sábado, 21 de julho de 2012

Amor de verão em Paraty e em Português

Olá Darcy friends!
M&M! haha!

Hoje tivemos um delicioso Darcyncontro - Facencontro. Muito legal! Adorei.
Dayse arrasou! Alguma sortuda provou da boca... fiquei com o cangote!

As meninas são ótimas, muito divertidas. E é muito legal conhecer pessoas que só conversava on line e que têm tanto em comum comigo.
Esse, esse, esse, esse, esse ou esse. Gosto. Gostamos.

Darcy, por exemplo. 

Muitos agradinhos, muitos carinhos, bolo gostoso - afinal, quem será que ficou com a boca do Darcy? - e no final, achei que o tempo foi curto.
imãs, cds, marcadores, trecnhinho da estória
Depois de trabalhar tanto essa semana, passar um dia em São Paulo, bebê com dor de ouvido, festa de Bodas de Ouro (não minha, fui de convidada), essa reunião de Amigas Darcy foi show!
Olha só esse ambiente do CasaCor SP, o papel de parede é manuscrito. Ambiente totalmente Austen!
Apesar da semana louca, consegui preparar a primeira parte da versão em Português da estória curta e levei para a avaliação das meninas - espero que elas gostem. E que você também goste. 

Olha aí, quentinho (unbetaed):


Como William Darcy poderia ter conhecido Lizzy Bennett

1ª parte (unbeataed)
classificação Adulto (+18)/relacionamentos homossexuais são mencionados

Assunto de verão
Conversa de mulher
Leva a melhor, leva o affaire
Quem souber não complicar¹


É uma verdade universalmente reconhecida que a propaganda boca-a-boca tem grande eficácia, e ela poderia ter sido responsável por aproximar Will Darcy e Lizzy Bennett uns dez anos antes de quando realmente aconteceu.
John Dashwood era um dentista Inglês que sonhava em visitar o Brasil. Juntou coragem e dinheiro para um dia finalmente fazer as malas para o Rio de Janeiro na intenção de viver as melhores férias de sua vida. Chegando na cidade Maravilhosa ele mergulhou no clima descontraído, curtiu as boates, ensaios de escola de samba e até se apaixonou por um cara lindo. Esse cara, o carioca da gema Bira, apresentou Dashwood ao melhor do Rio – das diversas praias à região serrana. Mas o que realmente encantou o Inglês foi uma vila quase na divisa de São Paulo:Trindade.
Um distrito de Paraty, paraíso para ecologistas e surfistas com suas praias maravilhosas, trilhas ecológicas e cachoeiras que faziam de Trindade uma joia da Costa Verde.
Dashwood se encantou pela vila assim que desembarcou da van desconfortável que o trouxe do Rio de Janeiro. Um mês depois quando voltou à Europa, passou a falar sobre Trindade a todos que conhecia. Com o passar do tempo, seus amigos e os amigos dos seus amigos também visitaram e gostaram muito, postaram nos recém criados Facebook e Twitter; e então uma rede de propaganda boca-a-boca foi formada. Um desses amigos, o Francês Gerard, conheceu o amor de sua vida no Brasil e escolheu Trindade para viver.  O casal abriu um café que virou point na Rua Principal e, quando a querida Miss Jane dona da pequena livraria vizinha morreu, eles adicionaram uma loja de roupas ao café.
O café-lounge ficou conhecido como o hub internacional de Trindade por ser o local onde era possível ouvir várias línguas ao mesmo tempo. Trinity Babel – a Babilônia de Trindade – era um lugar bacana com luminárias penduradas sobre as mesinhas arrumadas próximas umas das outras. Lá, Gerard e seu marido Diego ofereciam ajuda de (quase) todos os tipos para turistas estrangeiros: pequenas refeições com tempero internacional, moda Brasileira unissex, câmbio, acesso à internet, telefonemas, informações, guias turísticos, aconselhamento, abrigo, um lar longe de casa, e acima de tudo, um lugar para ver e ser visto.
Trinity Babel foi o assunto da internet naquele ano, qualquer pessoa que se achasse popular já tinha ouvido falar no café-lounge. Como no início as grandes redes sociais eram meramente sites direcionados ao meio acadêmico americano; tanto Lizzy como Darcy tinham ouvido falar no lugar e decidiram passar o feriado de Ano Novo em Trindade para celebrar uma nova etapa em suas vidas.
Lizzy – Elizabeth Bennett, 19 anos – tinha acabado de entrar na famosa universidade de Yale, como havia sonhado desde ouviu seu querido avô lhe contar suas aventuras de estudante lá. Natural de Meryton no estado de Massachussets, Lizzy considerava que New Haven em Connecticut, apesar de não ser muito distante, era longe o suficiente de sua mãe controladora, de seu pai desligado e de sua irmãzinha caçula. Lizzy tinha decidido estudar finanças para a surpresa da família de professores de classe média que tinham orgulho de conseguir pagar uma universidade tão cara. 

