& Moira Bianchi: conde
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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

SOVINICE é imperfeição nossa de cada Natal

 olá, tudo bem?

Trago novidades muito bacanas!

Sim, o ano de 2020 finalmente está acabando e com ele, as festas e um livro novo! Yay!



A série LORDES IMPERFEITOS que componho com minha querida amiga LUCY DIB começa com o vício da SOVINICE, o apego ao material, sujeito muquirana, mão-de-vaca, pão-duro, sangue ruim. O CONDE SOVINA é dupla com o DUQUE MUQUIRANA.



Ainda não sabe que os Lordes serão sempre lançados de dois em dois? 

Aqui conto as fofocas todas.


Tá felizinha, né? 

charles dickens/ J Leech, F Barnard, 1843 - catawiki

Aposto que tá pensando em alguém olha grande. 

Ou é tu mesmo...

Particularmente, no meu caso, sovinice é um momento, não uma qualidade que me define, digamos assim. Por exemplo: 

com chocolate: sovina, sai pra lá. 

Com cerveja: generosa, divido, pega um copo aê, miga. 

Com Livro de papel: sovina, não empresto, vai que você não me devolve. 

Com Filme: generosa, claro, de boa, bora ver junto.

Existe na literatura um zilhão de bons personagens sovinas, quando criança eu amava o 'Seu Nonô Correia' da novela 'Amor com amor se paga' de Ivani Ribeiro, 1984. Ele era de matar, mão-de-vaca de irritar, era xingamento popular na época chamar os outros de Nonô. E quando acharam o tesouro dele! Nossa, foi lindo!

Ah, que saudades de quando as novelas tinham enredo, começo/meio/fim... Foi até difícil escolher o trechinho pra colocar aqui, se o do tesouro ou da geladeira fechada a cadeado, haha. Muito engraçado!

Pesquisando o tema para compor o Conde, descobri quase sem querer que a grande autora Ivanir inspirou o Nonô no Harpagão de Molière e aí, como esse já estava nos meus alfarrábios, as coisas se encaixaram. Assim, no meu romance dos LORDES IMPERFEITOS, o CONDE SOVINA, Ruby - a mocinha - provoca o Conde com essa peça de Molière - O avarento. Famosa desde o sec 17 quando foi lançada, encenada trocentas vezes, até pela turma da Mônica, ainda é bastante atual. Achei um resumo interessante (talvez um pouco truncado) no vestibular1 que diz: 'ciclicamente as civilizações fazem suas adorações ao Bezerro de Ouro'. Ouch! O enredo fala de um sujeito tão olho grande, mas tão olho grande, que decide casar o filho com uma viúva rica filha de cara rico, o problema é que ela é apaixonada por um pobretão. Eita!

E como os Lordes se passam na Inglaterra, pelo menos essa primeira dupla, e estamos chegando nas festas de final de ano, graças ao bom Deus, quero falar de...

UM CONTO DE NATAL

 ~ Charles Dickens ~

Mickey's Christmas carol, 1983. we heart it

Quantas vocês você já viu esse filme/desenho/meme na vida? É como a música de John Lennon e show de Roberto Carlos: se saiu do baú, chegou o Natal.

Um conto de Natal (A Christmas Carol. In prose. Being a Ghost Story of Christmas) foi lançado no *meu aniversário* do ano de 1843 (19 de dezembro) quando Dickens já era famoso, e desde o início foi um sucesso. Muito bem recebido, na véspera de Natal, 5 dias depois, já estava esgotado - 6k cópias- , em janeiro já tinha cópia pirata sendo vendida no mercado negro, e ele precisou começar uma campanha por direitos autorais. Um dia posso postar sobre isso, é bem bacana essa história da pirataria de livros na era vitoriana.

Para ele foi um alívio vender tão bem, estava em maus bocados financeiros depois de sua longa viagem para os EUA no ano anterior. Teria ele costurado uma obra comercial? Bad Moira, bad... Se foi, deu quase certo, pois no final de 1844 já tinha vendido mais de 15k cópias. Pena que ele não ficou com a grana toda, tinha que dividir com o editor, etc, etc. 

