Acabou! Adorei minha primeira experiência como autora expondo na Bienal, no stand da Editora de auto-publicação PerSe. No primeiro dia estava nervosa, ansiosa por ver meus livrinhos queridos na prateleira ao lado de outros livros... é meu hobby feito realidade. Conversar com leitores, com outros autores, participar ativamente da maior Bienal do Livro do país... Bicho, tem que ir:
Agora só em 2017!
Eu tirei essas fotos nos últimos dias de Bienal, sem pedir autorização de quase ninguém. Minha intenção é festejar, tentei esconder os rostos de quem nem viu que eu estava tirando fotos.
Ver meus livros na prateleira de livraria é muito legal. Dar autógrafos, falar das minhas estórias e inspiração, ver os olhinhos dos leitores já viajando com minha Lizzy... estou amando.
Olá, esta semana tive o prazer de dar uma entrevista para o blog Lisboeta 'From Pemberley to Milton'. Lisboa, Pemberley e Milton são lugares tão mágicos que só poderia sair coisa boa, né não?
E também está rolando um sorteio de um ebook de '45 dias na Europa com Sr Darcy' e alguns mimos. Para concorrer - sorteio internacional - basta ir lá no 'From Pemberley to Milton' e comentar o post. bjs
Moira Bianchi é uma arquitecta brasileira, nascida e criada no Rio de Janeiro, que vive apaixonada por Mr. Darcy.
Essa sua paixão levou-a a querer saber mais sobre as personagens de Orgulho e Preconceito e a escrever vários livros de Jane Austen Fan Fiction.
From Pemberley to Milton convidou-a para nos falar um pouco do seu percurso, dos seus livros e do seu mais recente lançamento, 45 dias na Europa com Sr. Darcy.
From Pemberley to Milton: Antes de mais, bem-vinda a From Pemberley to Milton Moira! Eu gostaria de começar por perceber, como surgiu a sua paixão por fan fiction. Como descobriu que existia e como se apaixonou pelo género?
Moira Bianchi: Acho que a primeira que li foi de Harry Potter. Li enquanto saiam os livros, achei sem querer na internet cartas de Sirius Black para Harry Potter. Achei legal, li outras coisas, algumas de Twilight, mas só pirei mesmo com Orgulho & Preconceito.
FPTM: E como descobriu Orgulho & Preconceito?
MB: Uma amiga (que eu tinha viciado em Harry Potter) me desafiou a ler ‘os clássicos’ e foi me dando tarefas. Wilde, Tolkien, Balzac até que chegou Austen. Ela me deu Razão e Sensibilidade e eu odiei.
Queria que Elinor fosse mais combativa, que não aceitasse tudo calada. Reclamei muito, aí minha amiga disse: “Você precisa de Elizabeth Bennet.”
FPTM: E apaixonou-se de imediato pela Lizzie, certo? E Mr. Darcy?
MB: De cara. Logo que Austen me contou o que se passava na cabeça dela e dele, logo no início da visita dela a Netherfield.
FPTM: E como uma arquitecta brasileira passa de leitora a escritora de fan fiction em inglês?
MB: Estudei inglês dos 8 aos 18 anos, dei aulas, a língua faz parte da minha vida desde sempre. Li no original todos os clássicos. Na verdade, tenho o costume de só ler livros no original em que foram escritos. Sou chata, desconfio de traduções. Quero ler o que o autor pensou, o termo que usou. Daí, quando procurei mais, ainda no meio do livro, procurei Pride and Prejudice e não ‘Orgulho & Preconceito’. Achei a série da BBC com Colin Firth, as anteriores, filmes antigos e um site chamado ‘Mrs Darcy’.
Passei a ler fanfics em inglês, fiz amigas pelo mundo. Quando me atrevi a escrever, era em inglês. Pareceu simples.
FPTM: Mas o que a motivou a ir mais além, a deixar de ser apenas leitora de fan fiction, e a torna-se escritora de fan fiction?
MB: Foram anos de leitora, lia na Palm! Tinha uma Palm Zire que amava e ‘descarregava’ mil livros lá. Passei a ‘descarregar’ fics. Lia muito mesmo, então era muito íntima com as fics de Pride & Prejudice.
