sexta-feira, 23 de junho de 2017

Te encontro lá - A pequena sereia moderna - Capítulo 1

hey, esquece o frio e escolhe um biquini - ou uma sunga...
As 'Princesas Possíveis' estão a todo vapor -mesmo! Embarcando em um transatlântico daqueles brancos bem grandes para navegar pela paradisíaca Costa Amalfitana na Itália.
As amigas dessa vez ficam de camarote urubuzando a vida de Ariela, a mais velha e mais sensata, prima de Cibele ( primeira Princesa Possível, 'A bela e a fera' em BIBLILOVE). Mesmo sabendo estar entrando em um vespeiro, ela embarca nessa viagem que vai lhe abrir novos horizontes.
O lance é que em alto mar qualquer um está sujeito aos caprichos do destino... Não se diz que depois da tempestade vem a calmaria?

A aventura começou assim:



Série PRINCESAS POSSÍVEIS
VOLUME 3
romance inspirado em 'A Pequena Sereia'

Consultórios médicos eram sempre intimidadores, ele pensou fechando os botões da camisa. Sentado na maca com os pés pendurados, se sentia meio infantil - um menino levado esperando uma bronca. 

'Olha, me surpreendeu. Parabéns.' O médico disse olhando várias folhas nas suas mãos. 'Seus exames estão ótimos, se livrou da ameaça de diabetes... Está pronto para entrar nos quarenta.’

‘Foi mês passado.’

‘Parabéns duplo, ou seria triplo? Arrumou alguém para tomar conta de você?’

Sacudiu a cabeça. ‘Tenho a mesma faxineira há dez anos.’

‘Maneira pouco lisonjeira de falar de uma companheira.’

Um risinho. ‘Mulheres dão muito trabalho, prefiro minha liberdade.’ Ele prendeu um sorriso constrangido, levantou da maca e arrumou a camisa dentro da calça. ‘Finalmente tenho alta da dieta, certo?’

A expressão do médico foi de otimista a lúgubre. ‘Dieta é para sempre, ainda mais depois dos quarenta. Passou um aperto grande, seu corpo quase deu perda total.’

Jonas fechou os olhos por um momento com a lembrança do peito apertado, da dor em lança, da visão turva, do medo de não ir embora de vez.

O médico voltou para sua mesa e se distraiu fazendo anotações. ‘Vou te indicar uma vitamina, ajuda na fadiga e raciocínio. Como vai o trabalho?’

‘Estressante como sempre.’

‘Só posso me opor a isso anotando na sua ficha. Neste check up funcional, a empresa tem que ser notificada do que acontece com seus executivos. Tem como controlar o stress?’

‘Estou saindo de férias semana que vem. Ganhei um cruzeiro como prêmio de produtividade.’

‘Fiz um cruzeiro até o Nordeste com meus filhos no Réveillon, eles adoraram. Aproveita para se exercitar e descansar. Quem sabe sua companhia será alguém que goste da academia a bordo?’ O médico sugeriu.

‘Da escotilha da academia eu procuro por uma sereia na costa da Itália.’ Jonas disse sarcasticamente.

Riram os dois homens.

---

‘Como não consegui entender ainda, não posso ajudar nossas quatro amigas aqui no grupo perguntando a mesma coisa desesperadamente.’ Apontou para o celular piscando a cada nova mensagem. ‘Pode repetir?’

‘Posso.’ Ariela disse e Cibele levantou as sobrancelhas olhando por cima da xícara de café. ‘Vou viajar com meu ex.’ A prima ainda olhava incredulamente. ‘É isso.’

‘Estou esperando me explicar porque aceitou esse harakiri.’

Ariela deu de ombros. ‘Pena. Acho.’

A prima abaixou a xícara e pensou por alguns minutos. ‘Se é para sentir pena do ex, que seja na Costa Amalfitana.’

‘Foi o que pensei.’

‘Viajar é sempre bom, Ari, mas Mel e Rafí têm razão. Isso é uma pena grande demais para se carregar.’

‘Deus não dá cruzes maiores do que podemos suportar.’

‘Poético e Bíblico, mas sabemos que não é verdade.’ Cibele inclinou a cabeça. ‘Pedro, por exemplo, sofreu calado por muito tempo.’

‘Até que você apareceu linda e loura para salvá-lo.’

‘Sem deboche... Átila então, nem se fala. Como aquele homem penou até achar um rumo na vida.’

‘Só está me falando de histórias com finais felizes, Bele. Estou ficando inspirada.’

A prima suspirou. ‘Vai ficar presa por doze dias.’

‘O que são doze dias em quinze anos?’

‘Ai, Ari... Que coisa!’ Cibele apertou os olhos. ‘Nem todos os anos foram ruins...’

‘Não, claro que não. Mas esse último ano mais ou menos solteira foi bom, me ajudou a perceber que não tem volta.’

‘No entanto...’

Ariela suspirou, os olhos passeando pelas vitrines iluminadas do café onde estavam. Poderia pedir uma torta de açaí ou integral de banana, mas estava bem na dieta, se sentia mais disposta e bonita. ‘No entanto ainda falo com ele, fui às bodas de ouro do chefe dele, fico com as meninas dele e aceitei esse cruzeiro com ele.’

‘Cruzeiro romântico. Sei não, Ari, mas acho que dessa vez você vai se enrolar.’ Cibele sacudiu a cabeça devagar. ‘Meter a mão em vespeiro.’

‘É a terceira viagem que ele arruma nesse ano, neguei todas as outras. Ele sabe que tenho férias vencidas e que o meu projeto acabou-’ Ariela parou no meio da frase e seus olhos brilharam. ‘Contei que foi um sucesso? Mandei bem, vou subir um nível na cotação interna da empresa!’

‘Parabéns, prima!’ Sorriram as duas mulheres. ‘Itália poderia ser uma ótima comemoração...’

‘Foi o que ele disse...’

‘Mas a companhia...’ Suspiraram as duas. ‘Te ajudo. Vamos começar fazendo um glossário de Italiano.’ A prima pegou o celular e carregou o aplicativo de tradução. ‘Porca miseria, va al diavolo!’ Disse sorrindo e sacudindo a mão com os dedos unidos no alto. ‘Tem mais: Del senno di poi son piene le fosse.’

‘SAP, por favor.’

‘De boas intenções o inferno está cheio.’

‘Verdade.’

‘Outro, ouve só: Gallina vecchia fa buon brodo.’

‘Brodo é uma sopa, vecchia é velha então acho que saquei o deboche.’

