& Moira Bianchi

domingo, 24 de março de 2019

O piano, instrumento ideal para moças

Olá,
Sigo no aprendizado sobre a preparação de moças para a vida e o matrimônio, seu grande objetivo na vida Regencial e Vitoriana. 
Nesta caminhada, tenho como comparsa a FranDarcy friend, que me apareceu com um artigo trés bacana sobre a importância do piano na educação feminina na Regência, época de Jane Austen, e daí fui longe. Fiquei com a...

Portrait of a Lady at the Piano de Adèle Romany

Pulga atrás da minha orelha!
Conversa vai, conversa vem, mils pesquisas e... 

O instrumento gerou muita discussão bacana, 
tem muitas fontes de pesquisa interessante. 
Então resolvi dividir em 4 posts.
Esse é o 3º
O piano - instrumento ideal para moças
tradução de artigo do Kilden
com meus comentários abaixo.

Neste, conto e mostro tipos de pianos usados na Regência e era Vitoriana e seus antepassados. 
Falo de alguns virtuosos e faço uma breve introdução ao que será discutido.

O 2º foi: O piano na preparação de moças casamenteiras na Regência
Nele está o artigo original com vários links de CDs e MP3 de músicas para pianoforte da época de Jane Austen - Regência Britânica -  e claro, meus comentários.

Ainda teremos:
O piano e a música para Jane Austen
aqui localizo o instrumento na vida e nas obras da Diva



Este artigo é muito interessante para mim porque o 2º livro da série CUPIDOS EM DEVON, 'O Clube de Florence', tem uma cena em que ela, Florence, toca a harpa sem se dar conta do efeito que imprime no homem bão da porra assistindo a apresentação. 
É sedução acidental.
H Boulet, 1832

Vamos ao artigo.


Piano- O instrumento mais adequado para o corpo feminino 


disclaimer: Esse artigo foi originalmente publicado no Kilden – informações e notícias sobre pesquisas de gênero na Noruega. Leia o artigo original. 
Eu, Moira, vou comentando no meio do texto, ok?

Envolver o violoncelo com as pernas era considerado imoral, sentar-se ao piano era mais adequado para uma lady. Sendo assim, as mulheres se tornaram importantes para o desenvolvimento da composição e execução do piano.

“As bases para quais instrumentos mulheres e homens deveriam tocar já eram estabelecidas na Idade Média”, diz Lise Karin Meling. Já haviam regras e convenções relacionadas ao que mulheres podiam ou não fazer no mundo da música em todos os tempos. “A historiografia é desequilibrada nesta área; não há foco no que as mulheres realmente conseguiram”. Onde pesquisas anteriores se concentraram nas limitações das mulheres, em áreas nas quais as mulheres foram excluídas e nunca entraram, Meling que é professora associada no Departamento de Música e Dança na Universidade de Stavanger, tem procurando por aquilo que as mulheres já fizeram realmente: Elas tocaram piano. 
“Praticamente cada composição de piano feita no século XIX, foi escrita por mulheres e meninas,” diz a pesquisadora musical. As mulheres tocavam piano e tiveram enorme importância no desenvolvimento da composição do piano. ” 
Um dever para mulheres da burguesia 
Os pianos eram considerados o instrumento feminino perfeito, um “par por excelência” no século XIX. Tanto que, durante aquele século, se tornou uma obrigação para todas as mulheres pertencentes à burguesia e às classes altas, ter um bom domínio de piano. Isso não só no caso da Inglaterra, de onde a maioria das fontes de Meling foram coletadas, mas também na Noruega. 
“Nenhuma casa culta deveria ficar sem pianoforte… Nenhuma dama que desejasse se tornar uma Lady, podia admitir ser incapaz de tocar pianoforte, e nenhum cavalheiro podia permitir esse desrespeito.” escreveu o escritor norueguês Bjørnstjerne Bjørnson em 1855.
Falamos sobre isso no post anterior, o que ter um piano em casa significava para o status social de uma família. Damas que tinham piano eram de boa família, de boa situação financeira, de boa instrução, então, eram bons partidos. Era uma conclusão em corrente...
Instrumentos musicais Indecentes
Woman at a Piano - G Boldini
Mas por que o piano exatamente?

De acordo com as fontes de Meling, porque combinava com o estereótipo da natureza feminina suave e prudente. A flauta, o violino, o oboé são “altamente impróprios para o sexo feminino”, o teórico musical John Essex escreveu em 1721. 
O oboé era particularmente masculino; ficaria indecente na boca de uma mulher
the oboe player - TEakins, 1903
Imagina o que eles não pensavam - e viam em suas mentes - com a imagem de uma dama bonita com um instrumento entre os lábios?
Devassos!
E a flauta tiraria “muito do suco gástrico mais adequados para aguçar o apetite e promover a digestão”
retrato de Elizabeth Speigel - DDSantvoort, 1639
Ela toca um recorder -  instrumento musical de sopro no grupo conhecido
como flautas de duto interno

De acordo com Meling, a flauta doce foi de fato considerada altamente erótica por séculos. Ela se refere a pinturas retratando ninfas atraindo homens enquanto tocavam flautas doces. 
Achei uma prova cabal da perdição que era a flauta! Olha só isso! tsk, tsk!
Pastor tocando flauta com quatro ninfas, GV Honthorst
“Trompa e violoncelo são inadequados para o corpo feminino.” 

