& Moira Bianchi: aprofundamento
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Lady Susan de Jane Austen: temas

 olá, feliz 2023!

Eu começo o ano cheia de planos e muita força de vontade para vencer a procrastinação.

Lady Susan ainda merece uns 3 posts, e depois dela, vou partir para mares nunca dantes navegados - ao menos aqui no blog!

Bem, vamos então aprofundar o estudo das tramoias da viúva mais coquete da Inglaterra:



❤️ 6 TEMAS ❤️

1️⃣ A NATUREZA DA VERDADE

Independente da verdadeira razão de Jane Austen em brincar conosco contando várias versões da mesma circunstância – ou deixando de nos contar detalhes importantes – Lady Susan alimenta a discussão da natureza da verdade.

Nem vamos entrar na filosofia da verdade, muito menos na esquizofrenia de ‘minha verdade’ x ‘sua verdade’, mas acho importante mencionar os usos de "verdadeiro" porque várias análises de Lady Susan dizem que há um luta central na trama:

Cada personagem lutam pelo poder de ser dono da verdade.

Em LS, Jane Austen menciona ‘true’ (verdade e verdadeiro) 12 vezes. Tanto protagonista (Susan) quanto antagonista (Catherine) usam 5 vezes. Essa tola estatística serve para reforçar a relatividade dessa ‘posse’.

Wikipedia fala de teorias da verdade e dois usos de "verdadeiro".

Uso objetual

Algumas vezes atribuímos verdade a objetos materiais, como quando dizemos "isso é ouro verdadeiro".

“... Na ausência dele (meu marido) nós podermos decidir com quem sair e ter alegria verdadeira.” Carta 26 de Alicia para Susan.

Mas há uma distinção essencial entre esse uso do predicado "é verdadeiro" e o uso em que atribuímos a verdade a coisas que dizemos. Ouro falso não é um ‘tipo de ouro’. Ouro verdadeiro é um metal que não apenas parece ouro, mas é ouro. Nesse uso, "verdadeiro" é sinônimo de "genuíno".

Uso semântico

Uma frase falsa não deixa de ser uma frase por ser falsa. Nesse uso  "verdadeiro" não é sinônimo de "genuíno". Há relações sistemáticas entre o uso objetual e o semântico de "verdadeiro". Eles podem aparecer na mesma frase. Por exemplo: "A frase 'Esse pedaço de metal é ouro verdadeiro' é verdadeira".

‘Eu estava errada, é verdade, mas eu acreditei que estava certa.’ Carta 24 de Catherine para a mãe.

Lembre que Jane faria essa brincadeira com a verdade verdadeira e quem tem o poder de ser dono dela várias vezes na sua obra,  como em O&P (Darcy x Wickham, R&S (Lucy Steele x Elinor), NA (Isabella x John).

2️⃣ OS PERIGOS DO PRECONCEITO

Todos estão no processo de decodificar rumores e mentiras para alcançar seus próprios fins.

A Sra. Vernon procura expor Lady Susan provando que as alegações contra ela são verdadeiras;

Reginald De Courcy está dividido entre seu amor por Lady Susan e a verdade sobre seu caráter;

Lady Susan procura ofuscar a verdade tanto quanto possível para que ela possa conquistar o coração de Reginald para seu próprio prazer egoísta e para que ela possa casar Frederica para garantir um futuro financeiro.

A verdade está mergulhada na complexa dinâmica vitoriana de interação social e nas várias letras que formam a estrutura do romance. As letras são então codificadas em níveis de subtexto e mentiras.

3️⃣ IMPORTÂNCIA DO CASAMENTO

Ao longo da novela, Austen demonstra o quão importante é o casamento no que diz respeito à posição social de alguém, um aspecto de seu caráter que é de extrema importância para a baixa nobreza do século XVIII.

As mulheres da classe rica dependiam do casamento para garantir sua posição social, bem como sua segurança econômica. Quando Susan escreve para Alicia sobre a possibilidade de se casar com Reginald, ela menciona essa dependência.

Mais do que tudo, Susan constrói o casamento como um evento quase transacional, no qual a mulher ganharia segurança financeira e aumentaria sua posição social em troca de sua parceria. Susan acredita que o casamento deve servir apenas para beneficiá-la materialmente e, portanto, não é um convênio no qual ela possa entrar levianamente. Susan retrata uma visão cínica do casamento, pois reconhece sua importância e, ao mesmo tempo, considera suas muitas desvantagens.

Uma dessas desvantagens é a liberdade que as mulheres abrem mão em troca de estabilidade. Susan gosta muito da liberdade de fazer o que quiser depois que o marido morre, já que não tem mais um homem a quem deva responder. Pena não ter ficado com renda suficiente para garantir seu sustento confortável.

