& Moira Bianchi: era regencial
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terça-feira, 30 de agosto de 2022

Persuasão detalhada em temas - parte 2

Sim, ainda estou de persuadindo a amar Persuasão!

Este post começa no anterior, mas pode ser lido na ordem que você quiser porque eu continuo estudando Persuasão e um tema puxa o outro, um símbolo está ligado a uma explicação e Jane Austen nunca para de nos surpreender com as camadas que achamos na sua obra.

Então, aqui eu te trago: Juventude x maturidade, Insensatez, Vaidade, Família, Pais tolos, Amizade, Agressividade viril, Doença, Aparências e Caminhadas. 

No anterior, completando os 19 temas, estão: Convencimento, Esferas separadas, Casamento, Cavalheiro perfeito, Rigidez de classes e mobilidade social, Sociedade e classe, Criadagem, Gênero e Memória & passado.

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TEMAS DE PERSUASÃO

2ª parte

Muito além do simples convencimento e aconselhamentos...

Juventude x maturidade

Juventude e maturidade são contrastantes no romance, mostrada em vários ângulos.

Claro que consideramos a briga de ‘namoradinhos’ como o principal pano de fundo do romance. Tanto Wentworth x Elliot quanto Anne x Louisa, a disputa de território nos deixa agoniados e torcendo pelos star crossed lovers. 

Enquanto o primeiro representa honra e esforço para personagens masculinos, o segundo fala da diferença entre impulsividade e raciocínio claro especificamente na figura feminina. Anne é mais centrada por si, ou foram os anos e o sofrimento que a fizeram mais sensata? Louisa poderia vir a ser uma mulher menos esfuziante quando mais velha? E quanto à mudança vinda de sua união com o depressivo Benwick?

Mas se olharmos com mais atenção, vemos mais vertentes. Elizabeth ainda sofre com a primeira rejeição do Sr. Elliot, o que sugere que simplesmente viver frustração e perda não é suficiente para trazer sabedoria madura: é preciso também aprender com as próprias experiências.

Austen nos diz que é coisa da idade mesmo, ela tinha 40 anos quando escreveu Persuasão e devia ter noção da doença aumentado. Vale lembrar que a expectativa de vida na Inglaterra em 1815 (ano que Persuasão começou a ser construída) era de apenas 41 anos e da família Austen girou em torno de 70 anos.

Isso fica mais claro nas reminiscências de Anne e Mrs. Smith. Nestas personagens vemos que a diferença entre a juventude e a idade adulta é uma compreensão pessoal do sofrimento e da perda.

Insensatez

Austen constrói esse tema em Persuasão fazendo com que todos os personagens ajam como tolos uma vez ou outra. 

Depois de seguir o conselho de Lady Russell, Anne Elliot se arrepende e diz que sua tolice "anuviou todos os prazeres da juventude" (cap 4). Em Londres, a Sra. Smith conta ter participado de gastos frívolos com o marido e agora sozinha carrega o peso de suas ações. Apesar de afligir sua família com ruína financeira, Sir Walter Elliot mantém as aparências externas perpetuando seus problemas financeiros. No final do romance, os personagens ou abordam sua insensatez ou a ignoram, e aqueles que entendem e se esforçam para reparar as consequências de seus erros são recompensados com felicidade.

A tolice de Wentworth é ser orgulhoso demais para voltar a se declarar a Anne depois que ela o rejeitou e esse rancor o cego quanto aos dos sentimentos dos outros.

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Vaidade

O romance começa descrevendo o personagem de Sir Walter Elliot: "A vaidade era o começo e o fim da personalidade de Sir Walter Elliot; orgulho de sua pessoa e da situação." Cap 1.  Sua vaidade, sinal de superficialidade e narcisismo, o precede. 

A vaidade de Sir Walter cria uma ruptura entre ele e Anne. Sua vaidade, compartilhada com Elizabeth Elliot, aliena Anne em casa e a força a procurar em outro lugar por amor, que ela encontra em Lady Russell, Capitão Wentworth, Sra. Smith e seus amigos Uppercross e Lyme.

Austen costuma punir a vaidade, mesmo quando não é exagerada. Emma sofreu, Lydia e Caroline Bingley também. E nem vamos entrar na galera de Mansfield Park...

Família

As famílias governam tudo em Persuasão. Os Elliots, os Musgrove, os Crofts, os Hayters, os Harville.

Separar-se da família é um passo necessário para formar uma identidade independente, mas poucos personagens conseguem dar esse passo, já que as conexões familiares são uma grande parte de sua posição no mundo. O fato de a família da protagonista não se importar muito com ela dificulta sua vida em casa, mas também a ajuda a desenvolver suas próprias ideias sobre quem ela é e o que quer. Anne amadurece por viver nesta situação.

Austen fala de devoção, honra e dever várias vezes em suas obras. Em Orgulho e Preconceito, Mr Darcy fica dividido entre ‘duty and desire’; em Razão e Sensibilidade, Sr. Ferrar não age por estar preso por honra. Em Persuasão, vemos Anne ligada à sua família apesar de sofrer com a convivência e por eles, abre mão de seu amor que os envergonharia.

