& Moira Bianchi: Orgulho e Preconceito
Mostrando postagens com marcador Orgulho e Preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Orgulho e Preconceito. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Aniversário de Jane Austen - 250 anos - na Catedral de Winchester

 olá!

Jane Austen completou 250 anos de nascimento em 16 de dezembro de 2025, e Janeites comemoraram pelo mundo de várias maneiras.

Eu fiz inúmeros posts no Instagram, participei de um bake-off, fiz live no Youtube e lancei um livro - UM JANTAR COM JANE AUSTEN. 


Em Winchester, a cidade onde Jane faleceu, a Catedral fez um serviço especial. Jane está enterrada nesta igreja que inaugurou uma estátua nova (aquela de Jane nariz-em-pé) e portanto, um serviço de ação de graças é bem bacana.


O programa está disponível no TwitteX da Catedral, aqui eu posto a versão traduzida.

ORDEM DO CULTO

HINO DE ENTRADA 

(de pé)

melodia Hanover

Senhor, abra nossos lábios

para expressar o seu louvor,

e conceda-nos a sabedoria

para trilhar os seus caminhos.

Grande Autor de histórias,

nossas vidas contam a sua história,

no amor e na dor,

a sua graça jamais falhará.


A Criação narra

a sua glória, ó Senhor,

enquanto nós, em uma só voz,

registramos a sua bondade.

No campo, no parque e no jardim,

cultivamos a sua generosidade,

e compartilhamos suas riquezas

com o vizinho e o amigo.


Contudo, errando, nos desviamos

e nos afastamos de você,

ao deixarmos por fazer

o que deveríamos fazer.

Com suave persuasão,

venha, aqueça cada coração frio;

Senhor, ilumine nossa escuridão,

afaste o perigo.


Onde o preconceito reina,

e o orgulho tenta se apoderar;

reoriente nossas vidas

e seja o nosso norte verdadeiro.

Da raiva, tire um propósito

para servir dia após dia,

caminhar mais perto de Deus

no caminho de Emanuel.


Por histórias gloriosas

que emocionam e encantam

agradecemos-te, com louvor

pelo talento para escrever.

E, Senhor, que nossa leitura

nos inspire novamente

a sermos tão criativos

como tua serva Jane.


SAUDAÇÃO DE BOAS-VINDAS

O Reverendo Cônego Roland Riem, Decano Interino, dá as boas-vindas à congregação e apresenta o culto.


O Senhor nos deu olhos para ver o mundo que Ele criou; uma mente para compreender seus caminhos, e um coração para contar suas histórias.

Pelos dons da inteligência e da sabedoria, e pela graça encontrada na vida em comum:

Damos graças, ó Deus, por tua serva Jane Austen.

Pelas vidas que ela criou e pelas lições que ensinou:

Que possamos encontrar em nossas próprias histórias o caminho da sabedoria e da paz.


LEITURA

Provérbios 4.1-9 (sentados) 

Lida por Louisa Price, em nome da Jane Austen House.


Ouçam, filhos, a instrução de um pai, e prestem atenção, para que adquiram entendimento; pois eu lhes dou bons preceitos: não abandonem os meus ensinamentos.

Quando eu era filho de meu pai, tenra e a predileta de minha mãe, ele me ensinava e me dizia:

‘Guarde as minhas palavras no seu coração; observe os meus mandamentos e viva.

Adquira sabedoria; adquira entendimento; não se esqueça, nem se afaste das palavras da minha boca.

Não a abandone, e ela o guardará; ame-a, e ela o protegerá.

O princípio da sabedoria é este: adquira sabedoria, e, acima de tudo, adquira entendimento.

Valorize-a muito, e ela o exaltará; ela o honrará se você a abraçar.

Ela colocará sobre a sua cabeça uma bela grinalda; Ela te concederá uma bela coroa.


HINO 

(sentados)

melodia: Charlotte Baskerville

Conceda-nos a graça, Pai Todo-Poderoso,

para orarmos de modo a merecermos ser ouvidos.

Conceda-nos a graça de nos dirigirmos a Ti com o coração, assim como com os lábios.

Tu estás presente em todo lugar, de Ti nenhum segredo pode ser escondido.

Olha com misericórdia para os pecados que cometemos hoje.

Conceda-nos um sentimento de gratidão pelas bênçãos em que vivemos.

Conceda-nos a graça, Pai Todo-Poderoso.


Palavras abreviadas de uma oração de Jane Austen (1775-1817). 


LEITURA DRAMÁTICA

Três trechos de Orgulho e Preconceito, interpretados por Joanna David, Susannah Harker e Adrian Lukis


HINO 

(salmo 100)

melodia: Benjamin Britten

Ó, alegrai-vos no Senhor, todas as terras;

servi ao Senhor com alegria,

e apresentai-vos diante dele com cânticos.


