& Moira Bianchi: fanfic orgulho e preconceito
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quarta-feira, 17 de julho de 2024

Dimensões mais claras - um conto extra do romance 45 dias na Europa com Sr. Darcy


Alô!...

45 dias na Europa com Sr. Darcy foi meu primeiro romance em Português, na verdade a tradução do romance escrito em Inglês.  '45 days in Europe with Mr. Darcy'


Mesmo anos depois, ele continua trazendo sorrisos ao meu rosto, foi uma delícia compor essa versão certinha de Orgulho & Preconceito com todas as características e standards, cada subplot, cada curva no caminho de Lizzy e Darcy.


Esse meu 'Dizzy' foi apresentado aos Super Fãs de Jane Austen em um conto para o Festival de Inverno do site/grupo/sisterhood Jane Austen Fanfics - Dimensões mais claras - que acontece logo depois que eles se conhecem. O bacana deste conto é que une Austen com Simply Red (adoro) - é uma songfic de 'Stars'.


Além desse, existem outros contos que enriquecem 45 dias na Europa com Sr. Darcy como Royal Baby... Todos estão listados na ordem no ebook revisado e na versão de livro físico disponível para compra aqui.


Então... S'imbora?


DIMENSÕES MAIS CLARAS


Realmente não é possível controlar as rédeas do destino.

Uma pessoa presunçosa e marcada pela crueldade deeventos inesperados pode até tentar, mas com certeza vai se frustrar com os resultados. Tem sido assim desde Eva, a maçã e o mau humor de Adão quandoele teve que procurar outro lugar para viverem após a ordem de despejo. O tiranossauro Rex tentou mostrar ao destino que ele era o rei do mundo jurássico gritando de peito aberto do alto de uma montanha durante a tempestade de poeira quando o meteoro caiu, e não deu certo.

As pessoas mais experientes vão atestar que é uma verdade universalmente conhecida, tanto quanto temida, que o destino sabe brincar com as nossas vidas. E não o contrário.

O Fitzwilliam Darcy de alguns meses atrás diria que o destino não tinha nenhuma influência em sua vida. Desde que alcançou a maioridade ele tomou as rédeas da sua vida, livrando-se da jurisdição de seus tios e assumindo controle de sua herança, uma das cinquenta maiores da Inglaterra. Uma vez independente financeira e judicialmente, William Darcy, como ele preferia ser conhecido, declarou independência das dores de um órfão milionário.

Ele sempre lutou contrao rótulo de “pobre menino rico”. Seus pais haviam falecido consecutivamente, porém não conjuntamente, deixando filhosórfãos ainda na terceira infância. Primeiro seu pai descobriu que sua dificuldade em respirar era algo muito pior doque o hábito de fumar charutos, e a doença o levou à morte em menos de um ano. Sem saber como lidar com a dor, o coração de sua mãe enfraqueceu tanto que acabou por parar de bater logo depois. Duas crianças inesperadamente deixadas nas mãos dos irmãos de sua mãe, que os criaram com todo carinho sem fazer distinção entre seus próprios filhos, mas que infelizmente não eram seus pais.

 Quando Darcy completou amaioridade ele estava terminando a faculdade. Os poucos anos restantes e os seguintes de MBA calcificaram nele a certeza de que sua vida lhe pertencia e a ninguém mais.

Rico, bonito, educado. Já que seus pais saíram de cena sem cerimônia no meio do primeiro ato, ele poderia decidir como conduziria o restante da obra prima. Assim, Darcy decidiu que a segunda metade dos seus vinte anos seria vividasem limitações, e para tanto, todas as responsabilidades ligadas à gerência de sua fortuna continuariam a ser de seu tio Earl Fitzwilliam e de sua tia Catherine F. de Bourgh.

Gentil nas ações, porém nem sempre nas palavras, caladão, arrogante. Darcy sabia que seu jeito incomodava algumas pessoas. Considerando que ele se sentia bem consigo mesmo e Gegê estava de bem com avida, pouca coisa mais tinha importância suficiente para fazê-lo rever suas crenças.

Poliglota, prático, sagaz. Desde que decidiu curtir seus vinte e poucos anos, Darcy tinha visitado todas as capitais da Europa e boa parte de suas belezas escondidas, o que a Ásia e a Oceania tinham para lhe oferecer de bom e a América do Norte. Viajar era seu hobby, que era interrompido somente quando ele era requisitado para compromissos familiares inadiáveis: Gegê, sempre que os irmãos combinavam de passar tempo juntos, festas de aniversários e eventos que necessitavam de sua presença VIP para fins marqueteiros.

Uma das empresas da família era uma rede mundial de hotéis de luxo que algumas vezes por ano sediava eventos de gala para angariar fundos para obras de caridade. Nessas ocasiões, para levantar a atenção da mídia, os herdeiros solteiros eram convocados para abrilhantar a festa, imitando a nova geração das famílias reais Europeias. William e Gegê Darcy, Anne de Bourgh eGray Fitzwilliam eram os príncipes do reino De BourghHotels e planavam majestosamente em roupas de grife e joias exuberantes durante tais eventos.

Foi por causa doBaile de Gala do De Bourgh Amsterdam que Darcy deixou Gegê curtindo sua depressão em Pemberley, sua fazenda no norte da Inglaterra, e foi com seus amigos mais chegados para a Holanda. Foi assim que Darcy conheceu Lizzy Bennett.

Morena, graciosa, atrevida. Filha de pai Inglês, ela era um furacão que tomava conta de qualquer ambiente apesar da sua estatura mediana. A pele bronzeada pelo sol de Ipanema, o inglês fluente apesar do sotaque carioca carregado e as maneiras espontâneas compunham um cartão de visitas excelente que fazia Lizzy cativante.

Petulante, intrigante, instigante. Quando Darcy foi apresentado à nova paixão de seu amigo de escola,Charles Bingley, que o acompanhava na Holanda, achou incomum uma família tão grande. Jane Bennett tinha quatro irmãs. Dentre elas, a única que Darcy “viu” foi Elizabeth.

Audaciosa, impulsiva,questionadora.Qualquer um que já a tenha abraçadopoderia dizer como ele estava se sentindonas poucas ocasiões que Amsterdam lhe proporcionou de tê-la em seus braços. Após alguns poucos dias juntos, Darcy não poderia negar que ela tinha mexido com ele. A moça tinha cabelinho nas ventas!

Amsterdam foi até generosa com Darcy lhe apresentando Lizzy no momento em que achar uma ficante não estava em seus planos. Para ser sincero,Amsterdam tinha sido bastante generosa com ele. Também cruelmente gaiata. Primeiro o destino criou a demanda e depois lhe informou o custo altíssimo.

Quando Lizzy o atropelou no labirinto vivo no parque das flores, o abraço foi inesperado e momentâneo. Depois, quando ele finalmente a achou no fim da noite resolvendo o mistério do seu desaparecimento, Darcy não a abraçou porque ele tinha um autocontrole invejável. Tal qualidade foi especialmente posta à prova na noite em que Lizzy o beijou e fugiu logo depois. Pelo menos foi esta a maneira que ele leu a situação.

Ela tinha uma maneira deliciosa de flertar com ele, fazendo insinuações por muitas vezes inocentes, por vezes maliciosas,o instigando com espetadas que vinham acompanhadas de um irresistível desafio no seu olhar. E como Lizzy sabia se comunicar com os olhos...

Ela era mais nova que ele, na verdade ela tinha a idade de Gegê.Mas o problema não era esse.

Qualquer um que já a tenha desejado tentaria lhe dizer o que ele sentia por dentro. Era uma bagunça em seu ordenado universo, uma presença explosiva e inesperada. Como ele poderia resistiràvontade de convidá-la para dançar no baile de gala? Ela estava linda de salto e vestido de noite, bem diferente do jeito moleca estilosa que ele tinha visto até então. E ele, que já a tinha achado muito interessante antes, ficou hipnotizado quando viu suas belas pernas bronzeadas dentro de meias de seda.

A única coisa que Darcy sempre quis era a impressão de que ela não estivesse fingindo, mas depois que a ouviu conversar tão animadamente com ninguém menos que George Wickham, a memória das lágrimas e do silêncio de Gegê tomaram conta dele.

Darcy nunca gostou das aventuras cariocas de Gegê, tinha detestado a ideia desde que soube. Mas ele tinha liberdade para viver sua vida como queria,e isso significava que não tinha controle sobre as vidas das pessoas queridas e próximas a ele. Responsabilidade era algo que Darcy definitivamente não queria assumir.

Gegê e Lizzy... A mesma idade, morando na mesma cidade, no mesmo bairro, se relacionando com as mesmas pessoas... Certamente Lizzy também estava envolvida pelo mesmo canalha, o tom da conversa deles dizia isso a um bom entendedor.

O único que Darcy nunca poderia pensar... Wickham!

