenderam? Vocês todas deveriam ter aprendido. 
Todas as senhoritas Webb tocam, e o pai delas não tem uma renda tão boa como o de vocês.
Você desenha? 


É dado a Lady Catherine o status social, e com isso o direito inerente de perguntar a Elizabeth praticamente qualquer coisa que ela quiser. 
Além disso, Lady Catherine sente como se tivesse o conhecimento final em todos os assuntos, o que nem de longe é verdade. 
Lady Catherine se pergunta por que Elizabeth e suas irmãs não tiveram aulas de piano, especialmente quando famílias com até menos fortuna do que os Bennets investiram em suas filhas. Lady Catherine espera que todas as mulheres de relativa renda devam tocar piano, porque é isso é a expectativa social da época.  
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CD e mp3 disponíveis na Amazon - voz e pianoforte - com amostras

Cap 31, Darcy e Lizzy trocam farpas ao piano na frente de Cel. Fitzwilliam.
“Meus dedos”, disse Elizabeth, “não se movem sobre o instrumento da maneira magistral que vejo os de outras mulheres fazerem. 
Eles não têm a mesma força ou rapidez e não produzem a mesma impressão. 
Mas sempre supus ser culpa minha - porque não me dou ao trabalho de praticar. 
Não é que eu não acredite que meus dedos tão capazes quanto de qualquer outra mulher de talento superior.”

O instrumento é um facilitador ao casamento, um canal para relacionamentos e flerte. Darcy e Elizabeth estão envolvidos em uma conversa de flerte, enquanto ela está sentada no piano. 
Até esse ponto, Darcy e Elizabeth não tinham sido muito amigáveis um com o outro, mas uma vez que estão instalados próximo ao piano, o flerte segue. Dessa forma, vemos que o piano é uma conexão entre homens e mulheres.
Ele não é mais usado dessa maneira, mas sua natureza atrativa anterior não pode ser negligenciada por que isso desempenha um importante papel no texto.

Piano Favorites of Jane Austin
CD disponível na Amazon

Moira comenta...

Saber que o piano - pianoforte - era importantíssimo para a educação das moças nos faz ver Austen nas entrelinhas. Ela escrevia o que vivia, um espelho de sua sociedade em que projetava anseios, algo de bibliográfico, talvez projeções para o futuro e suas ideias sobre a situação feminina.
Como se sabe, Jane Austen nunca se casou, recusou propostas e até quebrou uma promessa de casamento. Se a princípio ela assinava suas obras como 'A lady' para evitar ser reconhecida com escritora por receio do que faria com sua imagem, depois passou a se resguardar de uma união que lhe traria novas responsabilidades como casa e filhos para continuar escrevendo. (alguns dizem que ela era avessa à fama, mas nem ela nem ninguém tem como saber que será um sucesso logo de cara, né? Depois de R&S e O&P ela FICOU famosa, mas mesmo antes se recusava a usar seu nome. Somente após sua morte, seu irmão favorito - o banqueiro - publicou Northanger com o nome dela.)
Mas, mesmo solteirona, Jane tocava bastante e bem. Assim que fez dinheiro com suas obras e parou de se mudar com a mãe viúva e a outra irmã solteirona, comprou um pianoforte. No final da vida, acordava cedo para tocar antes que a casa ficasse barulhenta. Logo, entendemos que era prendada, foi educada para ser uma dama completa na sociedade.
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pinterest
E não é isso que ela faz com as Bennets? Lhes dava a chance de ser bem cotadas no mercado de casamento, mas cada uma decide seu caminho. As meninas más rechaçam ensinamentos, as boas aprendem conforme seu capricho dita. Pouco importa se vão conseguir bons casamentos, a despeito do desespero da mãe.
Continuando o interrogatório do cap 29, Lady Catherine pergunta...
 "Você desenha?"
"Não, não mesmo."
"O que, nenhuma das irmãs?"
"Nenhuma."
“Isso é muito estranho. Mas suponho que você não teve oportunidade. Sua mãe deveria levá-la à cidade toda primavera para o benefício dos tutores."
“Minha mãe não teria objeção, mas meu pai odeia Londres.”
"Sua preceptora deixou você?"
"Nós nunca tivemos nenhuma preceptora."
“Nenhuma preceptora! Como isso foi possível? Cinco filhas criadas em casa sem uma preceptora! Eu nunca ouvi falar de tal coisa. Sua mãe deve ter sido muito escrava da sua educação."
Elizabeth mal podia deixar de sorrir quando ela lhe assegurou que não tinha sido o caso.
“Então, quem te ensinou? Quem atendeu a você? Sem preceptora, você deve ter sido negligenciada."
“Comparado com algumas famílias, acredito que fomos; mas às que desejaram aprender, nunca faltaram os meios. Sempre fomos encorajadas a ler e tivemos todos os mestres que foram necessários. Aquelas que escolheram ficar ociosas certamente puderam."
“Sim, sem dúvida; mas isso é o que uma preceptora evita, e se eu tivesse conhecido sua mãe, eu a teria aconselhado a contratar uma. Eu sempre digo que nada deve ser conseguido na educação sem instrução constante e regular, e ninguém além de uma governanta pode dar..."