Sabei que o Senhor é Deus;

foi ele quem nos fez, e não nós a nós mesmos;

somos o seu povo e as ovelhas do seu pasto.


Entrai pelas suas portas com ações de graças,

e nos seus átrios com louvor;

dai-lhe graças e bendizei o seu nome.

Porque o Senhor é misericordioso,

a sua misericórdia dura para sempre;

e a sua fidelidade permanece de geração em geração.

Glória ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre,

pelos séculos dos séculos. Amém.


LEITURA

Tiago 3.13-18

Quem dentre vocês é sábio e entendido? Mostre, por meio de sua boa conduta, que suas obras são realizadas com mansidão que vem da sabedoria. Mas, se vocês têm inveja amarga e ambição egoísta em seus corações, não se vangloriem nem neguem a verdade. Essa sabedoria não vem do alto, mas é terrena, não espiritual e diabólica. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí haverá também desordem e maldade de todo tipo. Mas a sabedoria que vem do alto é primeiramente pura; depois, pacífica, mansa, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem qualquer traço de parcialidade ou hipocrisia. E uma colheita de justiça é semeada em paz para aqueles que promovem a paz.


HINO

melodia: Katharine Parton

Mais um dia se foi,

Ensina-nos a refletir para que possamos sentir

a importância de cada dia.

A cada hora que passa,

incline-nos a pensar com humildade,

ensina-nos a lutar.

Dá-nos a graça de nos esforçarmos,

de buscar a tolerância, de buscar a paciência.

Livra-nos do mal nesta noite,

Conduze-nos em segurança para mais um dia.


Amém.


Letra adaptada de uma oração de Jane Austen (1775-1817).

Incluída da Juvenília Completa- Volume 3 traduzida por Moira Bianchi


SERMÃO

Professor Michael Wheeler


ORAÇÃO 

(ajoelhados ou sentados)

Ó Deus, que em vossa sabedoria concedeis muitos dons aos vossos filhos, nós vos damos humildes e sinceras graças pela vida e obra de vossa serva, Jane Austen.

Agradecemos-te por sua mente perspicaz e seu alma espirituosa, e pela graça de enxergar com olhar criterioso a comédia e a complexidade da vida humana.

Oramos para que seus escritos, que continuam a nos encantar e instruir, inspirem em nós um maior amor pela virtude, pela integridade e pelas simples gentilezas da vida cotidiana; por Jesus Cristo, nosso Senhor. 

Amém.

Deus Todo-Poderoso, elevamos a Deus todos aqueles que usam suas mãos e mentes para criar beleza e verdade neste mundo. 

Abençoa especialmente todos os artistas, escultores, atores e escritores que usam seus dons para enriquecer nossas vidas e nos ajudar a ver o mundo de uma nova maneira. Concede-lhes sabedoria e habilidade, perseverança em seu ofício e a coragem para criar obras de beleza e significado duradouros. 

Que seus trabalhos sejam abençoados, e que a nova estátua de Jane Austen, inaugurada hoje, sirva como um lembrete do poder da arte para nos inspirar e conectar a todos; em nome de teu Filho, Jesus Cristo. 

Amém.


ORAÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINOU

Pai Nosso que estais no céu, santificado seja Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, e perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixei cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.


OFERTA DAS FLORES 

(de pé para cantar o hino, durante o qual flores serão depositadas no Túmulo de Jane Austen)

melodia: Mendelsson Lobgesang

Agora, agradeçamos a Deus,

com o coração, as mãos e as vozes,

que fez coisas maravilhosas,

em quem o mundo se alegra;

que desde os braços de nossa mãe

nos abençoou em nossa jornada

com incontáveis dádivas de amor,

e ainda é nosso hoje.


Ó, que este Deus generoso

esteja perto de nós por toda a nossa vida,

com corações sempre alegres

e paz abençoada para nos confortar;

e nos guarde em sua graça,

e nos guie quando estivermos perplexos,

e nos livre de todos os males

neste mundo e no próximo.


Toda a glória e graças sejam dadas a Deus

o Pai, o Filho e aquele que reina

com eles no mais alto céu,

o único Deus eterno,

a quem a terra e o céu adoram;

porque assim foi, é agora,

e será para sempre. Amém.


BÊNÇÃO 

(texto adaptado de uma intercessão vespertina de Jane Austen)

Por todos aqueles que amamos e valorizamos, por cada amigo e pessoa com quem convivemos, oramos igualmente; por mais divididos e distantes que estejamos, sabemos que somos iguais diante de ti, e sob teu olhar.

Que sejamos igualmente unidos em tua fé e temor, em fervorosa devoção a ti, e em tua graciosa e misericordiosa proteção; e que a bênção de Deus Todo-Poderoso, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, esteja entre vós e permaneça convosco nesta noite e para sempre.

