& Moira Bianchi: gaslighting
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sexta-feira, 28 de julho de 2023

Inacreditável: Jane Austen entrou no filme da Barbie

 Olá,

como o PODCAST SINCERICÍDIO LITERÁRIO fala de livros, filmes, royals e fofocas, claro que a sensação do cinema deste ano estaria lá. E qual não foi minha surpresa quando eu vi Orgulho e Preconceito inserido na narrativa não contada?

Quer saber qual é a verdade sobre esse easter egg?


É puro GASLIGHTING

Ao contrário do marketing do filme cujos personagens são brinquedos para meninas de 3 a 12 anos, eu não te escondo o raciocínio deste artigo. Nem que pedi ajuda a várias ferramentas de Inteligência Artificial e nenhuma conseguiu explicar o que eu queria te mostrar. Toda vez que elas ajudaram, vou te avisar.

 Tudo bem se você curtiu o filme, talvez até tenha achado graça do momento em que a boneca derrotada desiste de qualquer luta gera um novo produto: Barbie depressão.



Mas você não pode negar que o marketing extremamente agressivo desse filme nunca, em momento nenhum, assumiu seu viés militante. Ao contrário, o CEO da Mattel correu para desmentir quando os atores e a diretora deixaram escapar que o filme era feminista, o que seria o esperado já que a boneca é uma moça sozinha que tem casa, carro, profissão, etc, etc.

Olha o que a apresentadora de um programa de TV muito militante no USA fala do filme. Quero te mostrar porque é possível que você esteja pensando isso também, e vou te falar o que está por trás disso mais abaixo.

"É um filme sobre uma boneca! Eu pensei que vocês ficariam felizes por ela não ter genitália, então não há sexo envolvido. Ken não tem genitália. (...) As crianças sabem que é colorido e é a Barbie, que eles não viveram o que os adultos viveram e não pensam em sexo quando estão vendo este filme, não é assim que eles são vendo para em Ken. As crianças estão vendo um filme da Barbie! "

PROPAGANDA ENGANOSA

E até achei curioso ver essa entrevista da diretora e da atriz em que ambas são extremamente mal articuladas, falam com linguagem adolescente usando 'tipo' (like em inglês) 96 vezes em 20 minutos de entrevista (Sim, eu contei.). Sei que são mulheres muito inteligentes e de sucesso em suas carreiras, como a Barbie. Então por que falam tão mal nessa entrevista??

Porque estão escolhendo palavras

entrevista 'GG e MR discutem o surpreendente feminisno de Barbie' de 12.07.2023

Esse filme da livremente baseado na boneca Barbie faz uma abordagem aparentemente alegre e é nesta capa de leveza e sátira enquanto recheia o maravilhosamente lindo mundo cor de rosa da boneca que eu amo desde que a vi pela primeira vez.

O que é esse recheio: mensagens subliminares

IA diz: O uso de mensagens subliminares em imagens ou conteúdos tem o objetivo de influenciar o público de maneira sutil, sem que essas mensagens sejam percebidas conscientemente. Essas mensagens são incorporadas de forma dissimulada, muitas vezes abaixo do limiar de percepção consciente, mas teoricamente captadas pelo subconsciente. 

Acha que eu pirei, né?


Neste cena da batalha de dança dos Kens, sua atenção ficou presa na beleza masculina dos atores e na memória afetiva de Michael Jackson e Grease (até a meia aparecendo!) ou você reparou o simbolismo e erotismo para a anatomia feminina que piscou na tela?

Eu só reparei porque isso é logo depois do clipe de Orgulho e Preconceito e eu já estava louca da vida com a ligação de 

JANE AUSTEN COM DEPRESSÃO FEMININA

Segundo IA, o intuito por trás do uso de mensagens subliminares pode variar, e existem diferentes teorias e práticas relacionadas a esse assunto. 

