segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Orgulho e Preconceito e grana apertada

Bem, grana apertada?... Nem tanto.
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huffington post
Faz tempo que venho discutinho esse tema com minhas amigas Janeites, o quanto Lizzy era uma underdog. Acho que é um erro de leitura, na verdade
Por que lemos Austen dizer que 
Jane era a irmã mais bonita, 
não quer dizer que Lizzy era feia.

"-Desejo que não faça tal coisa. Lizzy não é melhor do que as outras. Estou convencida de que não tem metade da beleza de Jane. E nem sequer metade do bom humor de Lydia. Mas você não cessa de manifestar a sua preferência por ela."
O&P, cap 1- Mrs. Bennet respondendo à implicância do marido e nos confundindo a vida toda!

"Naquele momento (a dança no baile de Netherfield) Sir William Lucas se aproximou, com a intenção de atravessar a sala. Vendo porém Mr. Darcy, parou e, inclinando-se, cumprimentou-o pelo fato de estar dançando e pelo seu par.
— Acredite que fiquei muito satisfeito. Não é comum ver-se dançar tão bem. O senhor é um perito. Permita dizer-lhe, porém, que o seu belo par não lhe fica atrás. Espero que esse prazer se repita, especialmente quando um certo acontecimento muito desejável tiver lugar, minha cara Miss Eliza.
E, dizendo isto, olhou para Jane e Bingley.
— Como afluirão os parabéns! — continuou ele. — Apelo para Mr. Darcy. Mas não quero interrompê-los. E além disso, Mr. Darcy, não desejo privá-lo da conversa agradável desta moça, cujos belos olhos estão também me censurando."
O&P, cap 18 - Aqueles belos olhos no rosto de uma bela mulher...

Por que Darcy era rico, 
não quer dizer que Mr. Bennet era pobre.

"Mas o amigo, Mr. Darcy, atraiu desde logo a atenção da sala, pela sua estatura, elegância, traços regulares e atitude nobre, e também pela notícia que circulou, cinco minutos depois da sua entrada, de que possuía um rendimento de dez mil libras por ano. Os cavalheiros declararam que ele era uma bela figura de homem, as senhoras foram de opinião que era muito mais elegante do que Mr. Bingley."
O&P cap 3 - o locutor conta intere$$e das moças em Mr. D

"A fortuna de Mr. Bennet consistia quase que exclusivamente de uma propriedade que lhe rendia duas mil libras por ano. Infelizmente para as suas filhas, esta propriedade estava legada a um parente distante, pois não havia herdeiros masculinos diretos; e a fortuna da mãe, embora suficiente para a sua situação na vida, mal bastava para suprir as deficiências (quando da falta) da fortuna do pai."
O&P cap 7 - a grana de Mr. B

Nas várias adaptações podemos ver diversas interpretações das palavras de Austen. Veja a cena das batatas (um momentinho para sorrir para as melhores batatas na região!...)


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na versão BBC, a sala de jantar tem papel de parede, lareira acesa, quadros, muitas vela$, muita comida.
Mas não é grande.
P&P 1995 - appleapricot


Related image
Repare como é apertada a sala de jantar principal de Longbourn, mal cabe a família. Animais andam entre eles.
P&P 2005 - jimandellen


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Veja a decoração, cortinas, sol indica como a casa é bem localizada no terreno de forma a economizar em vela$.
Espaçosa com mesa bastante ampla.
P&P&zombies - fanpop
Comparando com outras obras
Lizzy x Fanny Price

Bennets x Morlands

Fora do universo de O&P vemos a maneira como Austen se explica no tocante a situação financeira. Isso comprova minha ideia de que os Bennets eram classe média-média. Claro, procuro comprovação para o que acredito... Quem nunca?
Daí, achei esse esquema do Shmoop que faz sentido para mim, fiz as contas para real desse mês.
twitter


Dessa forma, Mr. Bennet teria 'salário' de R$ 57.000,00 por mês. Um desembargador com (alguns) de seus auxílios. Talvez Juiz Federal ao longo da carreira, funcionário público, senador, deputado federal, executivo de alto escalão. 

Depois da repercussão do bate-boca no Jornal Nacional durante a campanha presidencial ano passado, o salário de âncora do jornal virou assunto, né? Então: A repórter e editora executiva ganha, em média, um salário acima dos R$ 200 mil. O âncora e editor-chefe um montante no valor de R$ 2 milhões, diz o site 'Tv O foco' meu amiguinho desde os tempos da novelinha Austen. Penso: será por mês isso? É a renda anual de Bingley!
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O nosso Mr. Darcy da novelinha - Darcy Williamson - em 2016 foi indicado como o ator mais bem pago do mundo com 96 milhões de dólares em rendimentos. Anuais. Uau... Penso: será que fizeram as contas do Darcy original corretamente?
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austenprose


vida de Bennet
Enfim, acho que a vida de Bennet se encaixa como suposto alto funcionário público de cargo comissionado, função que considero super adequada à personalidade dele.

Como... Carlos Drummond de Andrade, funcionário público  de Minas Gerais no cargo de oficial de gabinete (entre outros em sua carreira burocrática), por mais de 40 anos, muitos na Secretaria do Interior do Estado. leia aqui.