‘Panela velha é que faz comida boa! Eu sei!’ Cibele cantou e Ariela beliscou seu braço. Depois do riso, ela levantou um dedo. ‘Essa aqui, meu bem: In bocca al lupo. Eu te digo ‘na boca do lobo’ desejando sorte, você responde ‘que morra’: Crepi.’

‘Crepi!’

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Disposto a cumprir ordens médicas, Jonas visitou a academia bem cedo na sua primeira manhã a bordo da jamanta branca flutuante, antes mesmo de visitar o buffet de café da manhã que deveria ser tão farto quanto o do jantar. Mais de quarenta minutos fechado no ar condicionado suando na esteira vendo o oceano pelas janelas, ele pegou uma garrafa de água e se debruçou no guarda-corpo da sacada.

Aos poucos sua respiração voltou ao normal embalada pela brisa do mar aberto e as braçadas vigorosas de uma mulher na piscina do deck principal. Ela seguia um ritmo perfeito: seis, sete, oito braçadas, mergulhava, virava, nadava submersa e voltava às braçadas. Ele perdeu a conta de quantas voltas a viu dar sem parar e sem perder o ritmo.

Foi sua garrafa de água vazia que o chamou atenção para o tanto de tempo perdido na admiração do mar aberto e da sereia de piscina, notou um chapéu de palha e uma bolsa colorida em uma das espreguiçadeiras no deck vazio, um outro barco muito ao longe, pessoas chegando na academia até então vazia e resolveu voltar à sua cabine para um banho e o café da manhã.

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Ela sempre gostou de um cigarrinho após o jantar. Não fumava muito, até escolhia uma marca difícil de achar para garantir que cigarros seriam somente para momentos especiais como aquele. 

O deck lateral praticamente vazio iluminado somente pelas guirlandas altas balançando ao sabor do vento de alto mar, escuridão total no horizonte, música baixa vindo de algum lugar ao longe: um cenário perfeito para um cigarrinho e a última taça de espumante. Gostaria de ter trazido um casaquinho, mas não iria voltar à cabine naquela hora... O ventinho a incomodava, mas não o suficiente para estragar seu refúgio.

Um vulto lhe chamou atenção, era uma cabeça saindo de uma porta lateral. Chegou a pular na espreguiçadeira, mas quando notou ser outro lobo solitário como ela; se reacomodou, provou da sua flute e tragou fundo.

O outro fumante se debruçou na mureta, o cabelo curto sendo bagunçado pelo vento do passo rápido do navio e Ariela voltou a se concentrar na sua reflexão.

Ao tentar acender um segundo cigarro, ciente do pecado dobrado que cometia, Jonas deixou cair o isqueiro no mar. Um xingamento lhe escapou, queria mesmo fumar mais um. 

Desconsolado, decidiu pedir ajuda. ‘Buonasera...’ Ele tentou, ela sorriu de volta. ‘Do you speak English? My Italian is awful.’

‘Mine too. English is fine.’

Ele inclinou a cabeça tentando identificar o leve sotaque nas poucas palavras que ela disse. ‘How about Portuguese?’

‘Melhor.’

‘Boa noite, tem isqueiro?’ Prendeu os lábios em um sorriso constrangido. ‘Acabei de derrubar o meu.’

‘Claro.’ Ariela se remexeu na cadeira para achar a carteira de cigarros. 

Ele acendeu, tragou fundo e aliviado devolveu o isqueiro. ‘Muito obrigado.’

‘O pecado vale a pena, né?’

‘Nossa, e como... Meu médico teria muito a dizer se soubesse que este é meu segundo.’

‘Que rebeldia.’

‘Demais!’ Ele riu baixinho. ‘Ordens médicas também te proíbem um cigarrinho?’

‘Pior... Consciência.’

Ele grunhiu. ‘Por isso está sozinha aqui no escuro?’

Ela achou graça da ironia. ‘É calmo aqui.’

‘Incomodo? Desculpe.’

‘Huh-huh.’ Sacudiu a cabeça bebendo.

‘Está sozinha aqui ou no cruzeiro?’

Que pergunta difícil de ser respondida... Pensou em como fazê-lo, especialmente a um estranho que levantava as sobrancelhas tragando. ‘Vim com meu ex-marido.’ 

‘Ah...’ O deck lateral na penumbra lhe pareceu adequado. ‘Uma reconciliação?’

Deu de ombros. ‘Faz quase um ano que ele tenta.’

‘Uau.’ Balançou a cabeça. ‘Coitado.’ Ela achou graça da entonação. ‘Pelo jeito ele não tem a mínima chance.’

‘No.’

‘E por que insiste?’

‘Só ele pode responder isso.’ Ela deu de ombros. ‘Você?’

‘Aqui?’

Ela balançou a cabeça. Não estava exatamente interessada, mas eram companheiros de baforadas. 

‘Sozinho nas férias e na vida.’

‘Por força do destino?’

‘Escolha.’

‘Mmm... Sabe que existem cruzeiros específicos para solteiros?’

‘Não escolhi esse.’ Ele sorriu para a mulher atraente. ‘Ganhei da empresa, prêmio de produtividade.’

‘Ah!... A maneira que o sistema tem para se desculpar por sugar nossas vidas.’

‘Isso!’ Riu. ‘Jonas.’

‘Ari.’

‘Tenho um amigo Ari.’ Ele disse desconfiado.

‘Ane Ariela.’ Disse simplificando seu nome. ‘Meu bisavô era Aristides.’ Ela fez uma cara engraçada. ‘Podia ser pior!’ Ele riu concordando e como não mencionou a pequena sereia, ela imaginou que não tinha filhos.’

‘Manda trocar o nome na sua cabine para Ari. Todos vão pensar que é um homem e seu ex não vai te achar. Com certeza tem outros Aris aqui.’

‘Boa estratégia, pena que não funcionaria. Ele reservou uma cabine só. Exigi duas e ele garantiu que estava tudo certo...’

‘Estava contando que aceitaria, imagino.’

Ela balançou a cabeça sem nem ao menos cogitar explicar que apesar dos esforços da equipe em lhe achar uma cabine vaga, tinha cedido à chantagem emocional do ex. Uma noite foi suficiente para que ela percebesse que as outras nove seriam uma tortura física e emocional.

‘Merece mais um cigarro.’ Ele decretou. ‘Me acompanha? Nicotina solidária?’

‘O prazer é meu.’

O cigarro terminado, ele se levantou. ‘Vou dormir. Fica bem sozinha?’

‘Muito.’

Jonas apertou os lábios e teve pena da mulher... E do cara a esperando na cama. ‘Boa noite.’

‘Boa.’ Ela apertou um sorriso desinteressado.

