& Moira Bianchi

terça-feira, 23 de junho de 2020

Festa Junina online! Alavantu!

Olá, amanhã teremos Festa Junina!
Ué, pode? E a quarentena?

Pooode, sô!

É um grupo muito bacana do Facebook, todo mês temos desafios, leituras coletivas, leituras temáticas...
Esse ano, como tudo está diferente, só podemos mesmo aproveitar para brincar online, comer umas gostosuras em casa e postar para ganhar brindes! 

Então vamos para o Arraiá!

Fiquei de abrir a festa no CLC, quarta dia 24/06, dia de São João.
Começa às 10hs e a cada 15min teremos uma nova brincadeira valendo marcadores, mimos e até livros!

Olha como será:
- Pula fogueira: cite um personagem que precisa de um sacode tipo 'acorda pra cuspir'!

chumbo gordo
- Jogo das argolas: personagem, herói ou vilão, BOM (de grande... caráter, bem dotado). Não esqueça de dizer personagem + livro + autor pra dar dica prazamigas

blog best play
- Maçã na água: personagem que se lambuzou toda no amor

istock
- Corrida da colher: personagem que deu duro pra se manter firme até achar o final feliz

deposit
- Corrida de três pernas: livro com amigas de fé, irmãs camaradas

young emp
- Correio elegante: mande uma cartinha pra um personagem do último livro que vc leu
mensagens com amor
- Gincana: poste foto/imagem de livro que tenha (no plot, cena, capa)
* leque
* herança
* beijo roubado
* bullying
* viagem no tempo
* café ou chá
* vinho, vodca, cerveja

vipzinho
- Quadrilha: poste um livro de máfia, ladrões, gangues, galera junta por um objetivo (nem sempre do bem...)

toda materia
- Barraca do beijo: pra encerrar, nesse CLÁSSICO, cite frase que por si só já identifica um livro/filme clássico. 


Que tal? Animou?
Vou postar no grupo, uma por uma! Vai juntando seu arsenal e entra na brincadeira conosco!
digitalks

E sabe do que? 
Comentários AQUI também vão valer para o sorteio das prendas!

bj

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Entendendo o apelo do horror: violência, sexo e ameaças

Olá!
Há quase 2 anos fiz uma pesquisa sobre o apelo de fantasias eróticas perigosas. No post 'Entendendo fantasias sexuais proibidas: violentas e ameaçadoras' expliquei o que aprendi:
tudo se baseia em poder
Obra baseada em Carmilla, de Sheridan le Fanu, do wiki

O poder que temos de mudar de canal, fechar o livro, sair do cinema. 
Mesmo para vítimas de violência sexual, talvez mais ainda nestes casos, o controle é o fator mais importante. Não se deixe levar por este resumo simplório, leia o post cheio de referências e fontes bibliográficas. 
Na época, minha pesquisa veio especificamente da minha incapacidade de entender porque o gênero 'vanilla porn' fazia tanto sucesso; agora venho fazer outra pesquisa devido a uma complicada correlação de fatores literários que me levam a entender a nova modinha como horror.
Gênero super popular nas artes com exponentes como Stephen King e Zé do Caixão, o horror movimenta zilhões $$ todo ano. 
Mas, péra, do que raios eu estou falando? 
De onde eu tirei o 'horror'?
Te conto.
poster de Misery de D Litzinger 

Há pouco eu li '1984' de cabo-a-rabo pela primeira vez. Apesar de comparar com 'Admirável mundo novo' (que eu adoro), percebi e dei valor merecido a todas as referências com a nossa vida atual, quase um século depois que Orwell escreveu a crítica ao socialismo. Da 'think police' à 'reescrita de todas as notícias do passado', vivemos a era do Big Brother. Se você leu, sabe que todos são pegos pelo sistema, cedo ou tarde, por um deslize ou outro. E quando é capturado, você conta o que sabe até chegar na maior crueldade possível para o ser humano, para cada ser humano.
Sala 101
pinterest
Qual é o seu maior medo? 
Pode não ser o meu.
O meu é encarceramento e violência sexual. 
e, olha veja só...
Justo o tema do momento agora.
we heart it