Para o alemão Carl Ludwing Junker também estava claro em quais instrumentos as mulheres eram eruditas para colocar em seu livro sobre mulheres e músicas em 1783: a trompa, o violoncelo, o contrabaixo, o fagote, e o trompete eram altamente impróprios para o corpo, moda e caráter feminino. 
Tocar o contrabaixo de espartilho por exemplo – que ridículo! 
Executar largos movimentos corporais enquanto toca instrumentos de corda – não se parece nada com uma dama. E o corset apertava a ponto de deformar o corpo! Já falei disso. 
Um som poderoso e forte não combinava com a humildade de caráter de uma mulher. 
Tambores e trompetes, nos lembra Junker, eram usados por militares, e trompa era usada na caçada, e, portanto, não poderia ser considerada feminina. 
Além disso, algumas posições eram consideradas diretamente imorais, como ao distorcer o rosto para soprar o instrumento, pressionar os lábios e sustentar o som com os músculos do abdome. Isso poderia passar a impressão de uma mulher indecente. 
mulher cantando e tocando alaúde - CBega, 1664
Pernas abertas, instrumento colado no corpo... que perdição!

E sem mencionar tocar violoncelo – onde a mulher tinha de apertar o instrumento contra seu peito e envolvê-lo com suas pernas. Isso poderia dar às pessoas ideias imorais. Perceba que parece ser coisa da cabeça dos moralistas... As recomendações de Juker eram que as mulheres se mantivessem no piano. “As mulheres podem permanecer sentadas ao piano e tocarem sem flexionar seus corpos” disse Meling. “Elas podem sentar em posições graciosas e femininas com as pernas juntas e exibir suas roupas elegantes.”
O concerto - LEPomey (1901) 

Tocar podia levá-las ao altar. 
As fontes de conhecimento de Meling sobre mulheres tocando piano foram primeiramente coletadas da burguesia e das classes altas. As fontes sobre a prática musical das classes baixas são escassas, de acordo com a pesquisadora. “As classes baixas talvez fossem mais ocupadas com o trabalho. Elas tocavam música popular, mas elas provavelmente não possuíam a mesma cultura musical das classes superiores.”
Nas camadas mais proeminentes da sociedade, tocar piano se tornou uma forma de passar os dias e um jeito de entrar no mercado do casamento. Quando a Lady Middleton no romance Razão e Sensibilidade de 1811 de Jane Austen, finalmente se casa, ela pára de tocar piano. "Ela alcançou o que muitos consideravam o objetivo da música e do piano", diz Meling: "Isso fazia parte da educação das mulheres para promover suas perspectivas de casamento".
Todos os caminhos levam a Austen, não é mesmo? Leia esse trecho:
"À noite, como foi descoberto que Marianne tinha dom musical, ela foi convidada para tocar. O instrumento (pianoforte) foi destrancado, todos se prepararam para ser encantados e Marianne, que cantou muito bem, a pedido deles, passou pela maioria das canções que Lady Middleton trouxera para a família em seu casamento, e que talvez houvessem permanecido desde então na mesma posição no piano, pois a senhora havia celebrado aquele evento desistindo da música, embora, pelo relato de sua mãe, ela tivesse tocado muito bem e, por conta própria, gostasse muito da música."
'In the evening, as Marianne was discovered to be musical, she was invited to play. The instrument was unlocked, every body prepared to be charmed, and Marianne, who sang very well, at their request went through the chief of the songs which Lady Middleton had brought into the family on her marriage, and which perhaps had lain ever since in the same position on the pianoforte, for her ladyship had celebrated that event by giving up music, although by her mother's account, she had played extremely well, and by her own was very fond of it.'

O piano como uma mobília multifuncional 
Devido à popularidade do piano, ele se tornou um instrumento relativamente barato para se adquirir. E os fabricantes experimentaram em sua forma e função. Era possível adquirir o piano que também poderia ser usado como uma mesa de salão, escrivania, armário, mesa de trabalho, penteadeira e caixa de ferramentas. 
Armário de costura, porta-jóia E piano do jacarandá
 - c. 1820 Reino Unido 
disponível por R$14.500,00 no Galleries online

Tocar geralmente se dava na privacidade do lar, em alguns casos ao visitar os outros. Mas se você fosse melhor pianista do que a anfitriã, você tinha que escolher a peça mais fácil, para evitar colocá-la em uma posição embaraçosa.  #ficadica
Tocar em público era algo simplesmente fora de questão para a maioria das mulheres. Meling se refere as mulheres tocando piano com uma “arte caseira”. Esse tipo de exercício musical não tinha que ser considerado tão importante como aqueles que eram desempenhados em público. 
“Mulheres tocavam e cantavam dentro dos limites do lar, esse era o cenário delas. E essa era uma arena importante para a prática musical e de composição. As mulheres tocando piano no século XIX estabeleceram a base da composição do século vinte.” 
O piano era o instrumento favorito para acompanhar o canto, e se tornou o instrumento mais popular do século XIX. Mais composições foram publicadas apenas para o piano do que para todos os outros instrumentos juntos durante o século dezenove. 

Feminino demais para homens
A inovação também ocorreu dentro de casa. “Muitas coisas foram inventadas pelas pianistas no século dezenove, como tocar sem partituras durantes os consertos.” 
Enquanto as garotas exibiam bons desempenhos, esse não era necessariamente o caso dos homens. Isso levou ao desenvolvimento de um gênero musical onde as peças de pianos eram acompanhadas pelo sobretom único de flauta ou de violino. Então o irmão menos talentoso poderia acompanhar sem ter que praticar tanto quanto suas irmãs. 
O trabalho dos homens era admirar o desempenho das mulheres, às vezes, virar as partituras para elas. Ele mesmo não deveria tocar piano, o que imediatamente poderia torná-lo feminino. 
“O manual de ética para o Cavalheiro Inglês aconselha homens contra a prática do piano,” diz Meling.
Então, nesta parte eu discordo do artigo com base em algumas pesquisas. Como ando escrevendo muito sobre a era Vitoriana, sei que homens de classe e boa educação, nem sempre nobres, tinham conhecimento musical - e isso incluía o piano que era símbolo de status. 
Em dois trechos, o Manual de Etiqueta para cavalheiros de Cecil B Hartley, 1873, fala assim:
'Em um sarau, por excelência, música, dança e conversação são todos admissíveis, e se a anfitriã tiver tato e discrição, essa variedade é muito agradável. Como muitas vezes não há pianista ou música engajada à dança, você se sai bem, se for um bom performer no piano-forte, é bom se dedicar a aprender algumas quadrilhas e danças de pares para que possa oferecer seus serviços como orquestra. Não espere ser solicitado a tocar, mas ofereça seus serviços à anfitriã, ou, se houver uma dama ao piano, peça permissão para aliviá-la da função. Para virar as folhas para outra, e às vezes chamar danças, também são ações bem-humoradas e bem-educadas.'
'At a soiree, par excellence, music, dancing, and conversation are all admissible, and if the hostess has tact and discretion this variety is very pleasing. As there are many times when there is no pianist or music engaged for dancing, you will do well, if you are a performer on the piano-forte, to learn some quadrilles, and round dances, that you may volunteer your services as orchestra. Do not, in this case, wait to be solicited to play, but offer your services to the hostess, or, if there is a lady at the piano, ask permission to relieve her. To turn the leaves for another, and sometimes call figures, are also good natured and well-bred actions.'