Espere um minuto, como ele não pôde ver? Era o destino lhe mostrando que ele não controlava nada que não lhe fosse dada a chance de controlar.

Darcy poderia decidir o destino de sua próxima viagem, se embarcaria em voo particular ou público, se seria noverão ounoinverno.Mas não decidiria quando conheceria uma mulher que mexeria tanto com ele, quando ia querer cair das estrelas diretamenteem seus braços. Da maneira que Darcy via, era como se eles tivessem uma conexão direta esperando para ser estabelecida, mas que sofria a interferência maléfica daquele desgraçado interesseiro de bosta.

Darcy podiasenti-la... Mas mesmo assim fugiu.

Foi embora de Amsterdam sem trocar contatos ou promessas.

Ele esperava que Lizzy o compreendesse. Apesar do fato de que nenhuma explicação tenha sido oferecida ou requisitada.

---

Meses passaram e Darcy teve a distinta noção de que sua vida voltara aos trilhos. Seu universo estava novamente em ordem e ele retomou seus planos de viajar pelo mundo. Gegê finalmente parecia estar dando a volta por cima, Bingley havia desistido da tolice de também passar algum tempo no Rio de Janeiro e agora estava no Canadá com a irmã, seus tios não o amolavam com os negócios e, como bônus,Gray tinha arranjado tempo para acompanhar Darcy pelo mundo.

Depois de muita discussão, os primos concordaram em seguir os planos de Anne e fazer o caminho de Santiago de Compostela. Não que algum dos três fosse particularmente religioso, mas o passeio era afamado. Não que algum dos três - especialmente Darcy–tivesse consideradoprecisar refletir sobre os rumos que sua vida tomava, mas a rota tinha uma mística inegável. Não que algum dos três tenha dadoimportância ao misticismo, mas o livro que romanciava a jornada era um best-seller.Um best-seller escrito por um brasileiro.

E de novo Elizabeth Bennett invadia a vida de William Darcy.Num intrincado vai e vem do destino que caprichosamente jogou o taciturno milionário para cá e para lá entre as fronteiras da França, Espanha e Itália, num zig-zag de luxo, Darcy acabou descobrindo que novamente estava na mesma cidade que Lizzy.

Não havia nele maneira de expressar a surpresa ao ouvir de sua enfadonha tia que “a menina Brasileira”tinha excelentes ideias e queera uma pena ela ainda não trabalhar para eles como a amiga Charlotte Lucas.

Charlotte,amiga, brasileira, menina. Se as bolhas nos seus pés não oincomodassem tanto, Darcy perceberia que o ritmo do seu coração era o responsável pelo seu desconforto.

Depois dos últimos meses empurrando-a para fora de sua mente, vê-la em pessoa e ouvir seu riso espontâneo era fantástico. E o seu olhar desafiador estava ainda mais afiado. Ele escolhia o que falar para que sua observação disparasse nela o desejo de apertar os olhos negros, respirar fundo e provoca-lonuma réplica que mereceria uma tréplica, e o flerte era absolutamente irresistível.

Gray era o primo mais próximo que Darcy tinha, e talvez seu amigo mais leal. Bingley tinha mais tempo disponível, já que sua fortuna lhe propiciava imitar o amigo na exploração do planeta pulando de um hotel de luxo para o próximo. Gray trabalhava duro fazendo a vida fora do império da família e só tinha tempo para acompanhar o primo mais novo nas férias.

No momento que Gray testemunhou a troca de farpas entre seu primo e a gostosinha Sul Americana, ele soube que Darcy estava perdido. Quando Darcy comentou sobre a menina que tinha conhecido em Amsterdam, Gray pensou que era meramente uma atração passageira. Como Darcy nem tinha o telefone da mulher, o que mais poderia acontecer entre eles?

Mas vendo os dois juntos, dava para sentir a vibe entre eles, era como se fosse palpável, dava para ver no ar. E Darcy estava de quatro. Ela tinha uma maneira diferente de flertar com seu primo.Parecianão gostar dele,na verdade, mas como Gray nunca tinha namorado ninguém dos trópicos, ele não tinha como saber se era algum costume peculiar. Assim ele deu força ao primo quando este decidiu investir.Mas o destino tinha mais uma surpresa guardada para Darcy.

Para o homem que tinha tentado feri-lo, contando mentiras para Lizzy sobre Gegê, Darcy poderia facilmente explicar o modo como se sentia. Arrasado.

Depois de tê-la em seus braços por uma noite inteira, ele a havia perdido irrevogavelmente. Desiludido.

Darcy suspeitava de que ouviria as palavras de Lizzy reverberando em seus ouvidos para sempre num modo repetição infinito. Destruído.

Por todo o ciúme que ela lhe causou falando do idiota Wickham com carinho enquanto deixava claro para Darcy o quanto ela o desprezava.Humilhado.

‘Eu só te dei uma chance porqueGegê insistiu que você era uma boa pessoa!’ Lizzy havia rugido no auge da ira.

Nem sozinho no quarto escuro, onde ela o havia deixado, ele poderia declarar a razão pela qual tentou esconder a verdade sobre o detestável Wickham. Por um segundo,Darcy cogitou expor toda a nojeira que seu amiguinho tão querido era capaz de causar na vida dos outros, mas não conseguiu. Apesar da maneira e do que Lizzy lhe disse Darcy não queria brigar com ela. Não com ela. Não sobre isso.

E todas as coisas que ela o havia ensinado no instante em que Darcy entendeu a real intenção dela nas insinuações, que ele acreditava serem flertes, haviam enviadoseu futuro para dimensões mais claras. De repente as cores ficaram mais nítidas, tudo entrou em foco. Lizzy não era intrigante, ela era direta.

Agora ele se via(ou sabia ou simplesmente via – depende do que você quis dizer) como ela o via: um playboy abominável e aborrecível.Ela repudiava a maneira descuidada que ele levava a vida e Darcy não havia sido capaz de perceber seu desprezo.

Tudo ficou tão claro que incomodava os olhos.Uma dimensão tão bem determinada com vetores palpáveis, onde ela era oposta a ele. Considerava-sequase uma adversária.

Ela nunca saberia o quanto o havia ferido simplesmente porque ele nunca contaria. Nem a ela nem a ninguém. Ela e Gegê se falavam com alguma frequência e mesmo assim ele não soube de nada, não percebeu nada, não entendeu nada.

‘Fique um minuto, não pode ver?’ Ele tomou fôlego para falar antes que se despedissem para sempre. ‘Que eu... Eu quero cair das estrelas diretamente em teus braços?Eu... Eu sinto você e esperava que você tivesse me compreendido. ’Mas faltou coragem.

---

Muitos corações estavam partidos no momento.Um em Londres, sentado em frente ao computador olhando o formulário de e-mail em branco enquanto a cabeça não conseguia achar palavras para explicar o que o seu dono sentia, como deveria se desculpar, como deveria explicar o que realmente aconteceu e como pediria uma segunda chance.

Outro no Rio de Janeiro, levando a vida da mesma forma que fazia antes daquele encontro na Europa. Sua dona seguia sua rotina de faculdade e trabalho, mas agora parecia faltar alguma coisa quenunca havia estado presente. O pior era a distinta e indesejada sensação de lacuna em branco.

A dor no arrependimento era muito cruel, tanto do lado direito quanto do esquerdo do Atlântico. As infindáveis possibilidades do que poderia ter acontecido e como deveria ter acontecido davam piruetas nas cabeças de Lizzy e Darcy incessantemente, por mais que eles quisessem passar por cima de tudo.

Uma promessa de amor nunca vem com um talvez.Tantas palavras foram deixadas por dizer e tantas outras ditas para ferir.

Se ela não tivesse sido tão explosiva... Mas ele foi absolutamente cretino! Se ele tivesse sacado que ela era a amiga que Gegê falava tanto... Mas ela sabia e não falou nada. Se os dois não estivessem tão bêbados... Mas estavam e se deixaram agir por instinto.

As vozes silenciosas estavam deixando-olouco. Darcy não iria conseguir dar a volta por cima se não tentasse o perdão. Ele tinha que se explicar e fazê-la ver o que ele via.

“Depois de toda a dor que me causou, fazer as pazes pode nunca ser sua intenção.

Você nunca saberá o quanto me feriu.”

Ele digitou. Parou por um instante,olhando para a tela do seu computador sem ver nada e depois leu, iluminou tudo e apertou delete.

Por que ela não conseguia ver que ele cairia das estrelas diretamente emseus braços?Ele a sentia tão perto e ao mesmo tempo tão longe...Esperava, não,queria que ela compreendesse.

Do outro lado do mundo ela estava pronta para cair das estrelas diretamente nos braços dele. Ela o sentia muito mais perto do que gostaria.Mas não compreendia.

 

.FIM.


Que tal?

Leia o livro!

Ame Jane Austen! 💕

Seja SUPER FÃ

domingo, 25 de julho de 2021

Sincericídio Literário - um PODCAST para quem ama livros & tretas

 olá!

