& Moira Bianchi: 1855
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sexta-feira, 24 de julho de 2020

Amarelo, inspiração no século 19

Olá!
Existe um ditado assim: 'O que seria do mau gosto se não fosse o amarelo?' 
Já ouviu? Sempre me faz rir, que petulância desqualificar a cor do sol, da riqueza, da alegria!


AMARELO

Manuais Vitorianos dizem que 'amarelo é a cor mais próxima da luz e mais brilhante, sozinha ou em combinação com outras cores. Via de regra, amarelo vivo deve ser pouco usado em um vestido; dê preferência aos tons ouro, primrose, maize. É especialmente belo em trajes de primavera e início da verão.
Amarelo simboliza inveja e outras paixões malignas, mas o efeito na mente é de alegria, luminosidade, agradabilidade. A cor também é usada para expressar a riqueza outonal e a própria estação em suas matizes de marrons.'
INVEJA!
tinha até me esquecido disso!...


Na cromoterapia, amarelo significa felicidade na vida, está ligado à maneira como nos relacionamos com outras pessoas e é conhecido por ter efeitos positivos sobre os músculos, fortalecendo-os. E cromoterapia vem sendo estudada desde o ano de 1025!
Segundo a milenar medicina ayurvédica, amarelo está ligado ao chacra do plexo solar, cuida de órgãos internos como fígado, estômago e intestinos. Também reduz dor muscular e inflamações.
Mas tem gente que detesta roupa amarela...
E no réveillon, a calcinha amarela traz riqueza para o ano novo, né?
Corset amarelo será que conta também?...
Amarelo é cor da moda desde sempre, possivelmente desde a Idade do Ferro (500-322 aC). Tem tantas fontes quanto o vermelho e azul como já falei, muitas naturais e fáceis como cebola, açafrão, romã. Dois corantes amarelos brilhantes tiveram grande importância comercial na Europa do século 18, ambos com origem no Novo mundo - as Américas: quercitrônio da casca interna do carvalho preto oriental (Quercus velutina), e fústico da amoreira do tintureiro (Maclura tinctoria ). Depois, corantes sintéticos foram descobertos e produzidos em larga escala, como já mencionei em outro post de cores - a anilina amarela começou a ser comercializada em 1864, por exemplo - mas ainda os naturais tinha grande peso. Até hoje é fácil encontrar receitas de passo a passo para tingir em casa usando produtos natureba.

Falando dos antigamentes, na moda rococó do século 18, a popularidade das roupas amarelas estavam intimamente ligadas à influência da China em muitas áreas da vida e da cultura. Lá a cor era ligada à felicidade, glória e sabedoria; também à quinta direção 'o meio'. Sob a influência da corte francesa, os trajes amarelos também eram uma manifestação do estilo de vida porque era então associada ao otimismo e aos prazeres terrenos, chama atenção e por isso é usada para diversão. Ou seria o inverso? 
Da influência da China também veio o tecido 'Nankeen' de algodão simples, amarelado e muito durável. Calças (breeches) de gentlemen eram feitas de nankeen que de tão popular ganhou genéricos: tecido de algodão comum tingido de amarelinho.

Portrait of the Marquise D'Aguirandes, 1759. FH Drouais. Cleveland museum of art 

Durante a Era Vitoriana no século 19, o amarelo era muito popular pela luminosidade. Nas tonalidades variavam principalmente dos tons manteiga, amarelo limão, mostarda, ouro era usado em vestidos diurnos, de noite e trajes para a beira-mar. Revistas de moda e especialistas em cores da época recomendavam restringir o amarelo claro e brilhante à primavera e verão. No entanto, tons de amarelo podiam ser vistos em roupas da moda durante todo o ano, geralmente na forma de luvas, leque decorativo, um guarda-sol com babados ou um chapéu impressionante.
manual Vitoriano 'Color in dress' dita as seguintes possíveis harmonias:
- amarelo com vermelho e preto
- amarelo com escarlate e azul 
- amarelo com escarlate e roxo
- amarelo com escarlate, azul e preto
- amarelo com escarlate, branco e preto
- amarelo com escarlate, verde e azul
- amarelo com escarlate, azul e marrom
- amarelo com roxo/violeta/lilás
- amarelo com azul - mas é uma combinação fria
- amarelo com castanho, marrom ou chocolate
- amarelo com vermelho
- amarelo com escarlate
- amarelo com branco - mas é uma combinação pobre
- amarelo com preto
- amarelo com verde
the attic Jezebel

Historical Sewing me contou que: 
'as ilustrações de moda do século 19 eram pintadas à mão 
pelas leitoras das revistas em suas casas e 
cada uma escolhia as cores que ela gostava. 
É por isso que você verá o mesmo modelo apresentado em cores diferentes.' 
Eu não sabia disso!!



