& Moira Bianchi

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Entendendo fantasias sexuais proibidas: violentas e ameaçadoras

olá,
meu Twitter é eclético. Lá, diferente do Facebook, eu sigo perfis de fontes variadas, opiniões conflitantes com as minhas, procuro estar sempre aberta ao contraditório. Adoro.
Por conta dos romances históricos que ando escrevendo, a todo vapor na série CUPIDOS EM DEVON que acabo de lançar o primeiro volume, sigo muitos estudiosos da Era Vitoriana, esse maravilhoso caldeirão de revolução social e industrial.
Um deles é o Meretrizes do Passado, perfil que defende a classe trabalhadora de profissionais do sexo - de ontem, hoje e amanhã. Já li coisas muito interessantes sobre sexualidade, erotismo, sociedade.
E, como é inegável o poder mediúnico do algoritmo da internet que sempre lê minha mente, hoje achei essa pérola de artigo.


Por que algumas mulheres fantasiam sobre sexo violento 
e por que isso não é nada para se envergonhar
.

essa imagem, de William Holman Hunt, O Despertar da Consciência,1853
sempre me deixa na dúvida. É um ataque? A carinha dela é de desespero? Surpresa?

Eu tinha acabado de comentar uma postagem de uma amiga no Facebook criticando quem suspira por um personagem cafajestão em livro, enquanto na vida real violência física e mental não é nada romântico.
Também assisto a reprise de Vale Tudo, que é uma viagem no tempo de volta aos anos 90 quando tudo era mais aberto e assim mesmo, mais elegante. Outro dia Ivan, o mocinho mau-caráter que troca Raquel pé-de-guerra pela rica-e-solta-um-mambo-dj Heleninha disse que só casou com a rica porque ela era frágil, educada, refinada e precisava do apoio dele. Raquel, a lutadora, o fazia sentir menos homem, menos necessário. Oh, food for thought.

Então, nesta linha de raciocínio, achar esse artigo foi bom porque caiu como uma luva no que eu vinha pensando. Vou traduzir algumas partes, mas se você quiser ler tudo, vai aqui no Inews. Recomendo.


"O desejo sexual é complexo, muitas vezes repleto de obstáculos,
 diferenças de poder e ambivalência"

é, sim... Vou comentar em itálicos.

Aviso. Como o artigo original, esse meu com comentários e referências ao que adorei tem assuntos que alguns podem achar perturbador. 

Um estudo em 2009 descobriu que 62% das mulheres participantes tinham fantasias sexuais nas quais eram forçadas a fazer sexo contra sua vontade. Estas estatísticas podem causar a leitura desconfortável, particularmente na esteira do movimento Me Too e os numerosos escândalos de agressão sexual que dominaram as manchetes recentes. E nossa corrida eleitoral tão carregada de fake news, true news e feminismo amiudado.
Mas, para nos compreender, devemos ir aonde é desconfortável. Por que algumas mulheres fantasiam regularmente sobre serem forçadas a fazer sexo?


Ser arrebatada
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note aqui a diferença de tonalidade...

"Estupro" talvez não seja uma descrição apropriada desse tipo de fantasia. Estupro por sua própria denúncia não é consensual, enquanto uma fantasia sexual, por mais violenta que seja, está sempre sob a direção e o controle da pessoa que a deseja. O estupro é profundamente traumático, muitas vezes fatal, violação profunda do ser de uma pessoa. É uma experiência aterrorizante, precisamente porque não é consentida e a vítima está sem poder. Mas uma fantasia é sempre um lugar seguro, sempre sob seu próprio controle e sempre sendo consentido. Não importa o quão extensa a lista de elenco possa ser, quão dramático é o cenário, ou quão bizarro é o enredo, é impossível não consentir em sua própria fantasia.
Então, a primeira coisa que precisa ser estabelecida é que essas não são fantasias sobre estupro, elas são sobre submissão e dominação. 
Já vemos aqui uma diferença, um desvio no rumo da conversa, percebe?
Nem significam que se sonhe em ser estuprado. Dr Lori Beth Bisbey é uma psicóloga e treinadora de intimidade sexual que trabalha com indivíduos e casais. Ela explicou que, embora essa fantasia seja uma das mais comuns com as quais seus clientes se apresentam, “nenhuma das mais de mil mulheres que trabalhei ou entrevistei nos últimos 30 anos queria ter um verdadeiro estupro. "A fantasia é sobre sexo. O estupro real é sobre poder.