O homem que inventou o Natal, 2017 - pic de filmes dublados e legendados


Apesar do filminho fofo contar diferente, até existem evidências (não canta!) que ele construiu Scrooge se baseando em dois homens reais. 'De acordo com a BBC Arts, Dickens teve a ideia para o personagem depois que entendeu mal a lápide do comerciante chamado Scroggie durante um passeio ao redor de Canongate Kirkyard de Edimburgo, que é mencionado em seus rascunhos como um indivíduo triste e mau. Outra fonte potencial para o personagem é o famoso avarento John Elwes. De acordo com o Telegraph, apesar de ser extremamente rico, Elwes gostava de viver aquela vida insensível - racionando aquecimento, velas e até mesmo comia comida que estava estragando.' Éca!

Enfim, a saga de Ebenezer Scrooge e os Fantasmas do Natal nunca deixou de ser publicado até hoje, 377 anos nas paradas de sucesso, todo dezembro. 

Para quem não lembra, não viu encenado pelos Muppets, Trapalhões, Mickey Mouse, Barbie, Disney, A feiticeira, Esqueceram de mim, leu (como eu, assumo), aqui vai um resumo muito resumido do que é o enredo que fala de ganância, perdão, viagem no tempo, generosidade e compaixão: 'Scrooge é um velho mesquinho e egoísta que odeia o Natal. Num frio 24.12, ele toca o terror: é cruel com as pessoas que trabalham para ele, se recusa a doar para instituições de caridade e é rude com o sobrinho que o convida a passar o Natal com ele. De noite, Scrooge é visitado pelo fantasma de seu antigo sócio, Jacob Marley - e depois por três fantasmas do tempo: os fantasmas do Natal passado, do presente e do futuro. 

O Fantasma do Natal Passado leva Scrooge em uma viagem pelos Natais de seu passado, onde ele se vê como uma criança infeliz e um jovem mais apaixonado por dinheiro do que sua noiva. O Fantasma do Natal Presente mostra a família de seu funcionário Bob Cratchit, bem pobre e com o filho Tiny Tim, que está muito doente, mas cheio de ânimo; depois para ver as celebrações de Natal de seu sobrinho Fred - para o qual ele havia sido convidado, mas rejeitou ir. Finalmente, o Fantasma do Natal Futuro aterroriza Scrooge, mostrando-lhe visões de sua própria morte, sozinho. É mudo, pois o futuro é mutável, Scrooge é quem o fará por suas escolhas.

A jornada dos fantasmas no tempo ensina a Scrooge o erro de seus atos. Quando ele acorda no dia de Natal, emocionado e arrependido, compra muita comida e leva para a família Cratchit antes de passar o dia com o sobrinho, cheio das alegrias do Natal.'

tumblr
Pessoalmente, não sou muito ligada nesses contos de arrependimento profundo, let bygones be bygones. Sou rancorosa, perdoo, mas tenho dificuldade de esquecer. Tenho cá minhas desconfianças se Scrooge muda pelo medo do que o fantasma do Natal futuro lhe mostra, que claramente tem o maior impacto nele, porque ele vê que vai deixar tudo para outros gastarem ou porque se arrepende de verdade. Não obstante, reconheço o valor da obra de Dickens.

Veja bem, não sou estudiosa de Dickens, curto sua obra. Goshto meshmo de Orgulho e Preconceito de Jane Austen. Se você já veio aqui antes, já leu meus livros e romances gratuitos, sabe disso. Avalio O Conto de Natal como curiosa apaixonada da era Vitoriana. 

Muitas fontes teorizam o porquê de Dickens ter mirado e acertado direto no alvo, ele já falava desse tema em outras obras: a injustiça social na era Vitoriana, ele mesmo que teve origens pobres. Em Oliver Twist (1837-39) ele já tinha esmiuçado a vida dura da infância pobre nos cortiços e workhouses de Londres que (parece) comoveu até a rainha Victoria e o príncipe Albert (que desconheciam a situações de seus súditos, tsk, tsk). 'De certa forma, é uma história muito vitoriana de circunstâncias urbanas: extremos de riqueza e pobreza, indústria e incapacidade. Mas também ajudou a mudar a sociedade vitoriana, escreve a historiadora Catherine Golden para o blog do National Postal Museum. E é por isso que Dickens o escreveu.' Diz o Smithsonian Institute.

No Conto de Natal ele fala também de redenção e Natal, Então, digamos, são 3 os temas centrais da novella.

