quarta-feira, 28 de agosto de 2019

9 vezes Orgulho e Preconceito - capítulo 1

Olá!
Como prometido, vou postar os primeiros capítulos do livro novo
9 vezes Orgulho e Preconceito

A Bienal está chegando, começa daqui a poucos dias, e com ela o lançamento oficial deste livro tão bacaninha e sonhador, despretensioso como Betina e seus sonhos amalucados que sabe-se-lá-porquê a levam ao reino de Jane Austen toda hora.

Tudo começa com uma visita muito especial...

9 vezes Orgulho e Preconceito
romance inspirado em Orgulho e Preconceito com Abadia de Northanger + Persuasão
fantasia romântica
contemporâneo + histórico Edwardiano e Regencial
algumas cenas hot (que não serão postadas, pois são de capítulos mais pra frente)
linguagem adulta

Capítulo 1
Um coração cheio de ideias

Betina sorriu, concordou com a cabeça, escaneou o QR do app do celular do cliente, bateu códigos na tela do computador adicionando doses extras e gratuitas de café expresso e perguntou o nome para escrever no copo descartável. 

‘Mark com K.’ A garota disse. 
por favor!!

Betina franziu a testa. 

‘Sinto muita falta do meu namorado. Dessa forma, quando vocês chamarem, vai parecer que ele está por perto...’

‘Ok.’ Betina deu de ombros e escreveu Kark com a caneta especial. Os clientes da cafeteria adoravam quando eles erravam seus nomes, faziam piada por dias. 

‘Vai, pode ir. Está na sua hora do descanso.’ Outra funcionária chegou por trás do balcão. ‘Dou conta da fila.’

‘Tem certeza? Podemos fazer dupla.’ Betina esticou o sorriso – não exatamente para a garota com rosto marcado de acne, mas para o avental que ela havia costurado pessoalmente, incluindo a logo bordada. Era uma beleza.

‘Claro.’ A garota gesticulou. ‘Próximo!’ Gritou para a fila de pessoas ansiosas por uma necessária dose de cafeína.

Uma vez nas mesas do fundo do salão curtindo sua caneca de café com leite, Betina checou as mensagens no seu celular. Mãe, irmã, escolheu o rosto sorridente da amiga que se hospedaria com ela por alguns dias e levou o telefone ao ouvido. ‘Hey, B! Cheguei bem, esqueci como a cidade é caótica! Juro! Olha, ainda tem alguns documentos faltando para entregar na Receita Federal. Será que posso usar o escritório do seu trabalho para preencher os formulários e trazer de volta antes de-’

‘Oh, oi!’ Betina olhou para cima abaixando o celular. ‘Estava te ouvindo agora!’

‘Querida amiga B!’ Lottie ofereceu um abração que as amigas não dividiam há meses, talvez anos. ‘Por que esperamos tanto para nos ver?’ Balbuciou apertando os braços em volta de Betina.

‘Você não gosta sair de Merrytown...’ 

‘E você detesta voltar.’ Lottie pousou a bolsa de viagem no chão. ‘Deveríamos nos encontrar mais vezes.’

‘Está igualzinha, Lottie.’ 

‘Obrigada, acho?...’

‘Sabe que foi um elogio.’ Betina apontou a cadeira ao seu lado. ‘Me conta tudo de casa.’

‘Oh, bem, sua mãe deve te contar as fofocas – com certeza ela sabe mais do que eu!’ Elas dividiram um risinho debochado. ‘No fundo as pessoas estão na mesma, fazendo isso e aquilo, a gente gosta da vidinha de interior.’

‘Café?’ Era a única coisa que Betina poderia dizer, na sua lógica ninguém poderia achar felicidade vivendo vidinha de cidadezinha. Ela acenou para o auxiliar de garçom, apontou para sua caneca, levantou dois dedos e piscou um olho.

Na verdade, ela vivia uma vidinha composta de pequenos prazeres. Tinha se formado há pouco na faculdade de Marketing, mas trabalhava como gerente de cafeteria multinacional e ocasionalmente era caixa de bomboniere do Teatro Metropolitan.

Toda semana ela tinha uma nova e fabulosa ideia para um negócio rentável que lhe faria realizada e estável financeiramente. Ultimamente se dedicava a utensílios de cozinha, coisitas para ajudar pessoas normais a ficarem atraentes enquanto cozinhavam. Aventais, toucas, luvas, descansos de panelas. Mas antes ela poderia ter apostado sua vida no sucesso da bela linha de sapatos, estampas modernosas para camisetas, um esquema infalível para ganhar reality shows, coaching para apresentadores de TV... Betina era uma garota cheia de ideias que infelizmente não eram postas à prova. Sempre sonhadora, jamais guerreira.

‘Já pode ir?’ Lottie agradeceu ao garçom que as trouxe canecas de café especiais para funcionários.

‘Para casa? Quase. E quanto aos tais documentos?’

 ‘Tantos formulários, tantos papéis! Uma burocracia do século passado, deveria ser tudo digitalizado, né?’ Lottie sacudiu a cabeça. ‘Eu jurava que tinha cuidado de tudo...’ Soprou a fumacinha do café quente antes de provar com cuidado.

‘Talvez eu possa ajudar, me mostra.’ Betina franziu a testa. ‘Se alguém me perguntasse, eu nunca ia dizer que o Imposto de Renda ia se interessar por você.’ 

Ela bem que tentou, mas precisou levantar quando sua pausa acabou. Uma das baristas havia faltado naquele dia, Betina precisava atender no caixa para ajudar a equipe e mesmo ocupada, não conseguia lidar com a sensação engraçada trazida pela presença da amiga de infância em seus domínios de adulta.

Lottie parecia não ter envelhecido nada; alta, magra, alegre, sorriso de grandes dentes, cabelo curto, solteira. Sua aura de alegria espontânea fez Betina sentir-se um tanto constrangida pelos quilinhos que nunca fazia força para perder, os planos que nunca fazia força para pôr em prática, o corte de cabelo ousado que nunca pedia no salão bacana onde ia duas vezes por ano, o namorado perfeito que nunca achou.

E continuou trabalhando mecanicamente com um sorriso de plástico no rosto para todos os clientes, inclusive o que vinha sempre: ‘Caffe latte, grande, orgânico, Williams. Boa tarde. 17,75!’
Alguém passou atrás do homem alto.

‘Tchau, Betina, preciso correr para devolver esses formulários antes que a repartição feche por hoje.’

‘Deixa a bolsa, eu levo para casa, Lottie.’ Ela respondeu.
‘Oh, obrigada.’ A amiga passou a bolsa de viagem pesada sobre o balcão alto. ‘Desculpe, moço.’ Pediu ao encostar no cliente.
‘Sem problema.’ Ele balançou a cabeça e educadamente ajudou as duas a manejar a bolsa.

‘Ok.’ Betina voltou ao computador. ‘Seu pedido de sempre... Mesmo valor... 17,75.’

‘Obrigado.’ Ele prendeu um meio sorriso.

‘De nada. Tenha uma boa tarde!’


Mais tarde naquela noite, quando as amigas conversavam no apertado apartamento de Betina, Lottie estava satisfeita por ter conseguido resolver seus problemas.

‘Eu queria voltar para casa amanhã cedo, depois do almoço no máximo.’ Ela suspirou. ‘Tenho que dormir na minha cama.’
‘Seu namorado vai sentir sua falta?’ Betina debochou bebericando sua cervejinha.

‘Tipo assim.’

‘Uau, segredos.’