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olha a carinha de : Vai, Lizzy, me conta desse 'seu Mr. Darcy'...
pic de nilson sa
ou poético como Cartola, o mestre que 'não existiu, foi um sonho que a gente teve', que nos explicou que as rosas não falam, que foi funcionário público no cargo de contínuo do Ministério da Indústria e do Comércio, aqui no Rio. 
 e tem quem diga que falta de educação formal é barreira para inteligência...
os poemas que esse cara fez e musicou, vixe!
pic RARA to twitter


Bem, vamos especular: 
Antes de tudo, lembro que o salário mínimo em vigência é R$ 998,00 ou seja, R$12.974,00 anuais. Um professor ganha em torno de R$ 32.000,00 anuais e um gerente de loja de shopping R$ 38.000,00 com comissões. 
Sempre em meus cálculos considero 13 salários por mês.

Vamos aos Bennets cariocas que é onde vivo. Já os coloquei aqui no blog em fics e em meus livros inúmeras vezes.

Com R$ 57.000,00 mensais, ele precisaria manter casa, esposa dona-de-casa, 5 filhas. Certo?
>apartamento próprio no Rio de Janeiro, zona Sul. IPTU+condomínio+gás+luz+1 carro-Nelly, aquela eguinha pocotó que levou Jane na chuva, lembra?- (gasolina, IPVA, seguro)
200,00+1500,00+400,00+600,00+500,00= 3200,00 mensais/40.000,00 ano
>comida - verba mensal de R$1.000,00/12.000,00 ano
>empregada doméstica (Mrs. Hill) - piso regional RJ
R$ 1.194,00 + passagens+encargos= R$ 2.500,00 mensal/32.200,00 ano
>escola particular para Mary, Kitty e Lydia - desconto de irmãs
1500,00 x 3= 4.500,00- 10%= 4.100,00/49.000,00 ano
>faculdade particular para Lizzy e Jane - curso barato, faculdade pouco badalada. Nada de medicina da católica!
R$ 1.500 x 2= 3.000,00/36.000,00 ano
>plano de saúde - subsidiado. Mas...
4.000,00 verba mensal/48.000,00 ano
>miudezas como mesadas, passagens, netflix, tv a cabo, celulares, aulas de piano, salão de beleza das moças
R$ 600,00 x 5 + 2.000,00 + 2.000,00 = 7.000,00 mensal/ 84.000,00 ano
O que soma... R$ 301.500,00 ano
Daí temos roupas, joias, livros, música, viagens, quais outros luxos?
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nosalty
Mesmo assim ele teria algum fôlego financeiro. É o que venho falando, entende?
Fora o prestígio social - esse ponto seria uma ótima discussão... 
O quanto Mr. Bennet era influente na sociedade de Meryton, todas aquelas 24 famílias?


"— Certamente, meu bem, ninguém disse o contrário. 
Mas quanto ao pequeno número de pessoas que moram nesta redondeza, creio que existem poucas regiões mais habitadas. 
Sei que nos damos com vinte e quatro famílias."
Mrs. Bennet, em Netherfield, dando um fora em Mr. Darcy ao explicar a Lizzy como sua aldeia é, tsk, tsk, grande.
O&P, cap 9

melhor parar ou já, já começo uma nova fanfic...
bj

Orgulho & Preconceito, 206 anos

olá,
um de meus livros favoritos, minha fixação literária, Orgulho & Preconceito de Jane Austen faz 206 anos hoje.
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HThompson- pixels
yay!

No aniversário do bicentenário, fiz homenagens mais sólidas com '45 dias na Europa com Sr. Darcy', mas esse ano estou em choque com a situação de Brumadinho, que apesar de só conhecer por Inhotim, sou solidária à tragédia absurda. 
Independente disso, é dia de Austen, Darcy, Lizzy, Bennets, Bingleys, DeBourghs & gang.
Muito humildemente junto aqui ilustrações das muitas edições que (meu) clássico teve ao longo dessas décadas, especialmente na era vitoriana que é onde estou mergulhada compondo minha série de romances históricos (altamente) influenciados por O&P.
Primeira edição (suposta)
mgillfurt twitter
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olha como era pequenino... Q amor!
worthpoint
edição 1833 - aniversário de 20 anos
asutendaily twitter
1833
austendaily twitter

Related image
1894 - HThompson
mediastorehouse
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1894- HThompson
pixels

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1895- HMBrock
molland's
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1895- HMBrock
pastnow
esse dá para comprar!

1900 - CHammond
worthpoint

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1906- HThomson
ulysses rare books

1938 - E Binyon
BMuseum twitter
1938 - E Binyon
BMuseum twitter

1945- RBall
worthpoint

Related image
Duton & Bishop, 1976
Austenprose

E como último presente, vai mais uma resposta para a resposta que não quer calar? Mr Darcy era rico, o quanto??

eita que isso já dá um post inteiro...
bjs

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Irmãos de Jane Austen

olá,
Pesquisa para composição de livros/plots me leva por caminhos inesperados, como no post que fiz ontem.


Hoje é um novo dia para... Voltar a JANE AUSTEN! 
hahahaha 
JURO que não estava procurando pela Diva, 
J-U-R-O juradinho!