Corantes amarelos
Corantes minerais
Corantes minerais são encontrados na superfície da terra e em minas, para amarelo é a limonita. As rochas são pulverizadas para serem usadas dissolvidas em água ou óleo. Por serem de natureza inorgânica e não degradarem ao longo do tempo, como corantes de plantas ou animais, têm vida longa se forem protegidos.


Corantes vegetais
Corantes vegetais são feitos de folhas, cascas ou raízes de árvores e plantas. Eles eram os mais usados na antiguidade, pois eram os mais fáceis de encontrar e desenvolver. Os corantes mais comuns eram feitos de açafrão. O amarelo é talvez um dos corantes mais fáceis de obter naturalmente de uma variedade de fontes, incluindo casca de cebola, atum, chá frio, ruibarbo, erva-de-São-Marcos (tanaceto, atanásia, Palminha), camomila tintureira e de tintureira verde.
Os principais corantes para tingir de amarelo são a casca de árvores, o fústico (mais permanente) e o quercitrônio (que dá as tonalidades mais bonitas), mas sempre precisam de mordentes. O pano, portanto, antes de ser tingido de amarelo, deve ser imerso em alumina, óxido de estanho, tártaro, sulfato de cal e até mesmo sulfato de ferro. 


On line, hoje em dia conseguimos receitas para tingir em casa os mais diferentes tipos de tecido: lã, seda, algodão e linho. Como as técnicas são simples, são bastante parecidas com as do século 19. Para extrair o corante amarelo das plantas, elas devem ser picadas e colocadas de molho por 24 horas, depois fervidas. Só então as roupas devem ser mergulhadas por várias horas na solução resultante.


Algumas técnicas que consigo ver as criadas fazendo, lá na propriedade do Duque, do Conde e tal:

Açafrão
O açafrão é um gênero da família da íris. A maioria floresce como prenúncio da primavera durante os meses finais do inverno. 
O açafrão amarelo, que é abundante, produz um banho de corante quando as pétalas são fervidas com água.

Alfafa, sementes 
A alfafa, parecida com trevo, é uma leguminosa com um sistema radicular profundo.
As sementes podem ser colhidas fazer criar um banho de corante amarelo quando fervidas em água.


Bardana
As plantas têm folhas verde-escuras que são lanosas por baixo. As rebarbas de sementes dessas plantas capturam a pele de animais e roupas humanas; foi ela que inspirou a criação do velcro!
Essas mesmas rebarbas quando fervidas com água tornam-se um banho de corante amarelo.

Bérberis, casca
Bérberis tem folhagem muitas vezes vermelha escura, mas estão disponíveis variedades de folhas verde-limão. O arbusto tem espinhos que devem ser manuseados com cuidado.
Para obter um corante amarelo, adicione a casca de bérberis em um banho de água fervente.

Cebola
A cebola amarela é saborosa e usada na alimentação de muitas culturas. As cascas são de um amarelo dourado e, quando fervidas em quantidade com água e inseridas em alúmen, produzem um corante amarelo a laranja escuro.

Erva-de-São-Marcos
Erva-de-São-Marcos é uma planta herbácea perene da família aster, conhecido como botões amargos, vaca amarga, artemísia ou botões dourados. Tornou-se uma erva invasora em muitas áreas.
As flores produzirão um banho de corante amarelo quando combinadas com água fervente.

Girassol
O girassol é assim nomeado por sua capacidade de acompanhar o sol no decorrer de um dia. 
Para criar um banho de corante amarelo, use toda a cabeça da flor enquanto estiver fresca. Misture com água fervente para extrair o corante. Não espere até as sementes de girassol secarem.

Louro, folhas 
 O loureiro era muito importante em muitas mitologias antigas que glorificam a árvore como um símbolo de honra. As folhas de louro são usadas frescas ou secas na culinária por seu sabor e fragrância distintos. 
As mesmas folhas podem ser usadas para produzir um banho de corante amarelo com água fervente.

Narciso
Narciso é um bulbo de flores da primavera na família Amaryllis. A tradicional flor de narciso do folclore, da poesia e do campo é amarela a amarela dourada. 
Para produzir um corante amarelo, use as cabeças das flores depois que elas secarem com um mordente de alume em água fervente.