'Não inicie uma conversa enquanto alguém estiver tocando ou cantando, e se outra pessoa começar uma, fale em um tom que não impeça os outros de ouvir a música. Se você tocar sozinho, não espere o silêncio na sala antes de começar. Se você tocar bem, aqueles que realmente gostam de música deixarão de conversar e ouvirão você; e aqueles que não se importam com isso, não vão parar de falar se você esperar sentado no banquinho do piano até o amanhecer do dia.'
'Do not start a conversation whilst any one is either playing or singing, and if another person commences one, speak in a tone that will not prevent others from listening to the music. If you play yourself, do not wait for silence in the room before you begin. If you play well, those really fond of music will cease to converse, and listen to you; and those who do not care for it, will not stop talking if you wait upon the piano stool until day dawn.'

la miranda synphony
E quanto aos grandes músicos do século XIX? Arthur Rubinstein (1887-1982),Sergei Rachmaninov (1873-1943), Franz Liszt (1811-1886), Frédéric Chopin (1810-1849), Ludwig van Beethoven (1770-1827), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) entre outros. De Clara Schumann (1819-1896) já falamos no artigo anterior, mas sempre vale à pena lembrar. Ouça um pouco de cada aqui.

Por fim, se falamos em virar páginas, sempre me lembro do bate-boca de Lizzy e Darcy em Rosings!...
'Há uma teimosia em mim que nunca me permite ter medo da vontade dos outros. Minha coragem sempre aumenta a cada tentativa de me intimidar.'
Leia o trecho todo aqui...
femina
Medo da “epidemia do piano”
Ao mesmo tempo, tocar muito piano levava a uma repreensão. A ideia do século XIX que as mulheres com fortes desejos sexuais eram propícias a desenvolverem histeria, estava ligada à música. falei do que era 'histeria feminina na época... tsk, tsk.' 
A Música poderia superestimular o sistema nervoso e ser destrutiva para a aparência da mulher e para os órgãos reprodutores. O teórico musical Edvard Hanslick nomeou o fenômeno como “Pianoepidemia” – quando a música levava vantagem e resultava em doenças. 
Como resultado dessa preocupação, a afiação do piano se tornou profissão masculina. De acordo com o teórico, mulheres solteiras e, portanto, sexualmente inexperientes poderiam se tornar perigosamente superestimuladas ao afinar um piano. 
Os homens tinham muitas cordas para seus arcos
Ainda há grandes diferenças quando se trata de música e gênero, tanto em termos de quais tipos de instrumentos homens e mulheres tocam, como são referidos na mídia e sua presença em arenas públicas como festivais de música e educação. “Nós ainda vemos uma clara divisão entre homens e mulheres quando se trata de tocar piano e violão.” As estatísticas da Noruega escrevem em relação aos números de 2008 de cultura e lazer. Oito por cento dos homens tocam piano, comparado a dezesseis por cento de mulheres. Um reporte no GramArt, festival popular norueguês de música em 2011 constatou que homens, em grande maioria tocam diversos instrumentos, enquanto as mulheres se mantém no instrumento principal, e no vocal geralmente.
Em seu livro, Eksperimentelt kvinneglam (“Glamour feminino experimental”) de 2013, Maja Ratkje chamou atenção para o fato que a Orquestra Filarmônica de Oslo tinha 113 músicas em seu programa naquele ano. Entre essas, 112 foram compostas por homens. Nenhuma das mulheres conduzia nenhuma das 113 peças, e entre os membros da Sociedade Norueguesa de Compositores, as mulheres totalizavam 13%. 
“Nós podemos traçar alguma linha de gênero sobre os instrumentos músicas desde a Idade Média, passando pela cultura feminina do piano no século dezenove e chegar aos dias atuais? ” 
“Sim, de várias formas podemos” afirma Meling. 
Mas ela ainda permanece mais interessada naquilo que a mulher podia de fato fazer, no que naquilo que não podia. “Ao invés, de falar sobre a falta de trompetistas femininas no século XIX, nós deveríamos exaltar as mulheres que tocaram instrumentos e desenvolveram a arte de tocar piano. Nós deveríamos enfatizar as áreas nas quais as mulheres se afirmaram pessoalmente."
Fiquei intrigada, fui pesquisar online para comprar Brasil com a gringa do artigo. Descobri algumas coisas interessantes.
- na visão masculina, mulheres atualmente gostam mais de caras que tocam guitarra;
- homens aprendem a tocar música para seduzir mais facilmente;
- mas eles gostam de mulheres que tocam qualquer instrumento;
- mulheres que tocam 'mais que piano' provam talento, especialmente se for instrumentos considerado masculino como tuba, trompa ou percussão;
- piano é instrumento de homens mais velhos, acima dos 45.