Pesquisei então o apelo do gênero do horror - que é diferente do que é chamado de terror na linga inglesa, tipo terrorismo 11 de setembro. Já li Stephen King e adorei. Já abandonei outro título dele por medo, confesso. Acho mesmo que o cara escreve bem a este ponto. Curto Neil Gaiman, transo bem. Filmes não são minha praia. Mas são de muita gente!
Sara Roncero Menendez definiu assim (e eu gostei muito): "Os leitores têm suas próprias razões para mergulhar no escuro das estórias de horror. Talvez eles gostem da adrenalina, ou talvez tenham nascido sem medo e nada os sacuda. Talvez seja terapêutico, ou talvez seja a definição deles de diversão."
Livros de terror/horror podem apresentar  criaturas típicas como vampiros, lobisomens, fantasmas com muito sangue e carne exposta; pode ter atmosfera gótica - e até humor- carregada; pode ser sobre medo em si. Mas é um erro achar que todo horror é projetado para fazer você se sentir inquieto ou deixá-lo acordado à noite, temendo todos os rangidos, gemidos e luzes tremelicantes, já que, e aqui está a chave da coisa toda, o mais importante é que tudo é superável e passível de sobrevivência.
Viu porque adorei ler a explicação de Menendez?
Tudo se baseia em poder.
giphy

Explico...
Ela continua falando o óbvio, vários personagens de histórias de terror/horror morrem, até ficamos com pena, veja só! Mas a grande maioria sobrevive! O bem vence o mal. Há luz no fim do túnel. Vamos sair da quarentena. (Vai ser engraçado ler isso daqui há um tempo...) 
Então, por vias tortuosas, na dureza do sofrimento, ler esse gênero é escapismo. "O livro pede que você siga as jornadas emocionais e físicas dos personagens para sentir o que eles estão passando, ou para ficar justaposto às coisas horríveis que eles estão fazendo ou vendo. No final, pode parecer que você esteve no inferno e voltou, o que pode não ser "divertido", mas ainda é gratificante, enriquecedor e instigante." Entendeu? Através do personagem, você enfrentou os raios e sobreviveu!
Aleluia!!!

Romances também servem pra isso, né, Mr Darcy?

E o controle, o poder?
Tá puxado? 
O inferno da vida tá dificil de encarar? 
Larga o livro, pula um capítulo, lê o fim. 
Você manda!
Um mix de emoções carnudas, tudo muito gostoso de experimentar. Um shot de adrenalina, reações viscerais tipo raiva - ódio - medo - amor - surpresa - terror - repulsa - empatia, tanto para o leitor sentir-se vivo, conquistar demônios, explorar o desconhecido. Merrie de Stefano lista vários tópicos, explica razões para quem, como eu  tenta entender o apelo. No fundo, no fundo, é a necessidade de encher os reservatórios de esperança, provar que podemos sobreviver, satisfação quando o terror é superado, ela diz "PROVA QUE OS DRAGÕES NÃO SÓ EXISTEM, MAS QUE PODEM SER DERROTADOS".

É PELA EMOÇÃO!
pinterest

No Quora, lugar bom de visitar, achei essa explicação: Ler ficção de terror/horror é uma atividade segura. Eu sei que estou seguro, mesmo quando não me sinto seguro. Portanto, as emoções que sinto durante a leitura são emocionantes. (do dicionário: capaz de causar emoção; impressionante ou provoca comoção; comovente). Muitas pessoas também acham que o horror tem um poder catártico. "Catarse" é a purificação e purgação de emoções através da arte. Sigmund Freud diz que é uma maneira de se livrar de nossas "más" emoções.

Mas de toda a minha pesquisa, o que mais adorei, printei, vou laminar pra guardar na carteira e ler todo dia da minha vida é isso:
 "Buscamos histórias que nos dão um lugar para colocar nossos medos. 
 Os livros em particular, (...) histórias que nos assustam, nos perturbam, (...) 
nos deixam desconfortáveis ​​ou que tocam em algum lugar no coração - 
nos dão os meios para explorar as coisas que nos assustam ... 
mas apenas na medida em que nossa imaginação e nossas experiências permitem. 
Elas nos mantêm seguros enquanto nos permitem imaginar que estamos em perigo.

