quarta-feira, 5 de março de 2014

Pollyanna

E o Carnaval passou...
Eu adoro Carnaval, especialmente os blocos de rua. Fizeram parte da minha infância e adolescência e agora tento fazer meu filho gostar (sem muito sucesso. Meu marido também não gosta, só me acompanhava -e se divertia- antes do nosso filho nascer.).

Para fugir da tentação de seguir qualquer bloco que passe por mim, tenho saído do Rio. Esse ano fomos novamente ao Hopi Hari em SP e... vou muito legal. Mas não como os blocos de rua da minha infância, aquilo era Carnaval!


Outra boa memória de infância é o livro de hoje 
nas minhas 40 páginas 40.

Quando minha professora de Português nos pediu para ler Pollyanna Menina para ler, torci o nariz porque tinha algumas amigas chamadas 'Poliana' e nenhuma me era particularmente querida. Era 1983, eu tinha 10 anos, era o início da quinta série (nem sei que série é essa hoje... 6º ano?) e ler um livrão desses era um suplício.

Mas advinha? Antes que a turma terminasse eu já estava na Moça...

Puxa, que viagem ao passado... O jogo do contente!


Eleanor H Porter

Capítulo IX
O que se fala do “homem”

página 40

"– Como vai o senhor? Estou contente que hoje não seja ontem, não acha?
                O homem parou bruscamente. Tinha uma expressão zangada.
                – Olha, minha menina, vamos resolver isto de uma vez por todas. Eu tenho mais no que pensar, além do tempo que faz. Nem reparo se o sol está brilhando ou não.
                Pollyanna respondeu alegremente.
                – Isso mesmo, senhor. Eu sei que não presta atenção no tempo, e é justamente por este motivo que eu digo todas as vezes como o tempo está.
                – O quê? – perguntou, olhando espantado.
                – Eu sei, é por isso que eu digo, para o senhor ficar sabendo se o sol está brilhando ou se está nublado. Eu sei que ficaria bem contente se parasse de pensar nas suas coisas. Se não repara no sol é porque não para de pensar!
                – E o que mais? – rosnou o homem com um gesto de impotência. Continuou andando, mas logo se deteve. – Escute, por que não procura alguém da sua idade para conversar?
                – Eu gostaria, senhor, mas não há ninguém da minha idade por aqui – respondeu ela. – Mas eu não me importo muito. Gosto das pessoas mais velhas, mais do que das da minha idade. Me acostumei com as senhoras da Caridade.
                – Ah, as senhoras da Caridade? E me acha parecido com elas?
                O homem tentava esboçar um sorriso, mas o resto do rosto não deixava. Pollyanna percebeu e começou a rir.
                – Ah, não, senhor. Não se parece nada com as senhoras da Caridade, mas decerto é tão bom como elas, talvez até melhor – acrescentou ela, tentando ser educada. – Tenho certeza de que é muito melhor do que parece!
                O homem engasgou com alguma coisa e só pode murmurar: – Está bem – e continuou no seu caminho.
                Da próxima vez que Pollyanna encontrou “o homem”, os olhos dele se fixaram diretamente nos dela com uma franqueza que tornou o rosto dele agradável, pensou Pollyanna.
                – Boa tarde – cumprimentou-a rigidamente. – Talvez seja melhor eu dizer que já sei que hoje o sol está brilhando.
                – Não era preciso – respondeu Pollyanna alegremente. – Eu já sabia que o senhor sabia.
                – Ah, sim, sabia?
                – Sim senhor, vi nos seus olhos e fiquei sabendo pelo seu sorriso.
                – Hum! – resmungou o homem enquanto se afastava.
                Depois disto, o homem sempre falava com Pollyanna e era ele que, frequentemente, falava primeiro, se bem que, normalmente, pouco mais do que um “Boa tarde”. No entanto, mesmo isso foi uma grande surpresa para Nancy, que estava com Pollyanna num dos dias em que eles se cruzaram.
                – Pelo amor de Deus, Miss Pollyanna! Esse homem a cumprimentou?
                – Sim, cumprimenta sempre, agora – respondeu Pollyanna com um sorriso.
                – Cumprimenta sempre! Meu Deus! Sabe quem ele é? – perguntou Nancy.
                Pollyanna ficou séria e abanou a cabeça."
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Bom mesmo é ser criança.
Não me leve a mal, hoje ainda é Carnaval!
Vou procurar um bloco atrasado...



Anúncio: 40 páginas 40 é meu jeitinho de engolir celebrar meu aniversário de 40 anos. 
Divulgando esses 40 livros bacanérrimos, de maneira nenhuma quero prejudicar os autores. 
Se você, como eu, gosta do que lê, compre o livro! 
Todos os 40 livros estão listados aqui na barra lateral. ►
Achei as imagens no Google. Créditos a quem postou primeiro.