sábado, 2 de novembro de 2019

Editoras de Vaidade x auto-publicação

olá!
Estava preparando um longo post sobre a história do Halloween, mas ando tão atarefada que o Dia das Bruxas passou e ainda não terminei de listar informações e fontes. Parte da culpa vem de uma discussão que o Quora Digest me mandou.


Sabe o que é VANITY PUBLISHER?
EDITORA DE VAIDADE
TIAS antique shop
Deve ter sido mais uma daquelas coisas que o Google 'advinha' que queremos ler/saber mais e nos manda como se fosse mágica.
Pois bem, esse assunto muito me interessa. Eu sou adepta da auto-publicação (self-publishing); faço desde o meu primeiro livro 'FRIENDSHIP OF A SPECIAL KIND'. 


AUTO-PUBLICAÇÃO
de minhas obras me dá liberdade para decidir capa, diagramação, datas de publicação, todo o processo. Claro, como tudo na vida, esse escolha tem prós e contras...
PRÓS:
- controle do enredo;
- palavra final sobre qualquer revisão;
- decisão sobre capa, sinopse, etc
- royalties exclusivos para mim
CONTRAS:
- trabalhão que dá depois de escrever o manuscrito;
- cuidar do marketing;
- contratar profissionais para me ajudar;
- vender e despachar pelos Correios;
- lidar com contabilidade e aspectos legais.

De tudo, o que mais me incomoda é marketing. Falar para o mundo que meu livro existe e que vale a pena ser lido. Moleza, não...
Mesmo assim, acho que vale a pena. KDP, Lulu, Smashwords, etc foram uma revolução no mercado - que também ajuda na proliferação de obras plagiadas, sem revisão, etc, etc.
Mas faz um tempo que ouço falar em amigas e conhecidas - amigos também - que pagam para ser editados
Vou falar, gosto disso não.
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Levei um tempo para entender a razão de um autor pagar para outro editar seu trabalho. E nunca é barato! Outro dia pediram a uma autora que conheço - vamos chamar de Lizzy - R$ 11.000,00 por cada livro da série de 5 romances hot que ela tem. Já estão online (self-publishing) em ebook com boa aceitação, achei que ela não tinha necessidade de gastar R$ 55.000,00 para ter as obras em papel. Não que ela tenha perguntado minha opinião, e muito menos eu ofereci. Apenas fiquei incomodada.
Com a tiragem prometida de 500 exemplares de cada, seria preciso vender cada unidade de livro por mais de R$ 25,00 para haver lucro que a editora prometeu dividir com ela depois que metade fossem vendidos, ou seja, 250 unidades de cada. Com esta Bienal de TUDO POR R$ 10,00, um livro por R$ 30,00 é fora de padrão. Como o meu romance histórico/de época CARTAS À DORA, por exemplo, que é um livrão de 500 páginas e por isso, mesmo indie, custa caro.
Enfim, além de imprimir 500 livros por R$ 11.000,00 (preço de custo: R$ 22,00 cada), a editora prometeu capa, revisão, distribuição nacional. Nesta hora eu perguntei: 
E o marketing? 
Lizzy não soube responder...
Já era o meu tendão de Aquiles, ainda mais depois que assisti minha partner Lucy Dib no bate-papo do espaço Kindle na Bienal do Rio conversando sobre grandes editoras x indie no kindle. Lá falaram que uma grande editora faz marketing de um livro e de outros 200, ou seja, esforços de propaganda divididos entre a cartela de produtos.
Eu então disse à Lizzy que me perdoasse a intromissão, mas se ela tinha essa grana disponível, era melhor gastar em PROPAGANDA. Contratar um assessor de imprensa, propagandas pagas nas redes sociais, na Amazon, sinal de fumaça, aviãozinho com faixa, sei lá. 
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Falo isso para todo mundo que me pedir opinião, btw.
Foi então que, como se ouvindo minhas conversas, o Google me enviou a discussão no Quora.
Uma pessoa que se identificou como 'profissional da área editorial' classificou VANITY PUBLISHING como um esquema, uma enganação, rouboOutra pessoa, supostamente dono de uma empresa de auto-publicação (alguém que dá tratamento profissional ao livro para que o próprio autor coloque à venda) entrou na discussão para defender o tema. Foi bem boa!
O meu ponto de interesse foi a denominação para o que eu chamava de 'serviço de impressão'. Porque se uma editora pega meu manuscrito por grana, faz capa, diagramação, imprime, me manda metade dos livros e guarda na gaveta o resto - ou manda 1 para uma livraria de Salvador ou do Oiapoque - pouco me ajudou. Para eles nem interessa muito VENDER OS LIVROS já que a produção está paga, sem custos para a editora (até algum lucros). Para mim como autora, interessa que leiam o que escrevi e eu mesma me desdobro em postar propaganda. 
Ora, para isso faço sozinha!
A diferença para auto-publicação é que o autor não lida com gráficas ou designers, porque vamos falar a verdade, revisão séria de correção gramatical e copydesk com sugestões de ajuste de enredo só faz mesmo editora que está investindo grana. Revisão prometida por editoras de vaidade nunca rola. Pensa em quantos livros esquisitos ou desconectados você já leu...
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A diferença entre uma dama e uma vendedora de flores não é como ela se porta, mas como ela é tratada.
Mesma coisa com livros...
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LUCRO PARA QUEM?
No Quora, a discussão foi reduzida a RISCO. De quem é o risco, no sentido de investimento & lucro financeiro. Abaixo traduzo a melhor explicação na discussão.