Nogueira, folhas 
As flores de nogueira são pequenos amentilhos verde-amarelo produzidos na primavera. A fruta é uma noz oval envolvida em uma casca de quatro válvulas, que se abre na maturidade.
As folhas produzem um espetáculo amarelo brilhante no outono e, se cozidas em grande quantidade com água salgada, produzem um corante amarelo brilhante.

Pessegueiro, folhas 
Enquanto o fruto do pessegueiro costuma ser o prêmio, são as folhas que produzem um banho de corante amarelo quando fervidas na água.

Salsão
O aipo/salsão é amplamente cultivada para saborear sopas, ensopados e comer crus. As folhas de aipo faziam parte das guirlandas encontradas no túmulo do faraó Tutancâmon (morto em 1323 aC).
Essas mesmas folhas de aipo podem ser fervidas com água para criar um banho de corante amarelo.

Uma rápida pesquisa e você encontrará várias outras fontes e receitas para tingir, como essa mandala bacana aqui. 
E muitas fontes históricas comprovando a popularidade do tom. 
Ainda mais, grande surpresa para mim, foi receber a capa do meu novo livro da SÉRIE CUPIDOS EM DEVON, o volume 3 'DILEMAS EM LEILÃO'. Tão bela capa com o guapíssimo Kin em mangas de camisa admirando um céu... amarelo!

Não foi à toa que enrolei tanto para postar esta cor!
Até a próxima!
M.

Mais estudos dos antigamentes apaixonantes aqui.

 










































sábado, 30 de maio de 2020

Belgravia, a minissérie

Olá,
falei dos teasers e das pesquisas curiosas que o livro Belgravia do autor Julian Fellowes, o mesmo de Downton Abbey. Adorei o livro, fiquei cheia de caraminholas na cabeça e até (sem querer) li um outro romance bastante inspirado nessa trama.
Filhos bastardos, herdeiros indignos, segredos & vergonhas é um plot comum para romances de época, e o que mais me seduziu nesta história foram os arranca-rabos entre as mulheres, mães na verdade. Personagens maduras, tanto a esposa do comerciante quanto a Condessa, são muito poderosas e no entanto, o que as difere é a bagagem que carregam: uma é lady, nasceu lady, morrerá lady de fino trato e educação primorosa; a outra é filha de diretor de escola casada com comerciante e por isso, lhe falta o traquejo social - que é a chave da trama.

Daí fui ver a minissérie com toda animação e...
fiquei decepcionada

podia ser dito assim também

A minissérie perde a delicadeza do plot rocambolesco, os embates das duas mulheres são amenizados e adoçados, o que no livro fica dito-pelo-não-dito, na TV é explicadinho. Blergh!

Porque fiquei tão decepcionada, me contive nas confeitarias. Reparei as inúmeras repetições de figurino que achei impensáveis para uma mulher rica como a Trenchard. Adorei as golas de renda da Condessa e... bem, vamos lá.

1- Abertura:
muito similar a Downton Abbey, música e imagens contam a construção do imóvel que abriga a trama. Ok, né, vem do mesmo autor e tal. São imagens bacanas de desenho de arquitetura virando realidade.

As duas são preparativos do que vamos ver, percebe?
Em Downton, vemos a preparação de um jantar que parece ser de gala pelos cuidados e itens dispostos, a movimentação da criadagem, um homem bem apessoado caminhando com o cão. O tema da série, a gente descobre depois, é justo a evolução das relações entre nobres e plebeus, senhores e criados.
Em Belgravia, vemos desenhos de um projeto de arquitetura virando realidade. O tema, a gente vê depois, são as modificações trazidas no pós guerra, dinheiro novo, modernidade.

2- Os figurinos são super repetidos, o que me pareceu estranho pelo nível social das personagens. Claro, imagino que no século 19 as pessoas repetiam roupas. Se eram costuradas à mão (máquinas de costura só ficaram populares depois da década de 1850), cada vestido levava dias, semanas para ficar pronto. As péssimas condições de trabalho das costureiras é famosa, tem casos até de fantasmas. Então, se os vestidos eram tão trabalhosos, as mulheres deveriam usar mais de uma vez.
Mas na minissérie elas repetem toda hora. Me dei ao trabalho de separar os frames. Perceba em qual e onde no espisódio elas repetem. Às vezes, estória são dias diferentes, seguidos até.
a condessa geralmente usa cores lisas com adereços de renda branca
rica de-marré-de-si, ela repete, pete, pete
o bacana aqui é que ela troca a gola (que geralmente era solta do vestido)
na série Victoria é dito que a rainha usava golas e luvas uma só vez!
No início da trama, durante as guerras napoleônicas, o estilo era o grego. Como em Austen.
Anne é rica de dinheiro novo, até acho que ela repetiria bastante as roupas porque
a personagem sempre se lembra de épocas menos prósperas. mas mesmo assim, ela repete pácas!
esse listradinho parece mais xoxo que o bege+azul...
esse eu gostei bastante, amarelo dourado. 
E ela usa em casa, fazendo visitas e em passeios nos jardins.
Susan é a nora gastadeira, mas repete esse modelo cinza que não combina com ela, eu acho
Lady Mary cabelinho-nas-ventas pode usar até jornal, nada ajuda esse penteado horrorível