Amém.


HINO DE ENCERRAMENTO

Prelúdio em Dó maior, BWV 547, i J S Bach (1685–1750)


Todos estão convidados para a inauguração da estátua no Salão Interno após o culto. 


O que você achou do culto?

Eu gostei bastante. 

Teria me emocionado com as orações as palavras dela incluídas no serviço.

Feliz aniversário, Jane!








quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Lady Susan de Jane Austen - um romance petulante e audacioso

 Olá!

Hoje começo uma série de posts sobre LADY SUSAN.

.

Esse romance epistolar é o meu segundo romance favorito na obra de Jane Austen. Eu gosto do ritmo, da sensação de ouvir segredos, descobrir coisas escondidas de mim. É excitante!

Sem dúvida, Lady Susan é um ponto fora da curva na obra de Austen para quem não conhece a Juvenília. Mas, na verdade, LS encaixa perfeitamente no refinamento do estilo da autora.

Como eu tive a oportunidade de trabalhar na Juvenília, eu pude pesquisar easter eggs e referências que a então Jovenzinha Jane embutiu na produção literária que ela começava a criar, e principalmente, li na íntegra e na ordem que ela deixou seus cadernos numerados. Sugiro que você leia também, no original ou na minha tradução. Por que?

⭐ Primeiro: 

Porque é mimo para fãs de Austen

⭐ Segundo: 

Porque tem várias pistas e esboços de Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma

⭐ Terceiro: 

Porque vai te ajudar a entender melhor os romances de Jane Austen


Te mostro aqui uma linha do tempo das criações de Austen para localização da evolução dela como contadora de histórias. LS está em amarelo.


Então, analisando pela vertente de QUANDO LS foi criada, vemos que Austen usou muito da narrativa exagerada da Juvenília, mas agora refinada - mesmo que ainda muito longe da delícia de "Você é muito generosa para brincar comigo. Se seus sentimentos ainda são os mesmos de abril passado, diga-me imediatamente. Minhas afeições e desejos não mudaram, mas uma palavra sua me silenciará sobre esse assunto para sempre." O&P, cap 16

Uma idéia clara da evolução do estilo de Austen pode ser vista, por exemplo, na leitura dessas 4 obras (seleção minha):

Se lidas em sequência, essas obras mostram que com a maturidade, ela refinou seu estilo. Ela fala de morte em Jack & Alice de maneira jocosa e de forma melancólica em Persuasão.

Mas aqui neste post quero falar de como Lady Susan é uma continuação perfeita da Juvenília. Te explico meu raciocínio:

 4 mulheres para falar da situação feminina 

Em Catherine ou o caramanchão, Austen conta a história de 4 mulheres: Catherine, Sra. Percival (a tia), Sra. Stanley (parente) e Camilla Stanley (parente). Conhecemos Catherine como um garota profunda, leitora voraz e muito preocupada com a situação de vizinhas amigas que tiveram a vida alterada com o falecimento do pai. A tia é mostrada como uma senhora preocupada e rancorosa com a situação da sobrinha solteira e reputação. Sra. Stanley é uma mulher casada e confortável com sua situação social. Camilla é uma garota da mesma idade de Catherine, mas como tem uma família estruturada e rica, é leve e despreocupada.

De início, Catherine nos faz crer que Camilla é fútil, mas depois aprendemos que a visão de Catherine nem sempre reflete a verdade - assim como Elizabeth Bennet e Emma, por exemplo. Depois, com o andamento da trama, Catherine muda conforme ela reage às pessoas à sua volta.

'Catherine' fala de possibilidades na vida social feminina

Em Lady Susan, de novo Austen nos dá 4 mulheres: Lady Susan (a viúva), Frederica (filha da viúva), Sra. Vernon (a cunhada) e Sra. Alicia Johnson (amiga e comparsa de Susan). Aqui somos apresentados a uma viúva impiedosa em suas tentativas de garantir uma vida segura e confortável. Nesta batalha, a filha é um meio - assim como Elizabeth é para Mrs. Bennet. Apesar de querer segurança para a filha, essas mães querem estender esse cobertor sobre elas mesmas.

Frederica então é um peão movida de lado para lado no tabuleiro de interesses. Sra. Vernon é uma mulher segura na vida porque tem pais de fortuna e marido vivo (este é o herdeiro do marido falecido de Susan, o que nos faz entender porque ela acha que tem o direito de tirar vantagem do cunhado). Alicia Johnson já conseguiu assegurar um marido velho e rico e por isso está segura socialmente, mas precisa eventualmente responder ao marido que tem certa aversão ao poder perverso de Susan.

