Moira Bianchi: Era uma vez no Natal

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Era uma vez no Natal

Então chegamos ao Natal, e o que você tem feito neste ano?
Está na hora de fazer as contas com o bom velhinho e aquecer o coração. Tenho aqui uma boa opção para te colocar no clima...

Era uma vez no Natal
coletânea de contos de final de ano

A editora Pitangus, casa dos Lordes Imperfeitos, me convidou para entrar nessa coletânea fofa com as outras autoras do quadro. Achei a ideia inspiradora, ainda não tinha composta nada de Natal & de época. Topei!

Sinopse oficial:
O que pode ser mais gostoso do que uma linda história de amor no Natal?
Que tal seis histórias apaixonantes?
A Pitangus Editorial convidou seis autoras maravilhosas para esse projeto delicioso onde cada uma traz uma linda história de amor tendo o Natal como pano de fundo.
Lordes apaixonados.
Colegas de trabalho.
Amigos de infância.
Um amor do passado.
Estranhos que se apaixonam.

Venha se apaixonar por esses seis contos!
-Lorde Natal - Lucy Dib
-Conspiração Natalina - Moira Bianchi
-Santa Baby - Cris Castro
-O Trem - Ceça Lopes
-O Que Eu Quero de Natal é Você - Nathalia Cabral
-Por Favor, Venha Para Casa no Natal - Sissi Freire
***

Na Pitangus, eu e Lucy Dib temos a série de romances de época e por isso, achamos que deveríamos ficar na mesma linha. Um Imperfeitinho rapidinho não estava nos nossos planos - sovinice, embriaguez, etc; temos os defeitos já escolhidos até, mas esse projeto apareceu e então, vieram os LORDES MISTERIOSOS cheios da magia do Espírito Natalino!

Apesar da proposta não ter limites ou diretrizes além de trazer a positividade do Natal, logo de cara eu imaginei um conto de época. Ah, que delícia!

Falar do Natal Vitoriano é mergulhar nas esquisitices clássicas do período e as bases do que somos hoje, nossas influências culturais e cotidianas. Árvore de Natal, cartões de Natal, a comemoração, troca de presentes, etc, etc, etc, tudo muito bacana de pesquisar e para falar a verdade, até tive dificuldades de onde começar!

Acabei escolhendo esse como meu ponto de partida:
cartão natalino, final do séc 19. Coleção do Museu V&A


Os cartões de Natal Vitoriano são tão esquisitos! Muito diferentes do que estamos acostumados hoje. Falo mais do Natal Vitoriano aqui.

De volta ao conto da 'Era uma vez no Natal', eu parti das mariposas e como um gato é fascinado pela caça a elas. Daí cheguei em um Lorde misterioso que se faz de morto para escapar da caça de moças casamenteiras, até que, durante a celebração de Natal de um hotel refinado, ele reconhece uma alma gêmea em alguém de maneira muito inesperada.


Meu conto é 
'Conspiração Natalina' 
que conta a história de Breena, uma lady filha de Conde, prendada e bela o suficiente cuja vida acontece aos galopes, a cada mês de Dezembro. 
De certa forma, ela até teme a chegada do Natal.
Eis que em um determinado ano, às vésperas do seu aniversário, a magia dos espíritos Natalinos de Krampus e São Nicolau fazem com que ela conheça alguém bem diferente... E tudo começa a fazer sentido quando ela entende que a chave é deixar a magia no Natal entrar no coração.

Conto de época, Era Vitoriana, do universo dos LORDES IMPERFEITOS - neste caso, um gato chamado DUQUE que é muito MISTERIOSO... miau!


Que tal um trechinho?
Breena vagou pelos salões do hotel refinado até achar um assento perto das lareiras.
— Boa tarde. — Ela sorriu constrangida. — Posso? — Apontou a poltrona vazia ao lado da que um cavalheiro ocupava. 
— Pois não.
Ela sentou, acomodou as saias, a reticule, suspirou e se pôs a estudar o folheto da programação de Natal. Então empurrou os óculos no nariz e coçou as unhas no estofado da poltrona, esperou e repetiu. Ia fazê-lo de novo quando ouviu um miado baixo vindo de longe. Alguns momentos depois viu uma sombra se aproximar devagar.
O Cavalheiro soltou um barulhinho na garganta. — Mmm. 
O gato de Breena sequer olhou para ele, também não olhou para Breena. Preferiu conferir a lareira e se encaminhou para outro canto da sala.
— Mistério resolvido, ele é seu. O Krampus.
— Senhor? — Breena perguntou.
— O gato marrom, peludo, muito mal humorado. Eu chamo de Krampus.
— Ele atende?
— Não.
— É porque o nome dele é Sr. Duque. — ela chamou o animal.
O gato parou, virou a cabeça, olhou com desdém e pareceu cogitar voltar, mas preferiu seguir em frente.
Breena deu de ombros. — Ele não gosta daqui. — Explicou. — Ele morreu aqui, coitado. Vem porque não tem escolha; é pequeno, eu enfio ele na bolsa, ele tem que vir. Se pudesse escolher, duvido que viesse.
A curiosa fala sem emoção capturou a atenção do homem. — Seu gato me parece bem vivo.
— Corpo de gato, espírito do meu noivo que morreu aqui. — Ela pausou. — Sabe quem eu sou? — Sabia que ele sabia, todo mundo conhecia todo mundo naquele hotel.
Ele prendeu os lábios. — Sinto muitíssimo.
Ela inclinou a cabeça. — Achei esse gatinho miando em baixo da minha janela há dois anos, no dia seguinte ao falecimento do meu noivo. Ele morreu a caminho daqui no dia do nosso casamento, sofreu um acidente de carruagem na curva da estrada, antes do lago, depois da gruta. — Breena deu de ombros e ficaram em silêncio por alguns momentos.
— Por que Duque?
— É curto. Acidente era longo demais. Carruagem também. Morte é feminino, e ele é macho.
O cavalheiro riu antes de conseguir se segurar. — Desculpe. 
— Imagine. Sei quem você é, o novo Krampus. Aterroriza as crianças.
Ele concordou com a cabeça.
— Achei que só viesse no terceiro dia.
— Este ano sobraram quartos. — ele mentiu.



São muitas reviravoltas, segredos e fofurice de um amor Natalino.
Para ler, clique aqui!

E quem é Krampus? Já ouviu falar?
Te conto aqui neste post de Natal Vitoriano!


Opiniões, sim! Muitas!





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