& Moira Bianchi

quarta-feira, 6 de março de 2013

Desconstruindo Charlotte Lucas

Boa tarde. 
Depois do dilúvio de ontem eu convido a conversar sobre uma personagem de importância capital no romance do Sr Darcy e Lizzy que por várias vezes é subestimada...



Bem eu ainda celebro o Bicentenário. Se Orgulho e Preconceito tem 200 anos de sucesso, eu com certeza posso celebrar por um tempão, certo Biscoito?

jane austen



Então, eu venho num processo de  
descontruir, ou melhor, desempacotar a Charlotte Lucas .



hot rio chick


Pelo dicionário:

verbos transitivos diretos de
1ª conjug.
1- desconstruir - Ato de desfazer o que está construído. Desmontar, desagregar, apagar, remover o que está construído;  
"E o nosso relacionamento foi desconstruído pouco a pouco."

2- desempacotarTirar do pacote; desembrulhar; aclarar, esclarecer; desenredar; desenevoar-se. 
"usado aqui em sentido figurado"




Da primeira vez que li O&P uns 10 anos atrás (para mim) Charlotte ter corrido atrás do pedido de casamento de Collins soou como traição a Lizzy. Na verdade, Charlotte laçou Collins agindo pelas costas de Lizzy e dos Bennets. Não que Lizzy quizesse qualquer coisa de Collins além de distância mas ele tinha acabado de pedi-la em casamento e antes que sua vergonha ou raiva cedessem Charlotte deu o bote.


Quando o ‘Lizzie Bennet Diaries’ chegou a esse ponto da estória, eu achei que eles viram a situação da mesma maneira que eu: traição.




Claro que Charlotte tinha 'pressa' e não 'gosto', todos sabemos das suas razões. Ela já era considerada uma solteirona velha e na estante e não tinha nenhuma perspectiva de bom casamento. Tenho lido bastante sobre ela e achei discussões muito bacanas explicando em miúdos sua situção social: Sendo filha de um 'Sir' (um 'knight', 'commoner', um cidadão de valor reconhecido pela realeza) - mesmo que falido - que tinha sido prefeito de Meryton e homem do comércio; Charlotte não poderia casar com qualquer um. Seria uma vergonha para a família se ela casasse com um operário ou balconista de loja e a chance dela achar um marido rico sendo velha e sem graça (sem beleza que a distinguisse das outras moças) era pequena. Sua única chance era casar 'horizontalmente' no tangente à sua esfera social. Um pastor seria perfeito. Ainda mais ele sendo herdeiro de uma das propriedades da região.

Também se sabe que aceitar um emprego como 'preceptora' (um tipo de governanta/babá/professora que se ocupava do cuidado e educação das crianças) era uma opção muito pouco vantajosa. O trabalho era mal pago, mal visto, considerado 'criadagem' - alguma coisa entre dama de companhia, mordomo e camareira. Além disso, a outra opção para uma solteirona seria viver sob a tutela do pai enquanto ele vivesse e depois sua tutela, de sua mãe e irmãs também solteiras seria passada para o parente (homem) mais próximo. 

A família Lucas era grande e certamente Charlotte acabaria seus dias ajudando a criar seus sobrinhos, vivendo da boa vontade de seus irmãos. Bem, pelos primeiros capítulos de Razão e Sensibilidade a gente pode ter uma boa idéia do tamanho da boa vontade de quem herdava irmãs solteiras. Casamento ERA a saída.


Charlotte viu em Collins sua melhor chance. Rothman fala muito eloquentemente que Collins, o leitor pode achar que não parecia uma pessoa real. Ele é mais como um vilão: tão horrendo que ele nos faz questionar se o plano inteligente e racional de Charlotte não era um equívoco. De maneira torta, Collins era tão horrível quanto Charlotte era prática então para fazer o pragmatismo dela parecer problemático, Austen tem que fazer Collins ser realmente horrível; e na mesma moeda para dar a medida certa para o casamento com ele ser meramente possível, ela teve que fazer Charlotte inacreditávelmente prática.'  (tradução livre)



O autor deste texto, Rothman, fala em 'plano' e 'pragmatismo' e isso me chamou a atenção porquê isso reforça o que eu venho remoendo. Mais tarde vou falar sobre o 'pragmatismo de Charlotte parecer problemático'.



