segunda-feira, 27 de maio de 2019

Mulheres Vitorianas que amavam Mulheres Vitorianas

olá,
eu tive a intenção de fazer um mero post na fanpage do blog, mas estou descobrindo TANTO MATERIAL DE PESQUISA - e olha que gastei meros 5 minutos no Google, sequer abri a segunda página da busca por ANNE LISTER.
wiki
Gente, que coisa! Ando enfurnada na era Vitoriana e... nunca tinha lido nada sobre ela! Como pude ser assim tão omissa? Tô fuçando em nichos, preciso ver o TODO!


SÓ SEI QUE NADA SEI.
Já dizia o sábio.
Susanne Jones é Anne Lister no seriado da BBC - pic do pinterest
Aqui faço um breve mea culpa porque vou começar a assistir 'Gentleman Jack', o seriado que romanceia a vida dela. Mas vou dar uma olhada mais a fundo na biografia de Anne Lister.
Cupidos em Devon mostra muitos focos diferentes da vidinha de classe média, média-alta Vitoriana (o que nós hj reconhecemos como essas classes), mas também mostra a CLASSE TRABALHADORA. Nela tenho mais liberdade de fugir dos padrões e imaginar os meandros do relacionamento interpessoal.
Teremos mulheres extraordinárias que amam mulheres incríveis, e precisam lidar com suas escolhas e vidas e consequências.


ANNE, FRED, GENTLEMAN JACK
radio times
Anne Lister, diz a wiki, foi uma mulher porreta de Halifax, West Yorkshire, Inglaterra que viveu no final do século XVIII ao início do XIX, morreu jovem com apenas 49 anos. Proprietária de terras (Shibden Hall), diarista, montanhista e viajante (mochileira? haha); ela manteve o hábito de escrever diários narrando os detalhes de sua vida diária, incluindo seus relacionamentos lésbicos, suas preocupações financeiras, suas atividades industriais e seu trabalho em suas propriedades. Era a vida normal de um homem naquela época, percebe? Ao contrário das mulheres que bordavam, pintavam, tocavam piano e esperavam marido. Ela até se casou com uma herdeira rica, Ann Wlaker, igualzinho aos boys da época.
Susanne Jones e Sophie Rundle como Anne Lister e sua esposa (futura) Ann Walker - pic do uol
Que fantástico, que coragem! 
metro

Seus diários são enormes, vários foram escritos em código contando detalhes íntimos de seus relacionamentos amorosos e sexuais. Isso mostra, além do óbvio desejo de privacidade que pode ser discutida já que ela registrava suas intimidades, mas para mim fica claro que ela tinha noção do perigo, do custo social de suas escolhas. Sofreu bastante, lutou com unhas e dentes. O código só foi quebrado na década de 1930, quase um século depois de sua morte.  Ela montou juntando álgebra e grego antigo, que bacana, né?
Anne é chamada de "a primeira lésbica moderna" pelo claro autoconhecimento e estilo de vida abertamente lésbico. Foi "Fred" para uma amante e "Gentleman Jack" para os moradores de Halifax. 
Reconhecia sua semelhança com as Ladies of Llangollen, que ela visitou. Essas, Eleanor Butler e Sarah Ponsonby, duas mulheres irlandesas de classe alta cujo relacionamento durante o final do século 18 e início do século 19 escandalizou e fascinou seus contemporâneos.
E existem muitos livros sobre ela, eu é que sou uma tapada!



e até outro seriado!

Uma pessoa não precisa ser gay para reconhecer a importância dessa vida na roda sempre em movimento da evolução social. Eu ouvia muito sobre homens gays ou bi como Oscar Wilde e Lord Byron, ou lésbicas já no início do século XX. 
Mas essas, me surpreenderam!

Ponto comum nessas histórias?
nível privilegiado na sociedade
Alguma relação com os nossos tempos?...
E sabe o que mais? Haviam vários relatos.

twitter

As mulheres acima, na charge de 1820, são Lady Strachan & Lady Warwick registradas em um beijo no parque enquanto seus maridos exclamam: "O que deve ser feito para acabar com esta vergonha?" Numerosas fofocas, sátiras e poemas acusavam as duas mulheres de serem amantes.

Estou achando muito interessante, tudo com muito potencial de aprender coisas interessantes e nuances sobre a era que ando retratando em romances. 
E aí, o que acha dessa 
MULHER À FRENTE DE SEU TEMPO?
bbc
Te conto da série. Já viu, me conta!

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e vou pesquisar ainda muuuuito mais.

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