domingo, 6 de maio de 2018

Romances Históricos - para que servem? (além do óbvio)

Olá,
venho pensando em compor esse post por um tempão, mas parece que quanto mais pesquiso, mais coisas tenho a escrever e menos consigo organizar. Típico para mim.


O óbvio valor dos romances históricos é óbvio para todos, oras! Quem nunca morreu de amores lendo ou assistindo 'E o vento levou', 'O feitiço de Áquila', 'Bodas de fogo', 'Orgulho e Preconceito'? Mas para mim, sempre fiquei encucada com o que ficava dito nas entrelinhas, o que não era explicitado e estava lá espetando como um espinho sob a unha: a vulnerabilidade da mulher, a falta de informações, as sombras.

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Sarah foi a 10ª filha da Rainha Victoria, sabia?
Isso foi me fascinando.

Demorei a conseguir escrever romances históricos por medo, acho, de não conseguir captar essa delicadeza. Porque não basta escrever algo moderno onde as personagens usam saias longas, há que se mergulhar naquela realidade. E para isso, precisei entrar no espírito da coisa.

Há muito existe Austen na minha vida (duh!), mas sempre fugi para adaptações modernas. Foi por ela que comecei em baby steps nos romances históricos, despacito. Gostei. Mas não toquei em assuntos complicados, lidei com versões e vertentes de O&P - o que adoro fazer.
meus romances históricos, JAFFs, em inglês

Agora trabalhando em romances autorais em Português, pesquisando muito e criando um universo que começou pequeno e que vai assumindo proporções ambiciosas, me peguei envolvida no raciocínio maior, avaliando a importância que posso atribuir ao conunto da brincadeira - além da diversão, claro.

Descobri que tem muita gente que pensa como eu, que vê o mesmo que eu em romances históricos: muito valor! 

Voz para quem ficou esquecido
Conhecimento de pequenas irrelevâncias
Repensar o que se tem como verdade

Não só para colorir fatos históricos que já estudamos na escola, mas romances históricos também podem contar verdades esquecidas - até quem sabe, perigosas, mantidas na escuridão por alguma razão. 

Já tinha lido em algum lugar uma resenha falando de como eram relações sexuais no século XIX na realidade e no final o artigo perguntava: Isso importa? 
Puxa, fiquei pensando por dias... Nos romances históricos, a verdade verdadeira importa? Contar a verdade crua do que acontecia teria importância? Ou relevância?

Cheguei à conclusão que, como tudo na vida, tem e não tem. Depende. 
Resultado de imagem para Queen Victoria
O 'nude' que Vic tirou para o hubs
Depende da estória, do momento da narrativa, da verdade a ser contada. Especificamente na realidade da situação feminina, as coisas eram muito duras, eu não gostaria de me apegar a uma personagem e 'vê-la' (ler) sofrer com a vulnerabilidade real da mulher, como éramos tratadas como bem material. Sabemos que era assim, que ainda é no interior (ou fingimos não saber das noivas criança/adolescentes no interior do país), mas não vou querer ler isso no meu happy moment. Vou? 
Sem um véu cor de rosa por cima?...
Vou querer saber tin-tin por tin-tin a crueza da primeira vez de uma noiva donzela com seu noivo uma década mais velho? NO.... Quero que seja romântico e lindo e mágico...

Mas eu, Moira, tento manter um pé na realidade. Sempre.
No seriado, ele posa para esse 'nude'
Sem crueza, sem vulgaridade, com delicadeza, com pesquisa e principalmente, com licença poética. 
Mas, podes crer, tudo na real. 

Então, concluindo, sempre aprendo muito com romances históricos. Sempre fico com uma pulga atrás da orelha, vasculho dados históricos, procuro saber se tem fundo de verdade ou se é loucura do autor (se é, desgosto da estória - confesso), estudo costumes.

Escrever essas estórias está sendo assim para mim, 
enriquecedor e de certa forma, inquietante.
E eu como fico? Amando!

até, M.