‘Nada!’ Lottie sacudiu a mão. ‘Eu tenho um relacionamento estável com minha cama. Detestei essa entrevista ter sido marcada sem me dar chance de escolher a data. Início de mês é meu tempo de ficar quietinha em casa, me concentrar, relaxar.’

‘Cólica.’ Betina se contorceu. ‘Bem sei…’

Lottie não respondeu, apenas sorriu como uma gata depois de uma grande lata de patê. ‘Esse lugar é meio exagerado, né?’ Ela mudou de assunto. ‘Você tem bastante mobília e ainda assim, parece que espalha tralha por todo canto!’

mil tesouros guardados
Betina olhou em volta. ‘Não é bagunçado.’ Disse sem ter a intenção, mas soou magoada.

‘Está próximo de um brechó, não é uma balbúrdia, concordo. Eu posso te denunciar para um programa de acumuladores!’
‘Ah, para!’ Betina fechou o rosto, calculou que a alfinetada era só implicância. Depois pensou melhor. ‘Acha mesmo?’

‘Mhum...’ A amiga concordou bebendo sua cerveja long neck. ‘Como consegue enfiar tudo isso nesse lugar tão pequeno?’

‘É só...’ Os olhos de Betina vagaram por seu quarto-e-sala prestando pouca atenção aos detalhes. Na sua cabeça ela viu cada projeto abandonado guardado meticulosamente. ‘Eu tenho ideias que de princípio parecem fáceis de fazer dar certo... Como os aventais que estamos usando na cafeteria, notou?’ A amiga balançou a cabeça, sorrindo desta vez. ‘Eu quem fiz, luvas também. Me deixa te mostrar.’

Pelos minutos seguintes ela explicou um detalhado plano de negócios para uma microempresa que, parecia muito plausível para Lottie.

‘Não sabia que você gostava de cozinhar.’

‘Nem gosto!’

‘E como chegou nisso?’

‘Bem, sabe, observando, matutando, tenho tempo livre.’

‘Então, é isso que você guarda nas outras caixas?’

‘Basicamente o que tenho nos armários também.’

‘Mesmo assim mantém sua vida no modo de espera?’

‘Quem é você? Minha mãe?’

Lottie riu. ‘Só falei, Betina. Você se dedica a essas coisas, mas quando chega na hora de fazer acontecer, você foge.’

‘Dito pela garota que ainda vive na casa que os pais deixaram, não mudou nem um sofá!’

‘Eu comprei um sofá novo, sim; você saberia se me visitasse.’

‘Ainda assim está chamando o sujo de mal lavado.’

As duas amigas ficaram de bico, Lottie considerou se foi uma situação como aquela que sua avozinha a havia orientado: não uma emergência, muito longe de vida ou morte, só o suficiente para cutucar um coração a ponto de voltar a bater no ritmo. ‘Como um desfibrilador?’ Ela havia perguntado em tom de brincadeira. ‘Suncê vai vê, espertinha.’ Sua avó idosa sorriu como a velha bruxa que ela era. ‘Na verdade, suncê vai sentir.’

Lottie encarou seus pés por um tempo procurando organizar os pensamentos, depois inspirou fazendo barulho. ‘Olha, Betina, não queria te-’

‘Nem eu. Desculpe.’

‘Desculpa também.’

Betina se inclinou para frente e elas tocaram os gargalos das cervejas em um brinde de paz.

‘Lembra da minha avozinha?’ Lottie sorriu com amor.

‘Claro!’ O sorriso de Betina explodiu em seu rosto. ‘Nunca vou me esquecer daquele truque de colocar um pedacinho de papel em um copo de vidro cheio de café, acender uma vela ao lado, cantar umas rezas e de repente a gente via a divisão das águas!’ Ela levantou a voz ameaçadoramente. ‘Escuro em baixo, claro como cristal em cima! Eu ficava tão maravilhada pela bruxaria dela!’ Terminou rindo.

‘Não era um truque.’

‘Perdão?’

‘Ela realmente conhecia alguma bruxaria.’

‘Qual é?...’

‘Eu sei que você não vai acreditar em mim, mas eu estive um dia nessa posição que está agora. A diferença é que ela tinha olhos de lince em mim e resgatou meu coração confuso antes que eu construísse esse império de inutilidades.’ Lottie gesticulou em volta. ‘Talvez eu não possa te ajudar, você pode precisar dela, mas bem, sou o melhor que você tem.’ 

‘Falando em enigmas, queridona.’ Betina revirou os olhos e levantou para pegar novas cervejas na geladeira. ‘Tem SAP?’

‘Claro.’

Quando ela voltou da pequenina cozinha, sua amiga tinha tirado um saquinho de erva da bolsa. ‘Beck? Não é permitido aqui no prédio. Se os vizinhos sentirem o cheiro, vai ser reclamação sem fim!...’

‘Não é maconha. É chá.’

‘Ah, tá. Chá de fumar!...’

‘Estou falando sério.’ Lottie insistiu e puxou Betina pela mão para sentar ao seu lado. ‘É coisa séria, presta atenção.’

‘Ooh, tapa idôneo na pantera.’

‘Cala a boca, Betina! Não é maconha, é belladama.’

‘Hein?’

‘Belladama antiga e selvagem, muito forte, híbrida, não se acha em lojas especializadas. É ouro em folhas.’

‘E para que serve esse tesouro todo?’

‘Felicidade.’

‘Fala sério!’ Betina ia levantar, mas a amiga a segurou.

‘Não vai curar sua vida, só vai te dar uma vista privilegiada de... Um... Camarote para o jogo de final de campeonato; um lugar privilegiado para analisar as coisas.’

Betina uniu as sobrancelhas começando a pensar que a amiga tinha enlouquecido. Solteira, chegando nos trinta, morando sozinha na casa vazia desde que os pais faleceram...

‘Você vai escolher uma caneca antiga, nem grande demais, nem chique demais, só uma que você goste. Encha de água fervente e coloque as folhas por cima. Cubra com um pires, deixe descansar por alguns minutos enquanto toma um banho, coma algo leve, talvez uma sopa. Nesse saquinho tem o suficiente para duas canecas, mas você não vai tomar duas canecas de uma vez, estou de dando duas viagens.’

Para seu lugar de lunáticos, Lottie Loka? Betina pensou.

linda e inspiradora
‘Quando a temperatura estiver boa para você, não tem certo ou errado, você coa para outra caneca e retorna o chá cor de morango dourado para sua caneca favorita. Te falei que não pode ser nova? Tem que ser alguma que você já tem, Betina, isso é muito importante. Daí você vai para cama.’

Houve silêncio. Betina não sabia como responder ao sorriso da amiga.

Lottie estava cheia de uma mistura de pena e animação em dividir seu segredo; era um grande passo para ela.

‘Vou dormir feliz hoje, então!’ Betina disse finalmente.

Lottie sacudiu a cabeça. ‘Espera até eu chegar em casa, tome o chá amanhã à noite, é sexta. Pode tirar o final de semana de folga?’
‘Acho que sim, mas gosto de trabalhar no Met.’

‘Esse final de semana não, você vai dormir direto.’

‘Por dois dias?’ As sobrancelhas de Betina subiram às raízes dos cabelos. Nem ferrando vou tomar aquele veneno!

‘Mais ou menos.’

‘Como sabe que vou estar bem se vai estar longe, lá na sua casa?’
‘Vou saber.’ Lottie mostrava certeza absoluta, mas Betina ainda desconfiava. ‘Há quanto tempo nos conhecemos?’

‘Desde o jardim de infância.’

‘E vai deixar de botar fé em mim agora?’

‘Como não? Me conta que sua avó era bruxa, começa a falar em enigmas, me dá um elixir mágico da felicidade...’