Repare que Susan nunca considera casamento por amor, Alicia (amiga de Susan) casou por dinheiro.

Mas do outro lado dos personagens, todas as uniões são felizes: Os DeCourcy, Catherine e Charles, Frederica e Reginald.

O tempo todo ficamos entre dois times de personagens.

leia sobre idade que as moças casavam aqui

leia sobre o casamento ideal aqui

4️⃣ GÊNERO, PODER E MANIPULAÇÃO

A personagem titular de Lady Susan é uma mulher de 30+ anos, atraente, inteligente e cruel. O enredo começa com a necessidade de Susan de sair da casa dos Mainwaring por ter seduzido o dono da casa (homem casado) e por isso, ela se convida para passar uma temporada com os Vernon, parentes de seu marido falecido (que ela despreza).

Ao chegar na casa dos Vernons, Lady Susan continua a criar esquemas de manipulação de poder sobre outras pessoas, ao mesmo tempo em que tornam essas pessoas miseráveis. Mas sua crueldade é aparentemente sem motivo, somente tédio, mas tem raízes mais profundas na frustração e sua verve vingativa. Como uma mulher na Grã-Bretanha do século 18 com menos direitos e oportunidades do que os homens, seu aparente poder sobre os outros é amplamente ilusório - na realidade, ela depende das próprias pessoas que manipula e tira vantagem.

Ao apresentar Lady Susan como uma personagem feminina monstruosa que ainda é impotente, Jane diz que, na verdade, ela é vítima das limitações sociais impostas às mulheres na época.

Embora Lady Susan diga à sua amiga Alicia Johnson que ela é “independente”, ela realmente é acorrentada devido ao seu gênero e situação financeira – o pouco poder que ela tem vem do bullying que faz em outras pessoas. Como Susan revela em carta a Alicia, ela decide visitar o cunhado, Charles, porque é seu “último recurso”: quando o marido era vivo, eles venderam a propriedade e sobrou pouco dinheiro. Ao menos Charles (o cunhado) seja bonzinho, ele tem todo o poder nessa dinâmica, então ele pode forçá-la a sair a qualquer momento. No fundo, Charles é um cavalheiro à moda antiga cuja honra o faz reconhecer ter responsabilidade sobre a viúva no irmão.

Por exemplo, sua filha  Frederica, é submissa e teme o casamento forçado  com o "desprezivelmente fraco" e rico Sir James - plano que Lady Susan já tem em curso. Isso significa que o poder de Lady Susan sobre Frederica depende de sua manipulação de Sir James e bullying na própria filha. Lady Susan tem “certeza” que os dois são idiotas úteis, mas ela ainda assim precisa de cooperação deles para garantir sua sobrevivência.

Em alguns casos, Susan não é capaz de manipular as situações diretamente, o que mostra que ela carece de qualquer poder real. Para manter seu caso com o Sr. Mainwaring, ela precisa de Alicia para garantir que seu marido, o Sr. Johnson, não esteja por perto para interferir. Alicia já se ressente do marido, mas Susan alimenta esse ressentimento para obter o lucro que deseja - novamente, ela depende de outras pessoas para atingir seus objetivos e se sentir poderosa.

Seu caso com o Sr. Mainwaring é um exemplo perfeito da explosiva mistura de tédio, frustração e desejo de provar ter poder: no início, o irmão de Catherine, Reginald, descreve o caso como dando a Susan a “gratificação de tornar toda uma família miserável”. Ele provavelmente está certo - Lady Susan não teria lucro além de hedonismo já que o Sr. Mainwaring não pode se casar com ela porque já tem uma esposa. Mais tarde quando ela decide se casar com Reginald, novamente sem nenhum motivo óbvio; embora o casamento a ajudasse financeiramente, ela dependia do pai de Reginald para obter aprovação/dinheiro, o que significa que esse arranjo não lhe daria nenhuma liberdade – ou pouquíssima. Ela persiste no esquema porque está com raiva de Reginald por ser gentil com Frederica e quer passar o casamento punindo-o. Acima de tudo, ela aparentemente só quer convencer Reginald (e outras pessoas) de que ela tem poder sobre ele. Mas isso é amplamente ilusório, já que, como homem, Reginald sempre terá mais direitos legais e influência social do que Lady Susan - independentemente da capacidade de Lady Susan de manipulá-lo na intimidade.