⭐ Lady Susan fala da luta feminina pela sobrevivência  

Não sabemos na verdade se Catherine foi o último conto escrito na juventude dela, apenas que é o último que ela incluiu nos cadernos da Juvenília. Mas se acreditarmos que a ordem em que Austen passou a limpo seus escritos juvenis foi a mesma em que ela os criou, a transição de narrativas e assuntos é natural, suave.

A garota Jane tinha todas as possibilidades abertas a ela, observava os destinos de suas parentes e amigas se descortinando à sua volta. A jovem mulher Jane tem noção da corda bamba que era a situação social da mulher nos séculos 18-19.  Já falei disso aqui no blog, leia aqui e aqui entre outros.

Enfim, eu gosto tanto de Lady Susan porque vejo nesta obra pequena e petulante uma audácia em crítica social que Austen parece manter sob controle no restante de sua obra.

Laetitia, Lady Lade, on horseback de G. Stubbs - 1793
.

Veja uma análise curtíssima que achei em Jane Austen, her life in letters - a family record de William Austen-Leigh. Ele era sobrinho-neto de Jane e organizou (muitos anos depois do falecimento dela) um carinhoso livro que detalha sua vida com minúcias cotidianas de sua vida, circunstâncias em que ela escreveu seus romances, e sua morte prematura. Usando as próprias cartas de Jane, este livro ajuda a construir a reputação literária e pessoal de um ícone literário pela visão de seus familiares.

Cito aqui o cap 5:

"Em Memórias, o autor cedeu com relutância às muitas solicitações de incluir Lady Susan em sua segunda edição como uma etapa no desenvolvimento da autora (Jane). Estritamente falando, não é uma história, mas um estudo. Quase não há tentativa de enredo ou agrupamento de personagens; as que existem são mantidas em segundo plano e servem principalmente para realçar a figura completa, altamente acabada e totalmente sinistra que ela (a personagem principal) ocupa na trama, mas que parece, com a conclusão do estudo, desaparece inteiramente da mente de sua criadora. É igualmente notável que uma menina inexperiente tenha tido independência e ousadia suficientes para compor em detalhes uma mulher do tipo de Lady Susan, e que, depois de fazê-lo, a pureza de sua imaginação e a delicadeza de seu gosto a impediram que repetisse o experimento."

Está certo, não é?


Apesar de ter escrito Razão e Sensibilidade em cartas, Austen reescreveu depois e ficamos sem saber o quanto ela mudou já que as irmãs Marianne e Elinor não ficam afastadas e portanto, as cartas deveriam ser de outras pessoas falando delas...

Pela Nossa Senhora do Print, quem resiste à exposição de uma conversa de Whatsapp? Imagino que cartas eram igualmente comprometedoras e por isso Lady Susan seja tão suculenta.

goodreads


Com estes posts eu quero aprender mais da obra e de Jane, te convido a vir comigo nesta jornada que, se tudo der certo, é um embrião para um novo projeto bacana em Austen Nation.

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

Agora me fala, você já leu LS

Gostou da obra ou detestou tanto a personagem que o romance todo é impossível de engolir?

Bjs, e até mais!

M.


Garante seu BOX DE LIVROS DA JUVENÍLIA

antes que esse projeto chegue ao fim!

domingo, 28 de agosto de 2022

Persuasão detalhada em temas

Olá! Ainda quer saber de Persuasão?

the envoy web

Eu adoro Jane Austen, adoro estudá-la, mas até eu já estou achando que estou enchendo seu saco! Quanto mais eu mexo, mais acho. Tentei juntar o que era mais explicativo de sua última obra completa - e em muitos aspectos diferente das anteriores.

Até agora já postei:

Separei então 19 temas para te trazer como fechamento desse estudo e te mostro em dois posts. Neste agora trago Convencimento, Esferas separadas, Casamento, Cavalheiro perfeito, Rigidez de classes e mobilidade social, Sociedade e classe, Criadagem, Gênero e Memória & passado.

No próximo vou te contar de: Juventude x maturidade, Insensatez, Vaidade, Família, Pais tolos, Amizade, Agressividade viril, Doença, Aparências e Caminhadas 

Se você leu os outros posts, nem tudo vai ser novidade, mas agora tenho a chance de ir um pouco mais fundo e comparar com outras obras de Austen.

Aqui está...

rolling stones - Um brinde a Persuasão!!

TEMAS DE PERSUASÃO

1ª parte

Claro, Persuasão como convencimento é um dos temas principais do romance e aparece de várias formas em tons pejorativos e elogiosos, mas não é o único. A obra tem vários temas/assuntos importantes, trata de diversas vertentes dos relacionamentos humanos.