Humbug not to be spoken here, 1967 de A Feiticeira - christmas tv history

Injustiça social: Dickens tinha críticas severas sobre como a sociedade Vitoriana ignorava a pobreza de sua classe baixa. De um lado, estavam os ricos que gozavam de conforto e festejos de Natal e, do outro, as crianças forçadas a viver em condições terríveis em abrigos. Para nós hoje no século 21, amantes de 'romances de época', é muito difícil nos ligar nesta vertente da vida Vitoriana. Queremos ver ladies e lordes, bailes e chás das cinco, né? Mas a vida era muito mais dura do que ter que usar o bourdaloue entre as pernas para fazer xixi sem molhar as anáguas.

A forma que Dickens escolheu para destacar a injustiça da distribuição de riqueza foi fazer Scrooge se recusar a dar dinheiro para a caridade, mostrando assim o egoísmo dos mais ricos da sociedade vitoriana. As crianças que se escondem sob as vestes do Fantasma do Natal Presente são 'beliscadas' em vez de estarem felizes e alegres como gostaríamos que as crianças fossem. O Fantasma diz a Scrooge que os filhos são responsabilidade de toda a humanidade. Tiny Tim usava muletas, imagino que seja uma analogia à falta de condições normais de comparação entre as crianças ricas e pobres. Aqui temos que lembrar que, neste momento, as crianças começavam a deixar ser vistas como mini adultos. A criação começava a mudar, havia quem advogava a favor do direito de toda criança brincar e estudar, contra o trabalho infantil; era o início do raciocínio que temos hoje.

Depois, na hora do Fantasma do Natal Futuro, enquanto os ladrões vasculham os pertences de Scrooge, eles comentam sobre como ele tinha sido avarento na vida. Isso faz com que ele e o leitor apreciem as falhas de apenas pensar em si mesmo sem dividir com quem precisa e quando a gente morre, fica tudo para trás.

Barbie em A canção de Natal, 2008. IMDB

Redenção: É uma ideia sedutora, a de ser salvo do pecado ou do mal. Cristo é a Aliança, afinal de contas. Em Scrooge, vemos um homem que se transforma de um avarento ganancioso e egoísta em um personagem generoso e bem-humorado no final. Isso é o que queremos ver em todos os livros de romances, certo? Um arco de personagem que faça os 180º certinho. 

Scrooge vê (do verbo ver, enxergar; é levado pela mão para visitar o passado, o presente em outros lugares físicos, o futuro) ele vê o erro de seus atos com os fantasmas e é redimido por sua própria vontade de mudar. A mensagem moral da novela é que todos os seres humanos têm a oportunidade de se comportar de maneira mais gentil uns com os outros. 

Perceba que apesar do empurrãozinho dos fantasmas apontando o erro, a força de mudança vem de dentro, da vontade própria de Scrooge de mudar. Ele poderia ter perdido todo o dinheiro, então teria que mudar por força externa. Mas Dickens escolheu fazer com que ele tomasse a decisão de mudar.

The Muppets Christmas Carrol, 1992. smithsonian

Natal: O sobrinho Fred é sempre entusiasta do Natal, convida o tio, festeja e tal. Tiny Tim, o filho doentinho do empregado, é uma criança doente que acredita no espírito no Natal, que todos serão felizes na Noite mágica e tals. Dois personagens diferentes, um adulto e uma criança, um remediado e um pobre. Ambos homens, ok. Mas e aí?

Especialmente na era Vitoriana, o culto aos festejos de Natal começava a ser ampliado por conta de Victoria e Albert. Há anos já havia em Buckingham a tradição de montar árvores de Natal, a aristocracia também já fazia desde a rainha Charlotte, mas foram eles, Vic e Bert, com sua vontade de estabelecer a moralidade da vida familiar feliz, que popularizaram a coisa toda.

first christmas tree in Britain, 1946. Illustrated London news. wiki commons

Acredito que Dickens estivesse mirando neste abismo entre as crianças felizes em volta da árvore recheada e o menino doentinho no frio sem dinheiro para lenha na lareira ou comida farta.

Ao menos conseguiu estimular as doações à obras de caridade. Não sei (porque não pesquisei a fundo) se foram doações para limpar a consciência no momento do frenesi do lançamento do livro, mas sei de fonte confiável que Dickens era insatisfeito com o resultado da obra, ele esperava ter mudado a sociedade e juntado mais grana. 

Dickens pode não ter ficado rico $$ com a obra, 

mas tornou o mundo um pouco mais rico <3  de caridade.

