& Moira Bianchi: Persuasão: Anne Elliot

domingo, 10 de julho de 2022

Persuasão: Anne Elliot

 olá!

Está chegando a hora da estreia e vamos mergulhar nos personagens?

Hoje te trago ela, a flor de Persuasão:

Anne Elliot

A protagonista do romance, Anne Elliot é a filha do meio de Sir Walter Elliot, um baronete de uma família socialmente importante na região devido ao título, o menor na hierarquia da nobreza, e à propriedade, Kellynch, que é sede da família. 

características

Calma e reservada, mas inteligente e prática, Anne vê a tolice nas gastanças de seu pai. Porque ela não é a mais bonita nem a mais esperta de suas filhas, Sir Walter muitas vezes ignora Anne, menosprezando-a e descartando suas opiniões. Mas ao contrário de seu pai, Anne se orgulha de praticidade, intelecto e paciência.

Em contraste com suas duas irmãs e com as outras jovens personagens femininas do romance, Anne é sensata, atenciosa com os outros e humilde – nisso Jane Austen fez Anne destoar. 

Como a maioria das heroínas de Austen, Anne é espirituosa, inteligente e atenciosa. Em uma de suas cartas, Austen se referiu a ela como "uma heroína que é quase boa demais para mim". 

Anne é feminina e delicada, embora não possua nada do que Austen vê claramente como as características negativas de seu gênero como ela usou e abusou em Lady Susan: malícia, inconstância, histeria. Pelo contrário, ela é equilibrada em situações difíceis e constante em seus afetos. Tais qualidades fazem dela a irmã desejável para se casar; ela é a primeira escolha de Charles Musgrove, Capitão Wentworth e Sr. Elliot.

aparência

Embora Austen muito francamente diga que a flor da juventude de Anne murchou e que ela não é a mais bonita das moças do romance, Anne vai se tornando mais atraente quando suas melhores qualidades são florescem no decorrer da trama. Anne se orgulha de sua aparência e fica profundamente magoada depois de ouvir que o capitão Wentworth acha que ela mudou para pior. 

ações

Embora Anne busque o amor como qualquer outra moça de sua época, ela sabe de seu dever para com sua posição social e da prudência de fazer um casamento adequado que lhe garanta subsistência confortável. Por isso, em sua juventude, ela quis agradar aos que a cercavam, e se deixou ser persuadida a colocar seus verdadeiros desejos em segundo plano. 

Mais madura, Anne ainda assume sua responsabilidade e dever como membro da classe alta. Ela entende e respeita a importância de bons casamentos e se ofende com a perspectiva de alguém tão baixo quanto a Sra. Clay entrar em sua família casando com seu pai. 

Ela está consciente da estrutura social onde está presa e embora possa buscar alguma flexibilidade, ela nunca desafiaria as estruturas. Isso fica claro no final quando  Anne conclui que ela estava certa em ter se deixado persuadir por Lady Russell, mesmo que o conselho em si tenha sido equivocado. 

A conclusão implica que o que pode ser considerado o defeito de Anne, sua capacidade de ser persuadida pelos outros, não é realmente um defeito. Fica a critério do leitor concordar ou discordar disso. Mas, no geral, ela deve ser altamente considerada; 

Ela equilibra dever e paixão de forma composta e respeitosa e por isso é digna de admiração.

Laços de família: Anne e os Elliots

Conhecemos Anne pela primeira vez como uma integrante menor da família Elliot composta de pai viúvo e 3 filhas.

A mais velha, Elizabeth, é solteira e favorita de seu pai. A mais nova, Mary, é casada com um homem de boa família. A do meio, Anne está perdida neste círculo. 

Antes ricos, os Elliots enfrentam severas perdas financeiras. Isso se torna aparente na reação inteligente e atenciosa de Anne aos problemas financeiros de seu pai. Enquanto Sir Walter lamenta, Anne trabalha com a amiga da família, Lady Russell, para chegar a um novo orçamento virado para o "lado da honestidade contra a ostentação" (cap 2). Quando seu pai decide ignorar suas sugestões e se mudar para Bath, Anne não tem escolha a não ser seguir o plano, apesar de Bath ser seu lugar menos favorito no mundo. Vale lembrar que nesta época, as moças solteiras eram responsabilidade de homens (pai, irmãos, maridos, sobrinhos) e por isso, só lhe restava seguir ordens.

