& Moira Bianchi: livro
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quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Lady Susan, de Jane Austen, explicada

Olá! Continuo com o estudo de

Como eu já disse anteriormente, quem não conhece a Juvenília acha que Lady Susan é um dos romances mais surpreendentes de Jane Austen. Além de bem mais curto que os outros, é picante, desconcertante, atrevido e perverso. 

Provavelmente por ser (erroneamente) considerado um ponto fora da curva, LS recebe muito pouca atenção ou elogios – há quem chame de aberração! Os estudiosos de Austen desprezando-o como um trabalho menor; um experimento inicial de uma autora em formação que nunca retornaria ao formato epistolar, nem perseguiria sua publicação durante sua vida.

Não há nada sutil ou gentilmente reprovador sobre o enredo ou personagens pelos quais ela é famosa – mas é Austen – uma versão mais jovem e menos polida; crua, enérgica, ultrajante.

Após a morte de Austen em 1817, o manuscrito passou para sua família e mais tarde foi vendido para a Biblioteca Morgan em Nova York. Uma vez que todos os manuscritos originais de seus seis principais romances não existem mais, Lady Susan é o único exemplo existente de um romance completo escrito por sua própria mão hoje.

Em posts seguintes, trarei Temas, Símbolos, Personagens, Resumos. Vamos aos detalhes, uma ficha cadastral da adorável Lady Susan.

Título

Lady Susan

Em 1805, Jane Austen transcreveu uma cópia fiel de um manuscrito sem título que mais tarde seria nomeado Lady Susan por seu sobrinho James Edward Austen-Leigh que publicou o romance pela primeira vez em 1871 em sua biografia de sua tia, A Memoir of Jane Austen. Veja este manuscrito aqui.

Tecnicamente, Lady Susan pode ser chamado de ‘novella’, termo dado a contos de 17 a 40K palavras e é escrita no formato epistolar popular na juventude de Austen. Tem 41 letras entre os personagens e uma conclusão do narrador, e estima-se (por estudiosos) ter sido escrito quando Austen estava no final da adolescência entre 1793-94.

Susan era um nome que Jane Austen adorava, ela usou em várias obras. A primeira versão de Abadia de Northanger era ‘Susan’, foi escrita de 1798 a 1803 quando foi vendido para um editor que nunca publicou. 

Na Juvenília, várias obras são intituladas pelo nome dos protagonistas, mas na maturidade, ela sempre renomeou. Assim foi ‘Elinor e Marianne’ trocado para ‘Razão e Sensibilidade’.

Frances Burney, autora de Evelina – livro que certamento influenciou Austen, tinha uma irmã chamada Susanna, também famosa autora de cartas e documentos sobre música.

Enredo

As tramas giram em torno de uma viúva inescrupulosa e intrigante, Susan Vernon, que “sem o charme da juventude”, consegue seduzir qualquer homem. A fim de garantir sua segurança financeira, ela planeja se casar com sua filha adolescente contra a vontade da garota.

“Ela é inteligente e agradável, tem todo aquele conhecimento do mundo que torna a conversa fácil e fala muito bem, com um bom domínio da linguagem, que é muito usada, acredito, para fazer o preto parecer branco.” – carta VI

Ao visitar o cunhado (irmão de seu falecido marido), Susan conhece um jovem herdeiro (irmão de sua cunhada) e decide casar-se com ele. Seus planos vão de vento em popa até que sua filha foge da escola e precisa ser levada para perto dela. 

Como aliada, Susan tem Alicia Jonhson, esposa do guardião da esposa do homem com quem Susan tem um caso amoroso.

Muito sagaz, Susan consegue se desvencilhar de quase todos os problemas que lhe acometem. E são muitos.