O ano em que me encontro é até errado, quero 1855, mas como a informação é árvore genealógica, 3 anos não fariam diferença, então embarquei no catálogo de ricos & famosos. Com quem me deparo?
who's who


ano: 1858, lista de 'Knights' - cavaleiros da Inglaterra
K.C.B. - Knight Commander of the Bath
K.B. - Knight Bachelor


cavaleiro # cavalheiro # cavaleiro
knight > gentleman > horseman

knight, segundo o wikitítulo honorário de cavalaria concedido por um monarca, bispo, outro líder político ou religioso para o serviço ao monarca ou a uma igreja cristã, especialmente em uma capacidade militar. Historicamente, na Europa, a cavalaria era conferida a guerreiros montados. 
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lords and ladies
gentleman, wiki também: gentil + homem, traduzindo o velho francês gentilz hom. Na linguagem moderna é qualquer homem de conduta boa e cortês. Originalmente, era um homem da classe mais baixa da nobreza inglesa, abaixo de um escudeiro e acima de um pescador. Por definição, essa categoria incluía os filhos mais novos dos filhos mais novos e os filhos mais novos de baronetes, cavaleiros (knights) e escudeiros, e assim o termo captura o denominador comum da aristocracia inglesa.
Related image
world4 eu
horseman, cavaleiro em português também é... um homem que anda a cavalo.
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Mr Darcy, só pq sim,, né? <3
pinterest
Em Orgulho & Preconceito, Jane faz graça do pai de Charlotte que se gaba por ser knight, lembra? 

"... Sir William Lucas fora antigamente comerciante em Meryton, onde acumulara uma fortuna regular e onde, também, fora agraciado pelo rei com um título de cavaleiro, enquanto exercia as funções de prefeito. A honra fora talvez demasiadamente apreciada. Ela lhe inspirara uma repulsa pelo seu negócio e pela pequena cidade comercial em que habitava. Abandonando as duas coisas, mudou-se com a família para uma casa situada a mais ou menos uma milha de Meryton, lugar que depois ficou sendo chamado “Lucas Lodge”, onde podia pensar com prazer na sua própria importância e, livre dos negócios, dedicar-se inteiramente à sociedade. Embora orgulhoso da sua posição, esta não o tornou desdenhoso; ao contrário, Sir William era todo atenção para os outros. Por natureza inofensivo, amável e prestativo, a sua apresentação em St. James o tornara polido e cortês." Austen, O&P, cap 5. Leia aqui.

O que era puro desdém de vizinho, picuinha, invejinha de Meryton. O título era uma grande honraria que sim distinguia os normais dos mais normais. Claro, se o knight fosse um nobre, a coisa mudava de figura...

who's who
K.C.B. - Knight Commander of the Bath
K.G. - Knight of the Garter

~ família da DIVA ~

Como já disse, estou sempre 'em roda da cinza', ou seja, indo e vindo em torno de Jane Austen. É inevitável. E olha que estou atrasada nos deveres de casa do curso que estou fazendo...
Sei algo da vida dela, mas não sou especialista. Nunca fui.
Por isso fiquei tão feliz em ver os nomes 'Austen' na lista de Knights. São eles:


KCB- Knight Commander of the Bath: 
Francis W Austen
FrancisAusten.jpg
wiki
Almirante da Marinha Real (1774 - 1865).
Comandou vários navios de porte e obteve grandes vitórias tanta antes, quanto durante e depois das  Guerras Napoleônicas.
Como oficial sênior, Austen serviu como Comandante-Chefe, na América do Norte e na Estação das Índias Ocidentais. 
Em 1806, Austen se casou com Mary Gibson; eles tiveram dez filhos. Após a morte de sua primeira esposa, ele se casou com Martha Lloyd em 1828; eles não tiveram filhos. Irmão de Jane.
wiki

A mais Honrosa Ordem de Bath (anteriormente a mais Honorável Ordem Militar de Bath) é uma ordem britânica de cavalaria fundada por George I em 18 de maio de 1725. O nome deriva da cerimônia medieval elaborada para nomear um cavaleiro, que envolveu o banho (como um símbolo de purificação) como um dos seus elementos. Nada a ver com a cidade de Bath onde os Austen moraram por um tempo. Os cavaleiros assim criados eram conhecidos como "Cavaleiros do Banho"
A Ordem de Bath consiste do soberano (atualmente rainha Elizabeth II), o grande mestre (atualmente o príncipe de Gales), e três classes de membros: Cavaleiro da Grande Cruz (GCB) ou Dama Grande Cruz (GCB), Knight Commander (KCB) ou Dame Commander (DCB), Companheiro (CB)

Queen, Westminster Abbey
express
  


KB- Knight Bachelor: 
Henry E. Austen


Aqui as coisas ficam mais confusas...