Então, quando o texto diz que Mary retratada ao piano em quase todas as suas cenas, era independente, entendi que se referia a essa passagem: independência para se dedicar ao que mais lhe agradava. Do talento da personagem se fala mal, o pai a ridiculariza no baile de Netherfield em público, as irmãs não suportam ouvi-la. 
Seria Austen nos dizendo ali que Mary era uma dama desejosa de casamento, mas mal cotada no mercado?
E quanto a Jane, a mais bela e recatada, o que se fala de seus talentos musicais? Quase nada...
Já Lizzy admite que toca mal porque não se dedica. Seria essa descrição da personagem tradução para isso?

Trocando em miúdos:
boa pianista > moça apta a bom casamento

Termino com Emma 
Capítulo 10, um comprido bate-papo com Harriet
"Eu me pergunto, senhorita Woodhouse (Emma), se você não deveria ser casada ou se casar! Tão encantadora como você é!”
Emma riu e respondeu: “Meu charme, Harriet, não é suficiente para me induzir a casar; preciso encontrar outras pessoas encantadoras - pelo menos uma pessoa. E não só apenas, não vou me casar no momento, mas tenho muito pouca intenção de casar.”
“Ah! mas não posso acreditar."
“Preciso reconhecer alguém muito superior a qualquer um que já tenha visto para ser tentada; o Sr. Elton, você sabe, (recordando-se) está fora de questão: e eu não desejo encontrar tal pessoa. Eu preferiria não ser tentada. Eu não posso realmente mudar para melhor. Se me casar, devo esperar que me arrependa."
"Minha nossa! - é tão estranho ouvir uma mulher falar assim!"
Não tenho nenhum dos habituais incentivos das mulheres para se casarem. Se eu me apaixonasse, de fato seria uma coisa diferente! Mas nunca me apaixonei; não é meu caminho nem minha natureza; e eu acho que nunca vou. E, sem amor, tenho certeza de que deveria ser uma tola para mudar uma situação como a minha. Fortuna eu não quero; emprego eu não quero; conseqüência eu não quero: eu acredito que poucas mulheres casadas tem tanto poder na casa do marido como tenho de Hartfield; e nunca, nunca poderia esperar ser tão amada e importante; então sempre primeiro e sempre certo nos olhos de qualquer homem, como eu estou no meu pai. ”
"Então, para ser uma solteirona afinal, como a srta. Bates!
“Essa é uma imagem tão formidável quanto você poderia me apresentar, Harriet; e se eu pensasse que eu deveria ser como a srta. Bates! Tão boba - tão satisfeita - tão sorridente - tão prosaica - tão indistinguível e desatenciosa - e tão apta a contar tudo quanto se relaciona a todos a meu respeito, eu me casaria amanhã. Mas entre nós, estou convencida de que nunca pode haver qualquer semelhança, a não ser quando se é solteira."
“Mas ainda assim, você será uma solteirona! E isso é tão terrível!"
"Não importa, Harriet, não serei uma pobre solteirona; e é só a pobreza que torna o celibato desprezível para público generoso! Uma mulher solteira, com uma renda muito estreita, deve ser uma solteirona ridícula e desagradável! (...) uma renda muito estreita tem uma tendência a contrair a mente e azedar o temperamento. (...)”

Nessa obra, Jane Austen usa o pianoforte como pista de grande segredo se desenrolando nos bastidores que passa desapercebido para quem ignora o valor e o simbolismo do instrumento nesta época. 
É um tipo de coisa que a autora não precisa explicar, 
pois para ela é valor intrínseco.

Se Emma não quer casar e Jane Fairfax é sobrinha de solteirona sem fortuna que precisa casar para se manter, é natural que a melhor pianista seja... Jane!
Veja:
Capítulo 8, na casa dos Cole, a Sra. Cole comenta
Sempre me magoou muito que Jane Fairfax, 
que toca tão deliciosamente, não tivesse um instrumento.

Capítulo 9,
A outra circunstância de arrependimento (de Emma em ter ido à casa dos Cole na noite anterior) também se relacionava com Jane Fairfax; e lá ela não tinha dúvidas. Ela sincera e inequivocamente lamentava a inferioridade de seu próprio tocar e cantar. Ela ficou muito entristecida pela ociosidade de sua infância - e sentou-se e praticou vigorosamente uma hora e meia.
Ela foi então interrompida pela chegada de Harriet; e se o elogio de Harriet pudesse satisfazê-la, ela poderia ter sido consolada.
“Oh! se eu pudesse tocar tão bem quanto você e a senhorita Fairfax!
“Não nos classifique juntas, Harriet. Meu talento não é maior que o dela, como uma lâmpada para o sol. ”
“Oh! querida, das duas, eu acho que você toca o melhor. Eu acho que você toca tão bem quanto ela. Tenho certeza de que preferia ouvir você. Todos ontem à noite comentaram o quão bem você tocou."

