quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A Persuasion webseries: Rational Creatures

Olá, 
Eu finalmente parei pra ver a webserie de Persuasão 

insta RC

Rational creatures é bem diferente de Lizzie Bennet Diaries, a webserie cult de Orgulho e Preconceito. Dividida em temporadas, RC tem episódios curtinhos e personagens modificados, começa pelo capit 7 do canon e tem um Cap Wentworth fora de série! Desculpe o trocadilho.


Vamos por partes, como diria Jack. 
insta RC

A produção é muito bacana, girls only, veja o que diz o site oficial: 'Inspirada em Persuasão de Jane Austen, RATIONAL CREATURES
é uma comédia romântica com drama (dramedy) criada e produzida 
por uma equipe multinacional de cineastas.  
É a história moderna e inclusiva de Jane Austen que você não sabia que queria.'

Sacou multinacional?
Sacou inclusiva?
Deixou de ler surpreendente! 

Na equipe tem gente de toda parte dos EUA e da Inglaterra e curiosamente só uma cita Jane Austen na bio. A pluralidade é ouvida nos episódios, os sotaques são nítidos. Se vc, como eu, assistir os episódios ccomentaos pelas criadoras, vai notar ainda mais diferença nos sotaques!
Diferente da LBD que tinha cara de profissa, esse é caseiro o que faz a gente se sentir mais dentro da trama... que de cara eu custei a sacar. Precisei parar nos créditos pra identificar personagens. Pra quem é pateta distraída como eu, listo e correspondo personagens com o canon. (Senti falta disso no site oficial)
Ana Elias - Anne Elliot
Fred Wentworth - Cap Wentworth 
Marisol Musgrove -Elías - Maria, irmã de Anne
Louis Musgrove - Louisa, cunhada da irmã de Anne
Charlie Musgrove -Elías - Charles, marido de Mary, cunhado de Anne
Ben Wick - Cap Benwick, amigo de Wentworth 
Sophie Wentworth - Sophia Croft, irmã do cap Wentworth 
Guillermo Elías - Sir Elliot, pai de Anne, Mary e Elisabeth
Henrietta Musgrove - irmã de Louisa, tb cunhada da irmã de Anne
Russell Musgrove-Elías - Charles & Walter, filhos de Mary irmã de Anne


Tem personagem que é homem no cânon e aqui é mulher, mulher que é homem, personagens unidos em um só, tudo lindinho como uma fanfic deve ser. 
Vou resumir aqui: Ana mora com o pai que tem um negócio falido de viagens. Como está dura porque o pai nem paga mais salário a ela, a irmã Marisol chama para passar uma temporada na casa dela e da esposa Charlie e do cachorrinho Russel. Lá ela arruma trabalho em uma cafeteria e passa a conviver com a família da esposa da irmã, irmãos Louis e Henrieta + colega de quarto do irmão, Ben Wick. Sem querer querendo, a irmã Marisol esquece de avisar que Sophie, a irmã de Fred, namoradinho de escola de Ana,  está morando no mesmo prédio e... está vindo visitar.

Falta ainda muita gente boa aparecer nessa trama! A irmã mesquinha-estilo-Caroline-Bingley de Anne (Elisabeth), as grandes damas de Persuasão (Lady Russel e Lady Dalrymple), William Elliot o herdeiro do título …


As criaturas de Austen

Palavra engraçada essa, forma mais engraçada ainda de se referir a alguém. Por curiosidade, procurei as menções que Austen fez de 'criaturas'. Listo algumas:
Mansfield Park:
chap 6
'Que criaturas estranhas são irmãos!'

Orgulho e Preconceito:
chap 19
'Não me considere agora uma mulher elegante com a intenção de atormentá-lo, mas como uma criatura racional, falando a verdade de seu coração.'

Emma:
chap 5
'Com todos os pequenos defeitos da querida Emma, ela é uma excelente criatura.'

Razão e Sensibilidade:
chap 24
'... mas, quanto a Lucy, ela é uma criaturinha tão astuta, não há como descobrir quem ela gosta.'

Abadia de Northanger:
chap 8
'Finalmente eu tenho você. Minha querida criatura, estou procurando por você a horas. O que poderia induzir você a entrar nesta dança, quando sabia que eu estava na outra? Fui muito infeliz sem você.'