Embora o status social inferior de Lady Susan como mulher seja a razão pela qual ela tenha apenas tem a ilusão de poder, ela utiliza e se beneficia das limitações impostas a outras mulheres - na verdade, sua capacidade de manipular aumenta por sua capacidade de usar suas próprias faltas de maneira mais engenhosa que suas pares. Ironicamente, as expectativas estereotipadas das mulheres na Grã-Bretanha do século 18 - que elas são conversadoras naturais e que devem ser atraentes para os homens - são o que dá a Lady Susan o poder de controlar os outros. Reginald é seduzido por sua beleza, e até mesmo sua cunhada, Catherine, admite que Lady Susan é excepcionalmente bonita e mais tarde adivinha que o "domínio da linguagem" de Lady Susan é o que lhe permite mentir de forma convincente. Lady Susan finalmente confirma a Alicia que ela é boa em manipular a linguagem porque seu papel prescrito como mulher na sociedade significa que a maior parte de seu tempo é gasta conversando.

Catherine é a pessoa que melhor entende a falsidade de Lady Susan, talvez por ser do seu nível de feminilidade: mulheres adultas & educadas, classe alta, casadas, com filhos. No entanto, a "decência comum" determina que Catherine não pode avisar Reginald sobre Lady Susan diretamente. Em vez disso, ela fala com a mãe, que fala com o marido, Sir Reginald, que escreve ao filho Reginald que está hospedado na casa de Catherine! Porém, as palavras de desaprovação aberta do pai à mera ideia de casamento com Susan tem peso. Essa desaprovação significaria pouco ou nada vindo de Catherine diretamente porque ela é uma mulher, no entanto, não cabe a ela dizer nada, e suas limitações e a demora da troca de cartas deixam Reginald vulnerável à manipulação de Lady Susan.

Embora Lady Susan seja inegavelmente cruel, ela não é severamente punida por sua crueldade. No final da história, o noivado de Lady Susan com Reginald termina, o Sr. Johnson força Alicia a cortar a amizade e ela decide se casar com Sir James, o bobo rico. Embora nada disso tenha sido planejado inicialmente, ela não está perdendo nada particularmente significativo: ela nunca amou Reginald de verdade e sua amizade com Alicia era superficial. Fica implícito que os leitores deveriam ter mais pena do novo marido do que de Susan, já que ele é facilmente manipulado.

O resultado bastante favorável de Lady Susan sugere que Austen não a condena - embora obviamente não aprove suas tramoias, ela parece simpatizar com a raiz de sua frustração por ser financeira e socialmente dependente de outras pessoas. E embora os esquemas de Lady Susan provavelmente continuem, parece que ela nunca terá nenhum poder próprio.

5️⃣ VIDA PÚBLICA x VIDA PRIVADA

Lady Susan é um romance epistolar, o que significa que – fora a conclusão - a história é contada na primeira pessoa com grande intimidade de suas correspondências. Aqui você acha um artigo explicando a importância das cartas nos séculos 18/19.

Os personagens revelam seus verdadeiros sentimentos e intenções ao destinatário; o que faz os leitores entenderem e alimentarem emoções muito fortes sobre os esquemas de Susan.

No entanto, os personagens escondem esses sentimentos uns dos outros e agem aparentemente educados porque a etiqueta social na Grã-Bretanha do século 18 exigia isso. Fica muito clara a diferença entre as comunicações no papel de carta e no cara-a-cara.

Austen foi brilhante nisso!

A separação entre vida pública e privada torna-se mais problemática à medida que a novela avança, dando a Susan facilidade incrível para avançar em suas manipulações. Ao demonstrar essa falha de comunicação e suas repercussões, a novela sugere que o rígido código social da sociedade educada tem consequências terríveis - muitas vezes, o abismo entre a vida pública e privada das pessoas é o que permite que as mentiras ganhem força.

Por exemplo:

- Catherine não queira hospedar Susan na sua casa, mas ela e seu marido, Charles, são obrigados a fazê-lo;

- Susan se esforça para ser externamente educada com eles, embora uma vez tenha tentado impedir Charles de se casar com Catherine e os considere enfadonhos e insuportáveis;

- Catherine escreve para sua mãe revelando sua antipatia contínua, mas recebe Susan calorosamente;

- Catherine entra em pânico quando Reginald  se apaixona por Susan, e quer forçá-lo a deixar sua propriedade para que ele não possa propor casamento, mas a "decência comum" a impede de dizer isso - em vez disso, ela pede à mãe por carta que ajude a enganar Reginald para que saia usando "qualquer pretensão plausível"

Mesmo quando os personagens entendem os sentimentos uns dos outros, eles são obrigados a falar em código por causa das regras de "decência comum" da sociedade.

A certa altura, Catherine fala com a filha de Lady Susan, Frederica, sobre Reginald - embora ambos os personagens tenham motivos para não gostar de Susan, Catherine deve "se recompor" antes de dizer qualquer coisa negativa sobre ela na frente de Frederica. Há poucos motivos para isso - Frederica é impotente e provavelmente não delataria Catherine - mas a polidez de Catherine parece instintiva, sugerindo que a sociedade da novela exige decoro mesmo quando não faz sentido lógico.

