& Moira Bianchi: escrever
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Devaneios de escriba

Olá,
Hoje o Google traz essa lindeza de surpresa no doodle especial:
Clicando achamos uma lindeza ainda maior.
google doodle do 98º aniversário de Clarice Lispector - 10-12-18

Clarice, claro. Sempre.
Macabeia, fatalidade e crueldade da vida corriqueira...
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Na pele de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares com as colunas inspiradíssimas e cartas respondidas, tema tão atual para mim que vivo enfurnada nos meandros dos manuais Vitorianos de boas maneiras da Inglaterra do século XIX...

“A questão toda está aí: você deve imitar você mesma. 
O que quer dizer: seu trabalho é o de descobrir no próprio rosto 
a mulher que seria se fosse mais atraente, mais pessoal, 
mais inconfundível. 
Quando você ‘cria’ seu rosto, tendo como base você mesma, 
sua alegria é de descoberta, de desabrochamento.”

Escrever romances é isso aí: me reinvento a cada estória nova!

Uma coisa me levou a outra e achei Sol LeWitt. Bicho, sou eu revisando! Coisa que ando fazendo (mentira, ando procrastinando a revisão do último volume completado dos Cupidos em Devon). Me ligo muito em quanto repito de uma mesma palavra em uma página. Olha, ele fez visualmente! 
Meu TOC levado à potência 3! 
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se tivesse grana, comprava esse obra no leilão.  SOY YO!
Nem foi na Hopkins, a casa de leilões da série CUPIDOS EM DEVON
Vida de escriba é assim para mim, ups & downs. 
Coincidências e descobertas, pesquisas e insights.

Pelo Dicionário Informal:
1. Escriba
Significado de Escriba Por Carlos Eduardo (MG) em 01-02-2010     
Na antiguidade, pessoa encarregada de escrever, como copista, secretário ou redator. 
Doutor da lei entre os Judeus.
Escrivão.
Funcionário subalterno que apenas copia textos. (Mau escritor.)
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preocupando com as críticas nesse nível de plenitude.
Boa segundona véspera de niver para mim, e para todos!

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Sol LeWitt no Met
Termino com essa obra pirante de Mr. LeWitt. Eu ficaria horas aqui.
Até.

Achei dicas de Clarice aqui, aqui e aqui.
Fotos do google página inicial, Sol LeWitt e pesquisa temática do dia

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Eu na radio! Participei do Xexelento da Peri!

Oi!
Hoje foi um dia muito diferente, fiz minha estreia em uma radio online! A Xexelento da Peri.

No dicionário online:
xexelentoadjetivo
1. desprovido de qualidade; de pouco valor.
2. de aparência desagradável; falto de beleza.
3. que adora implicar ou incomodar, implicante.
Expressão popular usada para qualificar pessoas ou objetos por seu  valor ou aspecto. O uso da palavra xexelento foi generalizado, aplicado para se referir a alguém ou lugar sujo, malcheiroso ou maltrapilho. 

Num sentido figurado, o significado de xexelento é empregado para se referir a alguém birrento, que implica o tempo todo ou a uma pessoa que é incômoda, chata ou aborrecida.

Um contestador? É... acho que sim!
Um inconformista! Taí, sentido perfeito!

Adorei o convite do amigo Bruno Blackk que conheci na roda de autoras da Primavera Literária de Setembro.
O programa é uma salada de culturas, é tudo que vivemos, um mar de atualidade.
Nesse, eu nadei falando de meus livros! Gente, que emoção!




Falei do processo criativo, das incertezas, das durezas e da alegria de escrever bem e tocar a vida das pessoas.
olha qta gente já foi lá ver! E acabou de acabar!...
Vem ver!
Eu começo em 2hs22min

Muito legal, não foi?


é o mantra do Bruno: 'Se tens um dom, seja!'

bj

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Sintonia fina

Olá,
Ontem, dia dos pais, meu hubs escolheu passar o dia em casa conosco & o Netflix. Eu, que já tinha ido à missa das 7 encontrar meu querido pappa, fiquei feliz em escolher títulos. Testamos algumas estreias até chegar na Sociedade literária e a casca de batata de Guernsey

Faz algum tempo q evito ler, parece q tudo - até um livro sobre a história das joias q comprei na Bienal do Rio do ano passado - me coloca no moedor de carne emocional. Ainda não tenho estabilidade emocional para lidar com narrativas de relação pai-filha incrivelmente inseridas em qq estória e/ou história. Somado a este impedimento muito dolorido, possivelmente por ele, ando produzindo muito. A minha série de romances Históricos anda a todo vapor, a sequência familiar de tretas e mutretas e amores está se desenvolvendo tão bem q me enche de tesão escrever.

Já falei antes sobre meu receio de fazer copycat, só isso já seria motivo suficiente para dar um tempo na leitura. Foi para me tirarem de um grupo de autores nacionais determinados a fazer auto-jabá...

Então, quando Guernsey começou, achei graça a personagem principal ser ‘Ashton’... em Eclipse do coração há uma personagem coadjuvante Ashton q tem gde importância na narrativa e conforme a série avançar, ela será pivotante. Ao contrário da Juliet Ashton de Lilly James em Guernsey (não li, então sei como ela é no canon), Kat Ashton é ‘mousy’, nervosinha, frequentemente repete o que fala. Assim:
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O nome veio de uma lista de batismos populares no final do século XVIII e início do XIX, muitos dos meus personagens vêm de lá. Lugares e títulos vem de mapas mesmo, especialmente históricos. Prefiro evitar pessoas reais pq não faço biografias, reluto em dar voz e diálogos a quem realmente existiu.

Mas esse sobrenome -Ashton- não é a única sintonia q meus romances históricos encontram. Notas explicativas de encerramento, disclaimers, etc também me aparecem como coincidências.  