Por que Anne não deixa sua família e vai morar com Lady Russell, a amiga de sua mãe e sua conselheira? O que é preciso para ser um bom membro da família? Até que ponto a identidade de uma pessoa é determinada por sua família?

Austen tinha laço muito firme com sua família, principalmente com o irmão Henry e a irmã Cassandra. Em várias de suas obras, ela valoriza a vida familiar apesar dos sofrimentos – Mansfield Park e Razão e Sensibilidade, por exemplo.

O relacionamento de Anne com sua família determina sua identidade: eles controlam onde ela mora, como ela deve se comportar e quem ela conhece. Apesar da família de Anne controlar sua existência física, sua mente independente a faz criar uma identidade separada deles.

Pais tolos

Pais tolos, mais um tema recorrente em muitos romances de Austen, desempenham um papel importante em Persuasão. As crianças que devem aturar pais irresponsáveis ou ridículos são importantes para Austen. Na Juvenília vemos aquela fofoca sobre ela e sua mãe... talvez seja uma pista disso.

Aqui, a imprudência e a extravagância insensível de Sir Walter causam o conflito inicial que força os Elliots a deixar suas casas e "recuar" em Bath. Sir Walter não é uma fonte de orientação para suas filhas; ele é tão vaidoso e egoísta que é incapaz de tomar boas decisões para a família. Ele transmitiu sua 'bobagem' tanto para Elizabeth quanto para Mary. Elizabeth compartilha sua vaidade e auto importância; Mary está tão cheia de autopiedade que acha tudo um desrespeito pessoal. Seus filhos são incontroláveis porque ela tem pouco interesse em ensiná-los. Alguém lembra de Mrs. Bennet de Orgulho e Preconceito? Ou o Sr. Woodhouse de Emma?

Embora Anne tenha o bom senso e a força de caráter para evitar a tolice, e arcar com os danos que isso provoca. 

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Amizade

Ninguém pode escolher sua família, mas pode escolher seus amigos. 

Esse elemento de escolha torna os amigos tão importantes quanto a família, e faz deles rede de segurança. Em Persuasão, os amigos aparecem quando a família falha, proporcionando outro contraste entre o mérito individual e os laços de sangue.

Lady  Russel é mais cuidadosa com Anne que Sir Walter, o mesmo pode ser dito da Sra. Musgrove. E a viúva Sra. Smith é mais leal a Anne que suas irmãs.

Já o Capitão Wentworth conta com seus amigos de marinha para apoiá-lo. Teria ele levado Anne para ser ‘aprovada’ por eles em Lyme, ou talvez comparada a Louisa?

Sir Walter aprova a amizade de Elizabeth com a Sra. Clay, mas não a amizade de Anne com a Sra. Smith. Veja a diferença de raciocínio entre as viúvas e as filhas solteiras. Uma delas serve de escada e a outra é só uma amiga pobre. Seria isso?

Ao fazer amizades de Anne com o Sr. s. Smith e o Capitão Harville necessários para seu reencontro final com Wentworth, o romance sugere que segregar a amizade por classe limita oportunidades na vida.

O fracasso da amizade de Elizabeth com a Sra. Clay e a amizade do Sr. Smith com o Sr. Elliot sugere que a igualdade de índoles é necessária para uma amizade bem-sucedida.

Agressividade viril

As objeções de Lady Russell a Wentworth como um marido adequado para Anne são muitas vezes atribuídas ao esnobismo de classe, mas havia mais segredos envolvidos que Austen não escreveu porque seriam óbvios ao seu leitor – lembre-se que ela escrevia para pessoas do início do século 19 e não para nós no século 21.

O autor Brian Southam aponta em Jane Austen and the navy que "os traços que fazem Wentworth parecer tão 'perigoso' para Lady Russel são as próprias qualidades de caráter que conquistaram fama para os capitães britânicos no domínio dos mares"

A escolha do almirante Croft da metáfora naval para o namoro é apropriada: "eu gostaria que Frederick fosse mais ousado e nos trouxesse uma dessas jovens moças para Kellynch" (cap 10). Wentworth faz sua "bela fortuna" com "capturas sucessivas" e, uma vez que sua caça em alto mar valeu a pena, ele está pronto para pegar uma esposa: "agora seu era objetivo se casar" (cap 8). Flertando com Louisa, Henrietta e as garotas Hayter, que também 'aparentemente foram admitidas à honra de estar apaixonada por ele' (cap. 8), ele tem uma semelhança nada lisonjeira com Henry Crawford de Mansfield Park. A avaliação de Anne de que ele estava "errado ao aceitar (pois aceitar deve ser a palavra) atenção de duas jovens ao mesmo tempo" é uma estimativa conservadora. Além disso, sua brincadeira com as irmãs Musgrove atrapalha o relacionamento de Charles Hayter com Henrietta (tudo no desastroso jantar do cap 8). Knox-shaw observa a "série de metáforas militares (que) sublinha a infelicidade (de Charles Hayter) neste caso":

voici

Anne tem o prazer de notar que Wentworth está ciente de que não há lucro em roubar as afeições das mocinhas, e Charles Hayter depois de deixá-la perigosamente 'desprotegida' é forçado 'depois de uma curta luta a sair do campo' e então a encontra necessário 'retirar-se' dessa posição também.