Lizzie fly Rio
Lizzy estava tão excitada com a viagem que nem conseguiu ler o livro que levou com ela a bordo.

Will – William Darcy Filho, 25 anos – estava mudando de continente: de Seattle no estado de Washington nos EUA para fazer MBAs e especializações em Cambridge na Inglaterra seguindo os passos do seu pai. Como o herdeiro natural do império da família – Darcy Inc. – ele  deveria se preparar da melhor maneira possível para evoluir dos anuais estágios de verão na Presidência da empresa. Richard, seu irmão mais novo, também teria uma temporada na Inglaterra, mas para ele ainda restavam alguns anos de Harvard.

Darcy fly Rio
Will colocou os fones e ligou seu ipod, acostumado com vôos longos.

Mesmo tendo ouvido falar de Trindade e do Trinity Babel, Lizzy e Will nunca tinham ouvido falar um do outro. E por que deveriam? Uma linda garota de classe média da Costa Leste, espirituosa e de língua afiada; e um elegante e rico rapaz da Costa Oeste, sisudo e alto eram tão distintos quanto água e óleo.
Mas também é uma verdade universalmente conhecida, tanto quanto temida, que o destino sabe brincar com as nossas vidas.
Lizzy e seus amigos de infância Charleston Longborn e Dennise Lucas se uniram na aventura de visitar uma vila paradisíaca no Brasil. Economizaram por um tempão, fizeram trabalhos temporários e pediram à família que lhes dessem presentes em dinheiro. Agora estavam felizes da vida, há um dia instalados numa única barraca no simpático camping da Rua Principal de Trindade. Das cadeiras apertadas da classe econômica do vôo mais barato que conseguiram de Boston para o Rio; para a caótica rodoviária do Rio de Janeiro; para a viagem interminável no trânsito de fim ano; para a maravilhosa vista que a Costa Verde oferece a partir Usina de Angra até que finalmente chegaram a Trindade.
No camping conheceram Argentinos, Suíços, Brasileiros de todos os estados, até um casal de Indianos e estavam adorando tudo. Os amigos de Meryton tinham combinado que nessa viagem fariam amizade com todas as pessoas que encontrassem e todos os passeios possíveis. Logo que chegaram foram convidados para uma festa no Babel e lá foram apresentados ao ritmo irresistível do forró universitário que todos na cidade estavam ansiosos para dançar a noite toda – turistas e locais. Porém, por mais que lutassem contra, o cansaço os venceu e tiveram que ir dormir cedo. Ainda fusados, frustrados e envergonhados sua primeira noite no Brasil acabou antes das nove da noite na Costa Leste.
Na manhã seguinte, acordaram cedo e foram tomar café na padaria da Rua Principal, sempre lotada. Três sucos de laranja, três queijos quentes e três cafés depois, os amigos exploraram o que já estava aberto na Rua Principal e tomaram o rumo da Praia do Meio. Cinco horas depois chegaram à conclusão que precisavam de algumas brasilidades: um protetor solar mais potente, biquínis e sungas na moda e um almoço gostoso de peixe e camarão.
Gozando da lombeira pós praia e almoço, os amigos de Meryton acharam um cantinho para sentar na calçada do Babel, no meio da maresia que vinha do estúdio de tattoo vizinho e tomava conta de tudo. 
E foi assim que Will os viu pela primeira vez.
Vendo os três amigos de short e camiseta, balançando a cabeça como tartarugas ao som do reggae, Will se perguntou mais uma vez o que estava fazendo ali. Não que visitar o Brasil era uma má ideia, era ótima ideia.  Mas um point de bicho-grilo anunciado por redes sociais cheirava a roubada.
Seus amigos de escola Charles Bingley e John J. Thornton Terceiro, o convenceram, mas Will questionou todos os planos que foram feitos. A mãe do Thornton fez reservas para eles no melhor resort da região - que infelizmente era distante da vila de Trindade mais de uma hora. Sra. Thornton, advogada poderosa, achava que seu filho e seus amiguinhos – os meninos Darcy, o menino Bingley da rede de magazines, Julius de Bourgh do império farmacêutico e Chris filho da Construtora Brandon – iam precisar de um lugar seguro para ficar nessa loucura selvagem na América do Sul. Se ela soubesse, a Sra. Thornton teria reservado seis ao invés de cinco quartos porque Jane Phillips – dos aristocratas Philips de Seattle – estava com eles. Mas o quarto extra não iria fazer falta já que Jane e Bingley eram unha e carne desde que começaram a namorar, há um ano atrás.
Os caras de Seattle odiaram o resort assim que chegaram porque era exatamente igual a todos os outros resorts luxuosos que eles já tinham ficado. Will foi incumbido da tarefa de cancelar as reservas e convencer a agente de viagens do resort a conseguir acomodações para eles na vila. Depois de muitas tentativas, acharam vagas na melhor pousada da Rua Principal de Trindade, porém para seu desespero só dois quartos estavam disponíveis. Nenhum deles tinha dormido em um quarto coletivo antes. No colégio interno e na faculdade, cada um tinha um apartamento com quarto, banheiro e sala privativos. Estava claro que Jane e Bingley ficariam com um dos quartos. Aos rapazes então só restava se amontoar no outro.