Home alone, 1990. the new york times

No caso do filme Esqueceram de mim, que eu amei quando vi pela primeira vez, e amei muito assistindo o documentário sobre a produção Movies that made us, as teorias de quem e quais personagens são Dickenianos são lokas! Sugiro que você leia aqui. Eu sempre achei que era o vizinho idoso.

A história de Scrooge traz grande sabedoria, é fato. 

Durante as inevitáveis ​​épocas difíceis da vida, como esse incrível ano de 2020 que começou com água podre aqui no Rio e sabe-se-lá onde vamos parar, Deus nos proteja, as conexões humanas que temos com a família e amigos nos ajudam a superar. Eu contei e conto com azamigas, a família, a literatura, o século 19 e meus grupos de oração. Quando refletimos sobre quais valores de caráter são certos e errados, conseguimos perspectiva firme para seguir em frente. Os temas da obra são muito relevantes ainda hoje, talvez ainda mais agora em meio às mazelas trazidas à tona por conta deste distanciamento social. 

A Christmas carol, 2009 . tumblr

Com famílias e pessoas em geral separadas pela geografia e relacionamentos em perigo, distraídas pelo stress, sobrecarregadas de informações, mídia enlouquecida, redes sociais tóxicas e menor participação de comunidades espirituais e organizações cívicas, a conexão humana diminuiu. Vida louca, mano. Este declínio correspondeu a um declínio na alegria e aumento da ansiedade e depressão. 

A boa notícia é que não precisa ser assim. Podemos tirar um tempinho para refletir sobre a mensagem mais bacana de Dickens no Conto de Natal, talvez nem tenha sido a que ele considerou principal:

A VONTADE DE MUDAR POR CONTA-PRÓPRIA

design you trust

auto limpeza que fala, né?

Fazer um defrag, se livrar do lixo, renovar

Sovinice, só com chocolate. Com licença. Nisso eu posso!

E um livro novo para distrair a mente

e alimentar o coração!

Vai na Pitangus Editora ver datas e links.





bj, M.

mais sobre Natal Vitoriano, aqui

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e meus arquivos pessoais.


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Quantos Duques e Condes existiam de verdade?

 Olá, td blz?

Aqui ando na hype do lançamento de um novo projeto, 'LORDS IMPERFEITOS'. Eu e minha bestie Lucy Dib criamos uma série de romances sobre homens nobres perfeitamente estragadinhos.

Historical Hottie: Nathaniel Hawthorne, autor de 'A letra escarlate', 1841 - pic do wiki

Os homens de título são os queridinhos do romance de época, vamos assumir logo. Todo mundo quer ler & sonhar com um Duque, um Conde, até um Baronete quebra o galho. 

Austen gostava muito de Baronetes, tinha em O&P (De Bourg) e Persuasão (Elliot). Até fiz um quadrinho inspirado naqueles lindos-de-morrer do The Guardian - Austen em números. 



Nas obras, Austen menciona poucos nobres, menos ainda como possíveis maridos, talvez porque não convivesse com a nobreza. Tem o anônimo que casa com a irmã de Mr Tilney em Northanger Abbey, e o primo escroque herdeiro do pai de Anne Elliot de Persuasão.

Mas uma rápida pesquisa no Google ou na Amazon, vemos que herói de romance de época quase sempre é um nobre. De preferência Duque. Eu mesma tenho um romance recheado de Duques, um monte!

ebook e brochura


Em All those Dukes, por conta de uma fofoca antiga de família, a heroina - uma cientista dos primórdios da antropometria - precisa listar e visitar todos os duques do reino. O ano era 1855, e eu pesquisei um monte para saber quem e quais eram esses.

No livro entraram com outros nomes, eu sempre faço mudanças porque não faço biografias.

Wellesley, o Duque de Wellington, que empresta o nome a Kin de CUPIDOS EM DEVON era um historical hottie. Huba, huba! pic do wiki

Quando menciono personalidades, como no 'DILEMAS EM LEILÃO' da série CUPIDOS EM DEVON, escrevo e reescrevo mil vezes. Imagina dar falas à Rainha Victoria?!

chezzburger


Kin, o mocinho de Dilemas em Leilão tem títulos de nobreza, recebidos de forma extraordinária, que me levou a meses e meses de pesquisas, infinitas discussões com amigas sapientes da nobreza do século 19.

