& Moira Bianchi: cartas
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Lady Susan, de Jane Austen, em números

 Olá!

tenho procrastinado nos estudos de Lady Susan, mas eu persisto!


Enquanto eu preparava o post grande sobre os personagens (exceto Susan que ganhou seu próprio post), senti necessidade de uma lista das cartas. Uma vez fazendo a lista, vi necessidade de listar o tipo de carta. Depois o tamanho, e tal e tal.

Então, aqui está um post dedicado aos números de Lady Susan.

PA Wille - Portrait of a woman reading a letter - 1776

são 41 cartas, veja a lista:

I -         Lady Susan Vernon para Sr. Vernon

II -       Lady Susan Vernon para Sra. Johnson

III -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

IV -     Sr. de Courcy para Sra. Vernon

V -     Lady Susan Vernon para Sra. Johnson

VI -     Sra. Vernon para Sr. de Courcy

VII -     Lady Susan Vernon para Sra. Johnson

VIII -     Sra. vernon para Lady de Courcy

IX -     Sra. Johnson para Lady S. Vernon

X -     Lady Susan Vernon para Sra. Johnson

XI -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XII -     Sir Reginald de Courcy para seu filho

XIII -     Lady de Courcy para Sra. Vernon

XIV -     Sr. de courcy para Sir Reginald

XV -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XVI -     Lady Susan para Sra. Johnson

XVII -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XVIII –     da mesma para a mesma

XIX -     Lady Susan para Sra. Johnson

XX -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XXI –     Srta. Vernon para Sr. de Courcy

XXII -     Lady Susan para Sra. Johnson

XXIII -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XXIV –     da mesma para a mesma

XXV -     Lady Susan para Sra. Johnson

XXVI -     Sra. Johnson para Lady Susan

XXVII -     Sra. Vernon para Lady de Courcy

XXVIII -     Sra. Johnson para Lady Susan

XXIX -     Lady Susan Vernon para Sra. Johnson

XXX -     Lady Susan Vernon para Sr. de Courcy

XXXI -     Lady Susan para Sra. Johnson

XXXII -     Sra. Johnson para Lady Susan

XXXIII -     Lady Susan para Sra. Johnson

XXXIV -     Sr. de Courcy para Lady susan

XXXV -     Lady Susan para Sr. de Courcy

XXXVI -     Sr. de Courcy para Lady Susan

XXXVII -     Lady Susan para Sr. de Courcy

XXXVIII -     Sra. Johnson para Lady Susan Vernon

XXXIX -     Lady Susan para Sra. Johnson

XL -             Lady de Courcy para Sra. Vernon

XLI -             Sra. Vernon para Lady de Courcy

mais detalhadamente:



Note que algumas estão marcadas com * porque essas cartas são consideradas proibidas pelas regras de etiqueta e bom comportamento. Eu já falei de regras aqui e aqui, mas em resumo, uma mulher só poderia se corresponder com um homem se ele fosse:

  • da família,
  • um profissional (advogado, banqueiro, etc),
  • marido,
  • noivo.

Mas tanto mãe quanto filha enviam cartas para Reginald de Courcy, o herói de bom caráter e altamente manipulável.

Analisando quem fala mais - e por isso controla a narrativa, temos Catherine Vernon, a principal antagonista de Lady Susan.


Porém, Susan envia e recebe mais cartas.


Também vale a pena saber que a maior carta é de Catherine (contando para a mãe que a vaca foi para o brejo) e a menor de Reginald (terminando tudo com a vaca a noiva secreta, Susan).



Que tal? Interessante?

Eu adoro esse tipo de estudo das obras de Jane Austen porque me ajuda a entender melhor a trama e o processo criativo dela.

VM Corcos (1a metade sec XX) - Signora in nero
.

para mais detalhes sobre Lady Susan, veja aqui

fontes: original de Austen e meus arquivos pessoais


Está gostando de saber dos detalhes desta obra de Jane Austen?
Tenho muito mais guardado para te contar!

Se você ainda não viu, aqui estão minhas pesquisas de Austen Nation e pesquisas históricas aqui.

LINKS para Lady Susan

Bjs, e até mais!

M.


Garanta seu BOX DE LIVROS DA JUVENÍLIA

antes que esse projeto chegue ao fim!



terça-feira, 19 de outubro de 2021

Uma carta de luto de Charlotte Bronte

 olá!