Fazer uma distinção clara entre fantasia sexual 
e agressão sexual é essencial.
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Sabia que no século XIX, as mulheres insatisfeitas eram consideradas 'histéricas' e um dos tratamentos consistia em 'massagem pélvica'?
 Isso mesmo que você pensou vendo essa ilustração. 
Masturbação. Feita pelo médico. No consultório.
O nome disso hoje em dia? É, isso mesmo.

Não só é profundamente insultante, é simplesmente errado, sugerir que o estupro é uma experiência erótica. É primordial usar o termo correto "fantasias sobre ser violada" em vez de "fantasia de estupro", já que isso não apenas remove a palavra carregada "estupro", mas também comunica a troca de poder consensual em jogo. 


A fantasia não equivale a desejar a satisfação. 

O que nos leva a contradições que muitas pessoas encontram em suas fantasias sexuais:  O desejo sexual é complexo, muitas vezes repleto de obstáculos, poder diferenciado e ambivalência. O reino da fantasia sexual comumente carrega vergonha para as pessoas porque suas mais poderosas imaginações podem ir contra sua ética, política ou crenças, e ser o oposto do que elas gostariam que realmente acontecesse. 


“As fantasias são um ponto de encontro para o desejo e o conflito”.
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eu entendo isso, não sou diferente de ninguém, mas o que implico é que se glorifica o agressor como 'homem de pegada', 'gostoso', 'poderoso'. 
Na história que se lê/assiste, ele está participando da fantasia da mulher ou ele a está agredindo de FATO?
Dá para sacar a diferença?

E a fantasia de ser arrebatada não é nada senão desejo e conivência. Há que se evitar a culpa. Embora essa seja uma fantasia comum e completamente normal, ela apresenta um enigma para os psicólogos. 


Por que tantas mulheres estão fantasiando sobre algo 
que seria horrível e traumatizante na vida real? 
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E escrevendo e lendo sobre isso? 
E pirando por heróis de merda?
Por que não fantasiar sobre sexo consensual? 

Mulheres gostam de sexo sem o estigma de ser "sacanagem". Há evidências limitadas para apoiar isso, estudos sugerem que fantasias sobre serem violadas eram mais prevalentes em mulheres que experimentavam níveis mais elevados de culpa em relação ao sexo. No entanto, a maioria dos estudos sobre fantasias de violação não apóia essa teoria. Significativamente, pesquisas também falam que as mulheres “que eram mais altas em erotofilia [atitude positiva em relação ao sexo], abertura à fantasia, desejo por fantasias e auto-estima relataram maior excitação sexual a fantasias de estupro”. 

Longe de ser sintomática de culpa em torno do sexo, a fantasia da força é indicativa de alguém que gosta de sexo e é sexualmente condescendente.

Há até quem se ache 'uma feminista ruim', confunde com sentir-se desejável. O ponto comum em fantasias é que o homem é tão dominado pela luxúria que ele precisa ter aquela mulher, não importa o quê. Como Rhett Butler com Scarlett O'Hara em O vento levou.


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Uma vez uma amiga me disse que gostou tanto de um livro que eu detesto porque, enquanto eu só vejo o assédio mental, ela (minha amiga) via um cara que tinha tesão em uma única mulher. Ela achava isso muito sexy.