Mas vamos aqui ao que interessa.

QUANTOS DUQUES EXISITAM NA ERA REGENCIAL?

&

QUANTOS CONDES EXISTIAM NA ERA VITORIANA?

Por que Condes e Duques, e porque nessas datas?

É a nossa série LORDS IMPERFEITOS! Em cada romance há um nobre (cheio de defeitos) e Lucy gosta de ficar na era de Jane Austen - a Regencial (primeiras décadas do século 19), já eu sou vidrada (por enquanto) no ano de 1855.

A maravilhinda Geri Walton já fez uma pesquisa de responsa sobre os duques na era Regencial, listados por idade casamenteira, quantos eram solteiros, quantos eram amigados, estavam em ménage e etc. Um mimo de post!

Pessoalmente, adoro saber quem & quantos poderiam estar disponíveis no ano que eu loco minhas histórias, mas para o que eu quero comentar, basta o número geral: 

31 DUQUES em 1815

Bastante, não é mesmo? 

Esses guapos tinham filhos, herdeiros, primos olho-grande, etc, etc. Três dezenas de possibilidades. O 'Duque de Shropshire' do 'O DUQUE MUQUIRANA' se passa na era Regencial e por isso, ele é um piteuzinho mal-humorado, solteiro e órfão, que faria 32. Falei que ele é gato?

169 CONDES em 1853

Uma galera!

Nesse grupo enorme, certo que tinham vários em idade casadoira, portadores de grande fortuna em busca de uma esposa. E falidos também... 'O CONDE SOVINA' se passa em 1855, o que faz do 'Conde de Itsdale' o nobre nº 170  - solteiro, avesso a casamento, mão fechada, bem-humorado e guapo.

Você imaginava que havia tantos?

Imagina todas essas famílias endinheiradas, cheias de poder, frequentando a corte, ditando ordens... Seria mais ou menos como ter centenas e centenas de deputados e senadores? Devia ser brabo viver nesses dias...

Interessa saber certinho quais eram solteiros? De certo que não eram os 612 duques que achei na Amazon... 



O que nos interessa mesmo é ler esses homens maravilhosos e suas agruras conquistando a mocinha acanhada, né?

Termino com a primeira imagem do Duque e do Visconde da nova série da Netflix baseada na série de Julia Quinn que sai no dia de Natal.

twitter

Ho, ho, ho!


Até mais,

M.

outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e meus arquivos pessoais.

sábado, 30 de maio de 2020

Belgravia, a minissérie

Olá,
já falei dos teasers e das pesquisas curiosas que o livro Belgravia do autor Julian Fellowes, o mesmo de Downton Abbey. Adorei o livro, fiquei cheia de caraminholas na cabeça e até (sem querer) li um outro romance bastante inspirado nessa trama.
Filhos bastardos, herdeiros indignos, segredos & vergonhas é um plot comum para romances de época, e o que mais me seduziu nesta história foram os arranca-rabos entre as mulheres, mães na verdade. Personagens maduras, tanto a esposa do comerciante quanto a Condessa, são muito poderosas e no entanto, o que as difere é a bagagem que carregam: uma é lady, nasceu lady, morrerá lady de fino trato e educação primorosa; a outra é filha de diretor de escola casada com comerciante e por isso, lhe falta o traquejo social - que é a chave da trama.

Daí fui ver a minissérie com toda animação e...
fiquei decepcionada

podia ser dito assim também

A minissérie perde a delicadeza do plot rocambolesco, os embates das duas mulheres são amenizados e adoçados, o que no livro fica dito-pelo-não-dito, na TV é explicadinho. Blergh!

Porque fiquei tão decepcionada, me contive nas confeitarias. Reparei as inúmeras repetições de figurino que achei impensáveis para uma mulher rica como a Trenchard. Adorei as golas de renda da Condessa e... bem, vamos lá.

1- Abertura:
muito similar a Downton Abbey, música e imagens contam a construção do imóvel que abriga a trama. Ok, né, vem do mesmo autor e tal. São imagens bacanas de desenho de arquitetura virando realidade.