Aos poucos, Anne consegue conquistar seu espaço. Quando finalmente chega a Bath, depois das confusões de Lyme Regis, ela já ultrapassa os limites do que sua família deseja. Um bom exemplo disso é que, enquanto Sir Walter, Elizabeth e até Lady Russell gostam do Sr. Elliot, Anne não confia nele.

Mesmo que ela não consiga identificar por que seu instinto lhe diz, ou apresentar qualquer evidência da sua desconfiança, ela ainda segue sua própria opinião.

Talvez sejam suas experiências em Lyme, ou talvez o foguinho do amor que Wentworth reacendeu nela, mas algo dá a Anne coragem que ela não tinha antes. Quando ela insiste em preferir visitar a Sra. Smith do que puxar saco de Lady Dalrymple, Anne também está se escolhendo seus próprios valores do que os de sua família. Também mostra coragem e impulsividade quando Anne dá um passo à frente para falar com Wentworth no concerto enquanto seu pai e irmã o ignoram.

dependência 

Anne depende do pai e da irmã mais nova, frequentemente é jogada de um abrigo para o outro. Eles dependem dela para companhia e disposição para sempre ser ajuda. A vida tranquila, útil e monótona de Anne foi o que ela construiu como forma de sobreviver desde que sua chance no amor foi embora.

Mesmo que os Elliots eventualmente parem de torcer o nariz para o capitão Wentworth, o casamento de Anne com ele é um passo definitivo para longe de sua família e para a independência (especialmente porque o Sr. Elliot, o herdeiro de Kellynch, é a principal alternativa). 

De certa forma, durante a trama, vemos Anne florescer e voar para longe do que lhe aprisionava.

É incerto no final do romance o quanto Anne continuará a lidar com sua família quando não depende mais deles para comida e abrigo.

relacionamento de Anne com Wentworth

É fácil imaginar porque Anne se apaixonou por Wentworth. Sua franqueza e falta de vaidade ou esnobismo devem ter sido como um sopro de ar fresco para uma garota criada na abafada casa dos Elliot.

É menos fácil, mas ainda é possível entender, porque ela desistiu dele. Ela era jovem, queria fazer a coisa certa e confiava em Lady Russell para guiá-la. Mesmo conseguindo não ficar amargurada com Lady Russell por levá-la a perder o que acabou sendo seu grande amor, ela passa os próximos oito anos repetindo essas cenas em sua cabeça e desejando que elas tivessem sido diferentes. 

Foi realmente a coisa certa a fazer? Agora Anne acha que não, mas ainda insegura, teme o que poderia ter acontecido se ela tivesse ido contra todos os outros e se casado. Anne já havia desistido da vida de mulher casada independente da família por criar a sua própria quando Wentworth voltou.

Então, tê-lo por perto levanta uma possibilidade que é tão tentadora quanto dolorosa. Ela deveria ousar esperar que ele ainda se importasse com ela, ou isso seria apenas uma decepção ainda pior do que o fracasso da primeira vez? O passado daria a ela algum direito a um tratamento especial por parte dele?

Quando fica claro para Anne que Wentworth está intencionalmente ignorando-a dói fundo e torna óbvio que ele não foi esquecido nem perdoado, ela tenta lidar com a situação reprimindo suas próprias emoções e fingindo que elas não existem. Quando o filho de Mary, Charles, se machuca, Anne aproveita a chance de cuidar dele – e fugir do que teria sido seu primeiro reencontro com Wentworth.

O que era para ela de fato? Apenas o suficiente para fazê-la evitar a festa, passar o tempo enquanto cuida do jovem Charles pensando no que Wentworth pensa dela e corar sempre que seu nome é mencionado. Ao nos mostrar o contraste entre o que Anne se convenceu de que deveria sentir e o que suas ações mostram sobre como ela realmente se sente, o romance sugere que Anne está se enganando ao pensar que poderia ser indiferente a Wentworth.