Hoje me aconteceu DE NOVO uma coisa deliciosa que GRAÇAS AO BOM DEUS, me acontece sempre:

achar fontes primárias


Te explico o passo-a-passo:

1- Eu estava passeando no Pinterest

2- Achei uma imagem linda de mulheres se ajudando a vestir, pinturas do século 19

3- Salvei no meu painel do próximo volume da série Cupidos em Devon

4- Achei mais uma imagem de mulheres se ajudando, salvei no painel 1855 

5- Mais uma. Salvei também

6- Pensei em fazer um post no Instagram falando do amor de irmãs

7- Comecei a catar quotes das irmãs Brontë

8- Depois parti para Austen

9- Achei um quote que não existia no canon de Austen

10- Descobri que era FAKE QUOTE

11- Fiz um post sobre fake quotes

12- Voltei às Brontë e achei isso!...

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CARTAS DE LUTO DE CHARLOTTE BRONTË

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Ah, que maravilha!

Eu não comemoro o luto da diva, mas o registro preservado

daguerreótipo dito ser de C.B. (não confirmado) - 1855


Scans das cartas originais em papel de luto, uma moda linda e fofa e delicada e polida da era Vitoriana de avisar, logo de cara, que o remetente estava sofrendo. Olha uma delas:

british library


Era assim o papel que Charlotte usou.



Uma folha (talvez o nosso A4) dobrada ao meio fazendo 4 páginas de carta. A 'capa' tinha borda preta sinalizando o luto.

Olha essa da Rainha Victoria (depois do falecimento do príncipe Albert). Tem até o brasão do Castelo de Balmoral, que eles compraram no início do casamento e levaram um tempão reformando.

brifging the unbridgeable


A regrinha valia inclusive nos envelopes, frente e verso.

19th century paper doll blog

Quanto mais grossa a borda, mais profundo era o luto que a pessoa passava.

ephemera society

E as cartas de Charlotte Brontë 

estão disponíveis no maravilhoso site da British Library.

Aqui te trago uma delas, no original e traduzida por mim mesma.



TRADUZIDA

2. Cliff. Scarbro '

4 de junho / 49

meu caro senhor

Mal sei o que disse da última vez que escrevi - estava então febril e exausta - agora estou melhor e - creio - bastante calma.

Você foi informado da morte de minha querida irmã Anne - deixe-me agora acrescentar que ela morreu sem muito resistir - resignada - confiando em Deus - agradecida por ter sido libertada de uma vida de sofrimento - profundamente segura de que uma existência melhor estava diante dela - ela acreditava - ela esperava e declarou sua fé e esperança com seu último suspiro. - O silêncio dela - sua morte cristã não aquietou meu coração como no fim sério, simples e quieto de Emily. Eu deixei Anne ir para Deus e senti que Ele tinha o direito de tê-la, mas mal pude deixar Emily ir - eu a quis segurá-la e a quero de volta agora - Anne, desde sua infância parecia se preparar para uma morte prematura. O espírito de Emily parecia forte o suficiente para carregá-la pelos anos completos - Ambas se foram - e também o pobre Branwell - e papai agora só tem a mim - a mais fraca - a mais decrépita - a menos promissora de seus seis filhos - A tuberculose levou todos os cinco .

Por ora, as cinzas de Anne descansam separadas das outras - enterrei-a aqui em Scarbro' para poupar papai da angústia do retorno e de um terceiro funeral.

Recebo ordens de ficar um pouco à beira-mar - não posso descansar aqui, mas também não posso voltar para casa - Possivelmente não tornarei a escrever logo - não atribuo meu silêncio nem à doença, nem à negligência. Nenhuma carta vai me encontrar em Scarbro' depois do dia 7 e eu não sei qual será meu próximo endereço - irei vagar uma ou duas semanas na costa leste e apenas pararei em lugares solitários e silenciosos - Ninguém precisa ficar ansioso por mim, Pelo que eu sei - Amigos e conhecidos parecem pensar que este é o pior momento de sofrimento - eles estão redondamente enganados - Anne repousa agora - o que foram as longas horas desoladas por sua dor paciente e rápida decadência?

Por que a vida é tão vazia, breve e amarga, não sei - Por que mais jovens e muito melhores do que eu são arrancados dela deixando projetos não realizados, eu não consigo compreender - mas acredito que Deus é sábio - perfeito - misericordioso.

