& Moira Bianchi: Persuasão de Jane Austen explicada

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Persuasão de Jane Austen explicada

 olá!

Quanto tempo, não é mesmo? Ando sumida daqui, reconheço e assumo a culpa. Mas a vida anda corrida e apesar de ter um monte de coisas para comentar, falta tempo de organizar a cabeça. Mas esta semana tivemos uma GRANDE NOVIDADE em AUSTENATION: o primeiro trailer do filme Persuasão da Netflix.

Ah, eu amei!

Achei que tem a vibe de Gentleman Jack quebrando a quarta parede e deixando Anne sofrer pelo ex abertamente! Ah, minha filha, solta essa franga! Fez a maior burrada, agora resolve seu B.O.!

Então, como gostei muito, entrei em PERSUASION MODE!

Separei um monte de guardados sobre o último romance inteiro que Jane nos deixou. São estudos, análises, resumos, fofocas. Que delícia! O plano é postar tudinho, uma maratona até o lançamento da Netflix em julho.

Começo te dando uma FICHA COMPLETA do romance.

Título 

Persuasão

Estudiosos especulam que Jane Austen originalmente quis chamar o romance de ‘Os Elliots’. Como foi publicado depois de seu falecimento, o irmão de Jane Austen, Henry, que sempre apoiou o talento da irmã e ajudou na publicação de suas obras inacabadas após sua morte optou por ‘Persuasão’ por achar o título mais significativo.

Enredo 

O romance conta a história de Anne Elliot, uma mulher de família nobre que é persuadida a romper um noivado com um oficial da marinha que ela adorava. 

Anne é de personalidade mansa e tem quase uma vontade de deixar os outros ditarem sua vida. Por isso ela sofre com as consequências.

A meu ver, Persuasão é sobre o difícil aprendizado de NEGAR ALGO A ALGUÉM.

Formas do verbo “persuadir” aparecem em todo o texto, e formas de persuasão – que podem significar tanto “convencer alguém de algo” quanto “acreditar que algo é verdade” – moldam repetidamente o desenvolvimento da história.

Desde o início, o romance se baseia nas consequências de um grande ato de persuasão. Quando Lady Russell convence Anne a não se casar com o Capitão Wentworth oito anos antes do início do romance, ela acha que está fazendo a coisa certa ao convencer Anne de que é seu dever moral não se tornar dependente de um homem que não pode sustentá-la. Vale deixar claro que não há malícia em Lady Russel.

Quando uma Anne mais velha, triste e sábia relembra o momento que a assombra desde então, ela não culpa Lady Russell por ser persuasiva, nem a si mesma por ceder à persuasão, mas ainda pensa que se o poder de decidir estivesse em suas mãos naquele momento, ela e Wentworth já teriam vários bebês gordos a seu crédito. Anne realmente acredita que não cabia a ela decidir seu futuro, o que é um contraste enorme com Elizabeth Bennet de Orgulho e Preconceito e Emma de Emma.

Durante o romance, Jane nos mostra outras tantas formas de lidar com conselhos e ordens. Louisa Musgrove, por exemplo, se recusa ouvir seus amigos e acaba sofrendo um acidente que incrivelmente aproxima Anne e Wentworth. No capítulo 12, logo depois dessa hecatombe, Anne pensa que o Capitão Guapo deveria ter entendido que um temperamento manso nem sempre era ruim.

“Anne se perguntou se agora ocorrera a Wentworth questionar sua própria opinião quanto às vantagens e felicidade universal da firmeza de caráter; e se não lhe ocorreu que, como todas as outras qualidades da mente, ela deve ter suas proporções e limites. Ela pensou que dificilmente ele poderia escapar de pensar que um temperamento persuasivo às vezes poderia ser tanto a favor da felicidade quanto um caráter muito resoluto.” 

Jane nos mostra que persuasão é algo abíguo, nem sempre é boa nem sempre ruim: depende de como você a recebe ou exerce.

Autor

Jane Austen, aos 40 anos

Tipo 

Romance

Gênero

Novela de costumes, por ser centrada em como alguns personagens centrais interagem dentro da sociedade, navegando pelas regras e estruturas que governam suas vidas.

Comédia romântica, pois além dos amantes separados e depois reunidos, há melancolia, sentimentos profundos e graça nas maluquices dos Elliots.

Apesar dos acidentes de percurso, ninguém e vários casais são formados – até os secretos... 

Língua

Originalmente em Inglês

Tamanho

83.400 palavras 

24 capítulos

(orginalmente em 2 volumes de 12 capítulos cada)

Data de criação

Entre 1815  – 16, enquanto Jane já estava bem doente. Ela viria a falecer alguns meses depois em 1817.

Ela começou em 8 de agosto de 1815 e completou o primeiro manuscrito em 18 de julho de 1816, mas ficou infeliz com o final. Revisou adicionando dois capítulos em Agosto (do mesmo ano, 1816). 

Data da primeira publicação

1818post morten em uma edição conjunta com Northanger Abbey. A obra teve 4 volumes.