Ele já estava perto da porta de onde havia saído quando ouviu a outra abrir e parou por um momento. Depois de ler reclamações em sites, estava um pouco ressabiado em sua primeira experiência de turismo em alto mar. Forçou a atenção tentando ser discreto e reconheceu que a voz de um homem rouco falava Português, pareciam ser íntimos pelo tom usado no convite para uma sessão de cinema.

‘Vou ficar mais um pouco.’ Ela disse sem muito entusiasmo. ‘Pode ir, te encontro lá.’

~ continua ~

 começamos bem?...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

I love Machadinho!

Olá,
Engraçado como a vida leva a gente daqui prá lá e quando a gente vê está envolvida até a raiz dos cabelos com o universo Austen enquanto pérolas como Machado de Assis  continuam no seu cantinho no coração...



Eu me apaixonei mais por Machadinho do que por Capitu ou Bentinho... E olha que Capitu é tudibom! Mas a maneira como Machadinho conversa com o leitor me pegou de jeito - eu me lembro de jogar minha cópia de 'Dom Casmurro' para o outro lado da sala quando ele mandou! Ha!

"CAPÍTULO XLV de Dom Casmurro
ABANE A CABEÇA, LEITOR

Abane a cabeça leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já o não obrigou a isso antes; tudo é possível. Mas, se o não fez antes e só agora, fio que torne a pegar do livro e que o abra na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor. Todavia, não há nada mais exato. Foi assim mesmo que Capitu falou, com tais palavras e maneiras. Falou do primeiro filho, como se fosse a primeira boneca."


mundoHQ

Capitu, aquela ninfa de olhos de ressaca!... 
Ha!

E agora, 100 anos de Machadinho, toda a obra está disponível online... Ah, que lindo! Pena que a versão html não reconhece caracteres especiais como acentuação... Aff, nem tudo é perfeito.

E ele ganhou um Google Doodle...


Digo então mais uma vez: 
I love my Machadinho!

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Encontro Leque Rosa Editora Bezz com Blogueiros e Autores

Olá,
Está chegando o tão esperando evento de lançamento da Antologia 'Querida Jane Austen, uma homenagem' e será no 'Encontro Leque Rosa - Editora Bezz'. 
Já viu o convite no Facebook?

Vem bater papo conosco sobre Austen, romances e tudo mais.
Será um prazer!

Sitting with Jane

Hi there,
we're in full speed here preparing our Bicentenary celebrations, meanwhile we enjoy the lovely benches on 'Sitting with Jane' trail...
Oh, how I wish we could import some... Rio de Janeiro sure need a healthy dose of love...
Here are some of my faves so far:










We do miss you, Jane Austen!...


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Eu No Mundo dos livros

Olá!
Ontem coloquei em dia minhas pendências com as parceiras queridas e hoje a fofa Carolaine do No Mundo dos Livros já postou a EntrevINSTA lindinha... Olha só:

Qual dos livros que voce já leu mais te encantou?? 
Mmmm... Com certeza, o maior impacto veio de ‘Orgulho e Preconceito’ de Jane Austen porque com depois dele senti aquela vontade de quero mais tão forte que descobri o mundo das fanfics. Me apaixonei tanto que passei a produzir adaptações e romances inspirados. Mas o primeiro foi ‘A ladeira da saudade’ de Ganymédes José.

Qual seu autor e sua autora favoritos? 
Austen, sempre! Mas leio de tudo. Agatha Christie, Clarice Lispector, ando vidrada nos romances históricos por uns projetos novos- calada!

De onde surge motivação para escrever seus livros? E como surgem suas ideias para formação da história?? 
Vêm de todo lugar e de nenhum ao mesmo tempo... As Princesas Possíveis por exemplo nasceram das pérolas que achei na praia e no metrô, sabia que tinha que contar aquela estória... Mas demorou para vir. Quando me veio, Rafí era a própria Cinderela e tinha amigas... Daí aos contos de fadas foi um pulo. Então, acho que essas estórias por exemplo vieram de um dia na praia!

Quando você percebeu seu dom para escrever?? 
Aos poucos... Fiquei meio constrangida a princípio, mas quando reli o que escrevi gostei. Mostrei para uma amiga esperando que ela dissesse que ‘falta isso’ ou ‘explica aquilo’, mas ela perguntou ‘tem mais?’ Descobri que escrever me dava tanto prazer quanto ler o que outros escreviam então assumi escrever o que gosto de ler.

Muitas outras pessoas têm vontade de escrever um livro, mas tem receio de mostrar o que escreve, você já teve esse medo? Se sim como conseguiu supera-lo?? 
Tive muito receio, escrevia de madrugada quando não conseguia dormir. Com o tempo, passei a não dormir para poder escrever sozinha na sala, no escuro, no celular! Como disse, gostei do que li na manhã seguinte. Aos pouquinhos fui ficando confiante... Mas só contei ao meu marido quando já tinha uns 5 capítulos prontos do meu primeiro livro, Friendship of a special kind.

Quais conselhos você dá para quem sonha em ser escritora?? 
Tenta! Escreve até gostar do que você lê.

O que te inspirou a escrever as Princesas Possíveis ?? E qual seus personagens preferidos?? 
Já falei como comecei a escrever o primeiro livro – que é o segundo da série ‘Noiva em  pérolas’ inspirado em Cinderela. Rafí, a personagem principal, conversa com a irmã Melissa e a amiga Bianca, reclama do atraso da amiga Cecília, pede conselhos à amiga Ariela... Eram muitas outras personagens que ‘pediam’ para contar suas próprias versões então eu me dei o desafio de escrever uma série. Não sabia se ia conseguir... Só contei para as pessoas quando tive certeza que estava bacana, que eram 6 estórias diferentes e coesas, que se integravam e não se repetiam e sabe de uma coisa? Amei a experiência! Estou até pensando em repetir a dose! ;) 
Personagem preferido? Nem sob tortura eu digo!

Alguma vez você aprendeu algo com uma crítica? Se aprendeu, isso mudou seu jeito de escrever?? 
Aprendo sempre, até com as positivas. Porque não digo, mas sempre tenho uma quedinha por um personagem ou outro; daí alguém vem me dizer que a-m-o-u outro personagem meu por isso ou por aquilo e eu me reavalio. Acho que faz parte, me corrijo, procuro melhorar, me explico e aprimoro. Mas nem sempre é fácil Dói às vez.

Qual foi a maior dificuldade que você teve para publicar seu primeiro livro? E qual a sensação de vê-los nas livrarias?? 
Sou indie, então nas livrarias formais vou agora com a Antologia ‘Querida Jane Austen, uma homenagem’ da Leque Rosa – Editora Bezz que celebra os Bicentenário de falecimento da diva. Te falo em Agosto! ;) Cite uma frase que te define? Nada na vida é tão bom que não possa ser aprimorado.