 Afinal, as histórias nunca são sobre o que elas são
sempre há um bolso em algum lugar delas para que possamos
 experimentar nossas próprias emoções, 
nossos próprios medos. 

 Uma caixa no centro de tudo esperando para ser preenchida, 
em algum lugar podemos levantar a tampa e olhar a escuridão... 
e fechá-la novamente quando tivermos o suficiente."

Entendi!
Perfeito!
Muito obrigada, Lou Morgan no The Guardian.
meme generator


E isso tudo com a modinha da vez?

Tenho ouvido tititi de toda sorte, gente dizendo que o novo livro/filme-muito-bom-demais é água com açúcar e gente dizendo que é apologia ao crime & ao momento merda que estamos vivendo.

Como disse, na sala 101, cada um tem seu medo.
mecanix

E convenhamos, vez por outra aparece um sucesso desses sem plot, ou o enredo é muito ruim, ou doido mesmo. Lembra de 9 semanas e 1/2 de amor? Quanto mais sem enredo, mais sexo inverossímil e heróis cafajestes, melhor. Pornô que chama, né?
Mas daí, agora o tema é mais pesado.
Violência mesmo.
Sequestro.
Estupro.
Gaslighting.
Assédio. 
Depois do 'me too' e da 'maria da penha' ainda há espaço pra estupro romanceado? Tem!
susannabirch

praiseworld radio

Deixa eu contar uma estória: moça lindinha tem namorado, mas um bad boy cisma com ela. Certo de que a moça tem que ficar com ele, o bad boy convence a moça que o namorado é inútil, não serve nem para protegê-la. Solteira, o bad boy sequestra a moça para viver, com muito sexo animal, um romance com ela. Até que, não convencida, eles se separam.
Enredo de filme de sucesso em plataforma de streaming inspirado em livro Europeu? Quem me dera... Essa é a história de Liana Bei Friedenbach, mocinha de 16 anos em 2003 em um caso que, vergonhosamente, o facínora foi quem ganhou fama. Pesquise no Google se quiser lembrar, não vou sujar meu blog com o nome deste individuo.
Você vai me dizer: ah! Mas é tudo diferente!
jovem pam

Sim, no filme o facínora é rico, bonito, bem dotado, 
enche a vítima de presentes caros, tem charme. 
click araguaiana

Você vai até repetir a brincadeira: quem me dera sentar num cara desses!
E melhor, você tem o poder de desligar na hora que quiser.
instituto santos dumont

Mas, na real, é a mesma violência hedionda.

jornal de blumenau

O lance é: sabemos diferenciar ficção de realidade?
IPPUR/UFRJ

Isso. Não. É. Romântico.
Isso é horror. 
É terror.
Se você acha que é gostosinho, 
procura ajuda. Rápido.

Pesquisei aqui, aqui, aqui, aqui.





segunda-feira, 8 de junho de 2020

Azul, inspiração no século 19

Olá!
Escrevendo tenho a chance de pesquisar coisas bobas e interessantes, detalhes e costumes. Confesso que quanto mais detalhado e mundano, mais me agrada. 
Ultimamente tenho procurado fontes de pesquisas sobre cores e tingimentos de tintas e têxteis no século 19. Hoje escolhemos por gosto, antigamente as cores em roupas, cortinas, almofadas, forro de carruagem, a escolha era no bolso.

