& Moira Bianchi

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Juvenília: a Jovenzinha Jane Austen - As três irmãs

 olá!

Hoje lanço um projeto que tem me ocupado por meses! E que lindeza!

JANE AUSTEN JUVENÍLIA 

Os cadernos da Jovenzinha Jane

Faz tempo que tenho me dedicado a este projeto com muito carinho e muito cuidado. Porque traduzir Jane Austen não é moleza! Quando penso nos feras que já fizeram e no quanto amamos Austen sinto um frio na barriga! Conto todos os detalhes aqui.

Pesquisei muito, revisitei meus arquivos dos cursos que fiz e discussões sobre a obra que já participei, revi palestras e li análises críticas, tudo para te trazer textos caprichados!


Hoje lanço o projeto em live no Instagram JANE AUSTEN PARA INICIANTES, perfil que criei só para falar dela porque o povo não aguentava mais me ouvir falar! Assim, quem vem para esse perfil, sabe que é dela mesmo que vou ficar repetindo e repetindo!

Neste lançamento já sai o VOLUME 1 que é a ÍNTEGRA do Volume Primeiro que Jane Austen nos deixou. E é uma graça!



Vou te mostrar parte do meu conto favorito entre os 16 que compõem esse Volume 1:

As três irmãs, um romance

Carta 1ª

Srta. Stanhope para Srta.––– 

Minha querida Fanny

Sou a criatura mais feliz do mundo porque acabei de receber o pedido de casamento do Sr. Watts. É o primeiro que recebi na vida & mal sei como apreciar o suficiente. Como vou me vangloriar sobre as Duttons! Eu não pretendo aceitar, ao menos acredito que não, mas não tenho certeza, dei a ele uma resposta ambígua & parti. 

E agora, minha querida Fanny, eu quero seu conselho se devo ou não aceitar a proposta dele, mas para que você possa julgar os méritos & situação dele, vou lhe fazer um relato. 

Ele é um homem bastante velho, tem uns 32 anos, muito simples, tão simples que eu não aguento nem olhar para ele. Ele é muito desagradável & eu o odeio mais que qualquer outra pessoa no mundo. Ele tem uma grande fortuna & vai me dar muito conforto, mas ele é um homem bem saudável. 

Ou seja, eu não sei o que fazer. Ele praticamente me disse que se eu recusá-lo, ele vai pedir Sophia em casamento & se ela o recusar, vai à Georgiana, & eu não aguentaria se elas se casem antes de mim. Se eu o aceitar, eu sei que serei infeliz pelo resto da minha vida, porque ele tem um péssimo temperamento é mesquinho, terrivelmente ciumento & tão sovina que não há convivência com ele dentro de casa. 

Ele me disse que ia falar com minha mãe, mas eu insisti para que ele não o fizesse porque ela certamente vai me fazer casar com ele quer eu queira ou não; contudo ele pode já ter falado porque ele não faz nada que seja pedido a ele. 

Acho que vou aceitá-lo. Vai ser um triunfo tão grande casar antes de Sophy, Georgiana & as Duttons. E ele me prometeu ter uma nova carruagem para a ocasião, mas nós quase brigamos por causa da cor, porque eu insisti que queria azul marcada de prata & ele declarou que terá quer ser chocolate & para me provocar mais ele disse que será tão barata quando sua velha. 

Eu não vou aceitá-lo, decidi. Ele disse que vai voltar amanhã para minha resposta final, então eu acho que devo agarrá-lo enquanto posso. Eu sei que as Duttons vão ficar com inveja de mim & eu poderei ser acompanhante de Sophy & Georgiana em todos os bailes de inverno. Mas então qual será o valor disso se ele provavelmente não vai me deixar ir sozinha, porque eu sei que ele odeia dançar & não entende ninguém gostar do que ele detesta, & além do mais ele fala bastante de mulheres sempre ficando em casa & tal. 

Eu acho que não vou aceitá-lo. Eu preferiria recusá-lo de uma vez se eu tivesse certeza que nenhuma das minhas irmãs o aceitariam & ele não pediria as Duttons em casamento depois. Eu não posso correr esse risco, então, se ele me prometer encomendar a carruagem como eu quero, eu vou aceitá-lo, se não ele pode andar nela sozinho. 

Eu espero que goste da minha decisão, eu não posso pensar em nada melhor,

E sou sua sempre dedicada

Mary Stanhope 


Da mesma para a mesma

Querida Fanny

Eu tinha mal acabado de selar minha última carta para você quando minha mãe veio a mim & disse que queria falar comigo sobre um assunto muito particular.

― Ah! Eu sei o que quer dizer ― eu disse ― Aquele velho bobo do Sr. Watts te falou tudo, mesmo quando implorei que ele não fizesse. Contudo, eu não serei forçada a aceitá-lo se não gosto dele.

― Eu não vou te forçar, criança, mas só quero saber qual é sua ideia a respeito do pedido dele & insistir que tome a decisão de uma maneira ou de outra porque se não aceitá-lo, Sophy vai.

― Entendo ― respondi apressadamente ―Sophy não precisa se preocupar porque eu certamente me casarei com ele.

― Se essa é sua decisão ― disse minha mãe ― por que estava com medo que eu a forçasse?

― Ora, porque eu ainda não me decidi se vou ou não aceitá-lo.

― Você é a garota mais estranha do mundo, Mary. O que diz um momento, você desdiz no seguinte. Me fale de uma vez por todas se pretende casar com Sr. Watts ou não?

― Ah, mama, como posso te dizer se eu mesma não sei?

― Então eu desejo que você saiba & rápido porque Sr. Watts diz que não vai ser mantido no suspense.

― Isso depende de mim.

― Não mesmo, porque se você não der uma resposta final a ele amanhã quando ele vier tomar o chá conosco, ele pretende fazer o pedido a Sophy.

― Então eu direi a todo mundo que ele agiu muito mal comigo.

― E qual o valor disso? Sr. Watts já foi muito xingado pelo mundo para se importar com isso agora.

― Eu queria ter um pai ou irmão porque eles brigariam com ele.