Autor

Jane Austen, aos 24 anos

Gênero 

Romance epistolar (em cartas) – uma novella

Língua

Inglês

Tamanho

23K palavras

42 capítulos: 41 cartas + conclusão

Data de criação

1794 – escrito sem uma conclusão

1805 – concluído  

Data da primeira publicação

1871 – post morten

Data da trama

Não especificada

Local da trama

Lugarejo de Churchill, Londres

Narrador

cartas:

Lady Susan
Sra. Vernon
Frederica
Lady De Courcy
Alicia Johnson
Reginald De Courcy
.
veja detalhamento das cartas aqui

conclusão:

Narrador 

Protagonista

Lady Susan 

Antagonista

Sra. Vernon

Sr. Johnson 

CJ Soulacroix - Flirtation


Ponto de vista

Discurso direto (cartas com narrativa em 1ª pessoa)

Discurso indireto livre (conclusão)

Tempo verbal

passado

Promessas escondidas

A infidelidade nos relacionamentos onde Susan se envolve contrasta com o bom casamento dos Vernon

Tom 

Satírico

Subversivo

Petulante

Especulativo e pernicioso

Estilo da escrita

Altamente sarcástico, intenção de confundir o leitor com várias versões dos acontecimentos, cômico e cruel em alguns momentos

Temas

. relacionamentos amorosos;

. lealdade;

. maternidade;

. situação feminina na sociedade;

. poder de persuasão;

. perigo do preconceito;

. importância do casamento.

Motivos

Casamento, sobrevivência.

Ações marcantes

. chegada de Lady Susan a Churchill

. esforços de Lady Susan para encantar Reginald 

. chegada de Frederica a Churchill contraria os planos da mãe

. ida de Susan e Reginald a Londres

CS Soulacroix - The conversation

Clímax

Apesar das diversas reviravoltas da trama, o clímax acontece quando Reginal encontra Sra. Mainwaring justamente no momento em que ela contava ao seu guardião – Sr. Johnson - sobre o relacionamento adúltero que Lady Susan nutria com seu marido. O leitor sabe deste encontro bombástico pela narrativa de Alicia Johnson:

“Minha querida criatura, estou em agonia e não sei o que fazer. O Sr. De Courcy chegou exatamente quando não deveria. A Sra. Mainwaring entrou naquele instante e se forçou à presença de seu tutor, embora eu não soubesse nada disso, pois eu estava fora quando ela e Reginald chegaram, ou o teria mandado embora. Mas ela estava com o Sr. Johnson, enquanto Reginald esperava por mim na sala de visitas e ouviu tudo. (...) O que eu poderia fazer! Fatos são coisas tão horríveis!”

Final

Apesar do bem ser recompensado e os sofredores acharem amor, a maquiavélica Lady Susan também alcança seu objetivo em um perverso troca-troca de pretendentes. A viúva casa com o rico cavalheiro que ela havia escolhido para sua filha Frederica, enquanto esta acaba por conquistar o amor de Reginald, herdeiro de larga fortuna que passou boa parte do romance apaixonado por sua mãe.


fontes: Austenprose, litcharts, bookrags, supersummary, jasna, the guardian, meus arquivos pessoais


Está gostando de saber dos detalhes desta obra de Jane Austen?
Tenho muito mais guardado para te contar!

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

Bjs, e até mais!

M.


Garanta seu BOX DE LIVROS DA JUVENÍLIA

antes que esse projeto chegue ao fim!




sexta-feira, 22 de março de 2019

Hoje tem live!

Olá,  que novidade para mim: uma live!
Como o livro GATAS & CILADAS foi escolhido para LEITURA COLETIVA de abril no grupo Clube do Leitor Correspondente do Facebook, farei uma live me apresentando e falando dos amores gatíneos e gatunos!

E preparei mil brindes para sorteio!


marcadores magnéticos + cards

de ladinho, mas
marcadores de gato hipster e catcórnio! haha

marcador magnético e de clip binder com lápis estilozérrimo!
peguei desse tutorial aqui


E o gatíneo de olho em toda essa tralha!...

marcadores de gatinha rainha e gatinho de pompom

Vem também!
bj, até às 20hs

Foi ótema! Olha só 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Desde a primeira vez

Há convites de amigas queridas que são tão adoráveis e fofos e doces que a gente diz sim antes de ouvir a proposta até o final, não é mesmo? 
Tipo: Vamos comer uma sobremesa de chocolate bem engordiet?
ou 
Vamos tomar uns drinks daqueles bem bacanões?
ou
Vamos escrever um livro em conjunto só falando de segunda chance?
Minha resposta? Sim para todas as alternativas acima!