Sabemos que ‘Persuasão’ não foi um título escolhido por Jane Austen que faleceu antes de ver a publicação deste que foi seu último romance completo. O manuscrito dela era chamado de “The Elliots” e foi rebatizado por seus irmãos posteriormente. 

A julgar pela quantidade de cores que Persuasão nos mostra, essa escolha de título poderia ter sido bem diferente!

Vamos a eles:

Persuasão

Hoje, a persuasão/convencimento é um grande negócio, o marketing usa de diversas ferramentas para nos convencer de tudo o dia todo. Notícias, fake news, mensagens subliminares nas produções audiovisuais e musicais, propagandas em geral, outdoors, tweets, rótulos de produtos - é praticamente impossível resistir às tentativas de nos persuadir a comprar ou acreditar em algo. Na época de Austen, havia propaganda também (mesmo que os meios de comunicações tivessem menos alcance), e portanto avançava dos limites das relações familiares e amizades pessoais.

O romance retrata a persuasão como uma ferramenta poderosa, mas não a declara certa ou errada – depende de quem a usa e para quais fins. Um conselho útil, por exemplo, pode levar uma pessoa a uma decisão ruim ou a uma crença falsa. Anne Elliot sofre com suas escolhas e ao final, decide por si própria. 

Na época, como agora, precisamos contar com nosso próprio julgamento para encontrar um meio-termo entre acreditar no que ouvimos ou simplesmente ignorar. O romance questiona se é melhor ser firme em suas convicções ou estar aberto às sugestões dos outros. 

Depois de ter o coração partido por Anne que, oito anos antes seguiu conselhos para terminar o noivado, o capitão Wentworth decide que só se casará  com uma mulher de caráter forte e uma mente independente. Anne não discorda que essas são boas qualidades, mas também tem grande senso de obrigação e dever. Ao final do romance, ela conclui que era certo que ela se deixasse persuadir porque "um forte senso de dever não é parte ruim da porção de uma mulher" (cap 23) e Austen deixa para o leitor julgar se a persuasão é uma força positiva ou negativa no romance.

O tema titular do romance, a persuasão é tanto a essência quanto o principal conflito amoroso da história. Depois de quase oito anos de arrependimento, ambos os personagens lutam com sua raiva, dor e remorso e – eventualmente – tentam persuadir o outro a dar outra chance ao seu amor, apesar da decepção e desconfiança. 

Outros personagens também desenvolvem esse tema. Esteja alguém persuadindo, sendo persuadido ou encorajando alguém a persuadir outro, o tema serve como uma fonte constante de tensão. Tem sempre alguém querendo convencer alguém a fazer alguma coisa, não é mesmo?

netflix

Esferas Separadas

A ideia de esferas separadas era uma doutrina do século XIX de que existem dois domínios da vida: o público e o doméstico. Tradicionalmente, o homem estaria encarregado do domínio público (finanças, questões legais, etc.), enquanto a mulher estaria encarregada do domínio privado (administrar a casa, criados, crianças, etc.). 

Navegando na sociedade, as mulheres geralmente se envolvem em decisões românticas por causa de limitações sociais estritas. No capítulo 4, vemos que Lady Russell, que influenciou Anne Elliot a romper seu noivado com o capitão Wentworth, a incentivou a se casar com Charles Musgrove. Lady Russell escolhe para sua afilhada um homem que Anne não ama porque, como filho primogênito do sr. Musgrove, sua "ele só fica atrás de Sir Walter em importância naquele condado ". Na maioria das vezes, os casamentos parecem mais um jogo de estratégia, e o amor é raro. 

Persuasão questiona a ideia de esferas separadas ao apresentar os Crofts. Apresentados como um exemplo de um casamento feliz e ideal, o Almirante e a Sra. Croft compartilham as esferas de suas vidas. A Sra. Croft se junta ao marido em seus navios no mar, e o Almirante Croft fica feliz em ajudar sua esposa nas tarefas domésticas. Eles têm uma parceria tão grande que até dividem a tarefa de dirigir uma carruagem. Austen, neste romance, desafia a noção predominante de esferas separadas.

Casamento

O casamento é outro motivo que desempenha um forte papel nos romances de Austen e muitas vezes é mal compreendido. Apesar do forte apelo romântico, o que está escondido nas camadas mais profundas é a sobrevivência feminina na rigidez das convenções sociais. 

Casamento, portanto, é mais a consumação de um caso de amor; o casamento determina diretamente as posições sociais na sociedade. Indivíduos, classes, títulos e realizações são medidos e pesados na consideração de um casamento. O namoro e noivado que antecedem a cerimônia permitem que amigos e familiares opinem sobre a adequação da união. O casamento serve, assim, como uma espécie de parâmetro social para medir e comparar os personagens do romance.

