& Moira Bianchi: literatura
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Mapas de Jane Austen

Olá,
estou fazendo um (outro) curso on line sobre Jane Austen, tem sempre algo a mais para aprender sobre a Diva, né?

Além de insights em cantinhos escuros das obras - adoro!!! - no curso se discute como ela estava inserida e se relacionava com seu tempo e espaço. Parece óbvio, mas depois que a gente mergulha na vidinha de Jane, a gente entende melhor as ações das personagens. Daí a mudar sua percepção de Emma ou Anne Elliot, é outra estória. 
A cada JAFF (Jane Austen fan fiction) que escrevo, pesquiso mais e aprendo vendo o que eu já estava acostumada a ver, só que com novos olhos...
Mas olhe que bacana vi logo no início: mapas das obras!
É um post da JASNA, nem é novidade, mas tão interessante...
eu fiz a união de mapas da JASNA. PI das migas Janeites gringas

Podemos especular que ela localizava as obras somente no Sudeste porque era onde ela conhecia e morava, ou era onde ela mais gostava, ou isso ou aquilo. 
Especulações a parte, é bacana ver como o buchicho é concentrado ali. Só O&P e Mansfield Park saem do círculo mais fechado. R&S vai quaaase nas viagens aventureiras, porém nem tanto quanto as outras.
viajar para longe nem sempre cai bem...
Nos mapas originais, podemos analisar as áreas de cada obra, mas adorei juntar as bolinhas coloridas para ver Austen como um todo.






No post AUSTEN EM NÚMEROS, há um card sobre as viagens, o quanto os personagens se afastam de casa. Já viu?



Para ver os mapas no site da JASNA e ler os artigos massa que eles listaram em cada obra, vem aqui.
E para meus livros inspirados em Jane Austen, contemporâneos e históricos, vem aqui.
bj

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Devaneios de escriba

Olá,
Hoje o Google traz essa lindeza de surpresa no doodle especial:
Clicando achamos uma lindeza ainda maior.
google doodle do 98º aniversário de Clarice Lispector - 10-12-18

Clarice, claro. Sempre.
Macabeia, fatalidade e crueldade da vida corriqueira...
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Na pele de Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares com as colunas inspiradíssimas e cartas respondidas, tema tão atual para mim que vivo enfurnada nos meandros dos manuais Vitorianos de boas maneiras da Inglaterra do século XIX...

“A questão toda está aí: você deve imitar você mesma. 
O que quer dizer: seu trabalho é o de descobrir no próprio rosto 
a mulher que seria se fosse mais atraente, mais pessoal, 
mais inconfundível. 
Quando você ‘cria’ seu rosto, tendo como base você mesma, 
sua alegria é de descoberta, de desabrochamento.”

Escrever romances é isso aí: me reinvento a cada estória nova!

Uma coisa me levou a outra e achei Sol LeWitt. Bicho, sou eu revisando! Coisa que ando fazendo (mentira, ando procrastinando a revisão do último volume completado dos Cupidos em Devon). Me ligo muito em quanto repito de uma mesma palavra em uma página. Olha, ele fez visualmente! 
Meu TOC levado à potência 3! 
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se tivesse grana, comprava esse obra no leilão.  SOY YO!
Nem foi na Hopkins, a casa de leilões da série CUPIDOS EM DEVON
Vida de escriba é assim para mim, ups & downs. 
Coincidências e descobertas, pesquisas e insights.

Pelo Dicionário Informal:
1. Escriba
Significado de Escriba Por Carlos Eduardo (MG) em 01-02-2010     
Na antiguidade, pessoa encarregada de escrever, como copista, secretário ou redator. 
Doutor da lei entre os Judeus.
Escrivão.
Funcionário subalterno que apenas copia textos. (Mau escritor.)
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preocupando com as críticas nesse nível de plenitude.
Boa segundona véspera de niver para mim, e para todos!

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Sol LeWitt no Met
Termino com essa obra pirante de Mr. LeWitt. Eu ficaria horas aqui.
Até.