Olha só a novidade que eu te trago:


Um PODCAST dedicado aos livros - mais um! - 

da perspectiva de quem lê, escreve e publica, 

sem medo de meter a mão em cumbuca.

Eu e a Vânia Nunes da Borboleta que lê sempre nos falamos pelo tel, na maioria das vezes por horas e horas. Começamos falando de uma coisa simples e terminamos falando de tudo um pouco. Questões filosóficas do mundo dos livros (vende mais pq é hot ou é hot pq vende mais?), indicações de bons títulos, plots, tretas, fofocas... Falamos de tudo.

Então eu convidei a Vânia a gravar para te acompanhar no seu dia-a-dia. Liga e deixa a gente falando enquanto você segue com seu dia. Ouve no busão, lavando louça, na academia, fazendo compras no mercado; sei lá, onde você quiser. Depois volta aqui ou vai nos nossos canais e comenta!

Aqui neste post vou sempre postar a lista de episódios com tema para te guiar.

TEMPORADA 1

EP 0 - teaser

EP 1 - Moira, Vânia e Jane Austen por Moira e Vânia

EP 2 - Violência sexual nos livros

EP 3 - Livros com comida

EP 4 - Harry & Meghan

EP 5 - Livros que fazem catarse

EP 6 - Dicas para autores indie

EP 7 - Quão real você gosta que seu romance de época seja

EP 8 - Família real de Mônaco

EP 9 - Erótico é literatura?

EP 10 - Posicionamentos & Plágios

EP 11 - Livros guilty pleasure

EP 12 - Livros bizarros

EP 13 - Tropes e clichês

EP 14 - Livros para viajar

EP 15 - Séries de livros sem fim

EP 16 - Livros e filmes de Natal

EP 17 - Livros que viraram filme

EP 18 - Livros gatilho

EP 19 - Síndrome de Michael Jackson


OUÇA AGORA MESMO!

no anchor

no spotify

no youtube



Você pode nos achar aqui, ó:

Moira Instagram | Vânia Instagram

Moira Facebook | Vânia Facebook

Vânia blog

comente! 

mi treta, su treta!

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Leituras Coletivas vindo aí!

 Olá, blz?

Ando bem enrolada por aqui, mas sempre me mantenho ligada no mundo literário. Planos são muitos, tempo é que falta para colocar tudo em prática!


Mas, como pedra parada junta limo, continuo rolando!

Nas próximas semanas terei duas LEITURAS COLETIVAS com prêmios, sorteios e muita conversa boa.

SE INSCREVA AGORA MESMO!

UPDATES - OUTT.2022

O PECADO DA DÚVIDA
No lindo Clube de leitura da Bia, via Whatsapp e Facebook

O CONDE SOVINA
No maravilhindo Clube do Leitor Correspondente, via Facebook e Whatsapp



~ CONVITE 1 ~

JULHO. 2021

PRECONCEITO, ORGULHO & CAFÉ

- romance contemporâneo

- inspiração de Orgulho e Preconceito de Jane Austen

- passado no Rio de Janeiro

- cenas bem hot, 18+

- livro stand alone (não faz parte de série) que tem um desdobramento: coleção de epílogos em forma de contos

- links, booktrailer, sinopses e muito mais aqui


compre o livro físico com marcadores e mimos 
pelo Mercado Pago



~ CONVITE 2 ~

O CLUBE DE FLORENCE


- romance de época

- passado na Inglaterra da metade do século 19

- parte da série Cupidos em Devon (livro 2)

- tem uma série própria - Favores aos Richardsons

- cenas hot, 18+

- sinopses, links, detalhes e tal, aqui

INFORMAÇÕES PRÁTICAS

DATAS: mês de Agosto, mais ou menos

COMO SERÁ FEITO: 

O 'Café' será feito no Facebook pelo querido Clube do Leitor Correspondente. Entre para esse clube lindo!

O 'Florence' será feito no whatsapp.

PREMIAÇÃO & SORTEIOS:

- ao final de cada LC: sorteios de livros meus e de Jane Austen

- marcadores & mimos para todos que publicarem avaliações na Amazon & redes sociais

- mimos especiais para quem incluir a capa do livro na foto do perfil das redes sociais

- sorteio de mimos & marcadores para quem comentar no Facebook e redes sociais


VENHA PARTICIPAR TAMBÉM!

me mande mail que te insiro na brincadeira

moirabianchi@yahoo.com



segunda-feira, 25 de novembro de 2019

BLACK FRIDAY a R$ 10,00

9 ROMANCES a partir de R$ 10,00 cada!
Oportunidade de BLACK FRIDAY!

FRETE ÚNICO para 1 ou para 9 livros, R$ 7,00.

Saiba mais sobre os títulos em promoção:
》》PRECONCEITO,ORGULHO & CAFÉ 
https://www.moirabianchi.com/p/po-e-cafe.html?m=1
》》3 CHANCES PARA O AMOR
https://www.moirabianchi.com/p/tres-chances-para-o-amor.html?m=1
》》ANTOLOGIA ROMANCES DE ÉPOCA 
https://www.moirabianchi.com/2018/02/antologia-romances-de-epoca.html?m=1
》》COLEÇÃO PRINCESAS POSSÍVEIS
https://www.moirabianchi.com/p/princesas-possiveis.html?m=1

Encomendas por mail ou inbox. Pagamento por PagSeguro boleto ou cartão .


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

9 vezes Orgulho e Preconceito - capítulo 2

Olá!
Como prometido, estou postando os primeiros capítulos do livro novo
9 vezes Orgulho e Preconceito

A Bienal está a todo vapor, uma loucura ver os pavilhões enormes cheios de gente que ama ler e ama livros. Eu que amo tudo isso e ainda amo mais ainda escrever, fico pinto-no-lixo!

Mas vamos aqui neste romance que começa a alçar voo nos sonhos...

9 vezes Orgulho e Preconceito
romance inspirado em Orgulho e Preconceito com Abadia de Northanger + Persuasão
fantasia romântica
contemporâneo + histórico Edwardiano e Regencial
algumas cenas hot (que não serão postadas, pois são de capítulos mais pra frente)
linguagem adulta


Capítulo 2

I- Laços de afeto

O dia anterior à esporádica visita do supervisor nunca era tranquilo para os funcionários da cafeteria, ninguém gostava do cara e seu extremo cuidado com burocracia. Só o cara magrelo se preocupava com regras da franquia, repetindo ‘se os proprietários aparecerem aqui, eles ficariam muito contrariados em ver essas máquinas caras sendo usadas dessa forma quando o manual claramente manda usar daquela forma.’

Esperavam a visita dele na segunda-feira de manhã, então na sexta-feira a equipe toda já trabalhava para colocar tudo em ordem de forma a agradar o cara chato e reduzir sua visita.

Betina tinha ao menos o freelance no Met, um trabalho que sempre lhe agradava. Na bomboniere gourmet ela gostava de apreciar o desfile de gente elegante vestindo roupas bonitas em noites de estreia de opera ou ballet, tanto quanto o encantamento das pessoas que visitavam o teatro pela primeira vez. Pagava mal, mas lhe concedia acesso livre aos bastidores.

O celular de Betina tocou dez minutos depois do final do seu estafante turno de sexta na cafeteria enquanto ela ainda checava a papelada para ter certeza que o supervisor não teria nada para reclamar na sua visita.

Viu o noticiário?
‘Comitê Tradicionalista consegue liminar impedindo estreia de ballet sobre a vida de dançarino gay’
Met fechado neste final de semana em protesto

Betina derreteu em decepção. ‘Ah, não! Que pena!’ Vinha acompanhando os ensaios do ballet tão bonito, tudo estava sendo feito com tanto cuidado... Ela trocou torpedos no grupo de funcionários do teatro, assinou o protesto virtual e fez bico: seus planos para o final de semana estavam destruídos.

Caminhando para casa cansada e chateada, ela não conseguiu achar em si uma boa desculpa para evitar do chá mágico. A grande caneca preta com desenho de asas era já uma ameaça, ela até se sentia um pouco ansiosa quando pensava no objeto.

E então teve uma ideia incrível, melhor, lhe veio da memória: ela tinha outra caneca de asas! Bem menor, mais bacaninha, também velha e querida para ela.

Provar o chá ao invés de se embebedar lhe pareceu uma aventura bem mais palatável, segura.

Em casa ela revirou armários por quase meia hora até achar a xícara de café expresso que havia comprado na liquidação de uma loja cara. Sempre com a grana curta, Betina só pode pagar por aquela peça de design assinado por estar lascada no fundo, um pequenino defeito que fez a belezura ganhar um desconto de 70%.
pura mágica!

Ainda assim, uma graça! Preta, alta, asas de borracha para segurar, nem se notava onde ela passou caneca de retroprojetor para encobrir a lasca faltando.

