& Moira Bianchi

terça-feira, 7 de abril de 2020

Jane Austen e a maçonaria secreta de Kipling

Olá!
Como vão indo seus dias de isolamento social?
Eu confesso que tenho sido bem menos produtiva do que imaginei.
Esse post de hoje, por exemplo, levei quatro dias para organizar! Mas ah, que pérola! Garanto que vai te deixar com um sorriso no rosto...
Uma maçonaria para Jane Austen?
lembra da Maçonaria nos Flintstones? haha

Sim, Austen Nation!

Deixa eu te contar como encontrei essa pérola, essa gracinha, essa fofura Austenite!...
Um amigo me fala há tempos de um documentário de Jane Austen que passa no canal Arte 1 da TV a cabo e nunca consigo. Ele que só conhece Austen pelo tanto que eu falo e pelo que escrevo (pq ele e migo de fé, irmão camarada e lê tudo que eu escrevo), sempre pegava o programa e me avisava, mas eu nunca conseguia. Estava fora de casa, ocupada, sei lá! Mas aí, semana passada ele me ligou dizendo: 'Para o que está fazendo e vai ver que o programa está começando!' Eu fui. 
O documentário é bacana mesmo, chama 'Adoradores de Jane Austen' (The many lovers of Jane Austen). Acho que não estará na programação pela semana de Páscoa (próxima), mas achei no Youtube o pedacinho que me fisgou.

Um 'amante' de Austen em especial, Rudyard Kipling, escreveu um conto chamado Janeites há 100 anos... Que interessante!
Na mesma hora pesquisei Janeites Kipling e fiz print da tela para pesquisar depois. Esqueci. Fiz a revisão final do manuscrito do meu novo projeto com a migona Lucy Dib, mandei para revisão, cozinhei, lavei louça, cozinhei, lavei louça (só faço isso nesses dias de isolamento infernal), até que me lembrei. 
Gente, que angu de caroço!
Puxei uma linha, veio um novelo infinito!
E incrível!...
msn com


Olha, primeiro de tudo, vamos ao homem, Kipling. Não é o dono da grife adorável do macaquinho - que aliás foi batizada E tem o macaquinho por causa do livro mais famoso de Rudyard Kipling, JUNGLE BOOK (O LIVRO DA SELVA) - mas o autor Inglês.
kipling

Tudo é tão rico e tem tanta significância que tomei um surra trabalhando nesta tradução. Amay fazer, mas desde já peço perdão por qq loucura de Janeite. Veja que mistura:


JANE AUSTEN + MAÇONARIA + 1ª GUERRA MUNDIAL
E isso casa?
Sim!!! 

Fato é que a cada pesquisa que eu fazia, mais uma vertente achava, mais um livro, mais uma fonte, mais me apaixonei pelo conto e a atmosfera criada por Kipling. Nunca gostei muito de Mogli, acho meio chatão, mas devo dizer que o autor tem uma finesse que me derreteu o coração. 
Palmas para ti, Mr. Kipling!


Organizei da melhor maneira que pude para te localizar no tempo & espaço, mas se quiser pular a explicação e ir direto ao conto (em outro post pq este aqui ficou muito recheado), garanto que vai rolar a mesma reação: olhos marejados e sorriso no rosto.

Bem, aqui vai meu trabalho duro. Espero que goste!
mensagem com amor


Joseph Rudyard Kipling (1865-1936) foi um jornalista inglês, escritor de contos, poeta e romancista. A Índia, seu lugar de nascimento, inspirou grande parte de seu trabalho. Seus livros infantis são clássicos descritos como “um presente narrativo versátil e luminoso”.
Maçom ativo em vários momentos da vida, membro da Sociedade Rosacruz, a Primeira Guerra Mundial tocou profundamente Kipling. Além dos horrores do conflito, seu filho John foi morto aos 18 anos na Batalha de Loos (França), em setembro de 1915. John havia tentado sem sucesso se alistar várias vezes até Kipling, o pai, pedir a intervenção de um velho amigo ex-comandante do exército Britânico e coronel da Guarda Irlandesa; só então John foi aceito na Guarda Irlandesa. 