Achei dicas de Clarice aqui, aqui e aqui.
Fotos do google página inicial, Sol LeWitt e pesquisa temática do dia

sábado, 27 de outubro de 2018

A a Z mortes na Literatura Nacional

Olá, estamos quase no Halloween!
Festa gringa que já fazemos nossa, né?

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Que tal essa dança para a festa? Valsa de Arsênico?
Era sobre a coloração das roupas... Um dia falo disso.

Vi esse artigo muito bacana do Masculinidade Vitoriana (sic) listando mortes trágicas na literatura e resolvi abrazucar! Nem tudo que reluz é ouro, assim como nem todas as obras em Português aqui citadas são Brasileiras. Mas, Suassuna que me desculpe, Eça é fundamental!

Vamos lá?
>> Olha, 
TODOS OS SPOILERS DO MUNDO! 
Siga por sua conta e risco! <<


A é para Arundel, o Condado de onde vêm o Norfolk que em CARTAS À DORA gera um quiquiqui com seu falecimento intrigante

 B é para Bolívar Cambará, filho de Bibiana Terra e Capt Rodrigo Cambará de O TEMPO E O VENTO cuja falta aumenta a inimizade entre a mãe a vó. 

C é para Capitu, minha heroína favorita (rival de Lizzy Bennet) e totalmente injustiçada em DOM CASMURRO.

D é para Diadorim, personagem majestoso e complexo e difícil que faz a gente querer ler GRANDE SERTÃO VEREDAS de novo depois de descobrir seu segredo. Esse spoiler, não conto. Se é que vc não sabe...

E é para D. Emília, mãe de Aurélia de SENHORA. Bonita quando moça, sofrida pelo desdém do sogro e fraqueja do marido, viu a vida degringolar miseravelmente.

F é para a fagueira IRACEMA, índia e poesia e perfeição no romance de mesmo nome. Amor e tragédia perseguem as mulheres, é algo a se aprender: sempre se castiga o feminino que se atreve a amar...

G é para o Galo-da-Serra, vítima do ESCARAVELHO DO DIABO que tem suas penas lindas retiradas uma a uma. Maldade! tsk, tsk

H é para o Homem da roça de todos os nossos corações, Tio Barnabé que na grande imaginação e histórias animadas do Sítio do Pica-pau amarelo acaba sendo devorado por rabicó em A CHAVE DO TAMANHO. Veja só, aquele porquinho preguiçoso, o Marquês.

I é para o Imortal da ABL Euclides da Cunha que ironicamente sucumbiu ao duelo com o amante de sua esposa, Dilermando. Autor de obras importantíssimas como Os Sertões

J é para Juliana, a criada rabugenta e rancorosa e poderosa de PRIMO BASÍLIO que além de achar sua morte, leva Luísa, a patroa com ela.


K é para kkk, a risadaria que no AUTO DA COMPADECIDA é feita em 'ra ra', mas que é igualmente eloquente e nos lembra que há esperança até na morte -  para onde seguem todos os personagens na hora do julgamento. 

 L é para LUCÍOLA que no romance de seu próprio nome encontra a morte tantas vezes quanto se pode contar. Maria da Glória, Lúcia, cortesã, mãe, mulher. Outro feminino punido pelo amor e erotismo.


M é para o marido nº 1 Vadinho, de DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS e um dos cafas mais famosos da literatura. Nem o carnaval aguentou com ele.

N é para o noivo da melhor amiga, primo e mais um tanto da ENGRAÇADINHA, o pobre Sílvio. Vendido, ludibriado, enganado.

O é para a oprimida Macabea de A HORA DA ESTRELA. Datilógrafa, amante traída, amiga traída, morta pela previsão da cartomante. 

P é para os pobres do Lazareto na Bahia, para onde iam os que não tomavam vacina no CAPITÃES DE AREIA. Tantos e por motivo tão bobo. 