Pra finalizar deixe um recado pros leitores, em especial pros seus leitores: 
Uma das coisas mais legais de escrever é receber feedback. Adoro quando alguém me acha no Facebook ou Twitter ou Insta para dizer: ‘Li seu livro!’ Se puder, faça isso também. As Princesas Possíveis estão aí, um novo conto de fadas moderno e pé-no-chão a cada 2 meses – são 6 motivos para falar comigo...

Não é muita lindeza?...

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Querida Jane Austen, uma homenagem

Projetos queridos muitas vezes demoram a sair do forno, precisam de mais cuidado e mais aprimoramento. Os caminhos tortuosos fazem a chegada ainda mais doce... Esse projeto é um caso especial assim, maneira tão carinhosa de homenagear Jane Austen no Bicentenário, data tão delicada.



Para celebrar os 200 anos de falecimento, já lancei o trio de romances históricos em Inglês 'LOVE IN 3 ACTS', meu primeiro romance 'FRIENDSHIP OF A SPECIAL KIND' receberá um revamp fantástico e em Português, nesta Coletânea linda da LEQUE ROSA está um mashup bem humorado misturando toda a obra de Jane Austen em um final de semana no Vale do Café.



Pera, uva, maçã ou salada mista?

sinopse conto Moira Bianchi

"Lenny gostava de fazer graça dizendo que era solteira porque os bons pretendentes estavam nos livros de Jane Austen, mas no fundo realmente sonhava em encontrar seu Mr. Darcy. Ou Knightley. Tilney, Wentworth, Ferrars, DeCourcy ou outra variação... 

Um feriadão vivendo a Regência Inglesa no Vale do Café Carioca configurava sem sombra de dúvidas o cenário perfeito, bastava-lhe estar munida da coragem de Lizzy, a petulância de Emma, a curiosidade de Catherine, a paciência de Anne, a sensibilidade de Elinor, a inteligência de Susan...

O problema é que Lenny não fazia ideia do quão difícil seria identificar um espécimen assim tão valioso. Se ao menos Austen tivesse deixado mais pistas...


Um mashup bem humorado, uma alegoria para divertir fãs convictos e conquistar novos Janeites."
290 páginas - ilustrado
COMPRE AQUI diretamente no site da editora valor especial de pré-venda R$ 23,34

Na AMAZON Jane Austen. Uma Homenagem com frete grátis (ver condições especiais)
No Bicentenário de falecimento da grande escritora inglesa JANE AUSTEN
o selo LEQUE ROSA não poderia ficar de fora dessa homenagem.

À escritora que não teve medo de criticar a sociedade de seu tempo;
À filha e irmã que sempre esteve ao lado de quem tanto amou;
À mulher que acreditava no amor e, por isso, não se submeteu a um casamento por conveniência;
À criadora de personagens masculinos que até hoje povoam o imaginário feminino;
À pessoa que buscou a felicidade e acabou por trazê-la, com suas histórias, à vida de outras pessoas.
Um livro de contos, de época e contemporâneos, inspirados nas histórias e personagens dessa talentosa escritora.
Um livro para deixá-lo metade agonia, metade esperança e enfeitiçá-lo de corpo e alma...
Uma Homenagem.


É muito amor envolvido!...
Na Coletânea, as autoras soltaram a criatividade em 8 contos de época e atuais, de Orgulho & Preconceito, de Razão e Sensibilidade, de Persuasão, da Abadia de Northanger, e 2 artigos sobre indumentária e culinária!... Tudo tão bacana! Jane ia amar, tenho certeza!
Jane ia sentar com seu chá favorito e curtir essa homenagem tão carinhosa com um sorriso no rosto!

Teremos festa de lançamento com autógrafos, beijos, abraços e sorteios na Livraria MARTINS FONTES da Av. Paulista, dia 15/julho. Vem?
Estou muito, muito feliz mesmo!



Viva Austen! 
Viva as amizades vindas de Austen!



terça-feira, 30 de maio de 2017

Regency love alternative - part 4

And with curiosity come consequences...

Love in acts

3rd act

LOVE INSIDE AND OUT

sweet loving, humor, rated M, short, P&P alternative from Hunsford on


Chapter 3


‘Collins, you have to think what will you do with your inheritance in Hertfordshire.’ Lady Catherine raised her voice during dinner. ‘Richard, are you of the mind to buy an estate? As a second son, you will not inherit land and a gentleman needs to have a place of his own.’

Elizabeth gritted her teeth and balled her hands. Darcy averted his eyes to her, his own teeth gritted.

‘I am considering options, Aunt. Perhaps Darcy can help me as he has been helping his friend, Bingley.’ Colonel Fitzwilliam said and his cousin pressed his lips nodding.

‘Pray, why not closer to us, cousin?’ Anne’s wisp of a voice was heard by those around her.

‘Nonsense. Collins has an excellent life here; he will not have need for an estate, especially one under pitiable management as the one due to him.’

Elizabeth cleared her throat to speak but Charlotte shook her head vehemently begging silently her not to pick up a fight at her husband’s patroness’ dinner table.

Darcy watched the exchange; he too was extremely upset with the conversation. ‘Longborn is not pitiable, madam. It is quite a good property, has excellent prospects for crops and cattle, in need of new tenants and a severe steward. The house needs renovation and a more comfortable drawing room. In the right hands it can be a profitable income source.’ He gave his expert opinion. ‘It is nearsightedness to think less of it.’

‘Certainly Darcy is the man to help me decide if buying an estate is the right choice and of course, what to buy.’ Richard looked at Darcy who shook his head and his eye pointed at Elizabeth.

‘It is settled then. Collins will sell and Richard will buy.’

‘Pray, madam, Mr. Collins is yet to inherit the estate! I have just received word of a great ball in Meryton. Perhaps if my papa takes a liking to the wine, my mama can breed a brother… Mr. Collins might work on his sermons for a few decades yet.’ Elizabeth faked a smile, Charlotte gasped, Mr. Collins choked on his food.

‘Upon my word, you speak your mind very decidedly, girl!’

‘Madam, call a footman to help Mr. Collins or else he may not live to sing Easter prayers!’ Colonel Fitzwilliam joked seeing the man’s face redden and Darcy hid his chuckle in his wine glass.

---

‘Good morning, Miss Bennett.’ Darcy bowed tipping his hat.

‘Oh, no!’ She huffed and passed him by.

‘Miss?’ He called out but she didn’t turn or stop to give him attention. ‘Miss Elizabeth!’