Muitos documentos da época contam que os soldados nas trincheiras geralmente pediam cigarros e algo para ler - especialmente algo que tirasse suas mentes da dura realidade que viviam. Jane Austen era a favorita por seu bom-humor e sagacidade no realismo da vida da rural gentility. Assim, após a morte de seu filho, Kipling compôs vários trabalhos sobre a Primeira Guerra Mundial, incluindo um conto intitulado “The Janeites”, sobre um grupo de soldados da Primeira Guerra Mundial que secretamente era fã dos romances de Austen. Este conto, frequentemente citado como o local de onde veio o termo Janeite, foi publicado na revista Story-Teller em maio de 1924. Em 1926, Kipling publicou uma coletânea de contos chamados Débitos e Créditos (Debits and Credits). Nele existem quatro contos de inspiração maçônica, todos centrados em torno de uma loja maçônica imaginária e perfeita de Londres chamada 'Faith and Works No. 5837, E.C.' (Fé e obras num. 5837, E.C.). As histórias são: ‘Interesses dos irmãos’, ‘Janeites’, ‘Madona das trincheiras’ e ‘Amigo da família’. 
Nesta coletânea, com alguns pequenos cortes e acertos, Janeites foi precedido pelo poema ‘A sobrevivência’ e seguido por ‘Casamento de Jane’ (ambos poemas no próximo post).
No ótimo livro A romancista Jane Austen: Ensaios Passados e Presentes de J McMaster, há o capítulo Jane Austen como Fenômeno Cultural que trata disso.

'Janeites, o conto de 1926, divertidamente reformula James (Henry James, famoso por fornecer "a análise mais astuta das origens do Janeitismo"), de amoroso de Jane Austen a sua prole legítima. A história tem um lugar curioso no debate Janeite e, principalmente, pela reversão dos alinhamentos usuais de gênero. Como alguém que teve ocasião de observar os dados demográficos atuais das sociedades de Jane Austen, nas quais as mulheres são a grande maioria, saúdo o forte viés masculino da história; pois reforça a imagem de Jane Austen, apropriada para ambos os sexos e também para todas as estações.
A história se passa após a Primeira Guerra Mundial, entre veteranos que se reúnem para recordar. O personagem principal é um artilheiro da classe trabalhadora, Humberstall, que foi 'explodido duas vezes'. Depois da primeira vez, quando ele poderia ter ficado na vida civil com honras, ele ainda assim insiste em voltar à sua unidade, embora com sua capacidade mental diminuída notavelmente. (Suas credenciais como macho man são impecáveis.) Como ele não está mais em condições de usar as armas, ele recebe um emprego na retaguarda e, portanto, ouve muito da conversa de seus superiores. Na vida civil, um deles é advogado de divórcio, o outro, investigador particular; e, portanto, como consequência natural, ambos são misóginos. A única mulher que eles admiram, de fato idolatram, é Jane (seu sobrenome nunca é mencionado). Com analogias elaboradamente implícitas aos segredos e rituais maçônicos, seus escritos se tornam um código, e o conhecimento deles qualifica você para pertencer a uma sociedade selecionada e privilegiada. (As sociedades de Jane Austen de hoje sabem muito sobre isso, embora sejam menos deliberadamente exclusivas.) As frases dos romances se tornam senhas: as armas são chamadas de 'Bloody Eliza', 'The Reverend Collins' e 'The lady Caterine de Bugg'. Humberstall, embora sua experiência como artilheiro tenha ficado completamente esquecida, ainda assim entra nos seis romances e chega a responder a eles profunda e misteriosamente. A conversa na base se forma de narrativas sobre o tribunal e a agência de detetives para aprender teologia de Jane. "Então eles discutiram sobre Jane - todos os três, independentemente da posição", lembra Humberstall. O motivo final, alegremente entregue por um ex-professor de escola é "bosko absoluto", é a alegação de que Jane, em vez de morrer sem "descendência legal", na verdade "deixou um problema legal na forma de um filho; como '' é o nome era 'Enery James'.
Toda a unidade, com exceção de Humberstall, é exterminada quando a frente de Somme entra em colapso em 1918. Humberstall, que teve todas as roupas arrancadas dele, exceto suas botas, cambaleia para um hospital, onde uma alusão à senhorita Bates lhe garante a admissão, caldo de carne e um cobertor extra. As senhas de Jane o valem tanto no mundo dominado por mulheres do hospital, como nas conservas masculinas dos artilheiros nas trincheiras e dos veteranos.
...
Quando o termo Janeite é usado de forma abusiva agora, espera-se que seu referente seja exagerado, entusiasmado, feminino e conscientemente "culto". É bastante agradável encontrar Kipling caracterizando os Janeites como agressivamente masculinos e o estudo dela como superando todas as barreiras de hierarquia, classe, educação e até - em última análise - gênero. Humberstall, apesar de ser da classe trabalhadora, em estado de choque, bêbado e abobado, e 'apto a se perder às vezes ', e apesar de sua compreensão superficial dos romances na melhor das hipóteses, no entanto, lembra os dias de sua imersão em Jane como a mais feliz da sua vida.
Na vida civil, Humberstall é cabeleireiro; esta é a única concessão ao mundo feminino que marca sua excelência Janeite. Sua conexão profissional com a vaidade feminina não o azedou, como o advogado e o investigador particular. Embora 'The Janeites' retrate um mundo predominantemente masculino, o gênero continua sendo uma questão importante.