Betina sorriu segurando a xícara perto dos olhos.

Era pequena. Certamente caberia menos de 100ml, um quarto do que cabia na grande caneca preta. Ahá!

Mais confiante, Betina seguiu os passou que sua amiga Lottie havia lhe explicado: ferver água, colocar uma pitada de belladama, cobrir, tomar banho, relaxar, coar.

Mmmm... Era aquilo, ali estava o momento que temia. Deveria ligar para Lottie? Ela disse que saberia que Betina estaria bem…

Betina cheirou o chá. Deu de ombros.

Provou com cuidado. Não era ruim.

Considerou adoçar. Não viu necessidade.

Ok, então.

Ela tomou o chá todo, era pouco afinal de contas, e esperou um minuto inteiro. Nada aconteceu.

Lavou a louça. Ainda nada.

Zapeou canais na TV. Nada.

Meia hora depois, ela bocejou.

E mais uma vez.

De novo.

E Betina pegou no sono.
.
O despertador disparou às 5:45 da manhã, ela piscou sonolenta e pensou em virar para o outro lado, mas se espreguiçou esticando braços, pernas, pescoço E pulou da cama. Uma rápida visita ao banheiro, roupas de corrida, tênis, chaves, radinho mp3 e ela saiu tentando buscar no fundo da memória quando havia comprado aquele modelo amarelo neon.

O primeiro quilômetro em ritmo acelerado foi difícil. Ar queimava seus pulmões, ela precisou forçar as pernas para continuar indo; mas eventualmente ficou mais fácil e quando ela fechou os cinco quilômetros planejados, se sentiu bem. Assim como subir os 63 degraus para seu apartamento de quarto-e-sala sem parar para respirar com desespero.

Tomou uma chuveirada, café com uma refeição leve, secou o cabelo curto, surpreendentemente usou maquiagem, pegou a bolsa e saiu para a cafeteria se sentindo bem. Segunda de manhã, tudo tinha chance de dar certo – até a visita do supervisor.

Às dez, a loja tinha a fila contumaz de clientes ávidos por uma dose de cafeína, baristas ocupados lidando com as enormes bestas de metal que soltavam fumaça perfumada, e a porta abriu para deixar entrar Mr. Collins, sorriso de plástico estampado no rosto, em companhia de um grande homem alto.

‘Bom dia.’ Collins disse chegando perto do balcão. ‘Tudo em ordem?’ Perguntou tenso.

‘Sim, tudo certo.’ Ela franziu a testa segurando o sorriso de resposta à expressão facial dele.

‘Tenho o cara aqui comigo.’ Ele apontou para o próprio peito.
Ela respirou fundo, como dizer ao supervisor que a presença dele não era assim tão importante?

‘William Darcy, o cara.’ Collins arregalou os olhos. ‘O chefe.’

‘Hein?’

‘Você nunca lê os e-mails, Lizzy?’

‘Recebemos muitos documentos, burocracia demais e eu às vezes tenho que ajudar no balcão. Estamos com um barista a menos, vivo te falando isso, Mr. Collins.’

‘Por favor, faça com que tudo esteja perfeito hoje, ele não tem muito tempo para visitar lojas na minha área, eu escolhi esta porque é uma das grandes, sempre tão direitinha e-’

‘Collins?’ Uma voz forte chamou.

‘Mr. Darcy.’ Mr. Collins se virou imediatamente. ‘Essa é Lizzy Bennett, a gerente do dia.’

Ela abriu um sorriso genuíno, o cara era bonitão. Alto, cabelo escuro, óculos de armação de tartaruga, parecia ter calculado cuidadosamente não se barbear, paletó claro com camisa branca por dentro, jeans caro; qualquer mulher sorriria para ele. Mas o homem tinha o rosto fechado em uma carranca para ela.

‘Bennett.’ Ele repetiu friamente como resposta. ‘Esses...’ Apontou para o peito dela. ‘Bem... bonitos.’

Ela ficou ensandecida, rosto vermelho, pupilas dilatadas, teve que virar o rosto por conta do sol vindo das vitrines frontais. O desgraçado do cara tinha acabado de fazer um comentário indiscreto sobre os dois primeiros botões abertos da camisa polo? Que audácia!
o cara, o chefão!

‘Lizzy é nosso tesouro.’ O sorriso de Collins pareceu crescer.

‘Desculpe.’ Ela interrompeu. ‘Não pode falar assim! Nem aqui, nem em qualquer outro lugar!’

‘Perdão?’ O homem alto inclinou a cabeça um tantinho para o lado como um filhotinho.

‘Isso é sexismo.’ Ela pôs a mão no peito e sentiu os botões fechados, a temperatura do rosto e pescoço subiram como um foguete. ‘Não está certo.’ Palavras saíram da sua boca antes que pudesse parar.

‘Peço perdão se fui mal interpretado, senhorita.’ Ele ainda estava sério. ‘Os aventais.’ Apontou de novo. ‘Muito bacana.’

Lizzy engoliu o orgulho. Cacete, isso foi horrível. ‘Eu quem faço.’ Tentou parecer normal.

Ele balançou a cabeça e deixou Collins levar sua atenção para longe dela. Lizzy pensou se o rei havia acabado de lhe conceder sua aprovação. Huh.

Ao invés da longa inspeção que costumava ocupar a manhã inteira dos funcionários, naquele dia Collins não queria gastar um minuto a mais do que o necessário.‘Mr. Darcy quer ver como sua fortuna é formada, Lizzy. Venha.’ Collins chamou. ‘Vamos dar uma volta na loja com ele.’

Ela recusou ser ama do supervisor e do carrancudo rei dizendo,em um sorriso, que era necessária atrás do balcão. ‘George pode te ajudar.’ Acenou para o homem bem-apessoado fingindo recepcionar clientes nas mesas da calçada.

‘Ah, sim, George Wickham, Mr. Darcy.’ Collins disse. ‘O gerente da noite.’

Homens apresentados e tarefa decidida, eles começaram o passeio. Como Collins estava em missão muito especial, ele usou alguns minutospara avaliar superficialmente a papelada no escritório, rapidamente checou os cômodos de serviço e dedicou a maior parte do tempo ao salão onde observaram o movimento da manhã de segunda-feira.

Quando os funcionários controlaram o serviço e Lizzy não foi mais necessária no caixa, ela não quis ficar à toa e ser forçada a ciceronear o poderoso chefão com atitude altiva em frente de quem ela havia quase feito papel de idiota. Então continuou ajudando como pode, recepcionando os clientes conhecidos – os que apareceram naquele dia.

Para sua vergonha, mais de uma vez o cara a pegou olhando para ele – ou era ela quem o pegava olhando na sua direção?

Na verdade... A observação dele sobre os aventais... Lizzy raramente errava naquele assunto, o cara realmente quis fazer algum tipo de elogio ao corpo dela, ela tinha certeza.

Quando finalmente partiram, ela ficou aliviada que não haviam achado nenhum problema, a loja estava ótima – ao menos no turno dela.

‘O cara é podre de rico.’ Wickham disse com um sorriso irônico enquanto bebericavam café em uma das mesas do fundo.

‘Deve ser, dono de rede de cafeterias...’ Lizzy deu de ombros.

‘Somos só um dos negócios dele, ele tem vários outros. Shopping centers, loteamentos, prédios inteiros.’ Wickham assoviou. ‘Aquela noiva dele deve ser ainda mais rica.’

‘Quem é ela?’

‘Anne DB.’

‘Hein?’

‘Toda hora nas redes sociais, garota magrinha, parece doente, roupas caras e sapatos que vocês adoram invejar.’

‘Nem sei quem é essa.’

‘Procura no seu telefone.’ Ele apontou para o celular dela. ‘Darcy e Anne são parentes, primos em segundo grau ou coisa assim. Talvez ela seja sócia.’ Balançou os ombros. ‘Mas ele nem falou dela, pode ser só um casamento de fortunas.’

‘Em uma visita de trabalho, qual seria a necessidade de mencionar a garota com quem sai, George?’ Lizzy sacudiu a cabeça, olhos na telinha estudando a noiva do cara. Muito magra, vítima da moda, rica, influente... Engraçado, como Darcy era bonitão, ela pensou que ele escolheria uma mulher mais vistosa.

‘Ainda não ganhei o coração da mulher da minha vida, por isso não falo dela a todo momento.’

‘Boa sorte achando esta sortuda.’

Ele riu e segurou a mão dela. ‘Estou livre esse fim de semana.’

‘Se isso é um convite, a resposta ainda é não, obrigada.’

‘Ih, Lizzy, você destrói meu coração.’

‘Que nada! Você sai com mil garotas. O que mais eles disseram? Collins e o cara?

‘Nada.’ Wickham bebeu o café. ‘Collins é puxa-saco demais para deixar Darcy falar qualquer coisa que realmente estivesse pensando. Mas ele ficou bem interessado na nossa loja, especialmente nos seus aventais.’

