domingo, 5 de junho de 2016

Preconceito, orgulho e CAFÉ - Capítulo 1

olá,
dia chuvoso e feliz hoje... Aniversário do meu filho e 
 Yay!


DISPONÍVEL EBOOK E BROCHURA

Essa estória é muito querida, escrevi com muita facilidade, muito prazer. É leve e divertida, intensa e corrida... Começa em Janeiro e quando chega Dezembro- Oops, quase soltei spoilers. Sorry! 
Mas é viciante e reconfortante como café quentinho...

Como já deve ter visto na página do livro, as personagens foram rebatizados como Maria Antonia e Luís Maurício. Todos os outros também... 

Quer ver como ficou?
Só um cafezinho?
Lá vai...


Preconceito, Orgulho & CAFÉ

Livremente inspirado em O&P, fluff, comédia romântica, 18+
Capítulo 1 
na íntegra

‘Nossa, acho que torci o tornozelo...’ Maria Antonia Marisguia fez cara de quem poderia chorar a qualquer minuto.

‘Na obra do café da Gisele?’ A irmã mais velha respondeu com solidariedade incondicional instantânea.

‘Saindo do prédio.’ Maria Antonia sentou na cadeira em frente à mesa de Maria Luiza, tirou o sapato, e girou o pé em um círculo grande. ‘Tinha uns idiotas levando caixas para cima e deixaram vários rolos no piso, na saída do elevador de carga. Estava distraída com o telefone e tropecei.’ Fez careta sentindo as juntas dos tornozelos estalarem.

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‘Cara, acabei de salvar uma gata. Mereço o título de Cidadão Carioca!’ Dr. Henrique Fialho abriu um sorriso preguiçoso nos lábios quase escondidos pela barba de lenhador que penteava com os dedos.

‘Merece o uniforme de bombeiro.’ Dr. Luís Maurício Noronha resmungou da sua mesa.

Testa franzida, rosto inclinado para o lado, Henrique olhou para o sócio sem entender. ‘Não!’ Riu. ‘Uma mulher bonita, não um felino fêmea.’

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‘Um gravatinha me segurou.’ Maria Antonia revirou os olhos. ‘Teria sido melhor cair sobre os tapetes.’

A irmã mais velha deu a volta na mesa e sentou na outra cadeira de interlocutor da sua sala para massagear o tornozelo da mais nova. ‘E mais vergonhoso.’

‘Totalmente!’ Sorriu com ironia. ‘Mas não teria torcido o tornozelo.’ Suspirou triste.

‘De novo.’

‘De novo.’

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a sua mesa o terceiro sócio, Dr. Danilo Bicudo, sacudiu a cabeça mantendo os olhos no computador. ‘Se você só foi visitar a obra do escritório novo, como pode ter tido a chance de salvar alguém?’

‘Denise sempre precisa de ajuda.’ Maurício levantou as sobrancelhas.

‘Mas é a sua que minha irmã quer.’ Danilo apontou para o amigo desde a faculdade.

‘Não necessariamente. Qualquer um que não considere desperdício bancar seus devaneios, serve.’ Maurício disse sem interesse. ‘Pode ir fundo, Henrique, não vai abalar nossa sociedade.’

‘E nossa amizade?’ Danilo prendeu os lábios para os amigos discutindo sua irmã como se ele não estivesse presente.

Maurício bufou impaciente. Dividir espaço com os amigos tinha sido prático e econômico quando começaram, mas já iam bem o suficiente para que tivessem privacidade. No escritório novo cada sócio teria sua própria sala e espaço para respirar; ele próprio perdia a esportiva com facilidade ultimamente. ‘Ainda não achei uma mulher para me colocar no cabresto, muito menos acabar com minhas amizades.’

‘Bicho, não viu a gata que salvei!’ Henrique cortou a potencial discussão sobre a irmã decoradora de um sócio que esticou um caso frio com o outro sócio por meses.

‘Não foi a Deny?’ Danilo insistiu.