Amigas são para essas coisas, né, Harriet!... Se Emma toca melhor, como pode tocar tão bem quanto? Huh?
E perceba, Emma se arrepende de sua ociosidade em sua própria educação como as Bennets de O&P. Lizzy - que desdenha de  propostas de casamento - fala que poderia ensaiar mais. 


No próximo artigo vamos mergulhar no magnífico Broadwood de Emma, Anne Elliot presa ao piano em Persuasão e a educação das moças de Mansfield Park.

piano practice, 1924, GG Kilburne

Tradução e generosa parceria de Fran, da excelente página Adaptações de Jane Austen
Tradução das obras de Jane Austen são minhas, livres.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Valentines day Vitoriano

Olá!
Feliz dia de São Valentim dos Namorados!
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romancing the victorians
O Valentine's day é igual só que diferente do nosso Dia dos Namorados, por isso posso te enviar esse cartão virtual e meu hubs não vai ficar grilado!

Como tenho falado aqui no blog e nas demais redes sociais, estou dedicada aos romances históricos, em especial minha série CUPIDOS EM DEVON que, como PRINCESAS POSSÍVEIS (minha série de romances contemporâneos inspirados nos contos de fadas), entrelaça as histórias apesar de mantê-las independentes. Nas Princesas, se você ler a Branca de Neve, vai saber spoilers da Cinderela, mas vai conseguir curtir sem amarras. Assim será a família das tretas dos CUPIDOS.
Esses romances se passam na Era Vitoriana Inglesa - Vitoriana vem da Rainha Victoria do Reino Unido da Inglaterra e Irlanda - e por pesquisar bastante para escrever, tenho aprendido bastante sobre...

inutilidades úteis

Enquanto leitora de romances históricos/de época, eu tinha a ideia romântica de que 'naquela época' as pessoas eram semi-medievais com vestidos bonitos e cartolas. Mas ao estudar os mais variados assuntos como a quantidade de pratos servidos em um jantar, o surgimento da máquina de costura, perfume de gavetas, esportes ou remédio para dor de garganta, aprendi que os Vitorianos eram muito civilizados. Vários costumes que seguimos hoje já eram populares há dois séculos.
Como scrapbooking - adooooro -  e o
Valentine's day
O que fez pesquisar de onde veio isso... Senta que lá vem pesquisa!
Victorian Valentine Card, 1870
cartão de 1870 - five minute history
O que é mesmo?
Valentine celebra muitos tipos de amor: Eros, Philia e Agape, como São Paulo magistralmente explicou em sua carta ao Coríntios; Mamãe-papai, Irmã-Irmão, Esposa-Marido e Namorada-namorado.
Acima de tudo, Dia dos Namorados é uma celebração anual de  amor sentimental, companheirismo e profundo respeito. As pessoas enviam mensagens  e presentes a seus cúmplices, familiares, amantes e acompanhantes. 
Assim como nosso dia dos Namorados, Valentine's não é feriado; tudo funciona normalmente.
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history extra
De onde veio?
Dia dos Namorados é uma convenção extremamente antiga, provavelmente de uma celebração romana. Os romanos tinham uma celebração chamada Lupercalia em fevereiro, de 13 a 15, o início de sua primavera. Esse tinha conexão com um mais antigo ainda, o grego Arcadian Lykaia ou festival do lobo, daí o nome.
Durante o antigo festival de fertilidade, homens romanos sacrificavam cabras e com suas peles chicoteavam mulheres, na crença de que isso as tornaria férteis. *Moira não comenta essa parte.* Tem outra descrição do sacrifício aqui no wiki, mas não quero me deter nisso. Sorry.
Dizem que, como um componente dos festivais, os jovens tiravam nomes das moças de uma urna formando casais por aquela celebração e, com alguma freqüência, eles se casariam.
Foi no século V, ano 496, que 14 de fevereiro foi proclamado Dia dos Namorados. A essa altura, Roma havia se tornado cristã e a Igreja Católica estava determinada a eliminar qualquer paganismo remanescente. O Papa Gelasius I aboliu este festival e proclamou o dia de São Valentim em 14 de fevereiro, incluindo assim no calendário católico.
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the graphics fairy
E o santo nisso?
As lendas divergem ...
Havia dois santos, ambos compartilham a dedicação desta festa e ambos foram martirizados em Roma; Valentine de Terni por volta de 197 dC e Valentine de Roma por volta de 496 dC. Muitas lendas foram registradas sobre este último Valentine, mas estas são provavelmente apócrifas (de autenticidade duvidosa, embora amplamente divulgadas como sendo verdadeiras). 
Vamos à mais famosa...
São Valentim, um padre católico que viveu em Roma no século III, foi executado em 14 de fevereiro de 270. Na época da vida de Valentim, muitos romanos estavam se convertendo ao cristianismo, mas o imperador Claudius II era pagão e criou estritas leis sobre o que os cristãos eram autorizados a fazer. Cláudio acreditava que os soldados romanos deviam ser completamente devotos a Roma e, portanto, aprovavam uma lei que os impedia de se casar. 
Soldados casados se distraiam com as esposas, deveriam se dedicar somente ao serviço. 
São Valentim começou a casar esses soldados em cerimônias cristãs secretas e este foi o começo de sua reputação de acreditar na importância do amor.
Eventualmente, Valentim foi descoberto e preso por seus crimes contra Claudius. Preso, Valentim cuidava de seus companheiros de prisão e também da filha cega de seu carcereiro, por quem ele se apaixonou. Diz a lenda que Valentim curou a cegueira da garota e que seu último ato antes de ser executado foi escrever para ela uma mensagem de amor assinada "do seu Valentim".
Era o nome dele!
Oldest known Valentine's message
uma MUITO antiga carta de Valentine's day, aprox 1470 - BBC
Era essa carta um bilhete de amor?
Uma carta de despedida?
Só um alô, alô, Terezinha?
Não se sabe. Mas ele assinou, ué, com seu nome...
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dumiela