É neste ponto que Susan se aproveita e por baixo dos panos, avança em seus planos de crueldade por diversão.

Como os personagens precisam ser aparentemente educados, os desenvolvimentos mais significativos da história acontecem por meio de cartas e provavelmente não poderiam ter acontecido pessoalmente.

Frederica, em seu desespero juvenil, age para impedir seu casamento forçado com Sir James entregando uma carta a Reginald sem se atrever a falar com ele pessoalmente – ela precisa da folha de papel entre eles. (mesmo que esta troca de correspondências entre solteiros seja escandalosa por si só.)

No final da novela, Reginald termina com Lady Susan, ao saber de seu caso com o Sr. Mainwaring. Essa separação também acontece por carta, embora Reginald e Susan estejam em Londres quando ele escreve para ela. Se Reginald não tivesse confiado nas cartas, a separação poderia nunca ter acontecido – anteriormente ele tinha falado com ela pessoalmente sobre sua crueldade para com Frederica, mas pessoalmente ele sabia que seria vítima de suas qualidades femininas.

Pessoalmente, Lady Susan é capaz de distorcer a verdade ao defender uma personalidade pública muito diferente de quem ela realmente é; em uma carta, no entanto, Reginald pode se defender.

No entanto, as cartas nem sempre revelam a verdade – voltamos aqui à discussão da natureza da verdade absoluta ou relativa. Elas são um veículo de manipulação, o que sugere que as mentiras podem e irão apodrecer sem a necessidade de comprovar a honestidade.

Quando Lady Susan parte para Londres, ela planeja enrolar Reginald até que seu pai morra e os dois possam ser financeiramente independentes. Para que isso aconteça, ela escreve uma carta que revela a verdade ao leitor, mas esconde a verdade de Reginald. Os leitores descobrem pela primeira vez que Susan e Reginald estão oficialmente noivos - algo que Catherine, e os leitores por meio dela, apenas suspeita.

Mas os leitores também descobrem que Susan está mentindo para Reginald: seu motivo para o casamento adiado é falsa – ela quer tempo com seu amante casado. Por escrito, Susan não consegue convencer Reginald a ficar longe de Londres, o que precipita o desastre do desmonte de suas mentiras.

Susan é uma manipuladora habilidosa pessoalmente, suas mentiras chegam até mesmo nas cartas verdadeiras de outras pessoas - Reginald escreve para seu pai  repetindo as falsidades dela como verdades.

Assim, enquanto as cartas parecem ser um espaço para a honestidade, esta pode ser distorcida desde que a sociedade exija polidez em detrimento da verdade.

6️⃣ AMOR E NEGÓCIOS

Os personagens de Lady Susan experimentam e agem em vários tipos de amor, tanto romântico quanto familiar. As relações entre os personagens são o que impulsiona a história, que gira em torno do potencial noivado de Lady Susan com Reginald De Courcy e seus esquemas envolvendo sua filha, Frederica.

Mas em cada relacionamento significativo - entre amantes, pais e filhos ou irmãos - pelo menos um personagem sempre espera lucro. Ao apresentar vários relacionamentos diferentes entre pessoas que deveriam se amar incondicionalmente e, em vez disso, demonstrar que motivos ocultos estão por trás desses relacionamentos, a novela sugere que na sociedade educada da Grã-Bretanha do século XVIII, o amor é sempre transacional.

Fiel à sua natureza egoísta, Susan sempre busca se beneficiar do amor. Ela se relaciona com três homens ao longo da história:

 - Reginald;

- Sr. Mainwaring;

-  Sir James.

Seu interesse por eles sempre depende de sua devoção a ela, o que pode ser considerado lucro:

- Reginald – fonte de prazer na forma de subjugação, poder feminino;

- Mainwaring – paixão carnal, ciúmes e possessividade;

- Sir James – segurança financeira.

O interesse de Lady Susan por Reginald desaparece imediatamente depois que ele tenta deixá-la, preocupado com o tratamento que ela deu a Frederica. Ela rapidamente muda de ideia e o força a voltar à devoção, mas ela "não pode perdoá-lo" e debate se deve puni-lo terminando com ele ou casando-se com ele e "provocando-o para sempre". Como Reginald não é incondicionalmente devotado a ela já que demonstra alguma (pouca) firmeza de caráter, Lady Susan rejeita seu amor - ainda assim, ela pretende se beneficiar disso ao se vingar dele, provando assim que pode controlá-lo.

Todos os relacionamentos supostamente amorosos de Lady Susan são transacionais - nem mesmo sua filha está isenta.

