olá, um de meus livros favoritos, minha fixação literária, Orgulho & Preconceito de Jane Austen faz 206 anos hoje.
HThompson- pixels
yay!
No aniversário do bicentenário, fiz homenagens mais sólidas com '45 dias na Europa com Sr. Darcy', mas esse ano estou em choque com a situação de Brumadinho, que apesar de só conhecer por Inhotim, sou solidária à tragédia absurda.
Independente disso, é dia de Austen, Darcy, Lizzy, Bennets, Bingleys, DeBourghs & gang.
Muito humildemente junto aqui ilustrações das muitas edições que (meu) clássico teve ao longo dessas décadas, especialmente na era vitoriana que é onde estou mergulhada compondo minha série de romances históricos (altamente) influenciados por O&P.
Primeira edição (suposta) mgillfurt twitter
olha como era pequenino... Q amor! worthpoint
edição 1833 - aniversário de 20 anos asutendaily twitter
Hello, We continue to celebrate de bicentenary - in fact, i'll be celebrating 'till next July with more books and stuff - but here's one of the big stars: the new 10!
It's already a must have to all Janeites and it's only coming out next Semptember... Just like the stamps, this note will be something to be proud of having but refusing to display so it doesn't fade its colors... Only it's money, right?
Here in Brazil it's worth 4x more... No one said Austen didn't have extraordinary value! haha
The note itself is lovely, has so many cool features like the oh-so-lovely 'JA' hologram...
Here it is in close up (in case you aren't already fed up with it)
And the official release video - I loved it!
Let me say that Ms Bingley's words DO NOT upset me in the least! It come out of Austen's pen after all and the irony is priceless! The queen of refined irony got a quote about the enjoyement of reading by a character who dispises reading... It's genius!
Miss Bingley's attention was quite as much engaged in watching Mr. Darcy's progress through his book, as in reading her own; and she was perpetually either making some inquiry, or looking at his page. She could not win him, however, to any conversation; he merely answered her question, and read on. At length, quite exhausted by the attempt to be amused with her own book, which she had only chosen because it was the second volume of his, she gave a great yawn and said, ``How pleasant it is to spend an evening in this way! I declare after all there is no enjoyment like reading! How much sooner one tires of any thing than of a book! -- When I have a house of my own, I shall be miserable if I have not an excellent library.''
olá, 200 anos não é bolinho, temos mesmo que celebrar!
E olha que grata surpresa: minha palestra do Encontro Nacional JASBRA de 2013 virou um paper muito bacana, muito completinho e sério sobre o valor e o poder das fanfics - em especial de Orgulho & Preconceito- entrou no volume 1 da novíssima revista LITERAUSTEN.
Bacana, né? Tem cara de (Austen, há!) de revista literária daquelas de tiragem suuuper selecionada...
Uma honra, só o créme de la créme, estou super feliz.
Hoje são 200 anos que ela se foi, mas nem parece! Ela está tão presente no (meu) dia-a-dia quanto minhas amigas mais próximas!
Obrigada, Jane Austen
por toda inspiração que me traz desde que conheci Lizzy Bennet e Darcy e a implicância entre eles.
E comemorando, lá na Inglaterra hoje foi inaugurada uma estátua em bronze em tamanho real. Escura não dá para ver muito bem, aqui está o molde em gesso.
Pequena Jane, né? Distraída, andando no vento... Pensando em quem? Darcy, Wentworth, Tilney?...
Today we celebrate the Bicentenary! Yay! Somehow this post feels like a deja vu... Anyway, 200 years of death seems like a sad thing to celebrate but like Austen said herself:
'Let other pens dwell on pain and misery.'
I've already said countless times here and everywhere that I met her through S&S and the Dashwood's sweet disposition killed me. Maybe because I don't have a good relation with my sister, I could never understand them - neither how they interact between them nor with their half brother. But then, when I read Lizzy Bennet it was love at first line! I loved the character so much that it was possible for me to appreciate Austen's witt and irony. I do think we - women - all have a touch of Emma in us that we let come to life at one point in our lives and frequently are embarassed to admit. Same as Lady Susan, ha! Love that woman. And there is Tilney and Wentworth, Churchill and Bertram, so many people we consider relatives already... I can only say,
Thank you, Jane Austen,
for the inspiration that comes with the adoration and admiration.
Também 'curti' Gigi! Darcy aconchegando Lizzy é uma delícia!
Trouxe na mala bastante novidade e presetinhos pouco ortodoxos para o sorteio de aniversário deste querido Hot Rio Chick.
Saca só!
Livro brochura Razão e Sensibilidadeem italiano diretamente de Milão, bella!
Pôster 50x70cm em papel da Lizzy (oops, Keira Knightley) da exposição Little Black Jacket que vi em Milão. Ultra chic!