Lady Susan:
chap 6
'Bem, meu querido Reginald, já vi essa criatura perigosa e devo lhe dar uma descrição dela, embora espero que em breve você consiga formar seu próprio julgamento.'

O quote que deu nome à série é esse:
Persuasão:
chap 8
O almirante Croft, Sophie e Cap W discutem se mulheres devem ou não ser admitidas a bordo de um navio... 
"Meu querido Frederick, você está muito mal humorado. Ora, o que seria de nós esposas de marinheiros pobres, que muitas vezes querem ser transportadas para um porto ou outro atrás de nossos maridos, se todos tivessem sua opinião?"
"Meus sentimentos, como você vê, não impediram que eu levasse a senhora Harville e toda a sua família para Plymouth."
"Mas eu odeio ouvir você falando como um bom cavalheiro, e como se as mulheres fossem todas boas damas, em vez de criaturas racionais. Nenhuma de nós espera estar em águas calmas todos os dias."
"Ah! Minha querida", disse o almirante, "quando ele tiver uma esposa, ele cantará uma música diferente. Quando ele for casado, se tivermos a sorte de viver em outra guerra, nós o veremos fazer o que você e eu, e muitos outros, o fizemos. Teremos ele muito agradecido a qualquer um que lhe traga sua esposa. "
"Sim, vamos."
insta RC


As criaturas de RC

Do dicionário: 
michaelis on line


RC cria um grupo beeeem diferente do canon, o que não quer dizer que seja desarmonioso. O que me incomodou foi a dificuldade de relacionar caras & canon para entender quem é quem e localizar os meus momentos preferidos na trama. Quem sabe elas não fazem um video de apresentação na temp 2?…


As criaturas de RC existiriam no mundo de Austen?

Com certeza, sim! 
Já falei aqui de mulheres que amavam mulheres no sec 19, na minha série CUPIDOS EM DEVON elas são discretas como deveriam ser. Homossexualidade era crime na época, especialmente a masculina. Era crime capital sujeito a pena de morte. Cousa horrível...
E tem aquela piadinha controversa de Mansfield Park, lembra?
chap 6
"A senhorita Price tem um irmão no mar", disse Edmund a Mary Crawford. (...l "Você conhece alguma coisa do capitão do meu primo?" disse Edmund; "Capitão Marshall? Você tem um grande conhecimento na marinha, concluo?"
“Entre almirantes, suficientemente importantes; mas ", com um ar de grandeza, "sabemos muito pouco dos postos inferiores... De vários almirantes, eu poderia lhe contar bastante: deles e suas bandeiras, a graduação de seus salários, suas brigas e ciúmes. Mas, em geral, posso garantir que todos eles foram preteridos e muito mal utilizados. Certamente, na casa do meu tio conheci um círculo de almirantes. De rears and vices (traseiros e vícios) eu vi o suficiente. Agora, não se importe com um trocadilho, peço."
Edmund novamente se sentiu sério, e apenas respondeu: "É uma profissão nobre".
“Sim, a profissão é suficiente em duas circunstâncias: se ela faz fortuna e há discrição em gastá-la; mas, em suma, não é uma profissão favorita para mim. Nunca me serviu de forma amável."


Sei, muita discussão isso gera
Como diz o Telegraph...

...devemos desafiar a noção de que a "piada suja" sobre "Rears and Vices" em Mansfield Park poderia se referir a sodomia. Em uma obra de ficção leve, destinada a um público feminino predominantemente jovem, Jane Austen nunca teria aludido a um ato sexual considerado tão vil a ponto de ser um crime capital (uma ofensa marcial na amada Marinha de seus irmãos). A piada de sua personagem, Mary Crawford, sobre os velhos retraídos e vice-almirantes debochados claramente se refere à flagelação - um tópico inadequado para a conversa de uma dama, mas uma prática legal, e aparentemente generalizada, familiar a quem já olhou para os desenhos animados do dia, em quais calças masculinas e nádegas faziam aparições frequentes.
Jane Austen não era puritana e vivia em uma era desinibida; mas é anacrônico para nós, no século XXI, imaginar que a mulher que, em 1807, devolveu um livro da biblioteca depois de ler 20 páginas, declarando: "Ficamos com nojo ... tinha indelicidezas que desonram uma caneta até agora tão pura". em sua própria ficção se referir (mesmo que indiretamente) à relação anal. Não: a piada de Miss Crawford é certamente uma referência para surra.