A fofoca constante em torno da busca do casamento, ou noivado, mostra o quanto a sociedade valorizava o casamento. Pelas conversas frequentes ao longo do romance, torna-se evidente para os leitores que o motivo para se casar é geralmente manter ou melhorar sua posição social. 

No cap 4, o exemplo básico é o noivado do Capitão Wentworth e Anne Elliot. Por causa do título de seu pai e da falta de dinheiro e antecedentes familiares de Wentworth, outros viram o noivado como inapropriado, apesar da adequação do caráter do casal e do profundo que os unia. No cap 21, até a Sra. Smith, que conhece intimamente a crueldade de William Elliot, insiste que seus sentimentos românticos por Anne são genuínos e tenta convencê-la a considerar se casar com ele. Ela insiste: "Sua paz não naufragará como a minha. Você está segura em todos os assuntos mundanos."

Embora Persuasão seja um romance segundo as definições objetivas (veja a wikipedia: Romance é um gênero de ficção com foco principal no relacionamento e no amor romântico entre duas pessoas e geralmente tem um final emocionalmente satisfatório e otimista.), esta obra também apresenta algumas ideias realistas (pouco românticas) sobre o casamento. 

Mostrando vários pares ao longo da trama (p.e. os Mugroves seniors e juniores), Austen nos conta que nem sempre é possível casar e viver feliz para sempre. É provável que depois do casamento, se perceba que o amado não é tudo o que parecia ser. 

Os personagens sortudos conseguem descobrir isso antes de atarem os laços do matrimônio, e os ainda mais sortudos acabam com um casamento feliz de qualquer maneira. Charlotte Lucas já havia nos dito isso em Orgulho e Preconceito: “... desejo sucesso a Jane de todo o coração; e se ela se casasse com ele amanhã, eu penso que ela teria uma chance tão boa de felicidade quanto se ela estivesse estudando o caráter dele (Sr. Bingley) por doze meses. A felicidade no casamento é inteiramente uma questão de sorte. Se as personalidades do casa são tão conhecidas ou tão semelhantes de antemão, isso não assegura em nada a sua felicidade. As pessoas sempre continuam a mudar, o que causa aborrecimento; e é melhor saber o mínimo possível dos defeitos da pessoa com quem você vai passar a vida.” (cap 6)

wifflegif

E veja que Austen não restringe felicidade matrimonial ao mais idosos. Tanto os Crofts quanto os Harville são bastante felizes. 

A oposição do romance a longos noivados sugere que é impossível ter certeza do caráter do cônjuge antes de se casar com ele e que a escolha de um cônjuge deve ser baseada no instinto, e não no julgamento ponderado. Anne estava certa o tempo todo, pena que ouviu os outros...

“Se prestarmos atenção, todos nós temos um melhor conselheiro em nós mesmos do que qualquer outra pessoa pode ser.” Mansfield Park, cap 42

Cavalheiro perfeito

Persuasão apresenta duas versões muito diferentes do cavalheiro inglês. De um lado está Sir Walter, o homem tradicional, proprietário de terras, titulado, que evita o trabalho e busca conforto. Por outro lado estão o Capitão Wentworth e o Almirante Croft. Ambos os oficiais navais são trabalhadores que fizeram suas próprias fortunas. Embora suas maneiras sejam impecáveis, eles não são do mesmo alto nível social de Sir Walter. 

Nesse período da história inglesa, a definição de 'cavalheiro' estava se tornando cada vez mais flexível; este romance reflete essa mudança.

Há que se lembrar da influência da guerra nas esferas sociais. Um conflito de grande porte altera a economia, as taxas de mortalidade, a sobrevivência das famílias e tantos outros aspectos da vida civil. Era um momento de revolução social para todos.

Rigidez de Classe e Mobilidade Social

As questões de rigidez de classe e mobilidade social são temas importantes em Persuasão. Ela determina onde você mora, o que você come, quem você vê e sobre o que você fala.  Austen é conservadora em seu respeito às tradições de classe, reconhece regras e limites para a ambição social. Solteira com irmãos tanto na carreira militar quanto herdeiros, ela defendia os valores e tradições de respeito pela estrutura social. 

 Ela não era uma revolucionária, no entanto, é sutilmente subversiva, ou inconformada, em como fala da mobilidade social. Mulheres contavam com o casamento para manter sua posição social (Elizabeth) e subir (Sra. Clay). Homens tinham a chance de subir na vida por herança (Primo Elliot) e carreira na marinha (Capt Wentworth). 

Como forma positiva de subir gradualmente e com esforço, ela coloca a Marinha. Já o Sr. Elliot e a Sra. Clay são punidos pelo egoísmo que mostram ao ultrapassar seus limites e quebrar essas regras. 

Todas as alternativas têm altos custos e os personagens mostram o quanto se esforçam para alcançar esses objetivos.