Marcadores de livro com obras de Mr Darcy (oops denovo... Vermeer) diretamente lojinha da super cool do novo do Rijks Museum de Amsterdam que ficou fechado para uma reforma que durou 10 anos!
Brindes ortodoxos seriam outros livrinhos, bolsa e camisa O&P, bloquinho com o perfil da Jane...
Mas aí não seria Hot Rio Chick, né?
Como já dizia o Mestre Nelson Rodrigues... ;) #bonitinhamas
Ainda faltam os postais do Royal Mail com os selos comemorativos do Bicentenário...
Postais oficiais do Royal Mail comemorativos do Bicentenário.
...mas já estamos esquentando os tamborins para colocar esse sorteio no ar!
E fazia um tempinho que 'isso tudo de gostosura' não aparecia aqui no blog. Ah... Bova!
E eu continuo discutindo as mulheres de Orgulho e Preconceito. Calhou para o dia de hoje! Coincidência feliz!
Depois de Charlotte, gostaria de conversar sobre minhas ideias sobre Lizzy e como eu tenho visto a amizade das duas.
Depois de muito matutar eu postei da última vez minha visão da Charlotte e de suas atitudes. Uma coisa leva a outra e cheguei à conclusão que Lizzy e Charlotte são opostas uma à outra em muitos aspectos.
De início eu só via em Jane o contraponto à Lizzy - ou oposto ou complemento. Um tipo de ‘Yin e Yang’. Jane é calma e dócil enquanto Lizzy é petulante e geniosa. Na minha opinião é por isso que elas são tão unidas, mais do que com as outras irmãs Bennet.
Wikipedia define Yin Yang assim: Oyin-yangsão dois conceitos do taoísmo, que expõem a dualidade de tudo o que existe no universo. Descreve as duas forças fundamentais opostas e complementares, que se encontram em todas as coisas. O "yin" é o princípio feminino, a terra, a passividade, escuridão, e absorção. O "yang" é o princípio masculino, o céu, a luz, atividade, e penetração.
Segundo essa ideia, cada ser, objeto ou pensamento possui um complemento do qual depende para a sua existência e que por sua vez existe dentro de si. Assim, se deduz que nada existe no estado puro nem tão pouco na passividade absoluta, mas sim em transformação contínua. Além disso, qualquer ideia pode ser vista como seu oposto quando visualizada a partir de outro ponto de vista. Neste sentido, a categorização seria apenas por conveniência.
Lizzy é impetuosa, lingua afiada, cabelinho nas ventas, acaba por mal interpretar pessoas e situações apesar de se congratular por ser uma ótima observadora. Charlotteéa boa observadora: ela é quem lê as situações com clareza - ou prevê as consequências das ações dos outros - e aconselha Lizzy na melhor maneira de agir. Ela faz isso várias vezes em relação a Wickham, Darcy, Bingley. Lizzy a despensa com uma piadinha sarcástica repetindo seu pai na galhofa de rir dos amigos e vizinhos.
Lizzy e Charlotte são como 'Lé com cré'
apesar de parecerem 'Lé com lé, cré com cré'.
No último post eu falei sobre 'inteligência emocional' e quão pouca Lizzy tinha NO MEU PONTO DE VISTA. Lizzy era novinha - 20 anos de idade, mais ou menos - enquanto Charlotte já estava nos 27. Não que idade seja o fator determinante na medida de maturidade ou equilíbrio emocional de alguém mas temos que convir que uma pessoa mais velha já teve mais oportunidades de viver situações diferentes na vida, está mais vivida como se diz. Isso sem falar em 'aprender com os próprios erros'.
Com a chegada da maturidade os sonhos sempre se vão?
Então no assunto equilíbrio emocional Charlotte é o completo oposto de Lizzy. A sua decisão de 'pegar o touro à unha' e cavar uma proposta de casamento do Collins que, fora o preconceito e asco de Lizzy, nos mostra o quanto de auto-controle e determinação ela tinha. Charlotte era uma mulher determinada - uma loba - tinha um plano e o fez acontecer custe o que custasse. No caso, um marido de doer.
collins x DARCY
Lizzy deixou que seu orgulho ferido e seu preconceito petulante em relação ao bonito, charmoso e rico idiota lhe cegassem a objetividade e ela recusou uma proposta de casamento que era totalmente irrecusável! Darcy não era somente somente rico e influente, ele poderia assegurar a vida de todas as mulheres Bennet que teriam poucas chances de uma vida digna depois da morte de seu pai e menos ainda de conseguir um casamento tão vantajoso.
Faz pouco tempo que eu raciocinei isso tudo, que Charlotte é o oposto de Lizzy, assim como positivo/negativo, preto/branco. Charlotte é centrada e objetiva, Lizzy é impetuosa. Charlotte é calculista, Lizzy é passional.
Opposites attract - Opostos se atraem.