E você me pergunta: só as personagens principais repetem tanto?
Não, todas repetem. Eu é que perdi o saco de observar todas.
Em outras séries também há esse monte de repetições? Vou passar a reparar...

3- Os homens vestem cravats coloridas. Adorei!
rico de marré-de-si
herdeiro gastando por conta
jovem de alguma educação lutando para fazer fortuna no comércio

Viu alguma diferença nos figurinos?
Alguma graduação por riqueza ou nível social?
Nem eu...

3- O vestido de casamento foi simples e lindo! Poucos bordados, só detalhes de bom gosto.

Engraçado que Lady Mary estava destinada a casar com um conde... É, até dá um plot para um romance: 'A dama que o destino reservou para um Conde'. Quem sabe?

Se nesses dias na gaiola de quarentena você precisar de uma boa dose de fofoca + segredos + tramoias, baixa o CARTAS À DORA. Um romance cheio de cartas que se passa na Era Regencial.
até mais,
M.


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Arma Perigosa - um NANOCONTO Vitoriano

Olá,
Sempre é tempo para uma historinha, né? Ainda mais nesses dias trancafiados, nada melhor que uma intriga...
Dia desses me contaram uma anedota. A trama me ficou na cabeça, rolei a ideia por um tempão até chegar aqui e daqui para frente... Me aguardem!

Arma Perigosa
Vitorio Reggianini - The secret

 
Cecille, a Baronesa Westbrook, olhou o amante calmamente lendo o jornal no gabinete, charuto preso entredentes, e suspirou. Ali ela era Cils e ele Cici, simplesmente.
Um aceno para o mordomo que lhe abria a porta e ela saiu. 
En garde, pensou. 
Dez passos para a desgraça, poucos momentos até sua vida ser decidida na saleta de visitas de Bominda, a Baronesa Abominável. Cils odiava aquela vizinhança esnobe, as casas geminadas, a falta de privacidade; odiava ser reconhecida onde quer que fosse, odiava mais ainda ter sido vista na fuga vergonhosa pelo passeio coberto do Albany. 
Imaginava seu nome na boca de todas as damas no chá para onde se encaminhava tal como condenado ao cadafalso. ‘Ela saiu correndo, foi?’ e ‘Do prédio de apartamentos para homens solteiros?’ e ‘Casada com o idoso Westbrook, amante de jovem misterioso!’ A porta da mansão vizinha abriu assim que Cils subiu os três degraus da calçada, o mordomo da Abominável tomou seu casaco e indicou as escadas, ela subiu ouvindo vozes fantasmas na cabeça; torcia as feições em raiva, sentia enrubescer as bochechas. ‘Tarde da noite, de capa escura, mas sei que foi ela!’ e ‘A safadinha, gracejando nas costas do barão!’ O zum-zum-zum de conversa feminina parou quando ela entrou, rosto da cor de cereja. Movida por indignação, dedos trêmulos descalçando a luva de pelica da mão direita, Cils se encaminhou diretamente à Bominda e slap!  
‘Escolha sua arma.’ 
Houve um arfar generalizado, alto e aterrorizado.
Pronto, tinha feito o desafio, resolveria tudo de uma vez. Sorriu já vitoriosa mirando o ombro da baronesa abominável. Cils era exímia caçadora, controlava uma pistola como ninguém. A outra nunca mais usaria decotes amplos, teia que esconder a cicatriz em xales.
Com a mão no rosto onde o tapa ardia mais na humilhação do que na pele, Bominda apertou os olhos. ‘Tinta e pena.’ Respondeu iniciando um novo arfar pela sala. 
Todas entendiam que era guerra.