She stopped abruptly and turned to him, hands balled at her sides. ‘What can you have to offend me with, sir, that wasn’t already said or implied yesterday?’

He shook his head. ‘Madam?’ She groaned and turned to walk away from him again. ‘Please, madam, how have I offended you?’ He walked after her.

‘Please, sir, leave me be.’

‘No, if I have offended you, I apologize; but I didn’t. Quite the contrary. Since I arrived and accidentally learned about your predicament, I have been trying to help you.’ He heard her snort as he walked behind her for the sole pleasure of watching her loveliness outlined by the thin yellow morning dress. His steps were at least three times bigger than hers, if he wanted, he could easily walk beside her, especially as they climbed the hill they had visited the previous day. ‘Madam, I deserve your attention.’

‘You think you deserve anything from me?’ She roared.

‘Yes.’

‘After you insulted me in almost every manner possible?’ He shook his head raising his shoulders and it further fueled her. ‘First you implied my virtue is lost, that I should put whatever is left of it in your gracious hands and finally you said my father is incompetent and lazy.’ She counted on her fingers.

His eyes wide, he caught her by the elbow and unceremoniously stirred her towards the top of the hill where they wouldn’t be overheard for they had open view of their surrounds and could see anyone approaching. She tried to jerk her arm away from him frowning but he kept going until they were alone.

‘I refuse to let you compromise me out of spite!’ She roared one more time.

‘Compromise you?’ He snorted.

‘Right, that is what is missing: you are about to propose I become your kept woman.’ She snapped and he widened his eyes. ‘This is probably the biggest offense of all.’

‘Miss Bennett, the sun must be getting to your head. It never crossed mine to propose such a dishonor to a gentlewoman, especially not you, madam.’

‘Oh please. Why else your valet would tell it to all of the Parsonage’s servants?’

‘Deuce take Rodgers.’ He muttered balling his hand and gritting his teeth.

‘Now, sir, you may consider me properly ruined, but I will not allow you to actually compromise me.’ She motioned to walk back down the hill.

‘Don’t go away denying me a chance to explain.’ She snorted shaking her head and started down the path. ‘Bloody vixen.’ He muttered and easily caught up with her to block her way. ‘I defended your father’s estate last evening.’

‘By saying it is poorly run?’

‘It is, madam.’ He said and she fumed. ‘I beg your forgiveness, but in my humble opinion your father has given up the hard work of running an estate because of the lack of direct heirs. What Longborn produces is enough for your comfortable country life and he is satisfied with it.’

She pressed her eyes in anger, head tilted up. ‘How dare you?’

‘It is my opinion. I was raised to be a landlord, my father has taken diligent care of teaching me the hard work and this is the impression I had from the few times I visited Longborn.’ She pursed her lips and he considered it his chance to keep explaining himself. ‘I never implied you are ruined or fit to be my lover. I can swear on my honor I never preyed on yours and can vouchsafe my stupid valet did not say what the other servants gossiped. He has been working for me for five years already, I know the man.’ She wanted to speak but he raised his palm. ‘If the stupid fool did imply anything of the like, I will offer you his heart as the Huntsman did to save Snow White.’

She held her bosom. ‘Good Lord!’

‘I heard you talk to your friend saying Caroline Bingley is ‘blackmailing you to ruin’, then you used the term ‘profit’. I offered my help and you refused.’ He took off his hat to run a hand through his hair. ‘If you had confided in me when I asked, I could have prevented this misunderstanding.’

‘I don’t have to share my, my, my…’

‘Secrets?’ He asked. ‘Problems?’ She sighed, her shoulders sagged. He took her hand and brought it his lips. ‘Please, forgive me one more time and allow me to put an end to your ailment.’

‘It is nothing, sir, really.’ She sighed and accepted when he directed her again to the top of the hill, again used his handkerchief to cover the rock so she’d seat and positioned in front of the sun. ‘It is a wonder you don’t know.’

‘Pardon?’ He squeezed her hand.

‘We had met a couple of times already when you arrived at Meryton. Of course it was the first chance you had to slight me, but we had been at the same ball last season in London. Also the theater, the day the King appeared unannounced.’

Darcy took a step towards her, his heart beating fast. ‘Really, madam?’

She nodded. ‘My aunt Gardiner is from Lambton, she talked about you.’

‘Gardiner from Lambton? I’m not familiar with this name.’

‘Taylor. Her parents had a small leather goods shop.’

‘Yes!... Best gloves I ever had.’ He nodded smiling. ‘And didn’t she approach me?’

She chuckled derisively. ‘Pray, sir, you are not very inviting in public.’

‘I apologize, madam.’ He tilted his head slightly. ‘Deeply. Am terribly sorry for having missed the opportunity to meet you sooner. Your aunt is of the Ton, how is this a problem, madam?’

‘The problem is that Miss Bingley recognized me from the few events I have been to, and well…’ Elizabeth sighed miserably.

‘Tell me, please.’

‘Oh, sir, you met my mother. Imagine if she knew I attend Season events and have connections and…’ She bit her lip. ‘Miss Bingley has witnessed a situation.’ She shook her head, eyes wide. ‘Totally proper, I assure you nothing that taints my virtue.’

‘I believe.’

‘Miss Bingley, you know her too, she can be very attentive to people’s social instances…’ He nodded pressing his lips, painful expression in his face. ‘My uncle is friends with a few gentlemen with prestigious connections and once I danced two sets with a certain gentleman. If my mother knew, she would go berserk and start making wedding breakfast plans and my life would be a living hell. It is already so very hard to live after I refused Mr. Collins.’

Darcy let go of her hand stupefied. ‘You refused my Aunt’s parson?’

‘How could I not, pray, tell me?’

He chuckled. ‘Miss Bingley tried to blackmail you how?’

‘She wanted me to introduce her in better circles or else she would let out the gossip, mmm, saying a titled gentleman was partial to me.’

‘Is it all she had?’ He asked and she nodded. Darcy wanted to laugh and hug her for she was adorable and handsome, lively and feisty and he was irrevocably enraptured. ‘Never fret about this anymore, madam, I shall-’

He stopped and they both looked towards the path. ‘I heard someone call me.’ She said, he nodded and they heard again. Two men calling out her name, once more and suddenly Mr. Collins and a tall pudgy gentleman who seemed familiar to Darcy appeared. Elizabeth stood in awe. ‘Clarence!’  She cried and Darcy frowned at her, his chest immediately tightening.

‘Ah, Mr. Darcy, I was not aware you were fond of walking and-’ Mr. Collins stopped short. ‘Miss Elizabeth, I was just looking for you as your maid said you usually walk up this lane.’ He smiled. ‘You have a most prestigious caller who cannot be left waiting.’