Sabemos que Jane teve irmãos - James, George, Edward, Henry, Francis e Charles afora a irmã rasgadora-de-cartas Cassandra -  mas seu Henry já era falecido em 1858 quando saiu esse catálogo onde achei a lista. Veja o que diz o wiki:
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Henry Thomas Austen (1771 - 1850) oficial de milícia, clérigo, banqueiro.
Henry Thomas nasceu em Steventon, Hampshire, o quarto dos oito filhos nascidos do Rev. George Austen e Cassandra Leigh. Ele teve cinco irmãos; James (1765–1819), George (1766–1838), Edward (1768–1852), Francis William (Frank) (1774–1865), Charles John (1779–1852) e duas irmãs mais novas, Cassandra e Jane.
Se matriculou no St John's College, Oxford em 1788 e recebeu um mestrado em 1793. Em 1789-90, ele editou e publicou com seu irmão James uma revista literária, The Loiterer. Em 1793 ingressou na Milícia de Oxfordshire, passando a capitão antes de renunciar em 1801. Em 1804 fundou, com dois associados, o banco de Austen, Maude e Tilson em Covent Garden, Londres. Ele faliu em 1816. Ele entrou na igreja naquele mesmo ano e foi feito curador de Chawton, Hampshire. Em 1820 ele foi nomeado Reitor de Steventon. 
Ele organizou a publicação de Northanger Abbey e Persuasion após a morte de Jane Austen em 1817. Acredita-se que ele tenha publicado o primeiro aviso biográfico dela, que prefacia esses romances. Ele revisou e expandiu esse pequeno livro de memórias para a republicação de seus romances em 1833. Isso fez dele uma figura central na administração e curadoria da imagem pública póstuma de Jane Austen.
Foi casado duas vezes; em primeiro lugar, sua prima Eliza Hancock, Comtesse de Feuillide, uma viúva e, em segundo lugar, Eleanor Jackson.

Henry, o irmão favorito de Jane como ela dizia em cartas a Cassandra '...será um grande prazer estar com ele, como sempre é...' tinha o nome do meio Thomas 'T' e não 'E' como no registro...



E, no registro, o Knight Austen já tinha 72 anos... SE vivo, o irmão de Jane teria 87 em 1858. O Austen que era 'Knight' era sobrenome, Edward adotado pelos parentes ricos que ainda hoje tem ramificações e nos deixou o Museu, a casa, a biblioteca.
EdwardAusten.gif
Então...


talvez não seja ele... mas da família?

Related image
portrait of  HDavis by Lawrence - pinterest


Um sobrinho, primo, parente...

fa, fi, fun, sinto cheiro de fanfic!

Curiosidade mata o gato, portanto estas são as outras ordens mencionadas...
Knight Bachelor:
A dignidade de grau mais baixo e básico de condecoração do monarca, mas não faz parte de uma das ordens organizadas de cavalaria. Simplesmente compõe o sistema de honras britânico. wiki
Related image
Ringo Starr érr!
eonline

Knight of the Garter:
Ordem de cavalaria fundada por Edward III em 1348 e considerada a mais prestigiosa ordem britânica na Inglaterra e no Reino Unido. É dedicado à imagem e às armas de São Jorge, santo padroeiro da Inglaterra. As nomeações são feitas a critério exclusivo do Soberano. wiki
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oh, what a knigh! huba, huba!
daily mail

Estou vestida com as roupas e as armas de Jorge
para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
tenham olhos e não me enxerguem...

Acredite, isso me leva diretinho de volta ao livro que começou esta pesquisa!
Salve Jorge!
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George, the knight, military saint

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Histórias moralistas em imagens do sec XVIII

olá,
estou começando a compor uma nova história localizada no meio do século XIX, mas os meandros das pesquisas sempre me levam por caminhos inesperados. 
Quando acho algo interessante, paro e analiso. Meus personagens podem ter algo a ver com isso? Podem ter sido influenciados? Podem vir a ser?
Related image
the golf club
Assim cheguei às histórias contadas em imagens do século XVIII criadas por William Hogarth. Estou encantada!

É uma nova visão para mim que custo a achar o submundo. Só queremos ver o lado lindo e colorido e romântico, mas gosto de saber os limites para ter ideia de onde pisar...

Related image
picmoonco
Pisar no molhado, não quero. Molha a barra do vestido...

Ele era um pintor que como todos na época fazia de um tudo na arte, inclusive litografias. Com a 'ameaça vinda do continente' pré Guerras Napoleônicas, ele teve a ideia de criar pinturas e gravuras modernas (na época) com temas morais para se igualar aos escritores dramáticos que faziam sucesso. 'Minha imagem era meu palco.' Wiki diz que ele disse. Seria diferente, ao invés de usar palavras, usaria imagens para avisar e aconselhar, mostrar o futuro de quem não tivesse cuidado.

mas precisa de legenda para entender

Já tinha visto a imagem 'Beer street and Gin Lane' algumas vezes sem me tocar que ele havia feito séries, sabia que Gin Lane era um solo e diante de tantos detalhes, fiquei meio perdida. 
Era assim mesmo, ele contava histórias e não mostrava momentos. 
Em tom satírico, enfiando detalhes e conjecturas, influências estéticas de várias escolas e até de obras famosas para atrair o inconsciente do consumidor.

percebe a diferença?

Agora eu me deparei com a série 'Marriage à la mode' ou 'Casamento da moda, do momento atual' e fiquei horas analisando cada cantinho, tentando achar a evolução dos personagens de um quadro para o outro. Tive bastante dificuldade. Daí fui procurar e boom! 
É tão rico que resolvi dividir aqui no blog.