‘Não é mágico, não mistura as estações. Quando você acordar vai ser a mesma pessoa, mas a belladama híbrida vai ter te ajudado a ver o melhor lado das coisas. É como um respiro, aflora a força que você não sabe que tem.’

‘Você usa?’

‘Sim.’

‘Sempre?’

‘A cada dois meses. Talvez uma vez ao mês se eu não estiver me sentindo bem.’

‘É por isso que não mudou nada desde que ficou sozinha quando seus pais faleceram?’

Lottie fechou os olhos, sorriu afetuosamente, franziu o nariz. ‘Eu mudei à beça.’ Ela sorriu. ‘Você vai entender.’ Demorou ainda alguns momentos até que ela abrisse os olhos novamente.


Naquela noite Betina nem dormiu porque manteve o saco de chá sob vigilância. 

Lottie tinha ajudado a escolher uma caneca preta estampada com asas e ela guardou o saco dentro. Para parecer atenciosa, ela levou a preciosidade para seu quarto e colocou sobre a pilha de livros da sua mesinha de cabeceira dizendo que queria manter o presente por perto. No entanto, começou a temer o troço.

Bruxaria de verdade? Jura?

Poderia ser divertido?

Ou era só patetice?

Huh!

~ continua no capítulo 2 ~

já viu o BOOKTRAILER?
tem até uma versão estendida...

9 vezes Orgulho e Preconceito 
está disponível em ebook e brochura

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Sanditon - os personagens da minisérie

olá!
a tão falada minisérie estreiou!

E olha, nem sei o que dizer, 
ainda estou pensando sobre tudo que assisti!

depois de resumir SANDITON listando os personagens com cuidado para usar as (poucas) palavras de Austen, confesso que mesmo esperando a versão do ótimo roteirista Andrew Davies, fiquei bem surpresa com o que ele preparou. 

Achei na revista Hello! online uma prévia dos personagens que nos dá uns pitacos do que virá por aí - e me fez tecer umas teorias maléficas! Buahaha
Mas vou ficar só no que a revista contou, comparando com Austen.
S'imbora!
eu poderia resistir, mas não consigo! Essa cena...
Ah!... Au mer, allons y!


Leia no original aqui. 'The ultimate Sanditon character guide - from Charlotte Heywood to Sidney Parker' ou sigamos na seleção com comentários. Achei legal porque todos são comparados com personagens de outras obras, então deve ter sido assim que o roteirista fez, uma salada... Disso a gente entende, né non?


Charlotte Heywood


Um cruzamento entre a imaginativa Catherine de Abadia de Northanger e a obstinada Lizzie da Orgulho e Preconceito. Espere que ela seja adorável, sempre a procura de uma risada (ou, como Lizzy é descrita em O&P, "deliciando-se com qualquer coisa ridícula"), mas tem coração de ouro também. Charlotte é uma garota do interior, empolgada e deslumbrada com tudo que Sanditon tem a oferecer. Ela é enérgica e por sua criação simplória, não sofre com as restritas expectativas da sociedade - incluindo as obsessões com dinheiro e casamento - o que faz dela um sopro de ar fresco. Embora originalmente seja uma incógnita, essa adaptação destaca as opiniões e a maneira direta de Charlotte. Ela é uma heroína moderna, pronta para abraçar o novo século.
>> Bem, Austen deixa claro que Charlotte é simples, concordo com a comparação com Catherine Morland. Talvez não fosse tão ingênua. Eu diria Catherine + Fanny Price.


Sidney Parker


Sua indiferença e arrogância são de Mr. Darcy de O&P, mas ele é propenso a brincadeiras e provocações como Henry Tilney, da Abadia de Northanger. Prepare-se para desmaiar de amor. Apesar de apenas um breve encontro entre os dois no original de Jane Austen, Sidney foi criado como o par romântico de Charlotte, tendo sido descrito como "muito bonito". Ele é a ovelha negra de sua família, inquieto, imprevisível e de volta a Sanditon com relutância. Sua história de fundo agora inclui um amor perdido e uma riqueza independente do comércio de açúcar. Sidney fica irritado com a tendência de Charlotte de dizer o que pensa, mas é isso que o atrai, no entanto.
>> Sidney não tem falas no cânon, e pelo que se conta, ele não tem nada de Darcy, Brandon, Wentworth ou Knightley. Nadica de nada dos heróis sérios de Austen. Ele é descrito como animado, brincalhão, debochado. Tilney, sim, com certeza. Bingley, talvez. Achei que exageraram nele no primeiro episódio. Lindo, mas virado no Jiraya. Precisava disso, não, fofy. credo!
essa barba por fazer? Pode isso, produção?...

Lady Denham


Lembra a dominadora Lady Catherine de Bourgh de Orgulho e Preconceito, também Mrs. Norris, de Mansfield Park, com sua maldade e apreço pelo dinheiro. Lady Denham é a Grande-Dama de Sanditon. Com dois maridos falecidos, ela conseguiu adquirir título e fortuna. Com vários jovens parentes desejosos de garantir seu favor, ela está cercada de bajulações. Bem desenhada no romance de Jane Austen, Lady Denham é dura-na-queda, antiquada e direta - o que irrita muitos.
>> Concordo, mas ela tem um tanto de fofoqueira. E ainda acho que tem um cheiro de mistério, assassinato, Agatha Christie.


Tom Parker e Mary Parker

A bondade inata de Tom é como a de Bingley, de O&P, enquanto Mary foi transformada de uma Mrs. Allen de Abadia de Northanger para uma carinhosa Lady Russell da Persuasão. Tom Parker é o chefe da família Parker e a força motriz do desenvolvimento do balneário Sanditon. Endinheirado, Tom é propenso a assumir riscos. A paciente esposa Mary apóia o esquema do marido. Ela foi desenvolvida do romance para a âncora da família, em vez de um acessório inútil.
>> Acho que ele tem bastante do cunhado de Lady Susan, Mr. Vernon. De Bingley, não sei. Acho que fizeram a comparação pelo entusiamo. Quanto à esposa, no cânon não há nada que indique que ela seria inútil...


Jovem Stringer


Semelhante a: Sr. Knightley, de Emma, sempre cheio com boas intenções. O capataz de Tom Parker é ambicioso, talentoso e interessado em progredir. Ele é levado pelo comportamento franco de Charlotte e também causa uma impressão nela, apesar dos limites de classe. Isso cria um triângulo amoroso complicado entre ele, Charlotte e Sidney Parker.
>> O cânon só menciona que o ele e o pai têm uma venda de hortifruti... Então, vamos esperar.


Diana Parker e Arthur Parker


Arthur é semelhante em apetite a Sir Walter Elliott, de Persuasão, e Diana é uma jovem Mrs. Bennet. Os irmãos Parker, Diana e Arthur são uma interessante dupla. Vivendo juntos, eles afirmam ser inválidos - embora nenhum deles apresente muitos sintomas. Arthur é fã de comida e bebida. Diana hipocondríaca se preocupa com o irmão, enquanto se ocupa das últimas fofocas de Sanditon.
>> Cortaram Susan, a irmã mais doentinha que faz sangrias, aplicação de sanguessugas e extração de dentes. Vixe! Acho que eles têm muito de Mr Woodhouse de Emma, querido pappa da mimadinha rica. São futriqueiros e bem-humorados, ao que parece, bem-intencionados também. Achei curioso comparar  Diana com Mrs. Bennet... Huh! E discordo de Sir Elliott. O comparativo dele está no baronete mesmo...