E aí chegamos nele, 

o melhor homem de Austen
No meu ponto de vista, apesar do meu amor & devoção a Mr D
Capitão Wentworth
insta RC
Vou ser sincera, vê-lo flertando abertamente com Louis me fez prender a respiração porque a cena é muito eloquente! Mesmo!
Fui pesquisar se Cap W foi assim tão flertante com a Louisa no canon.

Chap 8, Anne pensa: 'Foi uma festa alegre e feliz, e ninguém parecia mais animado do que o capitão Wentworth. Ela achava que ele tinha tudo para elevá-lo, o que a atenção geral e a deferência, e especialmente a atenção de todas as jovens, podiam fazer...'

Chap 9, Anne de novo: 'Qual das duas irmãs era a preferida pelo capitão Wentworth ainda era bastante incerto, na medida em que a observação de Anne chegava. Henrietta era talvez a mais bonita, Louisa tinha os espíritos mais animados; e ela não sabia agora, se o caráter mais gentil ou mais animado era mais provável para atraí-lo.'

Chap 10, Anne ouve o papinho dele com Louisa, elogios e tals: 'Ele falou e ficou sem resposta. Teria surpreendido Anne se Louisa pudesse responder prontamente àquele esse discurso: palavras de tanto interesse, ditas com um calor e tão sério! Ela podia imaginar o que Louisa estava sentindo. Por si mesma, ela temia se mexer, para que não fosse vista.'

E a opinião das minhas Darcy friends no nosso grupinho de whatsapp…



Bem, é isso mesmo, né?... 
E depois, o tubinho de baunilha... ah, pirei o cabeção.  


Pera.
Para.
Reseta.
insta RC
Ele foi na casa- no apt- de proposito para ver Anne, tava sedento por revê-la depois de 8 anos, curioso, dividido e tals. E ela vai com Louisa, toda alegrinha.


É, ele tinha dupla intenção mesmo.
Mas, e quanto à bissexualidade? 
Falamos no podcast Café com jane Austen de problemas que marinheiros tinham nessa época, principalmente um homem solteiro bonitão...

"Houve uma expressão momentânea no rosto do capitão Wentworth nesse discurso, 
um certo olhar nos olhos brilhantes e uma curvatura da boca bonita, 
que convenceu Anne de que, em vez de compartilhar os gentis desejos da sra. Musgrove, quanto ao filho, 
ele provavelmente se esforçou para se livrar dele..."
chap 8

… imagina isso td solto em alto mar? Aff!

Daí, como estou escrevendo um romance Vitoriano que tem um marinheiro sumido, estou pesquisando doenças comuns aos homens do mar na primeira metade do sec 19. Falo mais disso em um post específico porque escorbuto, sangrias, doenças venéreas e amputações não cabem aqui.
Austen não fala nada da saúde de Cap W, mas a gente especula que 8 anos no mar devem ter pesado nele - imagina a pele bronzeada até virar frango de padaria? - e RC fala que tocará no assunto de 'doenças mentais e crônicas'. Esse Cap W não ficou no mar o tempo todo, só se diz que ele viajou muito e está cansado disso. Doença crônica tem a doentinha Mary, Marisol, xx como ela diz no último episódio, então... mental será Fred o bloqueiro de viagens?

Lembra quem é blogueira de viagem e fisga um heroi de Austen? Lizzy Bennett, Lizzard para os íntimos.

45 dias na Europa com Sr Darcy
veja tudinho aqui


Last but not least… 
Olha a apresentação do site:
'Assim como Jane Austen usou seus livros para registrar questões sociais de seu tempo, a RATIONAL CREATURES reflete o mundo ao nosso redor agora, incluindo personagens femininas complexas, histórias felizes de homossexuais, doenças mentais e crônicas e uma personagem principal latina bissexual.'
Ei, para tudo de novooo!!
Anne também?
insta RC

Que será que elas guardam pra temp 2???
Mal posso esperar!...

As criadoras mandaram até um recadinho
para as Janeites Brazucas!
*legendas em Português*

Já está garantida por crowdfunding, mas se vc quiser contribuir, entra em contato com a produção!

assista no youTube
(e ligue as legendas!)


até mais,

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Minhas pesquisas sobre o século 19 - e outras antiguidades

Olá,
vamos
CONVERSAR SOBRE ROMANCES HISTÓRICOS

Para compor um romance de época, principalmente a era Vitoriana que acho tão interessante pela modernidade arcaica deles. Máquina de fotografar? Tinham, só que chama daguerreotipo... Cinema? Tinham, só que chamava fantasmagória. Trem? Tinha, só que era a vapor. Tanta coisa legal...