As duas são preparativos do que vamos ver, percebe?
Em Downton, vemos a preparação de um jantar que parece ser de gala pelos cuidados e itens dispostos, a movimentação da criadagem, um homem bem apessoado caminhando com o cão. O tema da série, a gente descobre depois, é justo a evolução das relações entre nobres e plebeus, senhores e criados.
Em Belgravia, vemos desenhos de um projeto de arquitetura virando realidade. O tema, a gente vê depois, são as modificações trazidas no pós guerra, dinheiro novo, modernidade.

2- Os figurinos são super repetidos, o que me pareceu estranho pelo nível social das personagens. Claro, imagino que no século 19 as pessoas repetiam roupas. Se eram costuradas à mão (máquinas de costura só ficaram populares depois da década de 1850), cada vestido levava dias, semanas para ficar pronto. As péssimas condições de trabalho das costureiras é famosa, tem casos até de fantasmas. Então, se os vestidos eram tão trabalhosos, as mulheres deveriam usar mais de uma vez.
Mas na minissérie elas repetem toda hora. Me dei ao trabalho de separar os frames. Perceba em qual e onde no espisódio elas repetem. Às vezes, estória são dias diferentes, seguidos até.
a condessa geralmente usa cores lisas com adereços de renda branca
rica de-marré-de-si, ela repete, pete, pete
o bacana aqui é que ela troca a gola (que geralmente era solta do vestido)
na série Victoria é dito que a rainha usava golas e luvas uma só vez!
No início da trama, durante as guerras napoleônicas, o estilo era o grego. Como em Austen.
Anne é rica de dinheiro novo, até acho que ela repetiria bastante as roupas porque
a personagem sempre se lembra de épocas menos prósperas. mas mesmo assim, ela repete pácas!
esse listradinho parece mais xoxo que o bege+azul...
esse eu gostei bastante, amarelo dourado. 
E ela usa em casa, fazendo visitas e em passeios nos jardins.
Susan é a nora gastadeira, mas repete esse modelo cinza que não combina com ela, eu acho
Lady Mary cabelinho-nas-ventas pode usar até jornal, nada ajuda esse penteado horrorível

E você me pergunta: só as personagens principais repetem tanto?
Não, todas repetem. Eu é que perdi o saco de observar todas.
Em outras séries também há esse monte de repetições? Vou passar a reparar...

3- Os homens vestem cravats coloridas. Adorei!
rico de marré-de-si
herdeiro gastando por conta
jovem de alguma educação lutando para fazer fortuna no comércio

Viu alguma diferença nos figurinos?
Alguma graduação por riqueza ou nível social?
Nem eu...

3- O vestido de casamento foi simples e lindo! Poucos bordados, só detalhes de bom gosto.

Engraçado que Lady Mary estava destinada a casar com um conde... É, até dá um plot para um romance: 'A dama que o destino reservou para um Conde'. Quem sabe?

Se nesses dias na gaiola de quarentena você precisar de uma boa dose de fofoca + segredos + tramoias, baixa o CARTAS À DORA. Um romance cheio de cartas que se passa na Era Regencial.
até mais,
M.


quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Cupidos em Devon, Devonshire e Gales

Devon, como assim?...
Devon pessoa ou Devon lugar?
É uma boa dúvida mesmo...
twitter
Os registros das origens do nome são um pouco contraditórios.
Baby Name Wizard diz que o nome de menino vem do Gaélico dámh - um poeta - com as variações Deven, Devan, Devyn, Devon.
Wiki diz que vem da tribo Dummonia que morava na região antes das invasões anglo-saxônicas.
Urban Dictionary diz que vem do Hindu dev - um deus e hoje define alguém suave, pegador, fala mansa, bom com as moças.



Políticos, atletas famosos e medalhistas olímpicos, atores, são muitos os batizados DEVON na atualidade, nome próprio. Mas também existem muitas mulheres chamadas Devon: it girls, atrizes, jornalistas. Pessoas!
Comida... Um tipo de mortadela na Austrália e Nova Zelândia.
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country prime meats

E é o lugar do momento!
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beezer homes
Condado no Sudoeste da Inglaterra, Devon (Devonshire antigamente) com praias e penhascos, resorts, cidades medievais, portos que vive - além do turismo - da agricultura.
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coast and country
paisagens pitorescas
Related image
g hunt photography
ultimamente coincidentemente em sintonia fina comigo, 
livros

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mazzard farm

Mas onde fica isso?
Vamos ver no mapa da ilha da GB
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wiki
aqui em baixo, bem ao lado da Cornualha (Conrwall). Vermelhinho, vê?
Nesse mapa de Dighton do final século XVIII , uma caricatura divertida, seria a cauda do peixe. Aquele pedaço que a gente procura na moqueca...