Garotas ao piano - Renoir
Bem, ainda há muito para aprender e estudar sobre o piano, certo?
Te vejo no último artigo.



Referências do artigo original.

Meling, Lise Karin, Klaveret – et kvinneinstrument? (“The piano – a women’s instrument?”) (2015) Arr #1/2015. The norm that young cultured women from the bourgeoisie played the piano spread across Europe in the nineteenth century. The painting ?The piano lesson? is from 1896, painted by the British artist Edmund Blair Leighton. (Wikimedia commons.) [7] Lise Karin Meling studies gender and musical instruments. (Photo: Ida Irene Bergstrøm) [8] blair.jpg [9] Booty shake or guitar riff? [10] Parodic, political pop [11] Ida Irene Bergstrøm, Kilden kjønnsforskning.no [12] Cathinka Dahl Hambro April 28, 2016 - 06:20 .This field is not in use. The footer is displayed in the mini panel called "Footer (mini panel)" Source URL: http://sciencenordic.com/piano-%E2%80%93-best-suited-instrument-female-body Links: [1] http://sciencenordic.com/category/section/society-culture [2] http://sciencenordic.com/cultural-history [3] http://sciencenordic.com/gender-and-society [4] http://sciencenordic.com/category/countries/norway [5] http://sciencenordic.com/category/publisher/forskningno [6] http://kjonnsforskning.no/en/2016/04/piano-best-suited-instrument-female-body [7] http://sciencenordic.com/sites/default/files/blair_0.jpg [8] http://sciencenordic.com/sites/default/files/Meling_Lise_Foto_IIB-1000x669.jpg [9] http://sciencenordic.com/sites/default/files/blair.jpg [10] http://kjonnsforskning.no/en/2015/10/booty-shake-or-guitar-riff [11] http://kjonnsforskning.no/en/2015/10/parodic-political-pop [12] http://sciencenordic.com/content/ida-irene-bergstr%C3%B8m-kilden-kj%C3%B8nnsforskningno

eu fui aqui, aqui, aqui, aqui, aqui.



sexta-feira, 22 de março de 2019

Hoje tem live!

Olá,  que novidade para mim: uma live!
Como o livro GATAS & CILADAS foi escolhido para LEITURA COLETIVA de abril no grupo Clube do Leitor Correspondente do Facebook, farei uma live me apresentando e falando dos amores gatíneos e gatunos!

E preparei mil brindes para sorteio!


marcadores magnéticos + cards

de ladinho, mas
marcadores de gato hipster e catcórnio! haha

marcador magnético e de clip binder com lápis estilozérrimo!
peguei desse tutorial aqui


E o gatíneo de olho em toda essa tralha!...

marcadores de gatinha rainha e gatinho de pompom

Vem também!
bj, até às 20hs

Foi ótema! Olha só 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Feliz dia da Mulher Literária

Olá,
depois de dias fora do ar curtindo o carnaval, volto junto no dia da mulher com uma lista muito curiosa: uma contabilidade de assuntos dos livros publicados em 1905.
Como sabem, estou enfiada na era Vitoriana Inglesa, esse artigo muito interessante já seria do reinado de seu filho Edward - portanto era Eduardiana - mas é do Chicago Tribune, então digamos que, por 4 anos e 1 continente de diferença, ainda estou no tema. Licença poética, posso?
Veja só que muito interessante e porque hoje é ainda mais legal de achar isso no Twitter (undine e newspapers)
fonte:twitter

Tradução 
(livre, minha)
Um resumo de literatura
'Senhor', disse o homem com nariz pontudo e lápis rombudo que se aproximou da mesa do editor de literatura da revista. 'Compilei algumas estatísticas sobre os romances deste outono que não pode deixar de ser interessante.'
'Pegamos nossa lista dos 6 mais vendidos de livrarias e outros meios.' Explicou o editor sem levantar os olhos.
'Mas isso é diferente. Veja, por favor, que eu fiz uma análise cuidadosa e completa da vida, incidentes e mortes de cada romance, e combinei todos os dados em um relatório.'
O visitante mostrou a folha para o editor e indicou a tabela a seguir:
número de livros publicados.........................3.458
número total de esposas negligenciadas*.....1.643
número total de maridos desprezados.............258
esposas enganadas........................................1.001
maridos 'cegos'................................................569
suicídios...........................................................10
assassinatos.....................................................196
pedidos de casamento..................................6.766
pedidos de casamento renovados.................9.543
casamentos no último capítulo.....................5.222
casamentos escondidos...................................855
heróis expulsos.............................................1.337
heroínas que dizem 'Deixe-me, já!'...............2.477
heróis que dizem 'Nunca enquanto esse coração bater no meu peito.'.........1.744
vilões que tiveram o que mereceram...........3.455
sub-vilões que tiveram o mesmo fim...........3.456
mortes.............................................................627
fortunas perdidas (total)............................. USD$ 8,798,543,222,116.99
heranças inesperadas.................................USD$ 2,664,538,942,001.75
pirados..........................................................2.256
outros personagens engraçados....................1.200
'B'goshes' surpresa.............................104.288.362
'Gadzooks' perplexidade...............................8.941
crianças espertas que reunem os pais................75
roubos a banco.................................................555
outros crimes..................................................7933
atos nobres...................................................15.164 