AZUL 

- cor da divindade, inteligência, sinceridade -

Azul é cor popular desde sempre, desde os tempos inomináveis. Na Bíblia, Deus instruiu Moisés a construir a 'arca da aliança' para guardar as tábuas dos 10 mandamentos e o templo para guardar a arca. Tá lá no Êxodo, 26, tudo certinho para fazer as cortinas e véus que protegeriam a arca: "Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que foi mostrado no monte. Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecido azul, roxo e vermelho e mande bordar nele querubins. ... Pendure o véu pelos colchões e coloque atrás do véu na arca da aliança. O véu separado do Lugar Santo do Lugar Santíssimo. ... Para entrar na apresentação faça uma cortina de linho fino trançada e de fios de tecido azul, roxo e vermelho, peça de bordado." Quando a aliança foi quebrada na morte de Jesus na cruz, esse véu foi rasgado. Há fontes que citam a veste de Jesus que a mulher toca buscando cura era azul. Essa passagem é uma das minhas preferidas porque ele sente o toque na roupa e se vira 'vendo' a mulher pela primeira vez (Mateus, 9).

A cor azul representa confiança, lealdade, sinceridade, sabedoria, 
confiança, estabilidade, fé, céu e inteligência
Em muitas culturas e crenças religiosas, é valorizada por 
trazer paz e afastar os maus espíritos.

Em representações, pinturas, imagens, Maria mãe de Jesus é tradicionalmente retratada usando manto. Essa tradição pode ter sua origem no Império Bizantino, por volta de 500 dC, onde o azul era "a cor de uma imperatriz". Uma explicação mais prática para o uso dessa cor é que, na Europa medieval e renascentista, o pigmento azul era derivado da pedra lápis-lazúli importada do Afeganistão, e tinha mais valor que o ouro. Extremamente caro, na arte renascentista italiana, costumava ser reservado para as vestes da Virgem Maria como expressão de devoção e glorificação. 

No Egito, na Grécia, os Árabes, 
todo mundo adorava a cor azul.

A cor mais bonita vinha da planta Indigofera cultivada na Índia. O nome 'índigo' vem daí, a etimologia da palavra. A Índia foi o principal fornecedor de índigo para a Europa desde a era greco-romana, a palavra grega para o corante, indikón significada indiano. Os romanos latinizaram o termo indicum, que passou para o dialeto italiano e, eventualmente, para o inglês como a palavra indigo. Indigofera, a planta, tem ampla família, todas as variações produzem o corante.

Os europeus usavam roupas coloridas de azul com tintura de vegetais até ser substituído pelo índigo mais fino da América que tinha enormes plantações de anil movidas a trabalho escravo. No século 19, corantes e pigmentos azuis sintéticos substituíram gradualmente os pigmentos minerais e corantes sintéticos.

Mas o azul vem de várias fontes:
- pedra lápis-lazúli, minado no Afeganistão por mais de três mil anos, foi usado para jóias e ornamentos, e em pó é usado como pigmento. Quanto mais fino, mais clara a tonalidade da coloração resultante. O ultramarino natural, produzido pela moagem e purificação de lápis-lazúli, foi o melhor pigmento azul disponível na Idade Média e no Renascimento; 
- azurita, comum na Europa e na Ásia, é produzido pelo desgaste dos depósitos de minério de cobre. Em pó é usado como pigmento desde os tempos antigos. A azurita moída costumava ser usada no Renascimento como um substituto para os lápis-lazúli muito mais caro. Faz um azul rico, mas era instável e poderia ficar verde escuro com o tempo;
azul egípcio, o primeiro pigmento artificial, criado no terceiro milênio aC no Egito antigo, moendo areia, cobre e natron e depois aquecendo-os. Era frequentemente usado em pinturas de túmulos e objetos funerários para proteger os mortos em sua vida após a morte;
- cerulean foi criado com óxido de cobre e cobalto e usado para criar uma cor azul celeste. Como o azurita, ele pode desbotar ou ficar verde;
- azul cobalto (cobalto) é usado há séculos para colorir vidro e cerâmica; foi usado para fazer os vitrais azuis profundos das catedrais góticas e porcelana chinesa começando na dinastia T'ang. Em 1799, um químico francês, Louis Jacques Thénard, produziu um pigmento sintético azul cobalto que se tornou imensamente popular entre os pintores;
- índigo é produzido a partir do pastel (Isatis tinctoria) e da anileira (Indigofera tinctoria), comum na Ásia e na África, mas pouco conhecida na Europa até o século XV. Sua importação para a Europa revolucionou a cor da roupa. Quase todo o corante índigo produzido hoje é sintético, mas na época, o processo de obtenção da cor azul escuro das plantas começava na fermentação com uma solução alcalina que endurecia a substância. Era então vendido em pedaços que tinham que ser feitos em pós para ser solúvel em água fervente. Só quando frio e coado, adicionado de cobre e limão, é que recebia os tecidos que ficavam... amarelos. Só depois de retirar desse banho e deixar oxigenar é que reagia e se tornava azul.
- ultramarino sintético, inventado em 1826, tem a mesma composição química que o ultramarino natural, mas é mais vívido porque as partículas são menores e mais uniformes em tamanho, e assim distribuem a luz de maneira mais uniforme;
- anilina. Em 1856, enquanto tentava sintetizar quinino, William H. Perkin, descobriu a malveína (corante roxo vivo) e entrou na indústria produzindo o primeiro corante sintético comercial. Seguiram-se outros corantes de anilina, como fucsina, safranina e indulina. No momento da descoberta da malveína, a anilina era cara. Logo depois, aplicando um método de A. Béchamp de 1854, passou a ser preparada industrialmente o que permitiu a evolução de uma enorme indústria de corantes na Alemanha- hoje BASF, originalmente Badische Anilin- und Soda-Fabrik.