― Eles seriam tolos se o fizessem porque Sr. Watts fugiria antes & portanto você deve & vai resolver se o aceita ou não antes de amanhã de tarde.

― Mas por que ele tem que propor casamento a minhas irmãs se eu recusá-lo?

― Por que! Porque ele deseja se unir a nossa família & porque elas são tão bonitas quanto você.

― Mas Sophy se casaria com ele se ele a pedisse?

― Possivelmente. Por que ela não o faria? Porém, se ela não o escolher, Georgiana terá que fazê-lo, porque eu estou determinada a não deixar escapar uma boa oportunidade de estabelecer minhas filhas como essa. Então, aproveite seu tempo. Eu vou deixar você decidir por si mesma.

E então ela se foi. A única coisa que consigo pensar, minha querida Fanny, é perguntar a Sophy & Georgiana se elas o aceitariam se ele as pedisse em casamento & se elas negarem eu estou resolvida a recusá-lo também, porque eu o odeio mais do que você pode imaginar. E quanto as Duttons, se ele casar com uma delas, ainda assim eu terei triunfado por ter recusado ele primeiro. 

Então, adeiu  minha querida amiga.

Sua sempre

M. S.


Srta. Georgiana Stanhope para Srta.  x x x 

Quarta-feira

Minha querida Anne

Sophy & eu estivemos ensaiando uma pequena peça que pregaremos em nossa irmã mais velha para a qual não concordamos totalmente & ainda assim as circunstâncias são tais que se algo puder desculpá-las, que o faça. 

Nosso vizinho Sr. Watts propôs casamento a Mary, proposta essa que ela não sabe como responder por que apesar de ela desgostar dele (no que não está sozinha) ainda assim ela casaria com ele de bom grado para não arriscar que ele pedisse Sophy ou a mim o que ele disse a ela que faria se ela o recusasse então saiba que a pobre garota considera nosso enlace antes do dela o maior azar que poderia lhe ocorrer & para prevenir isso garantiria para si mesma infelicidade eterna no casamento com Sr. Watts. 

Uma hora atrás ela veio até nós para averiguar nossas inclinações a respeito do assunto, o que decidiria a opinião dela. Um pouco antes dela veio minha mãe que nos contou tudo, dizendo que ela certamente não vai deixar que ele encontre uma esposa longe de nossa família.

― E então ― disse ela ― se Mary não o aceitar, Sophy o fará & se Sophy não o fizer, Georgiana terá que fazê-lo.

Pobre Georgiana! Nenhuma de nós tentou fazer minha mãe mudar de ideia, o que eu temo dizer que é mais severamente mantida do que racionalmente formada. Assim que ela saiu, no entanto, eu quebrei o silêncio para confortar Sophy dizendo que se Mary recusar Sr. Watts, eu não esperaria que ela sacrificasse sua felicidade se tornando esposa dele por generosidade para comigo, o que eu temia que sua bondade e amor de irmã poderiam a impelir a fazer.

― Vamos nos convencer ― respondeu ela ― que Mary não vai recusá-lo. Mas como eu poderei ter esperança que minha irmã vai aceitar um homem que não a fará feliz.

― Ele não conseguirá, é verdade. Mas sua fortuna, seu nome, sua casa, sua carruagem o farão e eu não tenho dúvidas que Mary se casará com ele, de certo, por que não? Ele não tem mais que 32 anos, uma idade muito apropriada para um homem se casar. Ele é bem simplório, mas o que é beleza em um homem? Se ele tem um figura agradável & um rosto razoável já está mais que suficiente.

― Isto é verdade, Georgiana, mas a figura do Sr. Watts infelizmente é extremamente vulgar & sua aparência é bem pesada.

― E ainda mais, seu temperamento é reconhecidamente ruim, mas que não podem todos estar enganados? Existe uma franqueza aberta em sua disposição que cai bem em um homem. Dizem que ele é sovina, podemos encarar como prudência. Dizem que ele é desconfiado, mas isso vem de uma quentura no coração que só é desculpável na juventude & portanto eu não vejo razão para ele não ser um marido muito bom, ou por que Mary não devesse ser feliz com ele.

Sophy riu, eu continuei.

― No entanto, se Mary o aceitar ou não, eu estou decidida. Minha decisão está tomada. Eu nunca me casarei com Sr. Watts se mendigar for a única alternativa. Tão deficiente em todos os aspectos! Horroroso em pessoa e sem uma boa qualidade para justificar o resto. Sua fortuna de certo é boa, ainda assim, nem tão grande! Três mil por ano. O que são três mil por ano? Só é seis vezes mais do que a renda de minha mãe. Não vai me tentar.

― Mas será uma excelente fortuna para Mary ― disse Sophy rindo de novo.

― Para Mary! Claro que vai me fazer feliz vê-la com tanta prosperidade. 

Assim eu continuei para grande entretenimento de minha irmã até que Mary entrou no quarto aparentando estar em grande agitação. Ela sentou, nós abrimos lugar para ela na frente da lareira. Ela parecia não saber por onde começar & por fim disse de forma meio confusa.

― Por favor, Sophy, você pensa em se casar?

― Me casar! Não mesmo. Mas por que me pergunta? Você sabe de alguém que pretende me fazer a oferta?

― Eu - não, como saberia? Mas não posso fazer uma simples pergunta?

― Não é uma pergunta comum, Mary, de certo. ― eu disse. 

Ela pausou & continuou depois de uns momentos de silêncio.

― O que acharia de se casar com o Sr. Watts, Sophy?

Eu pisquei para Sophy & respondi por ela: ― Quem não se alegraria em desposar um homem de três mil por ano?

― Verdade ― ela respondeu ― É verdade mesmo. Então você o aceitaria se ele te pedisse em casamento, Georgiana. E você, Sophy?

Sophy não gostava da ideia de mentir & enganar sua irmã, ela evitou a primeira & aliviou sua consciência usando de um equívoco.

― Eu certamente faria o mesmo que Georgiana.

― Bem ― disse Mary com triunfo nos olhos ― Eu recebi uma oferta do Sr. Watts. 