A fera Vânia Nunes juntou as gatas feras Betinha Bezerra e Bárbara Biazioli comigo nesse projeto tão feliz de romances light bem açucarados e deliciosos e delicados cujo tema central era 'segunda chance'. Bem, para quem já esteve aqui, não é novidade como esse tem me encanta - The Prince of Pemberley fala muito de leaps of faith.
Não combinamos nada, foi tudo às escuras e... tantas coincidências nos contos! Realmente, escrito nas estrelas!

Aqui eu achei o tema muito interessante porque nunca tinha escrito nada que o casal já saísse do coração partido - pelo menos na minha cabeça... Assim nasceram Tom e Cota, dois adoráveis profissionais da área da saúde - ele médico endocrinologista e ela musicoterapeuta - que trabalham no mesmo lugar e apesar de ouvirem falar um do outro, precisam de um temporal de verão para se conhecerem. Daí, se apaixonam e fazem pactos que são quebrados e precisam de mais duas chuvas de verão para conseguir fazer o final feliz ser uma possibilidade real.

Sabe o que me acompanhou? Essa pérola do Skank.
amo!

Tenho que dizer que é um luxo participar de mais esse projeto gracinha, levo muita fé nesse ano... Aguarde!...



Olhe a sinopse oficial da Editora Bezz - com quem já tive a grata experiência de fazer 'Querida Jane Austen, uma homenagem'.

Pela primeira vez, a Editora Bezz reúne três autoras bestseller Amazon e encanta com histórias de fazer suspirar…
A Segunda Chance sempre é mais doce.

>> E agora, Sr. Alz?, de Elizabeth Bezerra
A música sempre esteve presente na vida de Elisa e ter suas canções entoadas por uma multidão era o seu objetivo. Isso fez com que ela tomasse por garantido o amor dos que a cercavam: o seu pai, sua avó e Jack, e partisse, com planos de nunca mais voltar. 
Quando oito anos depois, ela se vê obrigada a voltar à pequena cidade de Hope para cuidar de sua avó doente, sem a fama, sem o pai e sem o único homem que já amou, Elisa se depara com uma verdade que esteve diante de seus olhos todo esse tempo: há música nos pequenos gestos de amor.

>> Bentô Emocional, de Moira Bianchi
Acaso ou controle? Equilíbio na bagunça ou organização como numa marmita bentô? Coincidência ou sincronicidade?
Durante uma chuva de verão no Rio de Janeiro, Tom, médico, se apaixonou à luz de velas; Cota, musicoterapeuta, deixou-se encantar pela ideia de moldar-se a um homem tão diferente daqueles com quem costumava sair.
Porém, amar nem sempre é simples, pactos nem sempre são mantidos, alguns espaços vazios levam tempo a serem preenchidos. Impulsionada por uma desilusão amorosa, Cota cria um aplicativo de celular para unir pessoas através da música, mas é a chuva de verão que encaixa Tom na sua vida de novo.

>> Esculpida em seu Coração, de Barbara Biazioli
Kate tinha o plano perfeito para o futuro. Para Michael, qualquer coisa ao seu lado seria maravilhoso. Diferente dela, ele não se imaginava num banco de aula da faculdade nos próximos anos. Sua arte o chamava e Kate era especial o suficiente para aceitá-lo como era.
No entanto, dias antes de seu plano tornar-se realidade, Kate sente a decepção corroer-lhe a alma e não dá chance a Michael de se explicar.
Dez anos depois, Paris é o palco de seu reencontro. Sem terem como se evitar por questões de trabalho, eles terão de superar o mal-entendido. Mas como deter tamanho sentimento, esculpido para durar para sempre?