‘Miss Bennett! It is a pleasure to meet you again!’ Vaughn Clarence, The Third Earl of Brakenbury asked for her gloved hand and placed a lingering kiss on her knuckles, a box under his other arm. ‘Surprise of all surprises, with my old friend Darcy!’

‘Clarence.’ Darcy bowed. ‘My lord.’

Elizabeth curtsied low. ‘My lord, what a surprise! You didn’t say you might come by in your le- last time we met.’

Darcy choked on his own saliva. She received letters from Clarence, crest of arms on the seal, danced several sets with him in balls.

‘This is for you, Miss Elizabeth.’ The Earl bowed extending the box and Elizabeth’s eyes twinkled.

‘Good Lord!’ Collins gasped. ‘A mask? Why would dear Miss Elizabeth need a mask, sir?’

‘You see, good parson, I discovered in the handsome Miss Bennett an enthusiast for travelling. She was delighted with my recounting of the Carnival I witnessed in Venice and my mother thought it might please the lady to commission a mask for her. I am but a humble delivery boy.’

Darcy snorted, Elizabeth’s eyes and smile never left the contents of the box.

‘A gift from Lady Brakenbury, I say!’ Collins gushed already thinking what his patroness would have to say about it.

‘There are drawings here, sir…’ Elizabeth’s eyes shone studying the watercolor representation of a handsome lady in a magnificent gold and green gown with fan collar and deep red décolletage.  The sleeves were slender but the skirt was so wide one could hide a small child under it. The large golden collar would certainly bring attention to the woman’s bosom in deep red and to the face… ‘This mask is exquisite, I thank her ladyship but pray, sir, in this drawing it shows a fantastic mane of feathers-‘

‘Miss Bennett!’ Collins gasped. ‘One might think you are complaining your gift is incomplete!’ he snorted rolling his eyes to Darcy who felt his insides burn.

‘Fret not, Mr. Collins, I do understand Miss Bennett. I know she appreciates the offer.’ Lord Brakenbury’s eyes met Elizabeth’s. ‘And she might recall the invitation she was made. If, no, when. When she accepts it, her mask shall find completion.’

She blushed and returned her eyes to the mask.


Bloody Clarence, deuce take him, was courting the lady who had bewitched Darcy.


What now, Mr. D?
A rival?
Oh, dear!

Don't forget this story (as well as the other 2 in this LOVE set) are available on kindle and google play

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Noiva em 6 pérolas - Cinderela moderna - capítulo 2

Serafina e Nicolas ainda têm muito à sua frente, e tudo-ao-mesmo-tempo-agora...
Olha só!



Série PRINCESAS POSSÍVEIS
VOLUME 2
romance inspirado em 'Cinderela'
capítulo anterior

~ 8.05 ~

Na semana seguinte, a cidade em antecipação ansiosa do frenesi da compra de ingressos inflacionados,  Serafina e Melissa foram convidadas para a festa pré-Olímpica da empresa onde a amiga Bianca trabalhava. Era uma grande companhia multinacional de exploração de petróleo, um dos grandes patrocinadores do evento que distribuiria ingressos antes e faria festas durante os dezenove dias de competições.

‘Gostaríamos de agradecê-la por sua gentileza em diversas maneiras, mas meras palavras não seriam suficientes, Bia. De mais a mais, queremos mesmo é aproveitar o open bar e torcer para ganhar algum ingresso nos sorteios!’ Serafina sorriu enquanto a irmã ria.

‘Ah, mas vou querer todas as palavras que conseguir encaixar em frases rebuscadas, senhorita!’ Bianca riu da gaiatice da amiga.

‘As meninas vêm?’

‘Ceci disse que viria, mas está atrasada.’ Levantou o telefone indicando uma mensagem de texto. ‘Ari disse que não quer encontrar ninguém do trabalho e Bele viajou com Pedro. Somos só nós por enquanto... Podemos ir ao bar. Algumas vezes. Depois você começa com a formalidade!’

‘Fui!’ Serafina se virou.

Bianca segurou-a pelo braço. ‘Fica de olho, Mel. Não deixa ela estragar o emprego novo antes mesmo de começar.’ As duas irmãs Mello se entreolharam. ‘A tal entrevista semana passada?...’ Um sorrisinho de lado.

‘Foi você!’ Serafina apontou para o nariz de Bianca e riu. ‘Por que não me falou?’

‘Não posso. Tem que vir de uma agência, coisa de protocolo.’ Bianca deu de ombros. ‘Ouvi dizer que você pediu uma grana alta. Pode esperar uma contraproposta.’ Piscou um olho.

‘Espera, estou confusa.’ Melissa levantou a mão. ‘Ofereceram a Rafí um emprego na HHO. Como você sabe-’

‘O quê?’ Bianca arregalou os olhos.

‘Não foi bem uma oferta... A mulher disse que eles precisam montar um departamento para caçar ecologistas.’ Serafina explicou.

‘Ai, quando meu chefe ouvir isso... Te indiquei para trabalhar com a gente, não com eles para nós!’ Bianca cruzou os braços no peito sacudindo o cabelo cleópatra para tirar dos olhos e procurar entre as muitas pessoas na festa. ‘Achei!’

‘Mmm... Bia, não fala nada agora.’ Serafina torceu os lábios. ‘Seu chefe é aquele gordinho carequinha? O cara bonitão conversando com ele?’ A amiga e a irmã esticaram o pescoço. ‘Ele trabalha lá na HHO.’

‘Não vou deixar essa traição passar em branco.’ Bianca suspirou tentando derreter a irritação.

‘É o Otariano que te falei, Mel.’

‘Gato, ?’

‘Sim...’

‘Otariano de que modalidade?’ Bianca apertou os olhos para analisar o espécimen com cuidado.

‘Master.’ Uma sacudida de cabeça vigorosa o suficiente para bagunçar o cabelo. ‘A tal esquisitona magrinha que me convocou saiu para almoçar na hora que marcou comigo, fiquei de castigo esperando.’

‘Que cretina!’ A amiga se solidarizou.

‘Então.’ Serafina franziu a testa. ‘Esse Otariano chegou, a recepcionista disse que a esquisitona deixou ordem para me entrevistar, mas ele disse que estava ocupado demais.’

‘Nem disse ‘foi mal’?’

‘Ofereceu café.’

‘Master otariano.’

Concordaram todas com um decisivo aceno de cabeça.

‘Mas sabe, a cretina tinha dois furos em cada orelha.’

‘Ainda acho que é coisa antiga isso, de ter vários furos.’

‘Coisa de mãe, Rafí. Nossa mãe tem três em cada.’