- Ela amava Scarbro' - um sol pacífico dourou sua noite.

Sinceramente,

C Brontë


ORIGINAL

2. Cliff. Scarbro'

June 4th /49

My dear Sir

I hardly know what I said when I wrote last - I was then feverish and exhausted - I am now better and - I believe - quite calm.

You have been informed of my dear sister Anne's death - let me now add that she died without severe struggle - resigned - trusting in God - thankful for release from a suffering life - deeply assured that a better existence lay before her - she believed - she hoped, and declared her belief and hope with her last breath. - Her quiet - Christian death did not rend my heart as Emily's stern, simple, undemonstrative end did - I let Anne go to God and felt He had a right to her I could hardly let Emily go - I wanted to hold her back then - and I want her back hourly now - Anne, from her childhood seemed preparing for an early death. Emily's spirit seemed strong enough to bear her to fulness of years - They are both gone - and so is poor Branwell - and Papa has now me only - the weakest - puniest - least promising of his six children - Consumption has taken the whole five.

For the present Anne's ashes rest apart from the others - I have buried her here at Scarbro' to save Papa the anguish of the return and a third funeral.

I am ordered to remain at the sea-side a while - I cannot rest here but neither can I go home - Possibly I may not write again soon - attribute my silence neither to illness nor negligence. No letters will find me at Scarbro' after the 7th at I do not know what my next address will be - I shall wander a week or two on the east coast and only stop at quiet lonely places - No one need be anxious about me as far as I know - Friends and acquaintance seem to think this the worst time of suffering - they are sorely mistaken - Anne reposes now - what have the long desolate hours of her patient pain and fast decay been ?

Why life is so blank, brief and bitter I do not know - Why younger and far better than I are snatched from it with projects unfulfilled I cannot comprehend - but I believe God is wise - perfect - merciful .

I have heard from Papa - he and the servants knew when they parted from Anne they would see her no more - all try to be resigned - I knew it likewise and I wanted her to die where she would be happiest - She loved Scarbro' - a peaceful sun gilded her evening .

Yours sincerely

C Brontë



Que tal?

Ah, vou mergulhar nas pesquisas para acabar o meu DUQUE que vai sair neste Natal.

bj


Venha aqui para outras pesquisas históricas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Vauxhall e outros Jardins para o deleite no século XIX

Olá!
Hoje estamos muito animadas, eu e minha partner Lucy Dib, por comunicar o lançamento de nosso livro 'CARTAS À DORA', um amor conquistado letra a letra E escrito a 4 mãos.
romance histórico participando do PRÊMIO KINDLE DE LITERATURA
Para Dora, a sortuda que recebe cartas anônimas galantes e instigantes, tudo começa em sua primeira visita aos Jardins de Vauxhall. Muitas atividades, música, gente bonita, divertimento, fogos e ela nem notou estar sendo observada...
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andrea p
Mas o que exatamente era o Vauxhall? E um 'pleasure garden'?

Vamos por partes.

Em tradução literal, JARDIM DE PRAZER, me parece um tanto grosseiro, tento achar termo mais polido. No dicionário, prazer tem como sinônimos (no sentido de 'festejar' como era o caso): júbilo, regalo, contentamento, deleite. Acho esse termo bacana.


JARDINS para o DELEITE, era bem o objetivo dessa empreitada. Um comércio como muitos, nossas casas de festas atuais, talvez mais para uma rave ou festival como o Rock in Rio onde várias coisas acontecem ao mesmo tempo, tudo voltado para o entretenimento.
O objetivo principal era deixar o visitante feliz. Então era...
Acredito que sim.