E chegamos a eles, os Rasgadores de corpete
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Fantasias extremamente comuns, especialmente para leitoras de romances de época. Ele, esse herói - ou agressor - é sempre bonito e de físico atlético, isto é confirmado pela pesquisa de fantasias sexuais. idéia central aqui é que a fantasia de violação retrata a mulher como tão atraente, sedutora e irresistível que, em sua presença, os homens não possam se controlar. Curiosamente, a estudiosa entrevistada sugere que isso pode ser o resultado de narrativas "românticas" internalizadas que erotizam a submissão feminina e dominação masculina.


Há quem diga que Mr Darcy é o precursor dos Rasgadores de corpete, ele - o alto, moreno e bonito - que fica enfeitiçado pelos olhos de Lizzy Bennet que o detesta e mesmo assim insiste em conquistá-la. Já discuti isso em um curso sobre Austen, como ela inventou esse gênero sem querer. Deu mó qui-qui-qui.


Nestes romances, o desejo do macho pela heroína desencadeia sua motivação sexual e sua a agressividade masculina desinibe o uso de força limitada
A recusa da heroína fornece tensão dramática, criando um contexto para ele mostrar seu poder e seu desejo.

Sarah, de 46 anos, diz: "Eu realmente nunca li romances desse tipo, mas lembro-me de ser fascinada por mulheres desmaiadas e homens fortes desde sempre. É estranho porque eu absolutamente não sou o tipo que desmaia."
Mas erotizar o homem hiper-masculino não explica o fato de participantes desse estudo fantasiarem ser violadas por uma mulher, apesar da maioria se identificar como heterossexuais. 
Rosie, 24 anos, fantasia que é arrebatada por uma mulher bonita que a amarra em uma cama. “Estou mais confusa pelo fato de que é sempre uma mulher, para ser honesta. Sou hétero e todos as minhas outras fantasias são sobre homens. Mas esta sempre foi uma mulher e é uma das minhas favoritas. Eu costumava me sentir bastante assustada com isso, mas decidi que não estou machucando ninguém e apenas aproveito!


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Também é completamente normal que as mulheres que foram vítimas de violência sexual na vida real continuem tendo ou desenvolvam fantasias de arrebatamento. Boa parte das participantes desse estudo tem uma história de agressão sexual. Mas isso é algo que muitas mulheres lutam.

Olha que curioso, é uma novidade isso para mim. Então será por isso que os romances cheios de agressores de quinta fazem tanto sucesso? Espelho da realidade? As pessoas querem passar a vida a limpo na pele de um cafa rico e gostosão que se pode controlar fechando o livro ou desligando a TV?
E me pergunto se isso não acaba dando força para os machos de quinta que sacaneiam as mulheres na vida real. Será que SEMPRE SE CONSEGUE SEPARAR A FANTASIA DA REALIDADE? Será que se consegue identificar quando um cafa está te triturando ou se acha vivendo um romantismo de merda?

Gemma, 28 anos, foi estuprada quando estava na universidade. Ela nunca relatou o crime, e anos depois de repente desenvolveu insônia. "Demorei muito tempo para me abrir sobre o estupro em minhas fantasias sexuais. Eu me senti tão culpada por isso. Eu chorei quando eu disse ao meu analista sobre isso porque eu pensei que significava que eu era algum tipo de aberração. Como eu poderia ter sido estuprada se fantasio que isso aconteça, sabe? Mas meu conselheiro explicou que é precisamente por isso algumas pessoas têm essas fantasias - assumir o controle de algo que era horrível e reimaginar em seus próprios termos. Isso realmente me ajudou. Isso fazia sentido."


Na fantasia, a mulher desempenha o papel submisso, 
mas sua fantasia é também sobre como controlar seu parceiro. 
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Toda mulher enfatiza que, na fantasia, ela é a poderosa que reduziu a outra pessoa a um estado onde ele (ela) não podia controlar a si mesmo. 
Isso atua na teoria da desejabilidade sexual, mas também é paradoxalmente aquele no controle.