‘Não!...’ Henrique sacudiu a cabeça com veemência. ‘Bicho, que gostosa!’

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‘O que houve?’ A irmã caçula, Maria Catarina - Kat, entrou na sala com vários documentos que despejou na mesa da irmã mais velha sem cerimônia e entregou duas pastas finas para outra.

‘Um caramelo macchiato quis bancar o herói e me ajudou a torcer o tornozelo...’ Maria Antonia, Toni, resmungou contrariada e se contorceu de dor com a massagem de Maria Luiza, Luli.

‘Fígado gourmet?’ Catarina debochou da rabugice da irmã em rotular as pessoas pelas preferências gastronômicas.

Bufou petulante. ‘Totalmente cara de quem tem nojinho de bife de fígado... Aposto.’

Riram como sempre achando graça da escala inventada, mas na verdade morriam de nojo de fígado bovino cru, ou órgãos de qualquer animal. Seu querido avô tinha insistido para que se acostumassem a comer bife de fígado dizendo que era ‘bom para o sangue’ e aprenderam a gostar por causa do seu amor pelo pai de sua mãe.

‘Aquele prédio vai ser campo minado. Pencas de gravatinhas e modeletes de Fórum...’ Antonia torceu os lábios em desgosto.

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‘A gostosa saiu do elevador apressada olhando para o celular e não viu os caras levando nossos móveis para cima.’ Henrique irradiou sua aventura. ‘A portaria está uma bagunça, várias mudanças na verdade, tinha um monte de caixas e ela saiu rápido do elevador de cargas, virou de lado para desviar e não viu os rolos de tapete no chão. Salto alto, vestido alinhado... Bicho, mulherão! Pinta de advogata, mas nunca a vi no Fórum... Ia me lembrar se tivesse visto...’ Ele sorriu para si. ‘Vou me lembrar agora! Ela tropeçou e ia cair se o super-homem aqui não tivesse a segurado pela cintura. Cabelo castanho com aqueles tons todos diferentes, corpo bonito, vestido coladinho azul de bolinhas brancas, salto. Ó-’ Sacudiu a cabeça forçando o lábio inferior para frente. ‘Gostosa.’

‘Babaca.’ Danilo sacudiu a cabeça mais uma vez. ‘Aproveitou para passar a mão na mulher...’

‘Temo pela reputação do nosso escritório... ’ Maurício resmungou.

‘Não está em risco. Fui extremamente cavalheiro e ela muito educadamente me agradeceu pela ajuda com um deslumbrante sorriso dos lábios brilhosos. ’ Henrique bateu continência e os dois sócios reviraram os olhos.

‘Trocaram telefone?’ Um sócio investigou.

‘Não...’ O sócio herói fez cara de tristeza.

‘Viu? Babaca.’ Outro sócio decretou.

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Antonia suspirou se deixando afundar na cadeira estofada. ‘Pago cinquenta reais para uma de vocês dar apoio a Gisele.’

‘É o seu trabalho.’ Luiza sacudiu a cabeça.

‘E cinquenta nem dá para a manicure da semana.’ Catarina fez bico.

‘Pago manicure do mês.’ Antonia tentou novamente.

‘Por atendimento ao cliente de café novo, de donos inexperientes?’ Foi a vez de Catarina bufar. ‘Vai levar meses!’

‘Lucas, o barista, é muito aplicado...’ Argumentou. ‘Luli...’ Tentou fazer charminho, mas a irmã mais velha sacudiu a cabeça novamente prendendo um sorriso.

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‘Ano novo, vida nova e nosso novo escritório vai bombar! O prédio está show de bola, alta classe, escolhemos bem quando decidimos juntar quase todas as nossas economias e comprar a sala lá.’ Completou orgulhoso, o sorriso esticando a barba pesada.