Nós ficamos muito surpresas, claro. ― Oh! Não o aceite ― eu disse ― e então quem sabe ele me escolherá.

Em miúdos, nosso esquema deu certo & Mary resolveu se casar para evitar nossa suposta felicidade o que ela não teria feito para assegurá-la, na verdade. Ainda assim meu coração não me absolveu & Sophy tem ainda mais escrúpulos. 

Aquiete nossas mentes, minha querida Anne, escrevendo-nos & nos dizendo que aprova nossa conduta. Considere que tudo está decidido. Mary vai ter felicidade verdadeira sendo uma mulher casada & capaz de ser nossa acompanhante, o que ele certamente o fará, porque me acho obrigada a contribuir tanto quanto possível para a felicidade dela já que eu a fiz escolher desta forma. Eles provavelmente terão uma carruagem nova, o que será o paraíso para ela & se pudermos convencer o Sr. W. a usar sua faetonte  ela ficará feliz demais. No entanto, essas coisas não serão consolo para infelicidade doméstica, nem para Sophy, nem para mim. Lembre-se disso & não nos condene.

Sexta-feira.

Ontem a noite Sr. Watts veio como combinado tomar chá conosco. Assim que a carruagem dele parou na porta, Mary foi para a janela.

― Você acredita, Sophy ― ela disse ― que o velho tolo quer ter a carruagem nova da mesma cor da velha & tão barata também. Mas eu não vou aceitar – serei irredutível. E se ele não quiser que seja tão luxuosa quanto às das Dutton & azul com marcações em prata, eu não o aceitarei. Sim, eu o farei. Lá vem ele. Eu sei que ele será rude, eu sei que ele será mal educado & não me dirá uma palavra gentil! Nem se comportará como um pretendente. ― ela então sentou & Sr. Watts entrou.

― Senhoras, seu criado. ― ele pagou cumprimentos & se sentou. ― O tempo está bom, senhoras. ― se dirigiu a Mary. ― Bem, Srta. Stanhope, espero que tenha decidido o assunto em sua mente & será tão boa a ponto de me informar se condescenderá a casar comigo ou não.

― Eu acho, senhor ― disse Mary ― que você poderia ter me perguntado de uma maneira mais educada que esta. Eu não sei se devo lhe aceitar se comportar dessa maneira tão estranha.

― Mary! ― disse minha mãe 

― Ora, mama, se ele ficará tão contrariado...

― Ora, ora, Mary, você não deve ser rude com o Sr. Watts.

― Por favor, madame, não coloque rédeas na Srta. Stanhope a obrigando a ser educada. Se ela não escolher aceitar minha mão, eu posso oferecer a outra, porque eu não sou guiado por nenhuma preferência especial a você acima de suas irmãs, é exatamente o mesmo para mim com quem das três eu me casarei. 

Nunca houve tamanho desgraçado! Sophy corou de raiva & eu me senti tão irada!

― Muito bem ― disse Mary em voz irritada ― eu o aceitarei se assim devo fazer.

― Eu deveria ter pensado, Srta. Stanhope, que quando é feita uma oferta como essa que eu lhe fiz, não poderia haver ofensa maior feita no aceite.

Mary resmungou alguma coisa que eu que sentava perto dela entendi ser ‘Qual é o valor de grande pensão se homens vivem para sempre?’ e mais alto. ― Lembre-se da mesada, duzentos por ano.

― Cento e setenta e cinco, madame.

― Duzentos na verdade, senhor ― disse minha mãe.

~ continua ~



Gostou?

Uma lindeza, não é?

Eu devo dizer que estou apaixonada pela Juvenília!

Eu inclui um sem número de notas te explicando as citações que Austen fez, quem era quem nas dedicatórias, significado escondido nos trocadilhos e datas que ela cita. 

Amei me dedicar a Austen Nation!

Este Volume 1 já está disponível na Amazon em ebook Kindle Unlimited. As versões em papel brochura e capa dura vêm logo em seguida. Assim como o caderno guia!...

Quero publicar todos os 3 VOLUMES até julho.21



bjs, M.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

PODCAST de Natal: livros e filmes

 Olá, beleza?

Dezembro chegou e com ele, os jingle bells. Também um ano que você provavelmente não vai querer ver retrospectiva.

Mas podemos nos dedicar ao lado bom das 

FESTAS DE FINAL DE ANO! 

Romances dedicados à esta época do ano em que ficamos mais sentimentais.

Aqui eu fiz uma pesquisa sobre o Natal na era Vitoriana e já citava algumas dessas produções.

No EPISÓDIO ESPECIAL de Natal do Podcast Sincericídio Literário, nós falamos deste filão e citamos várias dicas. Aqui estão elas:



O conto de Natal de Charles Dickens  

O homem que inventou o Natal, filme e livro


Downton Abbey, seriado | episódio final da temporada 2  


A aventura do pudim de Natal de Agatha Christie 

Como eu era antes de você de Jojo Moyes 

O Grinch de Dr. Seuss 



O Diabo disse não, filme 

Felicidade não se compra, filme  

Milagre na rua 34, filme 



Uma babá milagrosa de Debbie Macomber 

Debbie Macomber, a obra toda 

Canal Hallmark 


Razão, Sensibilidade e Homens de Neve, filme 

Orgulho, Preconceito e Azevinho, filme 

Era uma vez no Natal, coletânea de contos – editora Pitangus  



Elizabeth Bezerra, a obra toda 

Silvana Barbosa, a obra toda 

Esqueceram de mim, filme 

E os JABÁS que eu esqueci de mencionar porque o papo estava bom demais!

Contos de Fim de Ano de Orgulho e Preconceito 

Três chances para o amor de Bianchi, Rickli e Araújo 



E aí, te deixei no clima?

Ho, ho, ho!


Detalhes e mais links para o PODCAST, venha aqui.

bjs


sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Cupcake Vitoriano para o Halloween

 Olá,

O Halloween é um festejo que nós adotamos aqui no Brasil, mas que não tem nossas raízes. Aqui eu falei de tradições e história da festa da qual sabemos do trick or treat, das maçãs do amor, marshmellows e balas, mas e os bolos?

tesco real food

Eu amo bolo!