Sim! Isso eu entendo e já escrevi várias vezes.
Em minha inspiração de Orgulho & Preconceito, The Prince of Pemberley, Darcy e Lizzy são amigos de adolescência que perdem o contato com o passar dos anos. Quando se reencontram, ele se surpreende com ela - como é autêntica e bonita e forte e fica... LOKO! 

É isso, ela está no controle das camas muito, muito quentes que eles dividem pelos três livros da trilogia.

"Teoria da abertura": Em vez de ser impulsionada pela sexualidade reprimida, esta teoria afirma que as fantasias de estupro/violação/arrebatamento podem derivar de uma a atitude geralmente aberta, aceita e sem culpa da mulher em relação ao sexo. Fantasias como resultado de trauma psicológico, repressão ou misoginia internalizada deveriam ser vistas como o resultado de uma abertura ao sexo e à fantasia em geral.

Certamente, todas as mulheres com quem a autora do artigo original, Dr Kate Lister, falou gostam de suas fantasias e acreditam que completam suas vidas sexuais. Para todos aqueles que leram o dela e o meu, Moira, comentado; que têm tais fantasias e sentem vergonha, eu espero que possam começar a se entender melhor e se dêem permissão para se curtir. 


Fantasia não é realidade e 
você não fez nada errado de qualquer forma.
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Na série CUPIDOS EM DEVON alguns tipos de fantasias sexuais serão mencionadas, alguns de forma mais contundente, outros mais discretos. Talvez até confusões, situações mal-interpretadas.

Algumas coisas são difíceis de mencionar, tento fazer com tato e bom gosto, reescrevo, apago, consulto minhas universitárias.
Já falei de agressões muito delicadamente na Princesa Possível 3, Te encontro lá, a pequena sereia moderna. 


Mas sempre, sempre, conto um final feliz.
Uma redenção feminina, encontro da força interna para dar a vota por cima, se reconstruir. 
É assim é que é, né?


E as fantasias, vamos nos esbaldar nelas!

Até mais,
bj



aviso: todas as imagens achadas no google sob procura: 'victorian lady' 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Desafio 10 filmes impactantes

Olá,

Está rolando no Facebook um desafio muito simpático: um amigo tagueia outro para que poste imagem de um filme que lhe 


Comigo foi assim:


por: Janaina Ferreira
A Jéss GrGh me desafiou a postar 10 filmes que me impactaram 🤔Uma imagem, sem explicação. 
Dez filmes, dez imagens, dez nomeações.
06/10
giphy


Desafio: Moira Bianchi☺️

Mas... Eu sou verborrágica e não gosto muito de ficar tagueando pessoas. Minhas amigas não curtem esse lance de desafios do face. Vou acabar tagueando quem eu sei que já participou da brincadeira, mas os meus filmes, vou comentar aqui.


1- Os Saltimbancos Trapalhões
Hollywood é um sonho de cenário, vi um pau-de-arara milionário!
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Orwell com Chico Buarque formando minha visão crítica das coisas antes de ter noção que havia uma forma diferente de ver a relação de Mussum e Zacarias com Didi e Dedé. Eu amay esse filme, até hoje sei cantar as músicas, ninava meu filho com elas.
Nós gatos já nascemos poooobres, porém, já nascemos livres!
Senhor, senhora, senhoria: felinos, não reconhecerás!


2- A noviça Rebelde & Mary Poppins
Esses não precisam de explicação. 
Se está passando na TV, eu vejo. Os dois. Coloco juntos por causa de Julie Andrews, mas são duas heroinas muito diferentes. Claro, são capazes de encantar para conseguir o que querem, isso é magistral.
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Em minha primeira visita à Disney, no Magic Kingdom, dei de cara com Mary P nesse traje de gala. Morri. Fiquei com lágrimas nos olhos, implorei uma foto. Ela?
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'Claro, querida. Agora, para que essas lágrimas. Tsk, tsk, se recomponha, mocinha!'