A incapacidade de Lady Susan de amar sem segundas intenções também se aplica ao seu relacionamento com sua filha Frederica. É óbvio que Lady Susan não se importa com a “garota estúpida”, ela constantemente tenta limitar sua liberdade. Mas ela ainda tenta se beneficiar dela na tentativa de forçar Frederica a se casar com o rico Sir James e garantir a segurança financeira das duas.

Infelizmente, a visão transacional do amor de Lady Susan não é única - mesmo os melhores exemplos de amor na novela têm um custo. Catherine Vernon, cunhada de Lady Susan, parece sentir uma afeição genuína por seu irmão, Reginald - assim como os pais de Reginald e Catherine. As tentativas da família de impedir Reginald de se casar com Lady Susan aparentemente devem ser motivadas por esse amor - mas, na realidade, as tentativas indiretas de Catherine de impedir o noivado, bem como as tentativas mais diretas de seu pai, têm tanto a ver com a desaprovação de Lady Susan como com a felicidade de Reginald. Embora Catherine esteja genuinamente preocupada com Reginald, seu pai, Sir Reginald, diz a seu filho que tudo estaria “em jogo” em um casamento com Lady Susan: “[sua] felicidade, a de [seus] pais e o crédito de [ o nome dele." Em outras palavras, embora a família possa se preocupar com Reginald, eles também estão preocupados com o impacto de Lady Susan em seu status financeiro e social, já que Lady Susan é uma viúva sem dinheiro e com má reputação.

À primeira vista, Frederica parece amar Reginald sem segundas intenções, já que a paixão não a beneficia - na verdade, na verdade a machuca, porque Lady Susan quer que ela se case com Sir James, e ela mesma está romanticamente envolvida com Reginald. Mas mesmo que Frederica não tenha segundas intenções, outros adotam segundas intenções em seu nome. Por exemplo, Catherine aprova a paixão da garota por Reginald não porque o casamento deixaria Frederica ou Reginald felizes, mas porque separaria o irmão de Susan. Isso significa que, embora o casamento não beneficie Frederica diretamente, certamente beneficiaria outras pessoas. Mais importante ainda, como Reginald pouco se interessa pela garota, ela precisaria da ajuda de Catherine para protegê-lo - então Frederica se beneficiaria (e mais tarde se beneficiará) do motivo oculto de Catherine.

Como o amor na novela é sempre transacional, todos os seus personagens veem os sentimentos dos outros como maleáveis. Isso é o que permite que Lady Susan mude rapidamente as atenções de Sir James de Frederica para si mesma - permitindo que ela se case com ele no final da novela - e é o que permite que a família de Reginald eventualmente "fale", "lisonjeie" e "finesse".

Este final decididamente não romântico implica que, no mundo de Lady Susan, não há exemplo de amor puro e constante - todos sempre esperam se beneficiar egoisticamente de alguma forma.


Ufa!

Você já tinha notado que cabia esse tanto de detalhes em um romance tão enxuto?! 

e olha que Jane tinha só 18 anos quando escreveu...

talvez por isso sua pena tenha estado tão solta e afiada!

mais sobre Lady Susan, veja aqui

fontes: original de Austen, litcharts, bookrags, supersummary, austenprose, jasna e meus arquivos pessoais


Está gostando de saber dos detalhes desta obra de Jane Austen?
Tenho muito mais guardado para te contar!

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

LINKS para Lady Susan

Bjs, e até mais!

M.


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antes que esse projeto chegue ao fim!


quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Lady Susan, de Jane Austen, explicada

Olá! Continuo com o estudo de

Como eu já disse anteriormente, quem não conhece a Juvenília acha que Lady Susan é um dos romances mais surpreendentes de Jane Austen. Além de bem mais curto que os outros, é picante, desconcertante, atrevido e perverso. 

Provavelmente por ser (erroneamente) considerado um ponto fora da curva, LS recebe muito pouca atenção ou elogios – há quem chame de aberração! Os estudiosos de Austen desprezando-o como um trabalho menor; um experimento inicial de uma autora em formação que nunca retornaria ao formato epistolar, nem perseguiria sua publicação durante sua vida.

Não há nada sutil ou gentilmente reprovador sobre o enredo ou personagens pelos quais ela é famosa – mas é Austen – uma versão mais jovem e menos polida; crua, enérgica, ultrajante.

Após a morte de Austen em 1817, o manuscrito passou para sua família e mais tarde foi vendido para a Biblioteca Morgan em Nova York. Uma vez que todos os manuscritos originais de seus seis principais romances não existem mais, Lady Susan é o único exemplo existente de um romance completo escrito por sua própria mão hoje.

Em posts seguintes, trarei Temas, Símbolos, Personagens, Resumos. Vamos aos detalhes, uma ficha cadastral da adorável Lady Susan.

