segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Em algum lugar do passado

olá,

Sessão da Tarde fez (e faz) parte da vida de muitas pessoas. São os mesmos filmes, sempre comédias românticas ou filmes de ação light como Curtindo a vida adoidado , A Lagoa azul , O bagunceiro arrumadinho , O ama-seca , Um tira da pesada , Ghost , Ghostbusters .

Um filme da Sessão da Tarde que marcou minha adolescência foi o romance através dos tempos, um amor que resiste tudo. Eras, anos, vidas... Awww... tão lindo.



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Em algum lugar do passado

Richard Matheson

17 de novembro de 1971
página 40

"Minha viagem pelo tempo?

Céus, eu pertenço à “Galeria da Noite”, não a este hotel. Sou um idiota. Este hotel não é uma ilha de ontem, mas um marco envelhecido na praia. E Elise McKenna?

Uma atriz que faleceu há dezoito anos. Sem qualquer motivo dramático. Velhice, nada mais.

Tampouco aconteceu algo de dramático a ela, aqui, há setenta e cinco anos. Ela apenas mudou de personalidade, apenas isso.

Talvez ela tenha dormido com Robinson. Ou com um mensageiro de hotel. Ou...

Ah, cale-se!

Esqueça, Collier. Abandone essa idéia, rejeite-a, enterre-a, acabe com ela. Só um imbecil seguiria em frente.

Onze e trinta e um da noite. Fui à tabacaria, depois que terminou o espetáculo de Carol Burnett. Comprei um San Diego Union e um Los Angeles Times. Sentado no saguão, li os dois, da primeira à última página, teimosamente, como o bêbado que, após longa abstinência, empanturrasse de bebida. Reabsorvi os venenos de 1971, em irado desafio pelo que sentia.

Deixei os jornais no sofá do saguão. Fui para a Sala de Descanso Vitoriana.

Bebi um bloody mary. Assinei um vale pela bebida. Levantando-me, desci para a Arcada. Entrei na Sala de Jogos e me entretive com uma partida de beisebol, um quebra-cabeça por computador, um jogo de golfe, um fliperama. A sala estava vazia, as máquinas chocalhavam e eu desejava estilhaçar cada uma delas com uma marreta.

Quando voltei para cima, passei por pessoas em traje de noite. Havia um grande evento no Salão de Bailes; convenção relâmpago sobre acidentes automobilísticos.

Senti vontade de detê-las. Seria interessante dizer a todos como alguém se sente, ao colidir de cabeça com a realidade.

Outro bloody mary na Sala de Descanso Vitoriana. Na cabine vizinha, um casal discutia. Invejei os dois; estavam vivos. Fiquei lá, sentado, drenado, estripado, deformado e esquartejado. Pedi um terceiro bloody mary. Assinei o vale; quarto 527, Richard Collier. Subi, a fim de atirar-me pela janela. Não tive coragem. Em vez disso, fiquei vendo televisão.

Nunca me sentira tão vazio na vida. Tão absolutamente sem objetivo. Quem se sente assim morre. A vontade de viver é tudo. Quando ela some, o corpo a acompanha.

Não há nada que me prenda. Como uma personagem de desenhos animados, que corre além de um penhasco mas continua se movendo a meio caminho, em pleno ar, enquanto não percebe o que houve.

Eu já percebi.

Agora começo a cair."
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OMG... tão linda esta estória... E quando ela, velhinha, entrega o camafeu para ele na peça de teatro, logo antes de morrer?...



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