‘Ou isso ou a gente fica aqui, caras. Vamos ter que pegar o touro à unha.’ Will disse franzindo a testa.
‘Ah, Will... E se eu quebrar uma unha?’ Jane, sentada no colo de Bingley, debochou da seriedade do amigo Darcy.
‘Você não tem que encarar nada, meu amor. Você é a mais bonita, mais querida... ’ Bingley engrenou nos elogios à namorada, gastando a paciência dos amigos.
Assim que os jipões de luxo alugados chegaram ao fim da serrinha e encontraram não somente uma praia linda, mas também uma pedra enorme que eles teriam que atravessar, eles tiveram certeza que Trindade era 'o lugar'. Tudo era muito pitoresco, até o futum de baseado vindo do estúdio de tattoo vizinho à famosa Trinity Babel.
Will achou que os três maconheiros sentados na calçada eram pessoas muito bonitas, tanto a loura alta com braços longos dobrados no seu colo, quanto o cara magrinho com o cabelo estranho tipo cantor de rap. Mas quem chamou a atenção dele mesmo não foi nem Dennise nem Charlo: foi a beleza morena de cabelos escuros com mechas ruivas e corpo violão. Bem, morena de certa maneira, já que sua pele avermelhada fez Will ter certeza que ela era tão turista quanto ele. Era uma pena uma garota tão bonita estar misturada com maconheiros, ele pensou. Então, quando Bingley fez um comentário inocente sobre como as pessoas eram bonitas em Trindade, Will não conseguiu segurar a língua e enfiou os pés pelas mãos.
‘Bonitas? Desde quando xinxeiros são bonitos, Bings? Nem vale a pena dar conversa para esse povo.’
Lizzy que estava concentrada em não fazer nada, deixando que a voz de Bob Marley a mantivesse no clima de férias, ouviu a grosseria e virou a cabeça na direção da voz forte de veludo. Ela apertou os olhos estudando o Deus Grego, alto, bonito, forte e esbelto, cabelo escuro e acabou encontrando... um olhar intenso. Não fazia sentido para ela, um cara tão bonito e tão babaca!
Will corou instantaneamente quando percebeu que Lizzy tinha ouvido o que ele falou e ela por sua vez também corou; ele a encarou quando percebeu que ela o havia ouvido. Lizzy quebrou o duelo de olhares primeiro e olhou para baixo e depois de volta, mas ele já tinha se virado e estava indo para a pousada do outro lado da rua.
‘Pessoal... ’ Ela disse aos amigos, ‘... vocês o babaca? Xinxeiros...’ Ela repetiu como um xingamento, fazendo uma careta.
‘Eu não ouvi nadinha.’ Charlo respondeu. ‘Estava muito ocupado admirando a variedade de bofes!’
‘Falou e disse… ’ Dennie emendou, falando enrolado como se estivesse dopada.
Os três amigos riram do deboche e mudaram de assunto, na mesma hora que Bob Marley deixou Gilberto Gil cantar a deliciosa ‘Não chores mais.’ Antes que os caras de Seattle voltassem à Rua Principal, a vez dos amigos de Meryton chegou e eles foram chamados no estúdio de tattoo.
Will não conseguia deixar de se sentir mal com o fora que tinha dado, especialmente porque a morena linda de olhos tão bonitos e uma boca maravilhosa tinha ouvido tudo. Ele ia ter que se desculpar ou então sumir dali. O que fosse mais fácil. Aumentando seu mau humor, o quarto que tinha sobrado para eles tinha um beliche, uma cama de solteiro e uma de casal.
Quando finalmente saíram da pousada para passear pela vila de short e t-shirts, os três maconheiros não estavam à vista, mas todos os bares estavam borbulhando de gente, música e animação. Os caras de Seattle adoraram a bagunça de gente jovem, a tarde quente e ainda mais a cerveja brasileira.
Encontraram por milagre uma mesa ótima em um bar de frente para Praia Brava, bem no começo da Rua Principal e se instalaram para beber e rir admirando as mulheres bonitas usando biquininhos que ainda estavam na praia nesse fim de tarde.
Os amigos de Meryton fizeram o passeio a cavalo que tinham planejado, orgulhosamente mostrando suas novas tattoos. Charlo fez um enorme ‘Gracias Padre’ em letras góticas nos seus antebraços, Dennie tinha asas nas costas e Lizzy fez um ‘Carp diem’ com duas carpas na sua lombar.
‘Putz, gatas cavalgando no por do sol!’ Ricky, o irmão dois anos mais novo que Will, falou no gargalo da sua longneck.
‘Darce! Tá vendo? Que maneiro, cavalgar! Quase como em Pemb, mas só que maneiro!’ Thorn debochou rindo e sacudindo seu corpanzil e cabelo Chanel.
Will grunhiu e tomou um gole da sua cerveja e estava para dizer ao Thorn que se ele achava sua fazenda era tão enfadonha ele não seria mais convidado para ir lá; mas perdeu o fio da meada quando reconheceu quem estava no último cavalo, um baio bem cansado. A morena linda! O balanço, o rabo de cavalo comprido dançando de um lado para o outro e o que era aquilo? Uma tatuagem na lombar! ‘Caramba!’ Ele resmungou para si mesmo.