e daí que é
Valentine's day
e não
Valentines' day
porque é o dia do santo e não o dia dos enamorados.
Entende a diferença?

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dale fournier
Do século XIV ao XIX, chegamos à era Vitoriana
Mesmo com controvérsias, acredita-se que foi Chaucer na Idade Média, 1382, o primeiro a conectar São Valentim com amor sentimental em seu poema Parlement of Foules.  Foi o começo da tradição do amor cortês, um ritual de expressar amor e admiração, geralmente em segredo; a convenção do amor digno, um costume de comunicar adoração e estima, frequentemente em mistério.

Na França do século XV, o dia 14 de fevereiro tornou-se um dia de festa anual que celebra o amor romântico, há relatos de banquetes luxuosos com canto e dança eram realizados para marcar a ocasião.

Deste século vem a primeira saudação a namorados que se tem notícia, hoje parte do acervo da Biblioteca Britânica. O Duque de Orleans, francês, escreveu à sua esposa enquanto preso na Torre de Londres, 1415:
 Je suis desja d’amour tanne, Ma tres doulce Valentinée. 
Eu já estou doente de amor, minha Valentina muito gentil.

Shakespeare faz menção ao Valentine's em Hamlet, por volta do século XVII, quando Ophelia diz
Tomorrow is Saint Valentine’s day, All in the morning betime, 
And I a maid at your window, To be your Valentine.
Amanhã é dia de São Valentim, Tudo de manhã se faz,
E eu estou a dispor em sua janela, Para ser sua Valentina.

No século XVIII a rima famosa que até Pernalonga conta apareceu em 1784:
The rose is red, the violet’s blue, The honey’s sweet, and so are you.
 A rosa é vermelha, o violeta é azul, O mel é doce e você também.
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Os primeiros cartões dos namorados começaram a ser enviados no século XVIII, inicialmente feitos à mão. Cada pessoa escolhia como decorar sua cartita, valia tudo! Símbolos românticos, flores e nozinhos (simbolizando união), quebra-cabeças e poesia. Para quem tinha pouca inspiração, valia comprar um manual com orientações e dicas de palavras e imagens apropriadas para agradar seu amante ou familiar. Esses cartões eram então enviados ou colocados secretamente sob uma porta ou amarradas à aldrava.

Foi na Grã-Bretanha georgiana que os cartões impressos começaram a aparecer, embora só se tornassem realmente populares com a revolução industrial Vitoriana. A industrialização do início do século XIX trouxe consigo rápidos avanços nas tecnologias de impressão e manufatura. Tornou-se mais fácil do que nunca produzir em massa os cartões de Valentine's.
Ficou fácil e rápido agradar o mozão!
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linda wallace
Ajudou muito a criação do Penny Post [serviço postal oficial do Reino Unido, que como diz o nome, custa um penny] em 1840.