‘Nosso orçamento já bombou. ’ Danilo resmungou. ‘Denise perdeu a linha. ’

‘Precisamos subir de nível, é investimento.’ Maurício tinha em mente o projeto aprovado e os novos clientes que atrairiam estando em um ponto nobre do Centro do Rio de Janeiro, mais próximos do Palácio da Justiça onde os tradicionais e renomados escritórios de advocacia gravitavam. Quanto mais perto do Fórum, mais importantes eram os advogados. ‘Como vai a obra, no prazo? Precisamos entregar essas salas aqui, os estagiários já estão preparando a mudança dos arquivos.’

‘Tudo certo! A placa já foi instalada, ficou ótima.’ Henrique tirou o celular do bolso do paletó do terno para carregar as fotos que tinha tirado.

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 ‘Se eu estiver certa, vai ser uma tortura... Pelo menos revezem comigo.’ Implorou. ‘Devemos à Gisele, nós todas.’ Antonia lembrou às irmãs levantando uma sobrancelha.

‘Bobeira!’ A mãe entrou na sala falando alto. ‘Ninguém forçou Gisele a casar com o filho imbecil do meu primo idiota. Se ficaram tão mexidas, o irmão dele ainda está solteiro!’ Maria Bernadete Marisguia piscou exageradamente para as filhas que reviraram os olhos.

Vanilla duplo caramelo de bosta!’ Antonia grunhiu quando Luiza liberou seu tornozelo. ‘Vai ter um monte lá...’

‘Vou ter que te mandar para Itália de novo para aprender o valor de uma bebida de café?’ Bernadete ameaçou a filha do meio.

‘Prefiro o campo minado de gravatinhas.’ Antonia arregalou os olhos. ‘Por favor, outro curso de barista, não!’

‘Volta para os perfumes.’ Luiza convidou com saudades de trabalhar em parceria com a irmã.

A mãe gesticulou impaciente. ‘Ela é ótima no café!’

‘Ela é esnobe e odeia qualquer café que não seja shot de espresso.’ Catarina argumentou.

Suspirou profundamente. ‘Péssima ideia ter vocês como minhas gerentes...’

‘Mãe!’ As três filhas reclamaram.

‘Eu sou ótimo gerente! Manda elas embora e eu cuido de tudo!’ Frederico Levi gritou da sala dele.

Bernadete sacudiu a cabeça.

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Os três advogados jovens por volta dos trinta e poucos anos, atléticos, solteiros, competentes e no momento com as finanças prejudicadas devido ao estabelecimento de um escritório novo em um prédio recém-reformado no coração do Centro Financeiro do Rio de Janeiro, se juntaram para admirar seus esforços refletidos na tinta prata impressa em vidro temperado verde:


Bicudo, Fialho & Noronha
Advogados associados

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A alguns quarteirões de distância, exatamente em frente ao Palácio da Justiça, de seu grande escritório de importação de produtos de luxo, Bernadete apontou para o pé da filha do meio ainda fora dos scarpins de couro envernizado, bico e saltos finos.

‘Tropecei. Esse salto é muito alto.’

‘Seu pai vive te comprando essas roupinhas de advogatinha sem gosto e com vergonha do corpo. Não sei por que você aceita usar.’ Levantou o nariz petulantemente e bufou contrariada.

‘Esse salto é tipo fuck me, mãe.’ Catarina argumentou e calçou o sapato da irmã gesticulando os dedos impacientemente para que o outro pé também fosse liberado e passeou pelo escritório. ‘É lindo! Pena que Toni é trinta e sete e eu sou quase trinta e oito...’

‘Velho babão gosta de ver pernas femininas em saltos altos, mas tem medo de ver peitos e não segurar as calças.’ Bernadete sacudiu a cabeça resmungando.

‘Ai meu Deus.’ Luiza suspirou.

‘Já viu como as patetas se vestem para ir ao Fórum?’ A mãe insistiu.

‘Tem mulher bonita lá!’ Antonia esticou as duas pernas e flexionou os pés para frente e para trás. ‘Em pencas!’