Sir Edward Denham e Esther Denham


Henry Crawford de Mansfield Park e Isabella Thorpe da Abadia de Northanger, com os olhos nos respectivos prêmios. E misture com John e Fanny Dashwood de Razão e Sensibilidade, em termos de avareza. Sir Edward e Esther Denham são meio-irmãos bem próximos, muito intencionados em conquistar a fortuna de Lady Denham. Edward é bonito, mal-humorado e decido a arruinar qualquer um que estiver no caminho. A franqueza de Esther parece cáustica e bate de frente com a de Lady Denham - embora atraia a atenção de Lorde Babington.
>> Bem... Não quero dar spoilers do primeiro episódio que foi, bem, assim, sei-lá, uau; mas esses dois parecem que serão ótimos nas maldades! Ele tem muito do pai de Anne Elliott de Persuasão - nobre e falido, e de Frank Churchill de Emma - escroque de quinta, e de Wickham - podrão. A cena dele com Clara poderia ter sido diferente, éca! 
A irmã Esther, êta! Nem sei! Furacão... Nem vou falar mais pq sou a rainha dos spoilers.


Clara Brereton


Fanny Price do Mansfield Park em status, mas Lucy Steele de R&S por natureza, como quem está planejando algo. Clara é outra manipuladora master. À primeira vista submissa e doce, ela é uma péssima parenta de Lady Denham. Tendo lutado até agora, ela está determinada a garantir a fortuna. Ela está pronta para vencer Sir Edward e Esther nos afetos de Lady Denham, por qualquer meio necessário.
>> No cânon, ela é mais apagada que Jane Bennet, é tipo uma Mary até que Sir Edward aparece com sua canalhice e aí ficamos sabendo que ela dá corda para vera té onde ele vai. É falsiane também... Seria uma lutadora com Charlotte Lucas de O&P? Ou esconde o jogo como Harriet de Emma? Enfim, no primeiro episódio, com ele, Sir Edward, ela protagoniza uma cena que achei de mau-gosto. Ainda tô tentando entender o para quê daquilo.


Miss Lambe


Louisa Musgrove de Persuasão, a garota loka de alto astral que se joga na vida. Georgiana Lambe é uma herdeira das Índias Ocidentais e a primeira personagem negra de Jane Austen. Distanciando-se do cânon que a descreve como silenciosa e delicada, Miss Lambe está pronta para falar e causar problemas. Ela também é a tutelada de Sidney, que a trouxe a Sanditon sob o olhar atento de uma governanta. Ela forma uma rápida amizade com Charlotte.
>> No cânon, ela é mestiça o que sugere pele bem mais clara - o que não parece fazer diferença porque o povo fica loko mesmo é com a grana dela... E ela vai para Sanditon com o Seminário onde estuda boas-maneiras. Eu achei curioso que Sidney resistia aos convites do irmão aparece de repente logo depois que as moçoilas desse tal seminário chegam no balneário. Na minissérie, tanto ele quanto ela, Lambe, têm passado nebuloso e estão ligados... Mmm... pensei logo numas teorias maquiavélicas. No primeiro episódio, é dito que ela tem 100mil - uau! Lembra que o mais rico até então era Mr Darcy com 10mil por ano? Seria o valor dele em uma década! Para uma mulher?! E não vou dar mais spoilers. Porque sei me controlar.
Mas, tem gente apostando que ela será um tipo de Jane Fairfax de Emma, aquela que parece boba, mas que muda a história toda... Ai, que curiosidade!


hello!

Essa maquete é tão magnífica!
E só nos resta esperar o desenrolar da trama!

enquanto isso, tem meu livro novo

vários sonhos de Orgulho e Preconceito, e o mesmo amor!
até,



domingo, 25 de agosto de 2019

Sanditon - um resumo de capítulos

Olá!
hoje é um dia feliz em Austen Nation, dia de estreia de seriado caprichado baseado em uma de suas obras! Oba!
SANDITON


Obra inacabada, curtinha, à beira mar, uma pena que ela não teve tempo de terminar... Ah, que pena! Foi seu último trabalho, tão promissor... 

Com o zum-zum-zum do lançamento do seriado, muita gente me perguntou que livro era esse. Faz sentido, Sanditon demorou a ser traduzido aqui. Daí, conversei com minhas amigas Darcy e organizamos um resumão carnudo.

Vou postar em duas partes, caso você prefira ler uma coisa ou outra. 
1ª PARTE: PERSONAGENS
2ª PARTE: CAPÍTULOS
Sugiro ler as duas, 
depois ler uma das traduções profissionais. 

Vale a pena, vai ver! Austen afiada, prometendo grandes segredos, mistérios, intrigas e fofocas. E romances com um herói misterioso.


Ao final, coloquei links para download deste resumo GRATUITAMENTE em PDF, KINDLE ou EBOOK.

Aqui estão eles, os ilustres Austenites da beira-mar.


Sanditon
twitter itv
Jane Austen, 1817
Um resumo bem-intencionado por Moira Bianchi em 2019
Revisão de Adriana Salles
Supervisão de Raquel Sallaberry

A princípio, eu pensei em traduzir os 12 capítulos (11,5), mas isso seria trabalho de profissional. Indicamos que leia o original ou traduções profissionais como esta e esta. Austen não é uma autora fácil e amigas especialistas de Austen Nation indicaram a boa ideia de fazer um resumão carnudo recheado de citações e alguns comentários que deixasse claro o tom irônico de Jane.

Lendo com cuidado, Sanditon parece quase amarga. Talvez Jane já estivesse sentindo demais a idade do condor (com dor aqui, com dor ali...). Vemos isso nos doentinhos Parker. Em discussões nos confins Austen Nation, cada Janeite tem uma opinião sobre o estado de espírito que ela deveria estar. Doente sabemos que sim, logo depois ela veio a falecer, mas será que ela achava que sofria de hipocondria ou escreveu sua falta de paciência com doentes imaginários por saber sofrer doenças reais e sem solução?

Sanditon é muito pequena, apresentando apenas os personagens principais e secundários. Quando o enredo começa a se desenvolver – bem no capítulo 12 – ficamos na mão. No entanto, parece que o tema central seria a evolução da sociedade, do velho para o novo. Talvez uma alegoria para a evolução das pessoas. A vila de pescadores deve virar um balneário elegante, mesmo que com muito esforço da parte dos organizadores. Murro em ponta de faca, ela parece dizer.

Por vezes, quando fala das parentalhas da rica, sovina e mal-educada Lady Denham, Sanditon faz pensar em um plano de vingança e cobiça tipo Agatha Christie (nascida somente 73 anos após o falecimento de Austen). Sei lá, um feels...



Enfim, vamos a la playa!
INTRO
Na edição da Gutenberg au, existe esta introdução:
“Sanditon foi a última obra em que Jane Austen trabalhou, e deixou inacabada no momento de sua morte em 18 de julho de 1817. O manuscrito sem título, escrito de próprio punho por Jane Austen, é o rascunho de uma obra de ficção substancial e em evolução. Totaliza... cerca de 24.000 palavras, é talvez um quinto de um romance completo ... James Edward Austen Leigh forneceu o manuscrito preciso sob o título 'The Last Work', na segunda edição de sua Memória de Jane Austen (1871), e RW Chapman publicou a primeira transcrição completa sob o título Fragmento de um romance em 1925 (Fragment of a Novel). No entanto, "Sanditon" parece ter sido um título não oficial usado na família Austen pelo menos a partir de meados do século XIX. Uma edição fac-símile em papel do manuscrito foi publicada em 1975, com uma introdução por BC Southam "

O site Wikipedia diz que ‘a cidade de Sanditon é provavelmente baseada em Worthing onde Austen se hospedou em 1805, quando o balneário começava a ser desenvolvido, em Eastbourne; ou em Bognor Regis, cujo fundador Richard Hotham foi a inspiração para o Sr. Parker.’