Apesar de ser o herói do romance, Wentworth age com crueldade em relação a Louisa. Movido por rancor e ego ferido, ele alimenta as fantasias da garota como se realmente estivesse inclinado a escolhe-la como esposa. Ela é uma jovem gentile, moça criada para ser boa esposa e inocente quanto às realidades do mundo, então ela cai na rede de flertes dele. Na ocasião do acidente descobrimos que ele nunca foi sério na intenção de casar com ela e só então o capitão se dá conta que estava prestes a ter que desposar a mocinha para evitar sujar sua honra.

Una-se a isso a descrição da animação dos marinheiros em ver as moças inocentes e desprotegidas desmaiadas no Webb depois do acidente de Louisa. "A essa altura, a notícia do acidente já havia se espalhado entre os operários e barqueiros ao redor do Cobb, e muitos se aproximaram para serem úteis se pudessem, e pelo menos, apreciar a visão de uma jovem inerte, ou melhor, duas mocinhas inertes, pois isso provou ser duas vezes melhor do que o primeiro relatório. 

Foi decidido que Henrietta era a mais bonita, pois, embora parcialmente recomposta, ela estava bastante indefesa." Cap 12.

Austen nos fala da agressividade controlada que os homens honrados têm em relação às suas impulsividades viris. Ah, Mr. Darcy que o diga!

‘Permita-me dizer o quão ardentemente eu a amo e admiro.’ (Cap 34) Elizabeth não permitiu, mas ele foi em frente e fez aquele pedido de casamento louco. Mas, bem, O&P é outro assunto...

Doença

Tanto as doenças reais quanto as fingidas revelam a verdadeira natureza dos personagens. Hipocondria é outro assunto recorrente nas obras de Austen (temos Mrs. Bennet de O&P, Sr. Woohouse em Emma, os irmãos Parker em Sanditon, p.e.)

Mary Elliot Musgrove se imagina doente para chamar atenção, mostrando sua superficialidade. 

Louisa Musgrove está animada e pretende se casar com o capitão Wentworth até depois de seu acidente, quando ela se apaixona pelo calmo e intenso capitão Benwick. A Sra. Smith suporta sua doença sem reclamar.

Unindo todos os casos está a dedicação e delicadeza de Anne tratando de todos apesar da impaciência, menosprezo e/ou ridicularização dos outros personagens.

Aparências

As aparências podem enganar – mas também podem ser reveladoras. O que eles revelam, no entanto, pode ser mais sobre o observador do que sobre o observado. A beleza é realmente sobre atratividade, que é sobre desejo – não somente desejo erótico, mas o que uma pessoa quer de outra. 

Os personagens que recebem elogios por sua aparência geralmente são aqueles que têm algo que os outros desejam ter ou compartilhar. Enquanto a mensagem ostensiva do romance é que a aparência física não é um indicador claro de personalidade, o romance muitas vezes liga a aparência de um personagem com quem ele é por dentro. Nos deparamos com a ideia de que a importância da beleza reforça ou enfraquece a percepção de uma pessoa por seus pares.

 Como de resolver essa contradição? Anne fica mais bonita à medida que fica mais feliz, sugerindo que a aparência física é altamente influenciada e muito mais do que apenas superficial.

Talvez Oscar Wilde tenha aprendido isso com Austen e nos deu Dorian Gray como presente.

fashionista

Caminhadas 

Caminhar é um motivo empregado em todos os outros romances de Austen. Quando os personagens saem para passear, geralmente sinaliza um período de desenvolvimento e lá vem uma grande revelação. 

Caminhar implica conversar com os outros, comentar sobre o ambiente e reagir ao mundo exterior. Elas deixam que Austen aumente nossa compreensão sobre um personagem, às vezes mudando perspectivas. 

Em Persuasão, caminhadas são essenciais para a progressão do relacionamento de Anne e Capitão Wentworth. Anne descobre seus sentimentos em relação à constância feminina em uma de suas caminhadas iniciais (cap 10) e, no final, eles revelam seus sentimentos um ao outro em uma caminhada para casa pelo parque (cap 23). Caminhar é um motivo frequente e essencial.

Caminhadas dão aos personagens a oportunidade de falar em particular, bem como de serem ouvidos ou vistos por outros. Quando em uma caminhada em Uppercross, Anne ouve a conversa de Wentworth e Louisa Musgrove e em Lyme, Anne Elliot é "vista" por William Elliot. 

Além disso, nas caminhadas pelo campo os personagens muitas vezes encontram conforto e tempo para reflexão em estar rodeados pela natureza. À medida que os personagens viajam por vários locais, a natureza que encontram varia. No cap 3, descobrimos o prazer que a visão dos "gramados e bosques" de Kellynch trazem a Anne. Em Lyme os personagens procuram o mar por sua beleza. No cap 12, Anne e Henrietta Musgrove acordam cedo e caminham até a praia, onde "elogiam a manhã; gloriaram-se no mar; aproveitam o deleite da brisa fresca".