E descobri que sou incapaz de assar um bolo... Fica sempre um horror, solado, queimado, torto, transborda, suja o forno... Nem te conto.

olive magazine


Esse da foto, recheado e tão lindo todo naked, é o Victoria Sponge Cake tradicional, ou Pão de ló da Rainha Victoria. O nome do bolo também pode ser 'The Royal Victoria Sponge', já que seu nome remete à própria Rainha Victoria porque ela costumava desfrutar de uma fatia do delicioso bolo com seu tradicional chá da tarde inglês.

No tentando, a razão inicial pela qual ele é especial e tradicional até hoje devido à invenção do fermento em pó em 1843.

Imagina se eu um dia serei capaz de fazer um desses! Há!

Mas cupcakes eu consigo!

Então, nesse Halloween, te trago o

Devil’s Food Cupcakes

food network

Esse lance de doces ou travessuras baseado em doce de supermercado, tipo Cosme e Damião; mas em meados do século 20, as donas de casa distribuíam biscoitos e cupcakes feitos em casa.

 Após a Segunda Guerra Mundial, nos EUA, esforços foram feitos para direcionar o Halloween para crianças mais novas e longe de adolescentes "brincalhões" que passaram o feriado causando estragos em seus bairros. 

 Cupcakes festivos se tornaram um deleite popular graças e o  Devil’s Food fez logo sucesso por causa do gosto carregado de chocolate e seu nome assustador. 

Mas ele vem de bem mais longe, da era Vitoriana!

O bolo ganhou seu nome durante a década de 1870, quando o recém-melhorado cacau em pó foi adicionado à massa do bolo pela primeira vez. Naquela época, os alimentos escuros ou muito condimentados costumavam ser chamados de “apimentados”, ou "deviled", um termo que combinava perfeitamente com o bolo de chocolate de cor escura.

Apesar do nome, não há nada de muito “diabólico” no bolinho. As primeiras receitas impressas para o bolo apareceram em dois livros de receitas de 1902, o Novo Livro de Receitas da Sra. Rorer e o Livro de Receitas The New Dixie. No final de 1800, o chocolate era usado para dar sabor à cobertura, não como um tempero para a massa de bolo em si. 

Naquela época, quando alguém se referia a um “bolo de chocolate”, geralmente se referia a um bolo amarelo com cobertura de chocolate. No final da década de 1870, quando o processamento do cacau melhorou e pela primeira vez, o chocolate foi adicionado à massa do bolo para enriquecer o sabor e escurecer a cor. Naquela época, os alimentos escuros ou muito condimentados eram frequentemente chamados de “deviled”, um termo que se adequaria naturalmente a um bolo de chocolate mais escuro. 

food network


 O nome Devil’s Food Cake também foi usado para diferenciar o bolo de chocolate rico e escuro do bolo de comida Angel’s light e esponjoso.

Tori Avey sugere essa receita abaixo copiada de um livro da decada de 1930 que dizia ter sido o bolonho que Martha Washington fazia para George em Mount Vernon, lá pelo finalzinho do século 18.

Cupcake de Devil's Food

ingredientes

  • 2 1/2 xícaras de farinha de trigo peneirado
  • 1 1/2 colher de chá de fermento em pó
  • 3/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher de chá de sal
  • 120 gramas de chocolate amargo sem açúcar
  • 1 3/4 xícaras de açúcar, dividido
  • 1 1/2 xícaras de buttermilk (leitelho), dividido
  • 1/2 xícara de manteiga sem sal, temperatura ambiente
  • 3 ovos grandes, temperatura ambiente, bem batidos
  • 1 colher de chá de baunilha

modo de preparo

  • Pré-aqueça o forno a 350 graus . Peneire a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal. Peneire a mistura novamente mais três vezes. Reserva.
  • Pique o chocolate em pedaços pequenos e derreta em banho-maria ou em uma tigela de vidro sobre uma panela de água fervente, mexendo sempre com uma espátula de borracha, até que o chocolate fique homogêneo. Misture ½ xícara de açúcar e ½ xícara de buttermilk até que estejam derretidos e bem misturados ao chocolate. Retire do fogo e reserve.
  • Em uma tigela grande, bata 1/2 xícara de manteiga e 1 ¼ xícara de açúcar por vários minutos até obter um creme claro, fofo e não mais granuloso. Observação: é muito importante que a manteiga esteja em temperatura ambiente, caso contrário, ela não ficará bem cremosa.
  • Junte os ovos.
  • Bata um quarto da mistura da farinha junto com toda a mistura do chocolate derretido.
  • Adicione a mistura de farinha restante e 1 xícara de buttermilk à massa, alternadamente em pequenas quantidades, batendo bem após cada adição. Junte a baunilha.
  • Coloque as forminhas de cupcake na travessa. Encha cada uma cerca de 2/3 com massa (não os encha muito alto ou eles irão transbordar).
  • Asse os cupcakes por 20-25 minutos, até que o centro volte ao normal quando eles são pressionados suavemente. Não asse por muito tempo ou as pontas ficarão duras. Deixe os cupcakes esfriarem um pouco na forma, retire e continue esfriando sobre uma gradinha.
  • Enquanto os cupcakes estão assando, faça a cobertura. Pode ser um buttermilk laranja (cor do Halloween), vermelho (cevil) ou somente um chocolatão bem cremoso como o de bolo de cenoura.
  • Decore os cupcakes com cobertura depois que eles esfriarem completamente. Guarde os cupcakes na geladeira, retire-os 15-20 minutos antes de servir para deixar o glacê amolecer um pouco.


Veja a receita original em Inglês aqui.

Gostou?

Vai fazer?

Me conta!


Feliz Halloween!

bj

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Uma carta de luto de Charlotte Bronte

 olá!