Muitas cartas vitorianas de Valentine's ainda sobrevivem, muitos podem ser vistos no Museu de Londres e em coleções particulares.
Como hoje, os cartões Vitorianos tinham vários tipos para todos os bolsos e necessidades. A indústria de gráficas era muito diversificada e moderna para a época. Oops, quase dei spoiler dos CUPIDOS EM DEVON...
Enfim, haviam os cartões com rendas de papel, relevo e desenhos intrincados de flores respeitando a linguagem das flores, cupidos, e ocasionalmente corações que hoje em dia são tão característicos. Quanto mais caro fosse o cartão, mais elaborado seria o design e significava o tamanho e o ardor do amante. Alguns eram em 3D, com gavetinhas! Em cada uma haviam um raminho de flores secas, um poema escrito a mão, e, quem sabe, poderia ter uma aliança...
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le cinema dreams
Em Far from the madding crowd, Longe deste insensato mundo, de 1874, cartões de Valentine's tem grande importância no plot... Era para ser uma brincadeira, só que mal interpretada, a gracinha vira um problema.

O que nos traz aos  "Vinegar Valentines" que funcionavam como os 'Inimigo oculto' de Natal. Já participou de algum? Deu problema? Claro, né?... Então, imagina a confusão se uma dama recebesse um cartão lindinho para "Miss Nosy" - 'Senhorita abelhuda'.
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kiss png
Do UK para o USA
Em meados do século XIX, o cartão dos namorados atravessou o Atlântico - tanto o costume de trocar amabilidades quanto de separar 
Porém, somente em 1913, a famosa, fofa, idolatrada Hallmark Cards produziu seu primeiro cartão de Valentine's.
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spooky vegan
Hoje em dia...
Cada cultura tem sua maneira de celebrar o Dia dos Namorados, mas de uma forma ou de outra, todo mundo tem esse costume. Se é um costume puramente comercial hoje em dia, essa mudança começou da era Vitoriana.
Atualmente é comum dar doces às crianças, bombons e flores às namoradas, usar lingerie para agradar os namorados, preparar ou planejar um jantar bacana. Ou, um pedido de casamento!

Valentine's, Dia dos Namorados aqui, é mais comumente associado ao amor romântico, especialmente aqui no Brasil.

E aí, inspirada (do)?
Ainda tem uns dias para fazer seu cartão, aqui tem 8 receitinhas.
Também pode comprar um, migles, mandar gratuito online, ou planejar algo especial.
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buzz feed
Se neste 14 de fevereiro não rola boa companhia, espera o 12 de junho...
Se nem assim rolar quem te mereça, coloco o calendário dos próximos anos.
#ficadica

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willow and thatch


Para escrever esse post, pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O piano, damas e cavalheiros!

Olá,
Sigo na pesquisa para escrever romances históricos e a cada nova fonte descoberta, mais interessada fico nas sobras esquecidas dos meandros da sociedade.
Aqui, nesse mundinho indefectível, não poderiam faltar elas, as amigas Janeites que, entendidas dos parangolés do passado, têm sempre uma carta na manga para oferecer. Foi num teretetê de whats com Fran do Adaptações de Jane Austen que apareceu ele, o...


PIANO
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promo do filme 'O piano' de 1993
fimlinc
Claro que fiquei com a pulga atrás da orelha!
Quanto já havia lido sobre, conversado, ouvido?
Mil vezes. Mas agora tinha um fundo de pesquisa.


Sempre que falo 'o piano' me lembro desse filme da imagem, me marcou - nem foi pelo primeiro nu frontal masculino, tsk, tsk, mas pela fotografia e tema tão denso. 
Passado na década de 1850, uma dama solteira com filha bastarda é vendida em casamento a um cavalheiro na Nova Zelândia. Ela é muda e se comunica com o mundo através da filha e da música que produz em seu piano - e que o novo marido larga na praia onde ela aporta dizendo que a casa não tem espaço para a monstruosidade. Um amigo do marido fica com o piano e aceita devolver à mulher, tecla por tecla, em troca de aulas de, daquilo... Ela aceita o trato aceitando como preço somente as teclas pretas.
Se você ainda não viu, veja. É muito legal. Nada erótico doido. Muito bom, mesmo.

Mas, afora o caso do filme em que a pianista era muda, o instrumento tinha papel diferente do que tem hoje em dia. Em tempos que ainda não havia rádio, vitrola, tv, cd, nada, quem fazia música em casa eram parentes que sabiam tocar.
Em bailes, poderia-se contratar músicos profissionais, talvez em jantares especiais, mas no dia-a-dia, recebendo vizinhos e tal, era o pessoal de casa que enchia o ambiente com som.
Isso gerava um mercado enorme de professores de música, instrumentos musicais, livros de cifras. Revistas para ladies continham encartes com novidades em músicas (no volume de dezembro de 1807 de La Belle Assemblée, por exemplo, constava uma cópia de 'A original Waltz de Mr. Kollmann', música composta exclusivamente para ser vendida com a revista, com três furos de modo a ser guardado no álbum musical da mocinha.)
Talvez seja similar ao mercado fonográfico atual.
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feminema
Vamos fazer uma conta especulativa simples...
Um pianoforte custava 30 guinéus em 1808, foi o que Jane Austen disse à Cassandra em carta; 
Um volume da revista La belle assemblée custava 1/2 coroa (2 xelim e 12 1/2p);
Uma aula de música custava 10 xelim, e se faziam 60 por ano mais ou menos

A grana da época era muito difícil... mas era assim:
Sixpence - 2½ p
Um xelim (ou 'bob') - 5p
Meia coroa (2 xelins e seis pence) - 12 ½ p
Uma guinéu - £ 1,05

Donde se conclui que não era qualquer um que tinha um piano em casa... Bem depois, da década de 1830, o pobrezito Oliver Twist foi vendido por £ 5,00... 1/6 de um piano. Veja só!