Caminhadas também dão a Austen o recurso de fazer o cenário inspirar e mudar com os personagens aprofundando nossa percepção da narrativa: na caminhada do cap 10, Anne recita citações sobre o outono para si mesma, "aquela estação que havia extraído de todo poeta, digna de ser lida, alguma tentativa de descrição ou algumas linhas de sentimento". Em contraste com Anne, Louisa Musgrove e o capitão Frederick Wentworth flertam. Depois que Louisa diz "Se eu amasse um homem, como [a Sra. Croft] ama o Almirante, eu sempre estaria com ele", Anne ouve Wentworth elogiar o caráter firme de Louisa, e o humor de Anne muda rapidamente. Como a narração segue principalmente o ponto de vista de Anne, a mudança em suas emoções se reflete em suas observações da natureza: "o ano em declínio, com felicidade em declínio, e as imagens de juventude e esperança e primavera, tudo se foi". Sua tristeza pela juventude perdida e esperança são projetadas em seu entorno para retratar uma atmosfera deprimente. Quando o grupo chega a Winthrop, a fazenda aparece "sem beleza e sem dignidade".


fonte: meus arquivos pessoais, study.com, schmoop, reddit, spark notes, Jane Austen and Animals, wikipedia

veja a primeira parte desse post aqui


O que você acha?

Me fala aqui nos comentários o que achou desta maratona de Persuasão.

Aqui você acha minhas PESQUISAS SOBRE JANE AUSTEN , 

inclusive os outros posts de Persuasão

Ebook

Livro físico

Leia no original gratuitamente (domínio público, vários formatos)

Veja o filme de 1995

Veja o filme de 2007

Veja o filme de 2022


e espera o novo filme lendo a JUVENÍLIA de Jane Austen!

    


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Quantos Duques e Condes existiam de verdade?

 Olá, td blz?

Aqui ando na hype do lançamento de um novo projeto, 'LORDS IMPERFEITOS'. Eu e minha bestie Lucy Dib criamos uma série de romances sobre homens nobres perfeitamente estragadinhos.

Historical Hottie: Nathaniel Hawthorne, autor de 'A letra escarlate', 1841 - pic do wiki

Os homens de título são os queridinhos do romance de época, vamos assumir logo. Todo mundo quer ler & sonhar com um Duque, um Conde, até um Baronete quebra o galho. 

Austen gostava muito de Baronetes, tinha em O&P (De Bourg) e Persuasão (Elliot). Até fiz um quadrinho inspirado naqueles lindos-de-morrer do The Guardian - Austen em números. 



Nas obras, Austen menciona poucos nobres, menos ainda como possíveis maridos, talvez porque não convivesse com a nobreza. Tem o anônimo que casa com a irmã de Mr Tilney em Northanger Abbey, e o primo escroque herdeiro do pai de Anne Elliot de Persuasão.

Mas uma rápida pesquisa no Google ou na Amazon, vemos que herói de romance de época quase sempre é um nobre. De preferência Duque. Eu mesma tenho um romance recheado de Duques, um monte!

ebook e brochura


Em All those Dukes, por conta de uma fofoca antiga de família, a heroina - uma cientista dos primórdios da antropometria - precisa listar e visitar todos os duques do reino. O ano era 1855, e eu pesquisei um monte para saber quem e quais eram esses.

No livro entraram com outros nomes, eu sempre faço mudanças porque não faço biografias.

Wellesley, o Duque de Wellington, que empresta o nome a Kin de CUPIDOS EM DEVON era um historical hottie. Huba, huba! pic do wiki

Quando menciono personalidades, como no 'DILEMAS EM LEILÃO' da série CUPIDOS EM DEVON, escrevo e reescrevo mil vezes. Imagina dar falas à Rainha Victoria?!

chezzburger


Kin, o mocinho de Dilemas em Leilão tem títulos de nobreza, recebidos de forma extraordinária, que me levou a meses e meses de pesquisas, infinitas discussões com amigas sapientes da nobreza do século 19.

Mas vamos aqui ao que interessa.

QUANTOS DUQUES EXISITAM NA ERA REGENCIAL?

&

QUANTOS CONDES EXISTIAM NA ERA VITORIANA?

Por que Condes e Duques, e porque nessas datas?

É a nossa série LORDS IMPERFEITOS! Em cada romance há um nobre (cheio de defeitos) e Lucy gosta de ficar na era de Jane Austen - a Regencial (primeiras décadas do século 19), já eu sou vidrada (por enquanto) no ano de 1855.

A maravilhinda Geri Walton já fez uma pesquisa de responsa sobre os duques na era Regencial, listados por idade casamenteira, quantos eram solteiros, quantos eram amigados, estavam em ménage e etc. Um mimo de post!

Pessoalmente, adoro saber quem & quantos poderiam estar disponíveis no ano que eu loco minhas histórias, mas para o que eu quero comentar, basta o número geral: 

31 DUQUES em 1815

Bastante, não é mesmo? 

Esses guapos tinham filhos, herdeiros, primos olho-grande, etc, etc. Três dezenas de possibilidades. O 'Duque de Shropshire' do 'O DUQUE MUQUIRANA' se passa na era Regencial e por isso, ele é um piteuzinho mal-humorado, solteiro e órfão, que faria 32. Falei que ele é gato?