The Janeites, de Kipling, parece ter sido escrito em resposta a Henry James, com a piada de que ele era filho de Jane formando uma censura alegre a um filho insuficientemente respeitoso.

Com isso tudo tão desenhadinho e perfeitamente dito, fui procurar Henry James...
wiki


"...Henry James, em cujas boas maneiras na ficção são frequentemente instrumentos de destruição indiretos, poderia ser condescendente com uma de suas influências mais fortes, embora reconhecesse sua genialidade. As heroínas de Austen tinham "mentes pequenas e de segunda classe e eram pequenos Filisteus perfeitos", pensou. "Mas acho que é isso em parte o que as torna interessantes hoje". Disse Lee Siegel na Atlantic.

E sabe o que mais eu achei nesta pesquisa? Virginia Woolf, E. M. Forster, um mundo de gente boa demais para deixar passar... Isso é um buraco quente, te digo!
Nem vou te levar nesse labirinto infinito, mas te encaminho para o conto propriamente dito com essa citação maravilhosa:


“Sou Jane Austenite e, portanto, um pouco imbecil sobre Jane Austen. 
Minha expressão tímida e ares de imunidade pessoal - quão mal eles parecem no rosto, digamos, de um Stevensoniano! 
Mas Jane Austen é tão diferente. 
Ela é minha autora favorita! 
Eu li e reli, a boca aberta e a mente fechada."
wiki

O conto está no próximo post. Aqui.


outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

Pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, ufa!

segunda-feira, 30 de março de 2020

Jane Austen & Kate Middleton em home office

Olá,
como está segurando as pontas? 
Eu vou indo, fazendo força para manter a lucidez.
Vem logo, moço, essas crianças estão me enchendo a paciência! Cadê os McLanche Feliz tudo???
Em home office forçado, criança + marido + gato, cozinha-lava louça-cozinha-lava louça em looping, passa pano com desinfetante na porta da geladeira-microondas-forno-maçaneta-interruptores, foge dos noticiários da TV, lê, escreve, assiste CSI, aff! Tá dureza!
E olha que as aulas on line começam hoje! 
Deus me abençoe!...

Enfim, enquanto você e eu estamos assim:
youtube
Kate Middleton, 3 filhos+marido+cachorros+coroa, está assim:
pinterest
Deus não dá asas à cobra, né?...
tenor
Vamos então admirar a coleção de livros que arrumaram bunitinho
 para fazer essa foto de terninho (rosa... eita!)
kensington royal
maioria de autores Ingleses,
entre eles dois Austen, dois Dickens, um Shakespeare; 
um clássico-dos-clássicos
um Irlandês, um americano...
Eu diria que foram escolhidos a dedo!
Pena que ela não lê em outras linguas... Poderia ter um Machadinho ali. Ou um Eça... 

Edições em Inglês ( mas com venda aqui. Já achei por R$ 30,00 na Saraiva), da direita para a esquerda:
- A casa soturna, Charles Dickens
- Morro dos ventos uivantes, Emily Brontë
- Odisseia, Homero
- O cão dos Baskervilles, Arthur Conan Doyle
- O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde
- Middlemarch, George Elliot
- Tess d'Os D'Ubervilles, Thomas Hardy
- Moby Dick, Herman Melville
- Abadia de Northanger, Jane Austen
- Razão e sensibilidade, Jane Austen
- Sonetos de amor, William Shakespeare
- Conto de Natal e outras histórias, Charles Dickens

Mais arrumadinho para melhor leitura.

Já foi dito que elas dividem origem em 20º grau ou sei-lá-como isso é contado. Pessoalmente acho forçação de barra para fazer a moça simpática ao público feminino. 
JA em português

Mas, à primeira vista, parece que a coleção de livros lindos do mesmo tamanho - que belo cenário, né? Amay. #inveja - são todos de Austen porque os dela são so mais bonitos desta coleção. Mas dá pra ver que é bem variado.

A coleção da Penguin chama-se 'Clothbound classics', Clássicos encadernados em tecido gravado. Olha Sanditon como é uma lindeza de parassóis! Emma de cadeirinhas, O&P de pavões!... Há! Por falar nisso,
cadê Orgulho & Preconceito, Duquesa Kate?
giphy
Não gosto dessa ignorância, não, viu Kate.

Só nos resta economizar para comprar uma coleção igual - o tailleur rosa, eu dispenso...

E enquanto vc não junta a grana, 
pode comprar meus livros em versão brochura
em promoção de Quarentena!
Add caption

por inbox, mail, sinal de fumaça
bj

quarta-feira, 25 de março de 2020

PODCAST NOVO no ar: quarentena Austen Nation

Olá!
Depois de um longo verão reconheçamos a conversa de Amigas Darcy sobre tudo e mais um pouco de Austen Nation.