Era época da disseminação da venda de prints em massa, um avanço em relação à produção de um único quadro que o artista levava meses trabalhando. Uma litografia poderia ser reproduzida inúmeras vezes vendida em vitrines e livrarias, estar ao alcance de muitos.
Houve até uma lei feita para ele e por sua reclamação com o Parlamento por conta de Pirataria. Mas muito tempo depois o problema ainda persistia - ora, persiste até hoje! - porque Dickens também ficou fulo com isso. Mas deixemos Dickens para outro post.

Agora posto uma compilação da análise de cada série, existem muitas on line. Como sempre, no final do post, existem os links de onde pesquisei.
Note que não é minha visão moral, mas do artista na criação da obra, ou seja, 1730 a 1750, mais ou menos.

Marriage à la mode
Casamento da moda

O tema é a uma pesada sátira sobre casamentos arranjados. 
Em cada peça, ele mostra o jovem casal e sua família e conhecidos em seu pior: envolvendo-se em assuntos, bebidas, jogos de azar e muitos outros vícios. 
Essa é considerada a melhor obra do artista, a melhor série de histórias planejadas em série.
Cena 1: O Acordo de Casamento
Esta cena mostra a conclusão de negociações entre o Conde de Squander* (sentado à direita) e um homem (sentado no centro) para o casamento de seus filhos. 
O homem, um comerciante rico, deseja uma posição social mais alta para sua família e, portanto, está comprando seu caminho para a aristocracia, enquanto Squander precisa de dinheiro para financiar seu estilo de vida excessivamente extravagante.
Enquanto isso, seus filhos estão mostrando suprema indiferença ou miséria no processo. 
O filho, o visconde Squanderfield, que não olha para sua bela e jovem noiva e sim para sua imgem no espelho,
está vestido com as últimas modas de Paris, após seu recente retorno do continente. A mancha preta no pescoço indica que ele tem sífilis. A filha do comerciante está inconsolável, mas está sendo convencida pelo advogado Silvertongue* enquanto pole o anel. 
O fato de que o casal vai se unir em um casamento sem correspondência e sem amor é esclarecido pelos cães acorrentados.
A nova mansão em obras tem que ser usada para negociar o pagamento de novas construções na mesa central. 
O conde orgulhosamente aponta para uma foto de sua árvore genealógica, desde Guilherme, o Conquistador.  Até mesmo os rostos nas paredes parecem ter dúvidas. 
*'squander' significa desperdício
'silvertongue' significa lingua de prata
Cena 2: Vista íntima
A cena é ambientada em uma casa de estilo palladiano no West End de Londres. 
O relógio na parede, à direita, mostra que já passava do meio-dia, mas o visconde acabou de voltar de uma noite na cidade e está afundado em uma carne, entediado e exausto. Um cão fareja roupa de mulher no bolso dele. 
Sua esposa também ficou acordada a noite toda, ostensivamente jogando cartas. 
No entanto, o marido e a esposa estão em condições de se comportar de maneira sexual e têm maior probabilidade de serem sexualmente ativos. 
Ela parece estar sinalizando para alguém fora de vista com um espelho de bolso. Isso e a cadeira caída indicam que o amante teve que sair rapidamente, talvez perturbado durante o ato de amor pela chegada do marido.
Vemos sinais de que o casamento já começou a falhar, marido e  esposa são desinteressados ​​um pelo outro, em meio à evidência de suas excessivas indulgências na noite anterior. 
Uma espada quebrada aos pés do visconde mostra que ele esteve em uma briga. A postura aberta da esposa também indica infidelidade. 
A desordem dos cabelos, vestimentas, da sala e o empregado segurando uma pilha de contas não pagas mostra que os assuntos da casa são uma bagunça.
Cena 3: A Inspeção
Essa cena acontece em uma visita ao consultório de um médico, provavelmente charlatão. 
O visconde Squanderfield se inclina em direção ao médico segurando uma caixinha de comprimidos em uma mão e brandindo uma bengala com a outra. 