Outro dia tivemos um almoço super animado de amantes de JAFF (Jane Austen fanfiction) e discutimos como Lizzy não tinha 'inteligência emocional' suficiente. NA MINHA OPINIÃO Lizzy era uma princesinha de cidade do interior criada como a queridinha do pai intelectual e acostumada a ser tratada como a 'melhor dentre as irmãs'. 



‘…mais de uma vez durante o jantar Mr. Bennet disse espontaneamente a Elizabeth: 'Estou feliz que você tenha voltado, Lizzy.'’



Quando de repente aparece uma turma de pessoas cujo nível social e educação eram superiores ao dela, era mais que natural que Lizzy se sentisse vulnerável. E ainda Darcy enfia os pés pelas mãos num comentário grosseiro e infeliz sem se preocupar se estava sendo ouvido por alguém no baile de Meryton: Lizzy se sentiu mortalmente ferida.



Ok, se fosse comigo eu ia 'morder minha orelha' de raiva e xingar todas as gerações de Darcys que já existiram mas, se Lizzy tivesse mais inteligência emocional, ela teria lidado com a arrogância idiota dele de maneira mais madura. 

E aí provavelmente a gente não teria um livro tão delicioso quando Orgulho e Preconceito. Eu sei.


O que quero dizer é que Charlotte TEM inteligência emocional. Newark tem um texto muito legal comparando as escolhas de Charlotte e Fanny Price que diz: ‘A essência da independência feminina não é poder dizer 'não' mas ter a possibilidade de tomar as rédeas de sua própria vida. É nisso que o poder da escolha está, e é nisso que Charlotte, e não Fanny, age bem. Eu gosto mais de Charlotte Lucas (que nunca recebeu uma proposta de casamento na vida) porque ao invés de ficar passivelmente resignada ao que o destino lhe trazia como uma mulher da sua época obediente deveria fazer, ela dá um empurrãzinho na sua sorte. É Charlotte, e não Fanny, quem assume responsabilidade por sua própria vida. Fanny, em rios de lágrimas diz 'Não!'; Charlotte, de olhos secos diz 'Sim!'. Não somente ela toma uma decisão e age de acordo como ela tira o maior proveito da situação. Srta Austen não nos diz nada que nos faça pensar que ela se arrependeu de sua escolha.' (tradução livre)


Pelo contrário, Srta Austen nos diz várias vezes como Charlotte sabe lidar com Collins. Novamente me traz a mente 'plano' e 'pragmatismo'. Eu também usaria ' objetividade', 'calculismo' e 'perspicácia'. Calculista no bom sentido, digo.


Lembra dessas passagens? Elas ilustram isso muito bem.



'As primeiras cartas de Charlotte (após se casar) foram recebidas com uma certa ansiedade (por Lizzy), explicada apenas pela curiosidade em saber como ela falaria do seu novo lar, que achara de Lady Catherine e até que ponto ousaria pronunciar-se sobre a sua própria felicidade; embora, uma vez lidas as cartas, Elizabeth sentisse que Charlotte se exprimiria em todos os aspectos exactamente como ela o teria previsto. O tom era animado, dizia-se rodeada de todas as comodidades e nada mencionava que não fosse digno do seu louvor.'