Além de Vauxhall, o mais famoso, existiram quase 70 jardins para o deleite na Inglaterra de meados do século XVII a meados do século XIX, eram muito populares. Também foram copiados na América - a Colônia Rebelde de onde Dora veio, e pela Europa.
Quando em Bath, Jane Austen morou perto de um, o Sydney Gardens que ainda existe e está aberto a visitação, mas sem as festanças.
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Durante a 'temporada elegante' quando Londres ficava lotada não só de seus moradores, mas todos os proprietários ricos e nobres que inundavam a capital do Reino seguindo o funcionamento do Parlamento, havia muita atividade social. 
Isso era, geralmente, de Novembro a Maio, mais ou menos. Anos mais quentes, anos mais frios - isso quer dizer que os eventos para entreter esse pessoal todo deveria prover conforto ambiental - aquecimento ou frescor. E como muita gente vivia no interior ou tinha casas de campo, suportar o fedor de Londres era dureza... Aí os Jardins ganham sucesso.
E funcionava quando? Na primavera quando já começa a ficar mais quente, os Jardins já estavam abertos para arrebanhar esses visitantes e seus tostões $.
As moças solteiras precisavam casar, os rapazes solteiros precisavam achar esposas, os homens gostavam de passear de braços dados com suas bonitas esposas mostrando seu sucesso na vida em roupas e acessórios, carruagens, cavalos, e ainda fariam negócios estreitando amizades. Todo mundo precisava estar na vitrine, ver e ser visto. Para isso, com a concorrência, quanto mais extravagante o evento, melhor.
Antes do puritanismo exacerbado iniciado pelo casamento da Rainha Victoria com Príncipe Albert de Saxe-Coburg e levado aos extremos com o luto infinito dela, as pessoas eram bem... saidinhas nas baladas.
Os jardins para o deleite eram amostras disso.


After Thomas Rowlandson, Dr Syntax at Vauxhall Gardens, engraving, 1817, Private Collection
pic de Foundling Museum

Veja nessa imagem de Vauxhall que um grupo faz refeição em uma cabine - nota-se que existem outras no andar de cima - enquanto outro grupo passeia conversando animadamente. Tudo-ao-mesmo-tempo-agora.

Já nessa, vemos a orquestra, cavalheiros, damas, oficiais do exército assistindo -até empoleirados na árvore para ver melhor- enquanto um ladino rouba o bolso dos distraídos à esquerda. 

Vauxhall ficava em Kennington, localidade de Lambeth na margem Sul do Tâmisa e a princípio se chegava de barco até ser construída uma ponte em 1810, quando o lugar já funcionava há várias décadas. 

Diz-se que muito do que conhecemos hoje de apreciação de arte contemporânea vem dessas wild nights de Vauxhall. A intenção era oferecer um refresco da cidade lotada e mal-cheirosa estimulando os sentidos: olfato, audição, visão, coração, libido...

De tão famoso, o Vauxhall virou sinônimo para Jardins de deleite. Lá eram lançadas modas de todas as naturezas: vestimentas, artes, comportamento...
Haviam músicos, cantores, pintores, escultores residentes e os convidados que se apresentavam em coretos erigidos de forma que todos à volta tivessem acesso visual e pudessem fazer pedidos especiais.
Exposições de arte dando acesso a todas as pessoas – que pudessem pagar a entrada. Quem tinha fundos comprava tiket anual (como os parques da Disney hoje em dia, acredito), semestral ou só para a visita daquele dia.
As entradas eram medalhões banhados a ouro (permanente), prata, latão... Um phynno, né?
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Podia-se reservar um box logo que entrava – abria por volta das 17hs e já encomendar o jantar que era pago à parte. Vauxhall era famoso por seus cortes finíssimos para os frios, por exemplo. (o que era motivo de piada, como o péssimo lanche oferecido nos concorridos bailes Almack's)

Os Sampsons, tutores de Dora no ‘Cartas à Dora’, eram falidos. Provavelmente abririam mão do luxo de jantar enquanto os lampiões a óleo dos postes dos jardins eram acessos e passariam a visita vagando pelos belos canteiros retangulares  de sicômoros, ulmeiros e limas. Imagine o perfume no ar?...
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alquimia das árvores
E imagine encontrar seu contatinho sob um Olmo?...

Fora as flores, esculturas espalhadas, passeios de gôndola, pavilhões e shows...
Isso era a fama de Vauxhall.

Música 
instrumental e cantores – era o básico, mas havia teatro, dança, balonismo, números circenses.
Dora, recém-chegada em Londres vinda de Boston, provavelmente viu o espetáculo da Francesa Madame Saqui, dançarina e equilibrista da corda bamba. A longa corda era esticada bem alto para que ela se exibisse aos olhos maravilhados e no final, ela corria enquanto música e fogos de artifício explodiam. Imagine que estupendo!


Mais tarde, na época dos ‘Cupidos em Devon’, Juba foi a sensação nas apresentações. O negro americano dançava bem e rápido, fazia os expectadores pensarem que ele ‘tinha oito pés’ como diz o ‘The Illustrated London News’ de Agosto de 1848.