PS.: eu tinha quase 40 e a atriz, no máximo 25! buahahahah


3- Beth Balanço & Menino do Rio
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Era a celebração do YOLO e eu amava a ideia. Quem nunca esteve nessa fase?
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Nunca caí no que parecia excesso, mas eu amava a estética, a vibe, as músicas... Tudo!

4- Closer
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diálogos, diálogos, diálogos!
Quero um dia ter esse talento!... AAAAAmo esses diálogos.

5- Monsoon wedding
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tudo tão bacana, roteiro, colorido, músicas, temática e eu mantive na memória a cena da despedida no aeroporto, o coração partido, a realização de que amar é dureza.


6- Lua de Fel
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eu fiquei enfeitiçada com esse filme, vi diversas vezes. Acho que foi o poder feminino, a vingança, a volta por cima. Nada como um dia após o outro, canalha.


7- O piano
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A desolação, a vulnerabilidade feminina, a comunicação pelo piano. E, claro, as surpresas escondidas pelo destino. 

Bom, né?


8- O tigre e o dragão
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de novo, a força feminina. 

Girl power, yeah!


9- Dirty dancing & Garota Rosa Schocking

os dois filmes tem algo igual: a gente sabe que o namoro vai dar errado, mas a gente bem que torce...
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Keds. amo, amo, amo
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Encontrei com James Spader, o vilãozinho, em NY uma vez. Mas segurei a onda, não dei pinta.


10- O nome da Rosa
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Qual é a importância feminina perante o conhecimento?
Qual é o tamanho da cobiça humana? E a divina?
Eco dá alimento para muitas minhocas na minha cabeça há anos...


*bonus*

11- Antes do amanhecer / Antes do pôr do sol / Antes da meia-noite

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Impossível dizer como esses filmes me impactaram.
São diálogos, vidas, sentimentos. Parece que sou eu ali, que eu escrevi, que eu vivi.

O fogo é que são só 10. 

11. 

E olha que roubei e listei 15...

Crescendo no interior, cinema era o evento mais cosmopolita que eu tinha acesso. E, claro, a modernidade muito moderna do aparelho de VHS e cartão de associado nos 3 video-clubes da cidade. 

Muito da minha cultura geral veio do acesso a filmes que ninguém pegava no video-clube. Encaixotando Helena, Christiane F (escondido de minha mãe), Christine carro assassino, todas as adaptações de Agatha Christie, Splash a sereia, Guerra e Paz, O destino do Poseidon, Sleepless in Seattle e An affair to remember, You´ve got mail, sei lá. Tantos.
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E ultimamente, como não mencionar Up close and personal, Nasce uma estrela de Streisand, todos os Austen, Shakespeare apaixonado, Traffic, Crash, O pianista, Os Suspeitos, Pulp Fiction, Kill Bill, Jacky Brown, Elizabethtown, The end of the affair, Entrevista com Vampiro... 
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Dez parece pouco, 100 também.
Melhor ficar por aqui, por enquanto.
Né?



aviso: todas as imagens achadas no google sob procura do nome dos filmes citados

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Empreendedorismo feminino no século XIX

Olá,
hoje é o dia, *lançamento* de 
'ECLIPSE DO CORAÇÃO'

e o cuore, você pergunta?
Ih, a mil!
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historik uk
Essa é Lady Hamilton, não é a jovem Pauline Hopkin que você conhecerá em seus 30+ em 'Eclipse do coração',
mas para mim ela personaliza a beleza clássica da
pobre-menina-bonita-demais-para-seu-próprio-bem no início do século XIX.
Entenderá quando ler. Um dia blogo sobre Emma Hamilton, ela merece.
Estou convivendo com os Hopkin-Devon há mais de um ano, toda hora invento, salvo, refaço intrigas e roubadas para eles. Agora mesmo estou levando a trupe para além-mar em uma tramoia larger than life para a qual estou me preparando faz tempo... Quem me espiona no Twitter sabe das agruras.
twitter
Mas calma com o andor!
Estamos aqui no livro 1, 'ECLIPSE DO CORAÇÃO' e por enquanto, tudo são flores na Inglaterra. 
Bem, quase tudo. 
BTW, sim, a série está bem adiantada, toda alinhavada, plotted, livros farão todo sentido. Prometo.