As pílulas de mercúrio prescritas fazem pouco efeito nos sintomas da sífilis. O médico e a mulher estão zangados pois o visconde pede reembolso. 
O crânio na mesa mostra o destino de todos na sala, inclusive a jovem à direita que passa o lenço em uma ferida na boca, um sintoma precoce da doença. Dada a relação entre a garota e o visconde, podemos supor que ela é uma prostituta de baixa renda atualmente em seu pagamento.
 Mas, segundo a análise da curadora da exposição da National Gallery, a interpretação é muito diferente: o visconde trouxe a criança ao médico porque acredita tê-la infectado com sífilis. A mulher com a faca é a mãe da menina, fingindo raiva para chantagear o visconde. A criança teve a doença quando nasceu, ou porque não foi seu primeiro "protetor" ou porque herdou a doença de seu pai sifilítico, que é o médico charlatão.
*Moira não quer comentar essa cena.*
Cena 4: A toilette
A manhã da condessa no quarto com exibição de coronets e espelho na bancada de pia indicam que o velho conde morreu, então o filho visconce agora é o novo conde e sua esposa é a condessa que recebe convidados em sua levee matinal. 
A condessa senta-se de costas para os convidados, indiferente a eles. 
A condessa está cercada de interesseiros. Ela se apoia na parte de trás de sua cadeira, da qual pendura uma corda de coral, usada por crianças em dentição. 
Seu filho, no entanto, não é visto em parte alguma, sugerindo falta de interesse materno. 
O advogado de Silvertongue reapareceu, descansando em um sofá. Claramente à vontade no quarto da condessa, ele está segurando uma bola na mão. 
As pinturas do Velho Mestre, mostrando cenas de sedução mitológicas e bíblicas, indicam que ela e o advogado estão tendo um caso. Este ponto é sublinhado pela criança na frente do par, apontando para os chifres na estátua de Actaeon, um símbolo de traição. Pinturas no fundo incluem a história bíblica de Ló e suas filhas, Júpiter e Io, e o estupro de Ganimedes. 
O Actaeon e várias outras figuras são vistas marcadas para leilão. Tais pinturas mostram o africano, que se presume ser indomável, adorador de fetiche e caçador, agora moldado em um ícone do estilo da corte.
Cena 5: O Bagnio
Na Inglaterra, o significado original de um bagnio era uma cafeteria que oferecia banhos turcos. No momento em que Hogarth pintou o Casamento A-la-Mode, a palavra acrescentara significado a um lugar onde pudesse ser contratado. Tendo saído do baile de máscaras, (máscaras no chão indicam isso) a condessa e Silvertongue se encontram no bagnio, com seus trajes sendo descartados no calor da paixão. As roupas de cama amarrotadas sugerem que o casal foi pego em flagrante pelo conde. Uma luta de espadas entre o conde e Silvertongue se seguiu. Aqui o conde é visto em um desmaio de morte, uma ferida no peito, enquanto sua esposa chorosa pede perdão. Enquanto isso, Silvertongue tenta escapar pela janela.
Uma foto de uma mulher com um esquilo na mão pendurada atrás da condessa contém tons indecentes. 
Cena 6: O suicídio da Senhora
A cena final acontece na casa do pai da condessa na cidade, perto do Tâmisa. Em contraste com a extravagância aristocrática da cena 1, encontramos uma casa de avareza burguesa. 
A condessa está morrendo de overdose de medicamentos depois de ler sobre a execução de Silvertongue, a enfermeira enlutada segura o filho da condessa em direção a ela para um último abraço. 
Infelizmente, a criança apresenta sinais de sífilis, incluindo o ponto preto revelador e as pernas amarradas em pinças. 
Enquanto isso, o avarento comerciante puxa o anel de ouro da mão de sua filha. 
Hogarth justapõe a tragédia com um momento de pura comédia; o boticário censurando o servilismo idiota à direita, talvez uma tentativa por ele de desviar a responsabilidade por ela ter-se envenenado pela injustiça e viuvez marcada pela pobreza, depois que seu amante é enforcado em Tyburn por assassinar o marido.