Antes da série da Itv (agosto de 2019), já houveram muitas continuações compostas por muitos autores. A mais famosa é a de ‘Jane Austen and another lady’. Mas também tem a de Anna Lefroy, dita sobrinha literária de Jane. Veja esta, esta, esta.


Este resumo teve como base a versão disponível no projeto Gutemberg , visitado em agosto 2019. Procurando online, se acha resumo mais isento, desprovido de comentários, como o do blog Austenprose em Inglês. Mas, neste caso, recomendo ler o original que é bem curtinho.


Capítulo 1
Um casal de posses viaja a negócios (de carruagem) por estrada rural e ruim de Sussex até sofrerem um acidente e são socorridos por um cavalheiro local, Mr. Heywood que fica muito surpreso com uma carruagem pela estrada íngreme. O cavalheiro viajante, Mr. Parker, sai da carruagem com pé torcido, a senhora, Mrs. Parker sai ilesa. Ele pede para chamar um cirurgião, mas o Mr. Heywood informa que não há nenhum na área, Mr. Parker mostra um anúncio de um médico em Willingden, cidade próxima, e Mr. Heywood informa a ele que há duas Willingden no país- Great Willingden e Willingden Abbots - a do anúncio ficava a sete milhas de distância. Mr. Parker lamenta, Mr. Heywood propõe que eles consertem a carruagem e oferece hospedar os Parkers para curar o tornozelo até partirem. 
radio times
Mr. Parker conta que eles são de Sanditon.

‘...todo mundo já ouviu falar de Sanditon. Um balneário novo em ascensão, certamente o local favorito entre todos que podem ser encontrados ao longo da costa de Sussex - o mais favorecido pela natureza, e provavelmente o mais escolhido.’

Mr. Heywood diz que não gosta muito de balneários badalados por achar que inflacionam preços das provisões como acontece em Brighton, Worthing ou Eastbourne; acha que a costa já está cheia deles. Mr. Parker afirma que é um equívoco comum e que isto acontece em balneários maiores, mas não em Sanditon. 

‘...O gosto e as finanças de todos podem ser satisfeitos (em número e tipos de balneários). ... Um lugar como Sanditon, senhor, posso dizer que era desejado, foi pedido. A natureza marcou o lugar, falou em muitas características inteligíveis. A mais pura brisa marinha da costa - reconhecida como sendo - excelente banho - areia dura e fina - águas profundas a dez metros da costa - sem lama - sem algas - sem pedras escorregadias. Nunca houve um lugar mais palpavelmente projetado pela natureza para a recuperação de doentes - o mesmo local que milhares de pessoas parecem precisar! À distância mais que desejável de Londres!...’

Mrs. Heywood, suas filhas e criadas se juntam a eles e oferecem assistência em sua casa mostrando que, apesar de serem uma família do interior, tinham posses e bons modos. Mrs. Parker, ansiosa por descanso, acompanha as meninas educadas e gentis para dentro de casa. Descobriu-se que a carruagem precisava de grande conserto antes que pudessem continuar, o que sugere uma estadia longa para os Parkers.


Capítulo 2
Os Parkers ficaram uma quinzena. 

Os Heywoods foram anfitriões encantadores e atenciosos. Neste ponto, é possível que Austen enfatize o caráter da família simples para, mais tarde, fazer contraponto com os falsianes do balneário.
Mr. Parker, falante e animado, conta seus planos de transformar Sanditon em um balneário badalado, quase revelando que são ele e sua sócia quem fazem força para que o lugar aconteça. Afinal, até poucos anos antes, Sanditon era apenas uma pequena e despretensiosa vila de pescadores.

Foi este plano que o levou até aquelas paradas. Procurava um médico para morar em Sanditon configurando o lugar como um resort para convalescências. Tamanha sua dedicação que Sanditon era sua segunda esposa, seu cavalinho de pau – brincadeira favorita, passatempo. 

‘Ele (Mr. Parker) considerava de fato certo que nenhuma pessoa poderia estar realmente bem, nenhuma pessoa (embora sustentada no presente por fortunado auxílio de exercícios e elixires em uma aparência de saúde) poderia estar realmente em um estado de saúde seguro e permanente sem passar ao menos seis semanas perto do mar todo ano.’

Ele não conseguiu convencer Mr. e Mrs. Heywood a visitar o lugar, apesar de eles nunca saírem de casa, concordaram em deixar a filha Charlotte, de 22 anos, ir com eles para Sanditon. 
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Por que não? Eram apenas estranhos, né? Amáveis e educados estranhos... 


Capítulo 3
A caminho de Sanditon, Mr. Parker profere um falatório; fala e fala e fala contando a Charlotte a história dos moradores de Sanditon que ela vai conhecer, principalmente sua sócia nos negócios e na especulação, a grande dama de Sanditon, Lady Denham. Tanto fala bem quanto mal, conta dos parentes, ex-maridos, bens e o quão sovina a senhora poderia ser. 

‘Toda vizinhança deve ter uma grande dama.’ Esta é ‘a frase’ de Sanditon. E o ponto em que começa a trama de ‘todos de olhos na boutique de Lady Denham’...

 ‘A grande dama de Sanditon era Lady Denham; e em sua jornada de Willingden até a costa, Mr. Parker deu a Charlotte um relato mais detalhado dela do que havia sido pedido.’


Capítulo 4
Chegando a Sanditon, logo de cara já se notam as mudanças feitas para a modernização do local. Eles passam pela antiga casa dos Parkers.

‘Lugar muito aconchegante’ Charlotte diz e Mr. Parker explica: 'Esta é a minha antiga casa, a casa de meus antepassados, a casa onde eu e todos os meus irmãos e irmãs nascemos e fomos criados, e onde meus três filhos mais velhos nasceram; onde Mrs. Parker e eu vivemos até a nossa nova casa ser concluída há dois anos.’ E que agora é ocupada por um inquilino. Ele conta que saíram dali por ser lugar sem vento ou vista, embora não estivesse longe da costa. Ele construiu a nova Trafalgar House, uma casa grandiosa na colina, mas gostaria que ele a tivesse chamado de Waterloo, mais moderna. Referência à última batalha da Inglaterra contra Napoleão.
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Mrs. Parker ainda se ressente da troca, sente falta do jardim e da horta, do espaço para as crianças; o marido fala que agora ela pode fazer muitas coisas com mais facilidade (como compras de mimos, passear e reforçar o comércio local) por estarem em um lugar melhor. Austen reforça neste ponto a dor e a delícia das mudanças e da modernidade.

Pela primeira vez ouvimos de Sidney quando Mr. Parker fala que o irmão acha que a casa velha deveria ser transformada em hospital devido aos relatos de doença dos irmãos. Fala da picardia e deboche do irmão, bom humor, presença de espírito.

E então somos também apresentados a Sanditon per se – o que é curioso se pararmos para pensar, a correlação da cidade que quer ser elegante com o herói misterioso e elegante..

Sanditon aparece assim: ‘Eles passam pela igreja e pela bela vila com suas casas de pescadores todas arrumadas com cortinas e anúncios “Para aluguel”. Mais à frente: ‘...avistaram duas elegantes moças de branco com seus livros e bancos dobráveis; e ao virar a esquina da padaria, o som de uma harpa pode ser ouvido vindo do andar superior.'