Neste primeiro episódio da 2a temporada falamos do final mal parado de Sanditon - a mini-série, do filme Emma, de ficar em casa em companhia de Jane. Parece pouco, mas tem muita opinião e informação no meio disso.
Recepção dessas produções no mercado americano e como isso não influiu no desenvolvimento das produções,  a flopada de Emma por conta do Covid, Mulherzinhas,   Saoirse Ronan, Timothée Chalamet, Anya Taylor-joy e Mr Darcy. 

Vem ouvir e conversar conoaco, cada uma em seu quadrado!
Link do SPOTIFY.
OUTROS episódios do Café com Jane Austen.
Links do que foi discutido & indicado neste episódio:
Minissérie - Sanditon (2019): https://imdb.to/2lHSzSw
Filme - Emma (2020): https://imdb.to/33W3Hxv
Revista LiterAusten (publicação online): https://bit.ly/2UC8RKI
Querida Jane Austen - Vários Autores (livro): https://amzn.to/2QDZRDy
Curso sobre Jane Austen - Future Learn (online): https://bit.ly/3aptbWs
Romances Gratuitos - Blog Moira Bianchi: https://bit.ly/2y3t700
Jennifer Ehle no Instagram: @ehle_jennifer
#VirtualJaneCon (Drunk Austen): https://bit.ly/2wsthOj
Razão e Sensibilidade - Jane Austen (livro): https://amzn.to/2QFm0Bx
Austenlândia (filme): https://imdb.to/2UfYE7D
Austenlândia - Shannon Hale (livro): https://amzn.to/2QI3QPG
Meia-Noite na Austenlândia - Shannon Hale (livro): https://amzn.to/2Jh2RS9
Canal da Eneida Queiroz (Youtube): https://tinyurl.com/rg8f8kw
Jane Eyre (minissérie): https://tinyurl.com/ya5smmwk
Jane Eyre - Charlotte Brontë (livro): https://tinyurl.com/t6c5lf6
Adoráveis Mulheres (filme): https://tinyurl.com/ubqwarm 

Mulherzinhas - Louisa May Alcott (livro): https://tinyurl.com/rxcbtmp

quinta-feira, 19 de março de 2020

Cursos livres par fazer online

Olá, 
trago boas sugestões de cursos ligados à literatura e à arte. Tudo grátis. Tudo online.


Você pode estar pirando como eu, ou pode estar numa nice. 

Para ambos os casos, ocupar a mente & levar algo de bom dessa loucura é ótimo. 
Vamos lá?

Fiquei interessadas em vários! Mas o de Austen não está disponível...
- Introdução à escrita criativa
- Introdução à história da arte
- Introdução ao storytelling
- Neurociência e comunicação não-violenta
- Os grandes clássicos do cinema
- Leonardo da Vinci
- Encontros e desencontros no sexo
- Relações humanas hoje
- Cem anos de solidão
- Dom Quixote
- Dom Casmurro


- Como Gastar Conscientemente
- Como organizar o orçamento familiar
- Fundamentos de Marketing
- Introdução à negociação

- Planejamento e Estratégia para Gestão Escolar


- Tecnologia da Informação e Comunicação
- Propriedade Intelectual

- Empreendedorismo
- AE – Aprender a Empreender
- CVMM – Como Vender Mais e Melhor
- D-Olho na Qualidade: 5Ss para os pequenos negócios
– Gestão da Inovação
– Controlar Meu Dinheiro
– Planejar
– Empreender
– Comprar
– Unir Forças para Melhorar

– Vender


Harvard, MIT, etc (em Inglês e Espanhol)
Já fiz alguns aqui. São excelentes.
- How to Write a Novel: Writing the Draft
- How to Write a Novel: Edit & Revise
- The Book: The History of the Book in the 17th and 18th Century Europe
- The Book: Book Sleuthing: What 19th-Century Books Can Tell Us About the Rise of the Reading Public?
- Poetry in America: The Civil War and Its Aftermath
- Ancient Masterpieces of World Literature
- Modern Masterpieces of World Literature
- Designing and Creating Skirts
- Caligrafía y paleografía: espacios históricos para su estudio y práctica
- European Paintings: From Leonardo to Rembrandt to Goya
- The Spain of Don Quixote
- Hollywood: History, Industry, Art
- Drawing Nature, Science and Culture: Natural History Illustration
- Global Shakespeares: Re-Creating the Merchant of Venice

- Art and Design in the Digital Age


(em Inglês)
Já fiz alguns desses, são maravilhosos! Mas bem trabalhosos.
- Jane Austen: Myth, Reality and Global Celebrity
- How to read a novel
- Start writing fiction
- Discovering Science: Science Writing
- Empire: the Controversies of British Imperialism
- Rome: A Virtual Tour of the Ancient City
- Working Lives on Britain's Railways: Railway History and Heritage
- From Waterloo to the Rhine: The British Army 1815-1945
- The Tudors

E mais!
Se você, diferente de mim, conseguir produzir algo, a adorável revista da JASBRA está recebendo artigos! Caramba, que bacanice nesses dias de uó!
Se só conseguir ler, aqui e aqui estão os meus artigos 
em edições anteriores.