*unappreciated poderia ser 'mal amada', mas me segurei e optei por negligenciada

O que eu vi de tão bacana nessa lista? Conto:
1- Romances são a reinvenção da roda, aparentemente.
Se o narigudo chegou a identificar dados similares/iguais para compilar é porque lhe pareceu mais do mesmo. Na hora me lembrei da primeira resenha de Razão e Sensibilidade, lá em fevereiro de 1812 : 'Os amantes de romances podem ter apenas uma idéia da dificuldade que nós, revisores, temos avaliar a linguagem com a qual devemos dar nosso julgamento sobre esta espécie de escrita. Os inúmeros romances que continuamente se apresentam ao nosso conhecimento, em substância, estilo e tamanho são tão parecidos, que depois de ler as três primeiras páginas, podemos com muito pouca dificuldade não só saber como eles terminarão, mas também dar uma palpite perspicaz sobre os vários incidentes que irão ocorrer, as dificuldades e perigos que devem se acumular, com todos os vexames, constrangimentos, etc. & c. que são tão altamente necessárias para compor um romance da moda.
Não somos inimigos de romances ou escritores novos, mas lamentamos que na multiplicidade deles existam tão poucos dignos de qualquer elogio particular. Um romance gentil e bem escrito é tão agradável quanto uma comédia elegante, da qual tanto diversão quanto instrução podem ser derivadas. 
Ao menos gostaram muito de 'uma dama', maga Jane Austen pq continua assim...
'"Sense and Sensibility" é um entre os poucos que podem reivindicar este elogio justo.'
Isso é só um trecho, a resenha tem 4 páginas.
E, se o escândalo de copy&paste de fevereiro de 2019 (207 anos depois dessa resenha) deixou de food for thought foi como falamos e gostamos de ler la même chose. Foram, sei lá, 10 livros/histórias de amor compostos de trechos de outros livros/histórias de amor que apesar de virem de 40+ fontes diferentes, faziam sentido quando unidas. Bicho, é de pirar esse copy&paste. Gosto de falar nisso, não...

2- Mulheres à beira de um ataque de nervos
Na verdade, foi a primeira coisa que vi. O narigudo identificou que havia 6,5 vezes mais esposas negligenciadas mal amadas que maridos desprezados, quase o dobro de esposas enganadas a mais que maridos passados para trás. Justo hoje, DIA INTERNACIONAL DA MULHER, é duro ver isso. 
Daí vem a piração de Moira: público majoritário de romances (novels) é feminino > assunto mais popular é o sofrimento feminino > mulheres gostam de ler o sofrimento dazamigas para:
a- fazer catarse
b- se vingar
c- alimentar a esperança de que seu sofrimento tem fim
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essa série me pirou o cabeção...
pic de telegraph
Me deixa desconfortável expor isso, mas analise e tire suas conclusões.
(quote do twitter)

3- Homens que não aceitam um 'não' como resposta
Em 6.766 pedidos de casamento deve ter havido algum número de 'sim's e choros e beijos, correto. Então como explicar 9.543 insistências? Alguns desses guapos devem ter pedido a lady em casamento várias vezes. Migo, não é não!
radar da noticia
E os românticos 855 casamentos escondidos - elopment - que eu traduzi como 'escondido'-, mas na verdade é o conjunto de atos: fugir+casar sem consentimento+longe de casa.
Ain, que lindeza isso... imagina Lydia Bennet fugindo com Wickham em Orgulho e Preconceito?...
Eita, que roubada! Ele era um encostão jogador bebedor que devia a Deus-e-o-mundo, ela era uma LOKA...
E quanto ao famoso Caso do Sequestro de Shrigley?  A herdeira Ellen Turner tinha só 15 anos .
A também herdeira Augusta Nicholson tinha só 14 quando fugiu com o artista, mas ali é dito que havia amor.
Mas temos muitos casos na literatura de sequestro de noivas, como a Camilla de Frances Burney, isso nunca é legal. Não acho. Huh-huh. 

4- No final, o bem vence o mal
É o que todo mundo espera de um romance, né? SIM!!!
Outro dia me mostraram um video de Annabel, uma autora de romances suuuper hot que falava - bem irritada - do porque todos os heróis de romance novels serem bem dotados. Na hora achei exagerada, depois dei razão. Realidade a gente tem todo dia, quando a gente abre um livro, nem que seja nesse detalhezinho (hahaha) queremos ver o arco-iris no final do túnel. Então, é bom o heroi ser bem dotado, saber usar as joias da família, ser rico e generoso e as maldades (dele ou do vilão/vilã) serem vingadas!
CAME A LOT or CAMELOT?

5- Quais eram esses livros, afinal de contas?
A Wiki, viva ela!, conta de alguns. O retorno de Sherlock Holmes, A casa da alegria, A invasão do mar, Farol do cabo do mundo, Kipps a história de uma alma simples, Major Barbara, Onde anjos temem ir e outros tantos.
Como está sua lista de leitura? TBR vazia?
Topa incluir esses tantos para conferir o trabalho do homem narigudo?


E quanto a hoje, nosso dia, dia da mulher?
Vamos de promoção, porque livros são para ser lidos!
\/ link direto para compra \/
e me avisa qual deles você quer!
promo até dia 16.03.19
bjs

nota: pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
google-site-verification: googlef278b9e7e9053a1d.html

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

O piano na preparação de moças casamenteiras da Regência

Olá,
Sigo na perseguição da plena educação para tornar-me uma lady a preparação de moçoilas para o matrimônio, de preferência com cavalheiros de posses ou membros da nobresa.
Nesta caminhada, as amigas são de grande ajuda. Fran, fair lady Janeite, ofereceu este artigo tão bacana sobre a importância do piano na educação feminina nos tempos da Regência, época de Jane Austen. E isso abriu uma caixa de Pandora.
Image result for piano lady ghost painting
'a lady playing a spinet' de CVHolsoe
pic do Twitter
Me interessei na hora!
Daí, conversamos sobre, pesquisei e... 
A coisa tomou fermento!

O instrumento gera muita discussão bacana, tem muita fonte de pesquisa e tudo acho interessante. 
Então resolvi dividir em 4 posts.
Esse é o 2º que tem o artigo original
O piano na Era da Regência
com meus comentários abaixo.