  • Influenciar Comportamentos; 
  • Reforçar Mensagens;
  • Estimular Consumo;
  • Criar Impacto Emocional.

A eficácia e a ética do uso de mensagens subliminares são assuntos controversos, é até considerados ilegais em certos contextos, especialmente em publicidade. O ideal em um mundo ideal seria que seu uso em estratégias de comunicação fosse transparente respeitando a privacidade e a liberdade do público-alvo.



Você pode não saber, mas essa piada é bem velha. Jane Austen é ligada a mulher velha ou infeliz ou mal casada ou solteirona ou cheia de gatos ou feia ou sem amigos, etc, etc.


Eu odeio essa piada

Entrei em Austen Nation em um momento da minha vida que precisava de muito apoio emocional, e achei amigos em Darcy & Lizzy. Tenho ciúme e quero protegê-los de gente que não os entende, por isso comecei um Instagram dedicado a apresentá-los a quem está começando em Austen Nation. 

Neste Easter Egg da Barbie Depressão, a obra de Jane Austen apareceu como ironia e sátira supostamente representando essa fonte de endorfina. 

Talvez se você, como eu, já conhece O&P, você até se identificou!... Pensou em todos os momentos que visitou Meryton para achar segurança e felicidade. 

Mas e quem não conhece a obra?

Esta é a associação que essa pessoa fará:


Percebe a covardia com quem ainda não ama Jane Austen?

Assim como ela picotou e remontou Little Women (Mulherzinhas, filme de 2019), essa diretora/roteirista fez um quebra-cabeças esquisito para passar mensagens que para ela, são super importantes para mulheres jovens - já que ele é direcionado ao público feminino até 39 anos.

"... saí deste filme sentindo nada, isso atrapalhou o desenvolvimento dos personagens. Não me comoveu em nada. A estrutura do filme tira totalmente o peso emocional da história e isso é um verdadeiro crime em uma obra como Little Women."

Veja essa crítica aqui. Recomendo.

Não precisa me dizer que o filme não é para crianças porque eu vi o marketing usando a boneca, a logo da boneca, o rosa, os vestidinhos, a caixa da boneca para você entrar, etc, etc. E ele foi lançado nas férias escolares. E tem bonecas especiais do filme. E já falei que esconderam o viés de feminismo.

"...não é que homens e mulheres tenham que se ignorar, é que (no filme Barbie) as mulheres tiveram que manipular os homens para que agissem como mulheres para conseguir vencer."

Veja essa análise aqui.

A ironia maior de todas está em Austen sempre defender e questionar a situação feminina em suas obras. Aqui no blog você acha análises detalhadas de várias obras dela, mas vou te dar uma lista aqui como IA me deu.

O termo "depressão" como entendemos hoje nunca apareceu em suas obras. Porém, existem conexões entre os desafios e as expectativas sociais enfrentadas pelas mulheres e o impacto que essas circunstâncias podem ter sobre seu bem-estar mental. 

"Razão e Sensibilidade": Marianne Dashwood experimenta uma profunda turbulência emocional depois que seu coração é partido pelo Sr. Willoughby. Sua dor e sensibilidade exemplificam as lutas emocionais que as mulheres podem enfrentar devido ao amor não correspondido.

"Orgulho e Preconceito": Elizabeth Bennet lida com as pressões e expectativas da sociedade, principalmente em relação ao casamento. O peso da situação financeira de sua família e a intromissão incessante de sua mãe podem ser uma fonte de angústia.

"Emma": Harriet Smith enfrenta sentimentos de inadequação e desgosto devido à sua afeição não correspondida pelo Sr. Knightley. Suas lutas destacam os desafios emocionais das mulheres jovens em uma sociedade hierárquica.

"Mansfield Park": Fanny Price experimenta sentimentos de alienação e baixa auto-estima ao viver com seus parentes mais ricos em Mansfield Park. Sua constante dúvida e falta de arbítrio podem ser vistas como reflexos de possíveis temas depressivos.