Vamos aproveitar esses dias de isolamento social
da melhor maneira possível, né?

Estou colocando FREE alguns títulos de ebook
fica de olho no instagram, twitter e facebook
já me segue lá?

#diasMelhoresVirão

segunda-feira, 16 de março de 2020

Genial quarentena de Shakespeare

olá,
Por conta do coronavairus vivemos dias de isolamento social, nome bonitinho para o famoso "vamos marcar de sair!..."  

No meio da torrente de informações e memes, foi o Twitter que me chamou atenção sobre Shakespeare em quarentena, sem pressão...
'Se distanciamento social está te deixando para baixo, lembre-se que Shakespeare provavelmente
escreveu Rei Lear, Macbeth e Antônio e Cleópatra durante a quarentena da praga
entre 1605 e 1606. - do Twitter
Claro, isso botou todo mundo na berlinda,
e não tem vírus nem praga que resista à zoeira!...

Tanto ti-ti-ti, fui procurar e achei um zilhão de fontes... O cara zerou a vida em 1606.

Há um livro específico sobre isso, The year of Lear (O ano de -rei- Lear). Na BBC rádio, o resumão serve para o que vou falar, olha: 'Um surto de peste ameaçou o meio de vida de William Shakespeare quando os teatros foram fechados. Forçado a mudar estilo de vida, ele começou um ano extraordinário. Desde o outono de 1605, quando ele pegou uma peça elizabetana antiga e anônima, A histórica crônica do Rei Leir, e a transformou em sua tragédia mais arrepiante, o REI LEAR. 1606 provou ser um ano especialmente sombrio para a Inglaterra, testemunhando as conseqüências sangrentas da trama da pólvora*, divisões sobre a União da Inglaterra e Escócia e um surto de peste. Mas acabou sendo excepcional para Shakespeare que, antes do final do ano, completou duas outras grandes tragédias jacobianas que dialogaram diretamente com esses tempos difíceis: MACBETH e ANTÔNIO E CLEOPATRA.

Eu que tenho três projetos em andamento, vou tentar dar conta dessas enterprises no período de isolamento social que começamos hoje aqui no Rio. É um tipo de quarentena: 15 dias de escolas, faculdades, cinemas, feiras. Mas a comparação com Shakespeare é cruel mesmo... Nem vou lá!



Neuras a parte, o assunto é bacana de pesquisar, olha:
WILLIAM SHAKESPEARE, o bardo 
(também O Bardo de Avon. É chamado assim por ser considerado o maior poeta que já viveu. Bardo= poeta, trovador) nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon, Warwickshire, Inglaterra - é uma cidade pequena a 1,5h de Londres. Aos 18 anos, ele casou-se com Anne Hathaway (não a atriz de Becoming Jane - Amor e inocência...), com quem teve três filhos. Em algum momento entre 1585 e 1592, ele iniciou uma carreira de sucesso em Londres como ator, escritor e sócio de uma companhia de teatro chamada Men's Chamberlain's Men, mais tarde conhecida como King's Men. Aos 49 anos (por volta de 1613), ele parece ter se aposentado em Stratford, onde morreu três anos depois. 
Shakespeare produziu a maioria de seus trabalhos conhecidos entre 1589 e 1613. Suas primeiras peças foram principalmente comédias e histórias e são consideradas como algumas das melhores obras produzidas nesses gêneros. Até cerca de 1608, ele escreveu principalmente tragédias, entre elas Hamlet, Othello, King Lear e Macbeth, todas consideradas entre as melhores obras da língua inglesa. Na última fase de sua vida, ele escreveu tragicomédias (também conhecidas como romances) e colaborou com outros dramaturgos. Aqui você acha a cronologia das obras, desde A megera domada (meu favorito) a Dois primos nobres. 
Muitas das peças de Shakespeare foram publicadas em edições de qualidade e precisão variadas em sua vida. No entanto, em 1623, dois colegas atores e amigos de Shakespeare, publicaram um texto mais definitivo, conhecido como First Folio (primeira folha), uma edição póstuma dos trabalhos dramáticos de Shakespeare que incluía apenas duas de suas peças. (wiki)