Quando meu filho era novinho e tiramos a grade do berço para virar caminha, ele descobriu que poderia sair da sua ‘prisão noturna’. Ele que já dormia a noite toda passou a acordar para passear pela casa. Ia para minha cama. Eu levantava e recolocava ele na caminha. Ele saia de novo. Na terceira vez, não conseguia dormir mais. Se não dormia, tinha que achar o que fazer. Daí resolvi dar voz ao que Darcy e Lizzy viviam repetindo da minha cabeça
Resolvi escrever essa cena no escuro, na sala, no Iphone. Para minha surpresa, escrevi fácil. Li de manhã e gostei. Na noite seguinte, escrevi mais uma, assim escrevi ‘Friendship of a special kind’ 60% no Iphone.
FPTM: Escreveu 60 % do seu primeiro livro num Iphone?
MB: Ainda escrevo… mas não tanto assim.
FPTM: Como surgiu a ideia desse primeiro livro? Era alguma coisa que já vinha surgindo na sua cabeça há muito tempo?
MB: Muito tempo. Eles vinham falando comigo sempre, repetindo umas 2 ou 3 cenas na minha cabeça. Sabe aquele momento logo antes de pegar no sono, depois de rezar, já bem mais para lá do que pra cá? Era nessa horinha que Darcy e Lizzy apareciam e repetiam as falas, gestos, reações.
FPTM: Mas em fan fiction existem imensos géneros, prequelas, sequelas, variações. Porque decidiu escrever modernizações?
MB: Acho que é o que gosto mais de ler. Uma amiga me deu um livro muito bacana chamado ‘How to steal like an artist’. Ela me deu por causa da regra 3: ‘Write the book you want to read’. É isso, eu escrevo o que quero ler, releio o que escrevi e amo! Choro, rio, tenho hot flashes.
Eles são sempre modernos, hots, apaixonados. Minhas estórias são sempre 90% Darcy & Lizzy, não tenho muita paciência para coadjuvantes, Acho que Jane merece mais que Bingley que a abandona seguindo a opinião dos outros. Acho que Charlotte merece mais explicação.
FPTM: Esse é um ponto interessante, dentro da fan fiction há imensas perspectivas, inclusive histórias focadas nas personagens secundárias.
Quais as personagens que mais gosta de desenvolver e quais as que menos gosta?
MB: Sempre Dizzy. Conto o romance deles, os coadjuvantes vêm relacionados a eles, ou interagindo com eles. No meu próximo livro que será lançado agora em outubro – dia 23 que é aniversário da minha mãe – ‘The Prince of Pemberley’, Jane tem participação grande, tanto que ganhou um embrião de estória. É a primeira vez que tenho vontade de escrever sobre ela exclusivamente
FPTM: E qual é a história de Prince of Pemberley, já pode falar?
MB: Sim! Tenho um “what if” na cabeça faz um tempão: se Darcy não tivesse ido para Derbyshire com Bingley, Jane ou Elizabeth teriam aceitado Collins porque não teriam perspectiva melhor em vista. Digamos que fosse Lizzy para que Jane tivesse mais chance na vida – imagino que a personagem fizesse isso. Pois bem, imagine que Darcy tivesse aceitado Anne, por dever. Daí quando eles se conhecem em Kent na Páscoa, estariam os dois comprometidos.
O que aconteceria?
The Prince of Pemberley é isso: os dois são casados.
Foram amigos por carta na adolescência, mas perderam contato. Quando se reencontram, estão beirando os 40, casados, com filhos.
Muito felizes de se reencontrarem, a amizade recomeça como se não tivessem perdido contato, viram confidentes e … amantes.
FPTM: Gostei da história! Mas muito diferente da história do seu último lançamento, 45 dias na Europa com Sr. Darcy.
MB: Muito!
FPTM: Pode falar-nos um pouco desse livro?
Já tinha sido lançado em inglês, certo? Porquê traduzir agora?
MB: 45 é minha estória mais leve, mais fofa.
Costumo puxar por temáticas mais duras para conduzir o amor entre pessoas que querem muito ser felizes. Em 45, quis fazer uma adaptação certinha, linear de Austen.
Tem muita gente que me pede para escrever em Português. Leem as fics gratuitas que estão no meu blog, gostam, mas os livros são em Inglês. Sempre tive os planos de fazer as versões, mas faltava inspiração…
Agora veio tanta que escrevi um outro livro totalmente em Português – talvez nunca ganhe versão em Inglês: ‘Preconceito, Orgulho e CAFÈ’
FPTM: E esse livro será lançado quando?
MB: Em princípio no Natal.