"Northanger Abbey": a imaginação hiperativa de Catherine Morland e a suscetibilidade a fantasias góticas levam à ansiedade e à dúvida, mostrando o impacto dos pensamentos íntimos de alguém no bem-estar mental.

"Persuasão": Anne Elliot enfrenta arrependimento e melancolia depois de rejeitar a proposta do capitão Wentworth anos antes. Sua jornada emocional demonstra os efeitos duradouros de decisões passadas na psique de uma mulher.

"Lady Susan": A personagem titular, Lady Susan Vernon, manipula e explora os outros para atingir seus objetivos, destacando o impacto emocional que tal comportamento pode ter tanto no manipulador quanto no manipulado.

"Sanditon": Miss Lambe, uma jovem mestiça, lida com questões de identidade e pertencimento em uma sociedade predominantemente branca, abordando as lutas emocionais enfrentadas por mulheres marginalizadas.

"Amor e Amizade" (conto da Juvenília): A protagonista, Laura, navega pelas complexidades do amor e dos relacionamentos, que podem ser uma fonte de turbulência emocional para as mulheres daquela época.

"The Watsons" (romance inacabado): A personagem Emma Watson enfrenta o desafio de encontrar um par adequado em uma sociedade onde o casamento costuma ser o objetivo principal das mulheres, refletindo as pressões emocionais que elas vivenciaram.



Enquanto os romances de Jane Austen exploram principalmente temas de amor, casamento e expectativas sociais, eles indiretamente lançam luz sobre as lutas emocionais e os desafios enfrentados pelas mulheres durante o período da Regência. 

É essencial lembrar que a compreensão e a interpretação da saúde mental e do bem-estar emocional evoluíram significativamente desde a época de Austen.

Percebe que enfiando esse Easter Egg na Barbie Depressiva, GG foi extremamente injusta com Austen? Por que ela não foi inserida em outro cenário? Ken vai à biblioteca, pega livros, estuda. Barbie poderia ter achado Austen em sua jornada no mundo real. Os filmes que ele assiste são vistos como obras de referência - mesmo que para fazer graça do personagem, o vilão-vítima que só quer amar.

Ao examinar os comentários do filme, podemos que as pessoas estão se deixando levar pela capa cor de rosa, achando que tudo é inocente e muito divertido no desafio das narrativas tradicionais, mas deixa passar a mensagem subliminar da 

narrativa não contada

Este termo, segundo IA, refere-se a informações ou histórias que não são expressamente comunicadas/compartilhadas, seja em um contexto específico, uma mensagem, ou em um determinado conteúdo. Elas podem ser subentendidas, sugeridas ou implícitas, mas não são abordadas de forma explícita. 

É importante ter em mente que a narrativa não contada pode ser uma estratégia poderosa para envolver o público e permitir que as pessoas construam suas próprias interpretações. Por outro lado, também pode levar a mal-entendidos, interpretações equivocadas ou até mesmo manipulação se não for usada de forma ética e transparente.

Portanto, tanto em comunicação quanto em interações sociais, é fundamental ser consciente e transparente sobre o que está sendo dito explicitamente e o que está sendo subentendido ou não contado. Isso ajuda a garantir uma comunicação clara e uma compreensão mais precisa da mensagem transmitida.

Mas por que, meu Deus, por que inserir Orgulho e Preconceito neste momento específico do filme e da trama do romance?

Se você não percebeu, é Hunsford, meu momento favorito de todos os favoritos de O&P porque é quando... 

Darcy cai do cavalo.

Chega, vou parar por aqui para não contar que também é quando Lizzy faz papel de idiota repetindo mentiras do boy lixo e mostrando quão inocente, ingênua e facilmente manipulada ela é - mesmo que se acha super sagaz.

Chega, né, você já entendeu.

até mais, M.