Na aba lateral direita existe uma lista de todas as postagens que fiz sobre minhas pesquisas históricas relacionadas ou não aos meus romances de época. Ou históricos. Saias e anáguas com cartola e bengala. Você me entende.

Mas como muita gente acessa pelo cel, vou listar aqui também. Sempre que houver um novo post, farei updates. Aproveite!

alfabeto erótico Francês
anatomia Vitoriana Feminina
cartas no século XIX
casas de bonecas vitorianas
corsets, espartilhos, mulheres presas
dark romance
Devon # Devonshire & cupidos
empreendedorismo feminino no sec XIX
estatísticas literárias 1905
exoesqueletos & bizarrices
fallen woman,mulher-perdida
fantasias sexuais ousadas
histórias moralistas séc XVIII
idade casamentos sec 19
Jane Austen em mapas
Jane Austen em números
Jane Austen, irmãos
Jane Austen, um dia na vida
medos e erotismo no sec XIX
mimos à moda antiga
mulheres que amavam mulheres
mulheres, tipos de
para que servem os romances históricos
piano e Jane Austen
piano era ideal para damas
piano na Regência
piano, uma apresentação
rainhas, mulheres e o parto
Regent Street, um ótimo destino
regras de civilidade de G. Washington
salão real de Brighton
sintonia fina
sufragistas e feministas
valentine's day Vitoriano

Vauxhall e jardins para o deleite

Nano contos históricos - romances rapidinhos de até 500 palavras


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Idade de casamento no séc 19: nem tão novinhas assim

Olá,
andei pesquisando bastante sobre a idade que as garotas casavam no século 19 por conta de um tititi em Austen Nation sobre o novo Emma. 
VPukirev,  1862
pic de arthive

Achei uma entrevista da diretora do filme (Autumn de Wilde) com os atores principais Anna Taylor-Joy e Johnny Flyn (Emma e Mr. Knightley) na tour de divulgação do filme. Eles falavam de uma característica do personagem que são os constantes sermões que ele dá em Emma - coisa que acho chatíssimo nele. Chamam de 'mansplaining' e foi isso que gerou uma boa discussão. 

Dentre muitos protestos sobre o uso do termo e se é ou não aplicável ao herói de Austen, uma pessoa comentou isso:


"...no livro Emma tem 21 anos, 
quase uma solteirona para a época. 
Já Mr. Knightley era 16 anos mais velho que ela... "

Achei esquisito, solteirona é algo que nunca liguei a Emma; seria um adjetivo para Charlotte Lucas de Orgulho e Preconceito. Daí me lembrei de um tanto de referências e pesquisei outras tantas.

Olha só:
Nas obras de Jane Austen
Austen levou umas duas décadas escrevendo suas obras principais que retratam a realidade que ela vivia na época. Como dá para ver no quadro abaixo (que eu fiz compondo com o maravilhoso estudo 'Austen em números' do The Guardian que postei aqui) vemos as idades dos casais ordenadas pela idade das mulheres. De Lydia Bennet a Anne Elliot, vemos que a maioria fica entre 18 e 22 anos em uma época que 21 era a idade legal para uma moça casar SEM O CONSENTIMENTO DOS PAIS. 

Charlotte se considera um peso para sua família, por isso aceita a oferta do chato Mr. Collins - incentiva ele a fazer o pedido, na verdade. 
As irmãs Elliot são mais avançadas na idade (Anne tem 27 e Ms. Elliot tem 30) e por isso a mais velha faz força para encantar o futuro baronete Mr. Elliot.
Emma, como Lizzy e Jane Fairfax, só tinha 20, flor da idade casamenteira. Jane Bennet era um prêmio para qualquer cavalheiro e tinha 22... 
Lydia que fugiu com o boy (eloped) aos 15, abaixo da idade legal de consentimento, teria o casamento anulado; na Inglaterra, casamentos com/entre menores de 21  era ilegal a menos que contassem com aprovação dos pais. Por isso Mr Darcy pediu ao Sr Gardiner, tio das Bennets, para participad da União dando legitimidade. Uma opção para quem queria casar à revelia dos pais era a Escócia onde a lei permitia casamentos a partit dos 14 e a primeira cidade na fronteora era... Gretna Green!
Observe que quem fugia ou casava sem o consentimento dos pais abria mão de qualquer dote o que fazia desse 'prêmio' um incentivo pros amantes fazerem tudo certinho.
Na Colônia, EUA, a idade de consentimento era menor, mas imigrar para lá era coisa de empobrecidos, a viagem custava caro e demorava ao menos 15 dias nos melhores barcos. CUPIDOS EM DEVON vai visitar a América,  falo mais disso depois.