Gostou?
Amou?
Lê aqui, ó!



Teremos evento no Rio já que a Bienal será em SP esse ano, piadas, brindes, fofocas, segredos, beijos, abraços.
Já, já aviso tudinho!

bj

OPINIÕES? Yes, nós temos!

Nesse conto conhecemos a história de Cota e Tom, Cota é uma musica terapeuta e Tom um endocrinologista que trabalham numa clínica de repouso para idosos no Rio de Janeiro, e é através de uma chuva de verão que começa a história desses dois, porém percebemos com o decorrer da história que Tom a ama de verdade, mas é de um jeito diferente, e Cota se vê insegura com o amor de Tom...  leia tudo aqui no Tá lendo?

bjbj


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Te encontro lá - A pequena sereia moderna - Capítulo 1

hey, esquece o frio e escolhe um biquini - ou uma sunga...
As 'Princesas Possíveis' estão a todo vapor -mesmo! Embarcando em um transatlântico daqueles brancos bem grandes para navegar pela paradisíaca Costa Amalfitana na Itália.
As amigas dessa vez ficam de camarote urubuzando a vida de Ariela, a mais velha e mais sensata, prima de Cibele ( primeira Princesa Possível, 'A bela e a fera' em BIBLILOVE). Mesmo sabendo estar entrando em um vespeiro, ela embarca nessa viagem que vai lhe abrir novos horizontes.
O lance é que em alto mar qualquer um está sujeito aos caprichos do destino... Não se diz que depois da tempestade vem a calmaria?

A aventura começou assim:



Série PRINCESAS POSSÍVEIS
VOLUME 3
romance inspirado em 'A Pequena Sereia'

Consultórios médicos eram sempre intimidadores, ele pensou fechando os botões da camisa. Sentado na maca com os pés pendurados, se sentia meio infantil - um menino levado esperando uma bronca. 

'Olha, me surpreendeu. Parabéns.' O médico disse olhando várias folhas nas suas mãos. 'Seus exames estão ótimos, se livrou da ameaça de diabetes... Está pronto para entrar nos quarenta.’

‘Foi mês passado.’

‘Parabéns duplo, ou seria triplo? Arrumou alguém para tomar conta de você?’

Sacudiu a cabeça. ‘Tenho a mesma faxineira há dez anos.’

‘Maneira pouco lisonjeira de falar de uma companheira.’

Um risinho. ‘Mulheres dão muito trabalho, prefiro minha liberdade.’ Ele prendeu um sorriso constrangido, levantou da maca e arrumou a camisa dentro da calça. ‘Finalmente tenho alta da dieta, certo?’

A expressão do médico foi de otimista a lúgubre. ‘Dieta é para sempre, ainda mais depois dos quarenta. Passou um aperto grande, seu corpo quase deu perda total.’

Jonas fechou os olhos por um momento com a lembrança do peito apertado, da dor em lança, da visão turva, do medo de não ir embora de vez.

O médico voltou para sua mesa e se distraiu fazendo anotações. ‘Vou te indicar uma vitamina, ajuda na fadiga e raciocínio. Como vai o trabalho?’

‘Estressante como sempre.’

‘Só posso me opor a isso anotando na sua ficha. Neste check up funcional, a empresa tem que ser notificada do que acontece com seus executivos. Tem como controlar o stress?’

‘Estou saindo de férias semana que vem. Ganhei um cruzeiro como prêmio de produtividade.’

‘Fiz um cruzeiro até o Nordeste com meus filhos no Réveillon, eles adoraram. Aproveita para se exercitar e descansar. Quem sabe sua companhia será alguém que goste da academia a bordo?’ O médico sugeriu.

‘Da escotilha da academia eu procuro por uma sereia na costa da Itália.’ Jonas disse sarcasticamente.

Riram os dois homens.