‘Verdade?’ Lizzy sentiu rosto de pescoço aquecerem de novo.

O cara Darcy pareceu irritado o tempo todo, olhava o telefone e relógio algumas vezes, observava o balcão... Aposto que Collins vai nos proibir de continuar usando suas criações, gatinha.’ Wickham tentou segurar a mão dela de novo. ‘Não se ofenda, pode não ser pessoal.’

‘Pode não ser?’

‘O cara é carrancudo, rico e importante. Essas pessoas olham para a gente de cima para baixo.’

‘Sei.’ Lizzy queria revirar os olhos. ‘Ele nem me conhece.’

‘Exatamente! Ele só viu algo fora do padrão e pode ter sido suficiente para tirá-lo do sério.’

Apesar de saber que Wickham era um cara cheio de meias-verdades e historinhas, Lizzy passou o resto do dia pensando no chefão bonitão e os olhares para ela. Então, quando Collins ligou para o seu celular naquela noite, ela já esperava más notícias.

“Uma reunião!” Lizzy não acreditou. “No escritório central?”

“Sim, Lizzy!” Collins parecia agitado. “Onze, não se atrase. Traga os aventais e outras criações que são usadas na loja.”

“Por que?”

“Eles querem conversar com você sobre isso.”

“Quem são ‘eles’?”

“Os chefes.”

Ah, droga!

“Veja quem pode cobrir seu turno, não se atrase. Te vejo lá.”
.
No escritório refinado, a grande sala de reunião era bem intimidadora, mas Lizzy se manteve calma esperando como Daniel na cova dos leões. Nem o bonitão Darcy, nem Collins estavam lá quando ela foi encaminhada para a sala, somente o time de marketing que a pediu para explicar os aventais e luvas.

‘Os aventais que recebemos com o uniforme são muito finos e nossa máquina de expresso às vezes cospe vapor aqui.’ Ela levantou para apontar as costelas. ‘Então pensei que precisávamos de algo leve, mas forrado, bonitinho, feito com ferragens de alto qualidade para ajustar os cadarços no pescoço.’

‘Está dizendo que o uniforme oficial da companhia é barato e inadequado?’ A mulher magra perguntou acusando.

‘Desculpe.’ Lizzy prendeu os lábios. ‘Os aventais devem nos ajudar durante o expediente, mas não fazem isso. As fitas vivem desamarrando, às vezes quando estamos com as mãos ocupadas, e o tecido é pouco absorvente, nossos sapatos vivem respingados.’

‘Ela deve saber, Caroline.’ Um louro boa praça pareceu interessado. ‘Me mostre seus aventais, Miss Bennett.’

‘Eu fiz esses em preto porque é mais fácil de manter limpos e como nossos uniformes têm detalhes pretos, combina bem. Para os cadarços e logo bordada, eu usei o verde da companhia.’ Ela estendeu o avental na mesa grande. ‘Esse é para os ajudantes de garçons, tem branco nos detalhes por causa das botas plásticas que eles usam.’

‘E as outras cores, uma para cara função?’ O homem sorria.

‘Baristas pediram vermelho, dizem que são o coração da cafeteria.’ Lizzy revirou os olhos.

Ele riu. ‘Concordo. Mas talvez a cor deles devesse ser marrom!’
‘Foi isso que eu disse, Mr.-’

‘Bingley, chefe do marketing.’ Ele alcançou as luvas. ‘Essas combinam detalhes porque aventais são sempre pretos, certo?’

‘Sim. Tentamos usar tudo preto, mas não casou com nosso astral leve e divertido.’

A mulher esnobe, Caroline, tinha as sobrancelhas unidas analisando as peças sobre a mesa sem tocar em nada, ocasionalmente anotando algo no seu tablet.

O homem simpático, Bingley, levantou para experimentar o avental, tirou uma selfie sorrindo e colou a luva. ‘O que gosta mais, Miss Bennett?’ Ele foi à pequena máquina de café no aparador. ‘Latte, cappuccino?’

‘Lizzy, por favor.’ Ela sorriu. ‘Café fresco, grande, puro.’ Sabia que ele estava experimentando suas criações como um funcionário usava todos os dias. Ficou até mais confiante.

‘O mesmo para mim.’ Veio a voz forte.

‘Ia falar isso.’ Bingley balançou a cabeça. ‘Exatamente como Darcy prefere, o que é muito engraçado já que estamos no negócio de drinks de café.’

‘Gosto de simplicidade.’ Darcy prendeu os lábios em um meio sorriso. ‘Miss Bennett.’ Acenou com a cabeça.

‘Mr. Darcy.’ Ela tentou somente sorrir de volta, mas tinha medo de parecer um tique nervoso e sua mão – ah, vergonha! – sua mão direita foi diretamente para o decote. Foi reação impensada, ela não planejou ou raciocinou. E pior, ela percebeu que ele percebeu.

‘Ele já te fez uma proposta?’

‘Estou esperando por você, exatamente como mandou ao responder minha foto.’ Bingley sacudiu o celular, guardou e pegou as duas xícaras grandes de expresso para colocar na mesa para Lizzy e Darcy que sentou perto dela.

‘Proposta de que?’

‘Caroline?’ Bingley voltou à máquina.

‘Macchiato está ótimo, obrigada.’ Ela sorriu sem vontade e se virou para Darcy. ‘Parece bem plausível, os itens podem complementar nossa próxima campanha.’

‘Te falei.’

‘Você está sempre certo, claro.’ O sorriso dela cresceu, mas o olhar apaixonado para o chefe foi cortado pela grande xícara de café fumegante trazida para ela. ‘Bingley, você é o expert em Marketing.’ Caroline gesticulou em direção a Lizzy.

‘E você é a gerente de produto.’ Bingley sorriu de volta.

Darcy grunhiu espantando Lizzy. ‘Miss Bennett, notei os aventais visitando sua loja ontem, e pedi a Bingley e Caroline que avaliassem se poderíamos incluir seus itens em nossa nova linha de merchandising.’

‘E são perfeitos!’ Bingley finalmente retornou à sua cadeira com uma grande caneca de latte. ‘Próxima estação vamos começar a reestruturar a rede. A logomarca vai sofrer algumas mudanças, um toque mais moderno, o tom de verde será um pouco mais escuro e novos itens de merchandising para reforçar as mudanças. Canecas, copos, os produtos de sempre.’

Com o coração acelerado, Lizzy piscou. ‘E meus aventais?’

‘Queremos incluir no uniforme nacional, para que os clientes possam se sentir parte do time fazendo café ou cozinhando em casa. Luvas também.’ Caroline olhou para Bingley. ‘Acha que tem qualidade compatível com nossos padrões?’

‘É ótimo!’

‘Então precisamos falar de números e contrato, Miss Bennett.’

‘Uau.’ Lizzy piscou mais rápido. ‘Estão falando sério?’

‘Caroline abaixou a xícara que levava aos lábios. ‘O que te faz pensar que estamos brincando? Negócios são negócios, não estamos aqui fazendo amigos.’

‘O que quero dizer é que é muito surpreendente, eu não esperava isso...’ Lizzy franziu a testa. ‘George disse que provavelmente iriam me demitir porque mudei os uniformes.’ Ela disse olhando para Darcy que levantou as sobrancelhas.

Bingley abriu um arquivo cheio de folhas. ‘Quem é esse?’

‘George Wickham, o gerente da noite.’

‘O que você contou que insistiu em fazer perguntas da sua vida pessoal e daquela prima doida que você nunca encontra?’

‘Oh, ele encontra com ela.’ Caroline sorriu de lado. ‘Só cego não vê Anne em cada trending topic inútil que existe!’

Darcy limpou a garganta, acertou os óculos de armação de tartaruga no rosto. ‘Miss Bennett-’

‘Lizzy.’ Bingley corrigiu Darcy.

Apesar de não usar ‘Miss Bennett’, Darcy continuou sem usar ‘Lizzy’ também. ‘Há uma tabela de quantidades e datas de entrega e quanto estamos dispostos a pagar.’ Ele apontou Bingley.

‘Aqui estão.’

Tantas informações, aventais, luvas listadas por cor – cada item parecia ter 200, 400 unidades na frente. Uau. ‘Preciso pensar direito.’ Ela respondeu.  ‘Eu faço essas peças depois do trabalho, nos finais de semana. Para cumprir uma encomenda dessas, terei que mudar tudo.’

Na mente dela, Lizzy via passar rápido tudo que precisaria fazer: se demitir da cafeteria e do Met, talvez conseguir um empréstimo no banco para montar uma empresa, contratar uma equipe, organizar entregas, administrar fluxo de caixa e lucros. Seria vida de gente grande.

‘Amanhã teremos uma reunião de staff para apresentar as revitalizações da marca,às três da tarde.  Podemos contar com alguns aventais e luvas?’ Bingley piscou um olho. ‘Dois de cada?’