ALGUMAS DICAS PARA DAMAS...

Vitorianas adoravam manuais e guias, bem sabemos. Dentre todos, havia aqueles para escolher e harmonizar cores, como 'Color in Dress' dos irmãos Audsley (1870 UK e USA), 'Hints on Dress', de Ethel Gale (1872- USA), Godey's Lady's Book (1850's- USA), etc . Lá existem várias dicas para damas, veja só:
Azul cabe em qualquer estação, mas...
- é particularmente lisonjeiro para as loiras avermelhadas em suas tonalidades mais profundas e ricas;
- para loiras claras, melhor usar tons mais claros, como céu azul ou turquesa, por fazerem belo contraste com ouro e laranja nos cabelos e na tez dessas damas;
- para aquelas com cabelos castanhos, a cor azul era completamente inadequada;
- para morenas de tez quente e cabelos castanhos escuros ou pretos, um tom de azul "brilhante e forte" era sempre lisonjeiro.
- para as morenas pálidas com pele clara e cabelos castanhos escuros, o melhor eram os tons mais profundos e escuros de azul, quanto mais próximo do preto, mais adequado, por fazer a tez pálida.
- para as mulheres de cabelos ruivos, era totalmente indicado, especialmente o azul mazarine (profundo, quase roxo) pela manhã e um tom um pouco mais claro para o vestido de noite. 

Mais algumas, s'il vous plaît:
- tons de azul podem ser usados ​​a qualquer hora do dia;
- para a noite, na modernidade da iluminação a gás que tira o brilho das belezas, melhor combinar o azul claro com o branco para vestidos de noite;
- os vestidos de noite de azul mais escuro também podem ser combinados com branco ou outro tom claro, como marfim ou creme;
- tonalidades que harmonizam bem com o azul: branco, cinza, laranja, ouro e chocolate. 
A capa do romance passado na era Regencial Inglesa CARTAS À DORA traz um lindo exemplo de azul, 


E o retrato oficial de Austen lançado pela família após sua morte, azul no vestido e fita na touca.


Até a próxima cor!

Bj
M.

Mais estudos dos antigamentes apaixonantes aqui.

Pesquisei aquiaqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui

sábado, 6 de junho de 2020

Vermelho, inspiração no século 19

Olá!
Tenho feito algumas pesquisas sobre cores e tingimentos de tintas e têxteis no século 19. Hoje escolhemos por gosto, antigamente as cores em roupas, cortinas, almofadas, forro de carruagem, a escolha era no bolso.