Então, CADA LIVRO DA SÉRIE, focará em 3 pontos básicos:
1- a influência desses CUPIDOS na família Devon e seus agregados (e são muitos);
2- um (ao menos) romance principal;
3- evoluções e ambientações históricas do período.

Sempre muito delicadamente, a narrativa conduz o romance dos protagonistas em um delicioso boy-meets-girl ou girl-meets-boy ou ainda, girl-has-to-marry-boy. Tem muita treta vindo aí. 
Escolhi o período da primeira metade do reino de Victoria porque acho muito fascinante como as instituições evoluíram rapidamente. Depois de séculos no mimimi de sucessão por ideologias religiosas, o casamento maritalmente feliz de Victoria e Albert e a paz no continente pós Guerras Napoleônicas trouxeram ambiente favorável para a avalanche de modernidades da revolução industrial.
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amazon
E neste cenários, temos
Os Hopkins são classe média, herdeiros de pequena propriedade, precisam trabalhar.
Os Devons são ricos, herdeiros de vastas propriedades rurais e investimentos altos.
Quando as duas famílias se juntam, abrem um leque de grandes possibilidades, pois, de mentes abertas, cosmopolitas, pretendem expandir negócios visando atender a nova Inglaterra que se auto-constrói.


E tem tanta coisa...

Logo de início encontramos a protagonista, Pauline Hopkin, solteira acima de seus 35 anos de vida, o que para a sociedade era perdição total. Hoje já é um poço de chateação, imagina em 1835 quando se passa 'Eclipse do Coração'...  E ela guarda muitos segredos em sua serenidade, é como um mar calmo escondendo um maremoto que um cavalheiro garboso vem singrar com seu veleiro... Coitadinho, mira no que vê, acerta em algo muito maior do que poderia lidar... 
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pinterest
Mas ela, Pauline, tem um grande accomplishment na vida: uma profissão digna. Sim, isso é uma licença poética para mulheres no início do século XIX, explicamos isso no livro - há um trechinho fofo de 'Moira de anáguas' - mas me conhecem, como conseguiria engolir o lugar submisso da mulher sem tentar imaginar quem lutava e conseguia sucesso naqueles tempos? 


Haveria de haver, né?
E havia!

Pauline conduzia o negócio de exclusivos leilões de arte de seu irmão Wellesley Hopkin, Kin para os íntimos. 



Mas na realidade houve a Eleonor Coade (1733-1821) que tinha uma fábrica de estátuas e bustos para jardim, foi nela que me inspirei. 


'Revolucionária na indústria da Arquitetura'
'Coisa muito rara, tanto uma artista quanto uma mulher industrial bem-sucedida'