Hoje me aconteceu DE NOVO uma coisa deliciosa que GRAÇAS AO BOM DEUS, me acontece sempre:

achar fontes primárias


Te explico o passo-a-passo:

1- Eu estava passeando no Pinterest

2- Achei uma imagem linda de mulheres se ajudando a vestir, pinturas do século 19

3- Salvei no meu painel do próximo volume da série Cupidos em Devon

4- Achei mais uma imagem de mulheres se ajudando, salvei no painel 1855 

5- Mais uma. Salvei também

6- Pensei em fazer um post no Instagram falando do amor de irmãs

7- Comecei a catar quotes das irmãs Brontë

8- Depois parti para Austen

9- Achei um quote que não existia no canon de Austen

10- Descobri que era FAKE QUOTE

11- Fiz um post sobre fake quotes

12- Voltei às Brontë e achei isso!...

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CARTAS DE LUTO DE CHARLOTTE BRONTË

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Ah, que maravilha!

Eu não comemoro o luto da diva, mas o registro preservado

daguerreótipo dito ser de C.B. (não confirmado) - 1855


Scans das cartas originais em papel de luto, uma moda linda e fofa e delicada e polida da era Vitoriana de avisar, logo de cara, que o remetente estava sofrendo. Olha uma delas:

british library


Era assim o papel que Charlotte usou.



Uma folha (talvez o nosso A4) dobrada ao meio fazendo 4 páginas de carta. A 'capa' tinha borda preta sinalizando o luto.

Olha essa da Rainha Victoria (depois do falecimento do príncipe Albert). Tem até o brasão do Castelo de Balmoral, que eles compraram no início do casamento e levaram um tempão reformando.

brifging the unbridgeable


A regrinha valia inclusive nos envelopes, frente e verso.

19th century paper doll blog

Quanto mais grossa a borda, mais profundo era o luto que a pessoa passava.

ephemera society

E as cartas de Charlotte Brontë 

estão disponíveis no maravilhoso site da British Library.

Aqui te trago uma delas, no original e traduzida por mim mesma.



TRADUZIDA

2. Cliff. Scarbro '

4 de junho / 49

meu caro senhor

Mal sei o que disse da última vez que escrevi - estava então febril e exausta - agora estou melhor e - creio - bastante calma.

Você foi informado da morte de minha querida irmã Anne - deixe-me agora acrescentar que ela morreu sem muito resistir - resignada - confiando em Deus - agradecida por ter sido libertada de uma vida de sofrimento - profundamente segura de que uma existência melhor estava diante dela - ela acreditava - ela esperava e declarou sua fé e esperança com seu último suspiro. - O silêncio dela - sua morte cristã não aquietou meu coração como no fim sério, simples e quieto de Emily. Eu deixei Anne ir para Deus e senti que Ele tinha o direito de tê-la, mas mal pude deixar Emily ir - eu a quis segurá-la e a quero de volta agora - Anne, desde sua infância parecia se preparar para uma morte prematura. O espírito de Emily parecia forte o suficiente para carregá-la pelos anos completos - Ambas se foram - e também o pobre Branwell - e papai agora só tem a mim - a mais fraca - a mais decrépita - a menos promissora de seus seis filhos - A tuberculose levou todos os cinco .

Por ora, as cinzas de Anne descansam separadas das outras - enterrei-a aqui em Scarbro' para poupar papai da angústia do retorno e de um terceiro funeral.

Recebo ordens de ficar um pouco à beira-mar - não posso descansar aqui, mas também não posso voltar para casa - Possivelmente não tornarei a escrever logo - não atribuo meu silêncio nem à doença, nem à negligência. Nenhuma carta vai me encontrar em Scarbro' depois do dia 7 e eu não sei qual será meu próximo endereço - irei vagar uma ou duas semanas na costa leste e apenas pararei em lugares solitários e silenciosos - Ninguém precisa ficar ansioso por mim, Pelo que eu sei - Amigos e conhecidos parecem pensar que este é o pior momento de sofrimento - eles estão redondamente enganados - Anne repousa agora - o que foram as longas horas desoladas por sua dor paciente e rápida decadência?

Por que a vida é tão vazia, breve e amarga, não sei - Por que mais jovens e muito melhores do que eu são arrancados dela deixando projetos não realizados, eu não consigo compreender - mas acredito que Deus é sábio - perfeito - misericordioso.

- Ela amava Scarbro' - um sol pacífico dourou sua noite.

Sinceramente,

C Brontë


ORIGINAL

2. Cliff. Scarbro'

June 4th /49

My dear Sir

I hardly know what I said when I wrote last - I was then feverish and exhausted - I am now better and - I believe - quite calm.

You have been informed of my dear sister Anne's death - let me now add that she died without severe struggle - resigned - trusting in God - thankful for release from a suffering life - deeply assured that a better existence lay before her - she believed - she hoped, and declared her belief and hope with her last breath. - Her quiet - Christian death did not rend my heart as Emily's stern, simple, undemonstrative end did - I let Anne go to God and felt He had a right to her I could hardly let Emily go - I wanted to hold her back then - and I want her back hourly now - Anne, from her childhood seemed preparing for an early death. Emily's spirit seemed strong enough to bear her to fulness of years - They are both gone - and so is poor Branwell - and Papa has now me only - the weakest - puniest - least promising of his six children - Consumption has taken the whole five.

For the present Anne's ashes rest apart from the others - I have buried her here at Scarbro' to save Papa the anguish of the return and a third funeral.

I am ordered to remain at the sea-side a while - I cannot rest here but neither can I go home - Possibly I may not write again soon - attribute my silence neither to illness nor negligence. No letters will find me at Scarbro' after the 7th at I do not know what my next address will be - I shall wander a week or two on the east coast and only stop at quiet lonely places - No one need be anxious about me as far as I know - Friends and acquaintance seem to think this the worst time of suffering - they are sorely mistaken - Anne reposes now - what have the long desolate hours of her patient pain and fast decay been ?

Why life is so blank, brief and bitter I do not know - Why younger and far better than I are snatched from it with projects unfulfilled I cannot comprehend - but I believe God is wise - perfect - merciful .

I have heard from Papa - he and the servants knew when they parted from Anne they would see her no more - all try to be resigned - I knew it likewise and I wanted her to die where she would be happiest - She loved Scarbro' - a peaceful sun gilded her evening .

Yours sincerely

C Brontë



Que tal?