Q é para QUINCAS BERRO D'ÁGUA, morto e morto ou nem tão morto e por fim suicidado? Quem não aceitaria a companhia de amigos em momento tão inquietante?

 R é para Runa, Maria Eduarda, mãe do tchuco-tchuco cafa de OS MAIAS, Afonso. Sem a mãe ele fica aos cuidados de Tia Fanny na Inglaterra e daí, quando encontra outra Maria Eduarda... Ah, como eu gosto desse romance onde as mulheres são tão punidas. Por que, por que??

S é para o soldado desconhecido amante da bela Pauline Hopkin de ECLIPSE DO CORAÇÃO que lhe faz propostas irresistíveis e muda o curso de sua vida para sempre.

T é para o Titanic que levou consigo mais de 1500 pessoas e quase mata a sensível e mediúnica heroína de A ÚLTIMA CARTA.

U é para UBIRAJARA índio guerreiro do romance que, almejando casar-se com a mulher que ama, precisa se oferecer em sacrifício.

V é para o querido Vô Ministro de PRECONCEITO, ORGULHO & CAFÉ que mesmo falecido é muito presente na trama desse Mr. Darcy classe média e Lizzy Bennet milionária

X é para Xavier Machado, o pai erudito e dono de livraria cult de BIBLILOVE que precisa partir para unir a bela e seu fera.

Y é para... 

W é para... 
Z é para zombaria, fruto da indiferença, da ausência imensa e mãe dos horizontes sem estímulo ou recompensa do poema de CECÍLIA MEIRELES.

Com essa pérola, termino essa ode ao Halloween!
Como se Morre de Velhice
Como se morre de velhice 
ou de acidente ou de doença, 
morro, Senhor, de indiferença. 

Da indiferença deste mundo 
onde o que se sente e se pensa 
não tem eco, na ausência imensa. 

Na ausência, areia movediça 
onde se escreve igual sentença 
para o que é vencido e o que vença. 

Salva-me, Senhor, do horizonte 
sem estímulo ou recompensa 
onde o amor equivale à ofensa. 

De boca amarga e de alma triste 
sinto a minha própria presença 
num céu de loucura suspensa. 

(Já não se morre de velhice 
nem de acidente nem de doença, 

mas, Senhor, só de indiferença.)

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Já tenho fantasia para o dia 31!
Que tal vampira vitoriana?
buahahahaha

disclaimer: all images found on google under search: 'victorian halloween' and 'gravestone'

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Meu artigo no volume 2 da revista LITERAUSTEN

olá!
2018 está começando super bem!
Olhem só: estou no volume 2 da revista LITERAUSTEN!


Neste artigo, discuto o PODER DO CASTING, como a escolha de elenco influencia na compreensão do canon e como em muitos casos, modifica tudo.
Minha piração começou com um card do The Guardian, esse:


E a Elinor de Emma Thompson que sempre me pareceu tão fora de contexto virou um assunto muito bom para discutir em um artigo. Mas cresceu demais, ramificou em diversas vertentes e pedi ajuda das 'maridas' Lu Araújo e Schirlei Rickli para compor comigo uma análise pé-no-chão e apaixonada.

Como sempre, a revista da JASBRA está livre para LEITURA GRATUITA aqui. Tem mais outros artigos muito bacanas, vai lá!

O primeiro volume está aqui com minha palestra 'O poder das FANFICS'.

bj

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Banalizando a Bienal

olá,
venho aqui fazer um lamento. Acho que esse é o termo certo. Lamento.
Curto muito participar da Bienal como Autora, muito mais do que como leitora. Sempre achei que a feira era uma 'loja grande' onde pouco se festejava a literatura e só passei a curtir mesmo depois que vi meus livríneos expostos lá.
Daí, no meio do burburinho dos autores famosos, engarrafamento para entrar, um monte de gente, sabe o que se vê? Pessoas com sacolinha das lojas de R$ 5,00 - uma sacolinha cada, e 'oh! corre-para-autógrafo-do-autor-famoso-gringo'. Onde está 'gringo' pode-se facilmente ler 'youtuber' ou 'da web' ou 'da moda'. Whatever.
Bacana, curti.
Mesmo.
Acho que a Bienal é para isso. Também.
Mas, na minha opinião, não deveria ser só para isso.