A Harlot´s progress
A caminhada de uma rameira
A protagonista pode ser sido batizada em homenagem à heroína de Moll Flanders e Kate Hackabout Gold, notória prostituta e irmã do salteador Francis Hackabout, condenada por manter prisioneiro um magistrado de Westminster, Sir John Gonson.
Esta série de pinturas foi muito popular vendendo uma "edição limitada" de 1.240 conjuntos de seis estampas para assinantes.
Os originais foram destruídas em um incêndio em 1755.

Hogarth-Harlot-1.png
Cena 1- Moll Hackabout chega a Londres
A protagonista, Moll Hackabout, chega no Bell Inn em Cheapside, em Londres. Moll carrega uma tesoura e uma almofada de alfinetes pendurada no braço sugerindo que procura emprego de costureira. Em vez disso, ela está sendo inspecionada por Elizabeth Needham, uma notória dona de bordel com marcas de sífilis, que quer Moll para prostituição. 
O famoso libertino Coronel Francis Charteris e seu cafetão, John Gourlay, observam, também interessados ​​em Moll. Os dois estão na frente de um edifício decadente, simbólico de sua falência moral. Charteris se acaricia em expectativa.
Os londrinos ignoram a cena, e até um clérigo ignora a situação, assim como ignora o fato de seu cavalo derrubar uma pilha de panelas.
Moll parece ter sido enganado pela possibilidade de emprego legítimo. Um ganso na bagagem dela é endereçado a "My lofing cosen in Tems Stret in London": mostrando que tem pouca instrução (deveria ser 'My loving cosin') e propondo que ela tenha sido enganada; 
esse "primo" poderia ser um recrutador pago.
 Moll está vestida de branco, em contraste com aqueles ao seu redor, ilustrando sua inocência e ingenuidade. A bagagem de Moll, igualmente branca, prevê a morte de Moll como resultado de sua credulidade.
O letreiro da pousada, com uma foto de um sino, pode se referir à linda garota - bell=belle. A pilha oscilante de panelas alude à "queda" iminente de Moll. A impotência inevitável que resulta da sífilis, prenunciando o destino específico de Moll.
A composição assemelha-se à de uma Visitação, ou seja, a visita de Maria a Isabel, registrada no Evangelho de Lucas 1: 39-56.
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Cena 2- Moll é agora amante de um rico comerciante
Moll é mulher, a amante de um rico comerciante judeu, como é confirmado pelas pinturas do Antigo Testamento ao fundo. 
Ela tem muitas atribuições de vestir e companhia, como mantém um rapaz indiano ocidental e um macaco. O menino e a jovem serva, assim como o macaco, podem ser fornecidos pelo homem de negócios. A presença do criado, do macaco e do mogno da mesa de chá, oferece uma fonte colonial para a riqueza do comerciante. 
Ela tem cosméticos, uma máscara de baile, e decoração com pinturas que ilustram seu estado sexualmente promíscuo e moralmente precário. Ela empurra a mesa para distrair a atenção do comerciante enquanto um segundo amante sai na ponta dos pés.
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Cena 3- Moll passou a prostituta comum
Moll passou de mulher mantida para prostituta comum, seu marido agora é velho e sifilítico. Sua cama é seu único grande móvel, e o gato posa para sugerir a nova postura de Moll. 
O chapéu de bruxa e as varetas de bétula na parede sugerem ou magia negra, ou mais importante, que a prostituição é o trabalho do diabo. Seus heróis estão na parede: Macheath da Beggar's Opera e Henry Sacheverell, e duas curas para a sífilis estão acima deles. 
A caixa de perucas do salteador James Dalton (enforcada em 11 de maio de 1730) está guardada em sua cama, sugerindo um namoro romântico com o criminoso. O magistrado Sir John Gonson, com três oficiais de justiça armados, está entrando pela porta à direita de prender Moll por suas atividades. 
Moll está exibindo um novo relógio (talvez um presente de Dalton, talvez roubado de outro amante) e expondo seu seio esquerdo. Gonson, no entanto, está fixo no chapéu e na "vassoura" da bruxa ou na parede pendurada na parede acima da cama de Moll.
A composição satiricamente se assemelha à de uma Anunciação, ou seja, o anúncio do anjo Gabriel à Virgem Maria de que ela conceberia e se tornaria a mãe de Jesus, o Filho de Deus, conforme registrado no Evangelho de Lucas 1: 26-39.
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Placa 4- Moll vai à Prisão de Bridewell
Moll bate  cânhamo para os laços de carrasco, enquanto o carcereiro a ameaça e aponta para a tarefa. A esposa do carcereiro se veste de Moll, piscando com o roubo. Os prisioneiros vão da direita para a direita em ordem decrescente de riqueza. Moll está ao lado de um cavalheiro, um jogador cuja carta de jogo extra caiu e que trouxe seu cachorro consigo. Os detentos não estão sendo reformados, apesar da gravura irônica na esquerda acima dos estoques ocupantes, com a frase "Melhor trabalhar que ficar parado de pé". A pessoa que sofre nas ações aparentemente se recusou a trabalhar.
Uma mulher que pode ter síndrome de Down e, finalmente, para uma mulher grávida que é presumivelmente "implorou sua barriga". Um grafite de prisão mostra John Gonson pendurado na forca. A criada sorri enquanto as roupas de Moll são roubadas e talvez seus sapatos.
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Cena- 5 Moll morrendo de sífilis
Moll está morrendo de sífilis. O Dr. Richard Rock à esquerda (cabelos pretos) e o Dr. Jean Misaubin à direita (cabelos brancos) discutem sobre seus métodos médicos, o que parece ser uma escolha de sangramento ou cupping. Uma mulher, possivelmente a cafetina de Moll e possivelmente a senhoria, vasculha os pertences de Moll roubando o que ela deseja tirar.
Enquanto isso, a empregada de Moll tenta parar o saque e discutir. O filho de Moll está perto do fogo, possivelmente confuso. Ele está tirando o cabelo ou as pulgas do cabelo. 
A única dica de um dono é uma bolo de Páscoa usado como uma armadilha de moscas, implicando que o seu guardião está pagando por seus últimos dias e dizendo que ela não será poupada como no Velho Testamento. 
Vários opiáceos e "curas" sujam o chão. As roupas de Moll parecem voltar à vida se são fantasmas que a atraem para a vida após a morte.
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Cena 6- Funeral de Moll
No final, Moll está morta, e todos os interesseiros estão presentes em seu rastro. Uma nota na tampa do caixão mostra que ela morreu aos 23 anos em 2 de setembro de 1731. O pároco derrama seu conhaque. Uma mulher que colocou drinques no caixão de Moll observa com desaprovação. O filho de Moll brinca sozinho sob o corpo de sua mãe, inocente, incapaz de entender e figurativamente condenado à própria morte)
A cafetina de Moll, bêbada, chora à direita com um horrível jarro sorridente de "nants" (conhaque). Ela é a única que está chateada com o tratamento da menina morta, cujo caixão está sendo usado como uma taverna. Uma garota "de luto" (outra prostituta) rouba o lenço do agente funerário. Outra prostituta mostra seu dedo machucado para sua colega prostituta, enquanto uma mulher ajusta sua aparência em um espelho ao fundo, mesmo que ela mostre uma ferida sifilítica em sua testa. 
A casa onde está o caixão tem um brasão irônico na parede que lembra o "derramamento" do pároco, o fluxo de álcool e a expiração de Moll. O chapéu branco pendurado na parede pelo brasão é o que Moll usava no primeiro prato, referindo-se ao começo de seu fim.



A Rake's progress
A caminhada de um libertino
A série mostra o declínio e queda do perdulário herdeiro de um rico comerciante, que em Londres desperdiça todo o seu dinheiro em vida luxuosa, prostituição e jogos de azar.