Serafina suspirou. ‘Ainda assim, vou fazer mais um...’

Bianca balançou a cabeça devagar, olhos ainda no chefe conversando com Nicolas. ‘Melhor esperar mesmo... Que tal um espumante?’

Durante a festa, Bianca não teve muita chance de falar com o chefe sobre o assunto e menos ainda quando pudesse fazê-lo se interessar. Tinham que dar atenção à muita gente interessante, fornecedores, coordenadores, acionistas e a festa empolgante tomava conta de todos.

Quando apresentações artísticas de modalidades olímpicas começaram no palco, Serafina de repente se achou cara a cara com o Otariano.

Tinha ido ao bar para outra minigarrafa de vinho espumante e ao se virar quase bateu nele. Um longo momento constrangido se passou quando seus olhos se encontraram até que ela corou o vendo corar.

‘Desculpe.’

Serafina sacudiu a cabeça baixa.

Ele arrumou a camisa, coçou a nuca, passou a mão no cabelo, mas não conseguiu tirar os olhos da garota bonita. O dia que ela esteve no seu escritório, ele estava muito ocupado para trabalhar para sua recrutadora. Era uma profissional tão competente quanto esperta, vivia montando esquemas para delegar suas funções para outras pessoas. Mas se arrependeu de resistir ao apelo da garota bonita, a economista excêntrica. Agora ela estava perto o suficiente para uma segunda chance.

Como o cara não saía da sua frente, Serafina precisou olhar para cima e pedir licença, mas ficou presa na horda de pessoas em busca de caipirinhas e o Otariano acabou sendo sua chance de sair de perto do bar. Bem mais alto, ele levantou o braço sobre a cabeça dela, pegou sua cerveja e gentilmente abriu caminho para ela passar na frente dele.

‘Valeu.’ Ela sorriu sem jeito.

‘Sem problema.’ Ele devolveu o sorriso.

Serafina já estava pronta para fugir quando sua impertinência falou por ela. ‘HHO, certo?’

‘Sim.’ Ficou contente de saber que ela se lembrava.

‘O cara ocupadíssimo.’ Ela levantou uma sobrancelha. ‘Deve estar ocupado agora também...’ Talvez fossem as bolhas do vinho falando por ela.

Nicolas corou e teria levantado as sobrancelhas de susto se não tivesse se contido a tempo.

Serafina estudou a reação dele com cuidado. O cara não tinha um rosto exatamente bonito, mas era muito agradável. Era charmoso, alto, atlético, carregava a camisa da Grã Bretanha e o jeans velho com muita elegância. Estranhamente ela se sentiu atraída pelo Otariano e seu olhar intenso. Corou constrangida e se surpreendeu com sua própria reação. Poderia ser o mini espumante que ela havia bebido quase todo antes de ficar quente, ou o outro congelando seus dedos enquanto ela esperava o cara responder, mas qual fosse a razão para sua impaciência, resolveu oferecer trégua. ‘Antes que seus muitos compromissos te chamem, eu sou Rafí.’ Disse esticando a mão ironicamente.

Nicolas acabou rindo baixinho. ‘Muito prazer. Nico.’ Sacudiu a mão delicada com vontade.

‘Nico...’ Ela franziu os lábios para o lado. ‘Apelido?’

‘Sim, como Rafí.’ Ele espelhou as sobrancelhas elevadas. ‘Apelido para Nicolas. Brent, sou Nicolas Brent.’

O nome lhe pareceu familiar. ‘Mas você não é Brasileiro, é? Tem um sotaque...’

Fifty-fifty. Mãe Brasileira, pai Inglês.’

Would you rather talk in English?’ Perguntou franzindo a testa.

Ele sacudiu a cabeça. ‘Tranquilo, sempre falei Português em casa; moro aqui há anos.’ Ficou satisfeito com a oferta, ela pretendia continuar a conversar com ele. ‘No escritório falamos muito Inglês, talvez por isso não tenha conseguido perder o sotaque ainda.’ Sorriu sem jeito.

Serafina fez bico para alcançar o canudinho e bebeu com olhos nele pensando que o cara tímido tentando flertar não lhe era bem vindo. Nem um cara desinibido flertando também. Ela tinha tipo um caso com Jorge e... Ah, que bobeira. Ela não tinha nada demais com Jorge que flertaria com um poste se estivesse de saias. Mas dar uma chance a esse otariano... Sua paciência estava prestes a abandonar Nicolas. ‘Sabe meu nome... Então me fala da proposta de emprego que seu escritório me fez.’

Ele prendeu os lábios. ‘É assunto para ser discutido no escritório. Os clientes sempre pedem discrição para não alertar a concorrência.’

Serafina mordeu o lábio. “Claro, Rafí. Que burrice! Dando furo na frente do otariano gato. Otária!”

‘E de qualquer forma, não tenho detalhes sobre a oferta que lhe foi feita.’ Nicolas continuou por receio de que ela encerrasse sua conversa tatibitate e não percebeu que tinha instigado sua curiosidade.

‘Achei que a tal Zara tinha deixado recado para você falar comigo... Ainda assim não sabe nada do que conversamos?’

‘Mmmm...’ Nicolas tentou achar uma saída.

‘E sei que seu escritório soube de mim porque uma amiga que trabalha na empresa que está dando essa festa me indicou, querem que eu trabalhe com ela ajudando nas ações de proteção do meio ambiente – o que é irônico, na minha opinião. Explorar petróleo e cuidar do meio ambiente. Enfim, se fui indicada por uma empresa para ser contratada pela sua agência, como me ofereceram um emprego de recrutadora? Pelo menos foi o que entendi.’ Ainda Nicolas continuava mudo e Serafina pensou ouvir o cérebro dele funcionando. ‘Mas bem, discrição, concorrência, ocupadíssimo e tal.’ Deu de ombros e bebeu de novo.

Nicolas piscou, olhou sobre o ombro direito, esquerdo e apontou para as mesas atrás dela. ‘Está vendo aquelas mesas perto da piscina?’ Serafina se virou e balançou a cabeça. ‘Srta. Mello, podemos conversar por alguns minutos?’ Perguntou mudando a expressão do rosto. ‘Uma reunião informal, se me permitir.’

‘Sabe até meu sobrenome.’ Ela levantou as sobrancelhas mais uma vez. ‘Vamos lá, Sr...’ Apertou os olhos tentando lembrar.

‘Brent.’ Ele disse apontando a direção.