Neste, conto e mostro tipos de pianos usados na Regência e era Vitoriana e seus antepassados. 
Falo de alguns virtuosos e faço uma breve introdução ao que será discutido.

Ao final, incluo links para os dois outros
O piano e a música para Jane Austen
aqui localizo o instrumento na vida e nas obras da Diva



Vamos ao artigo.
Image result for piano lady ghost painting
spirit, GRoux, 1885



Piano na Era da Regência  

O piano 
 O piano era um símbolo proeminente de classe e prosperidade, entre outras coisas, durante os séculos 18 e 19. Símbolos como esse visto em Orgulho e Preconceito de Jane Austen são um aspecto crucial para um romance poderoso. O período de Austen era drasticamente diferente do nosso, no entanto, e isso é importante para entender como o significado de símbolos culturais mudaram ao longo do tempo


Reconhecer como os símbolos mudaram, 
e compreender os significados que costumavam ser associados a eles, 
é crucial para uma interpretação fidedigna do texto. 

É muito importante entender que nos séculos 18 e 19 o comportamento social do piano, como sua importância e significado no presente, diferem grandemente do seu significado simbólico anteriormente. Se forem compreendidos, uma  interpretação do texto não será precisa, e por isso é tão importante pesquisar e descobrir os simbolismos do período da autora, a Era da Regência.  
Piano Classics from the World of Jane Austen
CD disponível na Amazon
Papel de gênero do piano 

 Há uma conexão significativa entre o piano e o sexo feminino. 
Os estudos de piano eram mais comuns para meninas do que meninos naquela época. Como explicado no artigo “Woman in Piano Pedagogy” (em tradução livre Mulheres na pedagogia do piano) por Debra Brubaker Burns, Anita Jackson e Connie Arrau Sturm, o piano era considerado um perfeito passatempo para uma senhora bem-criada no século 19.  
As mulheres eram encorajadas a entreter seus visitantes e familiares com suas performances, mas desencorajadas a procurar carreiras como musicistas, porque isso era considerado “uma profissão muito fatigante para mulheres” como dito pelo editor da revista inglesa de música “World” em 1939. Buscar uma carreira musical não era aprovado, mas uma quantidade crescente de mulheres começou a tocar para ganhar renda e, assim, maior independência. Entre 1852 e 1881, o número de musicistas mulheres triplicou, como explicado em “Woman in Piano Pedagogy”. 
Em O&P, Mary é frequentemente encontrada tocando piano, e ela também é muito independente, assim sua performance é possivelmente uma manifestação social de Austen falando contra os direitos limitados das mulheres. 
Jane Austen Entertains: Music from her own library
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Como dito por Mary Burgan, tocar piano era o indicador de status social assim como um dos feitos da mulher da sociedade refinada. 

Como nós podemos ver, o papel dos pianos mudou drasticamente. Em nossos tempos modernos, o piano não tem correlação com o gênero. Meninos tocam piano, meninas tocam piano; tem o mesmo sentido de um garoto ou garota indo à faculdade. No passado, era algo que só homens faziam. No século 21, é comum para ambos os gêneros frequentar faculdade. 


Esse é outro exemplo de como os sentidos e a implementação 
de diferentes coisas na sociedade mudaram com o tempo. 

Agora o piano não tem nenhuma associação que costumava ter; é simplesmente um instrumento, assim como o violoncelo e/ou trompa. Enquanto muitas famílias de classe alta, com frequência, possuíam um grande piano e um lugar em sua larga sala de visitas, o piano era em si, algo desfrutado e praticado por todas as classes.
  
Relevância e Significado do piano na Era da Regência  
 A maior importância do piano era fazer as jovens damas mais atraentes para o casamento, enquanto simultaneamente atuar como um símbolo das posses da família. O piano se tornou um instrumento onipresente nas casas burguesas. Garotas de posses com frequência começavam a tocar piano desde cedo e continuavam a aperfeiçoar suas habilidades até se tornarem mais velhas e mais maduras. Apesar de fazer a mulher mais atrativa para o casamento ser a razão mais importante para tocar piano, havia também outras razões. O piano provia música para todos os membros da família desfrutarem.  
Mulheres eram encorajadas a tocar para convidados e eram entretenimento para os familiares, mas como dito anteriormente não significava buscar carreira profissional. Se uma mulher buscasse uma carreira profissional, isso significaria que ela estava escapando de sua respectiva esfera de existência, que era a da casa e da família.  
O piano era muito importante na Europa como um símbolo de status. Christopher Wagner explica que, “o preço [do piano] no fim do século 18 caiu, mais ainda assim, apenas família de posses, eram quem podiam pagar por eles. Um piano de cauda custava tanto que poderia equivaler um ano de ganhos de um trabalhador habilidoso. O piano era um instrumento de classe, e classe era muito importante na sociedade do século 18 e 19, e então era muito importante para famílias ricas ostentarem um piano.  
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Importância do piano, e outros símbolos em Orgulho e Preconceito.  
 Os símbolos no romance de Austen, tais como o 
- piano, 
- cartas, 
- salões de bailes e 
- propriedades rurais com grandes sedes
refletem as engrenagens da cultura do período. 
As cartas da época de Austen carregam um significado bem diferente dos que elas têm agora. No século 21, as cartas não são muito usadas, foram substituídas por inúmeros tipos de dispositivos eletrônicos de comunicação, como os e-mails e mensagens. Na era de Austen a carta era a única forma de comunicação à distância, além do mensageiro pessoal, é claro (o que a maioria das pessoas não tinham), e isso era uma significativa parte da vida e uma arte a ser aprendida. 
Da mesma forma que o piano que é agora mais ou menos apenas um instrumento musical, na época de Austen era um símbolo de posses, classe, habilidades, entretenimento, e credibilidade para uma mulher no departamento do casamento. 
Do mesmo jeito ser uma boa escritora de cartas refletia a sua educação, sua habilidade ao piano era muito importante. Subentendia-se que uma boa tocadora de piano vinha de família com dinheiro que podia adquirir um instrumento, arcar com o custo de aulas e ter tempo livre para estudar já que ela não precisava trabalhar, ou seja, seria um bom partido, item visado no mercado do casamento.  