VERMELHO 

- cor da riqueza, realeza, pecado -

A curadora da exposição 'Red' do Textile Museum de Washington, EUA diz que "quando os espanhóis chegaram ao México em 1500, a cochonilha se tornou a maior exportação do Novo Mundo para a Europa. Os espanhóis colhiam os insetos raspando-os das plantas de cactos e deixando secar. Os insetos secos, que pareciam pequenas bolinhas, eram enviados para a Europa. Os importadores da Europa não sabiam se as bolinhas eram uma fruta, um inseto ou um mineral. Os espanhóis gastaram muito tempo e dificuldade mantendo o segredo para proteger suas fontes".

Aqui sabemos bem da importância do Pau Brasil, nossa primeira riqueza natural a ser explorada por Portugueses, lá em 1500. Foi um milagre achar terras selvagens onde havia abundância da madeira prima da 'sappanwood' ou 'redwood' das Índias (Biancaea sappan) que já custava uma fortuna pq oferecia um vermelho vivo. Além da extração desmedida autorizada pela coroa Portuguesa, o pau Brasil tb aguçava a cobiça de corsários que interceptavam navios para roubar carregamentos inteiros.

Vermelho, por ser tão caro e difícil, era cor de rico. Só usava quem tinha muita grana e em alguns lugares através dos tempos, como no Japão imperial, as pessoas normais eram proibidas de usar a cor.

Por milênios, vestir roupas vermelhas 
expressava legitimação de status social, autoridade política, 
posição religiosa, ancestralidade e identidade cultural.



A prova mais antiga de fios tingidos de vermelho vem do sexto milênio aC na Turquia. Os egípcios embrulhavam suas múmias em panos de linho vermelho, cor ligada a Osíris, governante do submundo. Era cor divina, também cor do ardor, da coragem e do sacrifício. Em batalha, os Espartanos, Persas e Romanos usavam escarlate. Em Roma, o vermelho estava associado a Marte, o deus da guerra, expressava força de vontade e energia; o significado está enraizado na etimologia da palavra - rubrum em Latim. 
O hábito de usar vermelho para fins simbólicos continuou por séculos, compartilhando características semelhantes em toda a Europa.

No século 19, durante o império napoleônico, o vermelho ainda incorporarava o poder, mas foi perdendo importância conforme a sociedade se tornava mais sóbria, permeada por idéias democráticas e valores burgueses. Mal visto, o vermelho tornou-se geralmente associado à aristocracia e aos excessos sexuais, mantendo conotações bastante negativas. 
The naughty maid, L.Knaus - sec 19

Na década de 1870, uma nova geração de vermelhos sintéticos se tornou disponível. O primeiro desses corantes vermelhos foi chamado de alizarina, pigmento vermelho derivado da raiz da garança da espécie Rubia tinctorum. A palavra deriva do árabe al-usara, significando suco. Alizarina também é o nome genérico de uma variedade de corantes modernos, como "Verde Alizarina Cyanina G" e "Azul Brilhante Alizarina R".
Wiki diz que a alizarina era conhecida usada como corante por Tutancâmon (1300 aC), Carlos Magno (750 dC) e vikings (sec 8); raiz de rubia (flor, Rubiaceae) foi popular em corantes até a década de 1860 quando foi reconhecida por Graebe e Liebermann, 1868, como um derivado do antraceno, e posteriormente por estes sintetizada, quando trabalhavam sob Adolf von Baeyer, em um processo de três etapas, vendido posteriormente à então Badische Dye Company (depois BASF), devido ao seu custo e requerimento de bromo. 

Em 1869/70 transformou-se no primeiro pigmento natural a ser sintetizado. Mesmo com as limitadas técnicas do século 19, o pigmento obtido artificialmente tinha a metade do custo do natural, fazendo o mercado de cultivo da planta

Depois, melhores corantes sintéticos foram desenvolvidos. Estes representaram o golpe final para o outrora próspero mercado cochonilha. Bom para o meio ambiente, ao menos! O pau Brasil foi quase extinto pela busca ao vermelho perdido!

Até a próxima cor!
Bj
M.

Mais estudos dos antigamentes apaixonantes aqui.


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