Enfim... o instrumento gera muita discussão bacana, inegável símbolo de refinamento e feminilidade, até extravagância somente perdoável aos gênios.
Liberace, o inesquecível - daily beast

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Mozart quando criança, já um virtuoso compositor e músicista - ionart

Diz que não?
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Elton John, forever and ever - pinterest

Acho tudo muito interessante, daquelas coisas que pesquiso por uma semana e incluo uma pitada na história, que nem pimenta calabreza na pasta ao pomodoro.

Então resolvi dividir em 4 posts.


Este é o 1º 
Dear ladies and gentlemen,
com vocês,
sua excelência, o piano!
Neste, conto e mostro tipos de pianos usados na Regência e era Vitoriana e seus antepassados. Falo de alguns virtuosos e faço uma brave introdução ao que será discutido.
Related image
portrait of a lady at the piano, Madrazo y Garreta
pictorem

O 2º que tem o artigo que originou tudo:

com comentários.

Depois vem 

e por fim,


A coisa começou a mudar de figura quando resolvi falar que, para mim, tudo que tem tecla ebony & ivory é piano. Só que Noé...


antes vieram... 
o virginal
File:Johannes Vermeer - Zittende Klavecimbelspeelster (1673-1675).jpg
lady seated at a virginal, 1670/72, JVermeer
pic do wiki commons
O virginal tem sua origem no saltério medieval, provavelmente no século XV. A primeira menção da palavra está em Paulus Paulirinus de (1413-1471) Tratado de música por volta de 1460- Praga: O virginal é um instrumento em forma de um clavicórdio, tendo cordas de metal que lhe dão o timbre de um cravo . Ele tem 32 cursos de cordas em movimento, golpeando os dedos nas teclas projetadas, dando um tom doce em ambos os passos inteiros e meio. 
É chamado virginal porque soa como uma voz gentil e imperturbada. 
Sua primeira menção em inglês em 1530, quando o rei Henrique VIII comprou cinco instrumentos assim chamados. 
O auge dos virginals foi a última metade do século 16 para o final do século 17 até o alto barroco, quando foi eclipsado pelo espinet bentside na Inglaterra e na Alemanha pela clavicórdio. wiki


o clavicórdio
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lady playing the chlavichord, 1665, GDou
dulwich picture gallery
O clavicórdio é um instrumento retangular de cordas europeu que foi usado em grande parte no final da Idade Média, através das eras renascentista, barroca e clássica. Historicamente, foi utilizado principalmente como instrumento de prática e como auxílio à composição. O clavicórdio produz som por meio de metais ou cordas de ferro com pequenas lâminas de metal chamadas tangentes.  wiki
o nome deriva da palavra latina clavis = "chave" e da palavra grega stringορδή = "corda", especialmente de um instrumento musical. Um nome análogo é usado em outras línguas européias (Clavicordio, Clavicord, Clavicorde, Klavichord,  Clavicordium, Clavicórdio,  Clavicordio). Outras línguas derivadas do latim manus, que significa "mão" (Manicordo, Manicorde manicordion, Manicordion, manucordio). 
Também usado sordino, uma referência ao seu som tranquilo.
O clavicórdio foi inventado no início do século XIV . Em 1404, o poema alemão "Der Minne Regeln" menciona os termos clavicimbalum (termo usado principalmente para o cravo) e clavichordium, designando-os como os melhores instrumentos para acompanhar as melodias.
O clavicórdio era muito popular do século XVI ao século XVIII, mas floresceu principalmente em países de língua alemã, na Escandinávia e na Península Ibérica, na parte final deste período. Ele havia caído em desuso em 1850.


o cravo
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interior with a lady at a hapsichord, FFieravino
Pinterest
O termo 'harpsichord' (harp + chord ou seja, harpa + acordes) denota toda a família de instrumentos semelhantes de teclado, incluindo os virginals menores, muselar e spinet
O cravo provavelmente foi inventado no final da Idade Média, amplamente utilizado na música renascentista e barroca. No século 16, os fabricantes de cravo na Itália estavam fazendo instrumentos leves com baixa tensão nas cordas.
Lentamente desapareceu da cena musical. No século XX, ressurgiu em encenações históricas,  novas composições e em certos estilos de música popular. wiki

o spinet
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the new spinet, GGoodwin
brushwiz
Um tipo de cravo, porém menor.
spin= rotação
bent= dobrado
bentside= de lado
O spinet bentside tem a maior parte do instrumento de tamanho real, incluindo ação, tampo e construção de caixa. Porém, em um cravo de tamanho normal, as cordas estão em um ângulo de 90 graus em relação ao teclado. wiki