Wiki
EM SHAKESPEARE
A ideia de garotinhas casando vem de longe, da inocência perdida para um amor repentino, mas mesmo na idade média a coisa não era bem assim. Olha essa análise de Shakespeare que achei no Wiki: 'O drama de William Shakespeare coloca a idade de Julieta em apenas catorze anos;  a idéia de uma mulher se casar em segredo muito cedo teria escandalizado os elizabetanos.  A crença comum na Inglaterra elisabetana era que a maternidade antes dos 16 anos era perigosa;  manuais populares de saúde, bem como observações da vida de casada, levaram os elizabetanos a acreditar que o casamento precoce e sua consumação prejudicavam permanentemente a saúde de uma jovem, seu desenvolvimento físico e mental propiciando o nascimento de filhos doentes ou atrofiados.  Portanto, 18 passou a ser considerada a idade mais precoce razoável para a maternidade e 20 e 30 a idade ideal para mulheres e homens, respectivamente, se casarem.  Shakespeare também poderia ter reduzido a idade de Julieta para demonstrar os perigos do casamento em idade muito jovem;  que o próprio Shakespeare se casou com Anne Hathaway quando tinha apenas dezoito anos (muito incomum para um inglês da época) poderia ter algum significado.' Faça o que eu digo, não faça o que eu faço 

Veja só mais isso:

Revistas masculinas da primeira metade do século 19 
(que até aparece nos CUPIDOS EM DEVON)
Uma matéria maldosa da revista masculina New Monthly Magazine de 1837 trazia essa tabela de idade feminina listando qualidades casamenteiras para instruir interessados. Vejamos com olhos masculinos do século 19, primeiro ano do reinado de Victoria então, era o último suspiro da era Georgiana.
EB Leighton - signing the register - fim do sec 19

Enumeração de solteironas

17 anos: fantasia com um casamento por amor, é entusiasmada pelas músicas de Bayley e pela poesia pastoral.
18 anos: bela tez e alto astral, é viciada em arco e flecha, e revistas como 'Comic Annual' (revistas destinada a meninos de histórias em quadrinhos que contam a história por meio de cartuns) e 'Charming Women' (revista feminina que exaltava o consumismo). Disposta a aceitar todos os parceiros que aparecem em um salão de baile, dança 14 quadrilles por noite e rejeita uma proposta por dia. Acredita que um amor e um teto bastam. 
19 anos: Um pouco mais refinada em forma e gosto. O amor e um teto agora precisa ser uma bela casa na cidade.
20 anos: A timidez se foi, a falta de paciência aumentou. Uma fortuna é indispensável.
21 anos: Começa a entender o significado das palavras 'Irmão mais novo'. Ansiosa por adiar o debut de irmã caçula.
22 anos: Suavizada na tez, endurecida no coração. Aperta a cintura e pensa que é possível se casar por posição social.
23 anos: inquieta ao respeitar as regras do Almack (baile famoso). Passos graciosos substituem o passo esfuziante dos dezoito anos. Recusa um pretendente do interior, suspira por uma confortável saleta de visitas e tagarela sobre um colar de diamantes.
24 anos: a era da suprema beleza e superação da vaidade; beleza e elegância em plena floração.
25 anos: Surpresa por ainda estar solteira e começa a contar as conquistas da temporada. Aparece em quadros e charadas.
26 anos: atormenta o pai para passar o inverno em Brighton (como Dora!) e dar alguns jantares. Prefere montar cavalos vistosos do que passear com a mamma.
27 anos: cabelos e ombros afinando bastante. Conta com luncheons para fazer a social. Lê Mrs. Marcet (escritora de livros de ciência), cultiva um jardim de flores e dá opiniões decididas.

A lista continua até a idade de 55 anos, mas aqui achei que bastava ficar no 27. Mimi Mathews lista todos aqui.