O piano e Orgulho e Preconceito 

(Frases explicadas) 
Capítulo 29, Lady Catherine interroga Lizzy Bennet.


“Oh! Então, uma hora ou outra, ficaremos feliz em ouvi-la. 
Nosso instrumento é excepcional, provavelmente superior a... 
Você deveria experimentar um dia. – Suas irmãs tocam ou cantam?” 


Nem Lady Catherine nem sua filha Anne tocam piano, mas mesmo assim elas tem um instrumento de qualidade excepcional - lembre-se que isso é símbolo do riqueza e poder delas. 
Lady Catherine deve ter pianos em sua casa para simbolizar sua própria superioridade social e financeira. Mostrar sua riqueza e poder era muito importante na época, e, portanto, era necessário para ela possuir seu próprio instrumento.  


“Por que nem todas aprenderam? Vocês todas deveriam ter aprendido. 
Todas as senhoritas Webb tocam, e o pai delas não tem uma renda tão boa como o de vocês.
Você desenha? 


É dado a Lady Catherine o status social, e com isso o direito inerente de perguntar a Elizabeth praticamente qualquer coisa que ela quiser. 
Além disso, Lady Catherine sente como se tivesse o conhecimento final em todos os assuntos, o que nem de longe é verdade. 
Lady Catherine se pergunta por que Elizabeth e suas irmãs não tiveram aulas de piano, especialmente quando famílias com até menos fortuna do que os Bennets investiram em suas filhas. Lady Catherine espera que todas as mulheres de relativa renda devam tocar piano, porque é isso é a expectativa social da época.  
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Cap 31, Darcy e Lizzy trocam farpas ao piano na frente de Cel. Fitzwilliam.
“Meus dedos”, disse Elizabeth, “não se movem sobre o instrumento da maneira magistral que vejo os de outras mulheres fazerem. 
Eles não têm a mesma força ou rapidez e não produzem a mesma impressão. 
Mas sempre supus ser culpa minha - porque não me dou ao trabalho de praticar. 
Não é que eu não acredite que meus dedos tão capazes quanto de qualquer outra mulher de talento superior.”

O instrumento é um facilitador ao casamento, um canal para relacionamentos e flerte. Darcy e Elizabeth estão envolvidos em uma conversa de flerte, enquanto ela está sentada no piano. 
Até esse ponto, Darcy e Elizabeth não tinham sido muito amigáveis um com o outro, mas uma vez que estão instalados próximo ao piano, o flerte segue. Dessa forma, vemos que o piano é uma conexão entre homens e mulheres.
Ele não é mais usado dessa maneira, mas sua natureza atrativa anterior não pode ser negligenciada por que isso desempenha um importante papel no texto.

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Moira comenta...

Saber que o piano - pianoforte - era importantíssimo para a educação das moças nos faz ver Austen nas entrelinhas. Ela escrevia o que vivia, um espelho de sua sociedade em que projetava anseios, algo de bibliográfico, talvez projeções para o futuro e suas ideias sobre a situação feminina.
Como se sabe, Jane Austen nunca se casou, recusou propostas e até quebrou uma promessa de casamento. Se a princípio ela assinava suas obras como 'A lady' para evitar ser reconhecida com escritora por receio do que faria com sua imagem, depois passou a se resguardar de uma união que lhe traria novas responsabilidades como casa e filhos para continuar escrevendo. (alguns dizem que ela era avessa à fama, mas nem ela nem ninguém tem como saber que será um sucesso logo de cara, né? Depois de R&S e O&P ela FICOU famosa, mas mesmo antes se recusava a usar seu nome. Somente após sua morte, seu irmão favorito - o banqueiro - publicou Northanger com o nome dela.)
Mas, mesmo solteirona, Jane tocava bastante e bem. Assim que fez dinheiro com suas obras e parou de se mudar com a mãe viúva e a outra irmã solteirona, comprou um pianoforte. No final da vida, acordava cedo para tocar antes que a casa ficasse barulhenta. Logo, entendemos que era prendada, foi educada para ser uma dama completa na sociedade.
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E não é isso que ela faz com as Bennets? Lhes dava a chance de ser bem cotadas no mercado de casamento, mas cada uma decide seu caminho. As meninas más rechaçam ensinamentos, as boas aprendem conforme seu capricho dita. Pouco importa se vão conseguir bons casamentos, a despeito do desespero da mãe.
Continuando o interrogatório do cap 29, Lady Catherine pergunta...
 "Você desenha?"
"Não, não mesmo."
"O que, nenhuma das irmãs?"
"Nenhuma."
“Isso é muito estranho. Mas suponho que você não teve oportunidade. Sua mãe deveria levá-la à cidade toda primavera para o benefício dos tutores."
“Minha mãe não teria objeção, mas meu pai odeia Londres.”
"Sua preceptora deixou você?"
"Nós nunca tivemos nenhuma preceptora."
“Nenhuma preceptora! Como isso foi possível? Cinco filhas criadas em casa sem uma preceptora! Eu nunca ouvi falar de tal coisa. Sua mãe deve ter sido muito escrava da sua educação."
Elizabeth mal podia deixar de sorrir quando ela lhe assegurou que não tinha sido o caso.
“Então, quem te ensinou? Quem atendeu a você? Sem preceptora, você deve ter sido negligenciada."
“Comparado com algumas famílias, acredito que fomos; mas às que desejaram aprender, nunca faltaram os meios. Sempre fomos encorajadas a ler e tivemos todos os mestres que foram necessários. Aquelas que escolheram ficar ociosas certamente puderam."
“Sim, sem dúvida; mas isso é o que uma preceptora evita, e se eu tivesse conhecido sua mãe, eu a teria aconselhado a contratar uma. Eu sempre digo que nada deve ser conseguido na educação sem instrução constante e regular, e ninguém além de uma governanta pode dar..."