Eu sei, nada a ver, mas não resisti. A música oitentona é muito legal!
Nunca duvidei que Lizzy e Charlotte eram amigas. Está claro para qualquer um que elas tinham uma amizade genuína. Talvez a Lizzy impulsiva cabeça dura precisasse tanto do sangue de barata de Charlotte quanto a doçura de Jane para achar seu meio termo.
Se por acaso você está intrigado (a) com a razão pela qual eu tenho discutido esse 'LADO B' de Orgulho e Preconceito, eu tenho que informar que meu próximo livro é centrado em Lizzy e Charlotte e eu exploro essa simbiose delas. Esse livro vai ser publicado em Português até o final do ano.
Curioso (a)? Vou dar muitas dicas ainda. Aqui em baixo mesmo já vai o estopim da estória toda.
Próximo post é sobre Darcy. E aí o tripé que sustenta essa estória está devidamente explicado. Ou justificado?
Boa tarde. Depois do dilúvio de ontem eu convido a conversar sobre uma personagem de importância capital no romance do Sr Darcy e Lizzy que por várias vezes é subestimada...
Bem eu ainda celebro o Bicentenário. Se Orgulho e Preconceito tem 200 anos de sucesso, eu com certeza posso celebrar por um tempão, certo Biscoito?
Então, eu venho num processo de descontruir, ou melhor, desempacotara Charlotte
Lucas.
Pelo dicionário:
verbos transitivos diretos de 1ª conjug.
1- desconstruir - Ato de desfazer o que está construído. Desmontar, desagregar, apagar, remover o que está construído;
"E o nosso relacionamento foi desconstruído pouco a pouco."
Da primeira vez que li O&P uns 10 anos atrás (para mim) Charlotte ter corrido atrás do pedido de casamento de Collins soou como traição a Lizzy. Na verdade, Charlottelaçou Collins agindo pelas costas de Lizzy e dos Bennets. Não que Lizzy quizesse qualquer coisa de Collins além de distância mas ele tinha acabado de pedi-la em casamento e antes que sua vergonha ou raiva cedessem Charlotte deu o bote.
Quando o ‘Lizzie Bennet
Diaries’ chegou a esse ponto da estória, eu achei que eles viram a situação da mesma maneira que eu: traição.
Claro que Charlotte tinha 'pressa' e não 'gosto', todos sabemos das suas razões. Ela já era considerada uma solteirona velha e na estante e não tinha nenhuma perspectiva de bom casamento. Tenho lido bastante sobre ela e achei discussões muito bacanas explicando em miúdos sua situção social: Sendo filha de um 'Sir' (um 'knight', 'commoner', um cidadão de valor reconhecido pela realeza) - mesmo que falido - que tinha sido prefeito de Meryton e homem do comércio; Charlotte não poderia casar com qualquer um. Seria uma vergonha para a família se ela casasse com um operário ou balconista de loja e a chance dela achar um marido rico sendo velha e sem graça (sem beleza que a distinguisse das outras moças) era pequena. Sua única chance era casar 'horizontalmente' no tangente à sua esfera social. Um pastor seria perfeito. Ainda mais ele sendo herdeiro de uma das propriedades da região.
Também se sabe que aceitar um emprego como 'preceptora' (um tipo de governanta/babá/professora que se ocupava do cuidado e educação das crianças) era uma opção muito pouco vantajosa. O trabalho era mal pago, mal visto, considerado 'criadagem' - alguma coisa entre dama de companhia, mordomo e camareira. Além disso, a outra opção para uma solteirona seria viver sob a tutela do pai enquanto ele vivesse e depois sua tutela, de sua mãe e irmãs também solteiras seria passada para o parente (homem) mais próximo.
A família Lucas era grande e certamente Charlotte acabaria seus dias ajudando a criar seus sobrinhos, vivendo da boa vontade de seus irmãos. Bem, pelos primeiros capítulos de Razão e Sensibilidade a gente pode ter uma boa idéia do tamanho da boa vontade de quem herdava irmãs solteiras. Casamento ERA a saída.
Charlotte viu em
Collins sua melhor chance. Rothman fala muito eloquentemente que ‘Collins, o leitor pode achar que não parecia uma pessoa real. Ele é mais como um vilão: tão horrendo que ele nos faz questionar se o plano inteligente e racional de Charlotte não era um equívoco. De maneira torta, Collins era tão horrível quanto Charlotte era prática então para fazer o pragmatismo dela parecer problemático, Austen tem que fazer Collins ser realmente horrível; e na mesma moeda para dar a medida certa para o casamento com ele ser meramente possível, ela teve que fazer Charlotte inacreditávelmente prática.' (tradução livre)
O autor deste texto, Rothman, fala em 'plano' e 'pragmatismo' e isso me chamou a atenção porquê isso reforça o que eu venho remoendo. Mais tarde vou falar sobre o 'pragmatismo de Charlotte parecer problemático'.