Título

Lady Susan

Em 1805, Jane Austen transcreveu uma cópia fiel de um manuscrito sem título que mais tarde seria nomeado Lady Susan por seu sobrinho James Edward Austen-Leigh que publicou o romance pela primeira vez em 1871 em sua biografia de sua tia, A Memoir of Jane Austen. Veja este manuscrito aqui.

Tecnicamente, Lady Susan pode ser chamado de ‘novella’, termo dado a contos de 17 a 40K palavras e é escrita no formato epistolar popular na juventude de Austen. Tem 41 letras entre os personagens e uma conclusão do narrador, e estima-se (por estudiosos) ter sido escrito quando Austen estava no final da adolescência entre 1793-94.

Susan era um nome que Jane Austen adorava, ela usou em várias obras. A primeira versão de Abadia de Northanger era ‘Susan’, foi escrita de 1798 a 1803 quando foi vendido para um editor que nunca publicou. 

Na Juvenília, várias obras são intituladas pelo nome dos protagonistas, mas na maturidade, ela sempre renomeou. Assim foi ‘Elinor e Marianne’ trocado para ‘Razão e Sensibilidade’.

Frances Burney, autora de Evelina – livro que certamento influenciou Austen, tinha uma irmã chamada Susanna, também famosa autora de cartas e documentos sobre música.

Enredo

As tramas giram em torno de uma viúva inescrupulosa e intrigante, Susan Vernon, que “sem o charme da juventude”, consegue seduzir qualquer homem. A fim de garantir sua segurança financeira, ela planeja se casar com sua filha adolescente contra a vontade da garota.

“Ela é inteligente e agradável, tem todo aquele conhecimento do mundo que torna a conversa fácil e fala muito bem, com um bom domínio da linguagem, que é muito usada, acredito, para fazer o preto parecer branco.” – carta VI

Ao visitar o cunhado (irmão de seu falecido marido), Susan conhece um jovem herdeiro (irmão de sua cunhada) e decide casar-se com ele. Seus planos vão de vento em popa até que sua filha foge da escola e precisa ser levada para perto dela. 

Como aliada, Susan tem Alicia Jonhson, esposa do guardião da esposa do homem com quem Susan tem um caso amoroso.

Muito sagaz, Susan consegue se desvencilhar de quase todos os problemas que lhe acometem. E são muitos.

Autor

Jane Austen, aos 24 anos

Gênero 

Romance epistolar (em cartas) – uma novella

Língua

Inglês

Tamanho

23K palavras

42 capítulos: 41 cartas + conclusão

Data de criação

1794 – escrito sem uma conclusão

1805 – concluído  

Data da primeira publicação

1871 – post morten

Data da trama

Não especificada

Local da trama

Lugarejo de Churchill, Londres

Narrador

cartas:

Lady Susan
Sra. Vernon
Frederica
Lady De Courcy
Alicia Johnson
Reginald De Courcy
.
veja detalhamento das cartas aqui

conclusão:

Narrador 

Protagonista

Lady Susan 

Antagonista

Sra. Vernon

Sr. Johnson 

CJ Soulacroix - Flirtation


Ponto de vista

Discurso direto (cartas com narrativa em 1ª pessoa)

Discurso indireto livre (conclusão)

Tempo verbal

passado

Promessas escondidas

A infidelidade nos relacionamentos onde Susan se envolve contrasta com o bom casamento dos Vernon

Tom 

Satírico

Subversivo

Petulante

Especulativo e pernicioso

Estilo da escrita

Altamente sarcástico, intenção de confundir o leitor com várias versões dos acontecimentos, cômico e cruel em alguns momentos

Temas

. relacionamentos amorosos;

. lealdade;

. maternidade;

. situação feminina na sociedade;

. poder de persuasão;

. perigo do preconceito;

. importância do casamento.

Motivos

Casamento, sobrevivência.

Ações marcantes

. chegada de Lady Susan a Churchill

. esforços de Lady Susan para encantar Reginald 

. chegada de Frederica a Churchill contraria os planos da mãe

. ida de Susan e Reginald a Londres

CS Soulacroix - The conversation

Clímax

Apesar das diversas reviravoltas da trama, o clímax acontece quando Reginal encontra Sra. Mainwaring justamente no momento em que ela contava ao seu guardião – Sr. Johnson - sobre o relacionamento adúltero que Lady Susan nutria com seu marido. O leitor sabe deste encontro bombástico pela narrativa de Alicia Johnson:

“Minha querida criatura, estou em agonia e não sei o que fazer. O Sr. De Courcy chegou exatamente quando não deveria. A Sra. Mainwaring entrou naquele instante e se forçou à presença de seu tutor, embora eu não soubesse nada disso, pois eu estava fora quando ela e Reginald chegaram, ou o teria mandado embora. Mas ela estava com o Sr. Johnson, enquanto Reginald esperava por mim na sala de visitas e ouviu tudo. (...) O que eu poderia fazer! Fatos são coisas tão horríveis!”