Acontecimentos corriqueiros eram os ‘Masquerades’, bailes de gala que aparecerão nos ‘Cupidos em Devon’ com muita importância. Já em Eclipse do Coração, o Masquerade é evento pivotante da história de Pauline e Cary Devon. Mais tarde falamos disso.
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museum of London
Ah, a ressaca!...
Moral & física, sempre um terror!

Vauxhall, como todos os Jardins para o deleite, era um lugar devotado à exuberância, a maravilhar o expectador mostrando o exótico, o novo. A tarde com as luzes naturais do entardecer era lugar de famílias, apreciação das artes. À noite quando os postes eram acesos, virava era terra-de-ninguém! Flertes, festas de arromba, pequenos furtos e até avanços amorosos indesejados. Imagine um jardim à noite?

Claro, Vauxhall tinha muitos criados, garçons, responsáveis pelas latrinas públicas (é, isso também... Como nas pontes sobre o Tâmisa na idade média, era um banco comprido com vários buracos onde uma pessoa poderia até bater papo com um amigo enquanto fazia suas necessidades. Viu, miga?), mas criados particulares só eram aceitos no Jardim com roupas normais, as melhores que tinham. Era uma exigência dos donos que faziam questão de que ninguém se sentisse inferiorizado ali que era lugar para hedonismo geral.
Mas tinha seguranças? Sim, mas não era polícia. Hoje em dia não acontece tudo isso em eventos como mencionei acima? Mesma coisa.

Em suma, visitar o Vauxhall era uma experiência sensorial e sensual quando todas as suas sensações eram estimuladas. Perfumes, pessoas bonitas em belas roupas, fofocas, música, arte, fogos, shows, comida, bebida... 
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pinterest

Entende como esse cenário atuou no encantamento que fez ‘M’ enviar cartas anônimas à garota que ele nunca havia visto? Imagine ver Dora, uma garota bonita, cochichando com um chihuahua em meio aos fogos em uma festa generalizada?... Irresistível, não é?
queima de fogos no fim da noite? Disney, much?


Jardins para o deleite e Vauxhall são assunto para post e papo infinito, fiz uma pegada geral. Ainda tem curiosidade? 
O blog Romances Históricos tem mil dados interessantes como preço comparado com pratos populares e a encenação da batalha de Waterloo, tão importante no 'Eclipse do Coração', vem ver. 
O blog Austenonly fez algumas reviews de livros sobre Vauxhall.
O site dos autores de Vauxhall Gardens, a history tem muita informação específica, visite. O livro é uma beleza.


E aqui está 
contando a história de amor que começa nesse lugar mágico.

bj, 
até

domingo, 26 de agosto de 2018

Cartas em 1800, whatsapps hoje

Olá,
eu e minha partner in crime, Lucy Dib, estamos nos últimos preparativos para lançar nosso ROMANCE HISTÓRICO 'CARTAS à DORA' e isso me faz pensar muito na importância das cartas na época que situamos nosso livro, a segunda década do século XIX.
Kilburne - Penning a letter
wiki
Como sabem, eu não consigo deixar Jane Austen em paz - é um vício - então cá estou na Regência, os anos em que a Inglaterra foi governada pelo Príncipe gorducho e beberrão devido à doença de seu pai, o rei George III.
Lucy também não vai muito longe de Austen, achei mais uma metade dessa minha grande laranja literária!
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national trust colletion
Apesar de ser pouco querido, motivo de infindáveis piadas e viver em difícil convivência com a Ton (nem sabemos o que é ser governado por alguém assim, né?), o Príncipe George foi responsável por várias reformas bacanas em seus anos de governo - como regente e como rei depois da morte de seu pai.
Austen dedicou Emma ele - com certa má vontade - já que o gorducho comilão era seu fã (como eu e a torcida do Flamengo). Há até recibo de pré-venda. Ele encomendou Emma antes de ser publicado, sabia?
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carrybeans feat info salons group
Mas quero falar de cartas, tão absolutamente importantes - tão comuns nos séculos passados como nós mandamos mensagens de whatsapp hoje. Eram torpedos uns anos atrás quando lancei '45 dias na Europa com Sr Darcy' e e-mails... E perceba: eram consideradas rápidas, seguras, reservadas e sigilosas. 