Outro dia tivemos um almoço super animado de amantes de JAFF (Jane Austen fanfiction) e discutimos como Lizzy não tinha 'inteligência emocional' suficiente. NA MINHA OPINIÃO Lizzy era uma princesinha de cidade do interior criada como a queridinha do pai intelectual e acostumada a ser tratada como a 'melhor dentre as irmãs'.
‘…mais de uma vez durante o jantar Mr. Bennet disse espontaneamente a Elizabeth: 'Estou feliz que você tenha voltado, Lizzy.'’
Quando de repente aparece uma turma de pessoas cujo nível social e educação eram superiores ao dela, era mais que natural que Lizzy se sentisse vulnerável. E ainda Darcy enfia os pés pelas mãos num comentário grosseiro e infeliz sem se preocupar se estava sendo ouvido por alguém no baile de Meryton: Lizzy se sentiu mortalmente ferida.
Ok, se fosse comigo eu ia 'morder minha orelha' de raiva e xingar todas as gerações de Darcys que já existiram mas, se Lizzy tivesse mais inteligência emocional, ela teria lidado com a arrogância idiota dele de maneira mais madura.
E aí provavelmente a gente não teria um livro tão delicioso quando Orgulho e Preconceito. Eu sei.
O que quero dizer é que Charlotte TEM inteligência emocional. Newark tem um texto muito legal comparando as escolhas deCharlotte e Fanny Price que diz:‘A essência da independência feminina não é poder dizer 'não' mas ter a possibilidade de tomar as rédeas de sua própria vida. É nisso que o poder da escolha está, e é nisso que Charlotte, e não Fanny, age bem. Eu gosto mais de Charlotte Lucas (que nunca recebeu uma proposta de casamento na vida) porque ao invés de ficar passivelmente resignada ao que o destino lhe trazia como uma mulher da sua épocaobediente deveria fazer, ela dá um empurrãzinho na sua sorte. É Charlotte, e não Fanny, quem assume responsabilidade por sua própria vida. Fanny, em rios de lágrimas diz 'Não!';
Charlotte, de olhos secos diz 'Sim!'. Não somente ela toma uma decisão e age de acordo como ela tira o maior proveito da situação. Srta Austen não nos diz nada que nos faça pensar que ela se arrependeu de sua escolha.' (tradução livre)
Pelo contrário, Srta Austen nos diz várias vezes como Charlotte sabe lidar com Collins. Novamente me traz a mente 'plano' e 'pragmatismo'. Eu também usaria ' objetividade', 'calculismo' e 'perspicácia'. Calculista no bom sentido, digo.
Lembra dessas passagens? Elas ilustram isso muito bem.
'As
primeiras cartas de Charlotte (após se casar) foram recebidas com uma certa ansiedade (por Lizzy),
explicada apenas pela curiosidade em saber como ela falaria do seu novo lar,
que achara de Lady Catherine e até que ponto ousaria pronunciar-se sobre a sua
própria felicidade; embora, uma vez lidas as cartas, Elizabeth sentisse que
Charlotte se exprimiria em todos os aspectos exactamente como ela o teria
previsto. O tom era animado, dizia-se rodeada de todas as comodidades e nada
mencionava que não fosse digno do seu louvor.'
‘...o
Sr. Collins convidou-os (Sir Lucas, Maria Lucas e Lizzy) para um pequeno passeio pelo jardim, que era grande e
muito bem cuidado, e de cujo cultivo ele próprio se encarregava. Trabalhar no
jardim era um dos seus prazeres mais respeitáveis; e Elizabeth admirou a
seriedade com que Charlotte se pronunciou sobre os aspectos salutares de tal
exercício, admitindo encorajar o marido nesse sentido tanto quanto possível. ’…
'...enquanto Sir
William o acompanhava (Collins) no aludido passeio, Charlotte reconduziu a irmã e a amiga
para casa, extremamente satisfeita por ter a oportunidade de a mostrar sem a
ajuda do marido. A casa era pequena porem bem construída e cómoda; e tudo nela
se harmonizava e estava disposto com uma arte e saber, que Elizabeth atribuía
exclusivamente a Charlotte. Uma vez esquecido o Sr. Collins, poder-se-ia, de
facto, gozar de um certo conforto, e, pela animação que transparecia no rosto
de Charlotte, Elizabeth concluiu que ela o esquecia frequentes vezes.'
No próximo post eu continuo a divagar sobre minha visão da relação entre de Charlotte e Lizzy.
Até mais,
Bj
Aviso:
Imagens encontradas no google, montagem de Charlottes saindo da caixa é minha, citações da obra prima da Srta
Austen's Orgulho e Preconceito, e exceto onde indicado, o bla-bla-bla é meu também.