Sociedade e classe

Os personagens de Persuasão estão tentando se adaptar a uma sociedade em que as fronteiras de classe são mais abertas do que costumavam ser – talvez devido às mudanças vindas das guerras Napoleônicas. 

Em muitos casos, personagens se apegam firmemente à estrutura de classe tradicional e rígida. Outros, no entanto, são mais abertos a julgar as pessoas com base em suas personalidades individuais. As fronteiras sociais em mudança não significam que as distinções de classe estão desaparecendo, mas mostra evolução e adaptação.

Vemos a decadência da aristocracia na vaidade do Sir Elliot e vazieira da Viscondessa Dalrimple, o que contrasta com a vida de amor do Capitão Harville e Almirante Croft. É a dicotomia entre riqueza monetária x riqueza familiar x posição social.

E nisso está a redenção de Wentworth que perseguiu a riqueza financeira e privilégios da classe alta, mantendo aparência e maneiras. 

Apesar da cordialidade, existe uma tensão entre os círculos sociais, mesmo aqueles com vínculos matrimoniais, como os Musgrove e os Hayter. Os homens da marinha (Almirante Croft, Capitão Benwick e Capitão Wentworth) são relutantemente aceitos pelos círculos sociais mais elevados, e isso somente quando alcançam posição social impulsionada por fortuna significativa.

Criadagem

Que papel os criados quase invisíveis desempenham em Persuasão? Talvez o mesmo que em Orgulho e Preconceito?

Austen raramente dava voz à criadagem, isso é muito curioso. Em OeP vemos a governanta de Pemberley corroborar a boa índole de Mr. Darcy e alguém misterioso contando do pedido de casamento de Mr. Darcy para Sr. Collins que conta para Lady Catherine que vai importunar Elizabeth. Teria sido uma criada?

Veja essa fala de Mary no cap 6: "A Sra. Musgrove acha que todos os seus criados são tão confiáveis que seria alta traição questioná-los; mas tenho certeza, sem exagero, que sua criada de chambre e sua lavadeira, em vez de trabalhaem, estão fofocando pela vila o dia todo. Eu as encontro onde quer que eu vá; e digo que nunca entro duas vezes no meu berçário sem ver algo delas. Se Jemima não fosse a criatura mais confiável e estável do mundo, bastaria mimá-la; porque ela me diz que elas estão sempre lhe tentando a passear com elas."

Conseguimos perfeitamente imaginar a fofocalhada que devia rolar entre o cottage e a big house de Uppercross e como Mary se beneficiava disso.

Gênero

Embora Persuasão às vezes sugira diferenças fundamentais entre os sexos, também sugere que essas diferenças se devem às diferentes expectativas e oportunidades sociais aplicadas a homens e mulheres na época. 

Enquanto se espera que os homens do romance ‘vivam no mundo’ e façam o melhor de si, as mulheres de uma certa classe social têm que ficar perto de casa, gostem ou não. O final do romance, no entanto, com seus elogios às "virtudes domésticas" da marinha (cap 24), sugere que a vida doméstica é melhor quando homens e mulheres estão em pé de igualdade.

Austen devia ter isso muito claro na mente, talvez porque viu seus irmãos homens ganharem o mundo enquanto ela e Cassandra ficaram em casa com os pais. Ela discute esse tema em Lady Susan de forma enviesada mostrando todas as tramoias que a protagonista precisa fazer para sobreviver enquanto os herdeiros (tanto seu cunhado quanto o cunhado dele) somente precisam... herdar.

As diferenças de gênero no romance rodam em torno da impossibilidade das mulheres ‘gentile’ em ganhar a vida, enquanto aos homens é permitido angariar poder e mobilidade. Elas não podem escapar de suas famílias (são filhas até serem esposas) e isso limita como sua identidade pode se desenvolver.

Em Orgulho e Preconceito, vemos a superioridade que Mr Darcy tem sobre Elizabeth devido ao seu conhecimento do mundo já que ela vive na sua vila e depende dos tios para viajar um pouco. E em Abadia de Northanger, o adorável Mr. Tilney se encanta com a inocência de Catherine em contraponto com a dureza que ele enfrenta em sua vida masculina.

Voltando a Persuasão, vemos os personagens masculinos e femininos pensando em casamento, cada qual querendo algo diferente da união. Mesmo se divididos em núcleos com Anne e Wentworth opostos a Elizabeth e o primo Elliot, cada qual tem suas razões. Veja algumas:


é tudo muito confuso mesmo, igual à vida...

Anne – Wentworth liberdade da família

Wentworth – Anne companheira para vida que ele vive

Elizabeth – manter o status, ao menos

Sr. Elliot – herdar o legado 

No final do romance, Anne e o Capitão Harville têm uma longa discussão sobre diferenças de gênero. O resto do romance reforça ou enfraquece alguma parte dessa discussão?