Editor

John Murray

Data da trama

1814-1815 

No primeiro capítulo, Jane nos conta que é verão de 1814 e que Sir Walter, pai de Anne, usa faixa negra de luto por sua esposa no braço, mas as filhas não usam mais negro, o que nos diz que faz tempo que a mãe de Anne faleceu.

Essa época é logo após Napoleão ser derrotado e exilado na ilha de Elba, encerrando uma década de guerra entre a Grã-Bretanha e a França. Começava uma nova era de paz, os membros da marinha finalmente podiam desembarcar e reiniciar suas vidas em casa. Mas no início da primavera de 1815, quase na época em que o romance termina, Napoleão escapa de sua prisão na ilha e encena um breve retorno, que termina definitivamente alguns meses depois com a Batalha de Waterloo. 

Essa ameaça de guerra futura que paira sobre o final do romance.

Local da trama

Kellynch Hall, Uppercross Manor, Lyme e Bath. 

O cenário segue os movimentos de Anne Elliot pelas propriedades da família Elliot e Musgrove no interior para Lyme até finalmente ir a Bath.

Persuasão tem três cenários principais: as casas de campo em Sommersetshire, onde o romance começa, a vila de Lyme Regis, onde os personagens fazem uma viagem no meio da história, e, finalmente, a elegante cidade de Bath, onde todos acabam. 

O romance estabelece um forte contraste entre o campo e Bath: o cenário social movimentado da cidade dá aos esnobes Elliots mais oportunidades de se exibir.

Bath também revela a complexidade do sistema de classes com mais detalhes. 

No campo, a atividade se divide entre mansões e casas modestas. Todos, exceto Lady Russell, estão relacionados uns com os outros por família ou casamento. 

  • Kellynch Hall – mansão dos Elliots arrendada para os Crofts; 
  • Uppercross – mansão dos Musgrove Seniors;
  • Uppercross Cottage – moradia dos Musgrove Juniors; 
  • Kellynch Lodge – moradia de Lady Russell; 
  • Winthrop – moradia dos infelizes Hayters. 

Em contraste, Bath oferece uma ampla variedade de residências cuidadosamente classificadas, desde as luxuosas dos Dalrymples em Laura Place até o quarto alugado da Sra. Smith em Westgate Buildings, cobrindo vários círculos sociais separados, mas interligados.

Vemos essa geografia social em ação quando Sir Walter, pai de Anne, confrontado com a teimosa recusa de Anne em esnobar a Sra. Smith em favor de Lady Dalrymple, fala de maneira pouco lisonjeira: ― Westgate Buildings! […] e quem é a Srta. de Westgate?

Sir Walter não precisa saber muito mais sobre a Sra. Smith do que seu endereço para pensar que sabe tudo sobre ela: que ela é "velha e doente", e que uma visita a ela significa "companhia ruim, moradia insignificante, associações repugnantes" 

O que é interessante é que a ideia de Sir Walter de Westgate Buildings é provavelmente bastante precisa – e passamos então a discutir aparências x caráter x posição social.

Narrador

Terceira Pessoa na voz de um narrador desconhecido e onisciente, que faz julgamentos semelhantes aos que Anne Elliot poderia fazer pois tem acesso à história da família Elliot.

Às vezes, o narrador inclui conversas que a protagonista não está presente e usa o discurso indireto livre para oferecer informações sobre outros personagens.

Apesar de Anne não narrar a história diretamente, nós entendemos que a história é contada principalmente através de seus olhos e sofremos com pontos cegos. Um bom exemplo disso é quando, no capítulo 19, depois de ver o capitão Wentworth pela janela da confeitaria de Molland, Anne sente "uma grande inclinação para ir até a porta externa; ela queria ver se choveu" e pensa: "Por que ela deveria suspeitar ela mesma de outro motivo?". O narrador não intervém e deixa a versão de Anne sem comentários adicionais. 

Embora tenhamos algumas cenas quando Anne não está por perto (como quando o capitão Wentworth está conversando com sua irmã), na maioria das vezes descobrimos sobre os eventos apenas quando Anne ouve sobre eles.

Embora a narrativa seja principalmente na terceira pessoa, um "eu" não identificado aparece no final: depois de dizer que os jovens que decidem se casar vão encontrar uma maneira de fazê-lo, o narrador diz: "Isso pode ser má moralidade para concluir, mas acredito que seja verdade" (Capítulo 24). 

O aparecimento de um “eu” aqui também levanta a questão da perspectiva no resto do romance – se o narrador é um “eu” individual e não uma voz impessoal, qual é a sua relação com o resto dos personagens? Pode ser tentador supor que esse "eu" seja a própria Jane, mas é perfeitamente possível que ela esteja apenas brincando conosco usando a primeira pessoa. 

Protagonista

Anne Elliot

Antagonista

Não há antagonista que esteja em oposição direta a Anne Elliot; em vez disso, Anne lida com a família cheia de parente-serpente.