O interessante é que a revista elege 
a idade de 24 como ideal na beleza e espíritos.
pinterest - uma noiva Georgiana
(mas fotografia é de meados do sec 19)

Vitorianas não casavam cedo,
nem com primos (na maioria dos casos)
O site History.com fala disso também.  
'No final do século XVIII, a idade média do primeiro casamento era de 28 anos para homens e 26 anos para mulheres.  Durante o século 19, a idade média caiu para as mulheres inglesas, mas não abaixo de 22. Os padrões variaram dependendo da classe social e econômica, é claro, com as mulheres da classe trabalhadora tendendo a se casar um pouco mais velhas do que suas contrapartes aristocráticas porque precisavam fazer dinheiro.  Mas a idéia moderna predominante de que todas as mulheres inglesas se casavam antes de deixar a adolescência está bem errada.
Tampouco elas casavam com seus primos.
Casar-se com seu primo em primeiro grau era perfeitamente aceitável no início do século XIX, até na família de Austen teve união assim (inclusive marido casando com irmã da esposa falecida) e a prática certamente oferecia alguns benefícios: era mais provável que a riqueza e a propriedade permanecesse na família, e era mais fácil para uma jovem conhecer e ser cortejada por solteiros de seu círculo social.  Mais tarde, no século 19, o casamento entre primos tornou-se menos comum.  O aumento da mobilidade devido ao crescimento da ferrovia e outras melhorias econômicas generalizadas ampliaram enormemente o escopo de maridos em perspectiva de uma jovem.  Ainda, a era vitoriana viu um aumento na consciência dos defeitos congênitos associados à reprodução entre parentes - mesmo que a classe alta mantivesse suas tradições: Charles Darwin casou-se com sua prima em primeiro lugar, Emma Wedgwood, por exemplo, e a rainha Victoria e o príncipe Albert eram primos em primeiro grau.

Na Colônia - aka Estados Unidos
Achei esse site muito bacana com uma tabela e informação bem relevante. Veja:
wives of joseph smith

Era comum no século XIX que as meninas adolescentes se casassem?
"Desde 1890, o Censo dos EUA coleta informações sobre "Idade média no primeiro casamento" para homens e mulheres. O gráfico é uma compilação do Censo dos EUA desde 1790. 

Em 1840, a "idade média do primeiro casamento" para as mulheres é estimada entre 21 e 22 anos de idade. Em 1950, a "idade média do primeiro casamento" caiu para cerca de 20 anos de idade. Em 2005, a "idade média do primeiro casamento" havia atingido cerca de 25 anos de idade."
wiki commons

Confirma o que eu tenho visto, é a partir dos 21 anos que as mulheres casam. 
Flor da idade é vinte e pouquinhos.

Na Holanda
Sorte na vida eu achei um paper maravilhoso da Universidade de Groningen entitulado Explicando as idades individuais no primeiro casamento em um mercado rural do século XVIII ! Além desde gráfico ótimo

esse paper tem explicações maravilhosas. Veja (resumido e traduzido por mim. Veja o documento inteiro aqui)
"Economicamente, em circunstâncias anteriores a 1900, o casamento significava uma enorme mudança na vida pessoal. O mais importante era a expectativa dos recém-casados ​​formarem um núcleo familiar. Meninos e meninas solteiros viviam principalmente na casa de pais ou de empregadores (no caso de criados de grandes propriedades). Criados residiam no trabalho, tinham contratos anuais e pequeno risco de desemprego, desde que fizessem seu trabalho de maneira satisfatória. Os salários aumentaram com a idade de funcionários, atingia picos na casa dos vinte anos, possibilitando economizar algum dinheiro. Rapazes e meninas que ficavam em casa poderiam trabalhar no negócio da família (uma fazenda ou loja), o que também fornecia
seguro contra a incerteza econômica. Por outro lado, o início de uma nova família envolvida grandes riscos econômicos, mas também oferecia grandes oportunidades econômicas. Para o sucesso, era necessário ter recursos para investir e garantir uma posição adequada (fazenda, oficina ou loja). Se a empresa era uma
com sucesso, alguém poderia subir na escada social, o que era quase impossível como um criado solteiro. 
Para alguns grupos sociais (esposas de trabalhadores e artesãos), uma clara desvantagem do casamento era a dificuldade em encontrar trabalho economicamente gratificante, porque não podiam mais trabalhar como criada doméstica. Socialmente, presume-se que a posição de chefes de família independentes tivesse mais prestígio do que a dos criados solteiros, filhos ou filhas. No entanto, é preciso salientar que casar não era um pré-requisito para começar um lar independente. Homens solteiros mais velhos também podiam fazê-lo, para mulheres solteiras mais velhas isso parece ter sido mais raro, mas não completamente incomum. Casar significava independência dos pais ou do empregador. No entanto, especialmente para as mulheres, isso também pode significar perda de independência, devido à norma legal e cultural de obediência ao marido e entregue de suas finanças/rendimentos/dote. As vantagens biológicas, sexuais e emocionais parecem bastante claras, sua importância, no entanto, depende em grande parte das preferências individuais."
a noiva relutante - AToulmouche - 1866