FPTM : Moira, From Pemberley to Milton vai oferecer um 45 dias na Europa com Sr. Darcy aos seus leitores. O que podem esperar desse livro?
MB: Uma boa homenagem a O&P, uma adaptação linear e carinhosa do clássico de Austen. Muita irreverência, lugares lindos, um casal apaixonado e apaixonante. Juntei coisas que amo: viajar, Rio de Janeiro, Darcy… Acho que podem esperar viajar na viagem de Lizzy rumo ao desconhecido mundo das paixões arrebatadoras.
E From Pemberley to Milton quer partilhar este romance com os seus leitores premiando uma pessoa com um ebook através de um giveaway.
Para participar neste giveaway basta partilharem o vosso carinho com a Moira Bianchi e deixarem um comentário ou questão nesta entrevista. Podem fazer as perguntas que quiserem, a Moira estará disponível para responder a todos os nossos leitores.
Para além do ebook que From Pemberley to Milton vai oferecer a um dos seus leitores, a Moira também quer oferecer um mimo aos seus leitores portugueses.
A Moira vai oferecer um pack de 45 dias na Europa com Sr. Darcy que incluem um ecobag e marcadores de livros de 45 dias na Europa com Sr. Darcy e Orgulho, Preconceito e Café autografados!
From Pemberley to Milton vai selecionar aleatoriamente dois dos seus leitores. O primeiro leitor irá ganhar o ebook, disponível para os nossos leitores em qualquer parte do mundo, e o segundo leitor irá ganhar o pack 45 Dias na Europa com Sr. Darcy, disponível apenas para residentes em Portugal.
Poderão participar neste giveaway até dia 3 de Setembro e os vencedores serão anunciados dia 4 de Setembro.
olá, Estou esquentando motores para a Bienal, faltam só... 5 dias! Que frio na barriga? Vai passar lá no Stand L12 do pavilhão verde para dizer 'oi'? Vai sim!... Vou estar lá nos dias 3, 6 e 7, 10, 12 e 13; sempre das 17 às 20:00hs. Para comemorar, aqui vai um extra de '45 dias na Europa com Sr Darcy'. Lizzy ficou muuuito curiosa para saber o que Darcy fazia em Dubai no Réveillon. Quer saber?
‘Qual
é, Darce! Não vou deixar você ficar parado no canto como um idiota!’ Charles
Bingley chegou perto de seu amigo Fitzwilliam Darcy com um sorriso irritante.
‘Uma festa tão bacana, quase meia-noite e olha só para você! De tromba!’
‘Volta
para sua amiguinha, Bingley.’ Darcy respondeu fechando ainda mais a cara. ‘Ela
vai desperdiçar o sorriso solto se você não estiver lá para apreciar.’
Bingley
riu. ‘Deveria incluir ‘sussa’ naquela lista de resoluções de Ano Novo.’
Darcy
desviou os olhos da interessante ambientação Art Déco para o grande amigo desde
que frequentaram o colégio interno e, em momentos assim, quando ele conseguia
ser insuportável, Darcy se arrependia por aceitar Bingley como seu companheiro
de viagem. ‘Na verdade, estou me
concentrando nela.’ Darcy respondeu.
‘Imagino.’
Bingley levou a taça de Prosecco à boca.
‘Primeira
resolução de Ano Novo: Não deixe que
ninguém lhe diga o que deve fazer.’ Darcy resmungou
Bingley
riu. ‘Tantas gatas hoje aqui. E nenhuma de burca!’ Ele sacudiu as sobrancelhas e Darcy
sacudiu a cabeça.
Mais de duas semanas nos Emirados Árabes Unidos e Bingley
ainda fantasiava sobre o quê as mulheres escondiam sob a roupa pesada. Se
tivessem escolhido um convento para passar as festas de final de ano, ele com
certeza estaria pensando a mesma coisa. ‘Você está paquerando a mais bonita.
Por que me contentaria com menos?’
‘É
linda, um anjo!’ Bingley sorriu largo e piscou um olho para a bela que
conversava com outras garotas a alguns passos deles, e em resposta ela sorriu
envaidecida. ‘Que tal aquela de minivestido curtinho?’
Darcy
virou a cabeça para a tal garota; novamente, já que vinha
trocando olhares com ela desde que chegou. Era bonita, mas… ‘Não é suficiente
para me tentar.’