Olha que coisa triste...


Quem já ouviu isso:
'Nossa, eu AMO romance histórico.' '
Só leio Julia Quinn e Loretta Chase!' 
'Fiquei 4 horas na fila de autógrafos da romancista histórica na última Bienal!' 

Nada disso foi por essa modelo vestida de roupa de época nem por Machado de Assis. Triste, né?
Eu já tinha feito selfie com o cartaz da campanha logo que vi, Dom Casmurro é uma das minhas paixonites literárias de adolescência, e de longe vi a moça sozinha (sem óculos sou meio cegueta...). Cheguei perto:
´És Capitu?' Perguntei.
Ela estava de testa franzida e balançou a cabeça.
'Podemos fazer uma selfie?'
´Claro.'
Morri de felicidade! Imagina: eu e Capitu juntas!!! Só faltava o malucão do Bentinho olhando de lado!
'Se você postar com as hashtags da campanha, ganha um brinde.' Ela disse.
'Faço agora! Ia fazer mesmo!' Sorri que nem boba.
Orgulhosa como estava, postei todas as mils hashtags imediatamente. E Capitu? Ficou sozinha...

Dali fui com uma amiga no stand do meu livro 'Querida Jane Austen' que fica logo em frente à Capitu e de lá olhei para ela. Advinha?

Uma criança...
Provavelmente se perguntasse para essa moça passando tão feliz em estar na Bienal: 'Sabe quem é Machado de Assis?' ela não responderia. Ou pior, 'Aquela ali, ó, é Capitu. Sabe quem é?' Será que ela reconheceria os olhos de ressaca? Teria opinião sobre o adultério?

Daí você está pensando que sou chata. Eu sou chata mesmo. Confesso.
Acho que Bienal deveria ser para martelar e repetir e massacrar na cabeça de todo mundo quem foi Machadinho, Eça, Nelson, Clarice, Drummond, José de Alencar, Cecília. Deveríamos estar aproveitando o espaço para apresentar aos nossos pequenos a 'Canção dos sapatinhos' e aos nossos adolescentes as tramoias de 'Aurélia'. 
Quer YA mais apaixonante que Senhora?
Sem falar no meu querido 'Ladeira da Saudade'...
CLARO que a produção contemporânea tem valor, hellooo! Olha eu aqui! Mas isso é Bienal da Literatura. É Internacional, ok. Mas é aqui! Vê se nos EUA ou na França ou no Reino Unido tem isso? Não podemos curtir o novo e o gringo enquanto festejamos a nossa herança maravilhosa?

Daí dirigi para casa pensando nisso e no Fantástico da Globo (pode revirar os olhos) vi um programa sobre Nelson Rodrigues fazendo isso... Discutindo e rindo e analisando a obra. Falei na hora com meu hubs: 'Isso deveria estar acontecendo lá na Bienal!

Meu filho, por exemplo, ficou mega-super-feliz de conseguir autógrafo e bate-papo com os gamers de minecraft que ele gosta. É menino do século 21, faz parte do universo dele. E faz parte da minha responsabilidade ensinar que a Bienal é uma experiência plural, que não é só comprar: é ver os livros da mamãe, ver os ídolos, pegar fila, autógrafos e por fim, comprar o que não se encontra facilmente fora da feira.
Mas queria ter mais para ensinar.
Pena...

Para terminar, aqui estão meus achados.


Isso mesmo! 2 cru-crus


500 páginas, R$ 29,00.
Sabe por quanto sairia se eu fosse fazer um livro assim? 
Muitas vezes esse valor.

Vamos que vamos,
Ainda temos uma semana inteirinha de Bienal...
Ueba!!!

UPDATE: NA Bienal de 2019 terei lançamento de LIVRO NOVO!