169 CONDES em 1853

Uma galera!

Nesse grupo enorme, certo que tinham vários em idade casadoira, portadores de grande fortuna em busca de uma esposa. E falidos também... 'O CONDE SOVINA' se passa em 1855, o que faz do 'Conde de Itsdale' o nobre nº 170  - solteiro, avesso a casamento, mão fechada, bem-humorado e guapo.

Você imaginava que havia tantos?

Imagina todas essas famílias endinheiradas, cheias de poder, frequentando a corte, ditando ordens... Seria mais ou menos como ter centenas e centenas de deputados e senadores? Devia ser brabo viver nesses dias...

Interessa saber certinho quais eram solteiros? De certo que não eram os 612 duques que achei na Amazon... 



O que nos interessa mesmo é ler esses homens maravilhosos e suas agruras conquistando a mocinha acanhada, né?

Termino com a primeira imagem do Duque e do Visconde da nova série da Netflix baseada na série de Julia Quinn que sai no dia de Natal.

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Ho, ho, ho!


Até mais,

M.

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e meus arquivos pessoais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Preto, inspiração no século 19

 olá!

Hoje falo de uma cor que adoro, uso todos os dias, é um must:

O preto que representa poder, sexualidade, sofisticação, formalidade, riqueza, mistério, profundidade e, o melhor de tudo, estilo puro. 

PRETO

Rainha Victoria no Jubileu de Diamante - pic de Museum of New Zealand

Quando penso no século 19, sempre imagino logo que preto era cor somente para o luto - o que não era verdade! 

Olha esse vestido de corte em veludo preto leiloado pela Christie's:

gogsmite net
A descrição diz: vestido de corte, 1810-1820, veludo preto adornado com renda prata e dourada, cauda curta, decote reto, cintura alta (empire). Lindo de morrer!

O assunto 'luto' no século 19, especialmente na era Vitoriana, foi muito complexo especialmente porque ela, a rainha Victoria, carregou luto por seu amado Príncipe Albert de 1861 (quando ele faleceu aos 42 anos) até sua morte aos 81 anos em 1901. Então, ao invés dos 3 ou 4 anos de luto, ela manteve-se de preto por 40 anos.

Analisando as fotos dela com Albert, eu imagino que ela já usava preto antes do falecimento dele. 

Rainha Victoria e seus nove filhos (9!!!) circa 1860. pic de wttw

São fotos preto-e-branco dos primórdios da arte da fotografia, ela poderia estar usando vermelho, azul, verde. Mas comparando com as casacas do marido Príncipe Albert e do filho Albert Edward, parece que ela veste preto também.

HOMENS

Autoridades na arte do bem vestir, revistas e manuais, diziam que para os homens, preto era mesmo o certo. Routledge's Manual of Etiquette (for gentlemen) diz que 'Pela manhã, (cavalheiro) use sobrecasacas, coletes trespassados ​​e calças de cores escuras ou claras, de acordo com a estação. 

À noite, embora apenas no seio de sua própria família, vista apenas preto e seja tão escrupuloso ao colocar um paletó como se estivesse esperando visitas. Se você tem filhos, ensine-os para fazer o mesmo. É a observância dessas ninharias menores na etiqueta doméstica que marca o verdadeiro cavalheiro.

Para festas à noite, jantares e bailes, use paletó preto, calça preta, colete de seda ou tecido preto, cravat branca, luvas de pelica brancas ou cinza e botas finas de couro envernizado. Uma cravat preta pode ser usada em ocasiões de gala, mas não é tão elegante quanto uma branca. Um colete de veludo preto só deve ser usado em um jantar.'

pinterest

O LUTO

Vamos ao assunto que domina a cor.

Estudei bastante o luto vitoriano para escrever um dos romances da série CUPIDOS EM DEVON e menciono na série LORDS IMPERFEITOS, mas confesso que é tanto detalhe & ordem & regra que só tendo uma colinha para seguir sem errar.

lady in mourning, H Thorell 1896 - pic de gallerix org

Para os homens, tudo era simples. Antes da metade do século, usavam uma casaca de luto. Depois, já vestiam bastante preto e quando não usavam a cor, bastava uma banda preta no braço, no chapéu e luvas pretas - o que devia ser bom porque sujava menos. E, claro, tinham a benesse de não precisar se isolar do mundo, podiam seguir com seus afazeres, visitando clubes, teatros, negócios.

Crianças não precisavam usar luto, meninas às vezes usavam branco.

Para as mulheres, luto era uma dureza. Em notas gerais, mostrar luto era feito em fases - LUTO PROFUNDO a LUTO LEVE. 

Dependia da relação do (a) falecido (a) com a mulher. Fontes variam muito, manuais específicos tinham mais regras, mas não é errado seguir que para:

- marido, o luto era de 2 anos (todo o processo, do negro ao branco)

- pais ou filhos, 1 ano

- avó, irmãos e primos, 6 meses


Havia moda para o luto como para vestidos de passear, ficar em casa, casar. E lojas especializadas em roupas de luto, joias (as poucas permitidas), mementos morris, chapéus, luvas, etc. 

burials and beyond

Jay's merece um posto só para ela, é uma referência no assunto.

E os tecidos também variavam, do bombazine e crepe pesados à seda fina e delicada. Parece-me claro que simbolizava a dureza da perda (lembre que a mulher dependia totalmente do seu homem - pai, irmão, marido, filho) até a volta à vida normal. Mas imagina que foi pega de surpresa, não tinha roupa de luto preparada e precisou TINGIR?

Tingimento era o assunto desse post, mas preto dá tanto pano pra manga, que virou um detalhe. Na Encyclopedia of practical receipts, aprendemos várias formas: 

Preto comum: Mergulhe os itens em um preparo de sumagre quente e deixe descansar de um dia para o outro. Torça e mergulhe em água de cal, e por fim uma solução de cobre. Daí os itens podem tanto ser lavados, ou trabalhado novamente em água com cal por 10 minutos; então trabalhe-os em um preparo quente de eucalipto (corymbia opca), adicionando lixívia de câmara e por fim cobre em solução. Depois lave e seque.

Preto profundo (Jet Black): Os itens são tingidos da mesma forma que o última receita; objetivo junto com eucalipto adicione tatajuba. Ao invés do cobre, use licor de ferro para um tom mais rico de preto. Ao menos uma mistura de  metade de cada um.

Preto azulado:  Tinja primeiro os itens em um bom tom de azul e então proceda como para o preto comum. E se o azul é muito profundo, então metade da quantidade de tingimento preto é suficiente.

Imagine-se em choque por uma morte inesperada e precisando consultar um manual para juntar ingredientes e tingir metros e metros e metros de tecido de um vestido. Ainda bem que haviam os criados, não é mesmo?

retrato de criada sentada descancando fruta - 19th century. pic de mutulart

Tentei achar um tweet bacana de Mrs. Finnegan, governanta de 1830 falando como o preto tingido descoloria miseravelmente, mas não consegui. Se achar, incluo depois. 

Menciono isso no 'O Conde Sovina', como era difícil manter roupas, lavar, guardar, etc.

Noivas de preto na Espanha e Alemanha

Vestido de noiva branco foi uma 'invenção' de Victoria na ocasião de seu casamento com Albert em 1840, antes disso a moça usava vestidos bonitos, mas nada tão específico. Muitas usavam o vestido da apresentação na corte, que era caro, elegante, rebuscado. Falo disso em dois livros da série CUPIDOS EM DEVON: uma noiva é simples e a outra é apressada, casamento forçado que mal deu tempo para fazer um bolo!

Mas aqui quero falar dos vestidos de noiva pretos!

vintag es


Preto é uma cor de elegância, classuda. Em alguns países como China, Espanha e Alemanha, preto nas noivas era tradição. Na Espanha se dizia que o negro significava a dedicação da mulher ao marido a partir do casamento.

vestido de casamento seda preta com bordados em renda - 1885, Rijkmuseum, Holanda


Em Baden-Wurttemberg, na Alemanha, a convenção ditava que todas as mulheres deveriam usar vestidos pretos para ir à igreja, mesmo em um dos dias mais memoráveis ​​de suas vidas. No entanto, puderam iluminar o vestido preto com acessórios brancos, como véu, luvas e buquê.

E havia o caso das viúvas que recasavam antes do final do luto. Ou por simpatia ao momento em que viviam.

the met

Este de seda, franjas de algodão e couro é da coleção do Met, veja: 'De acordo com a história da família, Amelia Jane Carley (1844-1892) usou este vestido em seu casamento com William Edward Chess (1842-1926) em 1868 na Virgínia Ocidental, as cores de meio luto escolhidas em homenagem aos que morreram durante a Guerra Civil. A noiva e o noivo tiveram a sorte de não ter perdido nenhum parente próximo durante a guerra, embora o irmão da Sra. Carley e o Sr. Chess tenham servido no Exército da União. Essa narrativa familiar sugere que a noiva escolheu tons de luto em resposta às perdas generalizadas sofridas durante a guerra, em vez de homenagear um indivíduo. Uma paleta suave de cinza e preto pode ter parecido mais respeitosa do que um vestido de noiva mais vistoso, enquanto tantas famílias ainda sofriam. 

Manuais de etiqueta e revistas femininas frequentemente ofereciam orientação para noivas cujos casamentos cruzavam com um período de luto, embora a escolha do vestido em tais circunstâncias muitas vezes refletisse o julgamento pessoal de uma mulher, em vez de conselhos prescritivos.'


bolo de noiva negro, que tal?

Tudo tão bacana e interessante...

Dava para ficar falando disso forever!

lisa's history room

Para encerrar, um must dos musts é esse figurino coisa-linda-de-morrer-vou-copiar do filme 'Bonequinha de luxo' de 1961. Obra magnífica de Givenchy (para Holly) e Edith Head (supervisora geral).



e...
 meu novo livro da SÉRIE CUPIDOS EM DEVON, o volume 3
'DILEMAS EM LEILÃO' já está disponível em ebook! 
Aproveite do  guapíssimo Kin!

Não foi à toa que enrolei tanto para postar esta cor!
Até a próxima!
M.

Mais estudos dos antigamentes apaixonantes aqui.

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e meus arquivos pessoais.

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Amarelo, inspiração no século 19

Olá!
Existe um ditado assim: 'O que seria do mau gosto se não fosse o amarelo?' 
Já ouviu? Sempre me faz rir, que petulância desqualificar a cor do sol, da riqueza, da alegria!


AMARELO

Manuais Vitorianos dizem que 'amarelo é a cor mais próxima da luz e mais brilhante, sozinha ou em combinação com outras cores. Via de regra, amarelo vivo deve ser pouco usado em um vestido; dê preferência aos tons ouro, primrose, maize. É especialmente belo em trajes de primavera e início da verão.
Amarelo simboliza inveja e outras paixões malignas, mas o efeito na mente é de alegria, luminosidade, agradabilidade. A cor também é usada para expressar a riqueza outonal e a própria estação em suas matizes de marrons.'
INVEJA!
tinha até me esquecido disso!...


Na cromoterapia, amarelo significa felicidade na vida, está ligado à maneira como nos relacionamos com outras pessoas e é conhecido por ter efeitos positivos sobre os músculos, fortalecendo-os. E cromoterapia vem sendo estudada desde o ano de 1025!
Segundo a milenar medicina ayurvédica, amarelo está ligado ao chacra do plexo solar, cuida de órgãos internos como fígado, estômago e intestinos. Também reduz dor muscular e inflamações.
Mas tem gente que detesta roupa amarela...
E no réveillon, a calcinha amarela traz riqueza para o ano novo, né?
Corset amarelo será que conta também?...
Amarelo é cor da moda desde sempre, possivelmente desde a Idade do Ferro (500-322 aC). Tem tantas fontes quanto o vermelho e azul como já falei, muitas naturais e fáceis como cebola, açafrão, romã. Dois corantes amarelos brilhantes tiveram grande importância comercial na Europa do século 18, ambos com origem no Novo mundo - as Américas: quercitrônio da casca interna do carvalho preto oriental (Quercus velutina), e fústico da amoreira do tintureiro (Maclura tinctoria ). Depois, corantes sintéticos foram descobertos e produzidos em larga escala, como já mencionei em outro post de cores - a anilina amarela começou a ser comercializada em 1864, por exemplo - mas ainda os naturais tinha grande peso. Até hoje é fácil encontrar receitas de passo a passo para tingir em casa usando produtos natureba.

Falando dos antigamentes, na moda rococó do século 18, a popularidade das roupas amarelas estavam intimamente ligadas à influência da China em muitas áreas da vida e da cultura. Lá a cor era ligada à felicidade, glória e sabedoria; também à quinta direção 'o meio'. Sob a influência da corte francesa, os trajes amarelos também eram uma manifestação do estilo de vida porque era então associada ao otimismo e aos prazeres terrenos, chama atenção e por isso é usada para diversão. Ou seria o inverso? 
Da influência da China também veio o tecido 'Nankeen' de algodão simples, amarelado e muito durável. Calças (breeches) de gentlemen eram feitas de nankeen que de tão popular ganhou genéricos: tecido de algodão comum tingido de amarelinho.

Portrait of the Marquise D'Aguirandes, 1759. FH Drouais. Cleveland museum of art 

Durante a Era Vitoriana no século 19, o amarelo era muito popular pela luminosidade. Nas tonalidades variavam principalmente dos tons manteiga, amarelo limão, mostarda, ouro era usado em vestidos diurnos, de noite e trajes para a beira-mar. Revistas de moda e especialistas em cores da época recomendavam restringir o amarelo claro e brilhante à primavera e verão. No entanto, tons de amarelo podiam ser vistos em roupas da moda durante todo o ano, geralmente na forma de luvas, leque decorativo, um guarda-sol com babados ou um chapéu impressionante.
O manual Vitoriano 'Color in dress' dita as seguintes possíveis harmonias:
- amarelo com vermelho e preto
- amarelo com escarlate e azul 
- amarelo com escarlate e roxo
- amarelo com escarlate, azul e preto
- amarelo com escarlate, branco e preto
- amarelo com escarlate, verde e azul
- amarelo com escarlate, azul e marrom
- amarelo com roxo/violeta/lilás
- amarelo com azul - mas é uma combinação fria
- amarelo com castanho, marrom ou chocolate
- amarelo com vermelho
- amarelo com escarlate
- amarelo com branco - mas é uma combinação pobre
- amarelo com preto
- amarelo com verde
the attic Jezebel

Historical Sewing me contou que: 
'as ilustrações de moda do século 19 eram pintadas à mão 
pelas leitoras das revistas em suas casas e 
cada uma escolhia as cores que ela gostava. 
É por isso que você verá o mesmo modelo apresentado em cores diferentes.' 
Eu não sabia disso!!



Corantes amarelos
Corantes minerais
Corantes minerais são encontrados na superfície da terra e em minas, para amarelo é a limonita. As rochas são pulverizadas para serem usadas dissolvidas em água ou óleo. Por serem de natureza inorgânica e não degradarem ao longo do tempo, como corantes de plantas ou animais, têm vida longa se forem protegidos.