Ah, vou mergulhar nas pesquisas para acabar o meu DUQUE que vai sair neste Natal.

bj


Venha aqui para outras pesquisas históricas.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Diário da adoção de uma gatinha

 olá!

Nós estamos super atarefados aqui porque adotamos uma gatinha de rua!

figurinha repetida completa álbum, sim!

Mas que loucura! 

Vocês já têm um gato adulto.

A adaptação é infernal!

Vocês vão viver com gatos brigando em casa!

Olha, até agora o que está nos dando mais fofura é a relação do gato adulto com a gatinha filhote... um show de amor!

Vou te contar com detalhes, tipo um diário para ajudar quem, como nós, entra nessa jornada e se sente muito inseguro. Frustrados até...

Como o post da cirurgia de Nelson (o nosso gato adulto) por comer linha, acho que este post também pode ajudar alguém.

dia 0-2

tudo começou na quarta-feira, dia 15-set-21. Meu marido chegou em casa dizendo que tinha aparecido uma gatinha no restaurante que fica na portaria do prédio nosso escritório. 'Igualzinha ao nosso gato!' 

Pelo tom de voz dele, eu percebi que ele já estava apaixonado



dia 0-1

quinta-feira, dia 16-set

Eu e meu filho fomos ver a tal gatinha.

Um mimo, muito pequena, a cara do nosso gato, suja, magra e arisca!

sentamos no chão para falar com ela e de princípio ela até aceitou carinho. Mas quando tentei pegar, ela deu um piti, me mordeu, arranhou e até rasgou meu vestido.

Desistimos. 

Como teríamos uma fera dessa em casa?

No fundo, eu fui enrolada pelo pessoal aqui de casa. Porque começou um chororô pela coitada da gatinha feroz. 'Ela está dormindo na rua, em motores de carro, atravessa a rua toda hora, coitada...' Eu estava fazendo a Quaresma de São Miguel Arcanjo e me senti culpada por deixar a criatura morrer.

dia 0

comecei a estudar COMO ADOTAR O SEGUNDO GATO

Como sempre, sigo o Jackson Galaxy, ele é show. Assisti esse video aqui, aqui e aqui, e avisei pro pessoal que seria trabalhoso. Desistimos. Voltamos atrás. Desistimos.

dia 1

sábado, dia 18-set

Decidimos pegar a gatinha! Demos um nome a ela: Lady Emma porque nosso gato é Almirante Nelson, homenagem ao marinheiro Inglês que derrotou Napoleão na batalha marítima de Trafalgar. Logo, uma fêmea só poderia ser homenagem à bela Emma, Lady Hamilton, o grande amor de Nelson.

Acordei pelo avesso, algo que comi me fez super mal, mas segui com o plano. 

Na hora do almoço, rumei para o restaurante munida de caixa de gato, manta com o cheiro do meu gato, comida, comedouro, filho, o escambal.

E olha a frustração!...

a gatinha fugiu de nós.

Pode ter sido o barulho, o lugar cheio, o cheiro na caixa, sei lá. Mas ela veio até nós, comeu todo o sachê Whiskas (não me julgue. Aqui em casa com nosso gato, comida úmida só esse big mac. As caras ele deixa estragar no comedouro.) Bem, a gatinha encheu a barriguinha e sumiu, provavelmente foi dormir no esconderijo onde ela se sentia segura. 

E nós?... voltamos para casa de mãos vazias e coração partido. O pessoal do restaurante prometeu tentar pegá-la e nos chamar.

Nos ligaram às 20hs: Emma estava na caixa!

Não na nossa, na de outra pessoa da redondeza, mas estava segura e era nossa. Uma fera! Ganindo, acuada, puta da vida. E riscando fósforo direto!

Dali fomos direto para o vet que estava para começar uma cirurgia, mas tentou tirá-la da caixa para fazer um exame preliminar e lau! Ficou todo moído, arranhado, mordido, ela fugiu pela clínica, foi um auê.

Trouxemos para casa do jeito que ela estava, ele mandou que lhe desse comida, água e sossego. No domingo ele a veria com calma.

Em casa, cuidamos para Nelson nem ver a caixa entrar em casa e levei direto para o safe place que eu preparei o banheiro da suite para ela com caminha, água, comida seca (ração Golden para filhotes, a mesma que Nelson come, só que para castrados), liteira (Pipi cat, a mesma que Nelson usa, como pipi aqui) e até um brinquedinho. Ela nem saiu da caixa.

Para Nelson, a diferença foi passar a comer no corredor, bem perto da porta do meu quarto para ir acostumando a ligar o cheiro de comida e a barriga cheia com o cheiro da Emma.

dia 2

domingo, dia 19-set


Eu ainda estava bem mals do estômago, mas deitei no chão pra conversar com ela que ainda estava dentro da caixa. Ela ouviu sem ganir, sem atacar, mas muito acuada.

No vet, ela foi dopada para ser examinada. O vet fez exame de sangue para FIV (Imunodeficiência felina ou AIDS felina) e FeLV (Leucemia felina), cortou unhas, deu um banho e fez uma geral. Ela está ótima! Não tem nada, só falta um dentinho no meio - nem quero pensar como ela perdeu esse dentinho.



Uma pluma, 2,5kg, pelo fininho como cabelo de bebê.

O vet aprovou o plano do Jackson Galaxy para apresentar os gatos e fomos para casa com receita de vermífugo e remédio de pulgas (que ela não tinha, mas como ia ficar na mesma casa com outro gato...)

custo: R$ 382,50 (consulta + testes FIV-FeLV)

orientação: dar remédios de pulgas, vermífugo e esperar para vacinar e castrar por conta de todos os remédios que ela precisará tomar e alguém (eu!) vai precisar dar goela abaixo

Em casa, eu consegui tirá-la da caixa, segurei um momentinho no colo, mas ela logo achou esconderijo no banheiro da suite onde era o safe place dela. Continuamos a usar o banheiro, mas sem importunar ela que ficou em um nicho do armário, acuada e arredia. 

Mas comeu e muito! Bebeu água, fez xixi na caixa de areia - ufa!!, mas não interagiu conosco.