‘Acho que sim.’ Lizzy considerou suas chances. ‘Um pouco mais que um dia de trabalho, já tenho alguns quase prontos porque o pessoal sempre precisa de reposição...’

‘Ótimo. Caroline vai te enviar por e-mail a nova logo e o tom de verde. Se você conseguir mais de dois de cada, será ainda melhor, excelente seria um extra longo para Darcy usar em uma rápida sessão de fotos e transmissão na intranet.’ Bingley apontou para o homem que nem tirou os olhos do celular. ‘Vamos usar em uma campanha interna para lançamento das novidades.’

‘Preciso das medidas dele.’ Lizzy olhou para Darcy apesar de que ele ainda se mantinha entretido no celular. ‘Suas.’

‘Caroline envia por e-mail o que você precisar. Vou resolver outro problema. Bingley, quando acabar, me encontre.’ Darcy levantou e sorriu com lábios presos para Lizzy. ‘Até amanhã.’
.
Depois de um dia trabalhando sem descanso, mente cansada e dedos avermelhados, Lizzy voltou aos escritórios refinados com sete aventais e quatro luvas perfeitamente costurados. Estava orgulhosa de seu esforço e sabia que os chefes ficariam satisfeitos com a encomenda.

Em seu futuro havia um horizonte totalmente novo para a empreendedora Lizzy. Ela sentiria falta da vidinha simples de empregada quando trabalhava muito e os riscos eram de outra pessoa. Agora seria tudo dela, ela precisaria trabalhar mais ainda e lidar com os riscos. E os bônus.

Quando as portas de inox do elevador abriram, ela encontrou o lobby cheio como uma colmeia de abelhas, muito diferente da calmaria do dia anterior. ‘Lizzy dos aventais’, como era conhecida, foi encaminhada para a sala de reuniões onde a apresentação seria transmitida para todo o país e Caroline acenou os dedos longos nervosamente pedindo a encomenda.

‘Ah, muito bem, Lizzy!’ Ela sorriu com sinceridade desta vez. ‘Esses parecem perfeitos.’ A mulher esnobe levantou um avental na luz para inspecionar o bordado e costuras do cadarço.

‘Obrigada.’ Lizzy sorriu de volta. ‘Quase nem dormi noite passada. Os custos precisam ser revistos, também prazos de entrega, ao menos de início.’

Caroline estava de volta ao mau humor. ‘Isso pode ser um problema.’ Ela pressionou os olhos. ‘Mas para outra hora.’ Sacudiu os dedos de novo. ‘Me dê o resto das coisas, luvas... Sim... Ah, o avental de Darcy você pode entregar a ele.’ Ela apontou para o outro lado da sala enquanto arrumava os itens de merchandising em uma moderna estante.

Antes de sair de casa, Lizzy tinha perdido alguns minutos de fronte a seu armário pensando no que vestir para não passar uma ideia errada a ele ou direcionar os olhos dele para seu decote. Havia o problema de gordurinha na cintura e para resolver as duas situações ela optou por calça legging e camiseta ultra longa, tudo preto, com uma jaqueta jeans bacana por cima. Foi uma grata surpresa ver como tudo caiu bem, como seu cabelo se comportou, quão fácil e satisfatório foi fazer uma maquiagem leve. Confiante o bastante, ela se aproximou do cara que parecia ainda mais bonitão naquela tarde e como se sentisse a presença dela, ele se virou com o celular na mão quando ela chegou perto.

‘Mr. Darcy.’

‘Lizzy.’ Ele prendeu um sorriso. ‘Me chame de Darcy. Ou William.’

‘Darcy.’ Ela devolve o sorriso. ‘O avental.’ Apontou sobre o ombro para onde havia vindo. ‘Caroline me mandou te entregar, sabe, para a sessão de fotos.’
Englishman de óculos

‘Ah!’ Ele guardou o telefone no bolso, pegou o avental e vestiu. ‘Ficou bom?’

‘Posso?’ Com cuidado ela alcançou para ajustar o clip de metal do cadarço perto do pescoço, ele sorriu e se inclinou mais para perto dela. Depois, ela andou em volta dele para atar o laço na cintura dele. ‘Agora acho que está perfeito.’ Lizzy tirou o próprio telefone. ‘Posso guardar esse momento? Tipo... Você é o cara usando meu avental, é uma coisa muito bacana.’

‘O cara?’

‘É como te chamamos.’ Ela deu uns passos para trás e bateu algumas fotos.

‘Agora o cara pode ter seu número?’

Lizzy olhou para cima e quando viu a maneira como ele sorria, a satisfação profissional dela congelou: o cara estava ainda mais bonitão.

‘Quer sair comigo?’

‘Para tomar um café?’Ele riu. ‘Ou alguma coisa mais criativa.’

Ele acabou de?... Não, ele não poderia! Será? Surpresa, ligeiramente envaidecida, um pouco irritada e até intimidada, ela ficou sem palavras.

Ele viu a reação dela como reflexo da ardente atração que sentia, seus olhos lindos piscaram devagar como se ela já escolhesse lugares para lhe dizer onde levá-la.

‘Está na hora.’ Alguém gritou.

‘Hoje à noite?’ Darcy perguntou.

‘Não.’ Lizzy estava de coração partido. ‘Eu pensei que você estivesse interessado no que eu criava.’ Ela apontou para o avental que ele usava. ‘Que eu confundi a maneira que olhou para os meus peitos, mas eu entendi certo. Não foi?’

‘Perdão?’

‘Que bola fora...’ Ela franziu a testa. ‘E eu pensei que seria tão legal...’ Um suspiro triste. ‘Não, eu não quero sair com nenhum pervertido noivo de prima famosa que ele nunca encontra e trai a coitada com qualquer mulher bonita o suficiente para tentá-lo. E a proposta de negócios não é boa o suficiente para mim, o valor que querem pagar por avental e luva é barato demais. Eu preciso conversar sobre preços.’

‘Darcy, aqui está você!’ Bingley chegou perto deles. ‘Oi, Lizzy dos aventais, bom trabalho, as peças estão perfeitas! Pode esperar lá atrás?’

‘Essa é sua opinião de mim?’ Os olhos de Darcy emoldurados pelos óculos de tartaruga não deixaram o rosto de Lizzy.

‘Me diga que estou errada.’ Ela desafiou.

‘Você pensou que seria despedida ontem, ao invés disso te foi oferecido a oportunidade da sua vida.’

‘Um pouco longe disso.’

‘É bem generosa.’

‘Não funciona para mim.’

‘Ninguém recusou negociar com você.’

Lizzy parou a discussão, ele tinha razão.

‘O que está acontecendo aqui?’ Bingley perguntou, sorriso derretendo em seu rosto.

Darcy sacudiu a mão. ‘Nada, vamos.’
.
Enquanto ela assistia a transmissão acontecer com Bingley fazendo a maior parte da explicação como um especialista de Marketing deveria e Darcy ao lado, calmamente ajeitando os esperando para ser chamado na câmera vestido com seu avental, Lizzy pensou quão estranhos os últimos dias estavam sendo... Novos negócios, recusou um encontro com o chefe do seu chefe...

‘Oi!’

‘Lottie!’

‘Desculpe?’

‘Lottie, sou eu!’ Lizzy sorriu.

‘Desculpe, já nos conhecemos? Sou péssima fisionomista e esses eventos no escritório central sempre me deixam nervosa! Sou Charlotte, de Chicago.’ A garota estendeu a mão para um aperto. ‘Estou encarregada das sobremesas, as novas do tamanho de uma bocada só.’ Ela apontou.

‘Eu...’ Em uma crise de gaguice, Lizzy sentiu a garganta fechar. De onde ela se lembrava daquela garota que parecia muito íntima de uma maneira estranha? ‘Sou Lizzy, dos novos aventais e luvas. Eu quem faço.’

‘Oh, adoráveis! Posso ficar com um?’

‘Claro.’

‘Aqui, prova meu doughscuit.’

‘Que isso?’

‘Donut pequeno e crocante como biscoito. O cara gostou com manteiga de mel por cima e ele nunca gosta de nada doce.’ A garota ofereceu o prato da mesa lateral apontando as rosquinhas.

‘Nunca ouvi falar de doughscuits.’ Lizzy disse de boca cheia.

‘Uma invenção dos deuses.’

‘Deliciosos.’ Lizzy riu comendo e arriscou uma olhada em volta a tempo de pegar Darcy de olho nela. Ela corou, ele não disfarçou o divertimento em ver como ela gostava do doce.
yummy!

‘O cara ou meu doughscuit?’ Charlotte implicou.

‘Sua arte. Darcy é…’ Lizzy desviou o olhar. ‘Enigmático.’

‘Ele olha para cá toda hora, você estava abraçada com ele agorinha-’

‘Eu?’

‘Eu pensei que você o entendia muito bem.’

‘Acabamos de nos conhecer.’

