sábado, 27 de outubro de 2018

A a Z mortes na Literatura Nacional

Olá, estamos quase no Halloween!
Festa gringa que já fazemos nossa, né?

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Que tal essa dança para a festa? Valsa de Arsênico?
Era sobre a coloração das roupas... Um dia falo disso.

Vi esse artigo muito bacana do Masculinidade Vitoriana (sic) listando mortes trágicas na literatura e resolvi abrazucar! Nem tudo que reluz é ouro, assim como nem todas as obras em Português aqui citadas são Brasileiras. Mas, Suassuna que me desculpe, Eça é fundamental!

Vamos lá?
>> Olha, 
TODOS OS SPOILERS DO MUNDO! 
Siga por sua conta e risco! <<


A é para Arundel, o Condado de onde vêm o Norfolk que em CARTAS À DORA gera um quiquiqui com seu falecimento intrigante

 B é para Bolívar Cambará, filho de Bibiana Terra e Capt Rodrigo Cambará de O TEMPO E O VENTO cuja falta aumenta a inimizade entre a mãe a vó. 

C é para Capitu, minha heroína favorita (rival de Lizzy Bennet) e totalmente injustiçada em DOM CASMURRO.

D é para Diadorim, personagem majestoso e complexo e difícil que faz a gente querer ler GRANDE SERTÃO VEREDAS de novo depois de descobrir seu segredo. Esse spoiler, não conto. Se é que vc não sabe...

E é para D. Emília, mãe de Aurélia de SENHORA. Bonita quando moça, sofrida pelo desdém do sogro e fraqueja do marido, viu a vida degringolar miseravelmente.

F é para a fagueira IRACEMA, índia e poesia e perfeição no romance de mesmo nome. Amor e tragédia perseguem as mulheres, é algo a se aprender: sempre se castiga o feminino que se atreve a amar...

G é para o Galo-da-Serra, vítima do ESCARAVELHO DO DIABO que tem suas penas lindas retiradas uma a uma. Maldade! tsk, tsk

H é para o Homem da roça de todos os nossos corações, Tio Barnabé que na grande imaginação e histórias animadas do Sítio do Pica-pau amarelo acaba sendo devorado por rabicó em A CHAVE DO TAMANHO. Veja só, aquele porquinho preguiçoso, o Marquês.

I é para o Imortal da ABL Euclides da Cunha que ironicamente sucumbiu ao duelo com o amante de sua esposa, Dilermando. Autor de obras importantíssimas como Os Sertões

J é para Juliana, a criada rabugenta e rancorosa e poderosa de PRIMO BASÍLIO que além de achar sua morte, leva Luísa, a patroa com ela.


K é para kkk, a risadaria que no AUTO DA COMPADECIDA é feita em 'ra ra', mas que é igualmente eloquente e nos lembra que há esperança até na morte -  para onde seguem todos os personagens na hora do julgamento. 

 L é para LUCÍOLA que no romance de seu próprio nome encontra a morte tantas vezes quanto se pode contar. Maria da Glória, Lúcia, cortesã, mãe, mulher. Outro feminino punido pelo amor e erotismo.


M é para o marido nº 1 Vadinho, de DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS e um dos cafas mais famosos da literatura. Nem o carnaval aguentou com ele.

N é para o noivo da melhor amiga, primo e mais um tanto da ENGRAÇADINHA, o pobre Sílvio. Vendido, ludibriado, enganado.

O é para a oprimida Macabea de A HORA DA ESTRELA. Datilógrafa, amante traída, amiga traída, morta pela previsão da cartomante. 

P é para os pobres do Lazareto na Bahia, para onde iam os que não tomavam vacina no CAPITÃES DE AREIA. Tantos e por motivo tão bobo. 

Q é para QUINCAS BERRO D'ÁGUA, morto e morto ou nem tão morto e por fim suicidado? Quem não aceitaria a companhia de amigos em momento tão inquietante?

 R é para Runa, Maria Eduarda, mãe do tchuco-tchuco cafa de OS MAIAS, Afonso. Sem a mãe ele fica aos cuidados de Tia Fanny na Inglaterra e daí, quando encontra outra Maria Eduarda... Ah, como eu gosto desse romance onde as mulheres são tão punidas. Por que, por que??

S é para o soldado desconhecido amante da bela Pauline Hopkin de ECLIPSE DO CORAÇÃO que lhe faz propostas irresistíveis e muda o curso de sua vida para sempre.

T é para o Titanic que levou consigo mais de 1500 pessoas e quase mata a sensível e mediúnica heroína de A ÚLTIMA CARTA.

U é para UBIRAJARA índio guerreiro do romance que, almejando casar-se com a mulher que ama, precisa se oferecer em sacrifício.

V é para o querido Vô Ministro de PRECONCEITO, ORGULHO & CAFÉ que mesmo falecido é muito presente na trama desse Mr. Darcy classe média e Lizzy Bennet milionária

X é para Xavier Machado, o pai erudito e dono de livraria cult de BIBLILOVE que precisa partir para unir a bela e seu fera.

Y é para... 

W é para... 
Z é para zombaria, fruto da indiferença, da ausência imensa e mãe dos horizontes sem estímulo ou recompensa do poema de CECÍLIA MEIRELES.

Com essa pérola, termino essa ode ao Halloween!
Como se Morre de Velhice
Como se morre de velhice 
ou de acidente ou de doença, 
morro, Senhor, de indiferença. 

Da indiferença deste mundo 
onde o que se sente e se pensa 
não tem eco, na ausência imensa. 

Na ausência, areia movediça 
onde se escreve igual sentença 
para o que é vencido e o que vença. 

Salva-me, Senhor, do horizonte 
sem estímulo ou recompensa 
onde o amor equivale à ofensa. 

De boca amarga e de alma triste 
sinto a minha própria presença 
num céu de loucura suspensa. 

(Já não se morre de velhice 
nem de acidente nem de doença, 

mas, Senhor, só de indiferença.)

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Já tenho fantasia para o dia 31!
Que tal vampira vitoriana?
buahahahaha

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