‘Brasil
é muito longe daqui, Darce. Relaxa.’ Bingley bateu afetuosamente no ombro do
amigo e voltou à companhia angelical.
“Exatamente onze mil,
oitocentos e setenta e oito quilômetros. Um mar, um golfo e o maldito Oceano
Atlântico separando a rica Dubai do tropical Rio de Janeiro.” Darcy pensou e mais uma vez
tirou o telefone do bolso. Assim que destravou a tela, ela apareceu. Linda,
sorrindo, o pôr-do-sol de Veneza como cenário.
Segunda
resolução de Ano Novo: perceba que as
coisas não caem a seus pés. O que tem que ser, nem sempre será como você
imagina.
Quase
doze mil quilômetros era uma distância enorme, mas não era impossível. Um pouco
de esforço, bastante persistência e uma boa dose de persuasão poderiam fazer
dar certo.
Com
um suspiro de resignação, ele fechou a foto e abriu o mail que Georgie tinha lhe mandado
naquela manhã:
“Irmão, você escolheu passar o
final de ano longe de casa, mas isso não quer dizer que não posso encher seu saco. Para isso servem os irmãos mais velhos, para aguentar! Fiz uma
lizzard, digo, lista de resoluções para você seguir. Todas!”
Terceira
resolução de Ano Novo: se a
responsabilidade é sua, assuma. Ele tinha metido os pés pelas mãos e
tentado concertar, mas não era fácil. Remorso, raiva, tesão encubado: tudo se
misturava nele. Darcy grunhiu e bebeu todo o Prosecco de sua taça. ‘Preciso de
outra.’ Ele resmungou para si mesmo.
‘Sozinho,
meu velho?’ Uma voz melódica citou
Fitzgerald em voz baixa perto do ouvido de Darcy. Um pouco perto demais, na
verdade.
Ele
virou os olhos para a bela mulher em um vestido cinza curto. Pernas incríveis,
corpo bonito, lábios grossos, talvez uns poucos anos mais velha que ele. Mais
do que suficiente para tenta-lo. ‘Sim. Você?’
Ela
moveu as sobrancelhas desenhadas e meneou a cabeça. ‘Ao que parece.’
Ele
levantou os olhos para o garçom que passava com uma bandeja de taças e estendeu
a mão para trocar a sua vazia por uma cheia quase tocando o ombro dela.
Curiosa, a garota se virou fazendo as longas franjas do seu vestido – do decote
à barra – assim como as discretas lantejoulas se moverem valorizando suas
curvas. Ele piscou languidamente e experimentou a bebida gelada.
‘Americano?’
Ela perguntou.
‘Inglês.’
Ele respondeu.
‘Sul
Africana.’ Ela disse sem que ele se interessasse. ‘Ella.’
‘William.’
‘Gostando
da festa?’ Ela flertou piscando seus olhos esfumaçados com sombra negra.
Ele
levantou as sobrancelhas. ‘Não tanto que não possa melhorar.’
Quarta
resolução de Ano Novo: Ninguém pode ter
tudo, aceite substituições. Ele estava a um mundo de distância dela, tinha
tentado acertar as coisas e estava até fazendo (lento) progresso, mas por que
dar murro em ponta de faca? Ele bufou para si mesmo, ela odiaria o uso do
provérbio. A bela mulher ao seu lado sorriu perguntando silenciosamente o
motivo da graça e ele sacudiu a cabeça.
Nada,
não era nada, mesmo.
Só
que era.
Muito
atrevida, aquela Elizabeth Bennett.
O
enganou por vários dias e depois, literalmente, bateu a porta na cara dele.
Eles haviam flertado – ele tinha certeza que não foi só ele, ela flertou de
volta. Ele não tinha, não podia tê-la mal entendido o tempo todo. Ela flertou
deliciosamente, e ele tinha adorado cada momento com ela. Amsterdam, spacecakes, Veneza, galochas, Milão,
vespa, o Tropic e a noite regada a garapa que passaram juntos. E a manhã que
foi maravilhosa, perfeita, quente, inesquecível.
Darcy
estava preocupado em virar um cachorrinho apaixonado. “Substituições, ninguém pode ter tudo” ele repetiu para si mesmo.
‘Você caprichou na caracterização, bem ao estilo de Daisy.’ Ele sorriu
charmoso.