Editores comerciais, lucram com a venda de cópias de livros.  Eles pagam o escritor pelo manuscrito (adiantamento ou COMPRA DOS DIREITOS DE PUBLICAÇÃO, embora às vezes não paguem muito) e fazem a edição, impressão e distribuição sem cobrar do autor.  Eles estão correndo o risco. 

- Os editores de vaidade lucram cobrando dos autores a edição, impressão e 'distribuição' de seus livros (a distribuição é geralmente mínima, por exemplo, colocando-a na Amazon).  O autor está assumindo o risco.


- A autopublicação é onde o autor edita, imprime e 'distribui' seu próprio livro (novamente a distribuição é geralmente mínima, por exemplo, colocando-o na Amazon).  O escritor está assumindo o risco (embora os custos sejam baixos, portanto não há muito risco).

Ficou claro?

No Brasil, não conheço serviço de autopublicação como os que participaram desta discussão, mas acho muito válido. Acho brochante perder meu tempo criativo com formatação, revisão, ajuste de design de capa e às vezes o arquivo é recusado em sites de venda por não estar adequado em um detalhezinho... que me toma horas. Outro dia reclamei tanto da Amazon no Twitter que um consultor gringo deles me ligou para resolver o glitch no sistema. Saco!
Um facilitador de meio de campo agradaria muito! Conhece algum? Me fala!
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pinterest
LIVROS DE PAPEL
Autopublicação parece simples o suficiente, novos ebooks entram no ar a cada segundo; livros de papel no entanto são mais complicados. Será?
Que nada ! 
O Createspace da Amazon foi unificado com o Kindle para tornar a conversão de arqivos de ebook para papel mais direta. Particularmente acho que o sistema perdeu em qualidade, mas agora tenho tudo no mesmo painel e controle unificado de rendimentos enquanto meus leitores continuam a poder comprar os livros de papel em qualquer lugar do mundo.
A PerSe de São Paulo faz serviço similar, totalmente online e a equipe é show! Super solícitos, amáveis, interessados. 
O preço de print-on-demand (impressão sob demanda ou por pedido) infelizmente é mais alto do que mandar imprimir livros em quantidade. Uma cópia única custa bem mais caro, claro! Mas o autor não precisa investir grana $$ para fazer 50, 100, 200 livros.
O bacana de autopublicação de livros de papel neste sistema é que o LEITOR paga para receber um livro impresso especificamente para ele, o AUTOR não precisa gastar grana. Mas também não envia livros autografados com marcadores. Nem lida com os Correios. (Isso é bom!)
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sweetyhigh
Esse esquema eu adoro, não tenho muito espaço para guardar caixas de livro, o pessoal aqui de casa fica de olho no quanto dou uma de acumuladora. No print-on-demand eu fico livre e quando o leitor entra em contato comigo, mando marcadores autografados - perfeito!

VANITY PRESS não é novidade...
Eu viro e mexo e volto para o século 19! 

A Wiki conta que vários autores clássicos considerados gênios, referência, fizeram uso desse recurso, ou seja, PAGARAM PARA SER PUBLICADOS para ter controle do processo e dos lucros. Lewis Carroll, pagou as despesas da publicação de Alice no país das maravilhas, Mark TwainGeorge Bernard Shaw, Edgar Allan Poe, Rudyard Kipling, Henry David Thoreau, Walt Whitman e Anaïs Nin entre outros. Nem todos esses autores tiveram sucesso; o negócio editorial de Mark Twain, por exemplo, faliu.

Espera, foi AUTOPUBLICAÇÃO ou uso de EDITORA DE VAIDADE? 
Os autores estavam investindo no seu sonho, apostando no seu talento... 
FAZ DIFERENÇA?
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Ah, então se eles fizeram, não tem problema nisso!...
DEPENDE!
Esses autores, ao que parece, pagaram pela IMPRESSÃO de livros para vender por conta própria, talvez entregassem em livrarias conhecidas. Tem muita gráfica que faz isso, eu já usei algumas. 
Mas... uma editora COBRANDO para aceitar um manuscrito para seu acervo quando no fundo fará o serviço de gráfica de luxo, ou seja: deixar o livro esquecido no depósito sem fazer força para 'botar na rua', aí eu concordo com o pessoal do Quora: é um esquema!
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know your meme
No final o autor fica com um gostinho amargo na boca, acha que foi enrolado ou negligenciado pela editora... Meu conselho: pensa bem antes de assinar um checão para uma editora.
Um dos meus projetos de coletânea começou a rolar desta forma e não gostei da experiência, não. Até pensei em pular fora, mas aí teve treta & treta & treta e tomamos novos rumos. Resumo: Não recomendo pagar para ser editado. 

De qualquer forma, se ainda quiser ler e aprender mais sobre isso, eu li e pesquisei aqui, aqui e aqui.

bjs



e meu último AUSTENITE lançado na Bienal está aqui!





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