Final

Apesar do bem ser recompensado e os sofredores acharem amor, a maquiavélica Lady Susan também alcança seu objetivo em um perverso troca-troca de pretendentes. A viúva casa com o rico cavalheiro que ela havia escolhido para sua filha Frederica, enquanto esta acaba por conquistar o amor de Reginald, herdeiro de larga fortuna que passou boa parte do romance apaixonado por sua mãe.


fontes: Austenprose, litcharts, bookrags, supersummary, jasna, the guardian, meus arquivos pessoais


Está gostando de saber dos detalhes desta obra de Jane Austen?
Tenho muito mais guardado para te contar!

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

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M.


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sexta-feira, 1 de julho de 2022

Persuasão: as chaves para entender o último romance de Jane Austen

 Olá!

Entramos em JULHO e agora já podemos começar a fazer contagem regressiva para o novo Persuasão!


Eu continuo estudando detalhes, fofocas e aprofundamentos do romance. Te conto aqui, claro.
Neste post eu te trago...

AS CHAVES DE PERSUASÃO

No início...

Começamos no presente, mas olhando para o passado. Anne já havia sido noiva do capitão Wentworth, mas terminou com ele porque sua família e conselheira desaprovaram. Essa situação inicial é um pouco estranha porque depende de uma grande ação já ter acontecido oito anos atrás. A separação de Anne e Wentworth significa que ambos os personagens tiveram muito tempo para pensar e podem estar prontos para fazer as coisas de maneira diferente na segunda vez. Ou não.

Eles estão afundados em ranço

Tanto Anne quanto Wentworth se alimentam desse passado, e ambos vêem aqueles dias felizes em cores mais sombrias. Anne se arrepende de ter rejeitado o capitão Wentworth; Wentworth está com raiva de Anne por rejeitá-lo.

Quando Wentworth aparece novamente, Anne está presa na dolorosa posição de ver seu ex flertar com as garotas Musgrove, enquanto ela tenta se convencer de que não o quer mais de qualquer maneira. 

E então, no desenrolar da trama, a póbi Anne vai para Bath, que ela odeia; com sua família, que é desagradável; sendo seguida pelo Sr. Elliot, que ela suspeita não ser o que parece. É muita sofrência junta!

Conflito

O capitão Wentworth sabe que a casa que sua irmã alugou é da família de Anne, e mesmo assim ele aceita o convite de ir se hospedar lá. Por que?

Quando ele retorna àquelas bandas, os Elliots se mudaram (claro, se alugaram a casa), mas Anne ainda está por perto. Então ele começa a cortejar Louisa Musgrove na cara dela. Estabelecem então uma guerra fria.

Anne e Wentworth conseguem falar um com o outro, e no entanto estão no mais puro conflito interior. Eles querem fingir que não se importam um com o outro, mas essas emoções conflitantes e irritantes continuam aparecendo.

Complicação

Lyme é o lugar onde tudo vai para o brejo. (cap 11) Louisa acidentalmente quer impressionar o bonitão Wentworth com sua vivacidade, se joga cai e sofre um ferimento na cabeça, enquanto o Sr. Elliot conhece e logo se interessa por Anne.

A insistência de Louisa em pular nos braços de Wentworth, embora ele insista que é obviamente perigoso, o faz começar a ficar azedo com a impetuosidade dela e reavaliar o espírito gentil de Anne. Mais tarde, os mesmos ímpetos o fazem quase obrigado a se casar com ela – e ele nem viu que estava sendo comprometido. 

Para tornar as coisas ainda mais complicadas, aparece o Sr. Elliot, um primo de Anne, se mostrando interessado nela. Para piorar a vida de Wentworth, o primo tem o peso do favor da família e dinheiro atrás dele. 

Neste ponto, mesmo que Wentworth quisesse mudar de ideia e ir atrás de Anne, ele tem seu envolvimento com Louisa e seu rival Sr. Elliot para resolver primeiro. Ele fica engessado, de certa forma.

Personagens se revelam aos poucos

- Wentworth percebe que Louisa é tolamente teimosa enquanto Anne é atenciosa e competente: é justamente o comportamento de Louisa em Lyme que faz com que Wentworth comece a ver Anne com outros olhos, o ranço vai dando espaço para admiração – diferente do que ele sentia pela bela menina rica antes, agora ele a vê como uma mulher centrada. Ele reconsidera seus preconceitos e percebe que ouvir os conselhos dos outros não é tão ruim (especialmente quando esse conselho é não mergulhar de cabeça na calçada).