 * FIM *
 
luvas vitorianas, antiguidade. flickr


Assim como Cloistered, este nanoconto é presente para amigas queridas, companheiras de loucura nessa vida engaiolada de quarentena. Cada uma em seu quadrado, vivemos trocando fofocas de nossas vizinhanças. Cecille e Bominda são fruto dessas nossas tricotagens.

Duelos eram proibidos na época desse Nanoconto, não só na Inglaterra Vitoriana, mas pelo mundo. Na verdade proibidos desde o século 18. No entanto, há relatos de vendetas resolvidas no tête-a-tête, ponta do sabre e cuspida de arma de fogo.
Entre damas, há relatos de duelos incríveis, despidas até a cintura para evitar sujar os trajes, por causa de flores e outras razões que hoje parecem infames.
É um assunto ótimo, estou presa na pesquisa desde que essa anedota me fez pensar em duelo pela defesa da honra. Dia desses faço um post bacana explicando detalhes e curiosidades.
pinterest

Por hora, te convido a se deliciar com a zoom meeting do elenco do musical Hamilton durante o bacanérrimo talk show do gato John Krasinski. O musical é famoso por ter somente atores 'não brancos' na equipe, latinos, negros, orientais, indígenas. Alexander Hamilton é um dos 'founding fathers' dos Estados Unidos. Estadista, político, estudioso das leis, comandante militar, advogado, banqueiro e economista que foi perseguido por duelos a vida toda. Tanto ele quanto seu filho primogênito morreram duelando. E Lin Manuel fez Mary Poppins 2, então ele pode tudo, né? Supercalifragilistespialidoso!


OUTROS NANOCONTOS? Tem, sim! aqui, ó!
até mais,
M.

pesquisas aqui, aqui, aqui, aqui e mais em outro post

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

As saias de 'Nos tempos do Imperador'

Olá!
Hoje vi um clipe da nova novela das 6 da Globo e como só havia ouvido falar, fui procurar mais detalhes.
amo novelas

Sempre gostei das novelas desse horário, mas não assisto desde a trama inspirada em Jane Austen. Agora o time frame é compatível com a minha série 'CUPIDOS EM DEVON', início e auge da era Vitoriana, livremente segunda metade do século 19, por isso consigo ver mais claramente as curiosidades desse período.

Condessa de Barral, D Pedro II e Dna Teresa Cristina
pic de globoplay


D. Pedro II era um cara muito up-to-date, nascido e criado aqui ele se mantinha ligado nos desenvolvimentos Europeus, adorava uma novidade, era culto. A novela vai mostrar a galera da corte de 1856 a (pelo menos) 1865 quando começou a Guerra do Paraguai - talvez até 1870 quando acaba o conflito. Então, essa novela que chamam de continuação de Novo Mundo (mostrou D. Pedro I até a Independência) serão 14 anos, uma década e meia... duas fases? Acho que sim porque no site da novela tem os nomes de duas atrizes para cada princesa: Isabel (Any Maia/ Giulia Gayoso) e Leopoldina (Melissa Nóbrega/ Bruna Griphão).

Parece que sim. Tentei bastante achar imagens delas já caracterizadas, mas não achei. Gostaria porque queria comparar com as imagens reais que achei no Wiki...

... e os fashion plates da (s) época (s).
1854
pic de fashion plates ephemeral

1855
pic de fashion plates ephemeral

1856
pic de fashion history timeline

Te explico.
Comecei a pesquisar a novela pela coincidência com o que ando escrevendo já que fixei a série Victorian Men no ano de 1855 e dois romances da série Cupidos em Devon também acontecem nessa data. Isso ajuda muuuito nas pesquisas históricas, é uma chance e ouro para mim, posso falar de várias curiosidades & maluquices. A mãe da enfermagem Florence Nightingale, daguerreotipos, viagens, acessórios, museus, hoteis, restaurantes, etc. Cada romance traz uma gracinha ou outra.
Daí, quando vi as imagens de promoção desta novela, estranhei uma coisa...
As saias
Perceba minha dúvida:
pics do site da novela

Esta mesma dúvida já havia me chamado atenção no filme Little women como postei no Facebook.

1855 era ano de crinolina, saias enormes e rodadas e perigosas e espalhafatosas e que quanto maiores, mais rica era a mulher. 

Fui procurar fashion plates, tipo editoriais de moda de revistas femininas, para ter certeza do que eu imaginei. 
Perceba o TAMANHO das saias.
Victoria princesa real na ocasião de seu niver de 16 anos, 1856
essa Victoria seria depois  Imperatriz da Alemanha
pic de royal collection trust
Rainha Victoria da Inglaterra e seu mozão, príncipe Albert em foto de 1855 (circa)
pic de alamy

Ah, mas são rainhas!
da Europa...