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leia mais pesquisas sobre Jane Austen

leia romances & contos gratuitos inspirados em O&P

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obs.: pesquisei muito aqui, aqui, aqui, aqui e no Youtube e usando ferramentas de IA ChatGPT, Junia, Writesonic, Midjourney. Mas foram tantas perguntas em tantos momentos que já não sei quem me respondeu o quê. Midjourney é só imagem mesmo.

Segredos dos Contos de Fadas que você precisa saber

 olá,

este é o terceiro e último post sobre os Contos de Fadas. Pelo menos por enquanto! Neste vamos um pouco mais fundo nos segredos que você deveria saber sobre a VERDADE contra as versões COMERCIAIS que te empurram.



Vamos mergulhar nisso!

Contos de fadas são histórias ricas que vêm sendo passadas de geração para geração há seculos, e por isso, sofrem modificações e e adaptações ao longo to tempo.

Veja alguns pontos onde as versões originais diferem das versões conhecidas incluindo pontos sombrios e como eles foram amenizados para alcançar público mais amplo:


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Cinderella

A versão mais famosa de Cinderella é a de Charles Perrault, entitulada "Cendrillon," publicada 1697. Nesta versão Francesa, Cinderella recebe ajuda de uma fada-madrinha e vai ao baile onde perde o sapato de cristal. Os irmãos Grimm Brothers também incluiram a versão Alemã entitulada "Aschenputtel".

É curioso dizer que o nome Cinderella vem da maldade de unir seu nome 'Ella' com 'cinder' ou cinza já que a garota era criada doméstica que, dentre outras funções, limpava lareiras cheias de cinza.

Ponto Sombrio: na versão original, as meias-irmãs cortam os dedos dos pés para que caibam no sapatinho, o resultado é sanguinário.

Versão Amenizada: nas versões modernas, as meias-irmãs simplesmente experimentam o sapato sem causar autoflagelamento, fazendo o final bem menos lúgrube.


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Chapeuzinho Vermelho

A versão mais antiga de Chapeuzinho Vermelho é a do século 10 que tem muitas variações ao redor da Europa. A história foi editada e popularizada por Charles Perrault como "Le Petit Chaperon Rouge" em 1697. Os irmãos Grimm também incluíram sua própria versão em "Grimm's Fairy Tales."

Ponto Sombrio: nas versões originais, Chapeuzinho Vermelho e sua avó são devoradas pelo lobo, sem final feliz.

Versão Amenizada: nas versões modernas, uma figura heróica sempre salva Chapeuzinho e a avó da barriga do lobo incluindo um tom surreal à história, liberando a menina de arcar com as consequências de seus atos.

deviantArt


Branca de Neve

A versão mais conhecida de Branca de Neve foi popularizada pelos Irmãos Grimm na sua coleção "Grimm's Fairy Tales," cuja primeira publicação ocorreu em 1812. Porém, histórias similares forma encontradas em várias culturas ao redor do mundo através dos séculos.

Ponto Sombrio: na versão original dos Grimm, a rainha má é forçada a dançar até a morte no casamento de Branca de Neve usando sapatos de ferro incandescente.

Versão Amenizada: muitas adaptações omitem as punições sombrias para a rainha, optando por soluções menos violentas mesmo que incluam morte.

Adobe Stock

Bela Adormecida

A hisória da Bela Adormecida tem várias versões originais com diferentes ângulos nas diversas culturas. Charles Perrault's entitulou sua versão de "La Belle au bois dormant" ao publicar em 1697, já os Irmãos Grimm incluíram variantes e chamaram de "Briar Rose" na sua coleção.

Ponto Sombrio: In earlier nas primeiras versões, o rei engravida a moça ainda dormindo e ela só acorda no parto enquanto dá a luz.

Versão Amenizada: adaptações modernas geralmente pulam essa parte controversa focando mais no romance e no beijo que quebra a maldição.

neural love

Bela e a Fera

A mais famosa versão de "Beauty and the Beast" foi escrita pelo novelista Francês Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, publicada em 1740. A história já foi recontada e adaptada inúmeras vezes desde então.