Tais visões e sons eram altamente agradáveis para Mr. Parker. Não que ele tivesse alguma preocupação pessoal com o sucesso da aldeia; por considerá-lo muito distante da praia, ele não fizera nada ali; mas era uma prova muito valiosa da crescente fama do lugar.’
Muito simpático relato, não é mesmo? E fica ainda mais fofo, provando que Austen é Austen e a gente ama mesmo!

‘Civilização, civilização, de fato!’ Afirmou Mr. Parker, encantado.
‘Olhe, minha querida Mary, olhe para as vitrines de William Heeley. Sapatos azuis e botas de nankeen! Quem teria esperado tal visão em um sapateiro na velha Sanditon! Isso é novidade neste mês. Não havia sapato azul quando passamos por aqui há um mês. Glorioso, de fato!’

A animação toda se dá mais ao fato de ter comércio bacana do que nos itens em si, acho. As botinhas (veja um artigo aqui) eram boas para caminhadas, o que muito se fazia em balneários; e as sapatilhas azuis deveriam ser caras já que o corante era um luxo na época (artigo aqui).

Continuam sem parar de carruagem a caminho de casa. Sobem o morro e passam por Sanditon House, o último edifício dos velhos tempos da paróquia, e chegam à área moderna. Há menos pessoas e carruagens, mas Mr. Parker atribui isso às pessoas que tomam ar no Terrace*, o lugar onde ‘a melhor chapelaria e a livraria ficam, e logo depois o hotel e a sala de bilhar; também a descida para a praia e para as ‘máquinas de banho’*. E este era, portanto, o local favorito para a beleza e a moda. 

A Trafalgar House ficava no local mais elevado do penhasco, era leve e elegante com um pequeno gramado.

*Terrace aqui pode ser um terraço, área aberta com vista ou terraced houses muito em voga na época. Do Wikipedia: ‘Essas construções foram introduzidas em Londres na década de 1630 e se tornaram uma marca registrada da arquitetura Georgiana na Grã-Bretanha (época de Jane Austen), incluindo Grosvenor Square, Londres -1727 e Queen's Square, Bath - 1729. 
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Eram linhas de casas geminadas que usavam métodos construtivos simples e materiais de construção locais, como p.e. pedra da cidade de Bath.  O ‘terraço’ era projetado para manter a família e criados em um único prédio. A sala de estar (parlour) tornou-se o maior cômodo da casa e a área onde a aristocracia entretinha e impressionava seus convidados.’ 

*Máquina de banho era uma casinha montada sobre uma carroça pequena que era empurrada para dentro d’água por cavalos de forma que as pessoas saíssem já na altura de mergulho ou flutuação – algo como entrar na piscina pelo lado fundo, só que no mar.
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Capítulo 5
Ao invés da esperada carta do irmão Sidney em resposta à que ele mandou quando hospedado com os Heywood, Mr. Parker recebe uma de sua irmã Diana. Além de contar da saúde debilitada dela e dos irmãos Susan e Arthur (relatos para os quais Tom diz ‘Sidney é um sujeito atrevido, Miss Heywood. E você deve saber, ele vai ter uma boa dose de imaginação sobre as queixas das minhas duas irmãs.’ 

Neste ponto, apesar de já termos visto Sanditon, de Sidney somente ouvimos contar. É um mistério...

Na carta, a irmã faz uma série de recomendações para curar o tornozelo torcido de Mr. Parker (já esquecido a este momento) e lista um sem número de doenças para os irmãos. Charlotte fica horrorizada com tanto sofrimento! Parece que são inválidos, mas a linguagem é de alguém muito vivaz, o que sugere saúde e sagacidade. Percebemos a ironia de Austen fazendo graça dos doentinhos e sugerindo hipocondria.

Lá pelas tantas, na longa carta, Diana conta que está tecendo uma trama complicada para levar muitos hóspedes para Sanditon: uma família de Surrey, uma herdeira rica das Índias e um Seminário de moças.


Capítulo 6
Os Parkers e Charlotte visitam a livraria, Mr. Parker ficou desapontado com a falta de novidades na lista de assinantes, mas acha que vai melhorar. É um otimista inveterado, recusa a se entregar. Charlotte adiciona seu nome à lista. A livraria estava cheia de tentações e, perigando gastar todo seu dinheiro logo de uma vez, ela pega somente um volume - Camilla de Frances Burney. Várias biografias dizem que Evellina, da mesma autora, provavelmente influenciou Austen em Orgulho e Preconceito. É muito bacana ver esta citação, e outras obras, aqui em Sanditon. 

Depois dali, eles encontram a famosa Lady Denham e Miss Brereton e gentilmente convencidos pela idosa dama, voltam a Trafalgar House juntos dando a Charlotte a chance de avaliar a relação da sobrinha pobre com a tia rica. ‘Sua situação com Lady Denham é muito a favor disso! (Charlotte compara Clara com Camilla, heroína do romance que acabou de comprar). Ela parecia estar ali com o propósito de ser mal utilizada. Tal pobreza e dependência unidas a tal beleza e mérito pareciam não deixar nenhuma escolha na tratativa.’

Charlotte também nos dá a chance de ver a relação de Lady Denham com Mr. Parker quando ela avalia os esforços dele. Acha bobeira ele ter ido à caça de um médico (ela acha que médicos são desnecessários nessa vida de meu Deus), mas gosta da notícia de hóspedes ricos a caminho de Sanditon. Especialmente quando sabe da saúde frágil da herdeira rica já que tem jumentas cujo leite é ótimo para tuberculosos. Cruzes, éca!


Capítulo 7
Sir Edward Denham e sua irmã Esther visitam os Parkers. Ela é fria e reservada, ele faz força para ser agradável e conversa muito com Charlotte. Ela gosta dele e suspeita ser recíproco. Aqui Austen conversa com o leitor, é maravilhoso!

‘Não peço desculpas pela vaidade de minha heroína. Se há moças no mundo em sua época da vida mais modesta ou mais desinteressadas em agradar, não as conheço e nunca desejo conhecê-las.’

Apesar da irmã querer se livrar dos Parkers e da visitante roceira, o irmão fica até que vê pelas janelas quando Lady Denham passa com Miss Brereton. Daí, Sir Edward se ouriça, inventa uma desculpa, convida a irmã a ir embora e eles se vão. Mais tarde, eles todos se encontram novamente no ‘Terrace’, o fervo de Sanditon, local de encontro oara todos. 

‘Todos que passeavam deveriam começar pelo Terrace; e lá, sentados em um dos dois bancos ao lado do cascalho, estava o grupo dos Denham; mas, embora unidos, estavam distintamente divididos - as duas damas superiores em uma extremidade do banco, e Sir Edward e Miss Brereton na outra. O primeiro olhar de Charlotte lhe disse que o ar de Sir Edward era de um amante. Não poderia haver dúvida de sua devoção a Clara. Como Clara a recebia era menos óbvia, mas ela estava inclinada a pensar de maneira não muito favoravelmente; pois, embora sentasse assim à parte com ele (o que provavelmente ela não poderia evitar), seu ar estava calmo e sério.’

Vemos a intenção de Sir Edward para com Clara que é herdeira da família do primeiro marido de Lady Denham – ou seja, da maior parte da fortuna – e a reação dela um tanto resistente (aos olhos de Charlotte). 

Também começamos a mergulhar no personagem de Sir Edward, pois assim que chegam, ele se afasta de Clara Brereton. Saem em passeio, eles conversam e Charlotte começa a desconfiar dele que se apega a ela com um infinito papo de seca-pimenteira, ou cerca-Lourenço, citando poemas (um deles é The Lady of the Lake- 1810 de Sir Walter Scott). Não é desagradável, é só... chato. Ele erroneamente cita os poemas de Robert Burns e ela percebe. Charlotte começa a pensar que ele é tolo. 