E taca de riscar fósforo...

dia 3

Ela ainda ficou acuada, mas já aceitou investigar o banheiro. 

Aproveitei e passei a dar comida a ela na porta do meu quarto. Assim, cada um dos gatos comia ao mesmo tempo, um de cada lado da porta fechada. Dei sachê de big mac, queria que desse certo!

O dia correu com ela acuada, mas aceitando um pouco de carinho que ela respondia amassando pãozinho, uma fofura grande demais! Mas riscando fósforo sempre que se sentia acuada.

À noite, consegui levar ela para nossa cama e ela aceitou investigar os móveis, estante, cama, travesseiros. Mas era só bobear para riscar fósforo.

Mantive a comida perto da porta para os dois gatos.

dia 4

Meu filho distraiu Nelson e trocamos os dois: Emma foi investigar a casa e Nelson a suite que tinha o cheiro da gatinha. Correu tudo bem, ela ficou eufórica, ele ficou muito desconfiado.

Deixei assim até que um deles reclamasse -foi Nelson.

E... para nos mostrar que eles são gatos e não burros, se encontraram pela janela fechada! hahaha Temos jardineiras nas janelas onde Nelson gosta de pegar sol, então quando ele raciocinou que tinha algo diferente na suite, ele deu a volta pelos quartos e foi até a janela na horinha que ela estava na bancada! 

Para nosso alívio, foi tudo bem. sem stress e sem fósforos. Ufa!



dia 5

como deu certo na janela e já estávamos de saco cheio de ficar isolados com um gato, depois com o outro, resolvemos unir os dois. Foi bem devagar, abrindo a porta aos poucos, enchendo os dois de biscoitos, brincando com laser e... Deu certo!

Se encararam, ficaram curiosos, mas se gostaram.

Igualzinho Emma e o Almirante Nelson de verdade

Conosco, ela ainda mal aceitava contado. Foge e risca fósforo.

Nelson começou a vomitar.


dia 6

a catástrofe

como estavam insistindo aqui, comprei os remédios de pulgas - advocate - para colocar na nuca dos dois. Ele é muito peludo, então oleozinho foi logo absolvido. Mas nela que é um fiapo com pelinho fino, o óleo escorreu e ela lambeu. Entrei em pânico tentando pegá-la para limpar ou colocar uma coleira de gaze e aí é que deu merda.

Ela fugiu acuada, a gente tentou pegar, corre daqui, corre dali e... ela conseguiu sair pela rede da janela da área de serviço! Meu Deus, 6 andares de altura!

Muito assustada, ela passou a escalar a rede por fora, eu me apavorei, meu filho congelou, Nelson congelou, ela gania, só meu marido conseguiu ficar calmo. Durou uma vida toda, eu vi a gatinha cair e morrer umas mil vezes, tive que sair de perto para ir rezar - Se foi São Miguel quem me convenceu a adotá-la, o Arcanjo não ia deixar a gatinha morrer. 

Meu marido conseguiu abrir um pedaço da rede e puxar ela para dentro. Ficou com a mão toda lascada. mordia, arranhada. Ela sumiu pela casa, eu fiquei magoada mesmo sabendo que era idiotice.

Pelo resto do dia eu cuidei de comida, areia, água, mas não puxei papo com ela.

Dali voltamos ao dia 1, ela ainda arredia e fugida. 

Nelson ainda vomitando, pesquisei e é mesmo pela emoção de ganhar uma amiga. Entrei com a medicação que ele já tinha tomado para o estômago: gaviz 10mg. Ainda tinhamos 3 comprimidos aqui sobrados do Natal quando as crianças encheram ele de sorvete, então resolvi dar um por dia.

dia 8


continuamos no esquema um passo para frente, dois passos para trás. Hora ela aceita um carinho, outra hora ela risca fósforo.

Voltei ao Jackson Galaxy e ele explica que é assim mesmo com gatos adotados e assustados. Os avanços são milimétricos. Como ele mandou, bloqueie os esconderijos dela, só deixei a toca (que era um cesto de roupas roubado pelo Nelson em um dia de faxina)

Passei a colocar comida e sentar na cozinha para falar enquanto ela come de forma a acostumar a barriga cheia com minha voz.

Mas depois que ela me deu o sustão, passei a usar o spray para controlar os fósforos. Muito mal educada, nossa Emma! Se faz fósforo, lá vai jato de água!

Nelson ainda vomitou um pouco, era o último comprimido de omeprazol gatos, então eu decidi que se ele não melhorasse, eu ia levar no vet.

dia 10

Nelson parou de vomitar, está ótimo, mais calmo, felizinho. Até já peguei ele dando saltos enormes para impressionar a gatinha! ahahah

Os gatos se dão tão bem que dormem na mesma cama, comem juntos no mesmo bowl - ao mesmo tempo até - usam a mesma leiteira apesar de ter duas e ficam sempre juntos.

Confesso que estamos frustrados porque queremos dar carinho a ela como damos ao Nelson. Ele fica sempre no nosso colo, deita junto, brinca, reclama. Emma só fica pelos cantos olhando de olhos arregalados.

Mas vamos aos poucos, controlando os fósforos e ganhando um milímetro de confiança a cada dia

dia 12

Dia de São Miguel arcanjo. Quem como Deus? Ninguém!

Resolvi deitar no chão e esticar a mão para fazer carinho nela quando Emma se enfia na toca. Ela até aceita, mas se encolhe no fundo do cesto.

Acho melhor tirar esse esconderijo também...

Lady Emma, a tigresa!

Dia 14
Emma começou a falar! 
Ah, que miadinho mais fininho... muito fofo. 
Primeiro foi para chamar Nelson que estava comigo, ela veio pertinho, sem correr nem se encolher. Depois foi quando eu estava cochilando, já passava das 23h, e o comedouro estava vazio. Gulosa que é, veio pedir comida.
Também, quando eu sentei no sofá para jantar vendo o último capítulo de Round 6, ela veio até mim. Acho que foi o cheiro de arroz e peito de frango que ela comia de sobra do restaurante onde vivia.
Vamos que vamos.