Ponto Sombrio: na versão original, as irmãs da Bela são ciumentas e fazem de tudo para mantê-la longe da Fera, mas seu destino é cruel.

Versão Amenizada: Algumas adaptações tiram a negatividade das ações das irmãs e lhes dão qualidades que redimem suas personalidades.

adobe stock

João e Maria

"João e Maria" é um Conto Alemão incluído na coleção dos Irmãos Grimm de 1812. Ele fala de dois irmãos que se perdem na floresta e encontram uma bruxá má em uma casa de biscoito de gengibre.

Ponto Sombrio: o conto original inclui abandono parental, cárcere privado, canibalismo, bruxaria e manipulações para cozinhar e comer Maria.

Versão Amenizada: versões modernas geralmente amenizar o papel dos pais e a maldade da bruxa, fazendo o conto menos lúgrube e sombrio.

neural love

A pequena Sereia

A versão original de "Pequena Sereia" foi escrita por Hans Christian Andersen e primeiro publicada em 1837. Diferente da adaptação da Disney, a versão de Andersen's é acredoce, pois a sereia se sacrifica em favor de seu amado.

Ponto Sombrio: na versão original de Andersen version, a sereia sofre dores excruciantes a cada passo que dá com seus pés humanos.

Versão Amenizada: algumas adaptações omitem ou adoçam esse aspecto negativo de ser humana para focalizando mais no romance do que no sacrificio - que é bem menor.


Cada cultura cria sua própria versão para os Contos de Fadas. Com o tempo, essas histórias são adaptadas e modificadas para atender a diferentes públicos e preferências culturais.


Muitas histórias clássicas sofreram simplificações e infatilização para se tornarem mais palatáveis para crianças e/ou serem adaptadas à normas e valores culturais. Já falei disso nos outros posts dessa série, veja links abaixo. 

E, claro, essas mudanças foram feitas por várias razões, desde sensibilidades até o desejo de criar narrativas mais focadas no públic infantil - mesmo que ainda explorem ângulos cavernosos e assustadores. 

vecteezy


Resumindo...
entender o que está por trás dos Contos de Fadas nos ajuda avalorizar as narrativas & mensagens. Mais importante ainda, faz com que compreendamos o quanto elas nos influenciam.



E aí, o que você acha?
Veja os outros posts sobre esse assunto:

Segredos de Contos de Fadas que você precisa saber.

E me deixe sua opinião aqui em baixo!

M.



Este post foi montado com ajuda de Chat GPT, revisado and enriquecido por Moira B.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Entendendo o apelo do horror: violência, sexo e ameaças

Olá!
Há quase 2 anos fiz uma pesquisa sobre o apelo de fantasias eróticas perigosas. No post 'Entendendo fantasias sexuais proibidas: violentas e ameaçadoras' expliquei o que aprendi:
tudo se baseia em poder
Obra baseada em Carmilla, de Sheridan le Fanu, do wiki

O poder que temos de mudar de canal, fechar o livro, sair do cinema. 
Mesmo para vítimas de violência sexual, talvez mais ainda nestes casos, o controle é o fator mais importante. Não se deixe levar por este resumo simplório, leia o post cheio de referências e fontes bibliográficas. 
Na época, minha pesquisa veio especificamente da minha incapacidade de entender porque o gênero 'vanilla porn' fazia tanto sucesso; agora venho fazer outra pesquisa devido a uma complicada correlação de fatores literários que me levam a entender a nova modinha como horror.
Gênero super popular nas artes com exponentes como Stephen King e Zé do Caixão, o horror movimenta zilhões $$ todo ano. 
Mas, péra, do que raios eu estou falando? 
De onde eu tirei o 'horror'?
Te conto.
poster de Misery de D Litzinger 