Então, quando o texto diz que Mary retratada ao piano em quase todas as suas cenas, era independente, entendi que se referia a essa passagem: independência para se dedicar ao que mais lhe agradava. Do talento da personagem se fala mal, o pai a ridiculariza no baile de Netherfield em público, as irmãs não suportam ouvi-la. 
Seria Austen nos dizendo ali que Mary era uma dama desejosa de casamento, mas mal cotada no mercado?
E quanto a Jane, a mais bela e recatada, o que se fala de seus talentos musicais? Quase nada...
Já Lizzy admite que toca mal porque não se dedica. Seria essa descrição da personagem tradução para isso?

Trocando em miúdos:
boa pianista > moça apta a bom casamento

Termino com Emma 
Capítulo 10, um comprido bate-papo com Harriet
"Eu me pergunto, senhorita Woodhouse (Emma), se você não deveria ser casada ou se casar! Tão encantadora como você é!”
Emma riu e respondeu: “Meu charme, Harriet, não é suficiente para me induzir a casar; preciso encontrar outras pessoas encantadoras - pelo menos uma pessoa. E não só apenas, não vou me casar no momento, mas tenho muito pouca intenção de casar.”
“Ah! mas não posso acreditar."
“Preciso reconhecer alguém muito superior a qualquer um que já tenha visto para ser tentada; o Sr. Elton, você sabe, (recordando-se) está fora de questão: e eu não desejo encontrar tal pessoa. Eu preferiria não ser tentada. Eu não posso realmente mudar para melhor. Se me casar, devo esperar que me arrependa."
"Minha nossa! - é tão estranho ouvir uma mulher falar assim!"
Não tenho nenhum dos habituais incentivos das mulheres para se casarem. Se eu me apaixonasse, de fato seria uma coisa diferente! Mas nunca me apaixonei; não é meu caminho nem minha natureza; e eu acho que nunca vou. E, sem amor, tenho certeza de que deveria ser uma tola para mudar uma situação como a minha. Fortuna eu não quero; emprego eu não quero; conseqüência eu não quero: eu acredito que poucas mulheres casadas tem tanto poder na casa do marido como tenho de Hartfield; e nunca, nunca poderia esperar ser tão amada e importante; então sempre primeiro e sempre certo nos olhos de qualquer homem, como eu estou no meu pai. ”
"Então, para ser uma solteirona afinal, como a srta. Bates!
“Essa é uma imagem tão formidável quanto você poderia me apresentar, Harriet; e se eu pensasse que eu deveria ser como a srta. Bates! Tão boba - tão satisfeita - tão sorridente - tão prosaica - tão indistinguível e desatenciosa - e tão apta a contar tudo quanto se relaciona a todos a meu respeito, eu me casaria amanhã. Mas entre nós, estou convencida de que nunca pode haver qualquer semelhança, a não ser quando se é solteira."
“Mas ainda assim, você será uma solteirona! E isso é tão terrível!"
"Não importa, Harriet, não serei uma pobre solteirona; e é só a pobreza que torna o celibato desprezível para público generoso! Uma mulher solteira, com uma renda muito estreita, deve ser uma solteirona ridícula e desagradável! (...) uma renda muito estreita tem uma tendência a contrair a mente e azedar o temperamento. (...)”

Nessa obra, Jane Austen usa o pianoforte como pista de grande segredo se desenrolando nos bastidores que passa desapercebido para quem ignora o valor e o simbolismo do instrumento nesta época. 
É um tipo de coisa que a autora não precisa explicar, 
pois para ela é valor intrínseco.

Se Emma não quer casar e Jane Fairfax é sobrinha de solteirona sem fortuna que precisa casar para se manter, é natural que a melhor pianista seja... Jane!
Veja:
Capítulo 8, na casa dos Cole, a Sra. Cole comenta
Sempre me magoou muito que Jane Fairfax, 
que toca tão deliciosamente, não tivesse um instrumento.

Capítulo 9,
A outra circunstância de arrependimento (de Emma em ter ido à casa dos Cole na noite anterior) também se relacionava com Jane Fairfax; e lá ela não tinha dúvidas. Ela sincera e inequivocamente lamentava a inferioridade de seu próprio tocar e cantar. Ela ficou muito entristecida pela ociosidade de sua infância - e sentou-se e praticou vigorosamente uma hora e meia.
Ela foi então interrompida pela chegada de Harriet; e se o elogio de Harriet pudesse satisfazê-la, ela poderia ter sido consolada.
“Oh! se eu pudesse tocar tão bem quanto você e a senhorita Fairfax!
“Não nos classifique juntas, Harriet. Meu talento não é maior que o dela, como uma lâmpada para o sol. ”
“Oh! querida, das duas, eu acho que você toca o melhor. Eu acho que você toca tão bem quanto ela. Tenho certeza de que preferia ouvir você. Todos ontem à noite comentaram o quão bem você tocou."

Amigas são para essas coisas, né, Harriet!... Se Emma toca melhor, como pode tocar tão bem quanto? Huh?
E perceba, Emma se arrepende de sua ociosidade em sua própria educação como as Bennets de O&P. Lizzy - que desdenha de  propostas de casamento - fala que poderia ensaiar mais. 


No próximo artigo vamos mergulhar no magnífico Broadwood de Emma, Anne Elliot presa ao piano em Persuasão e a educação das moças de Mansfield Park.

piano practice, 1924, GG Kilburne

Tradução e generosa parceria de Fran, da excelente página Adaptações de Jane Austen
Tradução das obras de Jane Austen são minhas, livres.