Em sua época, a Inglaterra (e o mundo) vivia sob a ameaça da praga, ou a peste bubônica. Shakespeare teve muita sorte em conseguir evitar a doença - hoje se especula que ele desenvolveu imunidade de alguma forma. Quando criança, ele estava sempre na sala da lareira e como as pulgas vindas dos ratos (fonte de contaminação desconhecida na época) não se aproximavam do calor do fogo, ele sobreviveu. É por isso que se diz que o grande incêndio de Londres (de 2 a 6 de setembro de 1666) removeu a peste negra porque queimou os ratos e a peste. 
Ninguém sabe ao certo quantos familiares, amigos, colegas atores e conhecidos de Shakespeare morreram da Peste Negra, mas dado o número de parentes próximos que morreram, deve ter sido um número significativo.

Mas, o que era essa doença?
a PRAGA
Ainda há um debate sobre o que essas 'pragas' ou 'pestes' realmente foram. A maioria dos especialistas acredita que a praga que atingiu Londres entre 1300 e o final de 1600 foi a peste bubônica. O termo "Peste Negra" foi usado pela primeira vez em 1800, na era medieval era usado o termo 'Grande Pestilência'.

A peste bubônica, peste negra, grande pestilência é uma doença de roedores, principalmente ratos pretos quando em grandes colônias. É passado entre eles por suas pulgas e quando um rato morre, elas precisam encontrar um novo hospedeiro para viver e se o novo hospedeiro for uma pessoa, a doença também pode se espalhar para os seres humanos. Se isso acontecer. 60 a 80% desses morrem, a maioria dentro de uma semana e por ser altamente transmissível, o círculo familiar é o meio mais vulnerável. Em alguns casos, famílias inteiras morriam. 
Sintomas eram: 
-dores de cabeça, 
-febre, vômitos, 
-inchaços dolorosos no pescoço, axilas e virilha (bolhas), tosse com sangue. 
Muitas pessoas acreditavam que a praga se espalhava pelo ar, então fumavam tabaco para impedir a entrada de ar ruim nos pulmões ou fumigar a casa com ervas para purificar o ar. Isso talvez até ajudasse porque afastavam ratos. Outras possíveis curas eram:
-esfregar cebolas, ervas ou uma cobra ou um pombo cortado no infectado,
-beber vinagre, comer minerais amassados, arsênico, mercúrio ou até melaço velho de dez anos antes,
-sentar perto de uma fogueira para expulsar a febre.
Médico da praga
O bico da máscara tinha a função de purificar o ar
pic de literary genius

Havia um sem número de crendices e estigmas a cada surto. As pessoas acreditavam que era punição de Deus por seus pecados e saíam em procissões se açoitando. E evitando o teatro... Um pregador Elizabetano proclamou que, porque "a causa das pragas é pecado" e "a causa do pecado são peças de teatro", então "a causa das pragas são peças de teatro". (!!)
Funerais só podiam ocorrer à noite, casas infectadas tinham que pendurar feno em postes, nas portas eram afixados crucifixos molhados em óleo, etc.
O médico francês Alexandre Yersin descobriu a bactéria que causa a peste bubônica só em 1894. Em 1908, os especialistas perceberam que as pulgas de ratos espalharam peste. 
Em 1347, chegou à Inglaterra uma notícia horripilante de doença incurável que se espalhava da Ásia pelo norte da África e Europa. Quando a morte atingiu Londres no outono de 1348, ninguém sabia como parar a doença. Durante os próximos 18 meses, ela matou metade dos Londrinos - talvez 40.000 pessoas.
Havia tantos mortos que eram cavadas valas comuns e nessas trincheiras os corpos eram empilhados um em cima do outro - até cinco por profundidade - com crianças sendo colocadas nos pequenos espaços entre adultos. Em 1350, a Peste Negra havia matado milhões de pessoas, possivelmente metade da população do mundo conhecido.
A Peste Negra de 1348 e a Grande Praga de 1665 são apenas dois dos quase 40 surtos que Londres sofreu entre 1348 e 1665. Um grande surto da doença ocorria aproximadamente a cada 20-30 anos, matando cerca de 20% da população de Londres por vez.
As pessoas tinham particularmente medo da praga, porque suas vítimas morreram tão rapidamente e pouquíssimos se recuperaram. O pior ataque de peste ocorreu em 1563, quando quase um quarto da população de Londres doentes nas ruas, outros se recusavam a ajudar amigos e familiares. Samuel Pepys escreveu em seu diário: 'a praga está nos tornando cruéis como cães.'
A vida e os negócios das pessoas sofriam terrivelmente porque muitos estabelecimentos eram fechados e pessoas eram obrigadas a sair de Londres durante a quatentena. Uma testemunha ocular disse que Londres ficava tão quieta que todo dia era como um Domingo e grama começava a crescer nas ruas. Muitos eram forçados a implorar ou roubar comida e dinheiro porque a praga teve um efeito devastador em toda a sociedade. 