Carp ou Carpe diem? Que trocadinho bem humorado!

Naquela noite, a vila toda foi para a Praia Brava para um luau de axé com tochas na frente dos bares e música bombando. Mesmo sem conseguir cantar junto, todos adoraram o ritmo. Talvez se pudessem entender a letra, tanto Darcy quanto Lizzy teriam corado quando percebessem que músicas falavam principalmente de amar e ser amado – especialmente de se apaixonar – algo que eles estavam a caminho de fazer.
Enquanto ficavam de olho um no outro, roubando olhares de soslaio quando achavam que o outro não percebia, Ivete Sangalo cantava: ‘Minha sorte grande, foi você cair do céu; é lindo seu sorriso, o brilho dos seus olhos, perfume de jasmim; entrou no meu espaço, mandando no pedaço; pegou me deu um laço, dançou bem no compasso, de prazer levantou poeira; poeira, poeira, levantou poeira.'
Foram para cama pensando um no outro. Lizzy espremida ao lado de Dennie na barraca pequena enquanto Charlo fazia amizade com um gato louro que ele tinha conhecido na praia. Will tentando o máximo para não encostar no irmão na cama de casal.



No dia seguinte, os caras de Seattle alugaram um barquinho para ir à piscina natural do Cachadaço e tentar lavar a ressaca da noite anterior enquanto os amigos de Meryton escolheram a trilha porque apesar dos mosquitos e galhos arranhando suas pernas, pegar a trilha era de graça. Lizzy chegou à conclusão que sua legging de ginástica teria sido mais apropriada que o shortinho preto.
Só quando uma galera de Brasileiros bagunceira foi embora, os caras de Seattle ficaram sozinhos na Cachadaço e finalmente conseguiram relaxar deitados na água verdinha e calma. Mas seu relax foi interrompido por uma risadaria histérica vindo da mata, seguida de um silêncio profundo. Eles não deram importância, fecharam os olhos atrás dos seus óculos escuros e bonés aproveitando o prazer absoluto de poder ter uma piscina natural exclusiva. Nem cinco minutos depois a risadaria recomeçou ainda mais alta e os três amigos de Meryton saíram correndo da mata praticamente sem ar.
‘Meu Deus!’ Exclamou Bingley levantando da água e protegendo os olhos do sol. ‘Vocês ok?’ Ele não falava nada de Português, e não estava certo se esses três falavam Inglês como ele, mas tinha que dizer alguma coisa.
Surpresos de encontrar a Cachadaço ocupada, os três amigos pararam tão abruptamente que quase se chocaram e  perderam a fala por alguns segundos. Mas a risadaria logo recomeçou.
Quando Lizzy conseguiu respirar de novo, ela disse (mais para Charlo e Dennie do que respondendo Bingley): ‘Eu estou ok. Não fui eu quem sentou num formigueiro!’
‘Nem eu!’ Dennie concordou e as duas recomeçaram a risadaria; enquanto o humilhado, puto e dolorido Charlo caminhava para o mar na intenção de colocar seu traseiro picado de molho na água salgada.
Will não conseguiu segurar o sorriso, tinha que responder ao riso encantador de Lizzy, e também à sua bela figura dentro de shortinhos, tênis e sutiã de biquíni. Ele reparou na camiseta que ela segurava, talvez tivesse tirado por causa do calorão. Ela usava um biquininho de listras coloridas perfeito para os seus seios poderosos, e ele mal podia esperar para ver o quê o shortinho preto escondia.






Fanfiction inspirada em Orgulho & Preconceito de Jane Austen. Postarei em 4 partes, uma vez por semana. Originalmente publicada em inglês. Adoro feedbacks. ;)

Disclaimer: imagens do Google, prosa de minha autoria.