Ella
bateu os cílios para o homem bonito de black tie. ‘ Combinamos, você é
um Gatsby perfeito.’ Ela esticou a mão e
arrumou a lapela dele. ‘Paletó branco é mais legal que o preto tradicional,
fica muito bem em você. ’
“Lizzy gostou de me ver no
preto.” Mas
Ella nem precisaria fazer muito esforço, Darcy estava disposto a deixa-la
entorpecer o aperto no seu peito.
Quinta
resolução de Ano Novo: cuidado com
cinza, o mundo é feito de pretos e brancos. As coisas devem ser certas ou
erradas para você. Aprenda a identificar o que funciona ou não. Se Lizzy estava
fora do alcance – geograficamente e emocionalmente – era hora de admitir que
não tinha jeito. No entanto, a mulher ao seu lado…
De
canto de olho ele viu o sorrisinho satisfeito de Bingley. Ele odiava aquele
olhar de superioridade e elegeu esta a causa de seu vago desconforto.
A
atmosfera extravagante da festa de Ano Novo ambientada nos anos 20 d’O Grande
Gatsby de Fitzgerald também o estava afetando. O salão Art Déco, pretos e
brancos e... dourados – nada de cinza. Nada de indecisões, nenhum rebuscamento
desnecessário, tudo de um bom gosto exuberante. Cabeças de animais
completamente brancas com seus chifres enormes nas paredes, boás brancos, louça
negra, lírios e rosas brancas flutuando em taças de cristal. Nenhuma tulipa.
Na
sua cabeça, ele só a ouvia repetir ‘Ai, minhas tulipas!...’
Darcy
se manteve assentindo com a cabeça e forçando um sorriso concordando com Ella de cinza que tagarelava sobre
qualquer coisa.
Tulipas
haviam trazido Elizabeth a ele. Uma variedade de cores; rosas, amarelos,
azuis... e sebe. Ele riu secretamente.
“Labirinto vivo, um grande aliado.” Ela era uma explosão de cores – nada de
preto, branco e cinza em Lizzy.
‘…
pista de dança?’ Ele viu a boca pintada de vermelho vivo se mover, não entendeu
muito bem o que ela falou, mas a garota de cinza tomou o copo de sua mão e o
empurrou gentilmente à luxuosa pista de dança, seu vestido parecendo que
flutuava em volta do corpo bonito.
Tudo
fora de lugar. Essa garota era quase tão alta quanto ele, se movia com
liberdade e confiança guiando-o, a maneira como ela o abraçou foi diferente da
maneira como ele ansiava. Nada como em Amsterdam, La vie en rose, um vestido preto em uma garota mais baixa, uma voz
rouca, uma tattoo sensual no peito do pé direito, um beijo gostoso. Elizabeth.
‘Quarenta
minutos para meia-noite, vamos procurar algo para beber e ir para a varanda?’
Ele
balançou a cabeça justo na hora que seu telefone bipou.
Sexta
resolução de Ano Novo: aprenda a focar
no que importa, pare de esquecer seus objetivos e permitir distrações.
SMS de Lizzy Bennett
“Dizem que não importa se ganhamos ou perdemos, as
experiências do ano que vai sempre enriquecem o que vem, mas acho mesmo que é o
tamanho da festa que determina como será o ano novo.
Festeja em Dubai por mim
porque por aqui está um marasmo total.
:(
Minha
promessa de Ano Novo é achar uma boa festa para o ano que vem! Feliz Ano Novo,
Darcy :D.”
Primeiro sua
respiração falhou, depois seu coração deu um sobressalto, e só então seu
cérebro comandou seus dedos.
“Feliz Ano Novo, Lizzy!
Posso te fazer tantas
promessas quantas quiser, minha gata. Posso até realizar a maior parte delas.”
Sétima resolução de Ano Novo: eficiência é primordial. Seja preciso, claro, elimine curvas e siga
em linha reta. Bem no estilo Art Déco. Que conveniente.
“Tentador!… Mas tenho que perguntar: bêbado?”
Ele riu e imaginou a
expressão daquele rostinho lindo lhe perguntando isso. Sim, ele tinha bebido
algumas taças de Prosecco, como não? Garotas bonitas em vestidos curtos
cruzavam o salão oferecendo enormes garrafas com fogos de artifício flertando
mais que enchendo copos. Sim, ele bebeu para afogar a frustração de não ter
Lizzy com ele. Sim, ele bebeu para não comparar a garota de cinza com ela.
“Posso estar bebendo por um tempo, mas não tem a
metade da graça da última vez.