Coadestone 1
culture concept
Não só ela tocou seu negócio, como desenvolveu processos e produtos, criou demanda e mercado. Mulherão virada no jirayia!
Lion Better
culture concept
leão de Westminster bridge feito de Coadstone perfeito e lindo e majestoso até hoje
Leia sobre ela aqui. Mas Pauline não é Eleanor, ela foi a inspiração porque eu acredito que o que nós, mulheres, somos hoje uma evolução do que elas construíram. 
Na Rússia, década de 1810, cerca de 15% das fábricas de papel, tecidos, utensílios de metal, vidro e refinarias eram de propriedade feminina. fonte
Com a expansão do mercado têxtil, nas fábricas o trabalho feminino era cada vez mais requisitado (infantil também, infelizmente) como vimos em North&South, e dentre as trabalhadoras haviam as líderes sindicais (proto) e as chefes.
As escritoras e poetisas que fizeram carreira assinando seus nomes depois de Austen (que por muito tempo usou 'a lady') como as Bronte, Shelley, etc.
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1st art gallery
O papel feminino mudava tanto no dia-a-dia Vitoriano quanto o social, eram tempos difíceis, havia fome e pobreza, necessidade de procurar emprego e bons serviços à disposição não só de homens. Da mulher cuidadora do lar e filhos para a auxiliar na manutenção do básico para sobrevivência, lutadora. Era um recambiamento familiar que por vezes, tornava-se conflitante. Na série, como tenho pessoas de todo tipo e origem, veremos amostras de como essas revoluções afetavam ricos e pobres. Por vezes eram evoluções e por vezes, involuções.
Andamos para frente e para trás no mundo, é um círculo vicioso.
Nas palavras de Lucy Stone, famosa feminista e abolicionista do século XIX (olha o spoiler de para onde estou levando os Devon...):


'Eu era uma mulher antes de ser abolicionista. 
Eu devo falar pelas mulheres.'

Lucy Stone, 1860s
thought co.
Assim falo quando começo a série de Romances HISTÓRICOS (ou seriam ROMANCES históricos ?) com certa ênfase no papel da mulher relativamente independente. Pauline tem vida própria, não depende do irmão solteiro como Jane e Cassandra Austen dependeram décadas antes uma vez que ficaram órfãs, mas aos olhos da sociedade, Srta. Pauline Hopkin é somente uma solteirona. Linda, educada, casta. Nada mais. Uma coisa digna de admiração e pena.
Ainda de Lucy Stone, que mesmo depois de casada, manteve seu sobrenome de solteira:


'Eu não sei o que você acredita de Deus, mas eu acredito que Ele deu anseios a serem preenchidos, e que Ele não quis dizer que todo o nosso tempo deveria ser dedicado a alimentar e vestir o corpo.'

Ao abrir o livro 2, as escolhas de Pauline ainda são questionadas por parentes - e muito. E um personagem principal muito calmamente diz: 'Como sabe que ela não quis seguir novos caminhos na vida?'

Bem, deixemos que ela fale por si mesma, certo?


 

Leia mais sobre a série aqui
e sobre o nome Devon aqui.
bj



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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Eu na radio! Participei do Xexelento da Peri!

Oi!
Hoje foi um dia muito diferente, fiz minha estreia em uma radio online! A Xexelento da Peri.

No dicionário online:
xexelentoadjetivo
1. desprovido de qualidade; de pouco valor.
2. de aparência desagradável; falto de beleza.
3. que adora implicar ou incomodar, implicante.
Expressão popular usada para qualificar pessoas ou objetos por seu  valor ou aspecto. O uso da palavra xexelento foi generalizado, aplicado para se referir a alguém ou lugar sujo, malcheiroso ou maltrapilho. 

Num sentido figurado, o significado de xexelento é empregado para se referir a alguém birrento, que implica o tempo todo ou a uma pessoa que é incômoda, chata ou aborrecida.

Um contestador? É... acho que sim!
Um inconformista! Taí, sentido perfeito!

Adorei o convite do amigo Bruno Blackk que conheci na roda de autoras da Primavera Literária de Setembro.
O programa é uma salada de culturas, é tudo que vivemos, um mar de atualidade.
Nesse, eu nadei falando de meus livros! Gente, que emoção!




Falei do processo criativo, das incertezas, das durezas e da alegria de escrever bem e tocar a vida das pessoas.
olha qta gente já foi lá ver! E acabou de acabar!...
Vem ver!
Eu começo em 2hs22min

Muito legal, não foi?


é o mantra do Bruno: 'Se tens um dom, seja!'

bj