- Anne percebe que Wentworth ainda a ama:  O ciúme de Wentworth ao ver a atenção do primo Sr. Elliot para com Anne o faz ter certeza que ainda se importa com ela. Anne nem acredita e tem medo de esperar um reencontro. O leitor vai a loucura! Eu amo quando ele ouve que ela teve outros pedidos de casamento, dá para ouvir as engrenagens do ciúme mexendo dentro dele!

Cap 10, durante uma caminhada, Louisa conta:

‘Ela (Mary) tem muito do orgulho da família Elliot. Gostaríamos tanto que Charles tivesse casado com Anne. Suponho que você saiba que ele queria se casar com Anne?

Depois de um momento de pausa, o capitão Wentworth disse...

― Você quer dizer que ela o recusou? 

― Oh! sim; certamente. 

― Quando isso aconteceu? 

― Eu não sei exatamente, pois Henrietta e eu estávamos na escola na época; mas acredito que cerca de um ano antes de ele se casar com Mary. Eu gostaria que ela o tivesse aceitado. Todos nós teríamos gostado muito mais; e papai e mamãe sempre pensam que ela o rejeitos por obra de sua grande amiga Lady Russell. Eles acham que Charles pode não ser instruído e erudito o suficiente para agradar Lady Russell e que, portanto, ela persuadiu Anne a recusá-lo.”

- Sra. Smith explica as motivações secretas do Sr. Elliot

Quando a Sra. Smith conta que o Sr. Elliot é realmente um safado fica mais fácil para Anne justificar para sua família e amigos porque se decidiu por Wentworth.

Clímax

Acontece em Bath, em meio a visitas socialmente aceitáveis, concertos e visitas a confeitaria. (cap 13)

Este clímax, isso é tão tranquilo quanto a natureza de Anne – sem grandes explosões ou beijos apaixonados, apenas com observação, conversas e pensamentos. 

Quando ambos assistem a um concerto em Bath, Anne percebe que Wentworth ainda a ama e Anne descobre pela Sra. Smith que o Sr. Elliot é um vilão. No entanto, essas revelações combinadas permitem que Anne veja claramente os dois rivais por sua afeição sob as máscaras que eles estão colocando e se decida sobre o que ela precisa fazer para chegar ao seu próprio final feliz.

Suspense

Embora Anne tenha descoberto os sentimentos de Wentworth, ele desconhece os dela – afinal, Anne é uma pessoa quieta. Sem ter a intenção, ela o deixa em suspense, sem saber se o aceitaria de volta. 

Anne, coitada, está tentando dar dicas para Wentworth de que ela não gosta muito do Sr. Elliot, mas nem ela nem o leitor têm certeza se ele vai juntar suas pistas e resolver o mistério.

Desfecho

Wentworth escreve uma carta para Anne explicando seus sentimentos por ela e expressando sua esperança de que ela ainda o ame também; Anne encontra Wentworth na rua e, caminhando juntos, ela revela seu amor.

Aqui é onde tudo entre Anne e Wentworth se resolve, quando eles finalmente conseguem revelar seus sentimentos um pelo outro – depois de todos os problemas que tiveram para chegar tão longe. Neste ponto, é similar ao que acontence com Lizzy Bennet e Mr. Darcy em Orgulho & Preconceito. Jane  gosta muito de caminhadas, é onde ela deixa os personagens darem um salto – o que faz a estagnação de Fanny Price em Mansfield Park ainda mais interessante. 

Conclusão

Anne e Wentworth superam a desaprovação inicial de sua família para se casar.

O último capítulo amarra a maioria das pontas soltas. A família de Anne e até Lady Russell aceitam o casamento com Wentworth, a Sra. Smith resolve seus assuntos financeiros. 

As únicas notas de incerteza são se a Sra. Clay conseguirá seduzir o Sr. Elliot, e se uma guerra virá para estragar a felicidade de Anne.

Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar

Anne e Wentworth, Louisa e Benwick, e Henrietta e Charles Hayter se casam; Sr. Elliot e Sra. Clay podem se casar também... 

Mais velhos e mais sábios, Anne e Wentworth conseguem resolver as coisas pela segunda vez. Apenas para tornar as coisas mais seguras, todos os seus rivais também acham um amorzinho. A única deixada de fora é Elizabeth, a irmã megera, que repete o passado e é esnobada pelo Sr. Elliot em favor de sua ex-amiga do peito, a Sra. Clay que era pretendente de Sir Walter, pai delas. Viva a justiça poética.

fonte: meus arquivos pessoais, study.com, schmoop, reddit, saprk notes

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Orgulho e Preconceito reescrito e Brazuca!

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