A Grande Praga de 1665 foi a última grande praga na Inglaterra e permaneceu até o último caso relatado em 1679, 14 anos. 

E AS VÍTIMAS DA PRAGA?
Algumas igrejas cuidavam das vítimas da peste bubônica; 'mulheres sábias', um tipo de curandeiras, eram como enfermeiras; Barbeiros atuavam como cirurgiões/médicos; boticário/apotecários vendiam remédios; mas somente ricos recebiam atenção de um médico (imagem acima). O traje extravagante dos médicos realmente era de alguma proteção pois a máscara bizarra protegia suas cabeças e rostos das mordidas de pulgas, assim como vestidão preto (ou capa), botas e luvas. 

de volta a Shakespeare...
No caso de Shakespeare, houveram vários surtos no início do século 17, 1593, 1603, 1606, 1608. Seu teatro foi fechado várias vezes, assim como outros locais de entretenimento Elizabetano, e a companhia de teatro passou a correr o interior do país atrás de trabalho, porque sabe comé, né? Em isolamento social, mas os boletos continuam chegando...
Com isso ele começou a ter muito tempo livre, longas viagens de carroça e carruagem, e mente vazia é oficina da criatividade.
Mesmo sem ser infectado fisicamente, ele perdeu suas irmãs Joan, Margaret (ainda bebês) e Anne (7 anos) e seu irmão Edmund (27 anos) vítimas da praga. Mas a maior perda para William Shakespeare foi seu único filho, Hamnet, que morreu aos 11 anos de idade. Tantas pessoas de apenas uma família (o número aumentou após a morte de Shakespeare quando seus netos, Shakespeare Quiney morreram na infância, com 6 meses de idade, em maio de 1617, e seus irmãos Richard e Thomas Quiney morreram da praga com 19 e 20 anos de idade ).

Alguns biógrafos atribuem as reviravoltas na carreira de Shakespeare ao seu estado psicológico (apaixonado quando escreveu comédias e sonetos, deprimido nas tragédias e de luto em Hamlet). Sem surpresa, ele mostrou em suas obras a influência social da doença, com certeza ele viveu com medo da praga . 



Romeu e Julieta
*spoilers, aviso logo

Muito interessante o artigo da Slate que detalha como Shakespeare menciona sem mencionar a peste (praga) em Romeu e Julieta. Assim como Jane Austen fala da guerra sem falar em Orgulho & Preconceito quando ela coloca a milícia em Meryton, ele aqui não menciona diretamente a doença porque era algo comum naqueles dias.
Austen não contou que a milícia que Wickham fazia parte era um exército secundário formado de civis para proteger o país enquanto os soldados de verdade, de profissão, lutavam contra Napoleão; era algo corriqueiro. Mal visto pelos mais sensatos, adorado por louquetes como Mrs Bennet e Lydia, a milícia tinha em seus números muitos escroques, condenados por crimes menores, agressores sexuais, ladrões até.  
Em Shakespeare, a ameaça da praga era dia-a-dia para eles, seria desnecessário explicar tudo que falei acima para que entendêssemos o risco que o Frei John correria levando a carta de Frei Laurence para Romeu. Lembra que ele ficou preso em quarentena?... 
Olha esse resumão: 
~ o básico da trama: Romeu e Julieta eram de famílias rivais; se apaixonam; morrem. Certo.
Há poucas menções à praga em toda a peça. Cito Mercúcio, amigo de Romeu:
Ato 1, Cena IV
"Os lábios das donzelas sonham beijos,

Mas Mab, zangada, faz nascerem bolhas"
O’er ladies’ lips, who straight on kisses dream,

Which oft the angry Mab with blisters plagues, 
(plague aqui é verbo)


Ato 3, Cena I
"Estou ferido.
Danem-se as suas casas. ’Stou morto.
Ele se foi, ileso?"
I am hurt.
A plague o’ both your houses. I am sped.

Is he gone, and hath nothing?