Há pouco eu li '1984' de cabo-a-rabo pela primeira vez. Apesar de comparar com 'Admirável mundo novo' (que eu adoro), percebi e dei valor merecido a todas as referências com a nossa vida atual, quase um século depois que Orwell escreveu a crítica ao socialismo. Da 'think police' à 'reescrita de todas as notícias do passado', vivemos a era do Big Brother. Se você leu, sabe que todos são pegos pelo sistema, cedo ou tarde, por um deslize ou outro. E quando é capturado, você conta o que sabe até chegar na maior crueldade possível para o ser humano, para cada ser humano.
Sala 101
pinterest
Qual é o seu maior medo? 
Pode não ser o meu.
O meu é encarceramento e violência sexual. 
e, olha veja só...
Justo o tema do momento agora.
we heart it

Pesquisei então o apelo do gênero do horror - que é diferente do que é chamado de terror na linga inglesa, tipo terrorismo 11 de setembro. Já li Stephen King e adorei. Já abandonei outro título dele por medo, confesso. Acho mesmo que o cara escreve bem a este ponto. Curto Neil Gaiman, transo bem. Filmes não são minha praia. Mas são de muita gente!
Sara Roncero Menendez definiu assim (e eu gostei muito): "Os leitores têm suas próprias razões para mergulhar no escuro das estórias de horror. Talvez eles gostem da adrenalina, ou talvez tenham nascido sem medo e nada os sacuda. Talvez seja terapêutico, ou talvez seja a definição deles de diversão."
Livros de terror/horror podem apresentar  criaturas típicas como vampiros, lobisomens, fantasmas com muito sangue e carne exposta; pode ter atmosfera gótica - e até humor- carregada; pode ser sobre medo em si. Mas é um erro achar que todo horror é projetado para fazer você se sentir inquieto ou deixá-lo acordado à noite, temendo todos os rangidos, gemidos e luzes tremelicantes, já que, e aqui está a chave da coisa toda, o mais importante é que tudo é superável e passível de sobrevivência.
Viu porque adorei ler a explicação de Menendez?
Tudo se baseia em poder.
giphy

Explico...
Ela continua falando o óbvio, vários personagens de histórias de terror/horror morrem, até ficamos com pena, veja só! Mas a grande maioria sobrevive! O bem vence o mal. Há luz no fim do túnel. Vamos sair da quarentena. (Vai ser engraçado ler isso daqui há um tempo...) 
Então, por vias tortuosas, na dureza do sofrimento, ler esse gênero é escapismo. "O livro pede que você siga as jornadas emocionais e físicas dos personagens para sentir o que eles estão passando, ou para ficar justaposto às coisas horríveis que eles estão fazendo ou vendo. No final, pode parecer que você esteve no inferno e voltou, o que pode não ser "divertido", mas ainda é gratificante, enriquecedor e instigante." Entendeu? Através do personagem, você enfrentou os raios e sobreviveu!
Aleluia!!!

Romances também servem pra isso, né, Mr Darcy?

E o controle, o poder?
Tá puxado? 
O inferno da vida tá dificil de encarar? 
Larga o livro, pula um capítulo, lê o fim. 
Você manda!
Um mix de emoções carnudas, tudo muito gostoso de experimentar. Um shot de adrenalina, reações viscerais tipo raiva - ódio - medo - amor - surpresa - terror - repulsa - empatia, tanto para o leitor sentir-se vivo, conquistar demônios, explorar o desconhecido. Merrie de Stefano lista vários tópicos, explica razões para quem, como eu  tenta entender o apelo. No fundo, no fundo, é a necessidade de encher os reservatórios de esperança, provar que podemos sobreviver, satisfação quando o terror é superado, ela diz "PROVA QUE OS DRAGÕES NÃO SÓ EXISTEM, MAS QUE PODEM SER DERROTADOS".