Ele se vai e Charlotte passa a conversar com Lady Denham. Conversa vai, conversa vem, sabemos do desejo de Esther Denham de ficar em Sanditon House, e que Sir Edward, embora herdeiro do título de baronete, é pobre! Não recebe um xelim da propriedade de Denham e precisa se casar por dinheiro. 

‘Agora,’ diz Lady Denham ‘se conseguíssemos que uma jovem herdeira fosse enviada para cá por sua saúde e se recebesse a ordem de tomar o leite de jumenta que eu pudesse fornecer a ela e, assim que ela ficasse bem, e que ela se apaixonasse por Sir Edward!’

‘Isso seria muito feliz mesmo.’ Responde Charlotte.

‘E Miss Ester deve se casar com alguém de fortuna também. Ela deve ter um marido rico. Ah, jovens que não têm dinheiro são muito dignos de pena!’


Capítulo 8
Eles continuam passeando e reencontram Sir Edward e o jovem Withby com uma entrega de livros. Austen então faz o favor de nos explicar a formação do caráter do baronete neste parágrafo primoroso de dar inveja aos mais cafajestes dos heróis de araque atuais.

‘A verdade era que Sir Edward, cujas circunstâncias o haviam confinado demais a um ponto, lera mais romances sentimentais do que lhe cabia. Sua imaginação fora capturada cedo por todas as partes comoventes e censuráveis de Richardson e por autores que pareciam seguir os passos de Richardson, no que dizia respeito à busca determinada do homem pela mulher, desafiando toda oposição de sentimento e conveniência ocupando desde então a maior parte de suas horas literárias e formou seu caráter. Com uma perversão de julgamento que deve ser atribuída a ele não ter por natureza uma cabeça muito forte, os modos, o espírito, a sagacidade e a perseverança do vilão da história pesaram todos os seus absurdos e todas as suas atrocidades com Sir Edward.’

Samuel Richardson é autor de Pamella e Clarissa que hoje são conhecidas como obras clássicas que resvalam em assédio. Parece que na época de Austen também, huh? Gotta love Austen.
E não para... Olha o que Austen continua contando sobre Sir Edward.

‘O grande objetivo de Sir Edward na vida era ser sedutor.’

Um personagem traduzido em uma frase...

Depois a intenção dele fica clara, o capítulo é todo dele.

‘Mas era apenas para Clara que ele tinha sérias intenções; era Clara quem ele pretendia seduzir. Sua sedução estava bastante determinada. A situação da moça em todos os sentidos exigia isso. Ela era sua rival na preferência de Lady Denham; ela era jovem, amável e dependente. Ele tinha visto muito cedo a necessidade do caso, e estava há muito tempo tentando, com cautelosa assiduidade, causar uma impressão em seu coração e minar seus princípios. Clara conseguiu desvendar seu caráter e não tinha a menor intenção de ser seduzida; mas suportava pacientemente o suficiente para confirmar o tipo de apego que seus charmes pessoais excitavam.’

Tudo indicava se tratar de uma batalha: ele deveria seduzir a moça, ela não desejava ser seduzida e, acima de tudo, a sedução só teria utilidade se ela herdasse a fortuna da tia.


Capítulo 9
Alguns dias depois, já um tanto acostumada com a vidinha em Sanditon, Charlotte subia da areia para o Terrace e notou uma carruagem chegando ao hotel, malas sendo descarregadas. Correu para contar aos amigos que a hospedavam e ao chegar a Trafalgar House, percebe uma mulher ágil atrás dela, que a alcança e entra.
Que surpresa, era a doentinha Diana Parker!

Muitos cumprimentos, foi chegada repentina sem avisar, muitos relatos de como os irmãos suportaram a viagem e enfim inicia o desenrolar da trama dos visitantes.

Começam a desconfiar que a tal teia que ela havia tecido era uma pataquada! Os vários grupos de visitantes que ela acreditava estar conseguindo trazer para Sanditon poderiam na verdade, ser as mesmas pessoas! Essa explicação leva mil palavras, fala-se em círculos, Diana é pernóstica, engraçada. Ao final, sabemos que ela arrastou os irmãos doentinhos, pois Mrs. Griffiths, do Seminário Camberwell de moças, era amiga da amiga da sua amiga e por isso merecia ser ciceroneada por ela. 

São feitos arranjos de acomodações para a Mrs. Griffiths e as muitas garotas, inclusive a rica Miss Lambe, uma herdeira jovem e doente, sob seus cuidados. Mr. Parker gosta das notícias, no final das contas são hóspedes jovens e de boas condições.
Assim como Charlotte, ficamos meio tontos com o falatório de Diana!

‘Inválidos de fato.’ Diana fala de si e seus irmãos. ‘Eu confio que não há três pessoas na Inglaterra que tenham um direito tão triste a essa denominação! Mas minha querida Miss Heywood, somos enviados a este mundo para sermos tão extensivamente úteis quanto possível, e onde algum grau de força de pensamento é dada, não é um corpo débil que nos escusa ou nos inclina a nos desculpar. O mundo é dividido entre os fracos e os fortes de mente, entre os que podem agir e os que não podem, e é o dever limitado dos capazes de não permitir que nenhuma oportunidade de ser útil lhes escape. As queixas de minha irmã e as minhas não são felizmente de natureza a ameaçar a existência. E enquanto podemos nos esforçar para ser úteis aos outros, estou convencida que é o melhor para o refresco que a mente recebe ao fazer o seu dever. Enquanto eu tenho viajado com este objetivo em vista, eu tenho estado perfeitamente bem.’

Ufa!


Capítulo 10
Charlotte suspeita bastante das doenças de Diana Parker e suas queixas inventadas. Né, non?... Diziam que o vento do mar lhes seria fatal, e já uma semana em Sanditon estavam ótimos. 

‘Eles tinham corações caridosos e muitos sentimentos amáveis; mas um espírito de atividade inquieta e a glória de fazer mais do que qualquer outra pessoa participava de todo esforço de benevolência; e havia vaidade em tudo o que faziam, assim como em tudo o que suportavam.’

Diana se ocupava dos preparativos para a chegada de Mrs. Griffiths, embora não fosse sua responsabilidade direta ou conhecesse a mulher pessoalmente. 

E então acontece uma cena muito divertida: Charlotte é convidada para o chá com Diana, conhece Susan e Arthur Parker. A sala de estar estava fechada, não com uma janela aberta e um fogo ardente, porque são todos doentinhos e não podem pegar vento! Mas é verão, oras...  

Susan falava tão incessantemente quanto Diana; Arthur era alto, robusto, corpulento, vigoroso, sem olhar de inválido! Mas hein?! Não era ele que sofria de reumatismo, lumbago, nervos?

Não medem esforços para hospedar as moças do seminário entre queixas de doenças, Artur achava que estava frio demais ficou ao lado do fogo, mas na verdade queria fazer mais torradas cheias de manteiga! Quando as irmãs percebem, começam uma discussão, elas fazem ele tirar o excesso e reclamam do chocolate quente muito forte. Charlotte faz de tudo para não revirar os olhos. É uma graça!

‘Espero que você coma um pouco dessa torrada’, disse Arthur para Charlotte. ‘Eu me considero um bom torrador. Eu nunca queimo minhas torradas, eu nunca as coloco perto do fogo no começo. E, no entanto, você vê, não há um canto queimado, mas bem bronzeado. Espero que você goste de torradas.’

‘Com uma quantidade razoável de manteiga espalhada por cima, muito’, disse Charlotte, ‘mas não o contrário.’