Há quem defenda que o enredo Persuasão depende das diferenças de gênero, quanto outros preferem olhar a trama pela ótica da importância do amadurecimento pelo qual os personagens passam – cada qual a seu nível.

Memória e passado

O passado não é facilmente esquecido em Persuasão. De fato, aqueles que romperam totalmente com o passado para se reinventar são vistos com desconfiança. E, no entanto, apegar-se demais ao passado também pode ser um problema. No final do romance, os personagens mais bem-sucedidos são aqueles que são capazes de aprender com suas experiências passadas mantendo a perspectiva.

Talvez Persuasão seja um romance sobre ambiguidade.

No final do romance, o capitão Wentworth diz que suas memórias o deixaram cego para o presente, mostrando o quanto suas dores o moldaram. 

Memórias moldam vários personagens além de Anne e Wentworth. Sir Elliot sente falta da esposa, Capitão Benwick sofre pela noiva (como Cassandra deve ter sofrido), Sra. Smith que perdeu o marido (e com isso, sua subsistência).


Veja a segunda parte deste post aqui.

fonte: meus arquivos pessoais, study.com, schmoop, reddit, spark notes, Jane Austen and the navy, wikipedia


O que você acha?

Me fala aqui nos comentários o que você está achando.

Aqui você acha minhas PESQUISAS SOBRE JANE AUSTEN , 

inclusive os outros posts de Persuasão

Ebook

Livro físico

Leia no original gratuitamente (domínio público, vários formatos)

Veja o filme de 1995

Veja o filme de 2007

Veja o filme de 2022


te mostro JUVENÍLIA de Jane Austen na íntegra!

    


sexta-feira, 1 de julho de 2022

Julho movimentado na JASBRA

 Esse mês ninguém dorme em Minas Gerais!

A JASBRA está preparando um mês cheio de cursos de aprofundamento em Austen Nation.

Eu entrei no Curso de PERSUASÃO, estou super animada!





Julho é o mês de falecimento de Jane (dia 18),
então a JASBRA organizou um evento de Homenagem


A Jane Austen Sociedade do Brasil, em parceria com a Academia Mineira de Letras, tem o prazer de oferecer uma Homenagem ao Legado de Jane Austen! 
Evento gratuito e sem necessidade de inscrição! 
Será no dia 18 (data da morte da escritora) de julho às 19:30 na sede da Academia Mineira de Letras, localizada à Rua da Bahia, 1466, Belo Horizonte - MG. 
Serão emitidos certificados digitais aos participantes. 



Você sabe do livro de Homenagem ao BICENTENÁRIO DE FALECIMENTO
'QUERIDA JANE AUSTEN'.
Adriana, da JASBRA, assina a introdução
saiba mais aqui

Outro curso, esse de GENTE GRANDE, começa em Julho
JANE AUSTEN E AS QUATRO ESTAÇÕES


PRESTA ATENÇÃO!!

Ministrante: Profa. Dra. Adriana Sales

O minicurso apresentará o panorama da vida e obra de Jane Austen, proeminente escritora inglesa do século 19, bem como as principais características dos seis romances escritos por ela. Veremos como a passagem do tempo, as estações do ano e suas nuances, tornam-se elementos importantes na construção das personagens e na tessitura das narrativas das seis principais obras de Jane Austen.

Objetivo
Apresentar a vida e as obras de Jane Austen e suas nuances com relação às estações do ano.

Aula 1 - 04/07/2022
Panorama da vida e obra de Jane Austen
Verão: Emma

Aula 2 - 07/07/2022
Outono: Razão e Sensibilidade
Inverno: Mansfield Park

Aula 3 - 11/07/2022
Inverno: Persuasão
Primavera: Abadia de Northanger

Aula 4 - 14/07/2022
Primavera: Orgulho e Preconceito
Considerações finais e encerramento

✏ Minicurso
Aulas síncronas às segundas-feiras e quintas-feiras de julho de 2022, das 19h30 às 21h30, com exposição, análise e discussão sobre as obras de Jane Austen. Haverá leituras compartilhadas pela mídia do Classroom da turma, com acesso aos textos do curso, antes das aulas síncronas.

✏ Avaliação
Frequência e participação nas discussões e atividades propostas durante o curso.

✏ Ministrante
Adriana Sales é Doutora em Estudos Linguísticos pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. É especialista em Jane Austen pela Universidade de Oxford (2010). Atualmente é professora de inglês e suas literaturas no Ensino Médio e Graduação em Letras do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). É fundadora e presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil desde 2008.
E-mail: aszardini@gmail.com
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/44023205974506



UAU, né?

E para completar, a 
JUVENÍLIA chegou em livro físico !