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wiki
Nesse de 1825 - que uso como base para pesquisas e planejamento de viagens dos personagens - dá para ver claramente que a região pouco mudou nos últimos séculos.
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miklian maps
de baixo para cima, Devonshire é a primeira área rosa.

Mas olha, estou entrando no mundinho dos ROMANCES HISTÓRICOS e, bem, o que mais gostamos neles?
Amores arrebatadores, vestidões, mansões, homens valorosos, nobreza.
Certo ou com certeza?
Virginie Gautreau by Gustave Courtois, 1891
pic do twitter
E que tal esse palacete, Marnhead em Devonshire?
Ou Mamhead.
tate
Mamhead is located in DevonMamhead Park, sudoeste de Devon, vem do século 14. Esse palacete foi construído no início do século XIX por Robert William Newman, 1º Baronete de Mamhead. Olhe no mapa onde isso fica no Condado. 
Além dessa propriedade, existem muitas outras como Bishop´s Tawton, Sidbury Manor, Huntsham Court e Cricket Field.




mas...

Não confunda bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha
Os Duques de Devonshire não tinham terras em Devonshire...

William Cavendish, 1st Duke of Devonshire.jpg
Este cavalheiro muy hermoso de vasta cabeleira é William Cavendish, 1º Duque de Devonshire (1640 a 1707), apoiador da 'Revolução Gloriosa' que expulsou o Rei Católico James II mesmo com um herdeiro homem vivo e saudável e trouxe ao poder o Príncipe de Orange Holandês que era casado com a filha de James, Mary já que esse casal era Protestante.
Confusão danada, revoltas Jacobinas, coisa feia.
Jacobinos estão em Outlander, lembra? O nome vem de Jacobus, latim para James a quem eram fiéis e queriam ver restituído ao poder.
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daily mail
os vovozinhos rhykos em 1991
Enfim, a família Cavendish era muito poderosa e influente, a cada geração, emendavam sua fortuna. Havia filho Duque de Newcastle, Barão Cavendish de Hardwick que foi pai do 2º Conde de Devonshire. Esse, por causa do apoio à Revolução Gloriosa, virou Duque de Devonshire.
São tão nobres e phynos e ricos que ainda, até hoje, existem Duque e Duquesa vivos.

Segundo a Wikipedia, o filho mais velho do Duque de Devonshire é Marquês de Hartington, o filho mais velho deste é Conde de Burlington e o filho mais velho desse é somente, coitado, Lord Cavendish. Isto é, se todas essas 4 gerações estiverem vivas ao mesmo tempo. 

O rhyko Ducado tem muitas sedes: 
-Igreja de São Pedro em Edensor, vilarejo mais perto de Chatsworth. É onde estão os túmulos. FYI;
-Chatsworth House em Derbyshire com aquela fonte em escadaria MARAVILHINDA;
-Hardwick Hall em Derbyshire;
-Bolton Abbey em Yorkshire;
-Londesborough Hall em Yorkshire;
-Lismore Castle em Co Waterford na Irlanda;
-Compton Place em Eastbourne;
-Holker Hall em Lancashire;
-Chiswick Hall em Middlesex;
-Devonshire House e Burlington House em Picadilly, Londres - demolidas.
Ao todo, 800.000Km² em Derbyshire, Yorkshire, Condado de Cork e de Waterford. 
Nada em DEVONSHIRE. Entendeu?

No cinema, Chatsworth House a gente conhece BEEEEM!
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LINDO!
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lacradora!
Resultado de imagem para Chatsworth House filmes wolfman
do mal!
A famosa Georgiana Cavendish que, dizem, inspirou o nome da irmã de Mr. Darcy porque Mr. Darcy Sr. teve um caso com a Duquesa linda-de-morrer-virada-no-jiraiya, foi a esposa do 5º Duque de Devonshire e mãe do 6º. A história REAL DA VIDA DELA é tão excitante quanto triste. Eu já fui muito fascinada por ela, li livros e biografias. Mulher corajosa e determinante no mundo.
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sotheby´s
Essa exposição esteve nos jardins do palacete. Eu achei que o leão nasceu para morar ali. Já posso criar uma fanfic de O&P inventando razão para ele estar ali em 1814?
Lion 2 (2008) by Yong Ho Ji, aço inox e pneus reciclados - exposição nos jardins de Chatsworth House.