---

‘Como não consegui entender ainda, não posso ajudar nossas quatro amigas aqui no grupo perguntando a mesma coisa desesperadamente.’ Apontou para o celular piscando a cada nova mensagem. ‘Pode repetir?’

‘Posso.’ Ariela disse e Cibele levantou as sobrancelhas olhando por cima da xícara de café. ‘Vou viajar com meu ex.’ A prima ainda olhava incredulamente. ‘É isso.’

‘Estou esperando me explicar porque aceitou esse harakiri.’

Ariela deu de ombros. ‘Pena. Acho.’

A prima abaixou a xícara e pensou por alguns minutos. ‘Se é para sentir pena do ex, que seja na Costa Amalfitana.’

‘Foi o que pensei.’

‘Viajar é sempre bom, Ari, mas Mel e Rafí têm razão. Isso é uma pena grande demais para se carregar.’

‘Deus não dá cruzes maiores do que podemos suportar.’

‘Poético e Bíblico, mas sabemos que não é verdade.’ Cibele inclinou a cabeça. ‘Pedro, por exemplo, sofreu calado por muito tempo.’

‘Até que você apareceu linda e loura para salvá-lo.’

‘Sem deboche... Átila então, nem se fala. Como aquele homem penou até achar um rumo na vida.’

‘Só está me falando de histórias com finais felizes, Bele. Estou ficando inspirada.’

A prima suspirou. ‘Vai ficar presa por doze dias.’

‘O que são doze dias em quinze anos?’

‘Ai, Ari... Que coisa!’ Cibele apertou os olhos. ‘Nem todos os anos foram ruins...’

‘Não, claro que não. Mas esse último ano mais ou menos solteira foi bom, me ajudou a perceber que não tem volta.’

‘No entanto...’

Ariela suspirou, os olhos passeando pelas vitrines iluminadas do café onde estavam. Poderia pedir uma torta de açaí ou integral de banana, mas estava bem na dieta, se sentia mais disposta e bonita. ‘No entanto ainda falo com ele, fui às bodas de ouro do chefe dele, fico com as meninas dele e aceitei esse cruzeiro com ele.’

‘Cruzeiro romântico. Sei não, Ari, mas acho que dessa vez você vai se enrolar.’ Cibele sacudiu a cabeça devagar. ‘Meter a mão em vespeiro.’

‘É a terceira viagem que ele arruma nesse ano, neguei todas as outras. Ele sabe que tenho férias vencidas e que o meu projeto acabou-’ Ariela parou no meio da frase e seus olhos brilharam. ‘Contei que foi um sucesso? Mandei bem, vou subir um nível na cotação interna da empresa!’

‘Parabéns, prima!’ Sorriram as duas mulheres. ‘Itália poderia ser uma ótima comemoração...’

‘Foi o que ele disse...’

‘Mas a companhia...’ Suspiraram as duas. ‘Te ajudo. Vamos começar fazendo um glossário de Italiano.’ A prima pegou o celular e carregou o aplicativo de tradução. ‘Porca miseria, va al diavolo!’ Disse sorrindo e sacudindo a mão com os dedos unidos no alto. ‘Tem mais: Del senno di poi son piene le fosse.’

‘SAP, por favor.’

‘De boas intenções o inferno está cheio.’

‘Verdade.’

‘Outro, ouve só: Gallina vecchia fa buon brodo.’

‘Brodo é uma sopa, vecchia é velha então acho que saquei o deboche.’

‘Panela velha é que faz comida boa! Eu sei!’ Cibele cantou e Ariela beliscou seu braço. Depois do riso, ela levantou um dedo. ‘Essa aqui, meu bem: In bocca al lupo. Eu te digo ‘na boca do lobo’ desejando sorte, você responde ‘que morra’: Crepi.’

‘Crepi!’

---

Disposto a cumprir ordens médicas, Jonas visitou a academia bem cedo na sua primeira manhã a bordo da jamanta branca flutuante, antes mesmo de visitar o buffet de café da manhã que deveria ser tão farto quanto o do jantar. Mais de quarenta minutos fechado no ar condicionado suando na esteira vendo o oceano pelas janelas, ele pegou uma garrafa de água e se debruçou no guarda-corpo da sacada.