A presença dele Wentworth a perturba. Embora isso possa ser emocionante, também é aterrorizante. Há também a dor e o constrangimento em potencial de agir de acordo com esses sentimentos e chegar a Wentworth apenas para ser rejeitada, sem mencionar que todos descobrirão seu sofrimento secreto, tornando-o ainda mais difícil de suportar. Embora as tentativas de auto-ilusão de Anne possam parecer pateticamente inúteis, como mecanismo de enfrentamento é certamente compreensível.

Finalmente, graças acidente de Louisa e ao subsequente noivado com o capitão Benwick, Anne finalmente consegue reconhecer para si mesma que ainda ama Wentworth. Além do mais, ela percebe que, maravilha das maravilhas, ele também a ama.

Então, por que Anne não age? Talvez depois de oito anos, esperar mais algumas semanas para ter certeza de que ela acertou desta vez não pareça tão ruim. 

Seja qual for o motivo, Anne adota a abordagem indireta, fazendo comentários aos outros sobre sua indiferença ao Sr. Elliot ou as afeições imutáveis das mulheres, na esperança de que Wentworth entenda seu verdadeiro significado. Se o fizer, Anne pode saber que ele é tão observador dela quanto ela dele. O que ele é – tanto que no final ela nem precisa dizer a ele que ainda o ama, já que ele pode dizer apenas olhando para ela. Ela está sendo mais e óbvio, ou sua visão melhorou? Talvez um pouco de ambos.

Anne e o auto-sacrifício

Anne não ocupa o centro das atenções e tende a evitar se exibir. A ação do romance é principalmente impulsionada por outras pessoas, enquanto Anne observa, ouve e responde. 

Em casa com o pai e a irmã, ela é "ninguém": "sua palavra não tinha peso, sua conveniência era sempre ceder – ela era apenas Anne" (cap 1). Talvez ser "apenas Anne" seja uma escolha sábia na casa dos Elliot - se Anne de repente começasse a fazer exigências, parece mais provável que ela acabasse em brigas e mesmo assim, não conseguiria nada.

Mas a auto-abnegação de Anne é mais profunda do que apenas manter a paz em uma casa já cheia de egos. Quando sua irmã Mary exige uma visita, ela fica feliz em brincar de babá de um hipocondríaco chorão.

Ser reivindicada como um bem é menos ruim do que ser rejeitada e Anne ficava feliz por ser considerada útil.

Como a felicidade não é uma opção para ela na circunstância de solteirona, o dever de ser útil para os outros se torna a melhor opção. 

Uma vez que Anne se instala em Uppercross, ela continua a se acostumar, pois todos aproveitam o ouvido atento de Anne para compartilhar seus problemas, e ela faz o possível para oferecer simpatia. O foco de Anne em se tornar útil às custas de ter algum tempo para si mesma aparece para aqueles ao seu redor como uma virtude (na medida em que eles percebem). Isso também significa que ela não tem muita liberdade para crescer e se desenvolver como indivíduo.

Então vem o acidente de Lyme e Louisa, e Anne está pronta para fazer um sacrifício altruísta para pessoas que não merecem. Mas então, através do egoísmo de sua irmã Mary, ela é enviada de volta para Uppercross e depois se junta ao pai e à irmã em Bath. 

Nesta hora é que começamos a ver uma mudança na trama e em Anne porque ao invés de pacientemente cuidar de sua rival, ela se vê objeto das atenções do homem que agora é, aos olhos de sua família, o solteiro mais cobiçado do mundo.

Quando Louisa está seguramente noiva do capitão Benwick, Wentworth se junta à diversão em Bath, e logo a apagada Anne tem os olhos de dois homens sobre ela. Trazer a ação do familiar eixo Kellynch-Uppercross para o mundo desconhecido de Bath tira Anne do mesmo velho ciclo de invisibilidade e dever, abrindo um espaço para Anne se ver como mais do que uma ferramenta cujo único valor está em sua utilidade para os outros.

Quando Anne finalmente consegue superar todos os obstáculos em seu caminho e se reunir com Wentworth, parece que seus dias de auto-sacrifício finalmente ficaram para trás, e ela pode ser feliz por si mesma em vez de ver a felicidade como espectadora. 

Talvez o final feliz de Anne sugira que um pouco de egoísmo pode ser uma coisa boa, afinal.



fonte: meus arquivos pessoais, study.com, schmoop, reddit, spark notes

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