...o Sr. Collins convidou-os (Sir Lucas, Maria Lucas e Lizzy) para um pequeno passeio pelo jardim, que era grande e muito bem cuidado, e de cujo cultivo ele próprio se encarregava. Trabalhar no jardim era um dos seus prazeres mais respeitáveis; e Elizabeth admirou a seriedade com que Charlotte se pronunciou sobre os aspectos salutares de tal exercício, admitindo encorajar o marido nesse sentido tanto quanto possível. ’… 



'...enquanto Sir William o acompanhava (Collins) no aludido passeio, Charlotte reconduziu a irmã e a amiga para casa, extremamente satisfeita por ter a oportunidade de a mostrar sem a ajuda do marido. A casa era pequena porem bem construída e cómoda; e tudo nela se harmonizava e estava disposto com uma arte e saber, que Elizabeth atribuía exclusivamente a Charlotte. Uma vez esquecido o Sr. Collins, poder-se-ia, de facto, gozar de um certo conforto, e, pela animação que transparecia no rosto de Charlotte, Elizabeth concluiu que ela o esquecia frequentes vezes.'





No próximo post eu continuo a divagar sobre minha visão da relação entre de Charlotte e Lizzy.
Até mais,


Bj


Aviso: Imagens encontradas no google, montagem de Charlottes saindo da caixa é minha,  citações da obra prima da Srta Austen's Orgulho e Preconceito, e exceto onde indicado, o bla-bla-bla é meu também.

terça-feira, 5 de março de 2013

Unboxing Charlotte Lucas

Good evening. Tonight our topic is a character of capital importance on Lizzy and Mr Darcy's love that we tend to underpower...

Hello, there!


Here I am, still celebrating the Bicentenary. If Pride and Prejudice had 200 years of success so far, I can celebrate it for a looong while, can't I?

pride and prejudice bicentenary



So, I've been unboxing Charlotte Lucas for a while now.



hot rio chick


By def.:

Verb
1.
unbox - remove from a box or container;  
"unbox the presents"
unpack, take out - remove from its packing; 
"unpack the presents"




When I first read P&P some ten years ago (for me) it felt like Charlotte betrayed Lizzy when she accepted Collins. Actually she ensnared Collins behind Lizzy’s back without any fore notice. Not that Lizzy wanted anything from Collins other than distance but the guy had just proposed to her and before his shame and anger got cold Charlotte jumped on the occasion.


Lately, this episode was very well portrayed at the ‘Lizzie Bennet Diaries’ and it can be seen even more clearly as a betrayal.



Of course we all know Charlotte’s reasons, how she was already considered lost and old and without any good possibility of marriage. I’ve been reading some great discussions on her instance in life and the predicament she was in. Being the daughter of a knight (albeit a poor one), former mayor of Meryton and tradesman, Charlotte couldn’t marry just anyone. It would be a disgrace for her family status if she married a workman; the chance to marry a rich man was thin so she could only marry ‘horizontally’.

Everyone knows that becoming a governess was a most undesired situation since the job was underpaid, considered ‘low help’ something between a ladies’ maid and a butler. Other than this, an unmarried woman would depend on her father for as long as he lived, once deceased the woman (along with her mother and any other unmarried sisters) would be divided among the family men.
The Lucases were a big enough family and surely Charlotte would end her life helping raise her nephews and nieces, living under the good graces of one of her brothers. Well, the first moves of Sense & Sensibility tell us just how graceful these good graces can be. Marrying was THE option.


Charlotte saw in Collins her best chance. Rothman says very eloquently that Collins, you might feel, isn’t quite a real person. He’s more like a villain: so awful that he makes you wonder whether Charlotte’s sensible, intelligent plan might be a mistake. In an odd way, Collins’s awfulness and Charlotte’s pragmatism take the measure of one another: in order to make Charlotte’s pragmatism feel problematic, Austen has to make Collins really terrible; and, by the same token, in order to make marriage to Collins even remotely plausible, she has to make Charlotte almost unbelievably pragmatic.’



He says ‘plan’ and ‘pragmatism’ and that called my attention because it reinforces what I’ve been mulling over Charlotte for a while now. Later I’ll talk about ‘Charlotte’s pragmatism feeling problematic’.