Aos poucos sua respiração voltou ao normal embalada pela brisa do mar aberto e as braçadas vigorosas de uma mulher na piscina do deck principal. Ela seguia um ritmo perfeito: seis, sete, oito braçadas, mergulhava, virava, nadava submersa e voltava às braçadas. Ele perdeu a conta de quantas voltas a viu dar sem parar e sem perder o ritmo.

Foi sua garrafa de água vazia que o chamou atenção para o tanto de tempo perdido na admiração do mar aberto e da sereia de piscina, notou um chapéu de palha e uma bolsa colorida em uma das espreguiçadeiras no deck vazio, um outro barco muito ao longe, pessoas chegando na academia até então vazia e resolveu voltar à sua cabine para um banho e o café da manhã.

---

Ela sempre gostou de um cigarrinho após o jantar. Não fumava muito, até escolhia uma marca difícil de achar para garantir que cigarros seriam somente para momentos especiais como aquele. 

O deck lateral praticamente vazio iluminado somente pelas guirlandas altas balançando ao sabor do vento de alto mar, escuridão total no horizonte, música baixa vindo de algum lugar ao longe: um cenário perfeito para um cigarrinho e a última taça de espumante. Gostaria de ter trazido um casaquinho, mas não iria voltar à cabine naquela hora... O ventinho a incomodava, mas não o suficiente para estragar seu refúgio.

Um vulto lhe chamou atenção, era uma cabeça saindo de uma porta lateral. Chegou a pular na espreguiçadeira, mas quando notou ser outro lobo solitário como ela; se reacomodou, provou da sua flute e tragou fundo.

O outro fumante se debruçou na mureta, o cabelo curto sendo bagunçado pelo vento do passo rápido do navio e Ariela voltou a se concentrar na sua reflexão.

Ao tentar acender um segundo cigarro, ciente do pecado dobrado que cometia, Jonas deixou cair o isqueiro no mar. Um xingamento lhe escapou, queria mesmo fumar mais um. 

Desconsolado, decidiu pedir ajuda. ‘Buonasera...’ Ele tentou, ela sorriu de volta. ‘Do you speak English? My Italian is awful.’

‘Mine too. English is fine.’

Ele inclinou a cabeça tentando identificar o leve sotaque nas poucas palavras que ela disse. ‘How about Portuguese?’

‘Melhor.’

‘Boa noite, tem isqueiro?’ Prendeu os lábios em um sorriso constrangido. ‘Acabei de derrubar o meu.’

‘Claro.’ Ariela se remexeu na cadeira para achar a carteira de cigarros. 

Ele acendeu, tragou fundo e aliviado devolveu o isqueiro. ‘Muito obrigado.’

‘O pecado vale a pena, né?’

‘Nossa, e como... Meu médico teria muito a dizer se soubesse que este é meu segundo.’

‘Que rebeldia.’

‘Demais!’ Ele riu baixinho. ‘Ordens médicas também te proíbem um cigarrinho?’

‘Pior... Consciência.’

Ele grunhiu. ‘Por isso está sozinha aqui no escuro?’

Ela achou graça da ironia. ‘É calmo aqui.’

‘Incomodo? Desculpe.’

‘Huh-huh.’ Sacudiu a cabeça bebendo.

‘Está sozinha aqui ou no cruzeiro?’

Que pergunta difícil de ser respondida... Pensou em como fazê-lo, especialmente a um estranho que levantava as sobrancelhas tragando. ‘Vim com meu ex-marido.’ 

‘Ah...’ O deck lateral na penumbra lhe pareceu adequado. ‘Uma reconciliação?’

Deu de ombros. ‘Faz quase um ano que ele tenta.’

‘Uau.’ Balançou a cabeça. ‘Coitado.’ Ela achou graça da entonação. ‘Pelo jeito ele não tem a mínima chance.’