Ela também deve navegar pelas regras de propriedade e boas maneiras, o que significa que pode apenas sugerir seus sentimentos enquanto o capitão Wentworth deve ser o primeiro a declarar amor.

Ponto de vista

Discurso indireto livre

Tempo verbal

Passado imediato, narração em tempo real

Promessas escondidas

De certa forma, o relacionamento do Almirante e da Sra. Croft prenuncia a relação mais justa que Anne e o Capitão Wentworth terão. 

O encontro da Sra. Clay e do Sr. Elliot prenunciou a descoberta de seu relacionamento secreto.

Tom

Ligeiramente satírico e sutilmente subversivo. O narrador segue com seriedade a situação de Anne Elliot, mas zomba das pretensões e vaidade de sua família de classe alta.

O humor de Persuasão está me deixar os personagens simplesmente mostrarem seus absurdos ao leitor. Ao mesmo tempo, há uma corrente de tristeza no riso: 

Sir Walter, pai de Anne, pode ser ridículo, mas ele causou muitos danos na vida de Anne; 

Capitão Benwick pode ser um pouco dramático, mas sua dor por perder sua noiva é real. 

O romance pode zombar de seus personagens, mas quase nunca os trata como meros alvos de piadas. Além disso, há a sátira aos absurdos do sistema de classes britânico e como ele separa pessoas por razões econômicas e sociais.

Persuasão foi um dos dois últimos romances de Austen, mostrando uma mudança de perspectiva na mentalidade de Anne, que é menos otimista do que as dos protagonistas anteriores de Austen. Especula-se que Jane pode ter se desiludido com os costumes de sua classe e cultura. 

Embora muitas de suas obras sejam consideradas sátira social, Persuasão apresenta um caso particularmente claro de uma mulher cujas opiniões, desejos e felicidade geral são frequentemente desconsiderados.

Estilo de escrita

Claro, sarcástico, sutil

Jane Austen foi uma grande mestra da devastadora presença de espírito. Seu cartão de visita é a sutileza, suas piadas aparecem quando menos esperamos.

Temas

  • Rigidez de classe e mobilidade social; 
  • conselhos e convencimentos; 
  • esnobismo; 
  • o ideal mutável do cavalheiro honrado.

Motivos

Andanças; casamento

Ações marcantes

  • A família Elliot e Lady Russell e suas objeções ao casamento de Anne e Wentworth; 
  • O Sr. Elliot e a Sra. Clay revelam seus planos para a fortuna de Sir Walter; 
  • O capitão Wentworth ajuda a Sra. Smith a recuperar parte do dinheiro de seu falecido marido.

Clímax

O grande clímax ocorre quando o capitão Wentworth finalmente revela seus sentimentos a Anne em uma carta. Ela o encontra e imediatamente responde que seu amor é correspondido; o clímax menor é a recepção fria, mas favorável do capitão Wentworth pela família de Anne.

Esta carta é a mais famosa da obra de Jane Austen, uma obra prima de delicadeza & sentimento. Começa assim:

“Não posso mais ouvir te em silêncio. Devo falar contigo pelos meios que estão ao meu alcance. Você atinge minha alma. Sou metade agonia, metade esperança. Não me diga que estou muito atrasado, que esses sentimentos preciosos se foram para sempre. Eu me ofereço a você novamente com um coração ainda mais seu do que quando você quase o quebrou, oito anos e meio atrás.”

esse é o CADERNO que eu fiz para vender na Amazon,

tem a CARTA INTEIRA na primeira página! <3

Final

À primeira vista, o fim da Persuasão pode parecer sol brilhante em céu de verão. 

Anne e o Capitão Wentworth finalmente se encontram! Sr. Elliot é despachado! Até a Sra. Smith fica rica! 

Mas embora o final sugira que ter oito anos para crescer e se entender tornou o casal ainda mais propenso a ser feliz, a última frase do romance é estranhamente ambivalente. Na verdade, soa quase como um aviso: "[Anne] se orgulhava em ser a esposa de um marinheiro, mas devia pagar a taxa o prelo de pertencer a essa profissão que é, se possível, mais distinta em suas virtudes domésticas do que em suas importância nacional." A marinha é, afinal, parte das forças armadas, o que significa que, se a guerra vier, eles estarão entre os primeiros a serem afetados. E Napoleão ainda era uma ameaça.

Enquanto a guerra é o que trouxe fortuna para Wentworth e tornou possível seu reencontro com Anne, também é uma ameaça contínua à sua felicidade. 


Que tal? Curtiu?

Deixa seu comentário!


Me fala o que você quer saber de Persuasão.

Compartilha e fala bem da pesquisa, amiga Janeite!


Aqui você acha minhas PESQUISAS SOBRE JANE AUSTEN

Tem muita coisa de Persuasão!


Já, já posto mais!

bjs, M.


aproveita e lê meu livro que tem um MASHUP de Persuasão + O&P




fonte: meus arquivos pessoais, schmoop, course hero, sparknotes

Nenhum comentário:

Postar um comentário