‘Engraçado, parece que vocês dois tem um lance rolando há meses, o flerte parece tão fácil.’ Charlotte cutucou Lizzy com o cotovelo e inclinou a cabeça indicando onde Darcy acabava de começar a falar para a câmera. ‘Ele com certeza parece estar interessado.’

‘Hein?’ Lizzy fez careta. ‘Ouvi falar que o cara tem uma noiva, aquela das redes sociais, sua prima.’

‘Duvido, é fofoca.’

‘Como sabe?’

‘Eu sigo os perfis dela.’  Charlotte apontou para os pés. ‘Comprei esse sapato porque ela usou mês passado em uma festa. Se ela tivesse aquele homem, ela estaria postando fotos com ele todos os dias.’

De novo Lizzy parou a conversa, a garota estava provavelmente certa.
.
Engolir seu orgulho era coisa difícil, uma pessoa tinha que fazer um grande esforço. Lizzy precisou tentar e tentar naquele dia. Mas quando o staff começou a deixar a sala de reunião, ela juntou coragem suficiente para chegar perto de Darcy.

‘Experimenta o coberto de chocolate alemão. É menos doce.’ Ela disse.

Ele se virou. ‘O donut recheado de creme fresco e coco é intragável para mim, mesmo para uma mordida só.’ Ele fez uma expressão de dor. ‘Já experimentou? Acha que vai agradar aos seus clientes? Antigos clientes?’

‘Ela alcançou um e enfiou na boca. ‘Sim.’ Cobriu a  boca com a mão. ‘As pessoas vão adorar! Mas é bem doce.’

Darcy deu de ombros. ‘Está decidido, então.’

‘Eu estourei com você mais cedo. Foi desnecessário.’ Ela lambeu os dedos. ‘Desculpe.’

‘Eu mereci.’

‘Está ok, você não precisa-’

‘Algumas coisas eu não entendi como prima e noiva;como ouviu que seria demitida, pode ter ouvido outras mentiras também. Mas os aventais chamaram minha atenção para você, sim.’ Darcy prendeu os lábios, Lizzy corou de novo. ‘Se me permitir me desculpar, haverá uma apresentação bastante segura de ballet no Met amanhã às 6 da tarde. Nenhum pervertido convida uma garota para um encontro de tarde.’

Ela riu. ‘Não, é bem seguro, sim. Eu te levo no Met amanhã.’ Ele inclinou a cabeça como um filhotinho. ‘Me encontre na porta às cinco. Pode? Ou é muito cedo?’

‘Estarei lá.’
.
Outro dia de borboletas no estômago.

Para lidar com a ansiedade, ela correu sete quilômetros, dois a mais, se apressou da cafeteria para casa depois do turno para ter mais tempo de se aprontar, colocar um vestido bonito, sapatos altos, cabelo... O que estava fazendo?

Um encontro com o cara?

Rico e bonitão e... O que seria mais criativo... Sabe, criativo a dois?Ele disse nada de perversão.Só para não correr risco, ele escolheu calcinhas pequenas.
.
Ele chegou dez minutos antes por razão nenhuma a não ser sua atração na garota bonita de grandes olhos expressivos, curvas intoxicantes e mãos habilidosas.

Darcy tinha grandes expectativas para aquele encontro. Se eles se dessem bem como ele esperava, se ela gostasse dele como ele era atraído por ela, se eles conseguissem lidar com as agendas de trabalho, ele adoraria ser o namorado dela.

A excitação de um novo relacionamento o deixava inquieto, Darcy queria causar uma boa impressão. Ele considerou comprar flores, mas era muito antiquado. Fazer reservas para jantar no restaurante de um bom hotel perto dali, mas ela poderia o chamar de pervertido de novo. Ele acabou decidindo por uma única rosa e reservas no restaurante à beira do lago do parque em frente.

Lizzy adorou a atenção, corou e corou, levantou nas pontas dos pés para um beijo na bochecha e pegou a mão dele para andarem juntos contornando o quarteirão até a porta dos empregados do teatro.
Apesar de estarem completamente vestidos como pagantes, ela lhe deu uma visita guiada pelas entranhas do teatro, incluindo os ensaios de última hora e aquecimentos.

Darcy tinha estado no Met várias vezes, se o destino ajudou talvez até tenha comprado doces para garotas das mãos de Lizzy na bomboniere, mas ele nunca tinha visitado as coxias – especialmente logo antes da hora do espetáculo. Foi emocionante.

Quando foram aos lugares caros que ele havia comprado, os dois corações batiam mais rápido que o normal e estavam já adiantados na paixonite.

‘Obrigado.’ Ele, charmosos óculos de armação de tartaruga e tudo,sorriu de maneira que roubou o ar dos pulmões dela, entrelaçou dedos e levou a mão de Lizzy para um beijo.

‘De nada. Eu costumava trabalhar aqui de vez em quando, agora vou precisar me demitir por causa do Laços de Afeto.’

Ele franziu a testa ainda sorrindo. ‘O nome da sua empresa?’

‘Muito boboca?’ Ela torceu a boca.

‘Já estou amarrado.’

‘Você não está me dando muita chance de resistir, não é mesmo?’ Ela provocou enquanto as luzes piscavam indicando o início iminente do espetáculo de ballet.

Darcy se inclinou mais perto dela. ‘Nem seu decote me deu naquele dia. Ou hoje.’

‘Ah!’ Lizzy se afastou dele. ‘Pervertido! Eu sabia!’

Ele riu baixinho. ‘Peço perdão. E tenho certeza que não faltei com o respeito.’ Ele pareceu arrependido, ela acreditou. ‘Está linda.’

‘Estava um pouco insegura para escolher o que vestir...’

‘Perfeita.’

‘...No caso de criatividade incluir morangos e champanhe como na marca de lingerie que estou usando, a das mulheres anjo com grandes asas negras como a xícara de chá...’
o que? já acabou?...
.
Betina acordou devagar de um soninho de bebê, era como se ela nunca tivesse dormido tão bem em toda sua vida.

Suspirou fundo.

E de novo.

Se espreguiçou, esticou os braços e chutou o edredom para esticar as pernas. Ah, que sensação boa...

Se virou de lado e sorriu, fechou os olhos, deixou a realidade voltar à sua mente devagarinho.

Que dia era? O que ela tinha para fazer?

Sábado de manhã, certo?

Onde estava o telefone celular?

Mesa de cabeceira, morto... Que estranho! A bateria sempre durava a noite toda. Ela plugou o cabo, levantou para usar o banheiro e quando voltou sentiu um choque de surpresa: era início da tarde de Domingo.

O dia seguinte, segunda-feira, dia da visita do supervisor, ela inventou uma doença e não foi trabalhar.


~ continua no capítulo 2 ~

já viu o BOOKTRAILER?
tem até uma versão estendida...

9 vezes Orgulho e Preconceito 
está disponível em ebook e brochura

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Um dia na vida de Jane Austen

Olá,
hoje nesse dia cavernso de frio e chuva, meu livro novo - mais um Austeneite 9 vezes Orgulho e Preconceito - está disponível em ebook e comemorando, trago um post adorável da ANGLOTOPIA.

ebook kindle está aqui, google play também
Este romance, como já disse, nasceu da 
NECESSIDADE DE VISITAR os amigos de Pemberley & Meryton 
para CURAR MEU CORAÇÃO em um momento dolorido. 

Então, nada mais apropriado que visitar a própria Jane Austen na época do lançamento do livrinho inspirado na obra dela. Vamos?

UM DIA NA VIDA DE ... JANE AUSTEN 


SÉRIE DE ARTIGOS DA ANGLOTOPIA
UM OLHAR NA VIDA DIÁRIA NO FINAL DO PERÍODO GEORGIANO REGENCIAL INGLÊS

Publicado em 1 de junho de 2018 por Jonathan AQUI

Apoie bons textos sobre a Grã-Bretanha assinando a revista Anglotopia - disponível em versão digital e tradicional. Publicada trimestralmente e enviada para todo o mundo! Clique aqui para obter mais informações.

Nota: Esta é o primeiro de uma série de artigos da Anglotopia. Eu, Moira, apenas traduzi.
A fabulosa Anglotopia escolhe importantes figuras históricas britânicas para passar o dia típico na vida delas. A primeira é a grande e amada Jane Austen. Se você gostar deste conceito / série, por favor deixe um comentário aqui e na página original!
***

É pouco antes das seis horas da manhã de uma ensolarada manhã de primavera de 1798, e a srta. Jane Austen acorda ao som do coro de pássaros que circundam a Paróquia de Steventon. A vida está se agitando na aldeia, nos campos e prados que ficam ao lado da casa, mas dentro da casa paroquial, Jane é a primeira a sair da cama. Sua solidão matinal é temporária no entanto, e em pouco tempo, essa movimentada casa georgiana ganha vida.