‘No.’

‘E por que insiste?’

‘Só ele pode responder isso.’ Ela deu de ombros. ‘Você?’

‘Aqui?’

Ela balançou a cabeça. Não estava exatamente interessada, mas eram companheiros de baforadas. 

‘Sozinho nas férias e na vida.’

‘Por força do destino?’

‘Escolha.’

‘Mmm... Sabe que existem cruzeiros específicos para solteiros?’

‘Não escolhi esse.’ Ele sorriu para a mulher atraente. ‘Ganhei da empresa, prêmio de produtividade.’

‘Ah!... A maneira que o sistema tem para se desculpar por sugar nossas vidas.’

‘Isso!’ Riu. ‘Jonas.’

‘Ari.’

‘Tenho um amigo Ari.’ Ele disse desconfiado.

‘Ane Ariela.’ Disse simplificando seu nome. ‘Meu bisavô era Aristides.’ Ela fez uma cara engraçada. ‘Podia ser pior!’ Ele riu concordando e como não mencionou a pequena sereia, ela imaginou que não tinha filhos.’

‘Manda trocar o nome na sua cabine para Ari. Todos vão pensar que é um homem e seu ex não vai te achar. Com certeza tem outros Aris aqui.’

‘Boa estratégia, pena que não funcionaria. Ele reservou uma cabine só. Exigi duas e ele garantiu que estava tudo certo...’

‘Estava contando que aceitaria, imagino.’

Ela balançou a cabeça sem nem ao menos cogitar explicar que apesar dos esforços da equipe em lhe achar uma cabine vaga, tinha cedido à chantagem emocional do ex. Uma noite foi suficiente para que ela percebesse que as outras nove seriam uma tortura física e emocional.

‘Merece mais um cigarro.’ Ele decretou. ‘Me acompanha? Nicotina solidária?’

‘O prazer é meu.’

O cigarro terminado, ele se levantou. ‘Vou dormir. Fica bem sozinha?’

‘Muito.’

Jonas apertou os lábios e teve pena da mulher... E do cara a esperando na cama. ‘Boa noite.’

‘Boa.’ Ela apertou um sorriso desinteressado.

Ele já estava perto da porta de onde havia saído quando ouviu a outra abrir e parou por um momento. Depois de ler reclamações em sites, estava um pouco ressabiado em sua primeira experiência de turismo em alto mar. Forçou a atenção tentando ser discreto e reconheceu que a voz de um homem rouco falava Português, pareciam ser íntimos pelo tom usado no convite para uma sessão de cinema.

‘Vou ficar mais um pouco.’ Ela disse sem muito entusiasmo. ‘Pode ir, te encontro lá.’

~ continua ~

 começamos bem?...

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Eu No Mundo dos livros

Olá!
Ontem coloquei em dia minhas pendências com as parceiras queridas e hoje a fofa Carolaine do No Mundo dos Livros já postou a EntrevINSTA lindinha... Olha só:

Qual dos livros que voce já leu mais te encantou?? 
Mmmm... Com certeza, o maior impacto veio de ‘Orgulho e Preconceito’ de Jane Austen porque com depois dele senti aquela vontade de quero mais tão forte que descobri o mundo das fanfics. Me apaixonei tanto que passei a produzir adaptações e romances inspirados. Mas o primeiro foi ‘A ladeira da saudade’ de Ganymédes José.

Qual seu autor e sua autora favoritos? 
Austen, sempre! Mas leio de tudo. Agatha Christie, Clarice Lispector, ando vidrada nos romances históricos por uns projetos novos- calada!

De onde surge motivação para escrever seus livros? E como surgem suas ideias para formação da história?? 
Vêm de todo lugar e de nenhum ao mesmo tempo... As Princesas Possíveis por exemplo nasceram das pérolas que achei na praia e no metrô, sabia que tinha que contar aquela estória... Mas demorou para vir. Quando me veio, Rafí era a própria Cinderela e tinha amigas... Daí aos contos de fadas foi um pulo. Então, acho que essas estórias por exemplo vieram de um dia na praia!