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Cena 1
Na primeira pintura, Tom entrou em sua fortuna com a morte de seu pai avarento. Enquanto os servos choram, ele é medido por roupas novas. 
Embora Sarah Young fosse prometida para casar com ele, agora ele rejeita a noiva grávida (ele entrega anel e a mãe dela tem ascartas de amor dele). Ele a indeniza, mas ela ainda o ama, como fica claro na quarta pintura. Evidências da avareza do pai abundam: seu retrato acima da lareira mostra-lhe contando dinheiro; símbolos de hospitalidade (assador de carne) foram trancados no canto superior direito; o brasão mostra três vértices apertados com o lema "Cuidado"; um gato faminto revela o pai mantivera pouca comida na casa, enquanto a falta de cinzas na lareira demonstra que raramente ele gastou dinheiro com o calor de madeira para sua casa. 
A gravura à direita mostra que o pai chegou a emendar os sapatos com um pedaço de couro de uma capa da Bíblia.
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Cena 2
Na segunda pintura, Tom está em sua toilette matinal em Londres, contando com músicos e outros parasitas todos vestidos com ternos caros. 
Cercando Tom da esquerda para a direita: um mestre de música em um cravo, um mestre de esgrima; um instrutor de quarterstaff*; um mestre de dança com um violino; um jardineiro paisagista, um ex-soldado oferecendo-se para ser guarda-costas; para o corneteiro de um clube de caça à raposa. No canto inferior direito está um jockey com um troféu de prata. 
O instrutor do quarterstaff olha com desaprovação em ambos os mestres de esgrima e dança. Os dois mestres parecem estar no estilo "francês", que era um assunto que Hogarth detestava. Na parede, entre pinturas de galos (emblemas de Cockfighting- briga de galo) Há uma pintura do Julgamento de Paris. 
*quarterstaff - luta com mastro
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Cena 3
Retrata uma festa ou orgia em andamento em um bordel. As prostitutas estão roubando o relógio do Tom bêbado. No piso na parte inferior direita é pessoal e um vigia noturno - souvenirs de da 'noite selvagem' de Tom na cidade. 
A cena acontece no Rose Tavern, um famoso bordel em Covent Garden. As prostitutas têm manchas pretas em seus rostos para cobrir feridas sifilíticas. 
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Cena 4
Tom escapa de prisão por dívida por oficiais de justiça Galeses como ele viaja em uma cadeira de sedan para uma festa em St. James Palace para comemorar o Aniversário da rainha Caroline no dia de São Davi (São David é o santo padroeiro do País de Gales). Nesta ocasião, ele é salvo pela intervenção de Sarah Young, a garota que ele havia rejeitado anteriormente; ela é aparentemente uma vendedora de chapelaria. Em alívio cômico, um homem enchendo uma lanterna de rua derrama o óleo na cabeça de Tom. Esta é uma referência maliciosa sobre como se livrar de uma pessoa ao ter óleo na 'bênção' sendo 'poupado' por Sarah, embora libertino, não vai tomar a lição de moral ao coração. 
Na versão litografia, relâmpagos brilham no céu e um jovem batedor de carteira acaba de esvaziar o bolso de Tom. A pintura, no entanto, mostra o jovem ladrão roubando a bengala de Tom e não tem relâmpagos. 
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Cena 5
Tom tenta salvar sua fortuna ao se casar com uma senhora solterona velha rica e feia em St Marylebone. 
No fundo, Sarah chega, segurando seu filho enquanto sua mãe indignada luta com um convidado. Os olhos de Tom já estão nos calcanhares de sua nova esposa deixada durante as núpcias. 
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Cena 6
Tom pede a ajuda do Todo-Poderoso em um antro de jogo no clube White no Soho depois de perder sua readquirida riqueza. Nem os outros jogadores obsessivos parecem ter percebido fogo saindo por trás deles. 
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Cena 7
Tudo está perdido, Tom está encarcerado na notória prisão dos devedores. Ele ignora a angústia tanto de sua raivosa nova esposa e de Sarah, que não pode ajudá-lo neste momento. 
Tanto o menino da cerveja quanto o carcereiro exigem dinheiro dele. 
Tom começa a enlouquecer, como indicado pelo telescópio para observação celeste cutucando fora da janela gradeada (aparente referência ao ano recompensas Longitude Rewards pelo governo britânico) e um experimento de alquimia em segundo plano. 
Ao lado de Tom há uns escritos rejeitados; outro preso está escrevendo um panfleto sobre como resolver a dívida nacional. Acima da cama à direita está um aparelho para asas, que é mais claramente visto na versão gravada à esquerda. 
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Cena 8
Finalmente louco e violento, na oitava pintura ele acaba no Hospital Bethlem (Bedlam), o infame asilo mental de Londres. Apenas Sarah Young está lá para consolá-lo, mas Tom continua a ignorá-la. 

nota do wiki: Embora alguns dos detalhes dessas imagens possam ter perturbado os olhos do século 21, eles eram comuns nos dias de Hogarth. Por exemplo, as mulheres elegantemente vestidas nesta última pintura chegaram ao asilo como uma oportunidade social, para serem entretidas pelas travessuras bizarras dos internos.


É ou não é muito bacana?
até mais,
bj

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