Image result for Lion 2 by Ji Yong-Ho in the gardens of Chatsworth House
wiki
Se o DONO do nome 'Duque de Devonshire' não tem terras em Devonshire, quem tem? Vamos ao Wikipedia.

Tíltulo principalSede da famíliaSede anterior
Duque de SomersetMaiden Bradley, Wiltshire e Berry Pomeroy Castle, DevonBulstrode Park
Conde de DevonPowderham Castle, DevonTiverton Castle, Colcombe Castle
Conde de MorleyPound House, DevonSaltram House
Barão Clifford de ChudleighUgbrooke Park, Devon
Família Bidlake Great Bidlake Manor, Devon
Mas, na série Cupidos em Devon, Devon é nome de família e não de lugar nem nome próprio. Eles são de Gales, os cupidos estão NA (em + a) família. Cupidos agindo na família Devon da Região dos Powys em Gales, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
Map of Powys
wiki mostra onde ficam os Powy em Gales (Wales)

Galeses?
Sim, mas há muita história de família escondida esperando para ser desvendada pouco a pouco. Família não é coisa fácil, tem uns rancores, umas mágoas, uns ranços... Digamos que os 2 Devon que você vai conhecer no livro 1, Eclipse do Coração, são Galeses, pero no mucho.

A sede da família, Rundlestone, é um lugar fictício localizado aproximadamente na região dos Powys. Lugar lindo, bucólico, mágico, pronto para sediar uma, duas, três, várias histórias de amor.
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shoot from the trip
essa lindeza é o Powis Castle, sede do Condado de Powis

Não é o caso da série Cupidos em Devon, mas aqui está a lista simplificada da nobreza de Gales
Título PrincipalSede da Família
Marquês de AngleseyPlas Newydd, Anglesey, Gales[2]
Conde Lloyd George de DwyforFfynone, perto de Newcastle Emlyn em Carmarthenshire, Gales[6]
Conde de PowisPowis Castle, perto de Welshpool, Powys, Gales[8]
Conde de LisburneTrawsgoed, perto de Aberystwyth, Ceredigion, Gales.[9]
Visconde TredegarTredegar House, Monmouthshire, Gales[10]
Lorde GlanuskDower House in Glanusk Park, Powys, Gales
Baronetes Williams-Bulkeley Baron Hill, Anglesey, Gales[11]
Baronetes Williams-Wynn Historicalmente, até 1920, Bodelwyddan Castle, Denbighshire, Gales[12]
Barão de Cymmer-yn-EdeirnionHistoricamente, até o século 16, Gwerclas Castle, depois Pen-y-Clawdd perto de Chirk, Denbighshire, Gales
Como já disse, não faço biografias. Não espere ver esses nobres na história. Se aparecerem, bem, é porque o bixo pegou mesmo!

De Devonshire a Gales nem é muito longe se por mar - o canal de Bristol - (de novo, o mapa de 1825). Por terra, especialmente a região dos meus Devons, a fictícia Rundlestone - algum lugar entre Montgomeryshire e Shropshire - levaria-se uns dois dias na estrada com carruagem boa. Imagino seis trocas de cavalo no livro 1. Depois a tecnologia de viagens progride e isso é assunto para outros posts. 

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E como eu cheguei a Devon? 
Sabem que nunca fico muito longe de Austen...

tweet de quando eu fugi de um capítulo da novela Orgulho e Paixão
para assistir mais 1 vez ao filme O nome da Rosa: 
Uma amiga gaúcha diz que nunca saio 'de roda da cinza'.

D A R C Y
D E V O N

Sonoro, curto, posso repetir na narrativa sem ser cansativo. 
Adorei.

Porém...
Jane foi Austen e eu sou Bianchi.
Darcys são do Norte, Peak district, Derbyshire. Longe pácas, ainda mais de carruagem. Eu sempre faço Pemberley vizinha a Manchester, btw.
Devons são do Sudoeste, Powys, Gales, pertinho de Londres. Família cosmopolita, antenada, atualizada, miscigenada, trabalhada nas tramoias e cheia dos segredos.




Te conto - começo a te contar - aqui, ó:
 

bj
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the lasses, Lilly Martin, 1856
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