É PELA EMOÇÃO!
pinterest

No Quora, lugar bom de visitar, achei essa explicação: Ler ficção de terror/horror é uma atividade segura. Eu sei que estou seguro, mesmo quando não me sinto seguro. Portanto, as emoções que sinto durante a leitura são emocionantes. (do dicionário: capaz de causar emoção; impressionante ou provoca comoção; comovente). Muitas pessoas também acham que o horror tem um poder catártico. "Catarse" é a purificação e purgação de emoções através da arte. Sigmund Freud diz que é uma maneira de se livrar de nossas "más" emoções.

Mas de toda a minha pesquisa, o que mais adorei, printei, vou laminar pra guardar na carteira e ler todo dia da minha vida é isso:
 "Buscamos histórias que nos dão um lugar para colocar nossos medos. 
 Os livros em particular, (...) histórias que nos assustam, nos perturbam, (...) 
nos deixam desconfortáveis ​​ou que tocam em algum lugar no coração - 
nos dão os meios para explorar as coisas que nos assustam ... 
mas apenas na medida em que nossa imaginação e nossas experiências permitem. 
Elas nos mantêm seguros enquanto nos permitem imaginar que estamos em perigo.

 Afinal, as histórias nunca são sobre o que elas são: 
sempre há um bolso em algum lugar delas para que possamos
 experimentar nossas próprias emoções, 
nossos próprios medos. 

 Uma caixa no centro de tudo esperando para ser preenchida, 
em algum lugar podemos levantar a tampa e olhar a escuridão... 
e fechá-la novamente quando tivermos o suficiente."

Entendi!
Perfeito!
Muito obrigada, Lou Morgan no The Guardian.
meme generator


E isso tudo com a modinha da vez?

Tenho ouvido tititi de toda sorte, gente dizendo que o novo livro/filme-muito-bom-demais é água com açúcar e gente dizendo que é apologia ao crime & ao momento merda que estamos vivendo.

Como disse, na sala 101, cada um tem seu medo.
mecanix

E convenhamos, vez por outra aparece um sucesso desses sem plot, ou o enredo é muito ruim, ou doido mesmo. Lembra de 9 semanas e 1/2 de amor? Quanto mais sem enredo, mais sexo inverossímil e heróis cafajestes, melhor. Pornô que chama, né?
Mas daí, agora o tema é mais pesado.
Violência mesmo.
Sequestro.
Estupro.
Gaslighting.
Assédio. 
Depois do 'me too' e da 'maria da penha' ainda há espaço pra estupro romanceado? Tem!
susannabirch

praiseworld radio

Deixa eu contar uma estória: moça lindinha tem namorado, mas um bad boy cisma com ela. Certo de que a moça tem que ficar com ele, o bad boy convence a moça que o namorado é inútil, não serve nem para protegê-la. Solteira, o bad boy sequestra a moça para viver, com muito sexo animal, um romance com ela. Até que, não convencida, eles se separam.
Enredo de filme de sucesso em plataforma de streaming inspirado em livro Europeu? Quem me dera... Essa é a história de Liana Bei Friedenbach, mocinha de 16 anos em 2003 em um caso que, vergonhosamente, o facínora foi quem ganhou fama. Pesquise no Google se quiser lembrar, não vou sujar meu blog com o nome deste individuo.
Você vai me dizer: ah! Mas é tudo diferente!
jovem pam

Sim, no filme o facínora é rico, bonito, bem dotado, 
enche a vítima de presentes caros, tem charme. 
click araguaiana

Você vai até repetir a brincadeira: quem me dera sentar num cara desses!
E melhor, você tem o poder de desligar na hora que quiser.
instituto santos dumont

Mas, na real, é a mesma violência hedionda.

jornal de blumenau

O lance é: sabemos diferenciar ficção de realidade?
IPPUR/UFRJ

Isso. Não. É. Romântico.
Isso é horror. 
É terror.
Se você acha que é gostosinho, 
procura ajuda. Rápido.

Pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui.