& Moira Bianchi: lançamento livro
Mostrando postagens com marcador lançamento livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lançamento livro. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Empreendedorismo feminino no século XIX

Olá,
hoje é o dia, *lançamento* de 
'ECLIPSE DO CORAÇÃO'

e o cuore, você pergunta?
Ih, a mil!
Image result for lady hamilton
historik uk
Essa é Lady Hamilton, não é a jovem Pauline Hopkin que você conhecerá em seus 30+ em 'Eclipse do coração',
mas para mim ela personaliza a beleza clássica da
pobre-menina-bonita-demais-para-seu-próprio-bem no início do século XIX.
Entenderá quando ler. Um dia blogo sobre Emma Hamilton, ela merece.
Estou convivendo com os Hopkin-Devon há mais de um ano, toda hora invento, salvo, refaço intrigas e roubadas para eles. Agora mesmo estou levando a trupe para além-mar em uma tramoia larger than life para a qual estou me preparando faz tempo... Quem me espiona no Twitter sabe das agruras.
twitter
Mas calma com o andor!
Estamos aqui no livro 1, 'ECLIPSE DO CORAÇÃO' e por enquanto, tudo são flores na Inglaterra. 
Bem, quase tudo. 
BTW, sim, a série está bem adiantada, toda alinhavada, plotted, livros farão todo sentido. Prometo.


Então, CADA LIVRO DA SÉRIE, focará em 3 pontos básicos:
1- a influência desses CUPIDOS na família Devon e seus agregados (e são muitos);
2- um (ao menos) romance principal;
3- evoluções e ambientações históricas do período.

Sempre muito delicadamente, a narrativa conduz o romance dos protagonistas em um delicioso boy-meets-girl ou girl-meets-boy ou ainda, girl-has-to-marry-boy. Tem muita treta vindo aí. 
Escolhi o período da primeira metade do reino de Victoria porque acho muito fascinante como as instituições evoluíram rapidamente. Depois de séculos no mimimi de sucessão por ideologias religiosas, o casamento maritalmente feliz de Victoria e Albert e a paz no continente pós Guerras Napoleônicas trouxeram ambiente favorável para a avalanche de modernidades da revolução industrial.
Image result for victoria and albert family portrait
amazon
E neste cenários, temos
Os Hopkins são classe média, herdeiros de pequena propriedade, precisam trabalhar.
Os Devons são ricos, herdeiros de vastas propriedades rurais e investimentos altos.
Quando as duas famílias se juntam, abrem um leque de grandes possibilidades, pois, de mentes abertas, cosmopolitas, pretendem expandir negócios visando atender a nova Inglaterra que se auto-constrói.


E tem tanta coisa...

Logo de início encontramos a protagonista, Pauline Hopkin, solteira acima de seus 35 anos de vida, o que para a sociedade era perdição total. Hoje já é um poço de chateação, imagina em 1835 quando se passa 'Eclipse do Coração'...  E ela guarda muitos segredos em sua serenidade, é como um mar calmo escondendo um maremoto que um cavalheiro garboso vem singrar com seu veleiro... Coitadinho, mira no que vê, acerta em algo muito maior do que poderia lidar... 
Image result for Portrait  1853
pinterest
Mas ela, Pauline, tem um grande accomplishment na vida: uma profissão digna. Sim, isso é uma licença poética para mulheres no início do século XIX, explicamos isso no livro - há um trechinho fofo de 'Moira de anáguas' - mas me conhecem, como conseguiria engolir o lugar submisso da mulher sem tentar imaginar quem lutava e conseguia sucesso naqueles tempos? 


Haveria de haver, né?
E havia!

Pauline conduzia o negócio de exclusivos leilões de arte de seu irmão Wellesley Hopkin, Kin para os íntimos. 



Mas na realidade houve a Eleonor Coade (1733-1821) que tinha uma fábrica de estátuas e bustos para jardim, foi nela que me inspirei. 


'Revolucionária na indústria da Arquitetura'
'Coisa muito rara, tanto uma artista quanto uma mulher industrial bem-sucedida'

Coadestone 1
culture concept
Não só ela tocou seu negócio, como desenvolveu processos e produtos, criou demanda e mercado. Mulherão virada no jirayia!
Lion Better
culture concept
leão de Westminster bridge feito de Coadstone perfeito e lindo e majestoso até hoje
Leia sobre ela aqui. Mas Pauline não é Eleanor, ela foi a inspiração porque eu acredito que o que nós, mulheres, somos hoje uma evolução do que elas construíram. 
Na Rússia, década de 1810, cerca de 15% das fábricas de papel, tecidos, utensílios de metal, vidro e refinarias eram de propriedade feminina. fonte
Com a expansão do mercado têxtil, nas fábricas o trabalho feminino era cada vez mais requisitado (infantil também, infelizmente) como vimos em North&South, e dentre as trabalhadoras haviam as líderes sindicais (proto) e as chefes.
As escritoras e poetisas que fizeram carreira assinando seus nomes depois de Austen (que por muito tempo usou 'a lady') como as Bronte, Shelley, etc.
Image result for Portrait of Victoria & Albert - 1853
1st art gallery
O papel feminino mudava tanto no dia-a-dia Vitoriano quanto o social, eram tempos difíceis, havia fome e pobreza, necessidade de procurar emprego e bons serviços à disposição não só de homens. Da mulher cuidadora do lar e filhos para a auxiliar na manutenção do básico para sobrevivência, lutadora. Era um recambiamento familiar que por vezes, tornava-se conflitante. Na série, como tenho pessoas de todo tipo e origem, veremos amostras de como essas revoluções afetavam ricos e pobres. Por vezes eram evoluções e por vezes, involuções.
Andamos para frente e para trás no mundo, é um círculo vicioso.
Nas palavras de Lucy Stone, famosa feminista e abolicionista do século XIX (olha o spoiler de para onde estou levando os Devon...):


'Eu era uma mulher antes de ser abolicionista. 
Eu devo falar pelas mulheres.'

Lucy Stone, 1860s
thought co.
Assim falo quando começo a série de Romances HISTÓRICOS (ou seriam ROMANCES históricos ?) com certa ênfase no papel da mulher relativamente independente. Pauline tem vida própria, não depende do irmão solteiro como Jane e Cassandra Austen dependeram décadas antes uma vez que ficaram órfãs, mas aos olhos da sociedade, Srta. Pauline Hopkin é somente uma solteirona. Linda, educada, casta. Nada mais. Uma coisa digna de admiração e pena.
Ainda de Lucy Stone, que mesmo depois de casada, manteve seu sobrenome de solteira:


'Eu não sei o que você acredita de Deus, mas eu acredito que Ele deu anseios a serem preenchidos, e que Ele não quis dizer que todo o nosso tempo deveria ser dedicado a alimentar e vestir o corpo.'

Ao abrir o livro 2, as escolhas de Pauline ainda são questionadas por parentes - e muito. E um personagem principal muito calmamente diz: 'Como sabe que ela não quis seguir novos caminhos na vida?'

Bem, deixemos que ela fale por si mesma, certo?


 

Leia mais sobre a série aqui
e sobre o nome Devon aqui.
bj



aviso: todas as imagens achadas no google sob procura: 'victorian lady' e 'victorian painting'

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Lançamento livro ‘Desde a primeira vez’ no Encontro Bezz & Leque Rosa

Olá! Já é HOJE o 2º Encontro de leitores e blogueiros da Bezz e Leque Rosa na Livraria Cultura da rua Senador Dantas na Cinelândia!
Além do lançamento em livro físico do ‘Desde a Primeira vez’ falaremos do ‘Querida Jane Austen’ e NOVIDADES!!!!




Junta azamigas e vai lá me ver! 
Bj

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Desde a primeira vez

Há convites de amigas queridas que são tão adoráveis e fofos e doces que a gente diz sim antes de ouvir a proposta até o final, não é mesmo? 
Tipo: Vamos comer uma sobremesa de chocolate bem engordiet?
ou 
Vamos tomar uns drinks daqueles bem bacanões?
ou
Vamos escrever um livro em conjunto só falando de segunda chance?
Minha resposta? Sim para todas as alternativas acima!



A fera Vânia Nunes juntou as gatas feras Betinha Bezerra e Bárbara Biazioli comigo nesse projeto tão feliz de romances light bem açucarados e deliciosos e delicados cujo tema central era 'segunda chance'. Bem, para quem já esteve aqui, não é novidade como esse tem me encanta - The Prince of Pemberley fala muito de leaps of faith.
Não combinamos nada, foi tudo às escuras e... tantas coincidências nos contos! Realmente, escrito nas estrelas!

Aqui eu achei o tema muito interessante porque nunca tinha escrito nada que o casal já saísse do coração partido - pelo menos na minha cabeça... Assim nasceram Tom e Cota, dois adoráveis profissionais da área da saúde - ele médico endocrinologista e ela musicoterapeuta - que trabalham no mesmo lugar e apesar de ouvirem falar um do outro, precisam de um temporal de verão para se conhecerem. Daí, se apaixonam e fazem pactos que são quebrados e precisam de mais duas chuvas de verão para conseguir fazer o final feliz ser uma possibilidade real.

Sabe o que me acompanhou? Essa pérola do Skank.
amo!

Tenho que dizer que é um luxo participar de mais esse projeto gracinha, levo muita fé nesse ano... Aguarde!...



Olhe a sinopse oficial da Editora Bezz - com quem já tive a grata experiência de fazer 'Querida Jane Austen, uma homenagem'.

Pela primeira vez, a Editora Bezz reúne três autoras bestseller Amazon e encanta com histórias de fazer suspirar…
A Segunda Chance sempre é mais doce.

>> E agora, Sr. Alz?, de Elizabeth Bezerra
A música sempre esteve presente na vida de Elisa e ter suas canções entoadas por uma multidão era o seu objetivo. Isso fez com que ela tomasse por garantido o amor dos que a cercavam: o seu pai, sua avó e Jack, e partisse, com planos de nunca mais voltar. 
Quando oito anos depois, ela se vê obrigada a voltar à pequena cidade de Hope para cuidar de sua avó doente, sem a fama, sem o pai e sem o único homem que já amou, Elisa se depara com uma verdade que esteve diante de seus olhos todo esse tempo: há música nos pequenos gestos de amor.

>> Bentô Emocional, de Moira Bianchi
Acaso ou controle? Equilíbio na bagunça ou organização como numa marmita bentô? Coincidência ou sincronicidade?
Durante uma chuva de verão no Rio de Janeiro, Tom, médico, se apaixonou à luz de velas; Cota, musicoterapeuta, deixou-se encantar pela ideia de moldar-se a um homem tão diferente daqueles com quem costumava sair.
Porém, amar nem sempre é simples, pactos nem sempre são mantidos, alguns espaços vazios levam tempo a serem preenchidos. Impulsionada por uma desilusão amorosa, Cota cria um aplicativo de celular para unir pessoas através da música, mas é a chuva de verão que encaixa Tom na sua vida de novo.

>> Esculpida em seu Coração, de Barbara Biazioli
Kate tinha o plano perfeito para o futuro. Para Michael, qualquer coisa ao seu lado seria maravilhoso. Diferente dela, ele não se imaginava num banco de aula da faculdade nos próximos anos. Sua arte o chamava e Kate era especial o suficiente para aceitá-lo como era.
No entanto, dias antes de seu plano tornar-se realidade, Kate sente a decepção corroer-lhe a alma e não dá chance a Michael de se explicar.
Dez anos depois, Paris é o palco de seu reencontro. Sem terem como se evitar por questões de trabalho, eles terão de superar o mal-entendido. Mas como deter tamanho sentimento, esculpido para durar para sempre?


Gostou?
Amou?
Lê aqui, ó!



Teremos evento no Rio já que a Bienal será em SP esse ano, piadas, brindes, fofocas, segredos, beijos, abraços.
Já, já aviso tudinho!

bj

OPINIÕES? Yes, nós temos!

Nesse conto conhecemos a história de Cota e Tom, Cota é uma musica terapeuta e Tom um endocrinologista que trabalham numa clínica de repouso para idosos no Rio de Janeiro, e é através de uma chuva de verão que começa a história desses dois, porém percebemos com o decorrer da história que Tom a ama de verdade, mas é de um jeito diferente, e Cota se vê insegura com o amor de Tom...  leia tudo aqui no Tá lendo?

bjbj


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Eu No Mundo dos livros

Olá!
Ontem coloquei em dia minhas pendências com as parceiras queridas e hoje a fofa Carolaine do No Mundo dos Livros já postou a EntrevINSTA lindinha... Olha só:

Qual dos livros que voce já leu mais te encantou?? 
Mmmm... Com certeza, o maior impacto veio de ‘Orgulho e Preconceito’ de Jane Austen porque com depois dele senti aquela vontade de quero mais tão forte que descobri o mundo das fanfics. Me apaixonei tanto que passei a produzir adaptações e romances inspirados. Mas o primeiro foi ‘A ladeira da saudade’ de Ganymédes José.

Qual seu autor e sua autora favoritos? 
Austen, sempre! Mas leio de tudo. Agatha Christie, Clarice Lispector, ando vidrada nos romances históricos por uns projetos novos- calada!

De onde surge motivação para escrever seus livros? E como surgem suas ideias para formação da história?? 
Vêm de todo lugar e de nenhum ao mesmo tempo... As Princesas Possíveis por exemplo nasceram das pérolas que achei na praia e no metrô, sabia que tinha que contar aquela estória... Mas demorou para vir. Quando me veio, Rafí era a própria Cinderela e tinha amigas... Daí aos contos de fadas foi um pulo. Então, acho que essas estórias por exemplo vieram de um dia na praia!

Quando você percebeu seu dom para escrever?? 
Aos poucos... Fiquei meio constrangida a princípio, mas quando reli o que escrevi gostei. Mostrei para uma amiga esperando que ela dissesse que ‘falta isso’ ou ‘explica aquilo’, mas ela perguntou ‘tem mais?’ Descobri que escrever me dava tanto prazer quanto ler o que outros escreviam então assumi escrever o que gosto de ler.

Muitas outras pessoas têm vontade de escrever um livro, mas tem receio de mostrar o que escreve, você já teve esse medo? Se sim como conseguiu supera-lo?? 
Tive muito receio, escrevia de madrugada quando não conseguia dormir. Com o tempo, passei a não dormir para poder escrever sozinha na sala, no escuro, no celular! Como disse, gostei do que li na manhã seguinte. Aos pouquinhos fui ficando confiante... Mas só contei ao meu marido quando já tinha uns 5 capítulos prontos do meu primeiro livro, Friendship of a special kind.

Quais conselhos você dá para quem sonha em ser escritora?? 
Tenta! Escreve até gostar do que você lê.

O que te inspirou a escrever as Princesas Possíveis ?? E qual seus personagens preferidos?? 
Já falei como comecei a escrever o primeiro livro – que é o segundo da série ‘Noiva em  pérolas’ inspirado em Cinderela. Rafí, a personagem principal, conversa com a irmã Melissa e a amiga Bianca, reclama do atraso da amiga Cecília, pede conselhos à amiga Ariela... Eram muitas outras personagens que ‘pediam’ para contar suas próprias versões então eu me dei o desafio de escrever uma série. Não sabia se ia conseguir... Só contei para as pessoas quando tive certeza que estava bacana, que eram 6 estórias diferentes e coesas, que se integravam e não se repetiam e sabe de uma coisa? Amei a experiência! Estou até pensando em repetir a dose! ;) 
Personagem preferido? Nem sob tortura eu digo!

Alguma vez você aprendeu algo com uma crítica? Se aprendeu, isso mudou seu jeito de escrever?? 
Aprendo sempre, até com as positivas. Porque não digo, mas sempre tenho uma quedinha por um personagem ou outro; daí alguém vem me dizer que a-m-o-u outro personagem meu por isso ou por aquilo e eu me reavalio. Acho que faz parte, me corrijo, procuro melhorar, me explico e aprimoro. Mas nem sempre é fácil Dói às vez.

Qual foi a maior dificuldade que você teve para publicar seu primeiro livro? E qual a sensação de vê-los nas livrarias?? 
Sou indie, então nas livrarias formais vou agora com a Antologia ‘Querida Jane Austen, uma homenagem’ da Leque Rosa – Editora Bezz que celebra os Bicentenário de falecimento da diva. Te falo em Agosto! ;) Cite uma frase que te define? Nada na vida é tão bom que não possa ser aprimorado.

Pra finalizar deixe um recado pros leitores, em especial pros seus leitores: 
Uma das coisas mais legais de escrever é receber feedback. Adoro quando alguém me acha no Facebook ou Twitter ou Insta para dizer: ‘Li seu livro!’ Se puder, faça isso também. As Princesas Possíveis estão aí, um novo conto de fadas moderno e pé-no-chão a cada 2 meses – são 6 motivos para falar comigo...

Não é muita lindeza?...

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Projetos para 2017


Na torcida por um ano melhor que esse 2016 tão turbulento quanto produtivo, 
tenho vários novos projetos para 2017. 
Anos ímpares são ótimos, né non?



romance OFF Austen
CARNAVAL 2017

levemente inspirado em 'Orgulho e Preconceito' e muito inspirado em 'The Prince of Pemberley'
AQUI

romances para todos os gostos! AQUI




Pride and Prejudice inspired love stories

an OFF Austen furry romance
HERE





segunda-feira, 20 de junho de 2016

Preconceito, orgulho e CAFÉ - Capítulo 3

olá,
Feliz segundona!
Eu sei, segunda é sempre um sofrimento... Mas olha só: é justo em uma segunda-feira que o que tem que dar certo, dá para Mau e Toni no terceiro capítulo de 



DISPONÍVEL EBOOK E BROCHURA

Charme, café, flerte... ah, que delícia para essa segundona gelada!
Leia!

Vá na página do livro para mais detalhes.


Preconceito, Orgulho & CAFÉ
favim

Livremente inspirado em O&P, fluff, comédia romântica, 18+
Capítulo 3 na íntegra


Havia sido mais uma tarde cansativa em uma audiência estressante com juiz iniciante que provavelmente estava na comarca da capital por ter pai desembargador, ou Ministro da Justiça, ou costas quentes de outra natureza qualquer, pensou desdenhando. Mais um pouco Maurício poderia ter ensinado ao rapazinho como interpretar a lei e sugerir o veredito. Havia feito algo similar, apesar das reclamações da advogada da outra parte que até era esforçada mas sem pulso, coitada da moça. Ainda assim foi estressante e com certeza teria recurso, o que não era de todo mal já que manteria a causa no escritório e o cliente era ótimo. Nesses tempos de escritório novo quando o custo da obra ainda pesava no orçamento dos três sócios, manter bons clientes era primordial.

A tarde de verão quente e estressante pedia uma cerveja, mas ainda eram três e meia de Quinta-feira. Um café então, um pingado para desespero do barista. Era o café que seu pai tomava, também ele homem de estômago fraco, mas agora o pingado trazia o gostinho picante de esfuziantes olhos castanhos claros e a frustração desconsolada do barista.

Na portaria de seu prédio comercial novo e imponente preferiu a grandiosa escada de ferro fundido e subiu mantendo a coluna ereta, carregando o corpo esguio talvez magro demais; vinha faltando aos treinos de remo por causa do trabalho, comendo mal por causa do estômago ruim. Nas férias da irmã iria para Minas por pelo menos quinze dias, pensou chegando ao Café do Pátio com a luz da tarde vindo do teto de vidro filtrada pelas árvores plantadas em enormes vasos, sua tia iria lhe entupir de comida caseira e ele ganharia de volta os quilinhos que faziam falta.

No balcão pediu o pingado, um pão de queijo e olhou em volta indicando a mesa do canto, mas viu feliz que a gata de olhos âmbar estava rindo com a dona do café e o barista esnobe.

Gostaria de sentar com ela, Toni, mas se encaminhou para a mesa do canto como de costume. Foi por sorte que seus acompanhantes levantaram e cumprimentaram Maurício, já um cliente contumaz, chamando a atenção da gata que sorriu. Parou para retribuir o cumprimento rapidamente e como seu pedido chegou, ela recolheu seus papéis fazendo-o prender os lábios em um sorriso. ‘Obrigado.’

‘Pingado, né?’

‘Isso.’ Ele sorriu. ‘Do seu jeito, adotei para sentir primeiro o impacto da cafeína. Acho que meu estômago fica ainda mais indignado porque espera o ataque que não vem, mas mesmo assim, passei a tomar do seu jeito.’

Ela balançou a cabeça prendendo os lábios brilhosos em um sorriso. ‘Café é uma arte e tal, já ouviu?’

Ele balançou a cabeça olhando para ela, a xícara perto do nariz.

‘Tudo balela.’ Franziu o nariz e sacudiu a cabeça. ‘Café é vicio, é sangue correndo nas veias, é... Rotina daquela que faz bem, reconfortante, sabe? Quem não tem coragem de assumir pede uma baboseira como macchiatto, mocha, besteirol. Ou descafeinado.’ Explicou com paixão. ‘Como um fumante finge que se contém com cigarro eletrônico. Mas quando se reconhece o vício, bebe-se shot. Espresso curto, quente, cremoso.’

Ele piscou mesmerizado. ‘Seu caso?’

‘Sim. Forte, preto, sem açúcar.’ Fechou os olhos bem maquiados como se sentisse o perfume do café que descrevia. ‘Se estiver de muito bom humor ou muito mau humor aceito um aromatizado. Amêndoa ou cacau.’ Ela piscou o observando e pela primeira vez considerou que ele tinha cara de fígado acebolado com batata frita. Muita cebola - talvez para disfarçar o gosto. ‘Almoçou hoje ou não deu tempo?’

‘Rapidamente antes de ir ao Fórum.’ Respondeu achando graça da pergunta e provou da mistura de café, espuma de leite e açúcar. Ainda precisava do segundo saquinho de açúcar.

‘Pão de queijo... Um só.’ Apertou os expressivos olhos e balançou a cabeça devagar o analisando. ‘Pingado.’ Prendeu os lábios por um momento. ‘Minas?’

Ele levantou as sobrancelhas.

‘Mineiros são tradicionalistas...’ Ponderou em voz alta. ‘Gosta do passado devagarinho no coador de pano, bem preto, mas longo... Caneca, xícara é pouco. Acertei?’ Apontou o dedo indicador bem manicurado.

‘Na mosca!’

Sorriu satisfeita, convencida.

Linda, gata de lábios brilhantes em rosa avermelhado da cor das unhas.

‘Gosto, mas fui estragada por cursos de barista e aí viciei na exuberância da pressão.’ Deu de ombros e ele acompanhou o movimento da pele que o vestido navy de corpo acinturado e saia listrada de branco deixava aparecer.

‘Luís Maurício Noronha.’

‘Maria Antonia Marisguia.’ Sorriu.

‘Prazer!’ Ele ofereceu a mão para ela apertar achando o apelido (que ela não mencionou e que portanto ele não usaria porque tinha ouvido dos empregados do café) divertido.

‘Encantada!’ Respondeu gaiata debochando dos modos antiquados.

O telefone tocou e ela suspirou.

‘Problemas?’ Ele perguntou entre bicadas no café quente.

‘Talvez, é minha chefe.’ Ela apontou para o aparelho, mas não atendeu. Ele levantou as sobrancelhas abocanhando metade do grande pão de queijo. ‘Vai reclamar que não estou na minha sala e dando muita atenção a cliente. Se não dou o suficiente, ela reclama também. Vai entender...’ Deu de ombros novamente.

‘Vai ter que voltar correndo?’ Perguntou quando engoliu. ‘É longe?’

‘Assembleia, 11.’

Ele balançou a cabeça. Torre de escritórios tradicional em frente ao Fórum, edifício renomado no padrão do Nether Field onde estavam.

‘Tenho que voltar, mas vou devagar. Saltos.’ Indicou os pés dentro de sapatos alinhados de salto fino altíssimo e apoiou o peso nos braços cruzados sobre a mesa.

‘Precisa de escolta?’

‘Acabou de vir do Fórum!’ Ela riu. ‘Parece que sempre tem um herói de plantão aqui nesse prédio.’

‘Está falando do cara que te salvou durante a obra?’

Arregalou os olhos cor de mel e inclinou o rosto para o lado.

‘Seu herói é meu sócio.’ Ele disse engolindo a segunda metade do pão de queijo.

 ‘Não precisava de ajuda, na verdade ele me ajudou a torcer o tornozelo.’ Ela corou e prendeu os lábios.

Maurício segurou o riso e o sorriso. ‘Ele adorou a baboseira de café que lhe serviu semana passada.’

‘Que alívio!’ Ela debochou e ele finalmente riu. ‘Não conta do que te falei ainda agora!’

‘Da baboseira de café ou do tornozelo?’ Ele sacudiu a cabeça negativamente tentando manter o rosto sóbrio. ‘Se fosse minha cliente, não poderia expor seus esquemas por confidencialidade.’

‘Advogado, certo?’

‘Fórum.’ Ele levantou as sobrancelhas.

‘Poderia ser perito de qualquer natureza.’ Ela argumentou levantando uma sobrancelha desenhada. ‘Tabelião. Réu.’

‘Verdade.’ Se deu por vencido. ‘Advogado.’ Tirou a carteira do bolso e lhe estendeu um cartão de visitas.

Ela se inclinou para trás recostando as costas na cadeira. ‘Também.’ Disse distraída em analisar o cartão dele.

‘Verdade?’

Reciprocou o cartão de visitas tirando da carteira de grife caríssima ao lado de seu telefone. ‘Nunca advoguei. Dei minha carteira da Ordem para meu pai de presente, com laço e tudo.’ Ele riu. ‘Mas não preciso de confidencialidade por que não é um esquema.’ Colocou o cartão antiquado entre os cartões de crédito e fechou o zíper vermelho da carteira. ‘Não quero confundir ou enganar seu sócio. Só acho que ele faz muito esforço de graça.’

‘Nenhum apelo para você?’ Ele perguntou a olhando de lado.

Sacudiu a cabeça com pena e novamente se apoiou nos braços sobre a mesa.

‘Melhor não falar mesmo. Rejeição de uma mulher bonita assim é emasculante.’

Ela riu com gosto e o telefone tocou de novo. ‘Lá vou eu...’ Suspirou e juntou seus papeis colocando a carteira por cima.

‘Não, espera.’ Ele levantou a mão e chamou a garçonete. Quando a moça chegou perto, reclamou do café e pediu um formulário para fazê-lo por escrito. A moça tirou do bolso do avental decorado, ele escreveu meia dúzia de palavras com a arrogante caneta tinteiro importada mal rabiscando três linhas da reclamação. A moça pegou e afastou-se. ‘Pronto! Agora tem que ficar para atender a outro cliente.’

Ela grunhiu e ele riu baixinho. ‘Agora terei uma burocracia danada para resolver. Aqui.’ Estendeu um formulário. ‘Vai começando para me poupar tempo.’

Correu os olhos pelo formulário, frente e verso. ‘Tudo isso?’

Deu de ombros. ‘Chefe chata mesmo! Adora burocracia, é cria dos anos de ferro. Sabe? Ainda vê a necessidade de auxiliar para o vice-carimbador.’ Suspirou com tristeza. ‘Somos praticamente uma repartição pública!’

Ele riu encantado.

O telefone dela tremeu e apareceu a foto de um livro. Quase pornográfica, a foto mostrava um dorso de homem nu com braços femininos entrelaçando por trás e mergulhando no cós rebaixado da calça jeans. ‘Minha companhia para o final de semana.’ Ela comentou quando viu que os olhos dele também tinham ido para o telefone dela.

‘O homem da foto?’

‘Seria bom...’ Antonia disse com pena de si mesma. ‘O livro!’ Corou vendo a expressão no rosto dele. ‘A previsão diz que teremos tempo fechado, então nada de praia. Shopping com minhas irmãs, sítio da família ou minha casa. Ganhei uma luminária de piso bacana e uma poltrona de couro, na verdade era do meu avô e minha irmã mandou forrar. Um livro pareceu ótima opção e pedi indicação a uma amiga do mercado editorial.’

‘É, parece.’

Sorriso apertado, incerto, inseguro.

Reciprocado.

‘Você?’

‘Bicicleta na Lagoa depois do remo.’ Manteve o sorriso apertado e fraco.

‘Mesmo com tempo ruim?’

Deu de ombros. ‘Gosto, moro perto.’

‘Ar livre é sempre bom.’ Ela balançou a cabeça, o cabelo dançando ao redor do rosto. ‘Talvez leve meu livro para a varanda se ele merecer, se for bom o suficiente.’

Maurício inclinou a cabeça e a observou por alguns segundos. ‘Fiquei curioso.’

Mommy porn. Nunca achei que homens lessem esse tipo de estórias, mas te falo se gostei na semana que vem.’ Disse e se chutou por dar em cima do cara sem querer. Foi reflexo. Estava indo tão bem, flertando com classe, ia dizer ‘não’ se ele a chamasse para sair... Mas ele não ia. E acebolado não era para se investir mesmo. Além do mais ela estava em condicional ainda.

‘Na verdade...’ Maurício segurou a xícara quase vazia por cima com os quatro dedos da mão direita.

‘Pouco se importa com pornografia para mulheres?’ Antonia sorriu.

‘Nunca me interessei, mas se me disser que é bom, tento ler.’

Sorriu achando o máximo.

‘Na verdade, ia perguntar se pretende comer enquanto se dedica ao playgirl aí.’ Mexeu as sobrancelhas com ironia. Ela inclinou a cabeça para o lado esperando-o se explicar. ‘Se pretender parar de ler por um tempo, te convido para jantar.’ Disse e levou a xícara à boca, cotovelos apoiados na mesa, olhos atentos aos dela.

Antonia piscou e prendeu os lábios.

Cebola. Duas para um único bife de fígado. Picadas bem finas.

Talvez molho Shoyu a julgar pela caneta tinteiro.

Café com leite.

Gravatinha.

Condicional.

Cinco boas razões para dizer não. Seis se contar as duas cebolas. Mas disse sim e ele sorriu muito charmoso. Teria pego o cartão que o tinha dado, riscado ‘Maria Antonia’ e escreveria ‘Toni’ se ele não tivesse guardado imediatamente após ela o entregar. Tinha posto no bolso interno do paletó, no peito. Depois deu aquelas batidinhas por cima para ter certeza que estava seguro.

Pensando bem, deveria ser fígado picadinho. Iscas sob uma montanha de cebola, pensou com desdém.


coffee animated gif
Quem não gosta de café?
Quem não sonha em se apaixonar assim, sem querer, em plena segunda-feira?

É a vida deles (re)começando...
coffee animated gif

domingo, 12 de junho de 2016

Preconceito, orgulho e CAFÉ - Capítulo 2

olá,
Feliz dia dos namorados!
Para comemorar, mais um capítulo de 



DISPONÍVEL EM EBOOK E BROCHURA

Esse capítulo é aquele momento em que a flecha do cupido acerta no alvo, bem no lugarzinho certo. Aqui, o cupido é pretinho, cheiroso e quente: eles se apaixonam por causa do café!
Na verdade, ele se apaixona, ela... Leia!

Vá na página do livro para mais detalhes.


Preconceito, Orgulho & CAFÉ
até o google uniu café e namorados!

Livremente inspirado em O&P, fluff, comédia romântica, 18+
Capítulo 2 na íntegra


O ‘Café do Pátio’ era um sonho antigo de Gisele, amiga de escola das irmãs Marisguia. Cansada das cobranças de sua família para fazer alguma coisa da sua vida e recém-casada com um homem empreendedor resolveu começar sua própria cadeia de cafeterias e essa era a primeira unidade. Tinha treinado um primo para ser barista, pagou cursos e escolheu os melhores e mais caros cafés da importadora da amiga. Essa primeira unidade de café de qualidade e valor majorado tinha que dar certo, sabia que ia dar certo, tinha a supervisão próxima de Antonia.

Business Field era o retrofit do momento no Centro da cidade, um enorme edifício reformado no coração da rua Primeiro de Março que recebeu ambientes modernos, tecnologia verde, dez andares a mais, um heliponto e os melhores escritórios e empresas da cidade. Haveria restaurantes na cobertura, mas somente uma cafeteria localizada no jardim interno e não era para funcionários. A decoração e a tabela de preços direcionavam o café aos donos dos escritórios e empresas com seus clientes.

Era uma ótima vitrine para o café Colômbia da Importadora Merry Town, por isso a gerente de importações estava pessoalmente envolvida no estabelecimento do lugar. E havia muito a ser estabelecido, burocracia infernal que Bernadete fazia questão, manuais de procedimentos, blends de grãos, máquinas novas em teste.

Segunda semana aberto e Antonia batia ponto diariamente no café da amiga e esposa do seu primo mala. De tão íntima, já lhe davam afazeres por isso procurava passar a menor quantidade de tempo no local, ficava de pé no balcão resolvendo sua infinita burocracia ansiando estar de volta ao seu escritório.

‘Olá, boa tarde.’

Antonia ouviu um cliente chegar no balcão, mas não perdeu o foco do seu trabalho.

‘Boa tarde.’

‘Preciso de um café, mas meu estômago...’

‘Descafeinado?’ Lucas, o barista que se achava dono por ser primo da dona, sorriu. ‘Posso sugerir um blend-’

‘Não, pingado.’ O cliente interrompeu. ‘Pode ser?’

Pingado? Foi isso mesmo que ouviu a voz tão grave e sedosa dizer? Pingado? Antonia suspirou para si mesma e desviou os olhos para ver o perfil de um homem alto de terno, atlético, charmoso. Se um homem assim preferia um café de botequim o mundo estava perdido mesmo...

‘Sei exatamente o que precisa!’

Maurício perdeu alguns segundos olhando de soslaio para o corpo atraente dentro de um vestido de seda verde ao lado do balcão onde a mulher charmosa preenchia fichas trocando o peso de um pé em salto alto para o outro. Por um segundo lhe pareceu que o rosto bonito estava retorcido em uma expressão de nojo e por mais um segundo considerou se era de alguma forma relacionado a ele.

‘Aqui, senhor. Um cinnamon dolce macchiatto.’ O barista sorriu orgulhoso.

Antonia sentiu estremecer. ‘Não, Lucas. Não foi isso que ele pediu.’

‘Ele pediu um 'pingado', Toni.’ Lucas disse incapaz de disfarçar seu desprezo.

‘O que ele não pediu foi uma desculpa desprezível para uma vital dose de cafeína.’ Antonia levantou uma sobrancelha desenhada em uma expressão de superioridade e olhou do barista para Maurício.

Surpreso e encantado, Maurício balançou a cabeça e prendeu um sorriso de lado a bebendo com os olhos. Bonita, refinada, gostosa, mandona. Tentado, definitivamente ele estava tentado.

‘Deixa, vou te mostrar.’ Ela disse dando a volta no balcão iluminado recheado de delícias rebuscadas. Com delicada destreza manejou a grande besta de inox que soltava vapor pelas narinas e perfumou todo o jardim de inverno com o aroma reconfortante de cafeína pura e forte. Deu poucos segundos para Maurício admirar suas costas enquanto trabalhava e logo se virou para servir uma dose pequena em uma xícara dupla colocando em frente a ele.

Apertou um sorriso apologético. ‘Obrigado, mas meu estômago-’

Ela levantou o indicador com unha bem pintada de rosa avermelhado, virou-se e pegou um potinho com bastante espuma de leite para colocar ao lado da xícara de café. ‘Cheira.’ Ordenou com um sorriso nos lábios que chegava aos olhos cor de mel.

Cheirou.

‘Deixe a cafeína entrar na sua corrente sanguínea.’

‘Perfeita!’ Murmurou encantado, mal conseguia piscar.

‘Agora junte a espuma de leite o quanto seu estômago mandar.’ Complementou.

Maurício sorriu feliz, era isso que precisava. Exatamente aquilo.

Ela sorriu de volta e deu um decisivo aceno de cabeça.

‘Como isso não é um macchiatto, Toni?’ O barista Lucas perguntou aborrecido, rosto fechado em uma carranca.

Prendeu sua falta de paciência dentro de si. ‘Um macchiatto já vem pronto e uma pessoa de bom senso não pode controlar a quantidade de leite, muito menos apreciar a cafeína pura.’ Explicou calmamente enquanto o barista competente indignava-se ainda mais.

‘Você é implicante-’

‘Olá de novo!’ Henrique chegou com um sorriso grande e, por sobre o balcão, pediu a mão dela para um beijo. ‘Precisa de resgate novamente?’

Esticou a mão constrangida em negar, mas teve um calafrio secreto com a barba tocando sua pele. ‘Não, segura hoje!’ Antonia levantou o pé para trás para ele ver que seu salto era menor.

Ele se esticou para olhar as pernas dela por sobre o balcão. ‘Adoraria um café.’ Ele apertou os olhos mantendo o sorriso. ‘Daqueles bem trabalhados.’

Com o sorriso profissional ainda nos lábios, ela lhe passou o cinnamon dolce macchiatto. Henrique levantou as sobrancelhas feliz por ser prontamente atendido pela bela moça, provou e gostou. ‘Muito bom.’

Maurício, que se divertia às custas do sócio e amigo há mais de vinte anos, a princípio teve um relampejo de dor de cotovelo temendo confirmar que a sensual instrução na degustação de café seria repetida, mas ficou feliz com o que Henrique recebeu. E sentiu um raio lhe cruzar o corpo quando a mulher bonita desviou os belos olhos âmbar para ele em uma deliciosa expressão conspiratória. Para ele, o sorrisinho de lado nem seria necessário, ele já estava perdido com o olhar.

‘Vou indo, Lucas.’ Disse contornando o balcão novamente, passando atrás dos homens bebericando seus cafés e pegou a caneta e a bolsa. ‘Seus formulários já estão ok. Até mais.’ Acenou com a cabeça para os dois homens e apertou a mão do barista por cima do balcão antes de sair do pátio em direção à escada que ia à recepção.

‘Excelente barista.’ Henrique balançou a cabeça ainda olhando na direção que ela tinha tomado.

‘A melhor.’ Maurício respondeu.

‘Ela não é barista.’ Lucas disse ofendido.

‘Quem, Toni?’ Uma das garçonetes perguntou ao chegar perto, Maurício e Henrique trocaram olhares quando ouviram o apelido incomum. ‘Tem cursos de barista.’

‘Vários.’ Lucas se empertigou. ‘Mas é a Gerente da Importadora que nos fornece o Café Colômbia.’

‘Uau.’ Maurício resmungou.

‘Excelente café.’ Henrique elogiou e indicou uma das mesas com a cabeça. ‘É ela!’ Disse quando se sentaram à mesa do canto.

‘Notei pela piadinha.’

‘Linda, não disse?’

O rosto de Maurício não traiu seu interesse. ‘O salto não é tão alto. Tem certeza que ela precisava de salvamento?’ Prendeu os lábios em uma expressão incrédula. ‘Acho que você atacou a mulher...’


O sócio sacudiu a cabeça engolindo com pressa o café que bebia. ‘Era! E o vestido era mais longo e fechado. Não ia me esquecer daqueles joelhos nem daquele decote.’ Sorriu com malícia. ‘Garanto.’


bestanimarions/beverages/coffee
Ai, que flechada no peito!
Pingado: fisgado!

Sabe o que passa na cabeça de Mau ?...