Então, concluo que solteirona era a moça passada dos 26 anos de vida. Na série CUPIDOS EM DEVON, as duas heroínas são solteironas por razões muito diferentes e ainda assim, perversamente similares. Não vou dar spoilers, mas digo que Pauline do livro 1 ECLIPSE DO CORAÇÃO e Florence do livro 2 O CLUBE DE FLORENCE têm 36 e 30 anos respectivamente. Isso faz delas personagens bem interessantes pois precisam lidar com a pressão social e o medo de se entregar a um amor - sua única chance de quebrar as amarras do preconceito. 
Única? 
não... 
a mais fácil, com certeza
As duas lutam com as armas que têm, Pauline era empreendedora, Florence era guerreira.
Os próximos livros? Ih, nem te conto... Mocinhas mais novinhas, mas viradas nas tretas. Aff!! 


Achei um estudo sobre o primeiro quadro que postei aqui, Um casamento desigual de V Purkiev. Acho que vou falar dele, sempre gosto de analisar essa cena.

abs, bjs, até mais

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Summer love or Tech Pride and Prejudice

hi, there!
I see Pride and Prejudice everywhere. Really!
The other day I accidentally caught a TV movie that resembles P&P plot and more, has uncanny coincidences with my first novel, 'Friendship of a special kind'.
imdb

The movie is called 'Summer love' and only now watching in for the sencond time I found out it's a Hallmark production. Then it gave me a certainty that it had some Austen flavor because this channel has already given us so many modern adaptations as P&P Atlanta, P&P& mistletoe, Unleashing Mr Darcy, Scents and sensibility...
Let me tell you what rang a bell to me:
hallmark channel

- The characters' names:
Maya, Will, Collin, Chantal. 
Maya is the main character, at first when she is introduced at her daughter Addison's summer camp, her name didn't remind me much of Lizzy but then she meets her new boss Colin. Huh. Colin, Collins. Ok, it's a common name. I let it pass. And in the next scene she meets the other boss, Will. Oah! Plus, she talks to her best friend Chantal. 
Ok, that's a bit too much.
Colin is a brooding guy, serious and attentive. Will is a good-humored, laid back guy who you distrust from the first moment. Chantal is the voice of reason, a practical person. The personalities match P&P's main characters, you see?
Colin - Darcy
Will - Wickham
Chantal - Charlotte
Maya... Lizzy!
Darcy and Lizzy - oops! Colin and Maya
pic from imdb
- The plot:
classical meet-hate-love
Maya needs an internship to garantee her Account school's final grades and starts a summer job at a tech company owned by partners Colin (CFO) and Will (CEO). She starts with the wrong foot when she arrives a bit lost and Colin offers to help her find her way. They chat and she babbles about the boss' fame of being harsh without knowing she spoke to the man himself. Ha! Classical P&P foot-in-the-mouth. 
Wickham and Lizzy or... Will and Maya
pic from imdb
The other boss - Will- is charming and good-humored, almost immediately makes a move on her. She resists, he insists. Meanwhile, she is obviously attracted to Colin who is obviously falling for her. But he is reserved and she is a widow. Huh... Here I stopped short. 
What? 
A widow, accountant, resisting a rich CFO?
That's so similar to my novel... and more?
The CEO hacks into her cell phone!
NO! THAT'S TOO MUCH!

imdb

Of course, these are lovely coincidences, 
but from this moment on, the movie was a bit special to me.