No caso de um espinet bentside, a posição é triangular. O lado à direita é geralmente dobrado de forma côncava (daí o nome do instrumento), curvando-se do jogador para o canto traseiro direito. O lado mais longo será paralelo às cordas graves, indo da direita para a esquerda. A parte da frente do espinete contém o teclado. Normalmente, há lados muito curtos para a direita e o lado esquerdo, conectando a lateral do corpo ao lado longo e o lado longo à frente.

e ele, il piano
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Clara Wieck, virtuosa desde criança. desenho de J Giere. 
Pic de decoded
O mundo da música lembra de Clara (1819-1896) como pianista de concerto que passou sua vida promovendo o trabalho de seu marido, Robert Schumann (1810-1856). 
Poucos sabem é que ela também era uma compositora, com um talento comparável, se não superior ao do marido.

Você sabia?...

A origem da palavra ou termo piano?

wiki, modernoso pai dos burros, explica que a palavra 'piano' é uma forma abreviada de 'pianoforte', o termo italiano para as versões do início do século XVIII do instrumento, que, por sua vez, deriva do gravicembalo col piano e forte e fortepiano


Os termos musicais italiano piano e forte indicam "suave" e "alto" respectivamente, referindo-se às variações de volume (ou seja, intensidade) produzidas em resposta ao toque de um pianista ou pressão nas teclas: quanto maior o velocidade de um pressionamento de tecla, quanto maior a força do martelo batendo nas cordas, e mais alto o som da nota produzida e mais forte o ataque. 
photo 1
Rosewood pianoforte, 1830 
O nome foi criado em contraste com o cravo, um instrumento musical que não permite variação de volume. Os primeiros fortespianos nos anos 1700 tinham um som mais baixo e um alcance dinâmico menor.
the piano lesson, 1896, EBLeighton
pinterest
Em carta à irmã Cassandra, Jane Austen diz: 
'teremos um pianoforte, tão bom quanto for possível adquirir por 30 guinéus, (aprox 30 libras hoje em dia, R$ 145,00) e eu vou praticar danças locais para que possamos ter divertimento com nossos sobrinhos e sobrinhas, quando tivermos o prazer de sua companhia.'
“Yes, yes, we will have a pianoforte, as good a one as can be got for 30 guineas, and I will practice country dances, that we may have some amusement for our nephews and nieces, when we have the pleasure of their company.” 1808 letter to Cassandra

Então, 'piano' veio depois, com a modernização trazida no período entre 1790 e 1860, quando o piano da era Mozart sofreu mudanças tremendas que levaram à forma moderna do instrumento. Sugiro visitar a página e clicar nas duas músicas postadas para comparar o som, é impressionante a diferença. aqui.

Related image
google sites
Um evento de classe com esse, além das moças animadas com seus leques em primeiro plano, vejo matronas e senhores na porta, além dos indianos ao fundo, certamente haviam músicos profissionais. Mas as moças em idade casadoira poderiam ser convidadas a mostrar seus dotes caso houvesse um guapo dando sopa...

Isso discutimos em outro post.
O piano e a música para Jane Austen


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para escrever esse artigo, além dos links postados, pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. ufa!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Exoskeleton

Olá,
o blog esteve fora do ar alguns dias devido a grilos de host, mas agora já está tudo bem.

Nestes dias, por acaso, caí em um poço de esquisitices Vitorianas muito úteis na época, como toda invenção, suponho.
Toda oferta vem de uma demanda, afinal de contas.
Related image
ilustração do esqueleto de um feto, circa 1832
devianart
Então, fiz uma seleção de próteses e acessórios que não estão mais em uso - um até anterior ao século XIX, que hoje em dia são chocantes por sua antiguidade ou por sua morbidez.

Chamei de exoesqueleto porque são usados por fora do corpo. Wiki diz: um exoesqueleto (do grego εξω, éxō "outer" e σκελετός, skeletós "skeleton") é o esqueleto externo que suporta e protege o corpo de um animal.  Exemplos de animais com exoesqueletos incluem insetos, como gafanhotos e baratas, e crustáceos, como caranguejos e lagostas, conchas de certas esponjas e vários grupos de moluscos incluindo caracóis e nautilus. wiki