Austen deixou muitas cartas, trocava com vários parentes e amigos. Estão editadas em livros bacanas ou disponíveis no Gutenberg para quem quiser 'ouvir' mais dela e suas observações mordazes de sua vidinha mundana da Era Regencial.


gutenberg
Uma amiga já me perguntou: 'O que acha de Cassandra? Não gosto dela! Queimou as cartas de Jane, como pôde?'

Nem respondi, acho. 
Cassandra (a irmã de Jane) estava no seu direito já que eram comunicações sigilosas entre as duas. 
Esse costume, aliás, era muito corriqueiro assim como mantemos senha em nossos telefones, deletamos e-mails e limpamos conversas de whatsapp. Sei, está sorrindo pq faz isso de vez em quando, certo?  
Cartas guardadas em um baús poderiam ser encontradas e lidas, Lembra do Primo Basílio? Em nosso livro Cartas à Dora, o misterioso 'M' que envia cartas anônimas à moçoila, tem esse hábito de queimar documentos... 
Woman Reading a Love Letter by Auguste Toulmouche
Nesta crônica no link, o Jane Austen World chama atenção para um detalhe de Lydia e Kitty de Orgulho e Preconceito que eu nunca havia notado. 
Não sei como pode isso: tantas vezes já li, vi, esmiucei, sonhei, adaptei e TODO DIA descubro novidades em O&P. Enfim, a crônica fala de UM CÓDIGO entre as irmãs: sublinhar trechos. O que esses significariam? 
Provavelmente importância, como hoje em dia?
Ou segredo secretíssimo?
Seria o que Jane e Cassandra usavam e por isso tantas cartas foram queimadas?
Corri na minha estante e tirei meu livro - em pesquisas gosto de usar o livro de papel para sublinhar e deixar um post it coladinho. peguei minha edição bilíngue que ganhei de uma amiga queridíssima, e olhe o que achei na tradução:
Acho que a tradutora LEU AS CARTAS DE LYDIA para saber o que ela contava! ahahaha Conhecendo Lydia, nem duvido do conteúdo!
Mas Austen disse 'cartas muito cheias de linhas sob as palavras, para ser feitas públicas'. Hmmm, fiquei pensando... 

Quantos segredos haviam escondidos nas cartas, huh?
Um simples billet doux podia ser uma carta bomba!
Poucas linhas e... boom! Acabou com sua vida! Uma ameaça, um segredo, uma proposta!
Um spoiler!
Para bom entendedor...
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etsy
Cartas eram coisa tão corriqueira que romances eram escritos em forma de missivas - são os chamados EPISTOLARES. (Epístola vem do grego antigo 'mensagem', 'ordem escrita'. Texto escrito em forma de carta, para ser correspondido a uma ou nenhuma, mas se distinguindo desta por expressar opiniões, manifestos, e discussões para além de questões ou interesses. Wikipedia) Meu favorito absoluto é Lady Susan, mas Evelina é o máximo! E tantos outros como Drácula; e os que são desenvolvidos através de cartas como Nunca te vi, sempre te amei e... Cartas à Dora ! Meio epistolar, meio narrativa.

Eu sempre adorei cartas - papel, envelope, selo, correio... Adoro! Tive PENPALS pelo mundo na adolescência - ainda tenho até hoje, são mais de 30 anos de amizade! Éramos estudantes, hoje sou arquiteta e escritora, meu amigo é desembargador no tribunal da União Europeia.
Imagine o valor das cartas quando não havia outra maneira de comunicação?
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The Love Letter Painting by Jessie Elliot Gorst
A CARTA EM SI:
Era caro!
Boas penas custavam grana, especialmente de ganso que eram consideradas melhores. A pessoa tinha que apontar com um canivete ou faquinha de maneira a segurar a quantidade certa de tinta (ponta grossa ou fina?). Lembra de Miss Bingley se oferecendo para apontar a pena de Mr. Darcy? Tenho que rir pq, ó, q piriguete! Nem tenho coragem de escrever isso hoje em dia! hahaha
Se a pessoa morava no campo, poderia quebrar um galho com penas das aves de casa, mas a qualidade...
Ponteiras de metal eram ainda mais caras e difíceis de encontrar. Ah, se houvesse um comerciante interessado em expandir esse negócio... *spoiler alert*