Não tem garapa, e a companhia agradável faz
muita falta.”
Mensagem
clara e direta. Garapa e Lizzy combinavam perfeitamente, o azedinho com os
beijos doces se completaram naquela noite fazendo sua cabeça girar. Como ela o
tocou, aquelas carícias …
Também,
seus gritos e a fúria em seus belos olhos eloquentes. Palavras duras,
conclusões erradas, teimosia.
‘Achei
você!’ Darcy ouviu.
Oitava
resolução de Ano Novo: não perca tempo
precioso. Se não é o que você quer – ou merece, desista. Mesmo que seja uma
pessoa ou atividade.
Ele
sorriu amarelo e Ella soube que não seria este o homem que ela beijaria à meia
noite. “Fazer o quê?…” Ela suspirou.
Lizzy
não respondeu mais, mas ele estava certo que ela o tinha entendido. Darcy
planejou entupir a caixa de mensagens dela com fotos dos fogos de Dubai para
que ela publicasse no seu blog o quanto quisesse, mas ele adoraria receber uma
dela. Aqueles olhos, aquele sorriso, um vestido branco… Elizabeth.
Quando
ele lhe contou do Réveillon Grande Gatsby em mensagem de texto alguns dias
atrás, Elizabeth tinha respondido euforicamente. Ao invés de torpedo, ela havia
mandado vários recados de voz exigindo detalhes, fotos, tudo. Darcy não tinha
certeza se gostaria de ir a uma festa tão grande, era mais coisa de Bingley.
Ele preferiria achar um clube mais exclusivo, um bar de hotel, um terraço com
vista privilegiada para a queima de fogos, mas Lizzy gostou da ideia e ele se
deixou influenciar.
Era o
que ela fazia de melhor, fazer com que ele visse as coisas por outros ângulos.
‘Ah,
sim, claro. Uma perspectiva diferente.’ Darcy disse a si mesmo. Ele saiu da
varanda à procura de seu amigo e o achou rindo em um grupo de garotas bonitas,
o tal anjo e a garota de cinza entre elas.
‘Bingley,
a lista de resoluções de Ano Novo que Georgie me mandou.’ Darcy disse.
‘A
idiotice que você deletou?’ Bingley riu.
‘Ainda
estou considerando se presta.’ Darcy carregou o e-mail em seu telefone. ‘Aqui.’
Ele apontou com o dedo médio enquanto segurava sua taça. ‘Nona resolução de Ano
Novo: Se está a fim, fale com ela.
Se der certo, bom. Se não, parta para outra. Aja.’ Ele leu e Bingley franziu a
testa. ‘Jane Bennett. Te contei o que Lizzy me disse, semanas atrás.’
Se
Snoopy Dogg não tivesse começado a cantar tão alto, o movimento das
engrenagens na cabeça de Bingley poderia ser ouvido. ‘Que horas são no Rio?’
‘Fim
da tarde, elas estão passando as festas em Petrópolis’ Darcy respondeu vendo
Bingley tirar o telefone do bolso.
Quando
ele perguntou quais eram seus planos e Lizzy disse muito miseravelmente ‘em
casa com a família repinica’, ele pensou em convidá-la para encontra-lo em
Dubai. Ela tinha trocado seus turnos no cruzeiro com uma amiga para estar livre
na semana de final de ano, teria pelo menos seis dias. Mas faltou coragem, ele
ficou com medo que ela o recusasse novamente. Agora, ele estava arrependido de
não ter tentado; ela adoraria estar ali, ele adoraria tê-la ali. Perto dos seus
lábios, suas mãos, seus braços.
Décima
resolução de Ano Novo: se mexa e faça as
coisas acontecerem. Coragem e atitude. Progresso pode não ser linear, você
pode tropeçar, mas continue firme.
Da
maneira como Darcy via, Georgie tinha lhe mandando a mesma mensagem em dez
maneiras diferentes.
‘Você
não sai da minha cabeça, então tenho que fazer com que seja minha’, Snoopy
cantou.
Traduzindo em miúdos: Fitzwilliam Darcy estava
apaixonado por Lizzy Bennett, e teria que fazer dar certo.
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Como chegaram aqui?... Ih, tanta coisa já aconteceu a esses Darcy e Lizzy... Amsterdam, Milão, Veneza, garapa, vespa e galochas. Já leu? Corre, está a venda. Outros extras e contos, aqui.