Sim, são. Mas se reparar as fashion plates postadas acima e
os vestidos expostos nos bons museus do mundo, 
vai ver que era assim mesmo. 
wiki. Vestido de dia em tafetá de 1855
the met. vestido de baile, 1855

Então... A Condessa de Barral (Mariana Ximenes), mulher rika & muderna, usava sainha esmirradinha na primeira foto que vi. Eita!
site da novela
Fiquei procurando até achar outras imagens dela e cheguei à conclusão que era roupa de cavalgar. Pode ser...
notícias da tv

Fui procurar fashion plates de riding habits de 1855. Tudo saia rodada, grande... E roupa de montaria era tão peculiar... Saias enormes para não mostrar as intimidades das mulheres durante uma cavalgada rápida, tinha uma alcinha para prender nos pés, era feita de tecidos específicos e escuros (como na foto) para esconder sujeira, etc, etc. Elas montavam de lado, era o certo. Devia haver quem montava como homem, mas assim como a harpa que era instrumento subversivo pois ficava entre as pernas da moça, sentar na sela de perna aberta era um escândalo!
roupas femininas - preta de cavalgar e listrada, diurna. 1856
university of washington

A Barral será preceptora das princesas Isabel e Leopoldina,
encantará o Imperador por sua cultura e charme.
(na verdade não há registros que eles tiveram um teretetê. As cartas trocadas foram destruídas por ambos...
Será ela tb inovadora a ponto de cavalgar como homem?
Por isso as saias da Jo, moça tão virada no Jiraya?
entertainement weekly
OBS.: Little women, Mulherzinhas, livro de 1868 de Louisa May Alcoot, 
se passa durante a Guerra de Secessão Americana, por volta de 1862 a 1874 aproximadamente.

As duas, Barral e Jo, foram preceptoras de moças
e ao invés de estar elocubrando aqui eu deveria
estar escrevendo um romance sobre uma preceptora e um Conde sovina...
giphy

Bom, de volta à novelinha, visto que as damas da corte têm vestidos amplos, exceto para cavalgar, tsk,tsk; fui procurar os criados.
Da corte



Escravas


Então só a mocinha usa saias magras?
É, não sei que M será feita com ela, mas a revolucionária que terá um romance com um ex-escravo-fugido usa saias finas. Pode ser recurso da narrativa, assim como Jo de Little Women.
site da novela

Todas as personagens têm mais de uma foto,
a mocinha Pilar (Gabriela Medvedovski) só tem esse vestido.
A irmã dela que é prometida em casamento a um homem mais velho
tb tem saias magras e de barras sujas (como Lizzy Bennet)... 
Talvez essa família não seja muito rica apesar de ter escravos e uma propriedade.
resumo das novelas


Mmmm... tantas opções. Já quero ver qual será!
giphy

até mais,

M.


Meus livros da série CUPIDOS EM DEVON 
estão no Kindle Unlimited 
atendendo a pedidos! Ueba!


 

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outras curiosidades & pesquisas históricas, aqui

pesquisei nisso tudo aqui: http://www.katetattersall.com/victorian-riding-habits-horse-clothes/
https://gshow.globo.com/novelas/nos-tempos-do-imperador/noticia/conheca-a-trama-de-nos-tempos-do-imperador.ghtml
https://fashionhistory.fitnyc.edu/1856-2/
https://digitalcollections.lib.washington.edu/digital/collection/costumehist/id/116
https://www.agefotostock.com/age/en/Stock-Images/Rights-Managed/DAE-B8006432
https://fashionplatesandephemera.tumblr.com/page/13
http://ultimatehistoryproject.com/crinoline.html
https://www.darkthornclothing.com/blogs/news/victorian-era-fashion-hoop-1856-1869
https://rainhastragicas.com/2020/02/05/nos-tempos-do-imperador-quao-fiel-e-a-caracterizacao-da-familia-imperial-na-proxima-trama-da-rede-globo/
https://gramho.com/explore-hashtag/AntonioCalmon
https://en.wikipedia.org/wiki/Princess_Leopoldina_of_Brazil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_do_Brasil#Casamento
https://www.youtube.com/watch?v=a4NRoFCtFFM
https://pt.wikipedia.org/wiki/Causas_da_Guerra_do_Paraguai
https://resumodasnovelas.online/nos-tempos-do-imperador/