Papel, nem se fala. Era bem caro, mesmo mesmo. Já viu aquelas lindas maravilhosas cartas de Austen em que ela escrevia primeiro na horizontal certinho, mas como o assunto não acabava ela continuava na vertical por cima do que já tinha escrito? hihihi Genial!
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jane austen world
Antes do mata-borrão (aquele pesinho de rolar sobre o que estava escrito para ajudar a secar a tinta), a pessoa tinha que espalhar areia, esperar um pouquinho, recolher, soprar.
Daí dobrar porque não usavam envelope e lá ia mais uma folha como proteção. Mais $. Tem um monte de sites e videos ensinando a dobrar como na época, um loosho. 
Depois vinha o chique: selo de cera. 
Sinete com seu brasão - ou da família, bastão de cera, algum jeito para não fazer sujeira e pronto.
Olha esse video: ensina a fazer com lápis cera e tubete de festa infantil. Já vi lindos com moldes feitos de cola quente.


O misterioso 'M' enlouquece a pobre Dora usando sinetes diferentes e até, olhem que homem é esse, alternando cores de cera!

Então, se você recebesse uma carta gorda era sinal que: 
1- o remetente era rico pois tinha fundos para muito papel, tinta e pena;
2- o remetente era culto pois conseguia compor longo texto;
3- você tinha meios ($) pois antes do 'Penny Post' era o destinatário quem pagava para receber. Igualzinho ao nosso início dos celelulares;
4- Quanto maior o carta, mais cara.


Era melhor ser conciso e discreto.

Entende porque 'a carta' de Mr.  Darcy em O&P é AQUILO TUDO? Ele entregou em mãos, planejava fazê-lo, de forma que não contava em fazer a moçoila pagar para receber, maaaas escreveu a esmo, botou o coração para fora, gastou $$$ com Lizzy. 
Ele é O CARA, como o mocinho diz no meu conto 'Pera, uva, maçã ou salada mista?' no 'Querida Jane Austen'.
Esse link tem mais um mooonte de detalhes bacanas sobre os práticos das cartas.


A ETIQUETA:
Como, na época, era o meio mais comum de comunicação, era também forma de apresentação. Pela maneira como se expressava, uma pessoa tinha avaliadas sua cortesia, cultura, traquejo social e 'noção' - ah se fosse assim ainda hoje!... imagine como seriam diferentes os posts no facebook?
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A Girl reading a letter by Candlelight, with a Young Man peering over her shoulder
by Joseph Wright of Derby
Para quem tinha dúvidas -e dívidas-, haviam os manuais de correspondências com exemplos para serem copiados. Nessa época, os manuais começavam a se popularizar; quando chega nas meninas Devon da minha série Cupidos em Devon - uns 50 anos à frente - aí existia manual para tudo! E como elas são trabalhadas na mutretagem, isso vai dar o que falar.


Não que Dora seja santa...
Ou que lhe faltem amigas...
Nem tramoias...
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Vittorio Reggianini, 'The Letter'
Dora poderia até ensinar umas mutretas para as meninas Devon, acho...Voltando...

Na Regência, época de Dora e o misterioso M, uma moça solteira só poderia falar com um rapaz se fosse formalmente apresentada a ele - quem não lembra do fofo Mr. Tilney virando o Pump room de Bath do avesso para ser apresentado a Catherine Morland? 
Se para falar com um rapaz ela precisava ser apresentada E estar acompanhada SEMPRE, imagine trocar correspondências (sigilosas) com um ser do sexo oposto? Não mesmo!

Correspondências eram trocadas entre 
parentes, 
moças que tinham alguma intimidade, 
homens de negócios (ou fazendo negócios) e 
no caso de noivos, as adoráveis cartas de amor.
Related image
Leonid Osipovich Pasternak, The Passion of Creation, c. 1880s
Mas se eram PROIBIDAS para trocar com contatinhos, ninguém fazia, né?
Aham.
NINGUÉM mandava carta para um paramour combinando encontros ou fazendo juras de amor.
Não...
'Eclipse do coração' começa com uma charada assim, como amantes poderiam se comunicar se um deles deverá viajar para longe? Dúvida cruel...
Princess Elizabeth by Sir William Beechey
E em 'Cartas à Dora', se são 'CARTAS ANÔNIMAS' que 'M' manda para Dora, como eles fazem para se comunicar sem destruir com a reputação da moça?


Já falei de mutretas?
Ih, melhor parar ou lá vou eu soltar spoilers...
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pinterest

bjs