Bem, vivo em um mundo globalizado, as referências estão aí para serem descobertas e consultadas sem precisar ir fisicamente na Biblioteca do Congresso de Washington ou a Nacional aqui do Rio.

Como tenho muito cuidado em não copiar ninguém, me resguardo. Todas as obras são registradas assim q fecho um draft bom o suficiente para enviar para editores/betas. Por isso, tenho segurança de que posso provar minha boa fé com facilidade - se houver necessidade. No caso da Ashton, por exemplo, o primeiro registro da obra é de 2015! Como a série está muito adiantada, metade dos livros já tem registro de propriedade intelectual, inclusive.

Minha primeira obra, Friendship of a Special Kind, tem um disclaimer oferecendo às amigas autoras de JAFF possíveis passagens q algumas identificassem similares, era uma homenagem a quem me ensinou a gostar de JAFF. Muitas leram em primeira mão, até. 

Citações eu faço sempre, aviso na página de copyright (pode procurar!), isso não me incomoda. As linhas e cenas que o subconsciente recicla e a gente escreve achando q é nossa ideia original sem se dar conta é que me mata de medo... Q vergonha! E como acontece!
twitter
Enfim, essa sintonia, culpa talvez da supervisão que o Google faz na nossa vida nos mostrando assuntos q procuramos mais, nomes e pessoas, é que me intriga.

E a Guernsey, gostamos. Claro! 
Cartas, livros, cicatrizes de guerra, love... como não? 
Mas achava que a vida de Juliet ia seguir em frente, não apostei no happily ever after apesar de ser previsível. 
Por que? Ué, a vida não para, né? Nem sempre conseguimos o que queremos e o coração quebra mesmo. 
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glospics
Mas, la nave va.
Até mais!

domingo, 6 de maio de 2018

Romances Históricos - para que servem? (além do óbvio)

Olá,
venho pensando em compor esse post por um tempão, mas parece que quanto mais pesquiso, mais coisas tenho a escrever e menos consigo organizar. Típico para mim.


O óbvio valor dos romances históricos é óbvio para todos, oras! Quem nunca morreu de amores lendo ou assistindo 'E o vento levou', 'O feitiço de Áquila', 'Bodas de fogo', 'Orgulho e Preconceito'? Mas para mim, sempre fiquei encucada com o que ficava dito nas entrelinhas, o que não era explicitado e estava lá espetando como um espinho sob a unha: a vulnerabilidade da mulher, a falta de informações, as sombras.

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Sarah foi a 10ª filha da Rainha Victoria, sabia?
Isso foi me fascinando.

Demorei a conseguir escrever romances históricos por medo, acho, de não conseguir captar essa delicadeza. Porque não basta escrever algo moderno onde as personagens usam saias longas, há que se mergulhar naquela realidade. E para isso, precisei entrar no espírito da coisa.

Há muito existe Austen na minha vida (duh!), mas sempre fugi para adaptações modernas. Foi por ela que comecei em baby steps nos romances históricos, despacito. Gostei. Mas não toquei em assuntos complicados, lidei com versões e vertentes de O&P - o que adoro fazer.
meus romances históricos, JAFFs, em inglês

Agora trabalhando em romances autorais em Português, pesquisando muito e criando um universo que começou pequeno e que vai assumindo proporções ambiciosas, me peguei envolvida no raciocínio maior, avaliando a importância que posso atribuir ao conunto da brincadeira - além da diversão, claro.

Descobri que tem muita gente que pensa como eu, que vê o mesmo que eu em romances históricos: muito valor! 

Voz para quem ficou esquecido
Conhecimento de pequenas irrelevâncias
Repensar o que se tem como verdade

Não só para colorir fatos históricos que já estudamos na escola, mas romances históricos também podem contar verdades esquecidas - até quem sabe, perigosas, mantidas na escuridão por alguma razão. 

Já tinha lido em algum lugar uma resenha falando de como eram relações sexuais no século XIX na realidade e no final o artigo perguntava: Isso importa? 
Puxa, fiquei pensando por dias... Nos romances históricos, a verdade verdadeira importa? Contar a verdade crua do que acontecia teria importância? Ou relevância?

Cheguei à conclusão que, como tudo na vida, tem e não tem. Depende. 
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O 'nude' que Vic tirou para o hubs
Depende da estória, do momento da narrativa, da verdade a ser contada. Especificamente na realidade da situação feminina, as coisas eram muito duras, eu não gostaria de me apegar a uma personagem e 'vê-la' (ler) sofrer com a vulnerabilidade real da mulher, como éramos tratadas como bem material. Sabemos que era assim, que ainda é no interior (ou fingimos não saber das noivas criança/adolescentes no interior do país), mas não vou querer ler isso no meu happy moment. Vou? 
Sem um véu cor de rosa por cima?...
Vou querer saber tin-tin por tin-tin a crueza da primeira vez de uma noiva donzela com seu noivo uma década mais velho? NO.... Quero que seja romântico e lindo e mágico...

Mas eu, Moira, tento manter um pé na realidade. Sempre.
No seriado, ele posa para esse 'nude'
Sem crueza, sem vulgaridade, com delicadeza, com pesquisa e principalmente, com licença poética. 
Mas, podes crer, tudo na real. 

Então, concluindo, sempre aprendo muito com romances históricos. Sempre fico com uma pulga atrás da orelha, vasculho dados históricos, procuro saber se tem fundo de verdade ou se é loucura do autor (se é, desgosto da estória - confesso), estudo costumes.

Escrever essas estórias está sendo assim para mim, 
enriquecedor e de certa forma, inquietante.
E eu como fico? Amando!

até, M.