Ela o acompanhou pela cobertura do hotel de luxo na praia de Copacabana sentindo-se constrangida pela camiseta do Brasil rebordada de paetês e o short jeans. Sem falar dos tênis! Quando ele entregou a cerveja pela metade a um garçom que passava, ela fez o mesmo e quase sem querer encontrou os olhos da irmã. Apontou para o cara na sua frente e fez careta, Melissa respondeu com outra e ela deu de ombros.

Em volta da piscina, Nicolas escolheu a mesa mais afastada, puxou uma cadeira para ela e sentou à sua frente.
‘Como lembra meu nome?’

‘Sua ficha.’ Ele disse, ela balançou a cabeça achando óbvio. ‘E eu sabia que tinha sido convidada para uma entrevista.’ Ele emendou uma explicação ao mesmo tempo sucinta e detalhada da história da HHO.

‘Li no seu site. Pesquisei porque achei a insistência em me entrevistar muito esquisita.’

‘Peço desculpas se Zara foi lacônica. Mas como o herdeiro vem assumindo os negócios aos poucos, estamos redefinindo alguns processos. Nossa meta é focar em profissionais jovens para oxigenar o sistema e oferecer inovação aos nossos clientes.’ Nicolas explicou que quando pesquisaram sobre ela para o cliente descobriram seu potencial para eles que ainda não dominavam a área. Desculpou-se por não tê-la atendido pessoalmente e sutilmente deixou-a entender que seria convidada para uma nova entrevista.

Em um misto de orgulho e desânimo, Serafina viu que ele flertava com ela profissionalmente e não romanticamente. Todo o tempo ele queria a convencer de que a empresa dele era um lugar maravilhoso para se trabalhar... Nenhum interesse pessoal. Foi salva de mais constrangimento pelo início dos sorteios e ambos levantaram para voltar ao restaurante onde estava o apresentador.

‘Obrigado por sua atenção, Srta. Mello.’ Ele disse educadamente a acompanhando em volta da piscina.

‘De nada, Sr. Brent.’ Sorriu. ‘Pode me chamar de Rafí. Nico?’

‘Rafí.’ Ele sorriu de volta, desta vez espontaneamente e seu rosto todo mudou; sorria como um menino. ‘Mais uma apresentação.’ Disse esticando o pescoço na direção do palco. ‘Ginástica artística, acho.’

‘É... Vamos às Olimpíadas.’ Prendeu os lábios. ‘Iupi.’ Ela olhou ao redor procurando a irmã ou a amiga, precisava de colo.
‘Não parece muito animada, Rafí…’

Ela deu de ombros deixando a alça bordada escorregar. ‘Não ligo, até evito me envolver muito. Perdemos tantas medalhas por falhas, não temos um programa bacana de incentivo ao esporte... É frustrante. Tem nadador com mais medalhas de ouro que o Brasil.’

‘Mas ele é um caso excepcional.’

Still.’ Ela deu de ombros, ele balançou a cabeça. ‘Você gosta?’

‘Adoro. Sou viciado em Olimpíadas.’ Sorriu espontaneamente de novo e esticou o braço mostrando uma tatuagem antiga.

‘Anéis Olímpicos? Nossa!...’ Ela se admirou sem se admirar pensando com tristeza no 7x1. ‘Ué, seis anéis?’

‘Bronze. Atenas, 2004.’

‘Jura?’ Agora ela se admirou realmente, levantou as sobrancelhas e um sorriso lhe escapou os lábios.

‘Juro. Em Pequim caí nas semifinais.’

‘Está brincando, não está?’

Ele sacudiu a cabeça. ‘Fencing, foil.’ Ela franziu a testa sorrindo tão linda, ele fez força para pensar em como a modalidade se chamava em Português. ‘Esgrima.’ Pensou. ‘Florete?...’

‘Espada fininha e comprida, que nem de mosqueteiro?’

Ele riu. ‘Mais ou menos.’

‘Nossa!... Que… máximo!’

Ele sorriu de orelha a orelha.

‘Era novinho.’ Ela corou, sem querer tinha perguntado a idade dele.

‘Dezessete anos. Foi incrível.’

Serafina riu. ‘Uau! Parabéns!’

‘Obrigado.’

‘Vai ver as competições aqui?’

‘Claro!’ Ele riu satisfeito. ‘Meus amigos do time já me mandaram credencial, estão hospedados comigo para treinamentos, reconhecimento do local, essas coisas.’

‘Boa sorte para Inglaterra.’

Great Britain.’ Sorriu apontando a camisa. ‘Boa sorte para o time do Brasil também!’

Trocaram ainda alguma conversa sobre competições e espírito olímpico até que ele a deixou perto da irmã e amiga a quem foi apresentado.

Ficou de olho na garota bonita e esperta, tão fora do seu alcance quanto antes de juntar coragem o suficiente para ir ao bar quando ela foi. Nem sabia dizer por que esta garota bonita dentre as muitas garotas Brasileiras bonitas mexia tanto com ele, mal a tinha conhecido, mas incrivelmente a havia visto de longe como naqueles romances açucarados de amor à primeira vista.

Andava distraído, pensando em cinderelas e mistérios intrigantes, fantasmas até e de repente lhe apareceu a bela muito real. Quão... Curioso! Pensou a observando de longe.

Serafina, nome incomum. Um anjo, se não estava enganado. Serafina Mello, linda, curiosa, esperta. Rafí.


Ela tinha noção que ele esteve sempre por perto enquanto ela ficou na festa, mas não tinha mais graça.

Bia: o cara é gato, mas mau caráter
Rafí: nem sei se é
Ceci: me esperem, tô chegando!
Mel: sei que é gato
*foto*

Serafina parou de digitar para repreender a irmã ao seu lado na festa. ‘Não acredito que fez isso! E se ele te viu tirando a foto?’ Bianca riu oferecendo a mão para um high five com Melissa.

‘Viu nada, agora é que está de olho em você!’
Serafina piscou sentindo o rosto queimar.
Ari: gato
Vai fundo
Rafí: ele só quer me contratar
Ceci: que safadeza é essa?
Pedi para me esperarem!
Bele: gente, duas horas sem celular e todas essas mensagens?
Gato safado querendo contratar quais serviços?
*emoticon de piscadela*
As três amigas riram, uma delas sem muita convicção.
Sabia que era bonitinha, tentava manter uma rotina preguiçosa de esporte na praia, estava em forma, se vestia bem (mesmo que de short, tênis e camiseta), cabelo bonito, maquiagem em ordem... Mas o cara charmoso só via a economista especializada em ecologia.

Tudo bem, ser vista como uma boa profissional era bacana. Tipo. O problema era que toda mulher bonita queria ser apreciada por um homem bonito.

Foi como se tivesse feito gol contra.



É... nem tudo é fácil.
Ou é? 

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