The other day we had a very happy JAFF lovers’ meeting and we discussed how Lizzy lacked ‘emotional intelligence’. IN MY OPINION Lizzy was a princess who was raised as her father’s pearl, used to be referred as ‘the best’ sister.



‘…more than once during dinner did Mr. Bennet say voluntarily to Elizabeth: ‘I am glad you are come back, Lizzy.’’



When there came a party of people whose social status was obviously superior to her, it was only natural she would feel vulnerable. So, when Darcy shoves his foot inside his mouth without caring if he was overheard by anyone at the Assembly, Lizzy feels mortally wounded.



Ok, I would grit my teeth and curse all his seven previous generations but if Lizzy had more emotional intelligence she would have handled his superior bullshit with more maturity. And that probably wouldn’t have given us such a delicious story as Pride and Prejudice. I know. 


My point is that Charlotte HAS emotional intelligence. Newark has a very good essay on Charlotte’s and Fanny Price’s actions that says: ‘The essence of independence for a woman lies not in being able to say 'No,' but in being able to take positive action to affect her own life. This is where choice comes in, and it is Charlotte, not Fanny, who exercises it. I warm to Charlotte Lucas (who has never in her life received a proposal of marriage) because, instead of passively resigning herself to what fate is dishing out, as a dutiful female should, she gives fate a nudge. It is Charlotte, not Fanny, who takes responsibility for her own life. Fanny, in floods of tears, says 'No;' Charlotte, dry-eyed, says "Yes!' Not only does she make up her own mind and act on it, she then makes the best of it. Miss Austen tells us nothing to make us think that Charlotte regrets her choice. ‘


On the contrary, Ms Austen tells us how well Charlotte handled Collins. Again it makes me think of ‘plan’ and ‘pragmatism’. I would also use ‘objective’, ‘conniving’, ‘intelligent’ and ‘insightful’. Conniving not in a derogatory sense, mind you. 


Remember these sequences? They say it all.


Charlotte’s first letters (after her marriage to Mr. Collins) were received with a good deal of eagerness (by Elizabeth); there could not but be curiosity to know how she would speak of her new home, how she would like Lady Catherine, and how happy she would dare pronounce herself to be; though, when the letters were read, Elizabeth felt that Charlotte expressed herself on every point exactly as she might have foreseen. She wrote cheerfully, seemed surrounded with comforts, and mentioned nothing which she could not praise.’



‘Mr. Collins invited them (Mr. Lucas, Maria Lucas and Elizabeth who had just arrived from Hertfordshire) to take a stroll in the garden, which was large and well laid out, and to the cultivation of which he attended himself. To work in this garden was one of his most respectable pleasures; and Elizabeth admired the command of countenance with which Charlotte talked of the healthfulness of the exercise, and owned she encouraged it as much as possible.’… ‘While Sir William accompanied him (Mr. Collins in a stroll around his garden), Charlotte took her sister and friend over the house, extremely well pleased, probably, to have the opportunity of showing it without her husband’s help. (…). When Mr. Collins could be forgotten, there was really an air of great comfort throughout, and by Charlotte’s evident enjoyment of it, Elizabeth supposed he must be often forgotten.’




Next post I keep babbling talking about my view of Charlotte and Lizzy.
See you soon,


Bj


Disclaim: Images found on google, Charlotte montage done by me, quotes from Ms Austen's masterpiece Pride and Prejudice, rambling also mine.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Meu livrinho no Cantinho Literário: Nat leu!

 A fofa Nat que já fez um sorteio aqui comigo (finalmente) leu meu livro!
moira bianchi hot rio chick


Não é puxa-saco não, a gente nem se conhece pessoalmente!
teclado amor amigos online

Obrigada Nat!

#adoroquandogostamdomeulivro

hot rio chick

bjus


Meu Cantinho Literário: Friendship of a special kind (Moira Bianchi) – The...: Título: Friendship of a special kind Autora: Moira Bianchi Ebook, 450p. Will Darcy e Lizzy se encontram em um bar, apresentados po...