Quando você percebeu seu dom para escrever?? 
Aos poucos... Fiquei meio constrangida a princípio, mas quando reli o que escrevi gostei. Mostrei para uma amiga esperando que ela dissesse que ‘falta isso’ ou ‘explica aquilo’, mas ela perguntou ‘tem mais?’ Descobri que escrever me dava tanto prazer quanto ler o que outros escreviam então assumi escrever o que gosto de ler.

Muitas outras pessoas têm vontade de escrever um livro, mas tem receio de mostrar o que escreve, você já teve esse medo? Se sim como conseguiu supera-lo?? 
Tive muito receio, escrevia de madrugada quando não conseguia dormir. Com o tempo, passei a não dormir para poder escrever sozinha na sala, no escuro, no celular! Como disse, gostei do que li na manhã seguinte. Aos pouquinhos fui ficando confiante... Mas só contei ao meu marido quando já tinha uns 5 capítulos prontos do meu primeiro livro, Friendship of a special kind.

Quais conselhos você dá para quem sonha em ser escritora?? 
Tenta! Escreve até gostar do que você lê.

O que te inspirou a escrever as Princesas Possíveis ?? E qual seus personagens preferidos?? 
Já falei como comecei a escrever o primeiro livro – que é o segundo da série ‘Noiva em  pérolas’ inspirado em Cinderela. Rafí, a personagem principal, conversa com a irmã Melissa e a amiga Bianca, reclama do atraso da amiga Cecília, pede conselhos à amiga Ariela... Eram muitas outras personagens que ‘pediam’ para contar suas próprias versões então eu me dei o desafio de escrever uma série. Não sabia se ia conseguir... Só contei para as pessoas quando tive certeza que estava bacana, que eram 6 estórias diferentes e coesas, que se integravam e não se repetiam e sabe de uma coisa? Amei a experiência! Estou até pensando em repetir a dose! ;) 
Personagem preferido? Nem sob tortura eu digo!

Alguma vez você aprendeu algo com uma crítica? Se aprendeu, isso mudou seu jeito de escrever?? 
Aprendo sempre, até com as positivas. Porque não digo, mas sempre tenho uma quedinha por um personagem ou outro; daí alguém vem me dizer que a-m-o-u outro personagem meu por isso ou por aquilo e eu me reavalio. Acho que faz parte, me corrijo, procuro melhorar, me explico e aprimoro. Mas nem sempre é fácil Dói às vez.

Qual foi a maior dificuldade que você teve para publicar seu primeiro livro? E qual a sensação de vê-los nas livrarias?? 
Sou indie, então nas livrarias formais vou agora com a Antologia ‘Querida Jane Austen, uma homenagem’ da Leque Rosa – Editora Bezz que celebra os Bicentenário de falecimento da diva. Te falo em Agosto! ;) Cite uma frase que te define? Nada na vida é tão bom que não possa ser aprimorado.

Pra finalizar deixe um recado pros leitores, em especial pros seus leitores: 
Uma das coisas mais legais de escrever é receber feedback. Adoro quando alguém me acha no Facebook ou Twitter ou Insta para dizer: ‘Li seu livro!’ Se puder, faça isso também. As Princesas Possíveis estão aí, um novo conto de fadas moderno e pé-no-chão a cada 2 meses – são 6 motivos para falar comigo...

Não é muita lindeza?...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

BibliLove no VEDA

oi,
fiquei super feliz com a notícia de que uma parceira ia vlogar sobre um dos meus livros, e logo BibliLove que abre as 'Princesas Possíveis'.

Fiquei ainda mais feliz em ver que consegui explicar a Cibele do jeitinho certo porque a Sissi entendeu tudo como quis contar. Ueba!
As princesas são como nós e os príncipes são muitas vezes sapos, mas é a vida e vamos que vamos!


Adorei, Sissi, mesmo mesmo!

Dia feliz para mim!
bj