‘Não mais que eu’, disse ele, extremamente satisfeito. ‘Achamos da mesma forma. Torrada seca pode ser saudável, eu acho que é uma coisa muito ruim para o estômago. Sem um pouco de manteiga para amolecer, machuca as camadas do estômago. Tenho certeza que sim. Eu tenho o prazer de espalhar manteiga para você, e depois vou espalhar alguma para mim. Muito ruim mesmo para o estômago, mas não há como convencer algumas pessoas. Isso irrita e age como um ralador de noz-moscada.’

Uma carta de apresentação da amiga de Diana para a Mrs. Griffiths chega do hotel, e mesmo cansada, ela (Diana) vai lá oferecer seus serviços. (Assuntar!)


Capítulo 11
Diana fica com vergonha vergonha de confirmar que fez uma grande confusão e que era mesmo um só grupo de hóspedes. A família de Surrey e o Seminário de Camberwell são as mesmas pessoas.

Ela lamenta sua longa jornada a Hampshire, o irmão Tom desapontado, o fato de ter alugado uma casa cara para ela e seus irmãos e, pior do que todo o resto, a sensação de saber que não era clara e infalível como acreditava. É a vida, né Diana? Acontece com todas nós, miga... 

Mas ela logo sacode a poeira e recebe Mrs. Griffiths que trouxe apenas três garotas com ela. Miss Lambe era a mais importante e preciosa, que pagava em proporção à sua fortuna. O lance é que era mestiça (half mulato), fato que Austen não dá importância per se, mas que os personagens ficam ouriçados devido à fortuna da garota. Seria interessante ver como Austen desenvolveria essa personagem, parece que ela lidaria com a cor da pele sem afetação. 
Gotta love Austen!

As outas garotas são as irmãs Beauforts, falsianes baladeiras. Seu tempo era dividido entre atividades para atrair a admiração dos homens e a busca da moda, a fim de cativar algum homem de melhor sorte que a sua. 

‘As Misses Beauforts logo ficaram satisfeitas com ‘o círculo em que se moviam em Sanditon’, para usar uma frase adequada, já todos agora devem ‘movimentar-se em círculo’ para a prevalência de qual movimento rotatório talvez seja atribuído à tontura e à falsidade dos passos de muitos.’ Ironia de Austen em sua boa forma, certo?


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Lady Denham pede para ser apresentada a Miss Lambe, a muito doente e muito rica herdeira que ela deseja para Sir Edward. Ela oferece a ela um ‘cavalo de câmara’ (tipo de cadeira com molas para fazer exercício dentro de casa imitando o balanço da equitação) para a senhorita Lambe.

Todo mundo de olho na grana da herdeira...


Capítulo 12
É quando tudo começa a acontecer, as coisas vão pegando fogo e... acaba!...

Curiosa, Charlotte planeja visitar Sanditon House, a grande mansão de Lady Denham. Depois de algum teretetê, Mrs. Parker concorda em ir com ela e a filha mais velha até a toca da raposa velha. Diana poderia ir com elas, mas não vai porquê...

‘Eu gostaria de poder ir com vocês também. Mas em cinco minutos devo estar com Mrs. Griffiths, para encorajar Miss Lambe a dar seu primeiro mergulho. Ela está tão assustada, coitadinha, que prometi ir e dar-lhe ânimo, e entrar na máquina com ela, se assim desejar, e assim que acabar, devo ir depressa para casa, pois Susan vai ter uma sessão de sanguessugas à uma hora da tarde, o que será um negócio de três horas. Por isso, não tenho tempo de sobra, além disso, entre nós, devo estar na cama neste momento, pois mal posso suportar, e quando as sanguessugas tiverem acabado, ouso dizer que ambos iremos para os nossos quartos para o resto do dia.’

Revirou os olhos para os doentinhos? Então...

No caminho, Charlotte e Mrs. Parker encontram uma carruagem desconhecida.

Quem seria, quem seria? O famoso Sidney!
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Ah, finalmente! Uma chegada triunfante!

Ele acabava de chegar de Eastbourne sem avisar para se juntar a todos os irmãos, e passará dois ou três dias. Dois amigos se juntarão a ele. Todo lindo, 27 ou 28 anos. Charlotte fica impressionada. ‘A aventura (de encontrar o cunhadão bonitão) proporcionou uma discussão agradável por algum tempo. Mrs. Parker mostrou a alegria do marido na ocasião e exultou no mérito que a chegada de Sidney daria ao lugar.’

Oh, como Austen é bandida! Nem nos deu uma fala de Sidney!
Engraçado... Tão arredio, nem mandava carta e quando as garotas do Seminário chegaram a Sanditon ele aparece de surpresa?... Mmm, esse Sidney!...

Porém, assim, na seca, sem nem uma linha de fala direta do misterioso herói, ele segue seu caminho e elas continuam. 

Ao entrar nos jardins da mansão, Charlotte vê de relance algo branco e feminino no campo, meio escondido pelos arbustos. Miss Brereton está sentada com Sir Edward Denham ao seu lado, tendo uma conversa íntima. 

‘Entre outros pontos de reflexão moralizadora que a visão desse tête-à-tête produziu, Charlotte não pôde deixar de pensar na extrema dificuldade que amantes secretos devem ter em encontrar um local apropriado para suas entrevistas roubadas.’

É a conclusão da mesma Charlotte que, há poucos capítulos, achou que Clara recusava os chamegos de Sir Edward... Que angu de caroço, hein?

Dentro da Sanditon House, que é grande e bem mobiliada, nada é novo ou chamativo. Há um grande retrato de Sir Henry Denham, o importante baronete, mas só uma miniatura de Mr. Hollis apesar daquela ter sido sua casa. 


... E Austen nos deixou ...
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Curtinho, bem o início de uma história, há indícios de quem tinha um enredo para contar e que, no entanto, não conseguiu desenvolver. 
Faltou tempo, disposição, foi falta de sorte nossa. Austen deveria ter vivido muito como Rita Lee cantou: virado semente, e sempre que a chuva molhasse o jardim, ah! Ela ficaria contente e toda primavera iria brotar na terra...

Agradecimentos e informações
Moira Bianchi, eu, sou autora de romances e fã de Orgulho e Preconceito, quase a ponto de vício. Aqui você encontra detalhes de meus livros e outros artigos e estudos sobre Jane Austen. Me ache no Facebook: página do blog ou perfil.
Para fazer esse resumo assumindo a honrada tarefa de traduzir e interpretar trechos do trabalho de Jane Austen que tanto admira, Moira pediu ajuda, revisão, orientação e supervisão de grandes amigas Janeites, especialistas e estudiosas da obra e vida da autora.

Adriana Salles está na Jane Austen Society of Brazil, JASBRA. Ache no Facebook .

Raquel Sallaberry Brião está na Jane Austen em Português. Ache no Facebook.


“Não há nada que eu não faria por aqueles que são realmente meus amigos. Eu não consigo amar as pessoas pela metade, não é minha natureza.” 
- Abadia de Northanger, capítulo 6 -
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Este resumo foi concebido de bom grado e está disponível on line em vários formatos. Caso queira reproduzir total ou parcialmente em qualquer veículo, peço que entre em contato solicitando autorização. moirabianchi@icloud.com

Já a obra original, Sanditon, como toda a obra de Jane Austen está em domínio público conforme disposições da Lei de Direitos Autorais, Lei nº 9.610 de 19 de fevereiro de 1998, que limita a proteção de direitos autorais em favor dos sucessores do autor, até o prazo de 70 anos após o seu falecimento do mesmo, contados a partir da data de 1º de janeiro do ano subsequente ao evento-morte. 




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