Dia 18
Emma e eu tivemos um bate-boca daqueles!
Ela riscou fósforo para mim, tomei um mega susto, fiquei p da vida e gritei com ela. Ela riscou de novo e me deu as costas, eu fui atrás e gritei mais, enfim, foi um barraco! 
Que coisa horrível, vc vira uma porta em casa e lá vem o shshshsh! Logo pra mim que faço tudo pra ela! Oras!
Com Nelson, ela é só amor. Tão chata quanto a Felicia do desenho, anda colada nele - colada mesmo! Pelo com pelo!

Dia 20
Começamos a dar floral para Emma, e Nelson também já que os dois comem juntos - as vezes na mesma hora. Estamos misturando comida de baby e de castrado, uma bagunça!
Comprei floral na American Pet, mas tinha a mesma marca mais barata no meu bairro, só descobri depois.
Escolhemos o Florais das Gerais n° 5 resgate e tristeza. Coloquei na água e as vezes na comida. Duas gotinhas. O site diz 3 meses de tratamento.
Vamos ver.

Dia 25
Emma está bem melhor... deita comigo na cama para brincar de caçar meu pé sob o edredon, não foge quando passamos pela casa, reduziu os fósforos e até permite um micro cafune de vez em quando.
Fala muito! E tem paixão pelo Nelson.
Acho que os florais estão ajudando... ou será só o tempo mesmo?

Dia 32
O dia foi frio e chuvoso, os dois gatos passaram o dia colados e implicando um com o outro. Emma chega perto, Nelson reclama, eu separo os dois e tudo recomeça. Mas, na hora de dormir, Emma subiu na minha cama e me deixou fazer carinho por um tempão!!! Uma fofa! Deu barriga, rabo, queixo, nariz, tudo!
O pelo dela já está bem melhor, muito mais macio do que quando ela chegou. Acho que é a ração que hoje abandonamos a de filhotes e ficamos só com a de castrado porque Nelson come do bowl dela direto.
Ah, foi fofo!
E 10min depois meu filho pegou Emma em cima da pia da cozinha (o que é totalmente proibido), brigou com ela, ela riscou fósforo, foi um salseiro... 
Um passo pra frente, dois prá trás... aff!

Dia 40
Olha isso!!!

Dia 42
Emma apareceu com um bolinho de linha na boca! Ai. Meu. Deus!
Se você já leu o post sobre a cirurgia de Nelson, você sabe o desespero que me deu! Saí atrás dela, ela fugiu, isso e aquilo e eu consegui prender ela no chão para tirar a linha da boca.
Aí ela me fez isso...

E muitos outros arranhões pequenos.
Foi uma crise aqui em casa, meu marido queria dar a gatinha para uma ONG... Mas aos poucos acalmamos.

Uma coisa te digo: é um processo longo e cansativo. Bem frustrante também. 

Dia 48
Hoje eu consegui pegar Emma pelas patinhas dianteiras para um cheiro nariz com nariz, levantei do chão mesmo!
Ela estava de olhão arregalado, mas aceitou o carinho sem mostrar unhas. Ueba!

Dia 74
Já conseguimos pegar Emma no colo por 5 segundos por vez! 
Ela já pede carinho, mas ainda tem medo. Tem ótima relação com Nelson, come bem, brinca, está a vontade conosco.

3 meses
Cortei as unhas da Emma! Uma vitória porque era cada garra!... Fiz bem devagar, conversando, mostrei o alicate, deixei ela cheirar, cortei uma unha com ela deitada no sofá para ela ver que não doía e peguei no colo. Fui conversando e cortando! Que alívio...
Ela dorme comigo todas as noites, sempre colada no meu marido. Mas se ele tenta pegar, ela foge. Safada!

E vamos que vamos!...

Vou tentar fazer updates aqui.


Se você tiver dicas para mim, eu quero!

Me conta aqui nos comentários ou por mail.



bjs




quarta-feira, 4 de agosto de 2021

15 + livros com comida no PODCAST Sincericídio Literário

 Olá!

Hoje sai mais um episódio da primeira temporada do PODCAST Sincericídio Literário, e é bem gostoso!

LIVROS COM COMIDA

dreamstime

Não são livros de culinária, olha lá para não confundir! São livros de romance que as tramas giram em torno de comida ou que a comida tem papel importante.

OUÇA O EPISÓDIO AQUI


Eu e Vânia citamos muitos livros, mais de 15! Como na descrição do episódio fica difícil listar, preparei este post com links para compra. Daí, você que se deixou morder pela inspiração e gula, pode mergulhar em todos!

1- Eu servi o rei da Inglaterra, (I served the King of England) Bohumil Hrabal

2- O pão da amizade, Darien Gee

3- Maçãs nevadas, Moira Bianchi

4- Clube das chocólatras, Carole Matthews

5- Dieta das chocólatras, Carole Matthews

6- Terapia do chocolate, Cathy Lamb

7- Como água para chocolate, Laura Esquivel

8- Chocolat, Joanne Harris

9- Orgulho e Preconceito, Jane Austen - leia de graça aqui

10- Emma, Jane Austen

11- Querida Jane Austen, várias autoras incluindo Moira e Vânia

12- Um tempero para o amor, Claudia Muguet

13- Cipreste triste, Agatha Christie

14- O misterioso caso de Styles, Agatha Christie

15- Um brinde de cianureto, Agatha Christie

16- Testemunha ocular do crime, Agatha Christie

17- Dicionário Agatha Christie de venenos, Kathryn Harkup

18- Pequena livraria dos sonhos, Jenny Colgan

19- A padaria dos finais felizes, Jenny Colgan

20- A adorável loja de chocolates de Paris, Jenny Colgan


e os extras...

Como água para chocolate, filme

Chocolate, filme

O piano, filme

Linda e deliciosa seleção, não é mesmo?

E nem repetimos A cozinheira de Castamar 

que falamos no episódio 2...



Nos conte o que achou do episódio comentando no Facebook, Instagram ou aqui mesmo! Queremos te ouvir!

E se tiver um tema bom, manda que a gente traça!

bjs


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