‘E vestidas de velhas!’ A mãe, tão bem arrumada quanto as filhas, insistiu.

‘Verdade.’

‘Hoje você vai para casa, moça. E amanhã vai estar vestida com mais bom gosto.’ Decretou com autoridade materna. ‘Vão todas jantar em casa.’

‘Tenho aula de circo.’ Antonia disse e teve o desprazer de ver sua mãe e irmãs revirando os olhos.

‘Chego depois da aula de mandarim.’ Catarina informou. ‘Nove.’

‘Passo em casa e vou.’ Luiza sorriu.

‘Nove.’ Bernadete marcou hora feliz com a rara possibilidade de jantar em casa com as três filhas adultas. Maria Luiza nunca voltou para casa depois do divórcio e ainda morava em Ipanema sozinha no desértico apartamento de quatro quartos. Maria Antonia sempre se dividia entre a casa do pai e da mãe – muito para dor no coração de Bernadete que só acalmou quando Antonio Froes, seu ex-namorado, comprou a cobertura ao lado da sua no prédio onde morou desde menina. Maria Catarina era a única a morar com ela ainda, mas adulta e cheia de afazeres, mal passava tempo em casa.

‘Vou mandar fazer torta de caranguejo.’

‘Muito bom.’

‘Vinho branco?’

‘Delícia!’

A mãe balançou a cabeça confiante. ‘Dormimos todas em casa hoje.’

Antonia já sabia que acabaria a noite atravessada nos pés na cama grande enquanto a mãe e as irmãs dormiam lado a lado. No meio da noite acordaria quebrada e se arrastaria para sua própria cama. ‘Bom, vou trabalhar.’ Se levantou com cuidado, testando o tornozelo.

‘Trabalhar dá trabalho!’ Bernadete levantou o dedo pequeno com unha grande pintada de vermelho. ‘Meu pai dizia isso sempre.’

Antonia caminhou descalça para sua sala pensando em tudo que ainda tinha que fazer e lembrou que havia esquecido a roupa de ginástica no estúdio da casa da mãe. Poderia pedir para o motorista do pai trazer se estivesse no estúdio da casa dele, mas... Reynaldo, o mordomo do pai não entrava na casa da mãe nem se dava bem com Hilda, empregada de Bernadete desde que Luiza nasceu. Suspirou pensando que ainda se enrolava com a eterna divisão entre as casas da mãe e do pai, mesmo depois de passar a vida toda na roda viva que só aliviou quando os dois concordaram em deixa-la ocupar os escritórios dando à filha de quem dividiam o afeto a chance de morar sozinha na casa de um ou do outro.

As coberturas eram apartamentos grandes de quatro quartos, três salas e um escritório com acesso independente. Após muita discussão, Antonia conseguiu montar apartamentos de solteira tanto no escritório da casa do pai que dava para o hall social da casa da mãe quanto vice-versa. Apesar de ter duas camas, dois armários, dois banheiros, duas escovas de dente, dois shampoos, e dois de tudo mais; seus pais ficavam mais conformados quando ela optava por um dos estúdios já que o cômodo autônomo era praticamente separado do apartamento de quatrocentos metros quadrados. Com a economia de chantagem emocional dos pais, sua vida era mais tranquila.

Ia ter que parar na sua loja de artigos de ginástica favorita na rua da Quitanda antes de pegar seu carro e ir para as aulas de fitas suspensas e parkour. Talvez o shopping na rua Sete de Setembro. ‘Kat?’ Gritou da sua sala.

‘Quê?’

‘Vamos no shopping depois das cinco?’

‘Sim!’

‘Também vou com vocês!’

‘Isso aqui não é feira livre! Vão trabalhar!’ Bernadete gritou ainda mais alto que as filhas.

Ainda bem que a suíte de escritórios das Marisguia era separada do restante da empresa de importação de artigos de luxo ou os quase cem funcionários teriam participado da discussão em gritos entre as irmãs e a mãe proprietária.


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