Aos 23 anos, Jane mora com sua mãe, pai e irmã Cassandra na casa onde nasceu. Seu pai, George, é o reverendo da paróquia de Steventon, parte da pequena nobreza local. Sua família ostenta uma linhagem distinta, mas com o passar do tempo, a fortuna dos Austen foi desperdiçada. Para George Austen sobrou pouco além da magra renda provinda do trabalho na paróquia de Steventon concedida a ele por parentes mais ricos. Não obstante, apesar de suas circunstâncias modestas, Jane cresceu em relativo conforto, estabilidade e acesso a um meio social diversificado. Seus irmãos começaram a formar carreiras militares, Jane e Cassandra se beneficiaram de uma excelente educação, primeiro no internato Reading Abbey Girl's School e, mais tarde, em casa, onde Jane tinha acesso livre à biblioteca substancial de seu pai.

O ritual da manhã de Jane sempre começa com a prática do piano. Como todas as jovens de sua classe e idade, Jane deve demonstrar competência musical e tem uma paixão particular pelo piano. Até alguns anos antes, ela tinha tido aulas regulares com George Chard, organista da Catedral de Winchester e musicista altamente proficiente. No entanto, a competência musical exigia prática, e ela preferia aprender novas peças no início da manhã, a fim de evitar incomodar os outros membros da família. Esta manhã ela aborda uma sonatina do compositor francês Ignaz Pleyel, um favorito pessoal e uma escolha popular na Inglaterra georgiana.


Na época de Jane, o início da manhã era o momento de fazer as coisas e, às sete horas, toda a casa era uma colmeia. O pai dela já está no gabinete, organizando negócios e supervisionando as contas domésticas, a mãe dela está elaborando um planejamento para as refeições da semana seguinte. Apesar das circunstâncias relativamente modestas da família Austen, eles podiam se dar ao luxo de manter um pequeno exército de criados; no entanto, esperava-se que Jane e Cassandra aparecessem onde fosse necessário, e hoje, às oito horas, as duas meninas podem ser encontradas na cozinha, ajudando a preparar o café da manhã para o resto da família. A tarefa particular de Jane é preparar o chá, especialmente comprado (a um custo significativo) da Twinings em Londres, e um componente crucial na mesa de café da manhã da família.
studio inglesi

O café da manhã, para a família de Jane, é relativamente simples consistindo de pães, brioches, ovos e talvez alguns embutidos ou rosbife. A conversa em torno da mesa é animada e logo direciona para atualidades políticas do dia, particularmente os eventos em curso na França e na Irlanda. As meninas Austen são educadas em nível incomum em comparação com outras jovens de sua classe e oferecem opiniões diretas.

Depois do café da manhã, Jane retorna a sua mesa para escrever. As mulheres jovens da sociedade georgiana frequentemente se envolviam em correspondência com amigos e familiares que viviam longe, e as cartas eram um meio crucial de se manter atualizado com os últimos desenvolvimentos na sociedade. Hoje ela começa respondendo várias cartas recentes. A mais importante é uma de sua prima e cunhada Eliza de Feuillide, que se casou com o irmão mais velho de Jane, Henry, no ano anterior. A amizade de Jane e Eliza ficou famosa, e acredita-se que Eliza foi inspiração para o personagem-título da curta novela Lady Susan. Eliza viveu muitas aventuras no início da década de 1790 quando casada com um aristocrata francês, o conde de Feuillide, um monarquista francês que foi executado por revolucionários franceses em 1794. Jane e Eliza mantiveram uma longa amizade e escreviam uma para a outra regularmente.

À medida que o meio-dia se aproxima, Jane começa a sentir-se inquieta. Ela troca de roupa e sai ao sol para uma caminhada. A casa paroquial de Steventon ficava em meio a um belo cenário pastoril, e Jane era conhecida por seu amor pela natureza e por caminhar ao ar livre, um passatempo que aparece em muitos de seus romances. Ela também era uma jardineira entusiasmada, com um conhecimento prodigioso de botânica, e adorava passar horas no jardim considerável anexado à casa. Hoje ela passeia pela vila e pelo prado, pensando em novas histórias, inspirada pela última carta de sua prima e cunhada Eliza.
facebook

Tendo saído para passear, a mente de Jane é estimulada e ela retorna repleta de ideias para seu trabalho atual. Ela entra na casa ansiosa para pegar sua pena e retoma seu lugar habitual na sala de visitas. Nesta época, o papel era caro, então ela precisa ser econômica, e vemos sua escrita elegante cobrindo todos os cantos da página, adicionando novas folhas gradualmente à medida que as ideias e o texto se expandem. Ao lado dela está sua preciosa caixa de escrita, que viaja com ela aonde quer que ela vá, e contém papel, tinta e, o mais importante, rascunhos atuais de seu trabalho e idéias. Ela continua escrevendo, absorta em seu trabalho até que os visitantes interrompem e a hora do jantar se aproxima.
curiosidade: sabia que Jane Austen editava prendendo pedacinhos de papel com alfinete sobre o que já estava escrito? fofo! leia aqui.


No período georgiano, o jantar era a principal refeição do dia e geralmente era servido no final da tarde. No início do século 19, mais tarde, a hora do jantar estava mais na moda, mas para a família de Jane, o jantar sempre era servido às três e meia da tarde. Normalmente, o jantar consistia em dois pratos, com carne assada ou peixe, sopas e pratos doces servidos ao mesmo tempo. Hoje, no entanto, a família Austen está comendo uma refeição relativamente leve, um chá, em antecipação ao entretenimento da noite: um baile público nos salões da Assembléia local.

Às cinco da tarde, depois do jantar, a família geralmente se reunia para tomar chá e ler. A leitura era uma atividade compartilhada na casa paroquial, e o chá geralmente era acompanhado por um membro da família lendo em voz alta para o resto do grupo. Muitas vezes, o texto escolhido era uma das composições de Jane, e todos os seus romances publicados tiveram o primeiro público nos membros família. Hoje não é uma exceção, e Jane lê em voz alta seu último manuscrito, o mesmo que ela havia trabalhado no início do dia.

Qualquer outro dia, o chá pode ser seguido por um jantar leve e carteado, ou leitura adicional, mas esta noite é diferente. Os bailes locais eram sempre agradáveis, proporcionando às meninas oportunidade de socialização e oferecendo música, dança e jogos. Jane, cheia de excitação, veste um vestido de musselina branca com mangas bufantes e a família caminha a curta distância até a aldeia. 

jasna
Ao se aproximarem da Sala da Assembléia, o barulho e o entusiasmo podem ser ouvidos de longe, e Jane e Cassandra apressam o passo em emoção.
vittorio regianini
A família entra no local envolvidos em uma onda de barulho e conversa animada. A sociedade é variada, e Jane imediatamente vê um número de famílias de seu conhecimento. Os ambientes são iluminados com centenas de velas lançando uma luz suave sobre os convidados e iluminando a elegante arquitetura georgiana. Logo os músicos dão vida aos instrumentos e a primeira dança, o cotillion, começa. Na falta de um parceiro, Jane se acomoda em um dos bancos encostados nas paredes para assistir ao espetáculo. Essa dança complexa exigia considerável proeza física e prática, e fica imediatamente claro que alguns dos participantes são mais habilidosos do que outros. Jane e Cassandra sentam-se juntas, comentando sobre os vestidos das mulheres que conhecem e rindo dos movimentos desajeitados de alguns dos convidados. Elas logo encontram parceiros e se jogam na dança, que se torna cada vez mais vigorosa e acelerada.

Às nove horas, a música pára e todos os convidados se encaminham para a sala ao lado para o jantar. Uma grande mesa está repleta de carnes, tortas, peixe e frutas, e espera-se que se sirvam e sentem-se à mesa ou ao redor dela. A música e a dança garantiram a todos um apetite saudável, e a multidão de hóspedes famintos significa que Jane e Cassandra lutam para chegar perto da generosa distribuição disposta nas mesas. Seu pai, o reverendo Austen, permanece na sala ao lado, jogando cartas com os outros cavalheiros até que Jane é enviada (por sua mãe) para arrastá-lo para longe das mesas de jogo. Depois do jantar, a dança recomeça, embora a um ritmo um pouco mais lento, por conta do amplo repasto. Finalmente, por volta das onze horas, os convidados cansados ​​e satisfeitos começam a recolher seus casacos e ir para casa.

A família Austen chega em casa, ainda discutindo os acontecimentos da noite. Jane está cansada, mas, inspirada por um trecho de conversa, pega sua caixa de anotações e começa a cobrir uma nova folha de papel. Ela continua a escrever pela noite adentro, enquanto o resto da casa dorme até que a vela finalmente se apaga.
pic da Oxford library - mas a writing box dela está na British Library em Londres

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Eu amei!
Achei mimosa e direta, sem floreios ou sentimentalismos.

Agora, inspirada, vou mergulhar em Austen Nation!
9 vezes Orgulho e Preconceito

bjs.