próteses
~pernas~
No incrível Curiosities of London life, 1857, Charles Mamby fala especificamente de pernas mecânicas porque, além de ex-combatentes das Guerras Napoleônicas, havia muitos amputados devido à Revolução Industrial e aos perigos do uso de maquinário.
Um soldado, ele diz, 'curou os males que assolavam a carne com aplicações de madeira e aço, e couro e osso de baleia e cortiça, tudo tão elaboradamente feito e tão perfeitamente simulando o trabalho prático da natureza, que sua reputação (do artesão), embora amadora, superou a dos primeiros professores do dia.' Tradução livre.
untitled-21
modelo Anglesey, circa 1800, batizada em honra ao Marquês que a utilizava
tinha movimento de joelho e tendões
queered science
Para os menos afortunados ou com menos fundos, haviam as peglegs, ou as pernas de pau de pirata de histórias infantis.
wiki
~braços~
gizmo, twitter
Tinha molas para mexer cotovelo e dedos, mas o London Science Museum não diz se realmente segurava algum objeto. Parece um ancinho de jardim... ou algo mais macabro. 
Esse outro era para uma little lady de 16 anos além de articulações tinha um ganho para carregar sacolas, bolsinha, etc. Útil.
victorianachronics

~dentaduras~
Se segura que essa é de doer... 
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dr fitzharris
Depois da batalha de Waterloo, digo LOGO DEPOIS, a terra ainda banhada em sangue, larápios invadiram o campo para tirar o que pudessem. Tesouros como medalhas, fardas de gala, botas, provisões, e... dentes. 
Lembra de 'Os miseráveis' quando Fantine vendeu os dentes para ter o que comer e mandar dinheiro para a filha? Era para fazerem dentaduras e, eca, enxertos.
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museum of health care
Image result for waterloo dentures
bbc
Ou... se compraria uma esculpida em marfim. 
Peça única para cada mandíbula.
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bbc

~olhos de vidro~
Edwardian blown glass eyes dating from the early 1900s are up for sale at auction
independent
Soprados em vidro, no formato da cavidade ocular, na cor escolhida...
E se o parente querido morresse, ainda se poderia carregar a lembrança de seu belo olhar consigo...
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twitter, research gate

A era vitoriana não fez abismais avanços no campo das próteses, mas tudo é um passo após o outro, certo? Quando ao perigo das cirurgias - em especial de amputação com serrote normal até ser criado um de cerdas mais largas e espaçadas-, isso falo depois em outro post.

coluna de suporte para fotos
The stand
hubpages, pinterest, twitter
fotos de mortos ou de vivos? Vintage everyday diz que, apesar da existência inegável das fotos post-mortem vitorianas, elas nunca foram tiradas em uma pose em pé usando um suporte porque ele não suportaria o peso de um cadáver, nem mesmo de uma criança. Em rigor mortis não poderia ser posicionado e, 'fresco', seria flácido e pesado. 
dá para ver a base do suporte atrás dos pés da garota
pinterest
Os suportes eram usados apenas para ajudar uma pessoa VIVA a ficar parada durante longas exposições de obturador que podem durar até um minuto. 
Li diversas fontes, algumas dessas fotos dizem que são fake...
mas que são mórbidas, são.

rédea de repreensão
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twitter
Às vezes chamado de freio de bruxa,  era um instrumento de punição,  forma de tortura e humilhação pública. 
O dispositivo era um focinho em uma estrutura de ferro que envolvia a cabeça (embora alguns freios fossem máscaras que mostravam sofrimento.) Um freio com cerca de 5 cm de comprimento e 2,5 cm de largura, deslizava para dentro da boca e pressionava para baixo no topo da língua, evitando a fala e resultando em muitos efeitos colaterais desagradáveis para o usuário, incluindo salivação excessiva e fadiga na boca. wiki
wiki
Era para as esposas faladeiras ficarem quietinhas!... Veja só.
Apesar de muito usado em escravos, aqui no Brasil também, essa forma de punição era diferente da atribuída à imagem da Escrava Anastácia que era (somente) uma máscara de ferro.
wiki
cinto de castidade
É uma piada um item de vestiário de bloqueio projetado para impedir relação sexual ou masturbação. Tais cinturões foram historicamente projetados principalmente para mulheres, ostensivamente com o propósito de castidade, para proteger as mulheres de estupro ou para dissuadir as mulheres e seus potenciais parceiros sexuais da tentação sexual. wiki
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não vou fazer piada com planta carnívora, não vou fazer...
rockautisme, debate org, pinterest
Museu de Praga
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oops! Fiz! ahahaha
giphy
Atualmente são populares na comunidade BDSM.

Cinto de castidade masculino do século XVI
5.) 16th century male chastity belt.
viralnova
Penso para quê a corrente... Para ser conduzido?
hahaha.
Desculpe.
Dá para comprar esse on line...
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dhgate

Tento ir para longe do macabro na era vitoriana, mas minha história na série CUPIDOS EM DEVON me traz de volta toda hora, e bem, os pessoal caprichava em maluquices lá em 1850 e tals, né?
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já falei dos corsets... lembra?
pic to pinterest
Até...

Pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui. e no google para imagens do que eu já conhecia.