Viu como ele fala sem dizer?
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Bem, ainda no Ato 3 há um assassinato: Romeu mata o primo de Julieta e assassino de Mercúcio, Teobaldo, que deveria se casar com Paris que era apaixonada por Romeu. Dá ruim porque a família de Romeu é o inimiga jurada da de Julieta e por isso ele (Romeu) é banido. Julieta não sabe o que fazer e procura Frei Laurence que acha maneira de acabar com a rixa entre Capuletos e Montéquios: ele vai casar com Romeu e Julieta! Assim traça o tal plano mirabolante famosão: Juju bebe uma poção que a faça dormir por tanto tempo (42 hs) que sua família achará que ela está morta - rivotril que fala, né baby? Ao mesmo tempo, o Frei escreve uma carta explicando o esquemão e Frei John entrega a Romeu na cidade de Mântua onde está escondido. Romeu então volta furtivamente e rouba 'o corpo' de Julieta e quando ela finalmente acordar, eles se casam e vivem felizes para sempre. O que poderia dar errado, né? 
Aliás...
No rivotril de Julieta 
especula-se que havia belladonna, mandrágora, absinto, artemísia e hidrato de cloral - o que não se sabe se já havia na época. De qualquer forma, tudo muito perigoso.
De BELLADONNA eu já brinquei em 9 VEZES ORGULHO E PRECONCEITO.
HIDRATO DE CLORAL está n' O ALIENISTA (de Caleb Caar, não o de Machadinho) que eu adorei a série e estou lendo o livro. Provavelmente vou postar algo aqui, mas ainda não tenho inteligência emocional para falar daquela Nova Iorque.
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Enfim...
Julieta bebe a poção, a família acha que ela está morta. Romeu volta furtivamente para vê-la. Até aí, tudo bem. Mas tudo vai por água abaixo por causa da parte mais segura - supostamente: Frei John, o 'carteiro', mas ele  nunca chega a Mântua. 
O que acontece é uma série de eventos infelizes, lei de Murphy. 
Por que Frei John não entregou a carta de Frei Laurence a Romeu? 
Porque fica preso em quarentena por ter encontrado com um amigo que cuidava de doentes e um vigilante achou que os dois haviam tido contato com a praga, por isso trancafiou os dois em quarentena. A praga é a reviravolta que transforma a mais famosa história de amor já contada em uma tragédia.
Shakespeare estava sendo propositadamente obtuso usando linguagem velada, porque o subtexto teria sido óbvio naquela época. Mencionar a praga era o equivalente a explicar o que é um tweet. "Era onipresente", diz James Shapiro, professor da Universidade Columbia. "Todo mundo na época sabia exatamente o que essas uma ou duas linhas significavam."
O resto você sabe: Romeu acha que Julieta está morta e se mata. Julieta acorda de sua morte falsa e descobre que Romeu está morto de verdade. Ela se mata. Fim.

Mas essa referência sutil em Romeu e Julieta foi apenas uma das muitas que Shakespeare usou a praga em suas obras durante a vida.
Há muito se pensa que Shakespeare se voltou para a poesia quando a peste fechou os teatros em 1593 quando ele publicou Vênus e Adônis, no qual a deusa pede um beijo a um menino lindo, "para limpar a infecção do ano perigoso" , Pois, ela afirma, "a praga é banida por sua respiração".
estrofe 508
“Por muito tempo eles se beijem por esta cura!
Oh, nunca deixe suas vestes carmesim se desgastarem,
E enquanto duram, a verdura ainda persiste,
Para controlar a infecção do ano perigoso:
Que os observadores de estrelas, tendo escrito na morte,

Pode-se dizer que a praga é banida por sua respiração."
“Long may they kiss each other for this cure!
Oh never let their crimson liveries wear,
And as they last, their verdure still endure,
To drive infection from the dangerous year:          
That the star-gazers, having writ on death,

May say, the plague is banish’d by thy breath."

Shapiro aponta referências à praga e suas feridas borbulhantes, chamadas de "símbolos de Deus" (God's tokens), em várias obras de Shakespeare inclusive no ano do Rei Lear. Em Antônio e Cleópatra, um soldado romano teme que seu lado se pareça "com a pestilência simbólica / onde a morte é certa".
"Eno. Como aparece a luta?
Scarus. Em nosso flano, como o sinal da Pestilência,
Onde a morte é certa. ...
(A brisa contra ela) como uma vaca em Iune,
Guindastes de vela e de mosca"
"Eno. How appeares the Fight?
Scarrus. On our side, like the Token'd Pestilence,
Where death is sure. ...
(The Breeze vpon her) like a Cow in Iune,

Hoists Sailes, and flyes"

E muitas outras...

A lição mais animadora da época de Shakespeare é que os teatros provavelmente sobreviverão a essa nossa praga, o coronavirus, e reabrirão de novo e de novo. Também o comércio, os serviços, a economia, nossa sanidade.
Terminado cada surto da praga, a população de Londres se recuperava surpreendentemente rápido. Novas pessoas vinham de todo canto, do interior, de outras áreas, assumir empregos deixados vagos por aqueles que pereceram e há até registro de aumento repentino do número de casamentos e nascimentos.


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Aliás, você lembrava que Mr. Darcy Colin Firth está no filme Shakespeare apaixonado?
Ótimo programa para esses dias de quarentena...
Também um romance du bom...
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e não esquece do básico...
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