Corantes vegetais
Corantes vegetais são feitos de folhas, cascas ou raízes de árvores e plantas. Eles eram os mais usados na antiguidade, pois eram os mais fáceis de encontrar e desenvolver. Os corantes mais comuns eram feitos de açafrão. O amarelo é talvez um dos corantes mais fáceis de obter naturalmente de uma variedade de fontes, incluindo casca de cebola, atum, chá frio, ruibarbo, erva-de-São-Marcos (tanaceto, atanásia, Palminha), camomila tintureira e de tintureira verde.
Os principais corantes para tingir de amarelo são a casca de árvores, o fústico (mais permanente) e o quercitrônio (que dá as tonalidades mais bonitas), mas sempre precisam de mordentes. O pano, portanto, antes de ser tingido de amarelo, deve ser imerso em alumina, óxido de estanho, tártaro, sulfato de cal e até mesmo sulfato de ferro. 


On line, hoje em dia conseguimos receitas para tingir em casa os mais diferentes tipos de tecido: lã, seda, algodão e linho. Como as técnicas são simples, são bastante parecidas com as do século 19. Para extrair o corante amarelo das plantas, elas devem ser picadas e colocadas de molho por 24 horas, depois fervidas. Só então as roupas devem ser mergulhadas por várias horas na solução resultante.


Algumas técnicas que consigo ver as criadas fazendo, lá na propriedade do Duque, do Conde e tal:

Açafrão
O açafrão é um gênero da família da íris. A maioria floresce como prenúncio da primavera durante os meses finais do inverno. 
O açafrão amarelo, que é abundante, produz um banho de corante quando as pétalas são fervidas com água.

Alfafa, sementes 
A alfafa, parecida com trevo, é uma leguminosa com um sistema radicular profundo.
As sementes podem ser colhidas fazer criar um banho de corante amarelo quando fervidas em água.


Bardana
As plantas têm folhas verde-escuras que são lanosas por baixo. As rebarbas de sementes dessas plantas capturam a pele de animais e roupas humanas; foi ela que inspirou a criação do velcro!
Essas mesmas rebarbas quando fervidas com água tornam-se um banho de corante amarelo.

Bérberis, casca
Bérberis tem folhagem muitas vezes vermelha escura, mas estão disponíveis variedades de folhas verde-limão. O arbusto tem espinhos que devem ser manuseados com cuidado.
Para obter um corante amarelo, adicione a casca de bérberis em um banho de água fervente.

Cebola
A cebola amarela é saborosa e usada na alimentação de muitas culturas. As cascas são de um amarelo dourado e, quando fervidas em quantidade com água e inseridas em alúmen, produzem um corante amarelo a laranja escuro.

Erva-de-São-Marcos
Erva-de-São-Marcos é uma planta herbácea perene da família aster, conhecido como botões amargos, vaca amarga, artemísia ou botões dourados. Tornou-se uma erva invasora em muitas áreas.
As flores produzirão um banho de corante amarelo quando combinadas com água fervente.

Girassol
O girassol é assim nomeado por sua capacidade de acompanhar o sol no decorrer de um dia. 
Para criar um banho de corante amarelo, use toda a cabeça da flor enquanto estiver fresca. Misture com água fervente para extrair o corante. Não espere até as sementes de girassol secarem.

Louro, folhas 
 O loureiro era muito importante em muitas mitologias antigas que glorificam a árvore como um símbolo de honra. As folhas de louro são usadas frescas ou secas na culinária por seu sabor e fragrância distintos. 
As mesmas folhas podem ser usadas para produzir um banho de corante amarelo com água fervente.

Narciso
Narciso é um bulbo de flores da primavera na família Amaryllis. A tradicional flor de narciso do folclore, da poesia e do campo é amarela a amarela dourada. 
Para produzir um corante amarelo, use as cabeças das flores depois que elas secarem com um mordente de alume em água fervente.

Nogueira, folhas 
As flores de nogueira são pequenos amentilhos verde-amarelo produzidos na primavera. A fruta é uma noz oval envolvida em uma casca de quatro válvulas, que se abre na maturidade.
As folhas produzem um espetáculo amarelo brilhante no outono e, se cozidas em grande quantidade com água salgada, produzem um corante amarelo brilhante.

Pessegueiro, folhas 
Enquanto o fruto do pessegueiro costuma ser o prêmio, são as folhas que produzem um banho de corante amarelo quando fervidas na água.

Salsão
O aipo/salsão é amplamente cultivada para saborear sopas, ensopados e comer crus. As folhas de aipo faziam parte das guirlandas encontradas no túmulo do faraó Tutancâmon (morto em 1323 aC).
Essas mesmas folhas de aipo podem ser fervidas com água para criar um banho de corante amarelo.

Uma rápida pesquisa e você encontrará várias outras fontes e receitas para tingir, como essa mandala bacana aqui. 
E muitas fontes históricas comprovando a popularidade do tom. 
Ainda mais, grande surpresa para mim, foi receber a capa do meu novo livro da SÉRIE CUPIDOS EM DEVON, o volume 3 'DILEMAS EM LEILÃO'. Tão bela capa com o guapíssimo Kin em mangas de camisa admirando um céu... amarelo!

Não foi à toa que enrolei tanto para postar esta cor!
Até a próxima!
M.

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