Check out the movie's plot
hallmark channel

‘SUMMER LOVE’ found here
Maya Sulliway is a struggling single mom who’s studying to become an accountant. When her young daughter goes off to sleepaway camp, Maya accepts a summer internship at Kizzmit, a tech company known for developing a popular social app, in order to receive college credit. There, the thirtysomething Maya feels out of place among the company’s hip millennial interns and feels even more intimidated when she meets Colin Fitzgerald, Kizzmit’s strait-laced CFO, who has a reputation for being a highly demanding boss. When she’s introduced to Will Martin, the company’s handsome and charismatic CEO, Maya learns about Pitch-Fest, an upcoming contest designed to determine who among Kizzmit’s staff can come up with the best idea for a new app.
Before long, Will and Colin both take a liking to Maya and a competition heats up between them. As she starts becoming attracted to each of them — and agrees to a date with Will — Maya
overhears a conversation revealing that Kizzmit is having financial problems and the company’s investors are threatening to cut financing unless a lucrative new app is created.
Combining her passion for outdoor activities and charity, Maya comes up with an idea for an app that would allow its users to donate to charitable organizations while they exercise. Though he
knows Kizzmit would greatly benefit from her app, Colin, having fallen for Maya, tells her to keep the idea for herself and not give it away at Pitch-Fest. He also expresses concern that Will, a known womanizer, is going to end up breaking Maya’s heart. Later, when Will unscrupulously steals Maya’s app idea — falsely accusing Colin of being the thief — and publicly declares it Kizzmit’s latest creation, Maya is devastated. Furious at Will and Colin, she quits her internship and storms off. But when she discovers that Will stole her idea and that Colin was not involved, the industrious accounting student wonders if there’s a way she can complete her internship and reclaim the app she invented. Along the way, she just might find a summer love.
oh, my! Lucas Bryant does make a charming Darcy...
pic from the book of esther
The app stealing by the Wickham-like guy 
could be Lydia subplot, couldn't it? Ha!

Check out my novel's plot

'FRIENDSHIP OF A SPECIAL KIND' more here
Elizabeth Bennett, 32, is a widow and a financial whiz, a first-class auditor husband's demise, she decided avoid relationships. Addicted to fashion, with a mania for running and pilates, she strained to stay in shape and keep sane.
William Darcy, 38, is a bachelor and CFO of his family businesses living in Seattle. Due to innumerable romantic fall outs, he preferred to avoid serious relationships. Handsome and millionaire, Darcy never had trouble wooing a woman. Until then.
When Darcy accepts the invitation of his childhood friends to spend a few days relaxing at the Netherfield farm in Meryton - Massachusetts, he could never have imagined that he would meet a beautiful girl who was going to mess him up.

It’s not a sequel, but an inspired story, modern and full of Pride and Prejudice’s standards. Here Lizzy is a young widow scared of another serious relationship fearing another unhappy marriage as she had with Collins. Darcy is a millionaire bachelor who spends his life dedicated to work and dodging the attempts of gold diggers.
They meet in Meryton, he is attracted to her pleasant figure, unintentional flirt and sharp tongue. When she escapes him, he seeks her out through her friends. Lizzy decides that if a hot guy as Darcy is making an effort to reach out for her, she could as well have some fun. Absolutely no strings attached no phone numbers or any other contacts exchanged. But she wasn’t counting on Darcy’s will and - believing himself righteous - he hacks into her smart phone to steal all her contacts. 
she is furious, he apologizes, she escapes again. Darcy is unable to forget Lizzy’s fine eyes, arts and allurements used so masterfully in that only one hot afternoon. She also misses the handsome man, enough to accept a second date. Then another one, another, one more...

In canon it’s Darcy’s lust that propels him to action ‘against his will, his family, his better judgment’ and he proposes to Lizzy. In ‘Friendship of a special kind’ she lets her lust take over as well. It’s a sexy and touching story where Ms. Austen’s fabulous characters get to have a bit of Brazil in them. They are impulsive and hot blooded; forward and a bit naughty sometimes; certainly more opened to one another and always very strong minded.

How cool is that?
summer time, widow, CFO, phone hacking, afraid of relationships,
very smart mind for her, accountant, sleaky partner...
soooo much in common!
imdb
My Lizzy doesn't have a daughter, 
but a kid sister young enough to be her daughter!

The movie is very entertaining, the actors are cute, the ending is a bit abrupt but all in all, it's nice to watch it.

My novel is here


My new JAFF novel, a Regency P&P sequel, is here


And I'll keep watching Hallmark movies sniffing for hidden Austen bits. 

See ya